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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Conheça os benefícios de comer peixe

Vanessa V./ Freeimages
Alimento bem para o coração, os ossos e até para a visão 

Ele é saboroso, nutritivo e faz muito bem para a saúde. Ainda assim, há quem resista em incluir o peixe na alimentação do dia a dia. 

Apesar de vivermos em um país com mais de 8 mil quilômetros de praias e outros milhares de quilômetros de rios, o brasileiro consome apenas nove quilos de pescados por ano, de acordo com dados do Ministério da Pesca e da Aquicultura. Número que, apesar de ter crescido nos últimos anos, ainda é muito inferior ao do consumo de carne vermelha, que alcança 37 quilos anuais no país.

E motivos para aumentar o consumo de peixes não faltam: ele está relacionado a menores níveis de colesterol ruim, aumento do colesterol bom, beneficiando diretamente a saúde do coração. Além disso, há amplos estudos que indicam que os peixes ajudam a evitar enfermidades como a asma, a artrite reumatoide e as doenças inflamatórias intestinais. 

— Os peixes fornecem uma proteína de excelente valor biológico, de fácil digestão e, ao contrário das outras carnes, não são ricos em gorduras saturadas e possuem menos calorias, podendo auxiliar na perda de peso — explica a endocrinologista do Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica da PUCRS, Andresa Colombo Balestro.

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Os peixes também são ricos em vitaminas, cálcio, ferro e selênio. São fontes de cálcio e vitamina D, auxiliando na saúde óssea e prevenindo a osteoporose. Possuem vitaminas do complexo B que fortalecem o sistema nervoso e ajudam no crescimento e bom estado da pele, unhas e visão. Para ter todos esses benefícios, não precisa ter um consumo muito elevado: basta uma porção de 100g, o equivalente a um filé pequeno, duas vezes por semana, de acordo com recomendações da American Heart Association.

O poderoso ômega 3
Um dos principais componentes que tornam os peixes alimentos tão saudáveis é o ômega 3.

— Os ácidos graxos ômega 3 reduzem a viscosidade do sangue, diminuindo as taxas de triglicérides e aumentando o colesterol bom. Podem auxiliar no controle da pressão arterial, do diabetes e de doenças degenerativas — afirma Andresa.

O ômega 3 também traz benefícios para a saúde de gestantes e bebês, sendo responsável por uma taxa menor de partos prematuros. O consumo de peixes é liberado na gestação, desde que o alimento esteja bem cozido.

— O ômega 3 é importante no desenvolvimento do sistema nervoso central do feto e do recém-nascido. Por isso, a mãe deve manter uma dieta rica em peixes também durante a amamentação — diz a nutricionista Paula Zubiaurre.

Todos os peixes contêm ômega 3, mas os campeões na quantidade são os de água fria. Entretanto, é bom ficar atento à procedência, pois os animais criados em cativeiros têm uma concentração menor do ácido graxo. Também é importante prestar atenção à forma de consumo: o produto fresco tem qualidade superior àquele que já está pronto, como os enlatados. No caso do atum e da sardinha, ainda assim, eles continuam sendo fonte de ômega 3. A dica é optar pelo produto preparado em água e sal, mais saudável do que a versão em óleo. E, ao optar pela versão fresca, cuidado na hora do preparo: evite as frituras e retire a pele do peixe antes de grelhar ou assar, pois é nela que se encontra ao mau colesterol.

Que quantidade deve ser ingerida para obter a porção adequada de ômega 3?
Um estudo publicado no Journal of the American Heart Association em 2002 apresentou a quantidade de peixes a ser consumida diariamente para alcançar aproximadamente 1g de ômega 3. 

