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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Pesquisa indica baixo teor de flúor em quase 30% das cidades paulistas

A quantidade de flúor na água distribuída à população é inadequada à saúde bucal em quase 30% das cidades paulistas. Desse total, 14,5% têm baixa concentração, expondo os consumidores à formação de cáries
 
Os dados são de uma pesquisa feita pelo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal (Cecol/USP) e Laboratório de Bioquímica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp.
 
As amostras coletadas em 642 das 645 cidades paulistas indicaram que 71,5% da água analisada estavam na faixa entre 0,6 e 0,8 ppm (partes por milhão de unidade de fluoreto), medida considerada adequada pela resolução de 1995 da Secretaria Estadual de Saúde. Nas amostras restantes foram encontradas quantidades acima ou abaixo do ideal.
 
“A correta quantidade de flúor aplicada na água combate a formação de cárie. Teores de flúor baixos não reduzem a cárie e teores altos, por sua vez, podem levar a uma fluorose”, afirmou o presidente do CROSP, Cláudio Miyake. Ele explicou que a fluorose resulta em manchas e deterioração do esmalte dos dentes.
 
O levantamento indicou que 14,5% das análises estavam com concentração abaixo do recomendado e 14% estavam acima. Na lista de municípios fora dos padrões considerados saudáveis estão Cesário Lange e Pereiras, ambos com água com excesso de fluor (1,4 ppm). No grupo com baixa concentração (0,4 pp), estão incluídos Altinópolis, Analândia, Boa Esperança do Sul, Guatapará, Ipeuna, Luis Antônio, Morro Agudo, Nuporanga, Orlândia, Pirajuí e Rio das Pedras.
 
De acordo com Myake, o governo do estado repassa recursos para adoção de medidas que permitam a fluoretação. Ele informou que o estudo será encaminhado às autoridades sanitárias dos municípios, órgãos responsáveis pelo abastecimento e pela fiscalização, além do Ministério da Saúde e Secretaria Estadual da Saúde, Tribunal de Contas e Ministério Público.
 
Agência Brasil

Pesquisa: 77% dos profissionais de enfermagem do Brasil não têm curso superior

A maior parte dos profissionais de enfermagem do Brasil, correspondente a 77% do total, é de técnicos e auxiliares, enquanto somente 23% são enfermeiros formados, com curso superior, cuja grande maioria está concentrada na Região Sudeste, enquanto o Norte e o Nordeste sofrem com a carência desses profissionais
 
Essa constatação é de pesquisa realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (ENSP-Fiocruz), por encomenda do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), que traça o Perfil da Enfermagem no Brasil, divulgada hoje (11), em Minas Gerais, e que será apresentada amanhã (12), no Rio de Janeiro, e na quinta-feira (13), em São Paulo.
 
A coordenadora-geral do estudo e pesquisadora da ENSP, Maria Helena Machado, considera essa situação um problema “Porque nós estamos falando de 1,8 milhão de trabalhadores em enfermagem e, infelizmente, o Brasil apresenta um volume (de profissionais formados) muito pequeno. Pensar que são 23% de enfermeiros para dar conta de toda a estrutura de assistência à saúde, supervisão e coordenação de todas as atividades de enfermagem do país, é muito pouco”.
 
Maria Helena diz que esse percentual de 23% é baixo em comparação a toda a América Latina. Segundo ela, o país elevou a qualificação dos auxiliares e técnicos, mas o índice de enfermeiros graduados ainda é baixo, como no estado do Rio de Janeiro, onde a enfermagem é composta hoje por 80,9% de técnicos e auxiliares e 19,1% de enfermeiros.
 
Outro problema apontado pelo estudo é a grande concentração dos profissionais na Região Sudeste, formada por Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com destaque para os dois primeiros estados. Outra situação delicada é a concentração de enfermeiros nos grandes centros do país, especialmente nas capitais.
 
