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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Erradicar a malária até 2030 custará 93 bilhões de euros

James Gathany/Vector base.org
De acordo com especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), para se erradicar totalmente a malária até 2030 serão necessários um montante de 93 bilhões de euros
 
Especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que serão necessários 93 bilhões de euros para erradicação total da malária até 2030. Entretanto, os fundos anualmente disponíveis são metade disso, de acordo com dados divulgados ontem (21) pela campanha Roll Back Malaria Partnership (RBM).
 
O Dia Mundial da Malária será lembrado em 25 de abril. A RBM, composta, entre outros órgãos, pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), alertou para os avanços na luta contra a doença, mas também para tudo que ainda precisa ser feito.
 
De acordo com os dados, atualmente existem no mundo 2,3 milhões de pessoas com risco de contrair malária. Estima-se que, em 2013, cerca de 198 milhões de pessoas tenham contraído a doença, das quais 584 mil morreram, 90% delas na África.
 
Desde o ano 2000, a incidência da malária registrou redução de 30% no mundo e 34% na África. Segundo a RBM, os 93 bilhões de euros necessários para eliminar a doença até 2030 permitiriam salvar 12 milhões de vidas e evitariam 3 milhões de casos e uma despesa global de 250 bilhões de euros. Anualmente, a África deixa de ganhar 11 bilhões de euros em produtividade por causa da doença.
 
De acordo com a RBM, em 2013 foram investidos no mundo 2.416 milhões de euros em diversos programas e projetos para combater a doença.
 
Para a RBM, o montante estimado para que toda a população tenha acesso a métodos preventivos e a tratamentos para curar a malária é de 4,7 milhões de euros.
 
O Tempo

Operação do Procon interdita drogaria da Trindade, em Florianópolis, por falta de plantão de farmacêutico

Foto: Secret. Municipal de Defesa do Consumidor/Divulgação
Unidade localizada na rua Lauro Linhares não apresentou
farmacêutico responsável e alvará de funcionamento no
momento da vistoria
Órgão municipal vai vistoriar 500 farmácias até o fim da semana na capital a fim de garantir o plantão de profissionais responsáveis em cada uma delas
 
Na manhã desta segunda-feira, 20, o Procon de Florianópolis deu início a uma operação que pretende garantir a presença de farmacêuticos responsáveis em 500 farmácias da Capital. Conforme a Lei 5.991 de 1973, o plantão desses profissionais é obrigatório em todas as drogarias em tempo integral. Em caso de impedimento ou ausência do titular, as farmácias podem nomear um técnico responsável substituto a fim de evitar o risco à saúde da população atendida.

Até o momento, 30 estabelecimentos foram vistoriados. A operação conta com a supervisão do Secretário Municipal de Defesa do Consumidor, Tiago Silva, e apoio de outros dois fiscais.
 
A unidade da Panvel da Trindade foi a única notificada até a tarde desta segunda-feira por descumprir o que diz o artigo 15 da Lei número 5.991: "A presença do técnico responsável será obrigatória durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento".

Além de não dispor de farmacêutico responsável no momento da vistoria, a farmácia também não possuía o alvará de funcionamento. Segundo o Procon, a unidade tem até quarta-feira, 22, para apresentar a documentação e comprovar a contratação de profissional inscrito no Conselho Regional de Farmácia (CRF). Caso contrário, o estabelecimento está sujeito à multa aplicada sobre o faturamento.

— A unidade da Panvel permanecerá lacrada até a regularização — garante o secretário municipal Tiago Silva.

Procurados pela reportagem, funcionários da Panvel não quiseram comentar o assunto, mas informaram que a gerência da unidade está resolvendo a situação junto ao Procon municipal.
 
Hora de Santa Catarina

Pacientes com câncer têm de tirar olho por falta de equipamento no SUS

Placa tem duração de um ano e não é reposta há dois ano no hospital São Paulo
Divulgação: Placa tem duração de um ano e não é reposta
 há dois ano no hospital São Paulo
Hospital São Paulo, único local do Brasil que faz a cirurgia pelo SUS, ferramenta que custa R$ 70 mil não é reposta há dois anos
 
Um equipamento chamado placa de braqueterapia, que custa R$ 70 mil, pode ser considerado a salvação para pacientes diagnosticados com câncer no olho. O problema é que no Hospital São Paulo, único lugar do Brasil que faz a cirurgia por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), a ferramenta não é reposta há dois anos, obrigando os médicos a retirarem o órgão de pacientes.
 
