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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Hospital Cajuru lança cartilha com orientações sobre funcionamento do SUS

Segundo o hospital, é comum as pessoas terem dificuldade de identificar, por exemplo, como e onde se deve buscar atendimento durante as situações médicas
 
O Hospital Cajuru, de Curitiba, está promovendo uma campanha para esclarecer a população sobre os serviços e o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
 
Segundo o hospital, é comum as pessoas terem dificuldade de identificar, por exemplo, como e onde se deve buscar atendimento durante as situações médicas: deve-se procurar primeiro uma unidade de saúde básica ou o setor de emergência de um hospital?
 
Uma blitz para divulgar uma cartilha com orientações desse tipo foi realizada na Boca Maldita e na Praça Rui Barbosa, no Centro da capital paranaense, nesta última sexta-feira (7), das 14 às 17 horas.
 
A ação também ocorreu, o dia todo, no pronto-socorro do Hospital Cajuru.
 
Uma pesquisa realizada pelo próprio hospital revelou que 81% dos curitibanos não sabem diferenciar as funções que cada instituição de saúde exerce dentro do SUS.
 
A cartilha também pode ser baixada gratuitamente no site.
 
Gazeta do Povo

Morte silenciosa: insônia pode ter consequências graves, como derrame, infarto e hipertensão

Aparelho respiratório está entre os tratamentos disponíveis para a doença
 
A administradora Solange Rodrigues começou a sentir dificuldades para dormir em 2007. Segundo ela, o incômodo aumentou gradativamente, até ficar insuportável em 2014, quando já havia provocado transtornos graves, dentre eles hipertensão, arritmia cardíaca, distúrbios de tireoide e depressão.
 
— O médico disse que, se eu não tratasse a insônia, ia continuar com problemas de saúde severos até ter um infarto ou um derrame durante a noite, a chamada morte súbita.
 
A insônia é uma doença caracterizada pela dificuldade recorrente em dormir o suficiente para que seu corpo recupere as energias que precisa para se manter saudável.

Se não tratado corretamente, o transtorno pode ocasionar complicações cardiovasculares, como diabetes, obesidade, maior risco de infarto agudo do miocárdio e arritmia cardíaca.
 
Após realizar uma polissonografia (exame utilizado para detectar alterações e distúrbios relacionados ao sono), Solange foi diagnosticada com apneia severa do sono, uma obstrução da respiração que faz com que a pessoa acorde várias vezes durante a noite e se sinta cansada com frequência.
 
— Comecei a dormir em cima do computador, no banheiro da empresa. Em um culto religioso, eu apaguei, não conseguia assistir nada. Começou a ficar muito esquisito, não conseguia mais prestar atenção nas coisas. Minha memória falhava demais, mas na época eu achava que era uma noite ou outra que eu não dormia. Eu levantava mais cansada do que quando tinha deitado.
 
Consequências graves
Cardiologista especialista em medicina do sono, Glaucylara Geovanini explica que dormir pouco provoca alterações no coração e nos hormônios, o que faz com que aumente o risco de a pessoa desenvolver quadros de arritmia cardíaca e infarto agudo do miocárdio.
 
Dentre os principais grupos de risco sujeitos a desenvolver esse tipo de complicação se encontram as mulheres depois da menopausa, pessoas obesas e as que já tenham algum problema de saúde relacionado ao coração, como hipertensão.

Glaucylara ressalta que o tratamento deve ser feito com o acompanhamento de um especialista — caso contrário, as consequências podem ser graves.
 
— A pessoa pode morrer pela insônia ao longo dos anos.
 
Felizmente, não foi o caso de Solange. Depois de anos de tratamentos ineficazes, ela encontrou a solução de seus problemas em um aparelho respiratório que usa todas as noites para dormir.
 
Após um período de adaptação, Solange garante não ter sentido mais dificuldades para descansar.
 
Hoje, ela trata o aparelho como seu “segundo marido”.
 
— Muitas pessoas não acreditam que (a insônia) seja uma coisa tão perigosa, mas é. Ela mata. As pessoas não dão a importância real de se dormir bem. Você vai se matando silenciosamente.
 
R7

"Fico me perguntando se vale a pena ser honesto nesta vida", diz vítima de remédio falsificado

Remédios caros são os maiores alvos de falsificação
Agência alerta que é preciso estar atento e não comprar medicamentos em feiras ou em camelôs

Em 2003, o engenheiro equatoriano Julio Cahuano, resolveu dar um presente ao pai, Cezar Augusto Cahuano. Instalado desde 1994 no Rio de Janeiro, onde atua há mais de vinte anos em uma empresa de porte, via sinais de envelhecimento no pai e o convidou para vir do Equador ao Brasil, a fim de ser submetido a uma operação de catarata.