As regiões Norte e Nordeste têm carência de outros profissionais ligados à saúde, além de enfermeiros, como farmacêuticos, odontólogos e médicos. O mais grave, segundo ela, é que esses 23% de enfermeiros formados não estão distribuídos no país como um todo e há carência de enfermeiros no Sistema Único de Saúde (SUS).
 
De acordo com a pesquisa, o grande empregador da enfermagem no Brasil é o setor público nos três níveis (federal, estadual e municipal), com 70,1% do total. Os restantes 29,2% estão no setor privado, 9,8% nas atividades de ensino e 1,4% na área filantrópica.
 
Em termos de renda, Maria Helena explica que a enfermagem é mal paga no país inteiro, sendo que nos setores privado e filantrópico há maior concentração de subsalários, com 22,8% e 32,7%, respectivamente. “É um volume grande de profissionais que ganha igual ou menos do que R$ 1 mil por mês”. Ela diz que o setor público (10,6%) e o de ensino (11,3%) também pagam mal. Uma parcela de 13,6% dos entrevistados declararam ter renda total mensal de até R$ 1 mil, condição de subsalário. A maioria dos profissionais (53,7%) tem apenas uma atividade ou trabalho.
 
A equipe de enfermagem no Brasil é liderada por mulheres, com 85,6% do total, contra a média nacional de 14,4% de homens, segundo a pesquisa. No estado do Rio de Janeiro, a composição é 82,3% feminina contra 17,6% masculina. Maria Helena Machado diz, porém, que já se percebe uma tendência de masculinização da categoria em todos os estados brasileiros. estados da Federação.
 
No próximo dia 27, ao final das apresentações da pesquisa pelo país, os membros do Cofen e dos conselhos regionais se reunirão para traçar as estratégias para a inserção da categoria nos programas governamentais.
 
A presidenta do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ), Maria Antonieta Rubio Tyrrel, disse que o intuito final é ter um diagnóstico “para podermos traçar políticas públicas relacionadas com a nossa inserção nos programas governamentais de saúde”, que incluem os âmbitos do ensino, filantrópico e privado.
 
Agência Brasil

Mapeamento de violência no parto quer prevenir ocorrências nos serviços de saúde

Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Organização Mundial da Saúde mapeou sete tipos de violência
 no parto para prevenir essas ocorrências
“Minha sensação é que eu não servia para ser mãe. Não consegui fazer o parto do jeito certo [normal], não conseguia amamentar. Tinha algo muito errado comigo. Fui abrindo mão de muitas coisas e isso influenciou a minha maternidade”
 
O relato é da jornalista Carol Patrocínio, 30 anos, sobre as consequências da violência que sofreu durante o parto do primeiro filho, quando tinha 18 anos. Maus-tratos e desrespeito na gravidez são situações que afetam muitas mulheres. Para enfrentar o problema, uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) mapeou sete tipos de violência no parto. O objetivo é identificar e prevenir essas ocorrências nos serviços de saúde.
 
Somente quando engravidou do segundo filho, sete anos depois, Carol se deu conta de que não era normal ter passado por situações de maus-tratos e desrespeito. “Quando você começar a ler e a conversar com outras mulheres, você vê que a culpa não é sua, que essa violência é institucionalizada”, relatou. Entre as situações vividas pela jornalista no nascimento de Lucas, hoje com 11 anos, ela citou a cesariana sem indicação, a espera de seis horas sem acompanhante para a cirurgia e a orientação para que permanecesse todo o período de espera em uma só posição, pois, caso contrário, o bebê estaria em risco.
 
O professor João Paulo Dias de Souza, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), coordenou o estudo da OMS nas línguas portuguesa, espanhola e francesa. Ele disse que a metodologia foi encontrar na literatura quais os tipos de maus-tratos e desrespeito haviam sido relatados por mulheres no momento do parto. “Procuramos todos os estudos que reportavam algum tipo de desrespeito, abusos e maus-tratos”, explicou. Foram reunidos 65 trabalhos, realizados em 34 países. Os resultados foram publicados no fim de junho na revista PLOS Medicine, dos Estados Unidos.
 
