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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Obesidade infantil pode ser prevenida ainda durante a gravidez, diz estudo

Agência O Globo: JE RJ - 18.07.2014 - Gravidez
Dados de 991 crianças foram analisados pela pesquisa
 
Rio - Um estudo da Universidade de Southampton reforça as evidências de que a obesidade infantil pode ser prevenida antes e durante a gravidez e também nos primeiros anos de vida da criança.
 
Os cientistas da universidade britânica afirmam que quatro fatores de risco maternos (obesidade, ganho de peso em excesso na gravidez, tabagismo e baixo nível de vitamina D) associados a um curto período de amamentação (menos de um mês) podem levar ao sobrepeso ou à obesidade infantil.
 
Estudos anteriores já tinham avaliado esses fatores de risco individualmente, mas raras vezes os efeitos de uma combinação deles foram analisados, como agora.
 
— Os primeiros anos de vida são um período crítico. É a fase em que o apetite e a regulação do equilíbrio de energia são programados, o que tem consequências no excesso de peso — afirma o professor Sian Robinson, que comandou o estudo. — Mesmo que a importância da prevenção nos primeiros anos de vida seja reconhecida, o foco está na idade escolar. Nossa pesquisa sugere que as intervenções para prevenir a obesidade precisam começar antes mesmo da gravidez. Ter um corpo saudável e não fumar são itens-chave — explica Robinson.
 
Os dados de 991 crianças foram analisados pela pesquisa. Segundo os cientistas, uma criança de 4 anos que foi exposta a quatro ou cinco dos fatores de risco tem sua chance de desenvolver obesidade aumentada em 3,99 vezes quando comparada a outra que não passou pela mesma situação. O estudo foi publicado pelo “The American Journal of Clinical Nutrition”.

O Globo

Com déficit de sangue, Índia enfrenta mercado ilegal

Foto: BBC - No verão, a Índia dispõe apenas de metade do
sangue de que os hospitais necessitam
Negócio se tornou tão lucrativo que país tem fazendas ilegais em que pessoas são obrigadas a doar sangue até três vezes por semana
 
Em um beco lotado de gente, entre as enfermarias de um grande hospital do governo em Nova Déli, estamos à procura de um vendedor de sangue. Um dos seguranças do hospital nos disse para procurar um homem com uma perna só.
 
Encontramos o comerciante, Rajesh, sentado em um cobertor esfarrapado ao lado de uma barraca de chá, bebendo chá com leite em um copo de plástico, enquanto macacos atravessavam cabos elétricos acima de nossas cabeças.
 
Fingindo sermos parentes de uma vítima de acidente, dizemos a ele que precisamos de três unidades de sangue. "Três mil rúpias (cerca de R$ 130) por doador", diz Rajesh. "Eu vou organizar tudo".
 
A venda de sangue e o pagamento a doadores na Índia são ilegais mas, em todo o país, um vasto "mercado vermelho" prolifera.
 
Tabu
O sangue está em falta crônica na Índia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estipula que cada país precisa de uma reserva de pelo menos 1%.
 
A Índia, com sua população de 1,2 bilhão de pessoas, precisa de 12 milhões de unidades de sangue por ano, mas recolhe apenas 9 milhões – um déficit de 25%. No verão, esse déficit frequentemente atinge 50%, levando a um surto de doadores profissionais lucrando com as necessidades dos pacientes desesperados.
 
Rajesh era um pintor de paredes, mas, depois de perder a perna em um acidente e passar meses em recuperação neste hospital, percebeu que poderia ganhar comissões com o fornecimento de doadores para aqueles que precisam de transfusões de sangue em troca de dinheiro.
 
A ausência de uma agência central de coleta de sangue e tabus sobre troca de sangue com pessoas de diferentes castas explica em grande parte a escassez de sangue na Índia, dizem os especialistas.
 
Isso alimenta um vasto mercado ilegal, apesar de, em 1996, o Supremo Tribunal ter banido o pagamento a doadores e bancos de sangue não licenciados.
 
