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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Pesquisadores desenvolvem tecnologia de reparo do coração que simula fixador adesivo de tecidos

A técnica, segundo eles, poderá ajudar no tratamento de infartos
 
Recuperar um coração que sofreu infarto é um trabalho difícil, já que a complicação, caracterizada pela diminuição ou pela interrupção súbita do transporte sanguíneo, compromete o funcionamento do músculo cardíaco, responsável por bombear o sangue pelo corpo. Para resolver esse problema, pesquisadores do Canadá desenvolveram um material biodegradável que simula o tecido do órgão vital. A nova tecnologia, detalhada na revista Science Advances, poderá auxiliar no tratamento da principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.
 
Os autores do trabalho buscaram desenvolver uma solução que imitasse o tecido cardíaco sem a necessidade de uma cola, alternativa até então não atingida. “Em engenharias voltadas para a criação desse tecido, há uma limitação de design, com grande parte de projetos desenvolvidos com uma camada única. Com isso em mente, a nossa tecnologia de velcro, inspirada nesse tipo de tecido, pode permitir o empilhamento das estruturas sem o uso de um adesivo”, justificou ao Correio Boyang Zhang, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Toronto.
 
O material é chamado de Pomac e funciona como uma plataforma para as células. Em cima dele, são colocadas estruturas que compõem o tecido cardíaco, como cardiomiócitos, fibroblastos e células endoteliais. Elas se desenvolvem e ficam unidas, formando um grande tecido colado pelo polímero. A forma de junção das estruturas é o grande diferencial do trabalho, reforça Zhang. “A vantagem principal dessa tecnologia está na facilidade de uso. Tecidos multicamadas podem ser construídos por encaixe à pressão, utilizando camadas individuais que podem ser rapidamente formadas enquanto se mantém a integridade deles. Essa técnica é algo que acreditamos ser única no campo.”

Nos testes iniciais, os cientistas também observaram que o novo material é capaz de se contrair em resposta à simulação de um campo elétrico, o que indica que ele pode ser estimulado utilizando uma corrente eléctrica, fazendo, assim, com que o polímero flexível reproduza os movimentos do tecido cardíaco. “Assim que você os une, ao aplicar a estimulação do campo elétrico, vemos que eles se movem em sincronia”, explicou, em comunicado, Milica Radisic, líder do projeto e professora da Universidade de Toronto. Como é biodegradável, o polímero, com o tempo, se desintegraria sem causar problemas ao organismo em que foi implantado.

Sistema complexo
Mauro Paes Leme, cirurgião cardíaco e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que a reprodução de tecidos cardíacos tem sido o objetivo de muitos pesquisadores desde a descoberta das células-tronco. “Quando esse advento surgiu, muitos trabalhos tentaram utilizá-las de uma forma que pudessem ser injetadas diretamente no coração, com a esperança de estimular o músculo cardíaco para ele se recuperar”, conta. A dificuldade nesse processo, porém, está no fato de a área infartada sofrer uma necrose. “Em vez de virarem cardíacas, as células-tronco se transformaram em fibroblastos, que surgem para a cicatrização do coração”, explica o especialista.

Leme destaca que o tecido cardíaco é muito complexo e precisa da interação de diversas células para funcionar corretamente. “Para recriá-lo, precisamos de cardiomiócitos, fibroblastos e células endoteliais, que o formam, interagindo. O que os pesquisadores canadenses fizeram foi isso. Juntaram, como se fosse um biscoito recheado, cada tipo dessas estruturas por meio de um sistema biodegradável com o objetivo de imitar o coração da forma mais idêntica ao original. Isso parece ser a melhor estratégia”, avalia.

O cirurgião cardíaco destaca que, caso o projeto canadense possa ser aplicado em humanos — os testes se limitaram a camundongos —, seria de grande ajuda para o tratamento de uma complicação que tem crescido bastante no mundo. A aplicação clínica, porém, estima Leme, demanda pelo menos mais uns 15 anos de estudo. “Seria de grande valia, já que as doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo. Em 2000, foram feitas cerca de 600 mil cirurgias (onde) de ponte de safena, e muitos especialistas já especulam que a insuficiência cardíaca deve ser, na próxima década, uma das doenças mais importantes do planeta. Um sistema ajudaria a salvar milhares de vidas”, acredita.

