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domingo, 1 de março de 2015

Descoberto agente anti-HIV tão poderoso que pode virar vacina

Crédito: NIH
Scanning electron micrograph of HIV particles infecting
 a human T cell.
Em um novo avanço notável contra o vírus que causa a AIDS, os cientistas do Jupiter, campus da Flórida do Instituto de Pesquisa The Scripps (TSRI) anunciaram a criação de um novo possível medicamento que é tão potente e universalmente eficaz, que pode funcionar como parte de uma vacina não convencional
 
O estudo, que envolveu cientistas de mais de uma dezena de instituições de pesquisa, foi publicado no último dia 18 de fevereiro no portal da revista “Nature”.
 
O artigo mostra que o novo candidato a medicamento bloqueia cada estirpe de HIV-1, HIV-2 e SIV (vírus da imunodeficiência de símio, da sigla em inglês) que foi isolada de seres humanos ou de macacos rhesus, incluindo as variantes mais difíceis de serem paradas. Ele também protege contra doses muito mais altas de vírus do que ocorre na maioria das transmissões humanas e o faz por pelo menos oito meses após a injeção.
 
“O nosso composto é o inibidor de entrada mais amplo e mais potente descrito até agora”, afirma Michael Farzan, professor do TSRI que liderou a equipe. “Ao contrário dos anticorpos, os quais não conseguem neutralizar uma grande fração de estirpes HIV-1, a proteína foi eficaz contra todas as estirpes testadas, levantando a possibilidade de que poderia oferecer uma alternativa eficaz para a vacina contra o HIV.”
 
Parando a AIDS
Quando o HIV infecta uma célula, tem como alvo os linfócitos CD4, uma parte integrante do sistema imunológico do corpo. O HIV se funde com a célula e insere o seu próprio material genético – neste caso, RNA de cadeia simples – e transforma a célula hospedeira numa fábrica de HIV.
 
O novo estudo baseia-se nas descobertas anteriores do laboratório Farzan, que mostram que um co-receptor chamado CCR5 tem modificações incomuns na sua região crítica de ligação do HIV, e que as proteínas com base nesta região podem ser utilizadas para prevenir a infecção.
 
Com este conhecimento, Farzan e sua equipe desenvolveram o novo candidato a fármaco que se liga a dois locais na superfície do vírus simultaneamente, evitando a entrada do HIV na célula hospedeira.
 
“Quando os anticorpos tentam imitar o receptor, eles tocam várias outras partes do envelope viral que o HIV pode mudar com facilidade”, explica Matthew Gardner, pesquisador afiliado ao TSRI e primeiro autor do estudo com Lisa M. Kattenhorn, da Faculdade de Medicina de Harvard. “Nós desenvolvemos uma cópia direta dos receptores sem fornecer muitos caminhos que o vírus pode usar para escapar, por isso, pegamos todos os vírus até agora”.
 
A equipe também alavancou a tecnologia pré-existente na concepção de um veículo de entrega – um vírus adeno-associado construído por engenharia genética – um vírus pequeno, relativamente inócuo, que não causa doença. Uma vez injetado no tecido muscular, como o próprio HIV, o veículo transforma essas células em “fábricas” que poderiam produzir o suficiente da nova proteína protetora para durar por anos, talvez décadas.
 
Os dados do novo estudo mostraram que o possível novo medicamento liga-se ao envelope do HIV de forma mais potente do que os melhores anticorpos amplamente neutralizantes contra o vírus. Além disso, quando os modelos de macacos foram inoculados com a droga, eles foram protegidos contra múltiplos desafios impostos pelo SIV.
 
“Este é o culminar de mais de uma década de trabalho sobre a bioquímica de como o HIV entra nas células”, diz Farzan. “Quando fizemos o nosso trabalho original sobre o CCR5, as pessoas pensavam que era interessante, mas ninguém viu o potencial terapêutico. Esse potencial está começando a ser realizado”, comemora.
 
Science Daily / Hypescience

Cientistas imprimem lente de contato eletrônica usando pontos quânticos

Photo: Frank Wojciechowski
Pesquisadores da Universidade de Princeton, nos EUA, usaram a técnica de impressão 3D para criar uma lente de contato eletrônica com diodos emissores de luz (LEDs) embutidos nela
 
Para a lente realmente funcionar, seria necessária uma fonte de energia externa, tornando-a impraticável como um dispositivo no mundo real. No entanto, o que a equipe de Princeton queria demonstrar é que é possível produzir dispositivos eletrônicos complexos usando materiais igualmente complexos e impressão 3D.
 