Pouco mudou desde então. A demanda ainda supera a oferta. Bancos de sangue privados são legais, desde que comprem uma licença do governo por US$ 120 (cerca de R$ 320). O mercado ilícito de sangue simplesmente mudou de lugar.
 
Preso pelo sangue
Em 2008, Hari Kamat, um artesão pobre do estado de Bihar, foi resgatado com outras 16 pessoas de uma "fazenda de sangue" na cidade de Gorakhpur, perto da fronteira da Índia com o Nepal.
 
As vítimas, todos migrantes pobres, foram atraídas para uma casa com o pretexto de que conseguiriam empregos e foram convencidas a vender seu sangue por US$ 7 (ou R$ 19) a unidade.
 
"Inicialmente, eles concordaram com isso", diz Neha Dixit, que cobriu a história para a revista local Tehelka. "Mas quando eu encontrei Hari Kamat em um hospital durante sua recuperação, ele disse que, depois de um tempo, eles ficaram muito fracos para resistir e, quando tiveram energia para tentar fugir, foram espancados e presos".
 
Hari e os outros eram forçados a dar sangue três vezes por semana por um período de dois anos e meio. A Cruz Vermelha diz que os doadores devem doar apenas uma vez em cada oito ou 12 semanas.
 
Eles nunca receberam o dinheiro que foi prometido – ganharam apenas uma quantia simbólica. "Era como uma fábrica de laticínios. Essas pessoas foram enjauladas, não recebiam comida suficiente e seu sangue foi extraído 16 vezes por mês", diz Neha Dixit.
 
Ela diz que o sangue foi vendido para hospitais locais e bancos de sangue por US$ 18 por unidade – 15 vezes mais que o preço do governo. Alguns bancos de sangue privados foram acusados de serem cúmplices, colocando carimbos oficiais e códigos de barras nestas bolsas de sangue.
 
Doadores profissionais
Não existem estatísticas oficiais sobre o tamanho do mercado de sangue ilegal da Índia ou sobre o número de fazendas como esta que foram descobertas. Mas se fizermos um cálculo aproximado de três milhões de unidades necessárias na Índia multiplicadas pelo respectivo preço de rua de US$ 15, isso sugere que a venda ilegal poderia movimentar até US$ 45 milhões (aproximadamente R$ 120 milhões).
 
Especialistas dizem que até mesmo bancos de sangue licenciados, legais, que não necessariamente pagam por sangue, ainda toleram doadores profissionais.
 
"Você pode ver pelo número de picadas no braço que eles são doadores profissionais, mas os bancos de sangue não se preocupam, eles olham para o outro lado", diz Sudarshan Agarwal, presidente da organização sem fins lucrativos Banco de Sangue Rotary em Nova Déli.
 
O julgamento de 1996 levou a Índia a implementar um sistema de "doadores de reposição". Os pacientes que precisam de sangue de um hospital primeiro precisam fornecer doadores entre seus familiares ou amigos – um doador para cada unidade de sangue necessária.
 
A ideia era promover a doação altruísta. Mas os pacientes continuam a recorrer a agenciadores, especialmente se precisam de várias unidades de sangue e não podem providenciar múltiplos doadores.
 
"Alguns pacientes viajam de lugares distantes. Eles não têm família ou amigos próximos no local onde estão", diz Asha Bazaz, diretor técnico do Banco de Sangue Rotary.
 
"Mesmo se você vive aqui, (para doar sangue) você tem que faltar ao trabalho, cruzar a cidade, e a experiência em muitos bancos de sangue não é boa."
 
Riscos para a saúde
Nas áreas rurais, a situação é muito mais grave. "Já vi pacientes recebendo transfusões diretamente de um doador, sem passar por nenhum teste", diz o médico JS Arora, secretário-geral da National Thalassemia Welfare Society.
 
Nessas áreas, os bancos de sangue não regulamentados florescem ou pacientes compram pacotes de sangue diretamente de negociadores que operam perto de hospitais. Tipos de sangue mais raros são vendidos a preços mais elevados.
 
A situação resultante é uma ameaça a vida de milhões de pessoas.
 
