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domingo, 31 de agosto de 2014

Infertilidade: droga de câncer de mama é 30% mais eficaz que remédio usual

Estudo feito em 750 mulheres entre 18 e 40 anos descobriu que taxa de gêmeos após esse tratamento é também é menor 

Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que o letrozole, remédio usado para evitar a reincidência do câncer de mama, é 30% mais eficaz para estimular a ovulação em comparação ao clomifeno, medicamento atualmente usado para esse fim.

A pesquisa, feita em 750 mulheres entre 18 e 40 anos, analisou o resultado do uso do letrozole e clomifeno ao longo de até cinco ciclos menstruais e provou que a taxa de gravidezes aumentou no uso do medicamento novo em relação ao antigo.

A droga é principalmente indicada para quem sogre da síndrome do ovário policístico (SOP) – um conjunto de sintomas que vão desde a androgenia (características masculinas, como pelos mais grossos), até a acne e menstruação irregular. Mesmo com a síndrome, algumas mulheres conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras conseguem conceber somente quando mudam hábitos de vida, como perder peso, controlar o estresse e se alimentar corretamente.

No entanto, para um grupo de mulheres, essas medidas não funcionam, o que leva o ginecologista a receitar um medicamento para estimular a ovulação. São nesses casos que o letrozole se mostrou mais eficiente do comumente usado clomifeno.

A ginecologista especialista em reprodução humana do Vida, Centro de Fertilidade da Rede D’Or, Alessandra Evangelista, explica que o letrozole não é um medicamento novo: está no Brasil há algum tempo para evitar reincidência do câncer de mama. No entanto, a prescrição do novo uso poderá encontrar barreiras no preço: as doses do clomifeno giram em torno de R$ 30 a 50, enquanto o letrozole custa em média de R$ 200 a 400.

Ter um medicamento mais eficaz no mercado não invalida o uso do antigo, que, na grande maioria das vezes, é suficiente para fazer uma mulher engravidar. Acima de tudo, alerta a médica, é preciso investigar a causa da infertilidade.

Thinkstock: Portadoras da Síndrome do Ovário Policístico podem se beneficiar
com uso do medicamento
A idade é um dos fatores que limitam a escolha de tratamentos. Alessandra explica que, em uma mulher com 25 anos, por exemplo, há tempo para que ela possa mudar hábitos de vida, perder peso e desestressar-se. Já se ela tem 35 anos, o tratamento deve ser mais rápido, uma vez que a taxa de fertilidade cai drasticamente após essa idade. A mulher deve tentar mudar os hábitos rapidamente e, se não conseguir engravidar, parte-se para o tratamento.

Menos gêmeos
Um dos trunfos do letrozole é a menor taxa de nascimento de gêmeos. O estudo mostra que aproximadamente 10% das mulheres que foram estimuladas com clomifeno tiveram gêmeos. Para o letrozole, a taxa caiu para 3%. Segundo os médicos envolvidos com o estudo, conceber apenas um bebê a cada gravidez torna a gestação mais segura.

Disponível no Brasil, o uso do letrozole para estimular ovulação é o que se chama de “off label” – quando um medicamento para um determinado fim é usado para outro propósito. No entanto, como testes de segurança foram feitos para libera-lo para uso nos casos de câncer de mama, a aprovação de um órgão regulador de medicamentos para uma nova função do remédio pode vir mais rapidamente.

iG

sábado, 30 de agosto de 2014

O mistério por trás do desmaio de 200 meninas na Colômbia

Crédito: El Heraldo - Meninas colombianas sofrem desmaios
Nos últimos 12 dias, os médicos de El Carmen de Bolívar, uma cidade no norte da Colômbia, já atenderam pelo menos 200 meninas com sintomas muito parecidos: desmaios, tonturas, dor de cabeça, dormência e formigamento em várias partes do corpo. A razão para essas reações ainda é um mistério

Elas não foram as primeiras a darem entrada no Hospital Nuestra Señora del Carmen com quadro similar. De acordo com o prefeito de El Carmen de Bolívar, Francisco Veja, foram registrados um total de 276 casos como esse desde o meio do ano. Todos com adolescentes, sendo a maioria deles estudantes do Colégio Espírito Santo.

O próprio Ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria, citou na última quinta-feira "246 meninas que apareceram com sintomas bizarros".

Diante desse quadro, aumentaram as especulações sobre as causas que estariam levando as jovens a desmaiarem. Na falta de um diagnóstico preciso, multiplicam-se as teorias que correm no boca a boca entre os colombianos.