“Isso mostra que nós podemos usar impressão 3D para criar semicondutores eletrônicos complexos”, diz Michael McAlpine, professor de engenharia mecânica e aeroespacial.
 
O LED foi feito com nanopartículas exóticas conhecidas como pontos quânticos. Pontos quânticos são nanocristais formados de materiais semicondutores que possuem propriedades optoeletrônicas distintas, principalmente fluorescência.
 
“Nós usamos os pontos quânticos como uma tinta”, explica McAlpine. “Fomos capazes de gerar duas cores, laranja e verde”.
 
O desafio foi juntar materiais diferentes que podem ser mecânica, química ou termicamente incompatíveis. Para enfrentá-lo, os pesquisadores construíram uma impressora 3D híbrida, uma combinação de peças comercialmente disponíveis e outras um pouco mais exóticas. Eles escanearam a lente e, em seguida, passaram essa geometria para a impressora, de modo que o aparelho imprimiu um LED em conformidade com a forma da lente.
 
Este trabalho baseou-se em trabalhos estudos da mesma equipe na produção de um ouvido biônico usando impressão 3D. A nova pesquisa teve como objetivo demonstrar como eletrônicos e materiais biológicos poderiam ser fundidos utilizando a mesma técnica.
 
Enquanto os pesquisadores admitem que a impressão 3D de eletrônicos desta forma não é aplicável para a fabricação de diversos produtos eletrônicos, em que várias cópias precisam ser produzidas com um alto grau de confiabilidade (como telefones), pode ser útil para aplicações customizadas, como dispositivos médicos.
 
Spectrum / Hypescience

Alzheimer: qual o melhor remédio para doença?

Qual o melhor remédio para doença de Alzheimer?
 
Uma nova pesquisa da Universidade da Saúde Pública de Maryland mostra que o exercício físico pode melhorar a função cognitiva em pessoas com risco de desenvolver a doença de Alzheimer, melhorando a eficiência da atividade cerebral associada à memória.
 
A perda de memória que leva a condição é um dos maiores temores entre a população mais idosa. Para alguns, a perda de memória é normal e esperada à medida que a idade chega. Mas um diagnóstico de transtorno cognitivo leve também pode sinalizar perda de memória mais substancial e um maior risco de doença de Alzheimer, para a qual não há, atualmente, nenhuma cura.
 
O estudo liderado pelo Dr. J. Carson Smith oferece uma nova esperança para aqueles diagnosticados com a doença. Ele é o primeiro a demonstrar que uma intervenção de exercícios com idosos com comprometimento cognitivo leve (idade média de 78) melhorou não só a recordação da memória, mas também o funcionamento do cérebro, medido por neuroimagem funcional.
 
“Descobrimos que, após 12 semanas em um programa de exercício moderado, os participantes do estudo melhoraram sua eficiência neural – basicamente estavam usando menos recursos neurais para realizar a mesma tarefa de memória”, diz o Dr. Smith. “Nenhum estudo tem mostrado que uma droga pode fazer o que se mostrou possível com o exercício”.
 
Atividade Diária Recomendada
Dois grupos de idosos fisicamente inativos (variando entre 60 e 88 anos de idade) foram colocados em um programa de exercícios de 12 semanas, com caminhadas regulares sobre uma esteira orientadas por um personal trainer. Os dois grupos – um que incluiu adultos com Alzheimer e outro com adultos com função saudável do cérebro – melhoraram a aptidão cardiovascular em cerca de 10% no final da intervenção. Mais notavelmente, os dois grupos também melhoraram o desempenho de memória e mostraram maior eficiência neural enquanto envolvidos em tarefas de recuperação da memória.
 
A boa notícia é que estes resultados foram obtidos com uma dose de exercício consistente com as recomendações de atividade física para adultos mais velhos. Essas diretrizes incluem exercício de intensidade moderada (atividade que aumenta a sua frequência cardíaca e faz você suar, mas não é tão intenso que você não consegue manter uma conversa ao fazê-lo) na maioria dos dias, para um total semanal de 150 minutos.
 
Medir o impacto do exercício sobre a saúde do cérebro e da memória
Um dos primeiros sintomas observáveis ​​da doença de Alzheimer é a incapacidade de lembrar nomes conhecidos. Smith e seus colegas fizeram os participantes do estudo identificarem nomes famosos e mediram sua atividade cerebral enquanto eles estavam engajados em reconhecer corretamente um nome – por exemplo, Frank Sinatra, ou outras celebridades bem conhecidas dos adultos nascidos nos anos 1930 e 40. “A tarefa nos dá a capacidade de ver o que está acontecendo no cérebro quando há um desempenho de memória correta”, explica Smith.
 
