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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Apenas um em cada quatro dos brasileiros consome a quantidade de frutas e hortaliças recomendada

Dados do Ministério da Saúde mostram que o consumo é maior entre as mulheres
 
Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde afirma que 24,1% dos brasileiros consomem a quantidade de frutas e hortaliças recomendada por dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão de 400 gramas diários, pelo menos em cinco dias na semana.
 
Elaborada pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a pesquisa foi divulgada nesta terça-feira. De acordo com o estudo, o consumo verificado entre os homens é ainda menor: apenas 19,3% atendem às recomendações. Entre as mulheres o consumo atinge 28,3%.
 
A pesquisa mostra também que 29,4% da população consome carne com excesso de gordura. Os homens ingerem duas vezes mais: 38,4%. Entre as mulheres o índice é 21,7%. Além disso, os números indicam que o brasileiro tem diminuído o consumo de refrigerante: a ingestão caiu 20% nos últimos seis anos. Entretanto, mais de 20% da população ainda consome a bebida cinco vezes ou mais na semana.
 
Em relação aos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, a Vigitel afirma que o consumo regular do feijão em cinco ou mais dias da semana está presente em uma escala correspondente a 66% da população. O percentual foi maior entre os homens: 73%. Entre as mulheres, o consumo de feijão equivale a 61%.
 
Agência Brasil

Conheça cinco inovações importantes no tratamento do câncer

Novos métodos de diagnóstico de câncer menos invasivos estão em estudo
Novos métodos de diagnóstico de câncer menos invasivos
estão em estudo
Fazer com que o próprio sistema imunológico ataque o tumor e uma terapia que atinge diretamente cada tipo de câncer são os avanços mais promissores da oncologia atualmente
 
De tão temida, a condição era mencionada, décadas atrás, apenas como “aquela doença". O nome correto era pouco pronunciado. Hoje, ainda letal em muitos casos, o câncer se tornou uma doença bastante comum na população mundial e, com grande esforço da comunidade científica, cada vez mais tratável.
 
Avanços significativos são alcançados globalmente e inúmeras pesquisas promissoras estão em andamento para ajudar no tratamento da doença que atingirá 576 mil pessoas no Brasil neste ano.
 
Médicos oncologistas ressaltam duas linhas promissoras de pesquisas que são aplicáveis atualmente no tratamento do câncer: a terapia-alvo, que atinge diretamente o tumor, e a imunoterapia, medicamentos que reforçam o sistema imunológico para que ele reconheça e destrua os tumores.
 
Além desses tratamentos, há avanços também com relação à radioterapia guiada por imagem, que permite que o alvo seja atingido com sucesso – e a outro tipo de radioterapia que causa menos efeitos colaterais. Métodos de diagnósticos dos tumores menos invasivos também são motivo de otimismo.
 
Conheça mais sobre esses cinco avanços da medicina abaixo:
 
Terapia-alvo
A terapia-alvo é um conjunto de drogas específicas para cada tipo de tumor. Erra quem pensa que um tumor em alguma parte do corpo segue sempre o mesmo padrão. “Dentro de cada tumor existem subgrupos menores com características próprias, que apresentam alterações biológicas específicas”, explica o oncologista do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, Vladmir Cordeiro de Lima. “A inovação foi o desenvolvimento de drogas que interferem exatamente nesses mecanismos biológicos específicos para cada tipo e subtipo do tumor”.
 
A genética também entra em cena. “Em câncer de pulmão, por exemplo, em 60% dos casos já identificamos mutações em genes específicos, e para várias dessas mutações e genes diferentes existem drogas e terapias-alvo específicas”, explica Lima. “Elas são ativas somente nesses subgrupos específicos. A toxicidade é menor e a atividade do tratamento é maior”.
 
Não só para o câncer de pulmão, mas pessoas com câncer de cólon, alguns sarcomas, tumor renal, melanoma, alguns tipos de linfomas e leucemias já podem se beneficiar desse tratamento mais direcionado.
 
“O foco da terapia-alvo molecular é encontrar a droga ideal para o paciente ideal. O câncer é agressivo, temos de ser agressivos também”, diz o oncologista do Hospital do Câncer de Barretos, Luiz Eduardo Zucca.
 