Confira: 
- Atum enlatado em água: 340g

- Atum fresco: 71g a 340g

- Salmão rosa: 71g

- Salmão do Atlântico (cultivado): 42,5g a 71g

- Salmão do Atlântico (selvagem): 57g a 99g

- Truta cultivada: 85g

- Truta selvagem: 99g

- Bacalhau do Atlântico: 354g

- Bacalhau do Pacífico: 652g

- Sardinha: 57g a 85g

- Cavala: 57g a 241 g

- Arenque do Atlântico: 57g

Zero Hora

Pesquisa mostra que 65% dos pacientes com câncer continuam fumando

Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Maioria dos fumantes não consegue
 largar o cigarro, mesmo após receber diagnóstico de doença
Levantamento feito pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) com pacientes da instituição mostra que 65% dos pacientes fumantes não conseguem largar o cigarro mesmo após receber o diagnóstico da doença

O coordenador de Apoio ao Tabagista do instituto, Frederico Fernandes, disse que o resultado da pesquisa foi surpreendente. “Nós imaginávamos, justamente, que uma pessoa que fumasse, na hora de receber o diagnóstico de câncer ficasse motivada a parar, pelo fato de ter desenvolvido uma doença relacionada ao tabagismo”, ressaltou em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o médico, apesar da vontade dos pacientes de largar o tabaco, o vício é muito forte. “Quando a gente conversa com esses pacientes, vemos que eles têm vontade, estão motivados, mas, pelo fato de ter um nível alto de dependência da nicotina, não conseguem parar ou reduzir”, contou.

A situação se agrava, de acordo com Fernandes, pelo fato de o cigarro ser uma válvula de escape de grande parte dessas pessoas ao lidar com situações difíceis. “E, muitas vezes, quando a pessoa recebe um diagnóstico como esse, acentua os traços de ansiedade. Com isso, ela acaba não conseguindo largar o cigarro por não conseguir canalizar a ansiedade contra a doença em outra coisa”, explica o médico.

Além de ser um fator que contribui para o surgimento do câncer, Fernandes destaca que o cigarro pode atrapalhar o tratamento. “Alguns tipos de quimioterapia têm menor eficácia quando a pessoa continua fumando e recebendo o tratamento”, enfatiza. Fumar também interfere na cicatrização e recuperação de cirurgias. “Se uma pessoa é submetida a uma cirurgia, parando de fumar ela tem uma cicatrização melhor e um pós-operatório menos complicado”, acrescenta.

Há ainda, segundo o médico, o problema da fragilização do sistema respiratório. “Uma das principais complicações que ocorrem no tratamento de câncer são as infecções respiratórias. E a pessoa que fuma tem chance maior de contrair uma infecção durante o tratamento do câncer”.

Por isso, o Icesp montou uma equipe para apoiar os pacientes que querem deixar o cigarro. “Nós temos uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, enfermeiros, nutricionistas e médicos, que vai dar um tratamento baseado tanto em medidas comportamentais, quanto em medicações, para tentar diminuir o vício”, detalha Fernandes.

Uma das principais linhas de atuação do grupo é, justamente, ajudar os fumantes a lidar com a ansiedade sem o tabaco. “Ensinar como lidar com as situações de problema, com o stress do dia a dia, sem precisar recorrer ao cigarro, coisa que muitos deles estão acostumados a recorrer desde a adolescência”, explica o médico.

Agência Brasil

Nova dose da vacinação contra HPV começa hoje, dia 1º

Expectativa da campanha é de que 80% das 4,9 milhões de meninas entre 11 e 13 anos sejam imunizadas no país; vacina será distribuída em escolas públicas e privadas, além dos postos de saúde

A partir desta segunda-feira (1º), as meninas de 11 a 13 anos poderão tomar a segunda dose da vacina contra o HPV (papilomavírus humano), que protege contra o câncer de colo de útero.

O anúncio desta fase de vacinação foi feito nesta sexta-feira (29) pelo Ministério da Saúde. Quem tomou a primeira dose da vacina deve tomar a próxima para garantir a imunização completa.

A expectativa da pasta é de que 80% das 4,9 milhões de meninas nessa faixa etária sejam imunizadas no país nos próximos meses. A vacina será distribuída nas escolas públicas e privadas e nos postos de saúde em todo o país.

A primeira dose da vacina começou a ser distribuída em março deste ano. Em seis meses, o governo conseguiu aplicar a vacina em 4,3 milhões de meninas, o que corresponde a 87,3% do público-alvo. Ela é distribuída pelo SUS (Sistema Único de Saúde). São Paulo foi o Estado que teve o melhor resultado, tendo vacinado 98,74% das meninas na faixa etária.

A estratégia adotada no início da vacinação será mantida agora. Não há prazo para a vacinação, ou seja, quem fez 11 anos agora pode tomar ainda a primeira dose da vacina e em seis meses deverá tomar a segunda dose. A terceira dose da vacina será aplicada daqui a cinco anos como reforço para a imunização.

