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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Quando o preço do remédio impede o tratamento…

 
O mais recente encontro da Sociedade de Oncologia Clínica, em Chicago, teve palestra de abertura do professor de negócios de Harvard, Michael Potter, autor do best-seller “Repensando a Saúde”. As reflexões que preocuparam os mais de 30 mil médicos presentes são pelo problema que vem crescendo há anos e, agora, colidiu com a prática médica: a saúde ficou cara demais.
 
Quando remédios deixam de ser usados por questão econômica, é inevitável que a discussão entre na pauta de eventos médicos. Se o problema é realidade em países ricos, é maior no Brasil. Mesmo que a Constituição brasileira seja clara – saúde é um direito de todos e dever do Estado – esta prerrogativa bem-intencionada é, em última análise, irrealista. O sistema é insuficiente e subfinanciado e a população envelhece e adoece mais. Médicos acostumados a abordar questões pessoais e delicadas, como funcionamento do intestino ou função sexual de alguém, não são treinados para falar sobre a possibilidade de um paciente – ou do sistema de saúde – pagar pelo seus exames e remédios.
 
Nas análises, ainda tímidas, de custo-efetividade existem várias incertezas. Efetividade esbarra no potencial viés de uma agenda científica que tem necessidade de gerar resultados econômicos para os investidores. No que diz respeito a custos, o sistema de saúde não os tem medido em todo circuito de assistência. Pelo contrário, as medidas geralmente são parciais, fragmentadas e com base em preços.
 
As formas de mudar essa balança de custo e efetividade são reduzindo custo – improvável neste cenário de alto investimento para cada produto novo – ou aumentando efetividade através da identificação de quem é o melhor respondedor ao tratamento. Aqui que a medicina personalizada ou, também conhecida como medicina de precisão, ganha espaço.
 
Identificação de um gene específico, cujo um dos exemplos mais interessantes é uso de panitumumabe e cetuximab em câncer de cólon em pacientes com gene NRAS sem mutação (que sucede um modelo prévio com uso exclusivo de pesquisa de mutação de outro gene chamado KRAS).
 
Esta abordagem permitiu melhor assertividade, reduzindo custos desnecessários e melhorando resultado para aqueles expostos a terapia. Os dados não só mostraram aumento de sobrevida global quando o medicamento é usado em associação com quimioterapia convencional, mas revelou que o uso desta linha de remédios sem essa informação pode ser deletéria! Tem todo sentido, mas corremos o risco de esbarrar em uma questão prática: os órgãos reguladores exigem estudos comparativos (por definição, conhecidos como fase III) e nestas condições de hiper categorização de doenças, essa construção científica pode ficar inviável. É um impasse que vai demandar redefinição de critérios burocráticos.
 
Em uma análise mais ampla, o desafio é garantir equidade. A palavra “insustentável” é usada com tanta frequência, que deixou de causar impacto. Uma forma sensata de buscar solução é parametrizar conceitos científicos (o que é valor em saúde?) e desestigmatizar estas questões em debates com a sociedade. Boa medicina não é simplesmente empilhar tecnologias, mas fazer as escolhas certas. O dilema é mundial e o Brasil não só deve estar presente, como deve acelerar a discussão que assola de forma mais evidente nossos cofres maltratados e raspados.
 
Saúde Business

Qual a relação da dor com o custo da Saúde?

Por Dr. Durval Campos Kraychete*
 
A dor é um sintoma prevalente em pacientes oncológicos e, apesar da alta incidência – em torno de 80% -, ainda é subdiagnosticada e tratada como um aspecto secundário da doença. Por se tratar de uma experiência física e emocional desagradável, tem alto impacto na qualidade de vida do indivíduo e, muitas vezes, prejudica adesão ao tratamento, afetando os índices de sobrevida. A dor normalmente é provocada pelo próprio tumor e seu avanço no organismo, mas também pode ser decorrente das terapias antineoplásicas.
 
A publicação do Consenso Brasileiro sobre Manejo da Dor Relacionada ao Câncer, ocorrida no último ano, foi um passo importante para incentivar a discussão do tema. No entanto, é pouco efetivo trabalhar a conscientização dos médicos e demais profissionais de saúde se o acesso aos tratamentos para dor ainda é restrito a uma pequena parcela da população.
 