Cézar e a esposa vieram. E o que prometia ser um alívio para os seus olhos se tornou um drama para a vida da família. Cézar recebeu aplicações de metilcelulose, colírio que protege em operações de catarata, mas o medidamento era falsificado. Resultado: ele ficou cego do olho esquerdo e teve a visão do direito comprometida. Retornou para o Equador sem nunca mais querer pisar no Brasil. Ao R7, Cahuano lamenta.

— Queria ajudar meu pai, não o via há algum tempo. Ele e minha mãe chegaram felizes. E saíram muito chateados, depois de terem ficado meses sem poder deixar o País, por causa das questões judiciais. E eu não podia fazer nada. Meus irmãos, por um bom tempo, me rejeitaram.

Até hoje ele está para receber a indenização determinada pela Justiça à família: R$ 25 mil mais 40% de um salário mínimo por mês. O caso ocorreu há quase 13 anos e não houve punição. Por isso ele, hoje com 50 anos, não vive mais em paz depois do ocorrido, por não ter visto os culpados serem punidos.

— A empresa que comercializou e distribuiu o medicamento não tinha alvará. Agora vejo o seu antigo proprietário solto, comercializando outros produtos. Amo o Brasil e o Rio de Janeiro, mas algumas coisas que acontecem, não só aqui, nos deixam sem chão. Quando o mínimo de dignidade humana não é respeitado, me pergunto: vale a pena ser honesto, quando essas pessoas má intencionadas se beneficiam e saem vitoriosas? Acho que vale, mas muita gente não vê desta maneira.

Cézar morreu há cerca de três anos, amargurado. E o filho diz que sente pelo fato de não poder fazer o tempo voltar. Para ele, a sorte foi que, podendo retornar sempre ao Equador, continuou vendo o pai, que não o acusou, e se reconciliou com os irmãos. Mesmo assim Cahuano não esconde uma ponta de tristeza.

— Ele (o pai) colocou uma prótese, mas nunca mais se conformou. Ficou revoltado com o que houve.

Era uma pessoa independente que, com problemas de visão, começou a se fechar. Foi até se desinteressando da vida. Confesso que penso se eu poderia ter feito algo a mais por ele. Mas não consigo ver o que. Minha mãe também ficou traumatizada. Hoje ela tem um problema no joelho.

Cheguei a sugerir que ela viesse para cá se tratar. Ela me disse: cirurgia nunca mais. Ainda mais no Brasil.

Efeitos da falsificação
Cahuano conta ainda que cerca de outros 50 pacientes tiveram o mesmo problema que o do seu pai. Mas apenas dois, incluindo ele, entraram na Justiça. Muitos sentem o efeito mas não conseguem detectar que a causa foi o uso de um remédio falso, algo que vem cresendo no País.

A falsificação de medicamentos no Brasil é uma realidade que, apesar da tecnologia para rastreamento, ganha números cada vez maiores no Brasil. Lotes com produtos de origem criminosa já ocupam 20% do comércio de remédios no País, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) ameaçando os usuários com um tratamento ilusório de uma doença, podendo provocar efeitos colaterais e, muitas vezes, a morte.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os medicamentos mais falsificados são os mais caros. Em nota ao R7, a agência informa que entre os produtos identificados com maior frequência pode-se destacar medicamentos para a impotência, medicamentos oncológicos e hormônios de crescimento.

O aumento deste tipo de atividade no Brasil, segundo o biólogo Amilcar Lopes, presidente da empresa Rastreabilidade Brasil, decorre do fato de o mercado farmacêutico brasileiro estar crescendo e, por ironia, da evolução científica que tem propiciado remédios cada vez mais avançados, muitos deles descobertos recentemente.

— Há medicamentos que começaram a ter maior valor agregado. A evolução da indústra farmacêutica fez surgir remédios mais caros e sofisticados. E é lógico que os falsificadores vão atuar em cima deste tipo de produto.
 
Se os usuários têm enormes prejuídos, os criminosos obtêm lucros exorbitantes com a falsificação: foram R$ 13 bilhões movimentados em 2014 no Brasil, segundo Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP).
 
Em vez das substâncias adequadas, medicamentos podem ter tinta, giz, farinha e até cimento em sua composição. Material barato, sem gastos com pesquisas e livre de impostos. Para o presidente da Interfarama (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), Antônio Britto, a internet também tem sido um meio de propagação dessa atividade ilícita.