Em 2015, a vacina passará a ser oferecida para as adolescentes de 9 a 11 anos e em 2016, às meninas de 9 anos. A meta é ter todas as mulheres entre 9 e 15 anos vacinadas contra a doença até 2016.

O vírus do HPV é um dos causadores do câncer de colo de útero, terceiro tumor mais frequente em mulheres no país e terceira principal causa de morte entre mulheres no país, de acordo com o Ministério da Saúde. Na região Nordeste, esse tipo de câncer é o mais letal.

O ministro ressaltou ainda que a imunização contribui para a redução dos casos de câncer de colo de útero mas outros métodos de proteção precisam continuar sendo usados, como o uso de camisinhas, e o exame de papanicolau, recomendado para mulheres a partir dos 25 anos, também deve continuar sendo feito mesmo por quem já tomou a vacina.

A vacina não será compulsória. Caso a menina se recuse a ser imunizada na escola, ou os seus pais a proíbam, receberá orientação para procurar um posto de saúde. A vacina utilizada no Brasil é a chamada quadrivalente, a mais comum no mundo. Ela protege contra o câncer e contra verrugas anogenitais.

O Tempo

domingo, 31 de agosto de 2014

Acidentes com animais peçonhentos no país dobram em 10 anos

Foto: Rodrigo Sargaço/EPTV
Crescimento é preocupante, diz pesquisadora do Instituto Butantan. Ação do homem no meio ambiente tem provocado fenômeno, afirma 

Os acidentes com animais peçonhentos vêm aumentando no Brasil: entre 2003 e 2013, o número de ocorrências pulou de 75.642 para 162.234, crescimento de 114,5%, segundo dados do Ministério da Saúde.

O assunto veio à tona na conferência de abertura da XXIX Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), que acontece esta semana em Caxambu, Minas Gerais. De acordo com a médica Fan Hui Wen, pesquisadora do Instituto Butantan, o aumento se deve principalmente a alterações ambientais provocadas pelo homem.

No caso dos acidentes com escorpiões, que foram responsáveis por 79.481 acidentes notificados no ano passado, o crescimento pode ser atribuído à degradação do ambiente urbano, principalmente nas periferias, segundo a pesquisadora. “O acidente por escorpião vem sendo registrado principalmente nessas áreas, em regiões onde as condições sanitárias não são as mais adequadas. Temos visto isso principalmente nas capitais do Nordeste”, diz Hui.

Quanto às lagartas, que começaram a provocar acidentes principalmente na Região Sul do país na década de 1980, o problema tem sido o desmatamento. “Elas começaram a surgir em função de quase não haver mais mata nativa na região sul.

Não é um processo de um ano para o outro, mas acontece ao longo do tempo até que chega um limiar em que esses animais não têm como buscar seu sustento no que restou do que era seu ambiente, então vão buscar essas condições no ambiente urbano”, diz a pesquisadora. As lagartas provocaram 3.739 acidentes no ano passado.

Acidentes com aranhas também tiveram um boom na década de 1980, principalmente com o crescimento das cidades do Paraná. No ano passado, foram 29.816 picadas de aranha no Brasil.

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Já o aumento das picadas de cobra pode ter relação com iniciativas como a concessão de hidrelétricas e abertura de espaços anteriormente cobertos com mata nativa principalmente na Amazônia. “Essas alterações ambientais já vêm sendo estudadas há algum tempo e demonstra-se que em locais onde elas acontecem, o número de acidentes começa a sair do que seria esperado para aquele local”, observa Hui. No ano passado, 28.247 picadas de cobra foram notificadas no país.

Para a médica, apesar de o soro anti-veneno já ser um tratamento consolidado, a ciência ainda pode contribuir muito no desenvolvimento de estratégias complementares de tratamento dos acidentes com animais peçonhentos, principalmente no que diz respeito aos efeitos locais das picadas. O soro corta o efeito sistêmico do veneno, mas muitos pacientes têm os membros atingidos necrosados e amputados.