O próximo passo dos autores da instituição canadense é analisar como o material funciona em outros animais. Apesar de dar foco ao problema cardíaco, uma vantagem futura do sistema de camadas é que ele pode ser aplicado em outros tipos de órgãos, como o pulmão e o fígado. “Usamos três tipos e células nesse trabalho: cardiomiócitos, fibroblastos e células endoteliais, mas, conceitualmente, não há realmente nenhuma limitação”, garante Radisic.

Em evolução

Há dois anos, o mesmo grupo de cientistas desenvolveu uma plataforma, chamada Biowire, formada por apenas uma única fibra do músculo cardíaco. O trabalho atual é consequência da expansão dessa tecnologia, com foco na facilidade de montagem dos tecidos em multicamadas. “Essas descobertas trabalham juntas com o objetivo de reconstruir o músculo do coração depois que ele é afetado, no pós-infarto. Nossa tecnologia funciona especificamente para o tratamento do infarto do miocárdio”, explica Boyang Zhang.
 
Correio Braziliense

PET-CT no Sus: Exame que rastreia câncer de pulmão, colorretal e linfoma só está disponível em oito estados do Brasil

Foto: Wikipedia
SUS disponibiliza 19 equipamentos, mas a distribuição é desigual. Minas Gerais é um dos estados contemplados
 
Exame importante para rastreamento e acompanhamento de pacientes com câncer, o PET-CT só está disponível atualmente em oito estados brasileiros, conforme os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Datasus. A tecnologia começou a ser oferecida na rede pública no ano passado para quatro tipos de tumor - pulmão, colorretal, linfoma hodgkin e não-hodgkin - e com a promessa do Ministério da Saúde de que o equipamento estaria disponível em 21 Estados.

O número de aparelhos do tipo existentes hoje no SUS até chega perto desse número, mas a distribuição desigual pelo país faz com que o exame esteja disponível para poucos. São 19 equipamentos distribuídos entre Bahia, Minas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, onde estão localizadas oito máquinas. Nenhum Estado de Norte e Centro-Oeste tem a tecnologia.

Presidente da Oncoguia, organização não-governamental de apoio a pacientes com câncer, Luciana Holtz explica que os próprios gestores de saúde de localidades sem o exame não sabem lidar com o paciente que precisa passar pelo procedimento. "Já teve secretaria de saúde ligando para a gente para saber o que fazer. Não adianta dizer que está disponível na rede pública e não garantir o acesso universal e igualitário", afirma.

Moradora de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a dona de casa Rosemeire Alves Campos de Oliveira, de 48 anos, foi informada pelo próprio médico que, embora ela tenha a necessidade de um PET, o SUS local não poderia oferecê-lo. Diagnosticada com câncer de pulmão em março deste ano, a paciente recebeu o encaminhamento para pagar o exame em uma clínica particular. "O médico me disse que, se me desse um encaminhamento do SUS, eu entraria na Justiça, obrigando o hospital a pagar, e ele ficaria 'queimado' lá. Foi quando minha família e uns conhecidos fizeram uma vaquinha", conta ela.

Com a participação de parentes, amigos e vizinhos, Rosemeire conseguiu juntar os R$ 4 mil necessários para fazer o exame na rede particular, mas, daqui a dois meses, terá de passar por um novo exame do tipo e não sabe o que fazer. "Eu não tenho cara para pedir dinheiro para mais ninguém. E eu e meu marido ganhamos R$ 2 mil. Não dá para pagar", afirma. Segundo a dona de casa, o exame será imprescindível para saber se a quimioterapia está funcionando.

Agressividade
"O PET é importante porque consegue não só ver o tamanho do tumor, mas a sua atividade metabólica, ou seja, sua agressividade, além de fazer um rastreamento no corpo inteiro para ver possíveis metástases", explica Eduardo Nóbrega Pereira Lima, diretor do serviço de medicina nuclear e PET do A.C. Camargo Cancer Center, primeiro hospital a oferecer o procedimento no Brasil, em 2001. Hoje, a unidade faz 350 exames do tipo por mês, dos quais 10% são pacientes do SUS, atendidos por meio de convênio com a rede pública.