Inibidores de checkpoint imunológico
A quimioterapia convencional é uma droga que entra no corpo e destrói as células de crescimento rápido, como as tumorais. No entanto, há também muitas outras células essenciais ao organismo que são de crescimento rápido, como as células produzidas na medula óssea (hemoglobina, leucócitos e plaquetas), as que produzem os cabelos e aquelas do trato gastrointestinal.
 
A quimioterapia sistêmica destrói todas elas na tentativa de acabar com as tumorais, levando muitas vezes à perda de cabelos, diarreia, náuseas e vômitos, além da imunidade baixa. “O paciente fica exposto a alguns tipos de infecção”, diz Zucca.
 
A inovação na área não é uma nova droga que destrói a ermo as células de crescimento rapidamente, mas sim uma que turbina o sistema imunológico para reconhecer o tumor como um corpo estranho e acabar com ele.
 
“As células tumorais normalmente conseguem escapar do sistema imunológico que controlam o crescimento do tumor”, diz Rafael Kalil, oncologista do Hospital Albert Einstein. “A imuno-oncologia está descobrindo isso e desenvolvendo drogas que conseguem impedir o bloqueio do sistema imunológico para que ele mesmo possa atacar os tumores”, explica Kalil.
 
Radioterapia guiada por imagem
Na radioterapia convencional, o radioterapeuta analisa o paciente e a região em que o tumor está e em seguida irradia. “No entanto, às vezes, o paciente incha, engorda ou emagrece durante o tratamento [que dura algumas semanas], e o alvo não é atingido com precisão”, explica o radioterapeuta do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, Michael Chen.
 
Na radioterapia guiada por imagem, no entanto, um aparelho mostra, em tempo real, a localização exata do tumor que deve ser irradiado. Assim, alterações do corpo não interferem no alvo. “Várias coisas podem acontecer durante o tratamento, mas essa técnica aumenta a precisão do tratamento. É quase como se fosse uma tomografia em tempo real”, conta Chen.
 
Terapia de feixe de prótons
Disponível apenas no exterior, essa terapia é como uma radioterapia convencional, com a diferença de apresentar menos efeitos colaterais. A radiação, principalmente em crianças, pode causar alguns problemas neurológicos e de crescimento, pois atravessa os tecidos e pode causar algum tipo de dano.
 
A prótonterapia, como é conhecida, é mais precisa e não danifica os tecidos ao redor do tumor. No entanto, ela é uma terapia de alto custo. O aparelho que viabiliza a terapia custa cerca de 25 milhões de dólares, e o tratamento gira em torno de 100 mil dólares por paciente.
 
Métodos de diagnóstico de câncer
O oncologista do Hospital A.C. Camargo Cancer Center Vladmir Cordeiro de Lima conta que estão em estudo novos métodos de diagnóstico de câncer. A intenção desses é fazer um diagnóstico menos invasivo, evitando biópsias de tumores, e identificar o tumor e o tipo dele por meio de um exame de sangue.
 
“O tumor libera células no sangue que circulam pelo corpo – inclusive são elas que dão metástase posteriormente – e os cientistas estão tentando desenvolver técnicas para identificar essas células e dar o diagnóstico a partir delas”, diz Lima. “Inclusive, determinar a apresentação de mutações que permitiriam usar drogas específicas”.
 
Segundo o médico, se a técnica realmente virar realidade, ela será útil também para acompanhar o tratamento do câncer e ver se ele é eficaz, se o tumor está regredindo ou não. “Haverá uma monitoração mais rápida e mais simples”, completa.
 
iG

terça-feira, 7 de abril de 2015

Pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA) têm dificuldades para conseguir remédio

Associação que reúne familiares e portadores da doença reclama de desabastecimento em todos os estados
 
Brasília - Os pacientes que sofrem de esclerose lateral amiotrófica (ELA) — uma doença que provoca o endurecimento dos músculos, levando à perda progressiva dos movimentos — estão tendo problemas para ter acesso ao medicamento Riluzol. O remédio é o único que ajuda a retardar a progressão da enfermidade, que não tem cura e leva à morte. Os familiares dos pacientes reclamam da suspensão do fornecimento. Em alguns lugares, há relatos de que o remédio está em falta desde agosto do ano passado. Outros pacientes já reclamaram que receberam medicação que estava prestes a vencer e que não seria totalmente consumida antes da data de validade.
 