Alok Kumar, de oito anos, devora um curry de batata na sala de espera de uma clínica de caridade numa manhã de domingo. Ele sofre de talassemia, uma doença genética do sangue tão grave que requer transfusões mensais durante toda a vida.
 
Neste verão, Alok contraiu hepatite C por uma transfusão com sangue que foi testado de forma precária em um hospital do governo, onde ele recebe atendimento gratuito. A hepatite C, se não tratada adequadamente, pode levar à cirrose hepática ou ao câncer.
 
"Nós estamos lutando para conseguir lidar isso", diz seu pai, Kishore Kumar, que ganha US$ 120 por mês. "Estou com tanta raiva – como puderam passar uma doença para meu filho?"
 
Problema generalizado
A National Thalassemia Welfare Society estima que de 6% a 8% de seus pacientes contraem doenças, inclusive HIV, por meio de transfusões. Doadores profissionais geralmente integram as classes mais baixas da Índia e estão em grupos de risco para HIV, hepatite e outras doenças.
 
Em 2013, duas crianças com talassemia morreram e outras 21 pessoas foram diagnosticadas com HIV depois que descobriu-se que um único banco de sangue, sem licença, estava fazendo transfusões de doadores sem testes em Junagadh, no estado de Gujarat, segundo o Indian Journal of Medical Ethics.
 
E até os bancos de sangue legais contribuem para o problema. Hospitais particulares de ponta cobram até US$ 65 por unidade de sangue – não pelo sangue em si, o que é ilegal, mas para o processamento e os exames. Eles também exigem doadores de reposição.
 
Em março de 2014, descobriu-se que em Ahmedabad, também em Gujarat, onde os níveis de doação voluntária de sangue são altos, bancos de sangue haviam ganhado até US$ 1,9 milhão com a venda de componentes sanguíneos.
 
Eles haviam coletado sangue de graça de doadores voluntários, mas em vez de compartilhar seu estoque com os hospitais mais pobres, eles decidiram aumentar seus lucros.
 
Bancos de sangue sem fins lucrativos, como os dirigidos pelo Lion's Club ou pelo Rotary, cobram entre US$ 38 e US$ 45 por unidade de sangue, o suficiente para cobrir os custos de funcionamento de centros de doação voluntária e oferecer testes de qualidade. Mas seus serviços estão concentrados em grandes cidades.
 
Para centenas de milhões de indianos pobres, pagar por sangue – em especial, por sangue seguro –, é simplesmente inviável. E com as reservas do país ainda infelizmente baixas, o sistema de vendedores ilegais de sangue não desaparecerá tão cedo.
 
Até que o governo estabeleça um sistema nacional de centros de doação onde os voluntários possam doar sangue com segurança e conforto, combinado com testes rigorosos e padronizados, é improvável que o "mercado vermelho" da Índia desapareça.
 
"Existe essa ideia agora de que você pode pagar e conseguir o que quiser", diz Neha Dixit, da revista Tehelka. "Se você faz parte da classe média urbana, de elite, você sabe que pode pagar. O resto da Índia não tem tanta sorte".

G1

O que há de novo em homeopatia?

Ainda hoje, essa área da medicina estuda novas formas de utilizar antigos preceitos
 
Por Dra. Isis Dulce Pezzuol Pediatra - CRM 39546/SP
 
A homeopatia é uma ciência antiga. Temos atualmente muitas publicações e revisões apontando diferentes formas de abordar um paciente e a medicação prescrita varia conforme a escola onde esse médico é formado: depende da experiência clínica e de vida do médico. 
                           
Mas a base da homeopatia continua sendo o que Hahnemann escreveu e quanto mais lemos, mais encontramos novas soluções para tratamento nas entrelinhas. Então, tudo o que temos hoje são releituras de textos antigos. 
                           