São sete os tipos de violência mapeados: abuso físico, abuso sexual, preconceito e discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as mulheres e os prestadores de serviços e condições ruins do próprio sistema de saúde. Para Souza, muitas dessas situações ocorrem sem que haja intencionalidade por parte dos profissionais, mas são estimuladas por um alto nível de desgaste, estresse e pelas limitações dos serviços de saúde. “A partir dessa constatação, temos que desenvolver estratégias para desarmar esses ambientes tóxicos em que muitas maternidades se constituem”, defendeu.
 
Gritos, chutes, beliscões, julgamentos, esbofeteamento, comentários acusadores e até mesmo abuso sexual foram agressões relatadas pelas gestantes na pesquisa. O coordenador reforça que esses episódios foram encontrados em vários países. “Ocorre em diferentes proporções, intensidades, mas no mundo inteiro”, afirmou. A publicação, no entanto, cita o Brasil em cinco momentos, ao se referir à restrição da presença de acompanhante, a situações de grito contra as mulheres, à restrição nos leitos e aos relatos das mulheres de que os profissionais de saúde evitavam de maneira intencional a troca de informações.
 
Assim como relatado por Carol, os traumas desse tipo de situação podem durar por um tempo e ter impacto para a mãe e o bebê. “São descritas condições patológicas, onde a mulher passa a ter uma lembrança negativa que lhe atormenta e isso a gente chama a síndrome de estresse pós-traumático. Pode ter impacto na saúde da mulher e na ligação dela com a criança”, disse o professor da USP. A violência no parto leva também à maior ocorrência de depressão e piora da autoestima da mulher.
 
Souza acredita que a definição dos tipos de violência ajuda a tornar clara, tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde, comportamentos que não devem ocorrer nas unidades de saúde. “[Devemos], ao mesmo tempo, empoderar as mulheres para que elas tenham a capacidade de dizer: “esse cuidado não é adequado”; e aumentar também o nível de consciência para que os próprios serviços de saúde estejam alerta para essa situação”. Ele destacou que o propósito não é apontar os profissionais responsáveis, mas discutir e combater o problema de forma geral. Carol também aposta na iniciativa. “É muito importante que a gente coloque tudo bem didaticamente para não ter dúvidas e conseguir transformar. O primeiro passo é definir o limite das coisas”, defendeu.
 
Agência Brasil

Anvisa suspende medicamento que era comercializado com registro cancelado

A Anvisa determinou a suspensão da distribuição, comercialização e uso do produto Vasopril, 5mg e 10mg, fabricado pela empresa Biollab Sanus Farmacêuticas Ltda.
 
A formulação de 5 mg teve o registro cancelado em setembro de 2013. Já a de 10 mg foi cancelada em outubro daquele mesmo ano. Apesar disso, os medicamentos continuaram sendo comercializados.
 
De acordo com a decisão da Agência, a empresa fabricante deverá promover o recolhimento do estoque existente no mercado.
 
A medida está na Resolução 2.266/2015 publicada nesta quarta-feira (12/8) no Diário Oficial da União (DOU).
 
ANVISA

Medicamento Mentelmin está suspenso pela Anvisa

A Anvisa determinou a suspensão da distribuição, comercialização e uso do medicamento Mentelmin (mebendazol), 20 mg/ml, fabricado pela empresa Theodoro F. Sobral Ltda.
 
Em junho de 2013, a Agência já havia cancelado o registro da apresentação, a pedido do fabricante.
 
Além disso, Laudo de Análise Fiscal, emitido pelo Instituto Adolfo Lutz, revelou resultado insatisfatório no ensaio de aspecto do lote 140916.
 
Com a decisão, a empresa deverá promover o recolhimento do estoque existente no mercado.
 
A medida está na Resolução 2.267/2015 publicada nesta quarta-feira (12/8) no Diário Oficial da União (DOU).
 
ANVISA