Para acabar com as especulações, especialmente as que ligam os casos a uma possível reação adversa à vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), o ministro da Saúde convocou uma coletiva de imprensa e revelou a hipótese "que parece mais provável no momento" – e que é, inclusive, "apoiada por especialistas". Segundo Gaviria, os sintomas seriam uma ‘resposta psicogênica em massa’.

'Medo coletivo'
"A resposta psicogênica em massa é uma espécie de sugestão de medo coletivo que se contagia de um lado para o outro e termina apresentando um fenômeno estranho", explicou o ministro aos jornalistas.

"Os sintomas aparecem, mas quando os médicos vão examinar clinicamente as meninas, não encontram nenhum tipo de doença."

O ministro citou casos similares ao redor do mundo, um deles que aconteceu no Taiwan, após uma campanha de vacinação em massa para prevenir a gripe suína (N1H1), e outro na Austrália, mas sem dar datas, nem mais detalhes de como aconteceram.

No entanto, Gaviria insistiu que as meninas estão, sim, doentes.

Famílias das garotas colombianas sofrem com falta de diagnóstico para o problema
"Não é que essas meninas não estejam doentes, elas estão. Não estamos subestimando o problema. O problema tem que ser levado a sério e seguiremos acompanhando e apoiando a comunidade, mas isso não parece ser um problema de uma doença clínica."

Alejandro Gaviria ainda acrescentou que o Ministério da Saúde colombiano quer trabalhar nesta semana com a Associação Colombiana de Psiquiatria, que se mostrou disposta a se deslocar até El Carmen de Bolívar para estudar os casos.

O ministro novamente reiterou que o motivo para os sintomas nas garotas não aparenta ser clínico e que nada tem a ver com a vacina contra o vírus do HPV. "Não há nenhuma evidência que possa haver uma relação entre as duas coisas", acrescentou ele, insistindo que tem o apoio da Organização Mundial da Saúde, da Organização Pan-Americana da Saúde "e de todas as associações científicas."

Mistério continua
As explicações do ministro não convenceram a todos. "A coletiva de imprensa dele abalou os ânimos de vários pais das garotas", explicou Vicente Arcieri, jornalista da sucursal do El Heraldo em Cartagena das Índias. 

Uma hora depois da coletiva de imprensa, várias pessoas protestaram por cinco horas em Troncal de Occidente - a estrada que liga o interior do país com a costa - pela postura das autoridades com o caso.

O jornalista Vicente Arcieri está acompanhando bem de perto o caso e esteve no Hospital Nuestra Señora del Carmen na última quinta. Segundo ele, somente nesse dia, 10 meninas deram entrada no hospital com os sintomas já conhecidos – desmaios, tonturas, dormência e formigamento em várias partes do corpo.

Foram esses os casos mais recentes de um fenômeno que tem preocupado cidadãos e autoridades colombianas há meses. Dez das primeiras pacientes que deram entrada no Hospital Nuestra Señora del Carmen estão sendo tratadas em Bogotá, no Hospital Infantil Universitário de San José.

Uma delas é a filha de María Romero. Foi a primeira das que apresentaram os sintomas em El Carmen de Bolívar, no dia 21 de março. Elas recorreram primeiro ao centro de saúde da região e tiveram que voltar para lá pela mesma razão em 23 de abril.

"Desde então não tivemos descanso", contou Romero à BBC por telefone.

No hospital de Bogotá, disseram que o resultado de um teste feito com a filha de Romero apontou que ela teve intoxicação por chumbo, assim como outra menina do grupo.

O chefe de toxicologia do hospital, Camilo Uribe, explicou na quarta-feira ao diário colombiano El Tiempo que não havia características claras ou específicas que indicassem o que as outras pacientes poderiam ter. E acrescentou que os próximos exames estariam focados em endocrinologia, imunologia e psiquiatria. 

As autoridades informaram que o diagnóstico sairá em uma semana. Uma resposta que poderá acabar com o mistério e acalmar os ânimos na Colômbia.

BBC Brasil

30 de Agosto: Dia Nacional da Conscientização da Esclerose Múltipla

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Dificuldade para andar é principal queixa de pessoas com esclerose múltipla

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Por isso, uma pesquisa inédita conduzida pela empresa de biotecnologia Biogen Idec, feita com médicos, cuidadores e pacientes brasileiros, chama a atenção para a importância da mobilidade na vida das pessoas que convivem com a doença.

Segundo dados da Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla), a esclerose múltipla acomete cerca de 35 mil pessoas no país, principalmente adultos jovens do sexo feminino.