 
 
A boa nova, no entanto, são médicos homeopatas que vem de escolas médicas e homeopáticas diversas, trazendo a tona uma medicina mais hipocrática que entende que não existem doenças e sim doentes, indivíduos que são desviados de seu eixo ?saúde?, que o tratamento deve visualizar a queixa atual e fatores passados que podem acarretar danos futuros, que não há pressa, podemos e devemos ouvir muito nossos pacientes, ao que eles serão eternamente gratos.                             
 
Um pouco da história da homeopatia
A primeira nota sobre homeopatia foi publicada em um Jornal de Hufeland em 1796. Explanava sobre o poder de substâncias da Natureza em alterar o estado de saúde das pessoas. Isso era observado através de intoxicações acidentais ou através de experimentação em humanos. Este é considerado o ano da "Fundação da homeopatia". 
                           
Samuel Hahnemann praticava medicina em um momento da história em que para tratar doenças usava-se sangrias, ventosas, purgativos. Através desses procedimentos, acreditava-se estar "retirando" do paciente a substância que estaria o adoecendo. Os escritos da época orientavam que o paciente deveria ser sangrado até que ficasse da cor da porcelana da China, tão pálido e tão anemiado que não possuía forças para reagir, o que era considerado cura. 
                           
Esse tipo de conduta para tratamento provocou vários movimentos durante a história para retorno a uma medicina mais hipocrática, dando ao corpo força para que ele sare da forma mais natural possível. 
                           
A homeopatia é a arte da cura suave. Hahnemann escreveu sobre esta ciência em algumas obras, trabalho de uma vida. Ela se baseia no incontestável poder que as substâncias da Natureza têm de alterar o estado de saúde das pessoas. 
                           
A boa cura depende da habilidade do homeopata, de sua clareza para reconhecer o que há de ser curado no paciente; da vitalidade do paciente; do que existe de curativo nos medicamentos. 
                           
As doenças dependem de uma série de fatores: do estilo de vida (vícios, uso de substâncias lícitas ou ilícitas), hábitos de vida, cuidados pessoais... Outro fato que devemos considerar em uma consulta é o tipo de doença: aguda (amidalite, pneumonia, otite, sinusite...) ou crônica (asma, rinite, cardiopatia).
 
A doença aguda, por definição, tem começo, meio e fim. A doença crônica está em manifestação neste momento, mas tem um fator desencadeante, em algum momento da historia de vida algum fato tirou esse paciente de seu eixo de equilíbrio: uma perda, um trauma, um fator estressante. 
                           
Esta é uma das razões de tanta pergunta durante a consulta: não podemos utilizar o mesmo medicamento para mesma doença. O medicamento deve ser escolhido dentre um grupo que na experimentação reproduza de forma o mais fiel possível a doença de nosso paciente. 
                           
Indivíduos socialmente isolados, luto conjugal, fatores estressantes, agressões física e psíquica contínua, infelicidade crônica, sabe-se que essa desestruturação altera o equilíbrio do sistema imunológico, tornando o indivíduo mais vulnerável, levando a adoecimento. 
                           
Adoecemos a mente e o corpo logo e seguida, e quanto mais longo e grave é nosso padecimento, pior é a doença física. 
                           
Os pacientes que utilizam tratamento homeopático são muito próximos de seus médicos, muita atenção, consultas longas aonde ele respira e consegue falar. 
 
Minha Vida

Que tal desligar o celular mais cedo? Ajuda a dormir melhor

A luz de celular, laptop e tablet altera o ritmo circadiano
 
Se você tem problemas para dormir, verifique se está usando seu telefone celular, laptop ou tablet até muito tarde. A luz emitida por esses dispositivos altera o chamado ritmo circadiano (ou ritmo do sono) de uma forma que os cientistas estão apenas começando a entender.

"Desde que habitamos a Terra, a luz vem afetando nossas funções biológicas. Mas a nossa compreensão de que tipo de luz tem um impacto maior ou como isso acontece é algo novo e ainda não temos todas as respostas", disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, a pesquisadora brasileira Mariana Figueiro, do Centro de Pesquisa da Luz do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, nos Estados Unidos.
 
