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terça-feira, 2 de junho de 2015

Vítimas mais jovens de AVC costumam ignorar ou negar os sintomas

Se existe suspeita de derrame, deve-se tirar uma imagem
 vascular e outra do cérebro
Algumas pessoas mais novas têm derrames causados por drogas recreativas. Outras, incluindo crianças e adolescentes, sofrem AVC após um rompimento na parede da artéria
 
Tara O'Kieffe vive se desafiando. Ela jogou tênis na universidade e, aos 25 anos, entrou para a Guarda Nacional da Califórnia, nos Estados Unidos, ganhando o prêmio de maior capacidade física entre as mulheres. Praticante de corrida, casada com Chris O'Kieffe, mãe de um menino de nove anos, ela decidiu voltar a praticar tênis aos 40 anos.
 
Quando retornou para casa depois da primeira partida, sentiu uma dor latejante pouco acima da nuca.
 
Tomou um analgésico e foi se deitar. Olhou o celular, mas as letras estavam se mexendo. Tentou ver TV com o marido, mas "parecia estar olhando através de uma camada fina de água, que ondulava e faiscava". Ela pensou que estava tendo sua primeira enxaqueca.
 
A dor de cabeça continuou na manhã seguinte e no dia posterior. O marido levantou os dedos à direita de seu rosto, para testar sua visão.
 
— Não consigo ver sua mão — ela afirmou, e decidiu ir ao pronto-socorro para fazer exames.
 
O médico entrou e disse: "Bem, você teve um derrame cerebral". Os meses posteriores foram de medo de se exercitar ou até mesmo de virar a cabeça.
 
— Uma hora, fiquei muito irritada. Por que faço tudo certinho para quase morrer? Por jogar tênis? A ideia de não conseguir fazer mais nada do que eu já havia feito era muito triste para mim — disse Tara.
 
Tara faz parte de uma tendência perturbadora: segundo reportagem do Washington Post, depois de anos declinando entre os idosos, os acidentes vasculares cerebrais (AVCs) estão aumentando entre adultos jovens.
 
Como estão acostumados a serem saudáveis, vítimas jovens de AVC geralmente negam ou ignoram os sintomas, o que faz com que não se tratem nas horas e nos dias críticos posteriores ao evento.
 
Como parecem saudáveis, os médicos nem sempre consideram o derrame uma causa. Tara perdeu 30% da visão periférica. Os médicos aconselharam reduzir a atividade física.
 
— Teria de caminhar com cautela, virar a cabeça lentamente. Eu vivia como se fosse feita de vidro — contou.
 
Então, ela consultou um dos maiores especialistas em AVC dos EUA, Louis Caplan, professor de neurologia de Harvard que trabalha no Centro Médico Diaconisa Beth Israel. Em quatro meses, ela havia perdido sete quilos e a animação. Segundo Caplan, os exames de Tara foram interpretados erroneamente pelos médicos, que pensaram que sua artéria vertebral se fechou quando, na verdade, só se estreitou, ou seja, poderia ser aberta e sarar.
 
Algumas pessoas jovens têm derrames causados por drogas recreativas. Já outras, incluindo crianças e adolescentes, sofrem AVC após uma dissecção — rompimento na parede da artéria que pode provocar um coágulo.
 
— Isso pode acontecer com um movimento comum repentino que estique a artéria, que é mais elástica nos jovens — afirmou Caplan, que vê dissecções com frequência em seus pacientes.
 
Ele tratou um médico que cambaleou ao pensar que o filho iria cair de uma árvore, um técnico de basquete que corria pela quadra olhando para frente e para trás, e uma grávida que virou repentinamente a cabeça para olhar o trânsito antes de atravessar a rua. Dissecções podem ser provocadas por espirros, tosse, vômito, sexo ou até mesmo ao se inclinar para ter o cabelo lavado no cabeleireiro. Às vezes, o único sintoma é dor de cabeça ou na nuca.
 