Testes de imagem foram realizados antes e depois da intervenção de exercício de 12 semanas. Após a intervenção, foi relatada uma diminuição significativa na intensidade de ativação do cérebro em onze regiões enquanto os participantes identificaram corretamente os nomes famosos. As regiões do cérebro com a melhoria da eficiência correspondiam as envolvidas na patologia da doença de Alzheimer, incluindo a região precuneus, o lobo temporal e o giro para-hipocampal.
 
A intervenção do exercício também foi eficaz em melhorar a recordação da palavra através de uma “lista de tarefa de aprendizagem”, ou seja, quando as pessoas leram uma lista de 15 palavras e tiveram que lembrar e repetir quantas fossem possíveis em cinco tentativas consecutivas, e novamente depois de uma distração, com outra lista de palavras.
 
“As pessoas com Alzheimer têm um declínio muito acentuado da função de memória, de modo que ser capaz de melhorar a sua recuperação é um grande passo na direção certa”, afirma Smith.
 
Os resultados do estudo sugerem que o exercício pode reduzir a necessidade de excesso de ativação do cérebro para lembrar alguma coisa. Isso é uma notícia animadora para aqueles que buscam preservar sua função cerebral.
 
Dr. Smith tem planos para um estudo mais amplo que incluiria mais participantes, incluindo aqueles que são saudáveis, mas têm um risco genético para a doença de Alzheimer, e segui-los por um período de tempo mais longo com o exercício físico em comparação com outros tipos de tratamentos. Ele e sua equipe esperam aprender mais sobre o impacto da atividade na função cerebral, e se isso poderia atrasar o início ou progressão do Alzheimer.
 
ScienceDaily / Hypescience

Qual a melhor estratégia para diminuir o estresse?

Novas pesquisas sugerem que uma estratégia bastante comum de regulação de emoção conhecida como “reavaliação cognitiva” pode realmente ser prejudicial quando se trata de situações de estresse que estão sob nosso controle
 
“O contexto é importante”, disse a cientista psicológica e pesquisadora principal do estudo, Allison Troy, da Universidade Franklin & Marshall, dos Estados Unidos.”Nossa pesquisa é uma das primeiras a sugerir que a reavaliação cognitiva pode realmente ter efeitos negativos sobre a saúde psicológica em determinados contextos”.
 
O que é a tal da reavaliação cognitiva?
A reavaliação cognitiva é uma estratégia que envolve a ressignificação de seus pensamentos sobre uma determinada situação, a fim de alterar o impacto emocional que ela terá em você. Me parece um exercício extremamente racional e bem-vindo. Tanto que pesquisas anteriores chegaram a descobrir que a técnica é especialmente benéfica para a saúde psicológica das pessoas que se sentem altamente estressadas o tempo todo.
 
Mas…
Como Troy e seus colegas descobriram, a controlabilidade de uma determinada situação parece ser a chave para determinar se uma reavaliação cognitiva ajuda ou atrapalha. Ou seja: ela nem sempre é bem-vinda.
 
Para pessoas que enfrentam uma situação estressante em que se tem pouco controle (ou nenhum), como a doença de um ente querido, a capacidade de usar essa reavaliação deve ser extremamente útil. A mudança de emoções pode ser uma das únicas coisas que a gente consegue exercer algum controle sobre. Sendo assim, essa sensação pode nos proporcionar uma espécie de alívio emocional.
 
“Mas para alguém enfrentando problemas no trabalho por causa de mau desempenho, por exemplo, a reavaliação pode não ser tão adequada”, observa Troy. Reformular uma situação para fazer com ela pareça menos negativa, nesse tipo de contexto, pode tornar a pessoa menos inclinada a tentar mudar as coisas.
 
Percebeu a diferença?
Para desenvolver esse estudo, os pesquisadores recrutaram uma amostra de pessoas que viveram uma situação de estresse recente.
 
Os participantes fizeram uma pesquisa online com objetivo de medir seus níveis de depressão e estresse. Cerca de uma semana depois, eles foram ao laboratório de Troy para participar de um desafio destinado a medir a sua capacidade de reavaliação cognitiva.
 
