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terça-feira, 7 de abril de 2015

Estudo alerta que 10% do leite vendido como materno em sites dos EUA é mistura

Reprodução
Segundo pesquisa, alimento também contém leite de vaca e em pó
 
Cerca de 10% do leite materno vendido pela internet nos Estados Unidos também contém leite de vaca ou leite em pó — segundo pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista norte-americana Pediatrics.
 
A descoberta feita após a análise de 102 amostras de leite materno vendidas na internet ilustra os riscos potenciais para muitos bebês que sofrem com certos problemas de saúde.
 
O leite misturado também torna as crianças mais vulneráveis ao risco de infecções bacterianas e virais identificadas em um estudo anterior pelos mesmos pesquisadores.
 
— Descobrimos que uma amostra de cada 10 tipos de leite materno adquirido na internet contêm quantidades significativas de leite de vaca, o que representa um risco para as crianças com alergias ou intolerância a este leite. Se um bebê alérgico a leite de vaca bebe a mistura, pode acabar ficando gravemente doente — explicou a médica Sarah Keim, do Research Institute at Nationwide Children, que conduziu o estudo.
 
A mesma equipe de pesquisadores já havia determinado anteriormente que 21% dos pais que tentam obter leite humano na internet fez isso porque o filho sofria com algum problemas de saúde. Em 16% dos casos, tratava-se de alergias a alimentos para bebês.
 
O que é mais preocupante é que estudos anteriores revelaram que mais de 75% do leite vendido na internet estava contaminada com bactérias ou vírus. A agência norte-americana que regula os medicamentos (Food and Drug Administration, a FDA) advertiu em 2010 sobre uma possível contaminação do leite materno não pasteurizado com outras fontes que não a mãe do bebê.
 
— O temor existe na medida em que há dinheiro envolvido, o que poderia incentivar o aumento do volume de vendas de leite diluído com leite de vaca ou artificial para ganhar mais. As mães que consideram a compra de leite materno devem saber que a internet representa um risco real para seus filhos — destacou Keim.

*AFP / Zero Hora

Conheça um novo tratamento para depressão quase sem efeitos colaterais

Foto: Stock.xchng / Divulgação
Quando o paciente não responde bem aos remédios, a EMT pode ajudar a melhorar os sintomas
 
Técnica não invasiva e quase isenta de efeitos adversos, a estimulação magnética transcraniana (EMT) é regulamentada para uso clínico desde 2008 nos EUA, há pouco no Brasil, e tem eficácia comprovada para casos em que pacientes depressivos não respondem bem aos remédios. Mas o tratamento — aprovado também para o alívio de alucinações auditivas causados por esquizofrenia — ainda custa caro, não é coberto por planos de saúde e é desconhecido da maioria dos pacientes e até mesmo de muitos profissionais.
 
— Em geral, é indicada (a EMT) para aquelas depressões que não respondem bem a pelo menos dois ciclos de tratamentos com fármacos. São os casos que a gente chama de depressão resistente ou refratária — afirma o psiquiatra Eduardo Martini, que aplica a técnica desde dezembro do ano passado em Porto Alegre.
 
A EMT é diferente de outra já existente, mais antiga e também aprovada para uso clínico no Brasil: a eletroconvulsoterapia (ECT). As duas se baseiam em estimulação cerebral, mas a ECT costuma levar consigo o preconceito de "tratamento de choque".
 
— Apesar de ser uma técnica bastante segura (a ECT), há um certo estigma, e de fato pode trazer alguns efeitos colaterais, alterações cognitivas e de memória no longo prazo. E a preparação é mais trabalhosa (o paciente deve ser anestesiado). É usada em casos mais graves e agudos, de ideação suicida, de apresentação de psicoses, quando a pessoa perde o contato com a realidade — explica o psiquiatra André Russowsky Brunoni, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da USP.
 
Já na EMT, o trabalho é praticamente indolor, sem anestesia, e o paciente pode ficar acordado durante as sessões.
 
— Acho que a confusão que se dá por ser um método aplicado na cabeça, no crânio, mas a EMT não induz convulsão. Existe o risco de induzir? Sim, existe, mas apenas se a gente não seguir os parâmetros de segurança. Depois que se estabeleceram esses parâmetros, nunca mais se ouviu falar em convulsão por EMT — ressalta Martini.
 
Método revolucionário em estudo na USP
Hoje, os valores de uma sessão de EMT giram em torno de R$ 300 — principalmente pelo custo da máquina (cerca de R$ 200 mil) e da necessidade de médico acompanhando —, e são necessárias de 15 a 30 diárias para uma reavaliação dos resultados. Uma alternativa ainda em estudo pode baixar os custos: a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC).
 