O professor de neurologia Louis Caplan não tem certeza se os derrames estão aumentando entre os jovens ou se os médicos estão ficando melhores ao perceber que "isso não é coisa só de velhos".
 
Segundo ele, especialistas em AVC têm sofrido para dar o recado ao pessoal do pronto-socorro de que, se existe suspeita de derrame, deve-se tirar uma imagem vascular e outra do cérebro, porque o problema se apresenta primeiro nos vasos que abastecem e drenam o cérebro.
 
Ele garantiu a Tara que seu derrame não foi causado pelos nervos ou por fraqueza nas artérias, dizendo que havia somente 1% de chance de recorrência desse tipo de problema depois do primeiro mês.
 
— Infelizmente, médicos e pacientes estabelecem restrições demais (após o AVC por dissecção): "Não pegue o bebê", "Não tenha relações sexuais". Como o movimento causou isso, pacientes acham que não podem se mexer mais. Esse excesso de proteção pode ser pior — disse o médico.
 
Quando Tara voltou para casa, correu 2,5 quilômetros, chorando o tempo todo:
 
— Foi como se eu tivesse percebido que não preciso me jogar fora e tentar criar uma pessoa nova.
 
The New York Times / Zero Hora

Leite materno pode reduzir em 19% o risco de leucemia infantil

Pesquisadores indicam que a amamentação deve ser feita pelo menos por seis meses
 
Amamentar o bebê com leite materno pelo menos durante os seis primeiros meses pode reduzir o risco de leucemia infantil, aponta estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Haifa, em Israel.
 
Os resultados da análise feita por meio da revisão de pesquisas sobre o tema foram publicados nesta segunda-feira no Journal of the American Medical Association (Jama) Pediatrics.
 
A pesquisa indica que crianças amamentadas têm 19% menos risco de desenvolver leucemia, em comparação àquelas que foram alimentadas com leite em pó ou que consumiram leite materno por um período menor.
 
De acordo com Efrat Amitay e Lital Keinan-Boker, pesquisadores da Universidade de Haifa, os inúmeros benefícios potenciais de saúde preventiva do leite materno devem ser comunicados abertamente ao público em geral e não apenas às mães. Segundo eles, essa medida pode facilitar e tornar a amamentação mais aceita pela sociedade.
 
A pesquisa teve como base a revisão de 18 estudos já publicados e relacionados ao aleitamento e à leucemia — câncer mais comum na infância, correspondendo a cerca de 30% dos tipos de câncer pediátricos.
 
AFP / Zero Hora

Decisão da Justiça vai baixar preços de 53 medicamentos

Pedido de redução do prazo de patentes foi aceito e vai permitir produção de genéricos para vários remédios
 
Uma reviravolta na produção de medicamentos no país — que permite baratear o preço com a fabricação de genéricos — começa a ser provocada graças a decisões da Justiça. Por maioria de votos, desembargadores federais da 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal 2 aceitaram o pedido de redução do prazo de patentes feito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
 
De cara, os julgamentos fizeram a patente do Cialis, um dos remédios mais vendidos do país, perder proteção. Assim, o medicamento para disfunção erétil, com preço unitário de R$ 43, terá um genérico 35% mais em conta, o equivalente a R$ 15,05. Em 2014, o governo federal gastou R$ 229 milhões na compra do Cialis.
 
A disputa entre laboratórios, centros de pesquisas multinacionais e o Inpi envolve 37 processos na Justiça Federal, com 240 patentes de 53 medicamentos. Destes,seis ações foram julgadas e ainda cabem recurso às cortes superiores.
 
A última decisão aconteceu na terça-feira, quando o TRF-2 decidiu reduzir o prazo de validade do Tamiflu de 2018 para o ano que vem. O remédio, produzido pelo laboratório Roche, é usado no tratamento das gripes suína, A e B. Nas farmácias, uma caixa com dez cápsulas, de 75 mg, sai em média por R$ 190. O DIA fez contato com a Roche, mas não obteve resposta.
 