Importada da Alemanha, a placa funciona por um ano e pode atender até 50 pacientes neste período, segundo o médico Rubens Belfort Neto, chefe do setor de oncologia ocular da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), responsável pelo Hospital São Paulo e a Escola Paulista de Medicina. “A gente briga, mas a resposta é que o hospital não tem dinheiro”, explica Belfort Neto.
 
Segundo o médico, nestes dois anos os pacientes que recebem diagnóstico positivo para tumores malignos no olho precisam necessariamente passar pelo trauma estético e psicológico de ficar cego.
 
“Nós resolvíamos o problema do Brasil inteiro porque éramos o único hospital que fazia esse tipo de tratamento pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Agora nenhum Estado faz e estamos tendo de tirar o olho de todo mundo porque o hospital não tem dinheiro”, diz Belfort Neto.
 
O oncologista explica que a placa tem o tamanho de um botão. Costurada ao olho do paciente, ela imite um feixe de radiação especificamente no tumor, evitando lesões no cérebro.
 
“Para evitar a retirada do olho, o único tratamento é com essa placa. Ela é colocada por meio de uma pequena cirurgia. O paciente fica com ela em média dois dias e, quando é retirada, o tumor já está tratado”, afirma Belford. “A placa dura um ano e serve para tratar, em média, um paciente por semana, cerca de 50 por ano”.
 
“Quem não tem dinheiro, fica sem olho”
Na rede particular, o tratamento com a placa de braqueterapia chega a R$ 50 mil, segundo Belfort Neto. “Quem não tem dinheiro, fica sem olho”, sentencia o médico.
 
Enquadrada nesta categoria, a dona de casa Maria da Conceição Aves, de 60 anos, foi obrigada a tirar o olho recentemente.
 
O diagnóstico foi dado em março e já no último dia 6 ela foi submetida à cirurgia chamada de enucleação no Centro de Oncologia Ocular, do Hospital São Paulo. A cirurgia foi considerada um sucesso e Maria já pôde voltar para a casa de familiares, onde se recupera e aguarda a colocação de uma prótese, que deve acontecer já no próximo mês. Voltar a enxergar, no entanto, já não é mais possível.
 
Moradora de Montes Claros, em Minas Gerais, Maria da Conceição disse que começou a sentir dificuldade para enxergar no ano passado. Em maio, foi fazer exame oftalmológico na cidade onde mora e descobriu uma mancha no seu olho. Foi então que começou a sua peregrinação. “As vistas começaram a escurecer um pouco. Eu achei que precisava usar óculos. Comecei a ir atrás de médico, mas não tinha na minha cidade”, lembra. Os médicos pediram biópsia para confirmar o diagnóstico, mas o exame teria de ser feito na capital Belo Horizonte. Em outubro, já não enxergava mais.
 
“Fazia quase um ano que ela tinha descoberto essa mancha, mas não conseguia o tratamento. Os médicos de lá pediram uma biopsia para confirmar o câncer. Mas depois disseram o exame só poderia ser feito em Belo Horizonte. Ela pediu ajuda para prefeitura e eles também não ajudaram. Então a trouxemos para cá”, conta a auxiliar de limpeza Ivonete Pereira das Neves, de 44 anos, sobrinha de Maria da Conceição. Desde então, ela mora em Mauá, no Grande ABC, com a sobrinha e uma irmã.
 
O diagnóstico positivo para o câncer só veio em março deste ano, quando ela se consultou no hospital São Paulo.
 
“Nessa hora, senti um troço por dentro. Só não cai no chão porque já estava sentada. O médico falou que tinha tirar o olho. Eu me conformei depois porque, se não tirasse, a doença iria se espalhar”, diz.
 