Segundo ela, muitos desses efeitos não são provocados diretamente pelo veneno, mas pela ativação de componentes do organismo que geram uma resposta secundária. “A busca de tratamentos complementares visa encontrar substâncias capazes de bloquear essa ativação secundária”, diz. Segundo ela, algumas estratégias já foram testadas em animais, mas ainda falta que esses conhecimentos passem da bancada do laboratório para testes com humanos.

 Acidentes com animais peçonhentos no Brasil
Número de casos75,64296,472101,724123,614137,694162,234200520100255075100125150175
Ministério da Saúde/Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan

G1

Veneno de vespa age contra perda de neurônios por Parkinson, diz estudo

Foto: Márcia Renata Mortari/Divulgação
Pesquisadores usaram componente do veneno da vespa Parachartergus fraternus
para tratar Parkinson em ratos
Pesquisa foi feita em ratos com lesão cerebral semelhante ao Parkinson. Ação neuroprotetora é de um fragmento de proteína do veneno 

Um componente do veneno da vespa mostrou-se eficaz em impedir a perda de neurônios provocada pela doença de Parkinson. O estudo, desenvolvido no Laboratório de Toxinologia da UnB, foi feito em ratos com uma lesão cerebral que simula o efeito do Parkinson. A pesquisa foi apresentada nesta sexta-feira (29) na XXIX Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Caxambu, Minas Gerais.

No Parkinson, ocorre a perda de neurônios em uma região cerebral específica chamada substância nigra, ou substância negra. Os neurônios dessa região são responsáveis pela produção do neurotransmissor dopamina, cuja falta resulta em perda progressiva do controle motor.

Um dos principais tratamentos disponíveis atualmente baseia-se na reposição da dopamina. Essa estratégia trata os sintomas, sem porém interferir na evolução natural da doença. Ou seja, os neurônios produtores de dopamina continuam morrendo. Há vários tratamentos potencialmente neuroprotetores em estudo, porém nenhum deles conseguiu impedir definitivamente a degeneração dos neurônios no paciente de Parkinson.

Diante dessa falta de alternativa, a pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari – que trabalha com a busca de novos componentes de venenos de animais que possam servir de tratamento para doenças – resolveu testar se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson.

Primeiro, ela isolou os peptídeos presentes no veneno, ou seja, os fragmentos de proteínas que o compõem. Depois de purificar cada um dos peptídeos, ela passou a aplica-los em ratos com lesões cerebrais que simulam os efeitos do Parkinson. Márcia e sua equipe testaram quatro peptídeos sem sucesso, até que o quinto componente testado apresentou resultados promissores.

O peptídeo foi injetado uma hora após o início da lesão que simula o Parkinson. Os animais receberam uma dose por dia durante quatro dias. Testes comportamentais, que avaliaram o equilíbrio e as atividades motoras dos ratos, mostraram que os que foram tratados com o peptídeo não apresentaram os sinais típicos do Parkinson, diferentemente do que ocorreu com os animais que receberam placebo.

Uma contagem dos neurônios produtores de dopamina feita nos dois grupos também mostrou que, entre os que receberam a substância retirada do veneno, houve uma preservação da quantidade de células nervosas, o que sugere que o novo peptídeo tem uma ação neuroprotetora em casos de Parkinson.

“Ele impediu a morte dos neurônios, mas não resgatou o neurônio que já estava em apoptose (morte celular)”, diz a pesquisadora. “O que eu penso é que ele pararia a degeneração em qualquer nível da doença, mas quanto antes começar, melhor. O objetivo do teste é que seja um composto para impedir a progressão da doença, mas não é capaz de reverter a doença já estabelecida.” Os resultados são iniciais e testes em humanos ainda devem demorar vários anos para ocorrer.

O novo peptídeo foi chamado de fraternina, pois foi extraído da vespa Parachartergus fraternus. Segundo Márcia, o estudo utilizou mil vespas retiradas de um mesmo ninho. O veneno de cada uma foi retirado manualmente.

Foto: Priscilla Galante/Divulgação: A pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari resolveu testar se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson.

Márcia observa que os venenos de animais têm sido uma fonte importante de pesquisa de novos tratamentos. “Durante todo o processo de evolução, os animais desenvolveram uma série de compostos bioativos em seus venenos com objetivo de paralisar as presas ou de se defender contra o predador. A natureza já tem funcionado como uma oferta de compostos neuroativos que a gente usa para tratamento de doenças.”

G1