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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Portaria regulamenta medidas de proteção ao trabalhador exposto ao fumo

Texto detalha condições de isolamento, ventilação e de exaustão do ar nos estabelecimentos comerciais destinados especificamente à comercialização de produtos fumígenos
 
Portaria dos ministérios da Saúde e do Trabalho e Emprego, publicada na edição desta sexta-feira (5/12) do Diário Oficial da União, regulamenta as medidas de proteção aos trabalhadores expostos ao fumo durante o exercício da profissão. Regulamenta também as condições de isolamento, ventilação e de exaustão do ar nos estabelecimentos comerciais destinados especificamente à comercialização de produtos fumígenos, além dos ambientes fechados onde o fumo será permitido – tabacarias, locais de pesquisas e sets de filmagens.

Os locais estão previstos como exceção na Lei Antifumo, que entrou em vigor na quarta-feira (3/12) e proíbe o cigarro em ambientes fechados públicos e privados.

As regras estabelecem que o sistema de ventilação seja mantido em operação após a desocupação e a desativação da área exclusiva, sendo desligado automaticamente. O objetivo é exaurir os resíduos e odores que podem permanecer no ambiente fechado.

Os revestimentos, pisos, tetos e as bancadas desses locais devem ser resistentes ao uso de desinfetantes, com o menor número possível de ranhuras ou frestas. Já o mobiliário deve ser de material não combustível, de fácil limpeza e que minimize a absorção de partículas.

Também está previsto que os serviços de limpeza e manutenção das instalações e dos equipamentos só poderão ser feitos quando os locais não estiverem em funcionamento.

Os estabelecimentos terão o prazo máximo de 180 dias, após a publicação da portaria, para se adaptar às normas. O descumprimento constitui infração de natureza sanitária, com previsão de multa que varia de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão em caso de desrespeito às normas sanitárias.
 
Saúde Plena

Funed desenvolve exame para diagnóstico rápido e eficaz do câncer de ovário

O diagnóstico de câncer de ovário representa o início de uma das mais difíceis batalhas para as mulheres
 
Como a doença ainda não tem cura e o diagnóstico é geralmente tardio, as pacientes que apresentam o problema contam com pouco tempo de sobrevida. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de 5.680 novos casos este ano.

Frente a esse quadro, uma equipe de pesquisa da Fundação Ezequiel dias (Funed), coordenada pela doutora em biologia celular Luciana Maria Silva, pretende desenvolver exame laboratorial para ajudar a definir qual o melhor tratamento para a doença.
 
Para chegar a esse exame, a pesquisadora vai fazer um amplo sequenciamento do DNA e identificar se algum gene pode tornar a mulher mais suscetível ou mais resistente aos medicamentos para o tratamento desse tipo de câncer. Por ser desenvolvido pela Funed, uma das contrapartidas é subsidiar exames para o Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é que esteja disponível no mercado em três anos.

A pesquisa será desenvolvida no laboratório de biologia celular da fundação, que, desde 2008, tem a oncologia como uma das linhas de pesquisa. “Embora tenha baixa incidência, o câncer de ovário é altamente letal e a forma de diagnóstico é mais precária. Não é como, por exemplo, o câncer de mama”, afirma Luciana.
 
Desde 2012, ela está empenhada na pesquisa de um método que possa ajudar os médicos a determinarem melhores procedimentos terapêuticos. “Os tumores são descobertos em estágios avançados. É importante averiguar o perfil molecular das pacientes e cruzar com os dados de tratamento para ver se algum gene se apresenta como marcador de resistência da paciente aos medicamentos,” sugere.

Trata-se do tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura, embora menos frequente que o câncer de mama. É a causa mais comum de morte nas pacientes com tumores ginecológicos. No entanto, de acordo com dados do Inca, cerca de três quartos dos cânceres só são descobertos já em estágio avançado.
 
A maioria é carcinoma epitelial (câncer que se inicia nas células da superfície do órgão), o mais comum. Outro é o tumor maligno de células germinativas, que dão origem aos espermatozoides e aos ovócitos, popularmente conhecidos como óvulos.