“Estava nas mãos de Deus”
Também submetido a cirurgia de enucleação (como é chamada a cirurgia para retirada do olho), o aposentado Antonio Vieira da Silva, de 84 anos, diz que foi fácil aceitar que terá de viver o resto da vida sem um olho. Ele conta que começou a sentir dores no olho no ano passado, tomou remédio e passou. Mas na madrugada do dia 25 de dezembro, quando comemorava o Natal na casa de amigos, sentiu novamente a dor forte no olho, que começou a inchar. Foi levado ao hospital e diagnosticado.
 
“O médico disse que eu tinha tumor no olho e que, se não fizesse a cirurgia, poderia passar para o outro olho e para o cérebro. Respondi que poderia fazer porque era a vontade de Deus. Não tive medo”. A cirurgia foi realizada no dia 28 de março deste ano e no mesmo dia, ele voltou para casa, em Diadema, no Grande ABC.
 
Silva se define como “forte como um leão” e diz vai superar mais essa adversidade – há 12 anos, retirou um tumor na próstata . Silva também não vê a hora de voltar a trabalhar. “Sou forte, trabalho até hoje. Faço pamonha, bolo de milho verde, cocada e cural com minha esposa para ajudar nas contas”, diz. “Vejo bem da outra vista. Estou bem”, afirma. Em duas semanas o aposentado deve receber a prótese ocular.
 
“Teria vergonha de sair na rua com prótese”
A empresária e modelista Anali Müller Dallmann, de 59 anos, se considera uma pessoa abençoada. Ao contrário de Antônio e Maria da Conceição, ela não precisou tirar o olho ao descobri o tumor maligno.
 
O câncer foi diagnosticado em 2002 e, na ocasião, o hospital ainda tinha a placa de braqueterapia para o tratamento. Ela, que mora em Pomerode, em Santa Catarina, disse que veio para São Paulo encaminhada pelo serviço de saúde da capital do Estado, Florianópolis. “Eu sentia uma sombra, como se tivesse uma sujeira no olho, que parecia uma rede de pesca”.
 
“Foi um choque quando descobri. Não é fácil receber a notícia de que tem um tumor maligno”, lembra.
 
Anali foi operada em julho daquele ano e ficou com a placa por cinco dias, período em que ficou internada no hospital São Paulo. A recuperação foi em casa, para onde voltou de avião, custeado pelo SUS.
 
Dona de uma pequena confecção, Anali diz que enxergar bem é essencial para que ela exerça a profissão. “Se tivesse perdido o olho, acho que não teria mais vontade de fazer as minhas coisas.
 
Seria complicado trabalhar também, principalmente no corte, que tem que ser detalhista. Talvez, eu nem tivesse mais a confecção."
 
Além disso, não seria impossível continuar praticando os seus dois principais hobbies: tiro ao alvo e bocha, atividade para qual tem dedicação diária. “A prótese seria motivo para me isolar em casa. Todo mundo saberia que uso prótese e eu teria vergonha de sair na rua e lidar com as pessoas”.
 
Doações de empresas
A reposição da placa de Braquiterapia é um dos motivos pelo qual o médico Rubens Belford inscreveu o projeto Centro de Oncologia Ocular, orçado em R$ 2,1 milhões, no Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica). Criado em 2013 pelo Ministério da Saúde, o Pronon permite que empresas destinem 1% dos impostos sobre os lucros para programas autorizados nessa área. Os empresários escolhem o destino desse valor.
 
O problema é que o médico tem até 30 de abril para conseguir doações que somem ao menos 60% do valor do programa. Até o momento foram doados R$ 650 mil. A meta é chegar a R$ 1,26 milhões.
 
A Unifesp confirmou, por meio da assessoria de imprensa, a necessidade da compra da placa de braquiterapia. “Existe a necessidade de compra das placas de rutênio importadas e cotadas em dólar e também de estrutura cirúrgica e de internação”.
 
A universidade informou ainda que o tratamento com a placa exige quarto individual com banheiro e proteção nas paredes contra radiação. Além de equipes médica e de enfermagem especializada 24 horas por dia.
 