O Ministério da Saúde informou que o SUS oferece outras tecnologias de imagem utilizadas para diagnóstico do câncer e para definição de sua localização e extensão (estadiamento), entre eles radiografia, mamografia, cintilografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. A pasta não informou como um paciente com indicação de PET deve proceder se o aparelho não estiver disponível em seu Estado.

Sobre o caso de Rosemeire, a Secretaria Estadual da Saúde de Mato Grosso do Sul informou que Campo Grande está habilitada pelo ministério para a realização de PET-CT por meio de um convênio entre a secretaria municipal e uma instituição particular, mas disse que o caso de Rosemeire está sendo acompanhado pelo município. A Secretaria da Saúde de Campo Grande não respondeu aos questionamentos da reportagem.
 
Agência Estado

SUS tem 37 mil equipamentos fora de uso no Brasil

Foto: Tássia Lima
Mesmo com as enormes filas de espera por exames e tratamentos, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem hoje cerca de 37 mil equipamentos fora de uso em todo o país, mostra levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Datasus
 
São aparelhos para os mais diversos fins, desde equipamentos para diagnóstico por imagem, como ultrassom e tomógrafo, até máquinas que asseguram a sobrevivência dos pacientes, como cadeiras de hemodiálise e incubadoras para recém-nascidos.
 
O número de aparelhos inutilizados inclui máquinas quebradas, em manutenção, obsoletas ou novas, mas que ainda estão à espera de instalação. A existência de equipamentos sem uso na rede pública contrasta com o tempo de espera que os pacientes enfrentam ao tentar agendar alguns tipos de exame.
 
Em Porto Alegre, uma empregada doméstica de 62 anos espera há quatro meses a confirmação da data de uma ecografia mamária, exame preventivo do câncer de mama. "Entreguei o encaminhamento em maio e, até agora, não foi marcado. Antes, o posto mesmo dava a requisição na hora e a gente só precisava ir até a clínica fazer, mas agora temos de esperar que avisem por telefone do agendamento", diz a paciente, que não quis ser identificada.
 
Se a demora já é comum por causa da lista de espera, a situação se agravou há cerca de 20 dias, quando um dos aparelhos de ecografia da capital gaúcha apresentou problemas. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, "os reparos já foram acionados e o problema deve ser solucionado em até duas semanas".
 
O Rio Grande do Sul é o terceiro Estado com o maior porcentual de aparelhos fora de uso em relação ao total de máquinas existentes nas unidades de saúde gaúchas. São 3.551 equipamentos inutilizados, 7,2% do total. Em primeiro e segundo lugar na lista dos Estados com mais máquinas sem utilização aparecem Rondônia e Distrito Federal.
 
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ruffo de Freitas Júnior, a oferta ainda insuficiente de exames de diagnóstico do tumor de mama faz com que muitos casos de câncer sejam descobertos já em estágio avançado. "Temos máquinas velhas, que precisam de manutenção ou de substituição, mas temos também o problema da subutilização dos aparelhos. Os hospitais costumam fazer menos exames do que sua capacidade, por causa da falta de profissionais", diz. Em todo o país, estão fora de uso 179 ecógrafos e 115 mamógrafos.
 
Particular
Em situações de maior urgência, a demora para conseguir um exame na rede pública leva pacientes a pagar pelo procedimento na rede particular. Foi a alternativa encontrada pelo casal de aposentados Dalva Ferreira Lima, de 74 anos, e Manoel Rodrigo de Lima, de 73, diante da longa espera por um eletroencefalograma para o filho Samuel Barbosa de Souza Lima, de 18 anos, que sofre de dor de cabeça crônica e faz tratamento com um neurologista.
 
"Ficamos mais de um ano esperando pelo exame, que nunca foi realizado. Como ele estava ficando com o pescoço torto, por causa das dores de cabeça, a gente tirou dinheiro de outras contas e pagou a consulta e o exame particular", contou Dalva. A família, moradora de Buritama, no interior de São Paulo, teve de desembolsar R$ 450.
 
Segundo a aposentada, a justificativa dada pela unidade de saúde para a demora no agendamento do exame era de que os equipamentos estavam quebrados e a fila de espera era muito grande. Segundo os dados do Datasus, são 153 aparelhos de eletroencefalograma fora de uso em todo o Brasil.
 