Figueiro é autora de estudos pioneiros sobre a influência dos dispositivos eletrônicos no sono. Atualmente, ela investiga como usar a luz de forma mais eficaz para ajudar idosos e desenvolve um projeto junto ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos para tornar mais saudável a iluminação dentro de submarinos. Em entrevista à BBC Mundo, Figueiro deu conselhos de como usar a luz a nosso favor.
 
1) Desligue o computador e o celular, duas horas antes de dormir
Em um de seus estudos, Figueiro demonstrou que apenas duas horas de uso de iPad foram suficientes para suprimir a produção normal de melatonina. "Produzimos melatonina no escuro. Esse hormônio diz ao nosso corpo quando é hora de desacelerar e ir dormir", diz a cientista.
 
Segundo Figueiro, os aparelhos eletrônicos emitem uma luz azul de ondas curtas, afetando principalmente um tipo de fotorreceptores do olho descoberto somente há uma década. Esses fotorreceptores, revelados em um estudo com ratos cegos em 2002, são particularmente sensíveis à luz azul.
 
Quando a luz atinge os fotorreceptores, eles dizem ao cérebro que é hora de parar de produzir melatonina. "Nosso corpo não recebe assim um sinal de que é hora de dormir e demoramos para pegar no sono”, diz Figueiro.
 
A recomendação da pesquisadora é minimizar a exposição à luz azul durante a noite e desligar dispositivos eletrônicos "cerca de duas horas antes da hora de dormir".
 
2) Use filtros ou altere a polaridade na tela
Se não houver alternativa senão trabalhar até tarde, Figueiro sugere que se reduza a exposição aos dispositivos luminosos com "filtros laranja que rebatem a luz azul, porque isso minimiza o impacto sobre o sistema circadiano".
 
Segundo Figueiro, tais filtros são muito mais eficientes do que alguns programas de computador para mudar as cores, já que descarta de forma mais eficiente a luz de comprimento de onda curta. "Você também pode inverter a polaridade, ou seja, usando um fundo preto e letras brancas em seu computador, para diminuir a luz", diz a pesquisadora.
 
3) Saia para caminhar de manhã
"Às vezes eu brinco que uma vida chata e regular é uma vida saudável", afirma Figueiro. Ela recomenda manter um horário regular para dormir e acordar. Meia hora de caminhada todos os dias é "uma das melhores coisas que podemos fazer", diz.
 
Outra dica é aumentar a exposição à luz na parte da manhã. "A luz é um sinal importante para o corpo porque ‘diz a hora’ para o nosso relógio biológico", afirma Figueiro.
 
"Minha recomendação é sair para uma caminhada de meia hora na parte da manhã, pois isso é provavelmente uma das melhores coisas que podemos fazer. Se isso não for possível, então dirija sem óculos de sol, ou caminhe na hora do almoço para aumentar sua exposição à luz solar durante o dia", acrescenta.
 
4) Mais luz para os idosos
Ao longo dos anos, a lente ocular fica mais espessa: a pupila se contrai e menos luz atinge a parte posterior do olho. "Quando uma pessoa tem 60 anos, a luz que atinge a retina é um terço do recebido aos 20 anos", acrescenta a pesquisadora.
 
O outro problema é que os idosos tendem a ser mais sedentários e sair menos de casa, reduzindo assim a exposição à luz do dia. "Isso significa que eles não estão recebendo estímulo suficiente com a luz para redefinir seu relógio biológico, por isso, muitas vezes ficam desatualizados ou têm problemas para dormir."
 
Figueiro trabalha com asilos, onde introduziu modificações importantes nos sistemas de iluminação. A cientista, por exemplo, aumentou o número de fontes de luz e iluminou os batentes das portas. "Também estamos desenvolvendo óculos especiais que projetam luz azul que os idosos usam durante uma hora por dia e descobrimos que isso é suficiente para se dormir melhor", diz Figueiro.
 
E para quem quer ajudar os pais ou avós, Figueiro recomenda colocar mais luzes. "Não há necessidade de ser uma lâmpada especial, mas o melhor é procurar as que produzem uma luz mais azul, ou seja, com uma temperatura de cor correlata ou correlated color temperature ou cct de 6500 (Kelvin) ou superior".
 