A pesquisa revela que 96% dos pacientes e cuidadores e 61% dos médicos encaram o ato de caminhar como a função mais impactada pela esclerose múltipla, seguida da perda da visão, de acordo com 71% dos pacientes e 37% dos médicos.

Em relação aos sintomas associados à mobilidade, 24% dos pacientes reclamam de fadiga, 22% de falta de força nas pernas, 16% de dificuldade de coordenação e equilíbrio ou dores nas pernas, enquanto 55% dos médicos apontam o formigamento dos membros inferiores como o principal fator que prejudica a qualidade de vida.

Ainda segundo a pesquisa, 76% dos pacientes relatam dificuldade para caminhar longas distâncias, 58% apontam algum prejuízo na vida profissional e 51% alegam limitações para praticar atividade física. Realizar funções diárias como cozinhar, atender o telefone, tomar banho ou limpar a casa afetam 25% dos pacientes entrevistados.

Ao todo, foram ouvidos 105 médicos neurologistas, 143 pacientes com queixas de mobilidade relatadas previamente e 11 cuidadores, sendo 85% do sexo feminino e 15% do sexo masculino, das cinco regiões brasileiras.

De acordo com Jefferson Becker, médico coordenador da pesquisa e do Programa de Neuroimunologia do Inscer (Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul), o diagnóstico da esclerose múltipla gera, de imediato, uma preocupação com a qualidade de vida do paciente.

"Problemas de mobilidade podem representar a perda da independência ou autonomia e devem ser considerados pelos médicos, pacientes e cuidadores, para que, juntos, encontrem as melhores alternativas para amenizar o impacto causado pela progressão da doença", recomenda o especialista.

O médico ressalta que os tratamentos disponíveis atualmente tratam os sintomas e reduzem o risco de surtos, controlando a progressão da doença e melhoram a capacidade de andar em pacientes que tiveram essa função prejudicada.

Nando Bolognesi, ator, sofre de esclerose múltipla há mais de 25 anos
Superação
Para reforçar a discussão sobre o tema e mostrar à população que é possível conviver com a esclerose múltipla e encará-la sob uma ótica mais positiva, a Biogen Idec preparou uma campanha online com o ator Nando Bolognesi, 45, diagnosticado com a doença há mais de 25 anos.

No filme, Nando, que já integrou a trupe dos Doutores da Alegria, aparece em um camarim se maquiando pouco antes de subir ao palco e encarnar seu palhaço Comendador Nelson, personagem real de seu espetáculo 'Se fosse fácil não teria graça', inspirado em suas experiências hilárias e, ao mesmo tempo, comoventes com a esclerose múltipla.

"Criei o palhaço Comendador porque ele representa minha maneira mais sincera de encarar tudo isso que aconteceu na minha vida até hoje", conta Nando.

Em pouco mais de um minuto, enquanto se transforma no palhaço, Nando narra a lição que a doença lhe trouxe: a arte de "desdramatizar" a vida, ou seja, levar com mais leveza os desafios que nos colocam à prova.

Nando achava que a doença o impediria de seguir a carreira artística porque teria que usar bengala. Mas uma oficina de palhaço mostrou que estava enganado, afinal, o maior palhaço de todos os tempos, Charles Chaplin, usava bengala. E a carreira de ator continua até hoje, graças ao apoio das duas bengalas que usa para se equilibrar e ao tratamento médico para controlar a doença.

Mais sobre a esclerose múltipla
O que é a esclerose múltipla?
A EM (Esclerose Múltipla) é uma doença inflamatória crônica e incapacitante que afeta o sistema nervoso central. Atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente 35 mil pessoas convivem com a doença, sendo que aproximadamente 13 mil estão em tratamento atualmente. 

Quais são os principais sintomas?
Os principais sintomas são fadiga, formigamento ou queimação nos membros, visão embaçada, dupla ou perda da visão, tontura, rigidez muscular e problemas de cognição. A progressão, gravidade e sintomas variam de uma pessoa para outra. 

Quais são as causas?
Sua causa é desconhecida, mas a hipótese mais aceita é que seja uma doença autoimune complexa e que fatores genéticos e ambientais também sejam responsáveis pelo seu aparecimento. A esclerose múltipla recorrente-remitente é a forma mais comum da doença, representando 85% dos casos. É caracterizada por surtos bem definidos, com recuperação completa ou sequelas permanentes após os surtos. 