Em jogo está a proteção de medicamentos importantes como o Mycamine, nome conhecido no mercado, usado em transplante de medula. Para atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde gasta anualmente R$ 73 milhões com este item. O Inpi quer que seja reduzido em 1.826 dias a entrada em domínio público da produção do remédio.
 
Outro medicamento no alvo é o Coreg CR, que serve para o tratamento de cardíacos. O governo gasta mais de R$ 345 milhões na compra do produto, que tem grande demanda no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dois minutos, uma pessoa morre por problemas de coração no país. A tendência é de que esse número aumente para 1,5 morte ocorrida em um minuto, até 2050.
 
A batalha judicial começou em 2013. As ações tratam dos pedidos de liberação de patentes de janeiro de 1995 a maio de 1997, depositados em caixa batizada de mailbox. Isso porque só em 1994 o Brasil aderiu ao acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao comércio, que permitiu o direito à patente de produtos farmacêuticos e agroquímicos.
 
“O que houve é que erramos na hora de aplicar a legislação. Estávamos autorizando dez anos a partir da concessão, quando deveria ser 20 anos do pedido. Estamos corrigindo com as ações judiciais. Afinal, não podemos permitir o monopólio indevido de medicamentos diante do enorme interesse público na questão”, justificou o procurador Mauro Maia, do Inpi.
 
Para o advogado Gabriel Francisco Leonardos, presidente da Comissão de Propriedade Industrial, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), o maior equívoco foi o Inpi não ter cumprido o prazo de análise da concessão das patentes até dezembro de 2004. “As empresas não podem ser prejudicadas”, analisou Leonardos.
 
Especialista em propriedade industrial, o advogado Eduardo Câmara critica a decisão do Inpi. “Essa mudança é absurda. As empresas investiram porque acreditavam em um prazo que foi reduzido. Há patentes que sequer foram liberas ainda”, protestou Câmara.
 
Procurado, o advogado Luiz Paulino, do escritório Dannemann Siemsen — que defende os interesses do laboratório Eli Lilly fabricante do Cialis — informou que não se pronuncia sobre processos ainda em tramitação.
 
Interesse social
No julgamento das cinco ações no final do mês passado, o desembargador federal André Fontes destacou o interesse social, lembrando que o término da validade das patentes possibilitará a redução dos preços dos medicamentos, com a permissão para empresas concorrentes poderem produzir.
 
O advogado Pedro Marcos Barbosa, da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, defende a redução do prazo. “ Os consumidores não podem esperar 15 ou 20 anos. O que as empresas podem fazer é pedir indenização na Justiça”, avaliou Barbosa.
 
O Dia

Anvisa determina proibição todos os produtos do laboratório Teoxane

A Anvisa determinou a suspensão, comercialização e uso de todos os produtos fabricados pelo laboratório Teoxane
 
A empresa, com sede na Suíça,produz o Teosyal, que é importado por Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda.
 
A decisão baseia-se em irregularidades detectadas durante a verificação de Boas Práticas de Fabricação do laboratório.
 
A Agência determinou que a empresa importadora, Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda, promova o recolhimento do estoque existente no mercado do produto citado na Resolução.
 
A medida está na Resolução nº 1.586 /2015, publicada segunda-feira (01/6) no Diário Oficial da União (DOU).
 
ANVISA

77% das cidades do país registram ao menos um caso de dengue em 2015

São 4.265 municípios com notificação da doença; veja o mapa. 28% enfrentam epidemia; número de casos tem diminuído no Brasil

menos um caso notificado de dengue neste ano. É o que mostra um levantamento feito pelo G1 com base em dados do Ministério da Saúde, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.


Dos 5.570 municípios brasileiros, 4.265 registram ao menos um caso da doença – o que representa 77% do total. Apesar de o número de casos estar diminuindo segundo o último balanço do governo, 1.563 cidades ainda enfrentam uma epidemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que há epidemia quando um local registra ao menos 300 casos a cada 100 mil habitantes.

