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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cientistas identificam criança como ‘paciente zero’ do ebola

Michael Duff/ap - 9.82014 Alerta: Vírus é transmitido por fluidos corporais, situação
agravada em locais com pouca infraestrutura
Doença teria se espalhado então para familiares e um profissional de saúde 

Boston, EUA. Passados mais de seis meses e quase mil mortes desde o início do surto de ebola no Oeste da África, cientistas anunciaram ter descoberto o que seria o “paciente zero” que deu início à epidemia. Ele seria um menino de 2 anos, que teria contraído o vírus em uma aldeia em Guéckédou, no sudeste da Guiné, e morrido no dia 6 de dezembro do ano passado, poucos dias depois de apresentar sintomas como febre, vômitos e diarreia.

De acordo com os especialistas, a doença teria se espalhado então para a mãe da criança, além da irmã de 3 anos e a avó do menino, antes de se transferir para um profissional de saúde a partir de Guéckédou.

O estudo, publicado no periódico norte-americano “New England Journal of Medicine”, traçou o caminho do ebola por meio da revisão de documentações hospitalares, bem como entrevistas com famílias afetadas, pacientes com suspeita de doença e habitantes de aldeias na região entre Libéria, Guiné e Serra Leoa, que concentra cerca de 70% dos casos.

Transmissão. O vírus é transmitido por fluidos corporais, o que agrava a situação em hospitais com pouca infraestrutura na África Ocidental. Os cientistas acreditam que o contágio do primeiro profissional de saúde na Guiné “parece ter provocado a disseminação do vírus para Macenta, Nzérékoré, e Kissidougou em fevereiro 2014”.

Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia sido notificada de que “uma doença contagiosa” se espalhou pela Guiné. No entanto, não foi possível identificá-la como ebola ainda naquele mês.

O estudo levantou ao menos duas hipóteses para a causa principal da epidemia. De acordo com os cientistas, há chances de a criança ter ingerido frutas contaminadas por fezes de morcego ou recebido uma injeção com uma agulha contaminada. No primeiro caso, o ebola teria sido carregado por morcegos usados como vetor do vírus. Se a contaminação por meio de uma agulha for a causa, o mais provável é que tenha havido um caso anterior de infecção que não foi registrado.

Medidas
Na última sexta-feira, a OMS decretou uma emergência de saúde pública de alcance mundial e convocou a comunidade internacional a se mobilizar contra a epidemia de ebola no oeste da África.

Desde o último sábado, aeroportos brasileiros passaram a veicular mensagens de alerta aos passageiros sobre os riscos de ebola. A doença já provocou ao menos 1.779 casos na África Ocidental e 961 mortes.

A Costa do Marfim anunciou ontem a suspensão de todos os voos de sua companhia nacional para e a partir dos países afetados pelo vírus.

Uso de drogas experimentais entra em debate Brasília
A utilização de medicamentos experimentais para tratar o ebola suscita intenso debate ético. Por isso, especialistas de todo o mundo se reuniram ontem para discutir a elaboração de diretrizes sobre o uso de medicamentos não autorizados em situações de emergência. Dois norte-americanos e um padre espanhol, infectados com o vírus quando cuidavam de doentes na África, estão sendo tratados com o medicamento experimental ZMapp, que mostrou resultados promissores. 

O remédio, da empresa norte-americana Mapp Pharmaceuticals, está em fase inicial de desenvolvimento e só foi testado em macacos, além de ser escasso. “É ético utilizar medicamentos não autorizados para tratar as pessoas? Em caso afirmativo, que critérios devem cumprir e em que condições, bem como quem deve ser tratado” são as questões a responder, disse Marie-Paule Kieny, assistente do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), anfitrião do encontro organizado pela OMS. Não existe atualmente tratamento ou vacina.

O Dia

Insulina inalada será vendida em 2015

Afrezza será usada para tratamento do diabetes tipo 1 e 2 nos adultos
Produto em formato de pó é usado para tratar diabetes tipos 1 e 2 

Uma insulina em pó inalável deve estar disponível no mercado norte-americano a partir do primeiro semestre de 2015.

A farmacêutica francesa Sanofi assinou um acordo de licença de cerca de US$ 925 milhões (R$ 2,1 bilhões) com a empresa de biotecnologia norte-americana MannKind Corporation.

Afrezza, “uma nova insulina de inalar de ação rápida”, será usada “para o tratamento da diabetes dos tipos 1 e 2 nos adultos”, segundo um comunicado das empresas envolvidas.

De acordo com o site da Bloomberg, a MannKind Corporation receberá um pagamento inicial de US$ 150 milhões (R$ 341 milhões).

Posteriormente, os pagamentos parciais podem chegar a US$ 775 milhões (R$ 1,765 bilhão), “caso sejam alcançados os objetivos particulares em termos de desenvolvimento, regulamentação e vendas”.

