Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



domingo, 5 de abril de 2015

Grupo cria caneta para ajudar pessoas com Parkinson a escrever à mão

Foto: Dopa Solution/Divulgação
Grupo de pesquisadores desenvolveu a caneta ARC, para ajudar
 pessoas com Parkinson a escrever à mão
Micrografia, ato de escrever com letra pequena, é comum no Parkinson. Caneta tem vibrações que relaxam musculatura da mão e ajudam escrita
 
Pensando em um problema que afeta o cotidiano das pessoas com a doença de Parkinson - a perda da habilidade de escrever de forma legível - um grupo de pesquisadores desenvolveu uma caneta especial que promete neutralizar os efeitos da mão trêmula durante a escrita.
 
A caneta, chamada ARC, foi criada pelo grupo britânico Dopa Solution's especialmente para pessoas que sofrem de micrografia: condição em que a letra fica cada vez menor até tornar-se ilegível.
 
Ela funciona por meio de vibrações que estimulam e relaxam os músculos da mão, eliminando temporariamente a rigidez, o que faz com que a ponta da caneta deslize mais facilmente sobre o papel. "Pensamos que a vibração pode agir como um ponto de partida para começar a escrever e para reduzir o esforço redundante em controlar a escrita" afirmou o grupo, por e-mail.
 
 Foto: Dopa Solution/Divulgação
Paciente testa caneta desenvolvida para pessoas com Parkinson: micrografia faz letra ficar cada vez menor
 
O produto já foi testado por um grupo de pacientes, que apresentaram uma melhora geral de 86% na qualidade da escrita. A principal motivação dos pesquisadores da Dopa Solution, empresa formada por jovens designers e engenheiros, é fazer com que as pessoas com Parkinson não deixem de escrever ou desenhar por causa da dificuldade.
 
 Foto: Dopa Solution/Divulgação
Caneta funciona por vibrações que ajudam a relaxar os músculos da mão de quem tem Parkinson
 
Para que a caneta chegue ao mercado, ainda são necessários mais testes e investimentos. "Achamos que um grande teste de usuários em parceria com médicos será nosso próximo passo para a efetividade e confiança do produto. Então, estamos procurando por investidores para pesquisas futuras e para a fabricação", afirmou o grupo.
 
G1

STF retoma julgamento sobre lei que regulamenta organizações sociais

Foto/Reprodução: Ricardo Lewandowski
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta semana, após o recesso de Páscoa, o julgamento sobre a constitucionalidade da Lei das Organizações Sociais (9.637/98), na ação impetrada pelo PT e PDT, em 1998, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso
 
Os partidos questionaram, principalmente, a dispensa de licitação em contratos entre a União e organizações sociais.
 
Na época, os partidos alegaram que a lei é inconstitucional e transfere responsabilidade do Poder Público para particulares, ofendendo os princípios da legalidade e do concurso público na gestão de pessoal. O processo tem dois votos a favor da derrubada de parte da lei. O julgamento será retomado com voto vista do ministro Marco Aurélio.
 
Também estão pautadas para as próximas sessões propostas de súmulas vinculantes e de ações diretas de inconstitucionalidade que aguardam julgamento, depois de pedidos de vista. Foram pautados até o momento cerca de 50 processos para as sessões de quarta (7) e de quinta-feira (8). Entre eles, somente um trata de assunto penal. O plenário deve julgar um recurso do ex-deputado federal Romeu Queiroz, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, para ter direito a cumprir regime aberto, sem o pagamento da multa aplicada no julgamento.
 
A prioridade para julgamentos de questões que têm impacto nas instâncias inferiores faz parte da estratégia do presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski. A medida foi possível depois da decisão do STF que remeteu para as duas turmas da Corte a competência para julgar inquéritos e ações penais, processos que levam mais tempo para serem analisados pelo plenário.
 
Agência Brasil

Comidas da infância podem diminuir sentimentos de rejeição e vulnerabilidade

Uma comida favorita pode ter relação direta com a pessoa
 que preparou a receita pela primeira vez
Conforto, segurança e bem-estar: estudo da Universidade de Buffalo defende que alimentos consumidos durante os primeiros anos de vida têm influência na vida adulta
 
Espaguete com almôndegas, lasanha ou até mesmo o clássico arroz com feijão e bife: o que esses pratos têm em comum? Para muitas pessoas, eles podem ser classificados como ‘comfort food’, aquele prato que, independentemente do modo de preparo, traz à tona histórias de vida e experiências agradáveis, algo que vai muito além do paladar.
 