Investimentos
Questionado sobre o número de equipamentos fora de uso na rede pública, o Ministério da Saúde informou que os aparelhos inutilizados representam 4,7% do total e, embora a manutenção regular dos equipamentos seja de responsabilidade dos gestores de cada hospital, o governo federal investe na melhoria da infraestrutura tecnológica de atendimento.
 
De acordo com o ministério, só na estrutura de serviços oncológicos foram repassados, no ano passado, R$ 38,3 milhões para a compra de equipamentos. No mesmo período, o governo federal investiu R$ 1,8 bilhão em aparelhos de atenção básica e especializada, valor 51% maior que o aplicado em 2013.
 
A pasta afirma ainda que, além dos repasses, "realiza compra direta, centralizada, de equipamentos, visando a melhor distribuição e o reforço de determinados serviços no país". Entre as ações recentes, a pasta destaca a aquisição de 80 aparelhos de radioterapia. (Colaboraram Chico Siqueira e Naira Hofmeister, especiais para AE. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
 
UOL

Processo Seletivo INCA 2016 está com inscrições abertas

ensino2016Estão abertas, até o dia 21 de setembro, as inscrições para o processo seletivo INCA 2016 para Programas de Residência Médica, Residência Multiprofissional em Oncologia, Residência em Física Médica e cursos de Educação Profissional Técnica de Nível Médio (especialização em Enfermagem Oncológica, especialização em Radioterapia e formação em Citopatologia)

São ofertadas 150 vagas.
 
As inscrições podem ser feitas pela internet .
 
Será cobrada taxa de inscrição no valor de R$ 50 para os cursos de Nível Médio e R$ 200 para os Programas de Residência.

Para mais informações, confira os editais dos cursos.
 

Fibrose Cística: tratamento correto controla a doença e melhora a qualidade de vida

O Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística foi lembrado neste sábado, 5. Especialistas alertam para a necessidade de se realizar o correto diagnóstico da doença, que não tem cura, mas que pode ser controlada com tratamento multidisciplinar
 
O diagnóstico precoce, realizado com o Teste do Pezinho, ajuda a conter os sintomas e a melhorar a qualidade de vida do paciente.
 
O Teste do Pezinho deve ser feito entre o 3º e 5º dia após o nascimento da criança. O exame é simples, realizado com a coleta de gotinhas de sangue do calcanhar do recém-nascido – daí o nome. A Portaria nº 822 de 2001, do Ministério da Saúde, instituiu, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), que obriga hospitais públicos e particulares a realizarem o exame.
 
A Fibrose Cística é uma doença genética que não tem cura. Ela se manifesta, principalmente, no aparelho respiratório e no pâncreas. O tratamento é realizado com uma equipe composta por profissionais de saúde de várias especialidades, como médicos (geralmente pneumologista e gastroenterologista), enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas.
 
Desde de 2008, o Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Complexo HUPES), em Salvador (BA), conta com o Ambulatório Multidisciplinar de Fibrose Cística. Segundo a coordenadora do ambulatório, a professora Edna Lúcia Souza, é importante conscientizar os profissionais de saúde sobre a doença para que eles saibam dar os devidos encaminhamentos no caso de suspeita de Fibrose Cística. “Caso o resultado do Teste do Pezinho dê alguma alteração, é preciso repetir o exame até o 30º dia de nascimento da criança”, explicou a professora.
 
Embora o PNTN esteja instituído desde 2001, alguns estados demoraram a implementar a realização dos exames. Na Bahia, por exemplo, só em 2013 foi iniciada a triagem neonatal para Fibrose Cística. Com isso, segundo o pneumologista Antonio Carlos Moreira Lemos, do Complexo Hupes, “a Fibrose Císitica tem sido diagnosticada na idade adulta, apesar dos pacientes desenvolverem os sintomas desde a infância”. Por isso, há uma preocupação maior em identificar pacientes com este quadro que nasceram antes daquele ano.
 
No caso de crianças que não fizeram o Teste do Pezinho, as alternativas para o diagnóstico da Fibrose Cística são o Teste do Suor e o Teste Genético. As manifestações clínicas são variáveis, por isso a correta identificação da doença é fundamental para iniciar o tratamento. “É importante conscientizar a sociedade sobre a Fibrose Cística e investir no tratamento para reduzir os casos de internação”, disse a professora Edna Lúcia.
 

Fonte: Com informações do Complexo Hupes

Fotos: rs.gov.br

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