Como é feito o diagnóstico?
Por ser uma doença com sintomas comuns a outras patologias, nem sempre o diagnóstico é fácil. O importante é procurar um neurologista assim que surgir algum sintoma característico (perda de visão, força, sensibilidade ou equilíbrio, visão dupla e alteração do controle da urina) que dure mais de 24h. A ressonância magnética do crânio e da medula são fundamentais para definir o diagnóstico. 

E tem tratamento?
Embora ainda não haja cura, existem tratamentos para a esclerose múltipla que diminuem o aparecimento dos surtos e reduzem sua gravidade, assim como diminuem o grau de incapacidade e melhoram a qualidade de vida dos pacientes.
UOL 

A importância da mente no orgasmo da mulher

O orgasmo está na cabeça: segundo um novo estudo da Universidade de Louvain, na Bélgica, a habilidade de uma mulher de chegar ao clímax pode ter muito a ver com a sua capacidade de se concentrar em seu corpo e orientar seus pensamentos de certa forma

Quando começaram a estudar o orgasmo feminino, os pesquisadores não faziam ideia de que o aspecto cognitivo fosse tão importante no sexo quanto seus resultados sugerem.

Para o estudo, eles recrutaram 251 mulheres francesas com idades entre 18 a 67 anos. 176 dessas mulheres se definiram como “orgásticas”, o que significa que tinham orgasmos regularmente durante o sexo, e 75 se definiram como “não orgásticas”, o que significa que relataram ter dificuldades em atingir o orgasmo durante o sexo.

Todas as mulheres eram sexualmente ativas, com uma frequência de atividade sexual variando entre duas a 90 vezes por mês. Quase 90% delas eram heterossexuais.

As participantes responderam a perguntas sobre emoções, pensamentos e comportamentos que normalmente desempenham um papel na capacidade de atingir o orgasmo, tanto durante o sexo quanto durante a autoestimulação.

Os pesquisadores descobriram que as mulheres que tinham orgasmo com frequência durante o sexo relataram ter mais pensamentos eróticos durante suas relações sexuais do que as que não tinham orgasmos regularmente durante o sexo.

No entanto, ambos os grupos de mulheres relataram ter quantidades iguais de pensamentos eróticos durante a autoestimulação, ou seja, quando estavam obtendo prazer sozinhas, sem os seus parceiros românticos.

“Parece que as mulheres não têm nenhum problema em focar em fantasias eróticas quando estão por conta própria”, explica a principal autora do estudo, Pascal De Sutter. “Mas as mulheres que não têm orgasmo regularmente durante o sexo parecem ter mais dificuldades em concentrar sua atenção no momento presente quando têm relações sexuais com seus parceiros”.

Segundo De Sutter, preocupações sobre aparência ou peso também podem distrair algumas mulheres quando elas estão na presença de um parceiro.

O poder da mente
Os resultados desse estudo estão de acordo com os achados da pesquisa existente sobre o assunto. Ou seja, tudo indica que existe uma ligação entre a falta de pensamentos eróticos durante a relação sexual e a dificuldade em atingir o orgasmo para as mulheres.

O estudo também determinou que as mulheres que tinham dificuldades em atingir o orgasmo eram mais propensas a ser distraídas por pensamentos que não estavam relacionados com sexo durante a relação sexual.

Elke Reissing, diretora do Laboratório de Pesquisa Sobre Sexualidade Humana na Universidade de Ottawa (Canadá), disse que as novas descobertas sobre a importância dos pensamentos eróticos durante o sexo poderiam ajudar as mulheres a ter orgasmos, por exemplo, empregando técnicas para aumentar a sua capacidade de se concentrar em suas sensações físicas durante a relação sexual.

Segundo ela, existem evidências na literatura científica de que abordagens como a técnica de atenção plena (uma técnica de meditação) são muito bem sucedidas no tratamento de disfunções sexuais. Tais abordagens têm como objetivo ajudar as mulheres a se concentrar no momento presente durante o sexo e, assim, a aumentar a sua excitação e atingir o orgasmo.

E se por acaso você acha que está sozinha nessa de não conseguir chegar lá, não se desespere. Como as respostas das mulheres mostraram diferenças relacionadas com a idade – as mais jovens eram mais propensas a ter problemas com o orgasmo do que as mais velhas -, é provável que exista um aspecto de aprendizagem em ser capaz de atingir o orgasmo de forma mais confiável ou frequente.

Ou seja, nem tudo está perdido. Na verdade, tudo pode ser aprendido – através, por exemplo, do uso de pensamentos eróticos, como sugere esse novo estudo.

 LiveScience /  Hypescience