Os dados obtidos  fazem parte do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e se referem ao período que compreende desde a primeira semana do ano até a semana epidemiológica 17, a primeira de maio.

O país já registra 886,8 mil casos notificados da doença, de acordo com o levantamento. Ao longo de todo o ano de 2014, foram 591 mil. Como o padrão é determinado principalmente pelas condições climáticas, já que o mosquito se prolifera preferencialmente em temperaturas médias de 28ºC a 30ºC e com umidade relativa alta, a tendência agora é que o número de casos caía com a proximidade do inverno.

Das dez cidades com a maior incidência de casos por habitante, oito são do interior de São Paulo e duas do Paraná. Onda Verde (SP), município de 4,1 mil habitantes, tem 743 casos – isto é, 17.822 casos a cada 100 mil habitantes, a maior taxa do país.

Os dados mostram ainda que só 3 das 645 cidades do estado de São Paulo não possuem nenhum caso de dengue: Iporanga, Jeriquara e Nova Castilho. O estado concentra 52,5% de todos os casos do país. O estado com menos cidades afetadas é o Rio Grande do Sul – ainda assim, um em cada três municípios gaúchos convive com a doença.

Para intensificar as medidas de vigilância, prevenção e controle da dengue, o Ministério da Saúde diz ter repassado em janeiro um recurso adicional de R$ 150 milhões a todos os estados e municípios brasileiros, exclusivamente para qualificação das ações de combate aos mosquitos transmissores da dengue e do chikungunya, o que inclui a contratação de agentes de vigilância.

Os sintomas
Diagnosticar a dengue com rapidez é uma das chaves para combater a doença com maior eficácia. O primeiro passo para isso é conhecer como a infecção se manifesta. Se os sintomas forem reconhecidos, é fundamental procurar um médico o mais rápido possível. Em geral, a doença tem evolução rápida. Por isso, saber antes pode fazer a diferença entre a ocorrência de um mal menor e consequências mais graves, principalmente no caso de crianças.

Existem quatro tipos do vírus da dengue: O DEN-1, o DEN-2, o DEN-3 e o DEN-4. Eles causam os mesmos sintomas. A diferença é que, cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. Ou seja, na vida, uma pessoa só pode ter dengue quatro vezes.

Cerca de 70% a 90% das pessoas que pegam a dengue pela primeira vez não têm nenhum sintoma. Nos casos mais graves, a doença pode ser hemorrágica ou fulminante, levando à morte. Os principais "sinais de alerta" da doença são dor intensa na barriga, sinais de desmaio, náusea que impede a pessoa de se hidratar pela boca, falta de ar, tosse seca, fezes pretas e sangramento.

Diagnóstico precoce
É essencial fazer tanto um diagnóstico clínico – que avalia os sintomas – como o exame laboratorial de sorologia, que verifica a contagem de hematócritos e plaquetas no sangue. A contagem de hematócritos acima do normal e de plaquetas abaixo de 50 mil por milímetro cúbico de sangue pode ser um indício de dengue.

O exame de sangue, por si só, não determina se o paciente está com dengue ou não. É preciso diagnosticar também os sintomas. Esses dois fatores vão determinar as condições do paciente. O período crítico da doença é quando a febre do paciente diminui. Se a febre passar e o paciente tiver muita dor na barriga, ele está num estado grave mesmo sem sangramento. Esse poder ser um problema no atendimento primário nos hospitais porque geralmente as pessoas com febre são atendidas prioritariamente.

AS 10 CIDADES COM A MAIOR INCIDÊNCIA DE CASOS
TAXA A CADA 100 MIL HAB.
Onda Verde (SP)       17.822
São João do Caiuá (PR)       17.654
Estrela D'Oeste (SP)       15.473
Paraguaçu Paulista (SP)       15.314
Trabiju (SP)       14.303
Cândido Mota (SP)       13.141
Nova Canaã Paulista (SP)       12.045
Jataizinho (PR)       10.581
Catanduva (SP)        9.856
Florínia (SP)        9.819

G1