Em 2013, os pacientes com câncer foram beneficiados com a aprovação da lei 12.880, que garantiu o acesso ao tratamento domiciliar e por via oral contra os efeitos colaterais da terapia oncológica oferecidos pelos planos de saúde. A Diretriz de Utilização Terapêutica aprovada pela ANS, entretanto, prevê em seu texto que o tratamento seja oferecido apenas aos pacientes que sofrem com dores oncológicas neuropáticas. Aqueles que apresentam outros tipos de dores, e que representam quase 30% do total, não foram contemplados com a medida. Como a maioria dos pacientes não pode arcar com os altos custos dos tratamentos particulares, acabam recorrendo ao tratamento hospitalar, mais invasivo e custoso.
 
Impactos econômicos
Nos Estados Unidos, uma análise recente dos registros hospitalares mostrou que 26% das internações não programadas foram associadas à dor não controlada, resultando em um custo total aproximado de US$ 5 milhões em um período de um ano, custo que poderia ter sido evitado com tratamentos paliativos e de controle da dor.
 
No Brasil, a situação não é diferente. Um estudo publicado em abril no Jornal Brasileiro de Economia em Saúde (JBES) avaliou os custos de medicamentos e hospitalizações em pacientes submetidos ao tratamento domiciliar, utilizando com oxicodona de liberação prolongada, em comparação ao tratamento hospitalar, sob as perspectivas dos sistemas de saúde público e privado no Brasil.
 
No sistema público, a adição do tratamento domiciliar reduziu o tempo de hospitalização, apresentando uma economia de até R$ 143 por paciente, o que representa uma redução de 12% no custo total da internação; já no sistema de saúde privado, a economia chegou a R$392 por paciente, reduzindo em até 14% o valor total do tratamento durante a hospitalização. Isso significa que, além da influência na qualidade de vida do paciente, agora é possível medir, de maneira concreta, o impacto econômico que o manejo adequado da dor representa na saúde pública e privada.
 
A cada dois anos, a Resolução Normativa que define o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde é atualizada. Qualquer indivíduo, seja médico, paciente ou interessado no assunto, pode contribuir com seu ponto de vista por meio da Consulta Pública organizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Neste momento, um dos pontos de atenção são as diretrizes de utilização do tratamento domiciliar oral contra os efeitos colaterais das terapias antineoplásicas.
 
Retirar a palavra ‘neuropática’ do texto atual irá permitir que mais pacientes com dor de câncer de qualquer diagnóstico etiológico sejam tratados de forma igualitária e passem a ter amplo acesso ao tratamento domiciliar. Desse modo, os pacientes não precisarão mais se deslocar a um hospital em busca do alívio para suas dores, resultando em uma diminuição dos gastos com atendimentos, internações e medicamentos desnecessários – mudança que também significa mais comodidade, qualidade de vida e maior adesão ao tratamento. Quem sabe, em um futuro próximo, irá também possibilitar que o câncer seja encarado como sinônimo de vida, e não de dor.
 
*Dr. Durval Campos Kraychete é presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um dos maiores especialistas em tratamento da dor no Brasil.
 
Para participar da Consulta Pública, basta acessar www.ans.gov.br/participacao-da-sociedade/consultas-publicas/consulta-publica-n-59 e contribuir com sua opinião até o dia 19 de julho.
 

Uso de antidepressivos na gravidez aumenta riscos de má formação do bebê

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina têm relação com defeitos cardíacos e anomalias que afetam o crânio e a parede
 
Uma equipe de pesquisadores dos EUA e do Canadá confirmou a relação entre o uso de antidepressivos comumente prescritos por grávidas e o pequeno aumento de risco de má formação de bebês no nascimento. Esses inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRI, na sigla em inglês) já tinham sido relacionados a defeitos cardíacos e anomalias que afetam o crânio e outras partes do corpo, e este novo estudo incluiu peritos dos respeitados Centros de Controle e Prevenção de Doenças que confirmaram a ligação. O estudo foi publicado na “British Medical Journal”.
 
Atualmente os médicos evitam prescrever esses medicamentos para mulheres grávidas, a menos que a menos que, pela gravidade do estado da mãe, os benefícios ultrapassem os riscos.
 
Este estudo revisou dados de 17.952 mães de crianças nascidas com má formação e 9.857 mães de crianças sem anomalias. Os pesquisadores analisaram o uso, pouco antes ou logo no início da gravidez, de cinco antidepressivos SSRI. Os pesquisadores não encontraram a relação com má formação em três drogas, incluindo sertralina, a mas comumente usada pelas mulheres catalogadas no estudo. Mas para paroxetina (Paxil) e fluoxetina (Prozac) foram relatados um leve aumento nas deformidades.
 