Além disso, ter uma comida favorita pode ter relação direta com a pessoa que preparou a receita pela primeira vez, como um amigo próximo ou um familiar, de acordo com estudo da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos. Para os pesquisadores, um bom relacionamento afetivo é um fator social que tem forte influência sobre as preferências gastronômicas e hábitos alimentares de cada pessoa.
 
“Tradicionalmente, comfort food são aquelas comidas que nossos pais ou cuidadores nos deram quando éramos crianças. A partir do momento que nós temos uma relação positiva com a pessoa que preparou aquele alimento, existe uma boa chance de repetirmos esse hábito alimentar ao passarmos por momentos de dificuldade, como rejeição e isolamento”, afirma Shira Gabriel, psicóloga da Universidade de Buffalo, em comunicado.
 
Mais feliz
A comida reconfortante, apontam os pesquisadores, consegue deixar as pessoas mais felizes, principalmente em momentos de crise. É justamente por isso que procuramos alimentos e pratos específicos quando estamos nos sentindo mal, já que existe essa associação inconsciente com as pessoas com quem tivemos um bom relacionamento na infância, como pais, tios e avós.
 
“É o alimento que as pessoas cresceram comendo. Em um estudo anterior, nós oferecemos aos entrevistados uma canja, com frango e macarrão. Apenas aqueles que tinham uma conexão emocional com esse tipo de sopa classificaram a refeição como comfort food e se sentiram socialmente aceitos depois de se alimentar”, explica Shira Gabriel.
 
Para os pesquisadores, essa é uma conclusão que pode dar pistas e indícios importantes sobre a melhor forma para lidar com a sensação de vulnerabilidade e fragilidade. O fato de encontrar conforto na alimentação, estimulando a sensação de pertencimento a alguma época ou lugar, pode diminuir os riscos de problemas de saúde físicos e emocionais.
 
Porém, a psicóloga e autora do estudo Shira Gabriel pondera que esses pratos não são tão isentos de risco assim. O exagero e a dependência devem ser policiados de perto. “Esses alimentos podem talvez destruir a sua dieta”, atenta ela.
 
iG

sábado, 4 de abril de 2015

Soneca da tarde pode reverter estragos hormonais causados por uma noite maldormida

Apenas 30 minutos de soneca vespertina podem reverter o
impacto hormonal de uma noite de sono ruim
O cochilo também fortalece as estruturas de defesa do corpo
 
Entre os povos da cultura latina, não há um que desconheça a sesta. O hábito é uma tradição espanhola bastante difundida nos países colonizados pela nação europeia e que também atingiu os vizinhos. Em algumas cidades italianas, por exemplo, restaurantes fecham logo após o almoço para honrar umas horinhas de descanso antes do turno da noite. Se o grande número de admiradores e adeptos não é o suficiente para convencer o chefe de que o cochilo da tarde pode fazer diferença na produtividade, pesquisadores parisienses trazem um argumento a mais. Segundo a equipe de Brice Faraut, da Universidade Descartes-Sorbonne Paris, ele também restaura hormônios e proteínas envolvidos no estresse e fortalece o sistema imunológico.

De acordo com o estudo publicado no Jornal da Sociedade de Endocrinologia Clínica e Metabolismo, dos Estados Unidos, apenas 30 minutos de soneca vespertina podem reverter o impacto hormonal de uma noite de sono ruim. Hoje, a falta de sono é reconhecida como problema de saúde pública. Segundo os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs), dos EUA, noites maldormidas contribuem para a redução da produtividade, assim como para o aumento de acidentes de trabalho e de trânsito. Pessoas que dormem pouco também são mais propensas a desenvolverem doenças crônicas, como obesidade, diabetes, pressão alta e depressão.