O tratamento do câncer de ovário pode ser feito por meio de cirurgia para retirada do tumor (citorredução) nos casos de câncer primário. Na fase metastática, é realizada a quimioterapia. O problema é que muitas mulheres têm resistência ao tratamento quimioterápico, que pode tanto ser à base de cisplatina, que é o mais convencional, ou à base da proteína recombinante, como o TRAIL, que é um tratamento novo, ainda em fase de testes clínicos.
 
“No caso da quimioterapia, não há o conhecimento da biologia do tumor de cada paciente e, por isso, o tratamento é generalizado”, enfatiza a pesquisadora. Para ela, a partir do estudo, futuramente poderão ser determinados outros tipos de condutas terapêuticas.

Eficácia
Os medicamentos atuam em diferentes processos, até levar à morte a célula cancerígena. Os pesquisadores pretendem fazer sequenciamento dos genes de mulheres com câncer de ovário para saber quais deles podem ou não trazer informações para tornar os medicamentos mais eficazes. Os genes atuam como vias de sinalização. Em outras palavras, são eles que dão o comando para diversos processos no interior das células. Ao determinar o perfil molecular, é possível antecipar se determinado medicamento poderá ser mais eficaz ou não no tratamento.

Luciana lembra que a descoberta do Her2, que é um receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano, e do gene Her2, responsável pela produção da proteína do mesmo nome, foi fundamental para avançar no tratatamento do câncer de mama. Um erro aleatório nesse gene pode levar ao desenvolvimento do câncer. “A descoberta do Her2 aumentou a sobrevida das pacientes. Depois disso, a hormonioterapia mudou a linha de tratamento”, pontua Luciana.

A pesquisa será realizada com cerca de 100 pacientes com câncer de ovário. Será feito um sequenciamento de mais de 20 mil genes. O passo seguinte será estabelecer um cruzamento dos dados do mapeamento genético com os dados clínicos das pacientes, como por exemplo, tempo de prolongamento da vida e resistência ao tratamento.
 
“Queremos identificar qual o perfil de expressão do grupo de sobrevida baixa e do grupo de sobrevida alta. Se, dos 20 mil genes, chegarmos a um gene que determina a sobrevida, teremos uma importante descoberta”, ressalta. Por fim, será desenvolvido o exame laboratorial, que permitirá, ao identificar o perfil molecular da paciente, um tratamento individualizado. Espera-se, com isso, resultados mais efetivos num intervalo de tempo muito menor.

A pesquisa recebeu o prêmio de projeto de incentivo à inovação da Funed e será desenvolvida em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com o objetivo de oferecer novos produtos em saúde. A ideia é que, ao fim, seja possível a criação de um exame laboratorial que possa ser comercializado. É a primeira experiência desse formato na Funed.
 
Saúde Plena

Empresas de homecare podem se afiliar à Anahp

Associação Nacional dos Hospitais Privados amplia escopo de atuação e cria novas categorias
 
A Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados) anuncia novas categorias de entidades membros para 2015. São elas: Associado Titular, Associado e Afiliado. A reforma estatutária foi aprovada no último dia 3 de dezembro durante Assembleia Geral Extraordinária.

Agora, para se associar na categoria Associado Titular, as instituições hospitalares devem possuir ao menos uma das acreditações de excelência reconhecidas, entre elas a brasileira ONA Nível 3 (Organização Nacional de Acreditação) ou as americanas JCI (Joint Commission International), ou NIAHO (National Integrated Accreditation for Healthcare Organizations), ou ainda a canadense Accreditation Canada.

A categoria Associados contempla as instituições hospitalares que ainda não possuem as condições para serem caracterizadas como Associados Titulares, mas que se comprometam a adotar as medidas necessárias para adquirir a certificação de qualidade no prazo de quatro anos.

O que muda
A novidade fica a cargo da categoria Afiliados, que passa a contemplar as empresas de atenção domiciliar. Em 2014 a Associação estabeleceu um grupo de estudos para discutir a atenção domiciliar no País a partir do envelhecimento da população, da mudança do perfil clínico e epidemiológico e do estímulo à desospitalização. Segundo comunicado da Anahp, a entidade percebeu que a melhor maneira de buscar uma alternativa viável para o setor era a aproximação com as empresas que proporcionam esse tipo de atenção.

A representatividade regional da Associação também sofreu modificações estatutárias. A partir de 2015 a região Norte, que antes possuía representação no Conselho de Administração juntamente com a região Nordeste, passará a compor o Conselho com a região Centro-Oeste e Distrito Federal. 
 
