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terça-feira, 2 de junho de 2015

Tabagismo aumenta risco de refluxo gastroesofágico e doença de Crohn

Um único cigarro já pode causar alterações no trato digestivo

Dr. Leonardo Peixoto Gastroenterologista - CRM 780553/RJ

O cigarro mata cerca de metade dos seus usuários, ceifando aproximadamente seis milhões de vida, no mundo, anualmente. Além disso, o tabagismo afeta o sistema digestivo de várias maneiras.
 
Foram identificados mais de 60 agentes carcinogênicos na fumaça do cigarro, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, N-nitrosaminas, metais e aldeídos, capazes de causar danos diretamente ao DNA das células. Outro mecanismo através do qual o tabagismo afeta o DNA é pela hipermetilação do material genético. O dano direto causado ao material genético e sua hipermetilação leva à ativação ou inibição da função de alguns genes e, como resultado final, temos um risco aumentado de tumores. Fumar aumenta o risco de câncer de boca, esôfago, estômago, pâncreas, fígado e intestino.
 
Além desse aumento no risco de neoplasias, esse hábito leva a uma redução no tônus do esfíncter esofagiano inferior, exatamente o esfíncter que se encontra no limite entre o esôfago e estômago, e consequentemente predispõe à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Foi mostrado também que quem continua fumando apresenta um risco maior de desenvolver as complicações da DRGE, como câncer e estenose de esôfago.
 
O tabagismo reduz o fluxo sanguíneo para a mucosa do trato digestivo e diminui a produção de muco no estômago, aumentando a chance de uma pessoa portadora de gastrite por H. pylori desenvolver uma úlcera péptica.
 
Quando o assunto é intestino, sabe-se que fumar aumenta o risco de doença de Crohn, uma doença inflamatória que afeta todo trato gastrointestinal. Pelos mecanismos de alterações genéticas discutidos acima, também há aumento na chance de desenvolver pólipos intestinais.
 
Alguns estudos mostram que o tabagismo aumenta o risco de cálculos de vesícula biliar, cirrose, complicações da esteatose hepática e pancreatite.
 
Parar de fumar ajuda a reverter grande parte desses riscos citados acima e, em algumas horas, já é possível notar alterações positivas, como uma melhora na circulação do trato gastrointestinal. Entre as doenças que tem seu prognóstico melhorado ao cessar o tabagismo podemos citar a DREG, úlcera péptica e doença de Crohn.
 
Um único cigarro já pode causar alterações no trato digestivo e, mais importante, não se pode esquecer que é a partir do primeiro cigarro que começa o risco da dependência. 
 
Todo fumante deve procurar se informar sobre os efeitos nocivos do tabagismo e, ao decidir combater o vício, procurar ajuda médica para ajudar nesse processo.
 
Minha Vida

Interessados podem fazer exame gratuito de HIV no vão livre do Masp (SP)

Cesar Brustolin/ SMCS: Profissionais estaduais vão orientar
 e realizar testes rápidos de HIV na semana da parada LGBT
 em São Paulo
Ação acontece nos dias 2 e 3 de junho, e antecede Parada LGBT
 
O Governo do Estado de São Paulo vai oferecer testes de saliva (fluido oral) gratuitamente para diagnosticar o vírus do HIV, nesta  terça (2) e quarta-feira (3). A ação será realizada no vão livre do Masp, das 9h às 20h, na semana que antecede a 19º Parada do Orgulho LGBT.
 
Além do exame, 50 profissionais vão distribuir 16 mil preservativos e 6.000 unidades de gel/sache no local. O teste de saliva é indolor e realizado com privacidade e sigilo.
 
A coordenadora do Programa Estadual DST/AIDS-SP, Maria Clara Gianna, explica que o exame detecta anticorpos no fluido oral e pode ser feito em qualquer lugar.
 
— Se o resultado for positivo, é realizado um teste confirmatório de sangue por meio de um pequeno furo no dedo.
 