— É preciso muito cuidado, especialmente no caso de compras pela internet. Estima-se que até 50% das compras online de medicamentos sejam de remédios falsos ou roubados. O consumidor deve ficar atento a sites de procedência desconhecida, especialmente quando eles oferecem medicamentos por preços abaixo da média de mercado. Para as compras fora da internet, recomenda-se dar preferência para farmácias e drogarias, em especial as já conhecidas.
 
Na tentativa de evitar as falsificações, a Anvisa informa que, além dos esforços na busca dos produtos falsificados, é importante que o usuário tenha consciência e evite comprar remédios em feiras ou em camelôs. O correto é adquiri-los em farmácias e drogarias com alvarás sanitários e reputação reconhecida. Outra iniciativa importante é decifrar o código na lateral da embalagem, que precisa ser raspada.
 
Para explicar a dificuldade em chegar aos falsificadores, a Anvisa afirma que os remédios são falsificados fora do país.
 
— Nas ações de fiscalização e investigações realizadas não foram identificadas atividades de fabricação de medicamentos no Brasil. As informações obtidas indicam que estes produtos irregulares têm sido fabricados no exterior e são contrabandeados no Brasil. Em muitos casos, os blisters (que armazenam comprimidos) são comercializados soltos ou acondicionado em embalagens falsificadas.
 
A esperança no rastramento
Uma nova tecnologia, conhecida como Datamatrix, deverá ser um fator fundamental para diminuir os índices de falsificação. A Anvisa já estipulou as normas para o rastreamento, que estão à espera de uma implementação formal desde 2009. Pelo sistema de rastreamento, composto de um código e de imagem, fica possível, por meio de um banco de dados, saber toda a movimentação do produto.
 
Segundo Lopes, os laboratórios já se adequaram a esta lei, que criou esse sistema, denominado SNCM (Sistema Nacional de Controle de Medicamentos), já existe e só falta um acordo no Senado Federal para que outro projeto não substitua sua implantação definitiva, que deverá ser totalmente incorporada aos laboratórios, após espera de mais de seis anos, em janeiro de 2017.
 
— Países que adotaram esse rastreamento reduziram as falsificações a algo entre 1% e 4%. Isso inclusive barateia o medicamento, pois a bula pode ser lida por um aplicativo, não necessitando de papel. O fim da necessidade de contratar um seguro específico também reduz o custo. E quando um número rastreado não conferir, é certo que houve falsificação. Essa lei trará muitos benefícios ao consumidor.
 
R7

Impasse no rastreamento de remédios

O Congresso aprovou uma lei que prevê o Sistema Nacional de Rastreamento de Medicamentos, mas a indústria farmacêutica pede prorrogação de 10 anos para colocar em prática
 
 
O Congresso Nacional aprovou a Lei 11.903 em 2009, que prevê um Sistema Nacional de Rastreamento de Medicamentos e trata sobre a produção e o consumo de medicamentos, por meio de tecnologia de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados, mas a implementação ainda não se concretizou.
 
A indústria farmacêutica pede uma prorrogação de 10 anos para colocar em funcionamento o controle do destino dos remédios desde a fabricação até a chegada ao consumidor.
 
O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa, tem uma visão diferente da do mercado de medicamentos no Brasil. Ele defende que seja criado um banco público de informações gerenciado pela Anvisa.
 
De outro lado, a Associação da Indústria farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) discorda da prorrogação defendida pela indústria farmacêutica, alegando que muitas empresas de pesquisa já compraram equipamentos e que esticar o prazo de implementação só traria prejuízos.
 
Câmara dos Deputados

sábado, 8 de agosto de 2015

Dor lombar é doença que acompanha pessoas por mais tempo; veja como evitar

Você fez uma faxina completa na casa. Pegou peso. Passou muito tempo agachado, esfregando, varrendo, limpando. No final do dia, apareceu aquela dor chata na parte de baixo da coluna, um pouco acima do bumbum

A situação descreve um caso típico de dor lombar aguda, ou seja, uma dor intensa que pode ter várias causas e tende a desaparecer com o tempo. Mas, se três meses depois da faxina essa dor ainda não foi embora, isso pode significar que a pessoa passou a sofre de um problema crônico, que precisa de uma atenção maior. E quem pensa que esses casos são raros, engana-se.