“Em 2014, a região Nordeste aumentou significativamente a sua representativa em termos de instituições membros e, por essa razão, a participação da região Norte passará a ser contabilizada juntamente com outras regiões em que a Anahp possui menos instituições membros. Trata-se de uma alternativa para manter um Conselho democrático, com representação nacional”, afirmou em comunicado o presidente do Conselho de Administração da Anahp, Francisco Balestrin. 
 
Saúde Web

OPMEs e os custos da assistência

OPMEs e os custos da assistência Em artigo, Denise Eloi, presidente da Unidas, aponta medidas urgentes para conter a escalada de custos assistenciais impulsionada pelas OPMEs
 
As órteses, próteses e materiais especiais, conhecidas pela sigla OPME, abrangem uma enorme gama de insumos utilizados em procedimentos médicos. São as válvulas, marcapassos, catéteres, sondas, balões, cânulas, drenos e toda sorte de fios, placas, enxertos, cimentos, produtos feitos de ligas e materiais especiais, entre outros. Populares principalmente em tratamentos cardiológicos, neurológicos, gastroenterológicos e ortopédicos, e sempre presentes nas intervenções cirúrgicas, as OPMEs estão no centro de um problema que tem assombrado o sistema de saúde suplementar no Brasil: a escalada dos custos assistenciais.
 
Estudo de caso feito pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) dá uma amostra da pressão que as OPMEs têm exercido sobre os gastos dos planos de saúde. Baseado em números de uma operadora de plano de autogestão com atuação no estado de São Paulo, o levantamento feito pela pesquisadora Amanda Reis Almeida Silva (série IESS 0049-2014) mostra que, no período de cinco anos entre 2007 e 2012, os gastos da empresa com OPME aumentaram 120,4% – no mesmo período a Variação de Custos Médicos Hospitalares (VCMH) foi de 88,1% e o IPCA, de 31,9%. Em razão desse aumento desproporcional, a fatia das OPMEs no custo assistencial total passou de 30% para 38,6%. Em pesquisa realizada pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde – UNIDAS, no ano de 2013, envolvendo 79 de suas filiadas, os custos com esses insumos representaram 54,2% dos gastos no regime hospitalar, que compreendem a 49,9% do total das despesas assistenciais.

Em princípio, o peso das OPMEs nos gastos dos planos de saúde com assistência decorre de duas realidades: dos preços elevados de produtos que envolvem tecnologia avançada e pagamentos de royalties; e da sua crescente utilização, que pode ser atribuída aos avanços da medicina nos tratamentos e também ao fato de que os planos de saúde tornaram esses tratamentos acessíveis a uma maior parcela da população. Essas duas questões, em condições normais de mercado, já seriam causa de preocupação para o financiamento da assistência, pelo impacto que têm sobre os gastos. Mas a situação se agrava – e muito – em razão de uma combinação de fatores que envolvem tanto os preços como o uso das OPMEs.

O problema aparece, numa ponta, nas grandes e dificilmente justificáveis variações entre os preços de produtos similares, e por vezes até iguais. Uma das causas dessas discrepâncias está na forma como as OPMEs são comercializadas. Nesse segmento, a produção envolve, em muitos casos, artigos protegidos por patentes exclusivas (o que gera situações de monopólio), e a comercialização dos produtos, no Brasil, é marcada pela baixa concorrência na importação e distribuição.

A questão se complica, na ponta do atendimento médico-hospitalar, pela falta de diretrizes sobre a utilização de OPMEs nos procedimentos, baseadas na melhor relação de custo e efetividade para o tratamento dos pacientes. Quando o hospital ou a clínica apresentam a conta, o plano de saúde pode questionar aqui e ali, mas não tem autoridade para julgar se o que foi feito e o material usado atendiam ao melhor critério de custo e efetividade, se era necessário usar esta ou aquela OPME, de tal ou qual marca e se não havia exagero na quantidade empregada. Resta-lhe simplesmente pagar a conta.