Na última década, foi registrado aumento significativo de casos de HIV entre homens que têm relações sexuais com outros homens. No estado de São Paulo, foram notificados 137.705 casos de Aids em homens com 13 anos ou mais. Destes, cerca de 40 mil eram de homens que se relacionaram com outros homens. Em 2007, esta população correspondia a 29,8% dos casos. Em 2012, pulou para 43%.
 
Outros eventos
Na próxima quinta-feira (4), um estande será montado na tradicional Feira de Adversidade, no Vale do Anhangabaú. A equipe do CRT DST/Aids-SP fará demonstrações de como funcionam os testes de saliva, das 10h às 18h. Serão distribuídos 15 mil preservativos masculinos, 4.000 unidades de gel/saches e folders sobre sífilis e testes anti-HIV.
 
No domingo (7), dia da 19º Parada do Orgulho LGBT, funcionários das secretarias da saúde, cultura, justiça e cidadania estarão presentes na Avenida Paulista para orientar os participantes sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, preconceito e defesa e direitos civis da população LGTB.
 
O teste para detectar o vírus HIV é realizado o ano todo em unidades de saúde espalhadas pelo estado. O telefone para informações sobre onde é realizado o exame é o Disque DST/ Aids: 0800 16 25 50.
 
R7

Vítimas mais jovens de AVC costumam ignorar ou negar os sintomas

Se existe suspeita de derrame, deve-se tirar uma imagem
 vascular e outra do cérebro
Algumas pessoas mais novas têm derrames causados por drogas recreativas. Outras, incluindo crianças e adolescentes, sofrem AVC após um rompimento na parede da artéria
 
Tara O'Kieffe vive se desafiando. Ela jogou tênis na universidade e, aos 25 anos, entrou para a Guarda Nacional da Califórnia, nos Estados Unidos, ganhando o prêmio de maior capacidade física entre as mulheres. Praticante de corrida, casada com Chris O'Kieffe, mãe de um menino de nove anos, ela decidiu voltar a praticar tênis aos 40 anos.
 
Quando retornou para casa depois da primeira partida, sentiu uma dor latejante pouco acima da nuca.
 
Tomou um analgésico e foi se deitar. Olhou o celular, mas as letras estavam se mexendo. Tentou ver TV com o marido, mas "parecia estar olhando através de uma camada fina de água, que ondulava e faiscava". Ela pensou que estava tendo sua primeira enxaqueca.
 
A dor de cabeça continuou na manhã seguinte e no dia posterior. O marido levantou os dedos à direita de seu rosto, para testar sua visão.
 
— Não consigo ver sua mão — ela afirmou, e decidiu ir ao pronto-socorro para fazer exames.
 
O médico entrou e disse: "Bem, você teve um derrame cerebral". Os meses posteriores foram de medo de se exercitar ou até mesmo de virar a cabeça.
 
— Uma hora, fiquei muito irritada. Por que faço tudo certinho para quase morrer? Por jogar tênis? A ideia de não conseguir fazer mais nada do que eu já havia feito era muito triste para mim — disse Tara.
 
Tara faz parte de uma tendência perturbadora: segundo reportagem do Washington Post, depois de anos declinando entre os idosos, os acidentes vasculares cerebrais (AVCs) estão aumentando entre adultos jovens.
 
Como estão acostumados a serem saudáveis, vítimas jovens de AVC geralmente negam ou ignoram os sintomas, o que faz com que não se tratem nas horas e nos dias críticos posteriores ao evento.
 
Como parecem saudáveis, os médicos nem sempre consideram o derrame uma causa. Tara perdeu 30% da visão periférica. Os médicos aconselharam reduzir a atividade física.
 
— Teria de caminhar com cautela, virar a cabeça lentamente. Eu vivia como se fosse feita de vidro — contou.
 