— Em vez de um campo magnético, usamos uma corrente elétrica de intensidade mais baixa (entenda melhor no quadro abaixo). O aparelho da ETCC é portátil, do tamanho de um livro de mão e poderia ser usado, em casa mesmo, com orientações — relata Brunoni.
 
Com verba da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), uma grande pesquisa está em andamento no Instituto de Psiquiatria da USP.
 
— Se comprovarmos a eficácia (da ETCC), será revoluvionário, pois o aparelho é bem mais barato (cerca de R$ 2 mil) e a aplicação é ainda mais simples — diz Brunoni.
 
Sessões e possíveis aplicações
Na EMT, a primeira sessão é de avaliação, quando se busca descobrir se o paciente apresenta contraindicações.
 
Os parâmetros são medidos, assim como o cérebro, para localizar a região específica a ser estimulada, que fica marcada em uma touca. Então, são marcadas as sessões.
 
— Ele chega e veste a touca que vai usar do início ao fim do tratamento. Com isso, é possível posicionar a bobina sempre no mesmo lugar. Tem de estimular sempre o mesmo ponto — conta Martini.
 
Cada sessão pode variar de 15 a 30 minutos. E não há contraindicação para atividades posteriores da pessoa em tratamento, como dirigir, por exemplo.
 
— Alguns pacientes podem referir no início do tratamento um pouco de náusea, dor de cabeça, algum desconforto por prótese dentária — enumera Martini.
 
Segundo Brunoni, cada vez mais se propõem sessões de manutenção:
 
— Faz as 15 diárias, depois duas vezes por semana por mais 10 ou 15 sessões, aí depois se vai reduzindo até cessar, em torno de seis a nove meses.
 
Acredita-se que o tratamento também possa ser indicado para gestantes, mas ainda se buscam mais evidências. Além disso, são pesquisadas mais aplicações na área psiquiátrica, como ação sobre outros sintomas de esquizofrenia, transtornos ansiosos e obsessivo-compulsivos e bipolaridade.
 
Também a área neurológica tem futuro promissor nas técnicas de estimulação, com possível ação em casos de síndromes dolorosas e recuperação pós acidente vascular cerebral (AVC).
 
Indicações e contraindicações da EMT
— É reservada para casos em que a medicação não deu certo ou quando ocorre metabolização rápida dos remédios.
 
— Estudos mostram que a técnica tem uma eficácia comparável aos remédios. Pelo menos 70% dos pacientes têm um bom resultado com sessões de EMT.
 
— Quase ausência de efeitos colaterais. Extremamente segura, não traz danos a órgãos colaterais, como fármacos podem causar.
 
— Pessoas com dispositivo eletrônico ou metálicos na cabeça, principalmente implante coclear (auditivos), não devem fazez as sessões. O campo magnético pode de alguma forma interferir no funcionamento do aparelho.
 
— O campo magnético chega a até 2cm de profundidade. Pacientes com implante dentário, assim como portadores de placas de titânio, podem fazer o tratamento sem contraindicação.
 
Estudo com ETCC em São Paulo
— A USP está selecionando pacientes, de 18 a 75 anos, de ambos sexos, com sintomas moderados de depressão, tomando ou não medicação, para participar de pesquisa sobre estimulação elétrica. Com 240 voluntários previstos, é o segundo maior estudo no mundo.
 
— Segundo o psiquiatra e pesquisador do assunto André Russowski Brunoni, se comprovada a eficácia, a ETCC pode se tornar uma forte indicação ao tratamento de depressão.
 
— O tratamento é feito apenas em São Paulo, mas podem se candidatar voluntários de todo o Brasil. Os interessados podem entrar em contato pelo e-mail pesquisa.depressao@gmail.com.
 
Técnicas em pesquisa ou já praticadas
Os três métodos abaixo trabalham com a ideia de estimulação de áreas do cérebro. O uso clínico aprovado hoje no país é apenas para EMT e ECT, em casos de depressão:
 
Eletroconvulsoterapia (ECT)
— A mais antiga das técnicas de estimulação em uso. Começou a ser aplicada entre os anos 1950 e 60.
 
— Mais invasiva do que as outras, requer anestesia e precisa ser feita em bloco cirúrgico. É a única das três que conduz convulsões no paciente, que podem gerar efeitos quase sempre passageiros.
 