“Provavelmente esses são os motivos pelos quais renomados serviços, ligados ou não às universidades, em todo o Brasil, não disponibilizam deste tratamento, apesar de contarem com equipe capacitada para realiza-lo”, diz a universidade em nota.
 
A assessoria também informou que o setor de Oncologia Oftalmológica cuida de câncer e que apenas uma parte teria indicação para o tratamento por meio da placa. Não informou, no entanto, o número de pessoas que estariam aptas a fazê-lo.
 
iG

terça-feira, 21 de abril de 2015

Saiba como se prevenir das doenças do frio

Problemas respiratórios ocupam quarto lugar entre as enfermidades que mais matam no Brasil. Especialistas alertam que queda da temperatura ajuda a potencializar sintomas
 
O outono está aí, e, com ele vêm as mudanças bruscas de temperatura e a chegada de um tempo mais frio. Nos próximos meses, a tendência de muita gente é preferir o aconchego do lar, principalmente à noite. Estão formados os piores cenário e período para os alérgicos. Dados médicos mostram que as alergias respiratórias – asma e rinite alérgica – acometem 25% da população brasileira, índice considerado alto se comparado a outras enfermidades crônicas, como diabetes (8%) e hipertensão arterial (15%). Além de atacar pessoas de qualquer faixa etária, provocaM perda na qualidade de vida, ausências nas escolas e no trabalho. Embora haja remédios para combater esses males, o melhor tratamento, segundo especialistas, é a prevenção.

Presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia – Regional Minas Gerais (Asbai), Roberto Souza Lima explica que a casa fechada, sem sol, favorece a multiplicação dos ácaros, que vivem, principalmente, nos colchões, travesseiros e almofadas das poltronas. “Esses microsseres são capazes de triplicar sua população diariamente. Em cada um grama de poeira pode haver 2 mil ácaros, que aumentam para 6 mil por dia. O resultado pode ser trilhões de ácaros no fim da temporada de frio”, afirma.

Ele ressalta que, na verdade, não são os ácaros que provocam alergia, mas as fezes desses micro-organismos. Cada ácaro pode pôr 32 bolotas fecais por dia. “Se multiplicarmos os trilhões de ácaros por 32 chegaremos a dados inacreditáveis”, diz. O outono é também propício ao uso de mais cobertores e agasalhos que podem estar guardados há meses, acumulando ácaros e, principalmente, fungos. O médico acrescenta que para complicar a vida do alérgico, este é o período de infecções viróticas (gripes) e bacterianas (sinusites, pneumonias, amigdalites e laringites), fechando o cenário propício ao aparecimento da rinite alérgica e da asma.

Até o fim de julho, asma e rinite podem ficar mais exacerbadas. Segundo Lima, a rinite aumenta em 80% e a asma em até 60%, acometendo principalmente crianças e idosos. As crises de rinite podem complicar com sinusites, otites e amigdalites, enquanto as de asma podem vir associadas a pneumonias e bronquites infecciosas. “Alergia significa uma resposta exagerada do sistema de defesa do nosso organismo, o sistema imune. Essa resposta é hereditária e, quanto maior, mais doenças alérgicas aparecerão. Mas, para que haja uma expressão à condição genética, é necessário o fator ambiental, principalmente o doméstico”, diz.
 
Assim, crianças com idade até 10 ou 11 anos e idosos estão mais susceptíveis à rinite e à asma, porque ficam mais tempo dentro de casa. “O ambiente externo com poluição, frio, ar seco e oscilações bruscas de temperatura pode agravar o quadro respiratório, mas as causas são fatores internos, dentro de casa.”

Pneumonia
As doenças respiratórias estão em quarto lugar entre as enfermidades que mais matam no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Entre elas, a pneumonia é a mais frequente e a terceira no ranking da mortalidade, tendo sido registrados 61.272 óbitos em 2012. Uma das prevenções é a imunização. Estudo publicado recentemente na comunidade científica comprovou a eficácia de uma dessas vacinas em adultos – a Prevenar 13, que combate 13 sorotipos de pneumonias pneumocócicas (considerados os mais prevalentes em todo o mundo), de um total de 93. Disponível desde 2009 para crianças, ela foi autorizada no país para os adultos há dois anos.

