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terça-feira, 12 de agosto de 2014

É preciso estimular registros de erros médicos

Para David Bates, presidente da ISQua, cultura de registro de falhas é necessária para avaliar e criar soluções para eventos adversos

É preciso estimular uma cultura de registro de erros ou quase falhas médicas, quando padrões não forem seguidos ou adotados, encorajando a avaliação e o desenvolvimento de soluções para eventos adversos, antes que eles ocorram. Esta é a opinião de David Bates, médico e presidente da International Society for Quality in Healthcare (ISQua), em entrevista publicada na revista Acreditação em Saúde, do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), segundo o qual “cada organização deve providenciar um mecanismo simples que permita um relato sem culpa para melhorar a qualidade e segurança do tratamento prestado aos pacientes”.

Chefe da divisão de medicina geral do Brigham and Women’s Hospital, nos EUA, Bates diz na entrevista que infecções associadas ao sistema de saúde são o principal fator nocivo para a saúde mundial, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Opina ainda sobre o desenvolvimento das instituições de saúde na América Latina: segundo ele, o cuidado e os recursos dos grandes hospitais já se igualam aos de qualquer outro lugar do mundo, mas em “áreas rurais e em hospitais de pequeno porte são frequentemente limitados”.

Bates estará no Brasil entre 5 a 8 de outubro, para a 31ª Conferência mundial da ISQua. Na entrevista, o médico defendeu o cadastro único do paciente, inclusive entre as redes públicas ou privadas. Segundo ele, um sistema de intercâmbio de informações que acompanhe o paciente traz grandes benefícios, o que já acontece em algumas regiões do Brasil, como São Paulo.

A entrevista exclusiva está na sétima edição da revista Acreditação em Saúde, que pode ser acessada (em pdf) no site da CBA

Saúde Web

Santas Casas poderão receber profissionais estrangeiros

Para autora do projeto, santas casas e hospitais filantrópicos são ‘lacuna’ do programa a ser corrigida

A Câmara analisa um projeto de lei (PL 6801/13), da deputada Sandra Rosado (PSB-RN), que inclui as santas casas de misericórdia e hospitais filantrópicos com mais de 50% de atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Programa Mais Médicos. 
Segundo a deputada, o programa ainda não contempla as santas casas, “instituições de saúde que são reconhecidamente parceiras do SUS na atenção à saúde da população mais carente”.

O Mais Médicos foi criado pela Medida Provisória 621/13, aprovada pela Câmara em outubro do ano passado e transformada na Lei 12.871/13. 
O programa viabilizou a contratação temporária de médicos brasileiros e estrangeiros para atuar em cidades com carência desses profissionais, as regiões prioritárias do SUS.

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A íntegra da proposta pode ser lido no site da Câmara.

Saúde Web

Impressão 3D: mais barata e acessível, inclusive para médicos

Depois da quebra de patentes, a impressão tridimensional já pode ser explorada e, na medicina, tem se mostrado útil na produção de modelos anatômicos, próteses, maxilares, etc 

Um busto feminino, uma arcada dentária, uma tala para o dedo, uma peça de engrenagem, um câmbio de carro, todos esses objetos aparentemente desconexos saiam da mala de Cláudio Luís Sampaio, um verdadeiro entusiasta do avanço tecnológico. 
 
O que une Sampaio e seu mostruário diverso é a impressão 3D de baixo custo, técnica ainda pouco utilizada no Brasil, mas apontada pelo desenvolvedor de softwares e instrutor da TechTraining como o futuro da produção industrial e, até, da economia. Os objetivos da mala do instrutor simbolizam as possibilidades infinitas das impressões que já acontecem no mundo inteiro de maneira colaborativa e o setor de Saúde é só mais uma das áreas que podem se beneficiar, e muito, com essa técnica. 

Para Sampaio, que possui um laboratório de impressão em sua própria casa, a solução é para todos, desde pequenas e grandes empresas até consumidores comuns. “Por enquanto as pessoas se perguntam ‘para que eu vou querer uma impressora 3D’, mas esquecem que fizeram essa mesma pergunta quando os computadores começaram a se espalhar”.
 
Esta acessibilidade só é hoje possível pela quebra de importantes patentes nos últimos anos, o que barateou os preços das máquinas. Hoje, as impressoras de baixo custo são open source e costumam utilizar diferentes tipos de plásticos e nylons. Apesar de impressões mais complexas já estarem sendo testadas mundo afora, incluindo a possibilidade de imprimir órgãos através da chamada bioimpressão, a medicina brasileira já está se beneficiando com modelos mais simples que produzem peças anatômicos, úteis na hora de estudar um tratamento ou intervenção, desenvolvem próteses, reconstroem dentes, além da possibilidade de imprimir recipientes para laboratórios de pesquisa e, inclusive, invólucros de embarcados, presentes em muitos aparelhos médicos. 

A entidade referência em projetos com tecnologias tridimensionais no Brasil é o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), em Campinas, atrelado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Estima-se que, desde 2000, já foram produzidas 3.385 peças para cirurgias, sendo a reconstituição de ossos os casos mais comuns — principalmente crânio, mandíbula e face —, decorrentes de acidentes, tumores ou anomalias genéticas.
 