Então, ela consultou um dos maiores especialistas em AVC dos EUA, Louis Caplan, professor de neurologia de Harvard que trabalha no Centro Médico Diaconisa Beth Israel. Em quatro meses, ela havia perdido sete quilos e a animação. Segundo Caplan, os exames de Tara foram interpretados erroneamente pelos médicos, que pensaram que sua artéria vertebral se fechou quando, na verdade, só se estreitou, ou seja, poderia ser aberta e sarar.
 
Algumas pessoas jovens têm derrames causados por drogas recreativas. Já outras, incluindo crianças e adolescentes, sofrem AVC após uma dissecção — rompimento na parede da artéria que pode provocar um coágulo.
 
— Isso pode acontecer com um movimento comum repentino que estique a artéria, que é mais elástica nos jovens — afirmou Caplan, que vê dissecções com frequência em seus pacientes.
 
Ele tratou um médico que cambaleou ao pensar que o filho iria cair de uma árvore, um técnico de basquete que corria pela quadra olhando para frente e para trás, e uma grávida que virou repentinamente a cabeça para olhar o trânsito antes de atravessar a rua. Dissecções podem ser provocadas por espirros, tosse, vômito, sexo ou até mesmo ao se inclinar para ter o cabelo lavado no cabeleireiro. Às vezes, o único sintoma é dor de cabeça ou na nuca.
 
O professor de neurologia Louis Caplan não tem certeza se os derrames estão aumentando entre os jovens ou se os médicos estão ficando melhores ao perceber que "isso não é coisa só de velhos".
 
Segundo ele, especialistas em AVC têm sofrido para dar o recado ao pessoal do pronto-socorro de que, se existe suspeita de derrame, deve-se tirar uma imagem vascular e outra do cérebro, porque o problema se apresenta primeiro nos vasos que abastecem e drenam o cérebro.
 
Ele garantiu a Tara que seu derrame não foi causado pelos nervos ou por fraqueza nas artérias, dizendo que havia somente 1% de chance de recorrência desse tipo de problema depois do primeiro mês.
 
— Infelizmente, médicos e pacientes estabelecem restrições demais (após o AVC por dissecção): "Não pegue o bebê", "Não tenha relações sexuais". Como o movimento causou isso, pacientes acham que não podem se mexer mais. Esse excesso de proteção pode ser pior — disse o médico.
 
Quando Tara voltou para casa, correu 2,5 quilômetros, chorando o tempo todo:
 
— Foi como se eu tivesse percebido que não preciso me jogar fora e tentar criar uma pessoa nova.
 
The New York Times / Zero Hora

Leite materno pode reduzir em 19% o risco de leucemia infantil

Pesquisadores indicam que a amamentação deve ser feita pelo menos por seis meses
 
Amamentar o bebê com leite materno pelo menos durante os seis primeiros meses pode reduzir o risco de leucemia infantil, aponta estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Haifa, em Israel.
 
Os resultados da análise feita por meio da revisão de pesquisas sobre o tema foram publicados nesta segunda-feira no Journal of the American Medical Association (Jama) Pediatrics.
 
A pesquisa indica que crianças amamentadas têm 19% menos risco de desenvolver leucemia, em comparação àquelas que foram alimentadas com leite em pó ou que consumiram leite materno por um período menor.
 
De acordo com Efrat Amitay e Lital Keinan-Boker, pesquisadores da Universidade de Haifa, os inúmeros benefícios potenciais de saúde preventiva do leite materno devem ser comunicados abertamente ao público em geral e não apenas às mães. Segundo eles, essa medida pode facilitar e tornar a amamentação mais aceita pela sociedade.
 
A pesquisa teve como base a revisão de 18 estudos já publicados e relacionados ao aleitamento e à leucemia — câncer mais comum na infância, correspondendo a cerca de 30% dos tipos de câncer pediátricos.
 