“A Sanofi tem uma estrutura global, e a empresa está claramente tentando fazer um número de coisas para oferecer confiança ao mercado de que isso é uma plataforma sustentável, de crescimento em longo prazo”, afirmou Peter Verdult, um analista da Citigroup Inc., em Londres.

Segundo o site, em 2006 foi lançada, pela Pfizer, uma versão de insulina inalável, a Exubera, mas que foi retirada do mercado um ano após o lançamento.

O Tempo

Parlamentares britânicos propõem que bebidas tenham alertas de danos à saúde

Thinkstock/Getty Images: Prateleira de bebidas no Reino Unido: 1,2 milhão dão
entrada por problemas alcoólicos anualmente
Documento de legisladores preocupados com alcoolismo também pede informações nutricional e calórica dos produtos 

Um documento divulgado pelo grupo diz que "alertas de saúde são usados de forma ampla em produtos de tabaco, assim como a tabela nutricional está presente em produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas".

"Ainda assim, as informações para consumidores em produtos alcoólicos não vão além do volume e do que está contido na embalagem. Toda bebida deveria vir com um alerta baseado em pesquisas sobre seus efeitos, além da informação nutricional e calórica e do conteúdo alcoólico", diz o documento.

Os políticos estão agora pressionando para que os partidos britânicos apoiem um conjunto de dez recomendações para minimizar problemas relacionados a bebidas no Reino Unido.

Questão séria
Entre as recomendações, os parlamentares pedem uma redução do limite do índice permitido de álcool no sangue ao dirigir, a criação de novas regras sobre publicidade de bebidas e a introdução de um preço mínimo para bebidas.

O grupo ainda advoga por uma campanha nacional de conscientização sobre os problemas relacionados ao álcool, pelo treinamento de assistentes sociais, parteiras e outros profissionais de saúde e pela disponibilização de tratamento para ao menos 15% das pessoas que enfrentam problemas relacionados ao álcool, ante o índice atual de 6%.

"Os fatos e números relacionados ao uso indevido de álcool no Reino Unido falam por si só - 1,2 milhão de pessoas por ano dão entrada em hospitais por problemas causados pelo álcool; o índice de pessoas com menos de 30 anos que têm problemas renais dobrou nos últimos 20 anos e o custo do álcool para a economia totaliza 21 bilhões de libras", diz Tracey Crouch, líder do grupo parlamentar. "Fazer com que os partidos se comprometam com as dez medidas será um grande passo para lidar com a séria questão de saúde pública gerada pelo álcool."

Segundo Jackie Ballard, presidente do conselho da ONG Alcohol Concern, o álcool está relacionado a 60 problemas de saúde: "As pessoas pensam que somente os problemas renais são causados pelo álcool, mas não pensam que também podem ter pressão alta, maior risco de ataques cardíacos, AVC e até mesmo câncer".

Mais informação
No entanto, Sarah Hanratty, vice-presidente do Portman Group, que foi criado pelos principais produtores de álcool britânicos para promover o consumo responsável de bebidas, diz que 80% das pessoas bebem "de acordo" com as recomendações do governo. Ela é contra os alertas de saúde em embalagens de bebidas.

"Há bastante informação disponível. A indústria trabalha muito para seguir as recomendações do governo. Basta olhar para a parte de trás do rótulo para encontrar dados úteis para os consumidores", diz Hanratty.

O governo diz que está trabalhando para reduzir o consumo excessivo de álcool e combater a venda de bebidas a preços muito baixos. Segundo uma porta-voz, medidas estão sendo tomadas para melhor informar sobre o impacto que a bebida pode ter na saúde.

"A indústria de bebidas se comprometeu a colocar mensagens relacionadas à saúde em 80% das garrafas e latas, e banimos as vendas de bebidas a preços muito baixos", disse ela.

BBC Brasil / iG

Menino ganha novas orelhas feitas a partir de cartilagem das costela

BBC: Kieran Sorkin, 9 anos, se incomodava com a malformação de suas orelhas, agora arrumadas
Britânico Kieran Sorkin, 9 anos, nasceu com uma anomalia genética caracterizada pela malformação dos órgãos 

Kieran Sorkin é um garoto inglês de apenas nove anos que até pouco tempo atrás tinha que lidar com o bullying diário na escola por conta de um problema estético: ele não tinha a maior parte das orelhas.

O jovem nasceu com uma anomalia genética chamada microtia, que caracteriza por uma malformação das orelhas. No local onde elas deveriam estar, Kieran tinha apenas os lóbulos.

Passando por uma cirurgia estética reconstrutiva no hospital infantil Great Ormond Street de Londres, Kieran ganhou orelhas, foram criadas a partir de pedaços da cartilagem de seis das suas costelas.

Os pedaços foram cortados, moldados e costurados para depois serem inseridos em pedaços de pele do garoto. Em seguida, usando a técnica da sucção, eles assumiram a forma das orelhas direita e esquerda do menino.