Na contramão de todos esses prejuízos, Faraut sugere o breve cochilo. Ele e a equipe chegaram a essa conclusão após analisar 11 homens saudáveis, com 25 a 32 anos. Os voluntários foram submetidos a duas sessões de testes de sono em um laboratório onde as refeições e a iluminação ficaram sob rigoroso controle. Em cada sessão, composta por três dias, ficaram limitados a duas horas de sono por noite.

Depois de uma noite de privação, foram divididos em dois grupos. O primeiro pôde tirar dois cochilos, de 30 minutos cada, após se alimentar. O segundo ficou acordado. Cada sessão começou com uma noite em que os indivíduos passaram oito horas na cama e acabou com uma noite de sono de recuperação ilimitada.

Os pesquisadores recolheram amostras de urina e saliva para avaliar o quanto o sono restrito e o cochilo alteraram os níveis hormonais dos participantes. Perceberam um aumento de 2,5 vezes nos níveis de norepinefrina quando o sono foi limitado. Trata-se de um hormônio neurotransmissor envolvido na resposta de luta ou fuga diante de uma situação de estresse. Ele aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e o açúcar no sangue.

Depois de os participantes terem feito a sesta, os níveis hormonais voltaram ao normal. “Esse é o primeiro estudo a revelar que o cochilo poderia restaurar biomarcadores neuroendócrinos e imunológicos de saúde aos níveis normais”, garante Faraut.

A falta de sono também afetou as taxas de interleucina-6, uma proteína com propriedades antivirais encontrada na saliva. Os níveis caíram depois de uma noite de sono restrito, mas se mantiveram normais quando os indivíduos foram liberados para tirar uma soneca. “O cochilo pode oferecer uma maneira de combater os efeitos nocivos da restrição do sono, ajudando o sistema imunológico e o neuroendócrino a se recuperar. Os resultados suportam o desenvolvimento de estratégias práticas para lidar com populações privadas de sono cronicamente.”
 
Casos esporádicos
Para a neurologista e membro da Associação Brasileira do Sono (ABS) Rosa Hasan, a questão é que, quando estamos privados de sono, o organismo lança mão das catecolaminas, substâncias parecidas com a adrenalina e que provocam efeitos excitatórios e inibitórios no sistema nervoso central e periférico, no cardíaco e no endócrino. “O estudo confirma que uma soneca ajuda a reverter esses prejuízos. Isso é o mais interessante, pois, com uma pequena quantidade de sono, o organismo já consegue se recuperar.”

Ela pondera, porém, que a pesquisa retrata uma situação em que a pessoa extrapolou. Em caso esporádico de baixa quantidade de sono, o cochilo funcionaria como auxílio. “Por causa de uma questão profissional, a pessoa não tem como dormir mais de seis horas. Se ela tiver um tempo para cochilar à tarde, pode recuperar a falta desse sono, mas não pode ultrapassar isso”, exemplifica.

A falta de sono, defende Hasan, deve ser encarada com a mesma gravidade dedicada a outros distúrbios da noite, como a apneia, já que as consequências para a saúde são praticamente as mesmas. “A pessoa que dorme mal sente os principais efeitos no comportamento durante o dia: cansaço, vontade incontrolável de dormir e alteração de humor”, lista. A neurologista observa ainda que as pessoas que sofrem com o problema vão criando perigosos artifícios para ofuscá-lo. “Vão se adaptando a um ponto que nem percebem. Mascaram, tomam café e recorrem a outras muitas estratégias da vida moderna.”

Defesa institucional
A soneca da tarde é a principal bandeira levantada pela Associação Portuguesa dos Amigos da Sesta. Segundo seus membros, a prática, enquanto pausa de repouso intercalando a atividade laboral, busca “a harmonia dos ritmos biológicos, o alívio do estresse e a melhoria da qualidade de vida na sua dualidade psicossomática”.

Presidente da entidade, Manuel Prates Miguel ressalta que os benefícios vão além de questões individuais. “Somos governados por pessoas que dormem mal e se orgulham disso. Devemos admirar os alentejanos (natural do Alentejo, região de Portugal) porque souberam manter intacto o antigo e nobre prazer de repousar depois do almoço.” A frase repetida por ele é do cientista americano Stanley Coren no artigo Em louvor ao sono, que motivou a criação da associação em 2003.