Um estudo publicado em junho deste ano aponta a lombalgia como o principal fator que leva as pessoas a passarem anos com uma incapacidade. O Global Burden of Disease Study 2013 levantou dados sobre a incidência de doenças agudas e crônicas em 188 países, entre 1990 e 2013. No levantamento, a dor lombar apareceu em todos os países entre os dez problemas de saúde que acompanham e incapacitam as pessoas por mais tempo, ao lado dos transtornos depressivos. A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que 80% da população mundial sentem ou sentirão dor nessa região, que vai da última costela até a parte de cima dos glúteos.

No Brasil, as dores da coluna são as principais causas de afastamento no trabalho. Apenas em 2014, mais de 130 mil pessoas passaram um tempo sem trabalhar por causa do problema - o Ministério da Previdência Social não tem dados específicos sobre casos de lombalgia.

Maioria dos casos não tem causa específica
Como o exemplo descrito acima, a dor lombar pode ser desencadeada por espasmo muscular causado por movimentos bruscos ou repetitivos. "A coluna é toda enervada (cheia de nervos), então tudo pode ser uma possível fonte de dor, seja um problema no ligamento, na articulação, no músculo", afirma o fisioterapeuta Gabriel Delfino.

O ortopedista Alberto Gotfryd, do Hospital Albert Einstein e da Santa Casa de São Paulo, conta, no entanto, que, dependendo do caso, o diagnóstico de causa não é feito. "Não se acha um problema específico que justifique essa dor. Mas, a falta do diagnóstico não compromete o sucesso do tratamento, porque, no geral, essa (lombalgia) é uma condição que não oferece riscos à saúde", diz.

Gotfryd explica que quando a dor é aguda, o tratamento indicado é fazer uma compressa de água morna e tomar analgésico, se a pessoa tiver um leve desconforto. "Se a dor for intensa, é preciso ir ao pronto-socorro para receber uma medicação mais forte e para que o médico avalie se há fatores de alerta", explica.

Nos casos crônicos, o tratamento é medicamentoso, aliado à fisioterapia convencional. "Fazer RPG, pilates, acupuntura, também é indicado. O medicamento que será prescrito vai depender da origem da dor, nos casos que é possível diagnosticá-la", afirma Alexandre Elias, neurocirurgião do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho.

A ordem é manter-se ativo
O fisioterapeuta Gabriel Delfino explica que é bastante importante a pessoa se manter ativa. "Os pacientes, no geral, ficam com medo de se movimentar, inclinar para frente, se manter ativo. Mas, é preciso saber que o repouso absoluto é o que mais compromete o tratamento da dor lombar", afirma.

Então, a ordem é se movimentar, principalmente para quem sofre da dor crônica. "É preciso trabalhar a musculatura do abdômen, da parte de trás das costas, da região do quadril e dos glúteos, porque esse conjunto de músculos ajuda a estabilizar a coluna vertebral. Esses exercícios ajudam a distribuir melhor a carga do corpo, a sobrecarregar menos a articulação da coluna", explica o fisioterapeuta do Centro de Qualidade de Vida, Raphael Vilela.

Além disso, condutas cotidianas podem tanto prevenir quanto amenizar a dor. "A maneira como a pessoa deitar e levantar da cama, como ela se senta na cadeira do escritório, como dirige, varre a casa, segura no ferro do ônibus, pode sobrecarregar as articulações da coluna. Por isso, é preciso ficar atento a essas atividades cotidianas", completa.

Dor lombar também pode indicar problemas graves
A lombalgia pode ser sintoma de um problema mais grave, por isso, o médico precisa estar atento a fatores de risco. "A idade é um fator preocupante. Se a pessoa tem mais de 65 anos, aquela dor na região lombar pode indicar a presença de outras condições, como osteoporose e doenças neoplásicas (tumorais). Nas crianças, os dois diagnósticos possíveis são infecção na coluna e tumores", explica Gotfryd.

A dor pode indicar também o estreitamento do canal vertebral, chamado de estenose lombar, que pode ser causa da dor. "A pessoa pode perder o controle da bexiga, ou sentir dormência na região anal, na virilha", diz Delfino.

Além disso, traumas também podem ser a causa da dor lombar, além de tumores e inflamações. "Se a pessoa que sente a dor tem entre 20 e 40 anos, ela pode ter origem inflamatória. A espondilite anquilosante, por exemplo, causa uma dor que começa devagar, vai aumentado e não vai embora", explica Celio Roberto Goncalves, reumatologista responsável pelo ambulatório de espondilite anquilosante do Hospital das Clínicas de São Paulo. A espondilite é uma doença autoimune e pode levar a incapacidade se não for tratada precocemente.

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