— Usadas para casos mais graves e agudos, como ideias suicidas e psicoses.
 
— Paciente precisa ser acompanhado por alguém depois das sessões.
 
Estimulação magnética transcraniana (EMT)
— Técnica aprovada no Brasil em 2012. O paciente passa por uma avaliação anterior para determinar as indicações e a região que será estimulada ou inibida — depende da ação do neurotransmissor envolvido.
 
— A região da cabeça onde a bobina eletromagnética será colocada é desenhada pelo médico em uma touca.
 
— A bobina vai gerar um campo magnético que induz uma descarga elétrica e libera neurotransmissores.
 
Estimulação por corrente contínua (ETCC)
— Eletrodos são posicionados na cabeça e, em vez de um campo magnético, como na EMT, geram uma corrente elétrica de intensidade bem mais baixa, mas com a mesma ideia das técnicas já em uso: diminuir ou ativar áreas do cérebro.
 
— O aparelho é portátil, do tamanho de um livro de mão pequeno, com custo em torno de R$ 2 mil.
 
— Técnica ainda está em estudo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e na Europa.
 
Zero Hora

Sibutramina pode ser dispensada para até 60 dias de tratamento

No mês de março o Centro de Informação sobre Medicamentos do CRF-PR solicitou esclarecimentos à Anvisa sobre o tempo de tratamento de Notificações de Receita B2 (NRB2) contendo sibutramina
 
Segundo a agência, com a publicação do Decreto Legislativo 273/2014, ficou sustada a Resolução RDC 52/2011, voltando a valer o disposto na Resolução RDC 58/2007, alterada pela Resolução RDC 25/2010.
 
A RDC 58/2007 determina que as NRB2 devem ser usadas para até 30 dias de tratamento, porém a RDC 25/2010 alterou seu texto, dispondo que para a sibutramina as quantidades dispensadas podem ser para até 60 dias de tratamento. Como a RDC 25/2010 havia sido revogada pela RDC 52/2011, a sustação dos efeitos desta pelo Decreto Legislativo gerou grande confusão na compreensão das quantidades máximas que podem ser atendidas pelas farmácias.
 
Portanto, atualmente cada Notificação de Receita contendo substâncias da lista B2 da Portaria SVS/MS 344/1998 pode ser dispensada para até 30 dias de tratamento, exceto para a sibutramina, cujo tempo de tratamento pode ser igual ou inferior a 60 dias.
 
 
CRF-PR

Proteja-se da dengue: saiba como e quantas vezes aplicar repelente de inseto

Deve-se aplicar o repelente de inseto no máximo três vezes ao dia
Stockxpert/Arquivo
Deve-se aplicar o repelente de inseto no máximo três vezes ao dia
Mau uso de repelentes pode causar intoxicação em crianças e adultos; aprenda técnicas e veja quantas vezes por dia você pode aplicá-lo, de acordo com a composição do produto
 
Em tempos de dengue se alastrando assustadoramente por todo o País, não basta apenas comprar o primeiro repelente que se vê na farmácia e aplicá-lo indiscriminadamente.
 
Especialistas explicam que é necessário obedecer algumas regras para que a eficácia seja satisfatória e não aconteçam problemas maiores, como uma intoxicação. Repelente não é uma água insossa, mas um produto que, quando usado de maneira incorreta, pode causar efeitos colaterais.
 
A dermatologista Carolina Marçon, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, conta que há basicamente três tipos de repelentes disponíveis no Brasil. “O que contém DEET, IR 3535 ou icaridina”, diz ela. O primeiro deles, o DEET, é um dos mais comuns e protege a pessoa das picadas de inseto por quatro horas, em média. O IR 3535 também afugenta os mosquitos por até quatro horas.
 
O mais eficiente deles, à base de icaridina, consegue afastar os seres alados por até 10 horas, reduzindo a quantidade de aplicação ao longo do dia.
 
“Deve-se aplicar o repelente de inseto no máximo três vezes ao dia, por isso o de icaridina é mais interessante, dada sua eficácia prolongada. Além disso, quando se aplica menos vezes, o risco de reação ao repelente diminui”, diz a médica.
 
Atualmente, no entanto, consumidores têm tido dificuldade para encontrar o produto, já que apenas uma marca no Brasil comercializa o repelente com esse princípio ativo. Segundo o departamento de marketing da empresa, a produção desse tipo de repelente aumentou oito vezes, mas ainda não dá conta de toda a demanda.
 