No dia 26 de março, a presidente da Associação Pró-Cura da ELA, Sandra Elene Mota Gomes, encaminhou um ofício ao Ministério da Saúde relatando os problemas. Ela diz que a tem recebido queixas de forma rotineira desde novembro do ano passado. Segundo a associação, o problema foi detectado em todos os estados. Em alguns casos, o problema já foi regularizado. Em outros, a normalização do abastecimento se alterna com períodos em que falta medicamento. A associação estima que haja 15 mil pessoas com ELA no país.
 
"Mesmo nas cidades onde não falta por muitos meses é "comum" a interrupção do tratamento por dois ou três meses durante o ano, inclusive com o fornecimento do Riluzol com data vencida ou a vencer dentro do período que corresponde ao uso da medicação pelo paciente (ou seja, o paciente recebe a medicação para usar por 30 dias sendo que a validade expira em 15 dias)", informou Sandra no ofício encaminhado ao ministro da Saúde, Arthur Chioro.
 
Atualmente, segundo a associação, o medicamento está em falta em Fortaleza (CE), Belém (PA), Goiânia (GO), Campinas (SP), Maceió (AL), Florianópolis (SC), Marília (SP), Coronel Fabriciano (MG), Sorriso (MT) e Nova Andradina (MS). Mas a lista de cidades pode ser maior, uma vez a contabilidade foi feita a partir dos relatos que chegaram à associação.
 
Um dos pacientes com dificuldade para conseguir o remédio é Vanderci Pianta Júnior, de 45 anos, morador de Sorriso (MT), cidade de 80 mil habitantes localizada a 400 km ao norte de Cuiabá e conhecida pela força do agronegócio. A mulher dele, Adriana Vieira Camargo, de 44 anos, deixou o trabalho na empresa de beneficiamento de grãos da família para cuidar do marido. Ele perdeu os movimentos e fala com muita dificuldade, além de ter problemas para respirar. Segundo Adriana, o Riluzol está em falta na cidade desde agosto de 2014. Ela tem obtido o remédio com a ajuda da Associação Pró-Cura da ELA.
 
— Ele ficou um mês sem a medicação no ano passado. Aí entrei em contato com o Pró-Cura e a gente conseguiu doações dali. A gente fazia essa troca: quem tem sobrando ou não usa mais doa — conta Adriana, acrescentando que ele está sem medicação neste momento.
 
Ela diz que, na rede pública de saúde de Sorriso, passaram o contato de um telefone de Cuiabá responsável pelo abastecimento no estado, mas que ninguém atende. Outro problema enfrentado é em relação ao fornecimento de um tipo de respirador artificial usado pelos pacientes. Adriana diz que o marido está usando um emprestado da associação.
 
— Hoje ele é totalmente dependente. Ele depende para tudo. Quem cuida dele sou eu. Não tem mobilidade de braço e perna. E ao falar, só eu entendo — descreve Adriana, contando também que ele foi diagnosticado com a doença em 2012.
 
O contador André Luís Souza, de 40 anos e morador de Belém, também enfrenta problemas para conseguir o remédio. Diagnosticado com ELA em dezembro de 2014, ele passou a tomar a medicação fornecida pela Secretaria de Saúde do Pará. Mas começou a ter problemas para obter o remédio em março. Desde então, a quantidade fornecida foi insuficiente para tomar o remédio todos os dias ininterruptamente. A irmã dele, Fernanda dos Anjos, diz que não conseguiu obtê-lo de outras formas. A caixa, segundo ela, custa R$ 1.500 e é suficiente para um mês.
 
— Só dizem (na Secretaria de Saúde do estado) que não tem, que está em falta. Só isso. Não dão nenhuma justificativa — diz Fernanda, acrescentando: — Eu pedi à Associação Pró-Cura da ELA. Mas como tinha várias pessoas sem medicação, não deu para doar para todos.
 