A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, explica que a Prevenar 13 foi dedicada, inicialmente, às crianças. Devido à eficácia da vacina e sendo a doença mais prevalente nos extremos – entre os menores de 5 anos e maiores de 65 –, foi feito estudo para avaliar seus efeitos na população adulta. “Tínhamos anteriormente dados de segurança e de resposta imunológica, ou seja, a produção de anticorpos a partir da aplicação da vacina, relativos a esse grupo, mas não sabíamos se a medicação funcionava em termos de prevenção da doença.

Os testes envolveram cerca de 85 mil pessoas com idade acima de 65 anos, em 160 locais na Holanda. Duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, o Capita (Community-Acquired Pneumonia Immunization Trial in Adults) foi feito com o objetivo de avaliar a eficácia da Prevenar 13 na prevenção contra as pneumonias pneumocócicas adquiridas na comunidade (PAC). O trabalho apontou redução de 45,6% nos episódios iniciais desse tipo de pneumonia entre os vacinados em relação ao grupo que recebeu placebo.

A vacina, disponível por enquanto apenas na rede privada de saúde, é exatamente a mesma para o público adulto e infantil. A diferença se dá apenas na quantidade de aplicações. Crianças recebem quatro doses, e adultos apenas uma. Rosana Richtmann relata que, embora tendo sido constatado o sucesso da prevenção entre adultos, nos pequenos, a resposta a qualquer vacina é muito melhor, já que a qualidade dos anticorpos piora com a idade, por causa do envelhecimento do sistema imunológico.

Estado de Minas

Sabor artificial de cigarro eletrônico causa irritação pulmonar

Foto Reprodução da Internet
O mercado desses dispositivos se desenvolveu rapidamente nos últimos anos, com vendas globais estimadas em US$ 7 milhões em 2014
 
Os níveis de substâncias químicas usadas para dar sabor a algumas marcas de cigarro eletrônico excedem os limites de exposição recomendados e podem causar irritações respiratórias, afirmou um estudo publicado na edição on-line do jornal Tobacco control. O mercado desses dispositivos se desenvolveu rapidamente nos últimos anos, com vendas globais estimadas em US$ 7 milhões em 2014, mas as implicações para a saúde continuam bastante controversas.
 
Os sabores artificiais usados nos fluidos do cigarro eletrônico são basicamente os mesmos usados na indústria de alimentação e, por isso, considerados seguros pelos fabricantes. Mas a Associação Americana de Manufatura de Extratos de Sabor (Fema, na sigla em inglês) destacou que esse nível de segurança se relaciona à exposição pela ingestão e não pela inalação das substâncias. Além disso, os ingredientes listados nas embalagens dos fluidos do e-cigar raramente incluem os químicos usados para conferir gosto ao produto.

Os pesquisadores da Universidade de Oregon utilizaram amostras de 30 marcas de fluidos usados nos cigarros, comercializados por duas marcas. Entre os sabores, incluíam-se tabaco, chocolate/cacau, uva, maçã, cereja e chiclete.
 
As substâncias químicas ultrapassavam 1% do volume total de 13 líquidos analisados, 2% em sete fluidos e mais de 3% em dois produtos. Seis dos 24 diferentes compostos revelados na análise eram aldeídos, conhecidos por causar irritação respiratória.

De acordo com os cientistas, usar 5ml de fluido por dia, a média de consumo relatada pelos usuários, expõe a pessoa a um nível duas vezes maior de benzaldeído e vanilina que o recomendado. “A degradação tóxica dos produtos pode ser produzida pela reação dos químicos de sabor durante as altas temperaturas presentes no momento da vaporização”, escreveram.
 
Embora admitam que o estudo analisou poucas amostras, os cientistas acreditam que os altos níveis de químicos encontrados provavelmente são semelhantes aos existentes em milhares de produtos do tipo disponíveis no mercado.
 
Eles ressaltaram que é preciso regular esses produtos, incluindo uma lista compulsória de ingredientes e a limitação de níveis de alguns tipos de sabores artificiais, em especial aqueles que podem ser mais atraentes para jovens.

Correio Braziliense