AFP / Zero Hora

Decisão da Justiça vai baixar preços de 53 medicamentos

Pedido de redução do prazo de patentes foi aceito e vai permitir produção de genéricos para vários remédios
 
Uma reviravolta na produção de medicamentos no país — que permite baratear o preço com a fabricação de genéricos — começa a ser provocada graças a decisões da Justiça. Por maioria de votos, desembargadores federais da 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal 2 aceitaram o pedido de redução do prazo de patentes feito pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).
 
De cara, os julgamentos fizeram a patente do Cialis, um dos remédios mais vendidos do país, perder proteção. Assim, o medicamento para disfunção erétil, com preço unitário de R$ 43, terá um genérico 35% mais em conta, o equivalente a R$ 15,05. Em 2014, o governo federal gastou R$ 229 milhões na compra do Cialis.
 
A disputa entre laboratórios, centros de pesquisas multinacionais e o Inpi envolve 37 processos na Justiça Federal, com 240 patentes de 53 medicamentos. Destes,seis ações foram julgadas e ainda cabem recurso às cortes superiores.
 
A última decisão aconteceu na terça-feira, quando o TRF-2 decidiu reduzir o prazo de validade do Tamiflu de 2018 para o ano que vem. O remédio, produzido pelo laboratório Roche, é usado no tratamento das gripes suína, A e B. Nas farmácias, uma caixa com dez cápsulas, de 75 mg, sai em média por R$ 190. O DIA fez contato com a Roche, mas não obteve resposta.
 
Em jogo está a proteção de medicamentos importantes como o Mycamine, nome conhecido no mercado, usado em transplante de medula. Para atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde gasta anualmente R$ 73 milhões com este item. O Inpi quer que seja reduzido em 1.826 dias a entrada em domínio público da produção do remédio.
 
Outro medicamento no alvo é o Coreg CR, que serve para o tratamento de cardíacos. O governo gasta mais de R$ 345 milhões na compra do produto, que tem grande demanda no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dois minutos, uma pessoa morre por problemas de coração no país. A tendência é de que esse número aumente para 1,5 morte ocorrida em um minuto, até 2050.
 
A batalha judicial começou em 2013. As ações tratam dos pedidos de liberação de patentes de janeiro de 1995 a maio de 1997, depositados em caixa batizada de mailbox. Isso porque só em 1994 o Brasil aderiu ao acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao comércio, que permitiu o direito à patente de produtos farmacêuticos e agroquímicos.
 
“O que houve é que erramos na hora de aplicar a legislação. Estávamos autorizando dez anos a partir da concessão, quando deveria ser 20 anos do pedido. Estamos corrigindo com as ações judiciais. Afinal, não podemos permitir o monopólio indevido de medicamentos diante do enorme interesse público na questão”, justificou o procurador Mauro Maia, do Inpi.
 
Para o advogado Gabriel Francisco Leonardos, presidente da Comissão de Propriedade Industrial, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), o maior equívoco foi o Inpi não ter cumprido o prazo de análise da concessão das patentes até dezembro de 2004. “As empresas não podem ser prejudicadas”, analisou Leonardos.
 
Especialista em propriedade industrial, o advogado Eduardo Câmara critica a decisão do Inpi. “Essa mudança é absurda. As empresas investiram porque acreditavam em um prazo que foi reduzido. Há patentes que sequer foram liberas ainda”, protestou Câmara.
 
Procurado, o advogado Luiz Paulino, do escritório Dannemann Siemsen — que defende os interesses do laboratório Eli Lilly fabricante do Cialis — informou que não se pronuncia sobre processos ainda em tramitação.
 
Interesse social
No julgamento das cinco ações no final do mês passado, o desembargador federal André Fontes destacou o interesse social, lembrando que o término da validade das patentes possibilitará a redução dos preços dos medicamentos, com a permissão para empresas concorrentes poderem produzir.
 
O advogado Pedro Marcos Barbosa, da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, defende a redução do prazo. “ Os consumidores não podem esperar 15 ou 20 anos. O que as empresas podem fazer é pedir indenização na Justiça”, avaliou Barbosa.
 
O Dia