Ameaça à juventude
Os problemas de sono são cada vez mais comuns entre os jovens brasileiros. Estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom) no fim do ano passado com 1.830 pessoas de 14 a 18 anos indicou que 88% delas tinham um sono ruim ou insatisfatório. Entre os consultados, 43% disseram dormir de três a cinco horas por noite. Desses, 58% relataram que acordam cansados e 94% declararam que sentem sonolência ou queda de rendimento ao longo do dia. Em 2012, o Ipom fez um estudo similar envolvendo um público mais abrangente: 2 mil pessoas, com 20 a 60 anos. Nessa sondagem, 69% avaliaram o sono como ruim ou insatisfatório.

Cérebro sedento por gordura
A falta de sono não tem como consequência apenas a perda de funções do sistema imune. Segundo especialistas da Escola de Medicina da Pensilvânia, nos Estados Unidos, quem enfrenta esse problema consome mais gordura e menos carboidratos. Uma região cerebral conhecida como rede de relevância é a responsável por esse processo. O trabalho foi publicado na edição de fevereiro da revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Não é a primeira vez que se detecta a associação entre as noites maldormidas e a vontade de comer mais e pior. Há anos, especialistas alertam que o sono insuficiente pode levar ao ganho de peso. A maioria das pesquisas nessa área tem se concentrado em alterações nos hormônios metabólicos que levam ao aumento das gordurinhas. Poucas examinam a influência de alterações na atividade cerebral, como a conduzida por Hengyi Rao, professor assistente de pesquisa de neuroimagem cognitiva da universidade norte-americana.

No experimento, 34 indivíduos foram privados de sono e 12 mantidos em um laboratório como grupo controle. Os cientistas os observaram durante cinco dias e quatro noites. Os participantes tiveram uma noite de sono regular e, em seguida, foram randomizados para a privação total de sono ou de controle nas três noites seguintes.

Imagens de ressonância magnética funcional indicaram mudanças de conectividade no cérebro associadas à ingestão de macronutrientes. Indivíduos privados de sono foram pareados com os controles de acordo com a idade, o índice de massa corporal (IMC), a etnia e o gênero.

Os participantes privados de sono consumiram perto de 1.000 calorias na vigília durante a noite. Apesar disso, ingeriram quantidade similar de calorias no dia seguinte à privação do sono, como fizeram no seguinte ao sono normal. Mas, ao comparar a ingestão de macronutrientes entre os dois dias, os pesquisadores descobriram que os adultos saudáveis consumiram porcentagem maior de calorias provenientes de gordura e menor percentual de calorias provenientes de carboidratos durante o dia após a privação total de sono.

“Queríamos descobrir se essas mudanças têm impacto sobre o nosso comportamento alimentar após a privação do sono”, detalha Hengyi Rao, um dos autores do estudo e professor assistente de pesquisa de neuroimagem cognitiva da universidade. “Esse trabalho tem implicações para os cerca de 15 milhões de americanos que trabalham na noite, em turnos rotativos ou outros empregos dispostos em horários irregulares.”

Correio Braziliense

Pesquisa identifica molécula capaz de proteger a flora intestinal dos antibióticos

Descoberta pode evitar que esses remédios destruam a flora intestinal, efeito colateral comum desses medicamentos
 
Entre os prejuízos causados ao corpo pelo uso excessivo de antibióticos, um dos que mais preocupam os médicos é a destruição de bactérias que compõem a flora intestinal. Preocupado com esse efeito colateral, um grupo de pesquisadores portugueses e espanhóis resolveu testar uma molécula que pudesse proteger o intestino desse problema, alcançando resultados promissores. O trabalho, publicado no jornal Cell Reports, mostra que a estratégia foi eficaz em ratos, e os autores do estudo acreditam que o sucesso pode ser repetido, futuramente, para a microbiota humana.

A molécula é chamada de autoindutor-2 (AI-2). Ela funciona como um sinal químico produzido na comunicação entre as bactérias e já vinha sendo estudada por outros grupos. “Uma de nossas parceiras passou muito tempo de sua carreira pesquisando e tentando compreender a comunicação bacteriana e como as diferentes espécies se comunicam e interferem umas nas outras por meio do sinal AI-2”, justifica ao Correio Jessica Thompson, coautora do estudo e pesquisadora do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Portugal.