A Anvisa já selou uma parceria com o CTI para regulamentar o uso da impressão 3D na medicina, entretanto, implantes personalizados ainda não são regulamentados.
Portanto, atualmente já é possível um médico em sua clínica ou um dentista em seu consultório comprar uma impressora 3D por cerca de R$ 3 mil a R$ 4 mil para a imprimir materiais de trabalho por meio de sites que disponibilizam imagens tridimensionais prontas, podendo ser redimensionadas de acordo com a necessidade. Para se ter uma ideia, o quilo de plástico, matéria prima da máquina, custa em média R$ 150 e é capaz de produzir 50 garrafas de 200 ml. 

Com o barateamento dos preços, Sampaio conta que diariamente softwares são melhorados, novos materiais imprimíveis descobertos e experiências realizadas globalmente, inclusive por pequenos grupos, os chamados “makers” – interessados em compartilhar descobertas, aprimorá-las e promover o acesso a todos. Diferente da tradição das patentes, o interesse é não reter boas ideias, desenvolver de forma colaborativa, assim como financiar (crowdfunding). 

“Nessa nova economia, vinda de clube, você produz um protótipo e publica, aí chega um cara da China, mexe, melhora e publica, um mês depois, vem um alemão e finaliza com perfeição”, explica o instrutor. “O objetivo não é o lucro, é não segurar as ideias, mas permitir que elas se aprimorem”. 

Não é difícil de entender o entusiasmo de Sampaio ao falar em revolução, em nova era, pois – ainda com patentes a serem quebradas e experimentos sendo testados – até casas já foram impressas. Este ano, a construtora chinesa Winsun montou uma impressora “gigante”, de 6,7 metros de altura, a um custo de US$ 5 mil, com a mesma técnica das pequenas, camada por camada, para produzir paredes inteiras. O material utilizado foi um combinado de cimento e fibra de vidro. 

Três vetores, na opinião de Sampaio, estão transformando as relações humanas. São eles: a impressão 3D; a microeletrônica de embarcados, presentes em dispositivos e sensores e a comunicação eletrônica. “Essas três coisas permitem a feitura de máquinas sofisticadas, comunicando em massa”. 

Nos dias 26 e 27 de agosto, o especialista estará na 3ª edição da feira MedTec MD&M Brazil (Medical Device and Manufacturing) com um tutorial sobre o funcionamento de uma impressora 3D de tecnologia FDM (fused deposition modeling). A feira, que acontece no Transamérica Expo Center (SP), oferece produtos e soluções em design e fabricação de equipamentos médicos, odontológicos e laboratoriais, um mercado que fatura cerca de R$ 16 bilhões por ano e cresce anualmente 10%, em média. 
 
Saúde Web

Caminhada pode reduzir risco de câncer de mama

http://chrysalisgirlsandwomen.org/wp-content/uploads/2013/02/woman-walking.jpg Caminhar meia hora por dia já ajuda na diminuição do risco da doença 

As mulheres que praticam pelo menos 30 minutos por dia de caminhada têm 10% menos de chance de desenvolver câncer de mama, revelou um estudo publicado no jornal da Associação Americana de Pesquisa do Câncer. Os cientistas monitoraram mulheres que já haviam passado pela menopausa.

— Nós descobrimos que a atividade física de lazer, mesmo de modesta intensidade, parecia ter um impacto rápido sobre o risco de câncer de mama. 

As mulheres devem ser encorajadas a continuar o exercício físico. E aquelas que não se exercitam deveriam iniciar, porque o seu risco de câncer de mama pode diminuir rapidamente — explica o pesquisador Agnes Fournier.

Fournier e colegas analisaram dados obtidos a partir de questionários preenchidos por quase 60 mil mulheres pós-menopáusicas. 

O tempo médio de acompanhamento foi de 8,5 anos — durante os quais 2 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama invasivo.

Os efeitos de redução de risco de câncer de mama por causa da atividade física eram independentes do índice de massa corporal, ganho de peso, circunferência da cintura e do nível de atividade de cinco a nove anos antes.

Zero Hora

Comer peixe uma vez por semana melhora a saúde cerebral

Divulgação/RBS TV
Benefícios estão nos preparos cozido ou grelhado 

Comer peixe assado ou grelhado uma vez por semana faz bem para o cérebro, aponta pesquisa divulgada no início do mês por cientistas da University of Pittsburgh School of Medicine. O estudo também afirmou que os benefícios para a saúde são independentemente da quantidade de ômega-3 ou ácidos graxos que o alimento contém.
Os pesquisadores estimam que mais de 80 milhões de pessoas terão demência em 2040, o que poderia elevar os custos de cuidados de saúde, observou o cientista James T. Becker. O efeito antioxidante do ômega-3 — encontrado em grandes quantidades em peixes, sementes, nozes e certos óleos — têm sido associados com a melhoria da saúde, especialmente a saúde do cérebro.
Na pesquisa, as pessoas que comiam peixe, desde que não fossem preparados em frituras, pelo menos uma vez por semana tinham maiores volumes cerebrais em áreas do responsáveis pela memória e pela cognição.

— Uma confluência de fatores de estilo de vida provavelmente são responsáveis pela melhor saúde do cérebro, e esta reserva pode prevenir ou retardar problemas cognitivos que podem se desenvolver mais tarde na vida — avalia um dos responsáveis pelo estudo, James T. Becker.

Zero Hora