5) E para quem trabalha à noite ou de madrugada?
"A ciência já demonstrou que quem trabalha fora dos horários normais corre mais risco de ter câncer, diabetes, obesidade e doença cardiovascular. Trabalhar nessas horas é como submeter o corpo semanalmente a um jet lag", diz Figueiro à BBC Mundo.
 
"Parte do trabalho que temos feito é provar que as luzes vermelhas aumentam a sensação de alerta durante a noite, mas não afetam os níveis de melatonina". Essa luz vermelha ativa o cérebro de uma forma semelhante à de uma xícara de café, mas não perturba o ritmo circadiano, afirma a pesquisadora. "Ainda assim, essas pessoas não estão dormindo de forma regular. Não acredito que a sociedade foi capaz de resolver o problema de quem trabalha por turno".
 
Mas, segundo a cientista, uma das coisas que se pode fazer é minimizar a luz antes de dormir pela manhã, no final do turno, e aumentá-la quando se acordar no período da tarde, abrindo espaço para caminhar à luz do dia antes de voltar ao batente.
 
BBC Brasil / Terra

Parto Normal: Entenda a utilização do Partograma

O Ministério da Saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicaram este ano resolução que estabelece normas para estímulo do parto normal e a consequente redução de cesarianas desnecessárias na saúde
 
Entre as mudanças trazidas pelas novas normas, está a utilização do partograma, documento gráfico que contém as informações sobre tudo o que acontece durante o trabalho de parto.
 
O partograma contém registros sobre a identificação da gestante, sua história obstétrica, como, por exemplo, quantidade de filhos e existência de abortos anteriores, além de informações de pressão arterial e temperatura, se houve rompimento da bolsa, batimentos cardíacos do bebê, contrações, dilatação do colo uterino, progresso do bebê descendo no canal do parto, medicações prescritas e outros. Existem diversos modelos de partograma utilizados no mundo. No Brasil, cada prestador pode usar sua versão, desde que contenha os dados propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
As informações do partograma são fundamentais em casos em que haja troca de plantão médico durante o trabalho de parto e desempenham a importante função de ferramenta de gestão para as operadoras, sendo parte integrante do processo para pagamento do parto. Em casos excepcionais, como uma paciente que chega ao hospital com o bebê já nascendo, não é necessário o preenchimento do partograma, pois não haverá um trabalho de parto a acompanhar. Neste caso, o profissional fará apenas um laudo médico ou de enfermagem, conforme o caso, relatando que a paciente chegou em período expulsivo. O mesmo ocorre para os casos de emergência em que a paciente vai direto para a mesa de cirurgia realizar uma cesárea emergencial ou nos casos em que há uma clara indicação prévia de cesárea.
 
A operadora poderá não pagar o procedimento realizado caso não seja apresentado o partograma ou laudo e relatório correspondentes. O mesmo já acontece atualmente com as cirurgias: alguns documentos do prontuário médico são exigidos pela auditoria da operadora para o pagamento da conta hospitalar, tais como as fichas de sala cirúrgica. Desta forma, cirurgiões e anestesistas preenchem e assinam as fichas com todo o relato do que foi feito na sala de cirurgia. Com o partograma ocorrerá o mesmo. Esta obrigatoriedade tem como objetivo reduzir o número de cirurgias cesáreas realizadas fora das indicações clínicas, antes da gestante entrar em trabalho de parto.
 
Cartão da Gestante
Além do partograma, haverá também a implantação do Cartão da Gestante, que deve conter a Carta de Informação à Gestante. O conteúdo tem o objetivo de registrar as consultas de pré-natal, com os principais dados de acompanhamento da gestação, além de promover o dialogo entre o médico e a gestante a respeito dos riscos de uma cirurgia cesárea pré-agendada. Sobretudo, constam no documento informações dos riscos à saúde do bebê em casos de nascimento prematuro, bem como o aviso de que o parto cesáreo é procedimento cirúrgico que deve observar claras indicações médicas.