Segundo ela, os movimentos nos braços já estão limitados, e o fôlego dele diminuiu bastante. Hoje, até quando toma um banho, André fica cansado. Por outro lado, Fernanda conta que ele está encarando a doença de forma positiva. O irmão ainda consegue trabalhar e dirigir, diz ela.
 
— Foi bem difícil (quando houve o diagnóstico). Tira o chão, a gente chorou muito. Ele foi contando para os amigos, porque ele é jogador de futebol. Sempre se reunia com os amigos para jogar e era muito chegado nisso. Ele contou logo e as pessoas foram dando força, a família também. Ele nunca se queixa de nada. Encara de uma forma bem positiva. Está com bastante esperança — afirma Fernanda.
 
Há muita reclamação também em relação à falta de informação. "As Secretarias de Saúde Estaduais, Municipais e do Distrito Federal não oferecem quaisquer informações aos pacientes e suas famílias sobre a previsão de regularização no fornecimento do medicamento. É notório o descaso das Secretarias de Saúde no atendimento dos pacientes e suas famílias, que todos os meses têm como resposta a frase 'Ah, nem sei se ainda vai chegar esse remédio'", diz Sandra no ofício entregue ao Ministério da Saúde.
 
A presidente da associação explica que, mesmo com a falta do medicamento, os pacientes estão sujeitos a todo o processo burocrático para consegui-lo. A cada três meses, a documentação deve ser atualizada e novos exames verificando a condição do paciente têm de ser feitos. Muitas vezes isso significa a necessidade de fazer longas viagens, o que aumenta os custos do tratamento.
 
A doença ataca os neurônios motores, que são as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos. Sem o remédio, muitos estão procurando a Justiça para conseguir o remédio, mas nem sempre com sucesso.
 
Procurado, o Ministério da Saúde informou que o Riluzol é comprado pelos gestores estaduais. Não há, nesse caso, a compra centralizada pelo ministério, embora o governo federal faça o ressarcimento integral das compras feitas pelos estados no mês subsequente à aquisição. O ministério também destacou que não recebeu das secretarias estaduais nenhum comunicado sobre possível desabastecimento e que já repassou R$ 128,3 milhões em 2015, referentes aos meses de janeiro e fevereiro, para a compra do medicamento. Mas a presidente da Associação Pró-Cura da ELA também reclama do governo federal.
 
— Se está faltando medicamento em todos os estados, o Ministério da Saúde está falhando em algum ponto. Se não está sabendo que está faltando, está falhando na fiscalização. Se está sabendo, também está falhando — reclama Sandra.
 
O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) também informou que o medicamento é comprado pelos estados, que são ressarcidos pelo Ministério da Saúde. Os municípios, disse o Conasems, não participam da compra, apenas acompanhando o processo conduzido pelos estados. Procurado, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), que agrega todas as secretarias estaduais, não retornou o pedido de informação do GLOBO.
 
O Globo

Tecnologia dos videogames pode auxiliar no combate ao câncer

Divulgação Universidade do Texas: Nós realmente devemos
agradecer aos jogadores de videogame’, diz Steve Jiang,
diretor da Unidade de Física Médica e Engenharia da
Universidade do Texas.
Equipamento usa placa gráfica para reduzir de 70 horas para dez segundos tempo de exame usado em radioterapia
 
Rio -  A evolução gráfica dos videogames deve, em muito, às modernas placas gráficas (GPUs, de Graphic Processing Units), responsáveis pelo processamento das imagens. Sem elas, não seria possível que o processador (CPU, Central Processing Unit) renderizasse jogos modernos, que possuem elaborados gráficos tridimensionais. Diferente das CPUs, que possuem poucos núcleos de processamento, as GPUs podem possuir milhares, e a sua alta velocidade de processamento está sendo aproveitada em outras áreas, como a medicina.
 
Steve Jiang, diretor da Unidade de Física Médica e Engenharia da Universidade do Texas, utilizou essa tecnologia para desenvolver um equipamento que calcula a dose de radiação direcionada a um tumor durante uma sessão de radioterapia. Por causa da velocidade de processamento das GPUs, ele foi capaz de reduzir o tempo necessário para os complexos cálculos de 70 horas para apenas 10 segundos.
 