E, neste ponto vale a pena abrir parênteses para lembrar que engana-se o paciente se acreditar que o problema está resolvido porque “é o plano de saúde que paga”. Porque, no momento seguinte, os custos contabilizados pela operadora vão entrar no cálculo dos reajustes das mensalidades e vão ser distribuídos entre todos os beneficiários do plano. Ou seja, não há órtese nem prótese grátis. No caso das autogestões, que não aplicam as mesmas regras de mercado para o reajuste dos planos, esses valores terminam sendo incluídos no rateio realizado entre seus beneficiários, ou inseridos na sua contribuição, seja qual for o modelo de custeio da operadora.

A tempestade fica perfeita quando entra em cena outro problema, gravíssimo, que é o vício de alguns maus profissionais que se dispõem a receber pagamentos de fabricantes ou distribuidores em troca da prescrição de determinados produtos ou marcas. Esses mimos são chamados, à boca pequena, de “chocolates”. Pois bem, quando se combinam “chocolates”, preços artificiais (de um mercado em que quase não há concorrência), falta de diretrizes sobre o uso mais adequado das OPMEs e falta de informação para os clientes que pagam a conta, o resultado é a cena que temos diante de nós: custos cada vez mais altos, planos cada vez mais caros, ameaça de crise.

As OPMEs, como se vê, não são uma questão isolada, mas têm um papel destacado no complexo de problemas que provocam a escalada dos custos assistenciais. Tampouco elas são um problema que afeta apenas a saúde suplementar – ao contrário, o Sistema Único de Saúde é certamente o maior consumidor de OPME do País. Para equacionar essa questão, que afeta tanto os custos dos planos privados de assistência como o orçamento público da saúde, justifica-se, portanto, que haja uma combinação de esforços de todas as partes envolvidas – autoridades do governo, agência reguladora, operadoras, hospitais, entidades profissionais, órgãos de defesa da concorrência e do consumidor.

Uma agenda com esse propósito deveria incluir, entre outras coisas: estabelecer políticas para importação, distribuição, comercialização e uso de OPME; definir parâmetros técnicos para sua indicação clínica; elaborar e divulgar diretrizes e protocolos clínicos de utilização que tornem mais evidente a necessidade dos materiais em cada caso; adequar o quadro jurídico para coibir práticas indevidas, sem prejuízo da autonomia médica; estabelecer ações de defesa da concorrência para reduzir barreiras à competição na distribuição desses produtos.

Essas medidas são um passo necessário e urgente para conter a escalada de custos assistenciais e, ao mesmo tempo, assegurar as condições que permitam aos beneficiários da saúde suplementar e da saúde pública o acesso ao uso de OPME, tão importantes para o sucesso dos tratamentos, segundo as melhores práticas médicas e a melhor relação de custo-efetividade.

*Denise Eloi é presidente da União das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS)

Saúde Web

Pessoas que dormem tarde tendem a ser mais pessimistas, diz pesquisa

De acordo com o estudo, comportamento também está relacionado a poucas horas de sono
 
Ir dormir depois da 1 hora da manhã e dormir menos de seis horas e meia por noite pode tornar você mais pessimista. É o que aponta um estudo da Universidade Binghamton, nos Estados Unidos, que também descobriu que pessoas com esse perfil têm mais risco de desenvolver doenças psiquiátricas como a depressão e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
 
A pesquisa, publicada recentemente na revista científica Cognitive Therapy and Research, teve a participação de 100 pessoas com idade média de 20 anos. Todas foram submetidas a um questionário que avaliava o quanto cada uma era preocupada, pensativa ou obsessiva, características do pensamento pessimista. Elas também foram perguntadas se preferiam ficar acordadas de manhã ou à noite e se dormiam em horários regulares ou tarde da noite.
 
O estudo considerou como pessimistas aquelas pessoas que têm, por exemplo, pensamentos rotineiros sobre experiências irritantes que se repetem e que são persistentes, além daquelas que se preocupam muito sobre o futuro e são apegadas ao passado.
 
Os pesquisadores perceberam que as pessoas que dormiam menos de seis horas e meia por noite e costumavam ir dormir depois da 1 da manhã tinham experiência recorrentes de pensamentos negativos e pessimistas.
 
— Se novas descobertas sustentarem a relação entre o tempo de sono e o pensamento negativo repetitivo, pode-se criar um novo tratamento para pessoas com esses transtornos — diz a coautora do estudo Meredith Coles.
 
Zero Hora