Os participantes, então, assistiram a um videoclipe neutro destinado a induzir uma linha de base emocional neutra, e depois assistiram a três clipes de filmes tristes. Durante esses clipes, eles foram aleatoriamente designados para usar estratégias cognitivas de reavaliação para ver as situações que estavam assistindo “sob uma luz mais positiva”.
 
Resultados
Os resultados mostraram que a capacidade de regular a tristeza se associou com menos sintomas relatados de depressão, mas apenas para os participantes cujo estresse foi incontrolável – aqueles com um cônjuge doente, por exemplo.
 
Para os participantes com estresse mais controlável, se sentir melhor com a reavaliação foi associado com sintomas mais depressivos.
 
“Quando estressores são controláveis, parece que a capacidade de reavaliação cognitiva não é apenas menos benéfica, como pode ser prejudicial”, esclarece Troy. Estas descobertas acrescentam uma ruga às pesquisas que conhecemos até o momento, que têm mostrado consistentemente que a reavaliação está relacionada com resultados positivos – e só positivos.
 
Conclusão
“Estes resultados sugerem que nenhuma estratégia de regulação emocional é sempre adaptativa”, conclui Troy. Adaptar a regulação emocional provavelmente envolve a capacidade de usar uma grande variedade de estratégias em diferentes contextos, em vez de depender apenas uma estratégia em todos os contextos.
 
Estes resultados têm implicações para a saúde pública, uma vez que o estresse e deficiências na capacidade de lidar com ele são importantes preditores de problemas de saúde psicológica.
 
“Nossos resultados sugerem que as intervenções terapêuticas que buscam melhorar a capacidade de regulação da emoção e ensinar os clientes a usar estratégias particulares de maneiras apropriadas seria particularmente benéfica”, segundo Troy.
 
Pode ser, por exemplo, que as estratégias mais ativas, como a resolução de problemas e a busca de apoio social, sejam particularmente benéficas em contextos mais controláveis. Para tirar mais conclusões a respeito deste assunto, os pesquisadores planejam expandir sua abordagem e estudar outras estratégias de regulação da emoção, como aceitação, distração e supressão.
 
Psychcentral / Hypescience

Falta de medicamento impede cirurgias cardíacas em hospital do interior de SP

Laboratório promete entregar estoque emergencial de medicamento até esta sexta-feira (27) à Santa Casa de Marília
Divulgação/Assessoria
Hospital está sem estoque de Sulfato de Protamina 1000; laboratório promete estoque de emergência na segunda-feira
 
A Santa Casa de Marília (436 quilômetros de São Paulo) está impedida de realizar procedimentos cirúrgicos de alta complexidade como cirurgias cardíacas, por exemplo. O problema é causado pela falta de Sulfato de Protamina 1000, medicamento utilizado para reversão do efeito da Heparina. Enquanto o último dilata os vasos sanguíneos, o primeiro tem efeito coagulante estancando hemorragias.  
 
"A Santa Casa de Marília, atualmente, não dispõe de Sulfato de Protamina em estoque. A instituição tem utilizado, em alguns casos, produto cedido de outras instituições para cirurgias de urgência", confirmou a assessoria de imprensa do hospital ao iG. 
 
Ainda segundo a assessoria de imprensa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi acionada e contatou o laboratório fabricante que, por sua vez, comunicou que já fez a remessa de 150 ampolas do medicamento, que devem chegar ao hospital na próxima segunda-feira (2 de março). O laboratório admitiu que faltou matéria-prima para a produção do Sulfato de Protamina 1000 durante fevereiro.
 
Sem alternativa
O cirurgião cardíado Rubens Tofano de Barros, que atua no hospital, destaca que não existe nenhum medicamento que possa substituir o Sulfato de Protamina 1000. “Por essa razão, já suspendemos as internações eletivas, até que tenhamos uma regularização do fornecimento e garantia de poder atender os pacientes com segurança”, avalia.
 
Segundo Tofano de Barrros, que preside a Sociedade de Cirurgia Cardiovascular do Estado de São Paulo, os procedimentos só são realizados quando os familiares dos pacientes se prontificam a comprar a medicação. Cada ampola custa entre R$ 2 e R$ 2,70. O número de ampolas consumidas em uma cirurgia cardíaca varia de acordo com o peso do paciente - o número mínimo é de quatro por procedimento. 
 
Questionado pela Anvisa sobre a falta do medicamento, o Valeant admitiu que não tinha matéria-prima para a produção do Sulfato de Protamina 1000, situação que deve se normalizar em março.  
 
iG