A cientista explica que os estudos anteriores mostraram que essa molécula poderia ajudar na regulação do número de bactérias da flora intestinal, protegendo-as de efeitos externos. No entanto, as pesquisas precisavam de dados mais concisos, que evidenciassem esses efeitos. “Esses testes olharam apenas para o que acontece in vitro (em tubos de ensaio e configurações de laboratório), mas essas condições são muito diferentes nos ambientes naturais. Muitas vezes, elas são cercadas por pressões ambientais diferentes e complexas”, destaca a autora.
 
Para testar a ação do AI-2, os pesquisadores aplicaram nos animais o antibiótico estreptomicina, cujo um dos efeitos colaterais costuma ser o desequilíbrio na microbiota da flora intestinal. Os animais foram divididos em dois grupos: um deles recebeu apenas o medicamento, enquanto o outro também ganhou uma aplicação da bactéria Escherichia coli, micro-organismo conhecido por produzir AI-2 em grandes quantidades. Os cientistas observaram que os ratos que receberam a molécula por meio da E. coli tiveram os danos causados pelos antibióticos reduzidos. “Foi realmente emocionante ver que, quando incluímos as bactérias que produzem o sinal AI-2 nessa comunidade, esse desequilíbrio, ou ‘dano’, causado pelo antibiótico foi inferior”, conta Thompson.
 
Para Carlos Francisconi, chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), a pesquisa é importante por mostrar como a população bacteriana se mantém equilibrada. “Já tínhamos um conhecimento intuitivo de que as bactérias controlam sua população, mas não sabíamos a base biológica disso. Esse estudo deixa claro que essa molécula AI-2, responsável pela conversação entre elas, serve como uma rede de auxílio de sobrevivência ecológica dentro do sistema digestivo”, afirma o especialista.

Décio Chinzon, gastroenterologista do Laboratório Exame de Brasília, também acredita que o trabalho pode auxiliar a medicina futuramente, mesmo se tratando de um trabalho experimental. “É um estudo ainda muito inicial, mas podemos ver que a busca dos cientistas é encontrar um meio de manter o equilíbrio de bactérias no nosso organismo. É algo que precisa de muitos estudos, mas, talvez, daqui a alguns anos, essa ideia possa se aplicar no desenvolvimento de medicamentos”, avalia. Chinzon também explica a ação dos antibióticos na microbiota. “O antibiótico não escolhe quem ele vai atingir, e isso faz com que ele possa destruir bactérias sensíveis, que são benéficas ao nosso corpo”, frisa.

Causa investigada
Os pesquisadores não sabem ainda por que o AI-2 protegeu as bactérias, mas levantam algumas hipóteses. “Pode haver muitas razões para isso. Nós pensamos que algumas das bactérias no intestino são detectadas ao ‘ouvir’ o AI-2 e podem responder de forma positiva, mudando de comportamento e crescendo melhor. É também possível que o sinal atue de forma negativa sobre o grupo de bactérias destruidoras das benéficas que dominariam a comunidade microbiana com a ação do antibiótico”, explica a Jessica Thompson.

A autora destaca que o estudo ainda é inicial e precisa se expandir. “Esse trabalho está em seus primeiros passos e nós precisamos fazer mais pesquisas para descobrir como as bactérias respondem a essa interferência, o que isso significa para o corpo humano e se podemos ver efeitos maiores em diferentes sistemas. Esperamos que esse sinal e outros similares ainda sejam investigados, já que isso poderia, no futuro, fornecer outra ferramenta útil para aumentar a proteção natural de bactérias que vivem dentro de nós”, prevê.

O próximo passo será desvendar minuciosamente o comportamento das bactérias. “Gostaríamos de entender exatamente o que elas produzem, como detectam e respondem ao AI-2, como isso afeta sua capacidade de crescer e qual é o impacto sobre a comunidade global e as suas funções benéficas. Também seria muito interessante ver se esse sinal realmente pode acelerar a recuperação de tratamento com antibiótico ou, talvez, influenciar a forma como estamos suscetíveis à infecção por outros patógenos bacterianos.”

Correio Braziliense