— Isso é uma melhoria surpreendente na velocidade de processamento — disse Jiang. — Nós realmente devemos agradecer aos jogadores de videogame. A popularidade dos jogos eletrônicos resultou em uma ferramenta que é muito benéfica para o uso científico da computação na medicina.
 
Os resultados mais rápidos significam maior conveniência para pacientes e médicos.
 
O tratamento com radioterapia dura várias semanas, e, durante esse período, é comum que a anatomia do paciente ou do próprio tumor se modifiquem no período de 70 horas necessárias para os testes atuais. Com a nova tecnologia, o médico consegue maior precisão, pois pode fazer os cálculos diariamente, antes de cada sessão, em vezes de reutilizar dados antigos.
 
— Se alguém está com câncer, você quer tratar a doença imediatamente a de forma precisa. Os atuais cálculos, mais lentos, fazem com que o paciente espere por cerca de uma semana para receber o primeiro tratamento com radiação após a consulta com os médicos — afirmou Jiang.
 
O Globo

Excesso de diagnóstico de câncer de mama custa US$ 4 bilhões nos EUA

Estudo analisou gastos com mamografias que dão resultado falso-positivo e tratamento de tumores que não ameaçam a vida da mulher
 
Washington - Um novo estudo intensificou o debate sobre os custos e benefícios da detecção do câncer ao estimar que os Estados Unidos gastam US$ 4 bilhões ao ano em mamografias e tratamentos desnecessários. Publicado no “Health Affairs”, a pesquisa divide os custos da seguinte maneira: US$ 2,8 bilhões por mamografias que têm resultados falsos-positivos e US$ 1,2 bilhão atribuído ao excesso de diagnóstico do câncer de mama, que inclui o tratamento de tumores que crescem lentamente e têm poucas chances de se converter em uma doença que ameace a vida da mulher.
 
As mamografias anuais a partir dos 40 anos são consideradas o padrão de cuidados preventivos, já que o câncer é mais fácil de tratar se detectado em sua etapa inicial. Mas recentemente, houve divergências sobre comprovações científicas que indiquem o rastreamento a partir desta idade. Este é o mesmo debate no caso do câncer de próstata para homens. No Brasil, o rastreamento é indicado a partir dos 50 anos, mas o tema também levanta uma intenso debate.
 
Os autores, Mei-Sing Ong, do Hospital Pediátrico do Boston, e Kenneth Mandl, da Escola de Medicina de Harvard, dizem que o custo do diagnóstico excessivo do câncer de mama parece ser muito maior do que se estimava.
 
Além do desperdício financeiro, os falsos-positivos e o excesso de diagnóstico expõem a mulher a riscos de procedimentos adicionais, sem mencionar o estresse por que passam. Não é raro que as mamografias apresentem alguma anomalia que tenha que ser analisada com mais testes ou biópsia.
 
— Esperamos que o custo financeiro deste problema ajude a reduzir o custo humano — afirmou Mandl. — Ambas as mensagens são poderosas. Isto não é apenas um problema, mas um problema muito caro. Esperamos que o estudo ajude a acelerar as intenções de melhorar as práticas de análises.

Enquanto isto, outro especialista defendeu as práticas de rastreamento e disse que o estudo é parcial.
 
— Não houve a intenção de equilibrar os custos com os benefícios — destacou Richard Wender, que encabeça as iniciativas de prevenção, detecção e apoio a pacientes da Sociedade Americana de Câncer. — Realmente acredito que cada estudo que revisa os pontos negativos de qualquer teste de diagnóstico tem que estar equilibrado com os benefícios.
 
Mandl defende, no entanto, que os resultados da pesquisa estão respaldados por vários estudos e que não há benefício médico de mamografias que produzem falsos-positivos.
 
A Sociedade Americana de Câncer recomenda mamografias anuais para mulheres a partir de 40 anos, enquanto que um grupo de assessoria governamental — o Grupo de Trabalho de Serviços Preventivos — recomenda que as análises regulares comecem a ser realizadas a partir dos 50 anos. O estudo detectou que as mulheres entre 40 e 49 anos tinham mais possibilidade de dar falsos-positivos.
 
O Globo