A presidente do departamento de dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Kerstin Taniguchi Abagge, explica que a maioria dos repelentes usa o DEET, substância sintética que pode causar reações alérgicas na pele, dependendo da sensibilidade de cada um, da concentração, do veículo (se creme, loção alcoólica ou spray) e se a pele está machucada ou não, já que lesões facilitam a penetração das substâncias.
 
“Existem atualmente repelentes sem DEET, que são mais seguros para crianças”, explica a médica. “Alguns repelentes causam reações sérias quando ingeridos, por isso há uma grande fiscalização da Anvisa quanto à concentração que pode ser comercializada no Brasil”, ressalta Kerstin.
 
Crianças menores de dois anos devem passar longe dos repelentes de inseto, salvo recomendação expressa e orientação do pediatra. “A criança tem pouca defesa corpórea e uma pele que absorve mais. O uso de repelente abaixo de dois anos de idade pode causar complicações sistêmicas, neurológicas e pulmonares”, alerta a dermatologista. Mosquiteiros podem ajudar a evitar as picadas, nesse caso.
 
Acima dessa idade, o repelente é relativamente seguro. No uso habitual, não costuma apresentar problema, nem mesmo para quem tem doenças respiratórias que normalmente sofrem com químicos inalados. Essa segurança existe pois o meio de administração do princípio ativo geralmente é alcoólico, explica o pneumologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Francisco Mazon, que também é professor da Universidade de São Paulo (USP).
 
Depois de atividades físicas, além da umidade, o corpo libera mais substâncias com odor atrativo para o mosquito da dengue
Depois de atividades físicas, além da umidade, o corpo libera
mais substâncias com odor atrativo para o mosquito da dengue
Como aplicar
O repelente de inseto deve ser aplicado nas áreas expostas - incluindo o rosto - no máximo três vezes ao dia, recomenda a Carolina. O pneumologista do HC Francisco Mazon explica ainda que a aplicação excessiva do repelente aumenta o risco de intoxicação.
 
“Isso varia de acordo com o tipo de repelente e a quantidade usada”, detalha. Segundo Francisco, parte do repelente pode ser absorvida pela pele, especialmente pelas mucosas, daí a recomendação para evitar o contato. “É necessário cuidado ao aplicar no rosto, evitando contato com as mucosas – boca, nariz e olhos – e aplicar sempre em local com boa ventilação”, recomenda.
 
Além disso, Kerstin recomenda que os pais ou cuidadores lavem as mãos das crianças depois da aplicação, já que elas podem colocar a mãos nos olhos ou na boca. “A criança não deve dormir com o repelente, e sim tomar banho com água e sabonete para removê-lo”, alerta. A mesma recomendação vale para os adultos. Não se dorme com repelente de insetos, afirma Carolina.
 
No caso de idosos, o repelente deve ser aplicado com cuidado, já que eles têm a pele mais frágil, segundo o geriatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Paulo Camiz.
 
“Se existirem feridas, pode ter a absorção pelo corpo e o repelente ser tóxico. Isso pode também acontecer em jovens, mas a chance de um idoso lesar a pele, por ser mais frágil, é maior”, alerta Camiz.
 
Citronela
Para a presidente da divisão de dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, os repelentes à base de citronela, assim como outras plantas, não são inofensivos e não demonstram uma efetividade superior aos demais.
 
“Podem causar reações alérgicas e mesmo reações do tipo ‘fitofotodermatite’, como aquelas causadas por frutas como o limão e plantas leitosas”, diz ela. “Nem sempre os produtos ditos ‘naturais’ são melhores que os sintéticos”, alerta Kerstin.
 
Carolina explica que ainda não há estudos que provem que a citronela é uma melhor opção.
 
“Portanto, repelentes com óleo de citronela, eucalipto e andiroba não têm segurança comprovada para se usar em crianças. Além disso, eles são muito voláteis e têm tempo de ação muito curto”, diz. “Mas também não podem ser aplicados mais do que três vezes ao dia”, recomenda.
 
Além disso, Carolina explica que a pulseira com citronela não é eficiente. “Ela protege num raio de quatro centímetros ao redor, ou seja, só aquela parte do braço”, alerta.

iG

Engenheiro cria site para ajudar quem precisa de tratamentos caros de saúde

O engenheiro de computação Fábio Lae de Souza e a mulher Carolina Saliby são os responsáveis pelo site Clique da Esperança
Divulgação: O engenheiro de computação Fábio Lae de
Souza e a mulher Carolina Saliby são os responsáveis pelo
site Clique da Esperança
Currículo com formação profissional em instituições brasileiras de ponta, vasta experiência corporativa, inclusive internacional, na área de sistemas e uma doença que fez com que sua carreira promissora fosse interrompida
 
Essa é a receita que levou o engenheiro de computação Fábio Lae de Souza, 38, a criar um projeto capaz de mudar a vida de famílias brasileiras que dependem da ajuda dos outros para conseguir tratamento de saúde para seus filhos.
 