O Prozac foi relacionado a defeitos na parede do coração e a craniossinostose, condição em que os bebês nascem com um crânio de forma irregular. Quanto ao Paxil, cinco defeitos congênitos reportados anteriormente também foram observados, incluindo malformações cardíacas, anencefalia (má formação do tubo neural) e defeitos da parede abdominal no qual os intestinos — e em alguns casos, o fígado — se desenvolvem na parte externa do corpo.
 
O Globo

Governo regulamenta condições de segurança e saúde para descanso de motoristas

Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil
A portaria estabelece melhores condições de conforto para
motoristas de transporte de cargas e passageiros
O Ministério do Trabalho e Emprego publicou ontem (9), no Diário Oficial da União, portaria regulamentando condições de conforto, segurança, sanitárias e de repouso em locais de espera para motoristas profissionais do transporte rodoviário de cargas e passageiros. Entre as determinações, a exigência de que os gabinetes sanitários sejam privativos e tenham porta de acesso
 
A portaria estabelece ainda que haja um gabinete sanitário, um lavatório e um chuveiro, por sexo, a cada 20 vagas destinadas aos veículos conduzidos pelos motoristas profissionais. Também fica proibido o uso de banheiros químicos. Segundo o Ministério do Trabalho, as instalações sanitárias devem ter chuveiros com água fria e quente e condições de higiene e conservação adequadas.
 
O ministério determina prazo de um ano para que os locais de descanso já existentes se adequem às distâncias exigidas para instalações sanitárias. Também é de um ano o prazo para cumprir a necessidade de pavimentação ou calçamento da área de circulação de veículos.
 
De acordo com a portaria, o ambiente de refeições pode ser de uso exclusivo dos motoristas ou compartilhado com o público, mas deve sempre permitir acesso fácil às instalações sanitárias e ao sistema de água potável.
 
Uma portaria tratando do mesmo tema já havia sido publicada em abril. Segundo o Ministério do Trabalho, o texto de hoje substitui o anterior, que fica revogado. Ainda segundo a pasta, a nova portaria “complementa e retifica” as regras publicadas em abril.
 
Agência Brasil

Combinação de diabetes, derrame e cardiopatia pode reduzir 20 anos de vida

A combinação de doença cardíaca, diabetes e derrame cerebral pode reduzir em mais de 20 anos a expectativa de vida
 
E nos casos de diabetes e ataque cardíaco a redução da vida útil pode chegar a uma década. Essas são as conclusões de um estudo da Universidade de Cambridge, publicado no periódico Jama, da Associação Médica Americana, nesta semana.
 
O risco é cada vez maior se os três problemas surgirem juntos até os 40 anos de idade. Em casos como este, a expectativa de vida tem redução de até 23 anos, apontam os cientistas.
 
No entanto, estima-se que a maioria dessas doenças pode ser prevenida pela prática regular de exercícios físicos e por uma dieta saudável que evite o sobrepeso, além de evitar fumar e beber demais.
 
Segundo os cientistas, que analisaram 1,2 milhão de pessoas e 135 mil mortes ligadas a essas doenças, e calcularam as possibilidades, homens com até 40 anos que tinham diabetes e que já tinham sofrido um ataque cardíaco e um derrame poderiam esperar para ter a sua vida abreviada em 23 anos, enquanto mulheres na mesma situação teriam uma redução de 20 anos.
 
“Nós mostramos que ter uma combinação de diabetes e doença cardíaca está associada com uma esperança de vida substancialmente mais baixa”, disse Emanuele Di Angelantonio, da Universidade de Cambridge, principal autora do estudo. A pesquisadora descobriu, por sua vez, que a perda de vida útil tendia a ser maior quanto mais jovem fosse o doente.
 
“Um indivíduo nos seus 60 anos, que apresenta as mesmas condições de saúde [as três doenças apontadas] tem uma redução média da expectativa de 15 anos de vida”, afirma Di Angelantonio. A redução é um pouco menor se o idoso apresentar dois dos problemas: 12 anos.
 
Já entre as mulheres com até 60 anos de idade, as estimativas correspondentes foram de 13 anos de expectativa de vida reduzida nas que apresentavam dois dos problemas de saúde apontados e 16 anos nas que tinham sofrido de diabetes, derrame e um ataque cardíaco.
 
UOL