Risadas doloridas
O resultado da operação foi considerado muito positivo por Kieran, que saiu aliviado por não ter de ouvir mais piadas dos colegas por causa de sua anomalia.

“Eu quero que as pessoas parem de me fazer perguntas. Eu apenas queria parecer igual aos meus amigos”, disse o menino. “Eu queria também poder usar óculos de sol e fones de ouvido.”

Próteses das orelhas feitas a partir da cartilagem das costelas do menino britânico
Três dias depois da cirurgia, Kieran recebeu um espelho para ver as novas orelhas. Sua primeira reação foi de surpresa: “Uau!”. O garoto começou a rir incontrolavelmente, mas a operação feita também na costela fazia com que ele sentisse dor com as risadas.

Kieran ainda vai precisar de uma segunda operação nos próximos seis meses para deixar as orelhas mais separadas do couro cabeludo.

Benefícios psicológicos
Kieran também nasceu surdo, mas já tinha resolvido o problema da audição com uma cirurgia prévia. A questão estética, porém, ainda o incomodava.

“Ele é um garoto muito sociável e esperou anos por essa operação. Eu não quero crianças fazendo bullying com ele porque ele é diferente. Só queria que todos o aceitassem”, comentou Louise Sorkin, mãe de Kieran.

Na manhã da operação, o cirurgião plástico Neil Bulstrode usou como modelo a orelha de Louise para moldar o novo órgão do filho. “Quando um paciente tem uma orelha, nós podemos imitá-la na nova orelha. Ainda bem que a mãe de Kieran tinha uma orelha muito bonita, então isso funcionou bem”, explicou o médico.

O hospital Great Ormond Street faz 40 dessas operações de reconstrução de orelha por ano, sendo a maioria para criar apenas uma orelha “ausente”. A cirurgia é estética e não serve para melhorar as condições auditivas. Mas o doutor Bulstrode explica que ela traz benefícios psicológicos impactantes.

“Se você pode mudar a confiança de um paciente nessa idade tão jovem, pode mudar a trajetória inteira da vida dele”, conta. “Você pode perceber isso quando eles voltam. É um incentivo enorme para eles.”

Engenharia dos tecidos
Avanços na “engenharia dos tecidos” indicam que esse tipo de cirurgia reconstrutiva poderá ser feito de uma forma diferente em uma década. Cientistas do Instituto de Saúde para Crianças da Universidade de Londres, estão criando células-tronco a partir do tecido de gordura dos pacientes.

O Instituto, que é um parceiro de pesquisa do hospital de Great Ormond Street, induz as células a produzirem cartilagem ou osso.

Uma das líderes do grupo de estudos em desenvolvimento e regeneração do Instituto, a doutora Patrizia Ferretti, disse que “esse tipo de abordagem seria bem menos ‘invasivo’ do que o atual método de colheita de cartilagem da costela de uma criança."

No ano passado, cientistas dos Estados Unidos implantaram uma orelha semelhante à humana criada a partir de células de vacas e ovelhas em um rato.

Mas estudos como esse ainda estão apenas nos estágios iniciais e, para um futuro próximo, crianças que necessitem de novas orelhas ainda precisarão passar pelo mesmo procedimento usado no hospital de Great Ormond Street.

BBC Brasil / iG

EUA enviarão droga contra ebola para Libéria

Enfermeiro orienta parentes de vítimas na Libéria (Foto: EPA)
Foto: EPA - Enfermeiro orienta parentes de vítimas na Libéria
Doses de droga experimental, aplicada em médicos nos EUA, será usada em agentes de saúde no país da África Ocidental 

O presidente dos EUA, Barack Obama, aprovou um pedido do governo da Libéria para enviar ao país doses experimentais de uma droga que teria se mostrado efetiva contra o vírus ebola. A medida foi divulgada em nota pelo Poder Executivo do país da África Ocidental, nesta segunda-feira (11). 

O envio das doses experimentais é uma resposta direta a uma solicitação urgente enviada na última sexta-feira (11) pela presidente liberiana, Ellen Jonhson Sirleaf, a Barack Obama. Nela foi explicada que o Serum seria usado para tratar médicos da Libéria infectados pelo vírus, que já matou mais de 900 pessoas na África Ocidental - especialmente no país e em seus vizinhos República da Guiné e Serra Leoa.

Ao mesmo tempo em que o governo norte-americano confirmou o envio do Serum ainda para os próximos dias, o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Dr. Margaret Chan, também autorizou o despacho de doses adicionais da droga à Libéria para ajudar no tratamento de outros médicos afetados.

Na última sexta, o médico texano Kent Brantly, que está recebendo tratamento contra o ebola em Atlanta, nos EUA, declarou que está a "cada dia mais forte", provavelmente graças à droga Serum. 

Apesar da fraqueza, Nancy Writebol, que também contraiu o vírus trabalhando na Libéria, tem se recuperado, segundo disse na semana passada seu marido, David Writebol.

iG