Logo após se mudar para os Estados Unidos, no fim de 2012, Fábio começou a sentir dores nos braços. Ele tentou se manter no trabalho até que as dores, já crônicas, cobraram seu preço. A tendinite severa fez com que ele ficasse afastado do trabalho por seis meses. Enquanto estava afastado de suas funções, sem conseguir se levantar da cama, começou a pesquisar a história de pessoas que necessitavam de ajuda e começou a pensar em como colaborar com as diversas causas. “Queria algo mais do que fazer doações para uma criança específica. Queria ser parte da solução do problema. Ao mesmo tempo, isso ajudaria as pessoas e ajudaria a mim mesmo. Eu precisava provar que eu ainda era útil, que não era um inválido”, lembra.
 
Sem conseguir trabalhar, teve que voltar ao Brasil, já que seu visto era de trabalho. “Voltei para o Brasil em setembro de 2013, e comecei a desenvolver a ideia de um site onde as pessoas pudessem doar dinheiro a quem precisasse”, conta. Foi ai que nasceu a ideia do Clique da Esperança (http://cliquedaesperanca.com), site que reúne casos de meninos e meninas com doenças graves e precisam de tratamento, geralmente caro e de urgência.
 
“De uma hora para outra, eu vivi um problema que fez eu repensar minha carreira. Os médicos chegaram a dizer que eu seria um inválido, que nunca voltaria a trabalhar. Por isso, precisei provar para mim mesmo e para o mundo que eu ainda podia fazer a diferença na vida das pessoas”, relembra.
 
Fábio relembra que, como não conseguia digitar, contou com a ajuda da mulher, Carolina Saliby, 35, para digitar os códigos para a criação do sistema. Na época, ela estava em licença maternidade e esperava os dois filhos mais novos do casal dormirem para trabalhar com o marido. “O que qualquer pessoa da área fazia em minutos, eu levava horas, dias. Mas fomos trabalhando juntos até que o projeto ganhasse forma”, conta a mulher.
 
Projeto
Com a ajuda da mulher, Fábio conseguiu terminar o Clique da Esperança e o site foi ao ar em maio de 2014. Em julho, a primeira campanha conseguiu arrecadar R$ 1.140 para o tratamento do pequeno Arthur, de Araraquara, cuja mãe morreu depois de parar a quimioterapia para que ele sobrevivesse.
 
“Essa campanha durou apenas uma semana, já que a família conseguiu que o governo custeasse o tratamento. Mas mostrou que ajudar era possível”, conta.
 
Desde então, o Clique da Esperança, que tem, hoje 21 campanhas no ar, já ajudou mais de 30 famílias, com arrecadação que já superou os R$ 500 mil. A meta de arrecadação para 2015 é de R$ 5 milhões.
 
Para Patrícia Lacerda, mãe da pequena Sofia, que aguarda um transplante multivisceral nos Estados Unidos e também foi beneficiada pelo site, a iniciativa de Fábio é fundamental para manter a esperança das famílias. “O dinheiro é importante, fundamental, mas o Fábio também conversa com as famílias, mostra que é possível ter esperança. A ajuda que ele oferece é, muitas vezes, essencial para manter as pessoas de pé e confiantes na solução dos seus problemas”, conta.
 
Para Fábio, entretanto, o diferencial é a possibilidade de ajudar e ter a certeza de que o dinheiro vai integralmente para as mãos das famílias. Além disso, Fábio ressalta que a real necessidade da família é comprovada por meio de documentos, exames médicos e entrevistas para evitar que o sistema seja utilizado por pessoas mal intencionadas.
 
O sistema aceita doações de até R$ 5 mil e a transação é feita pela plataforma PagSeguro. O valor é depositado diretamente na conta dos pais da criança. O Clique da Esperança não cobra nenhuma taxa e é possível doar com cartão de crédito.
 
“Nós apenas fornecemos o sistema. O dinheiro cai direto na conta das famílias que são ajudadas, não temos nenhum contato. Nosso papel é facilitar a doação e fornecer um resumo detalhado sobre quanto foi arrecadado e quem fez a doação”, informa.
 
UOL