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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Tipo de açúcar impede que câncer se espalhe

O benefício da fucose foi constatado em ratos e células de pacientes acometidos pelo melanoma, um tumor de pele com alto índice de metástase. A substância promissora é produzida pelo corpo humano e também existe em peixes e algas marinhas

A alta possibilidade de metástase faz com que o melanoma seja um dos cânceres de pele que demandam mais atenção. Quando as estruturas doentes se espalham para outras partes do corpo, a doença se torna praticamente incurável. Cientistas dos Estados Unidos apostam na ação de um tipo de açúcar para impedir essa complicação fatal. Testada em ratos, a fucose — produzida pelo corpo humano e também presente em algas marinhas e peixes — reduziu a migração de substâncias malignas. A descoberta, publicada neste mês na revista Science Signaling, abre as portas para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra esse tipo de carcinoma.

O trabalho surgiu com base em investigações anteriores sobre mecanismos ligados à metástase. “Realizamos previamente um estudo de expressão gênica para identificar o que regulava e selecionava a fucose. Chegamos ao ATF2. Era de interesse estudar esse gene, uma vez que previmos que ele poderia ser importante para a metástase do tumor, dado o seu papel em fucosilação, um processo que pode afetar a adesão celular e a migração das células”, detalha ao Correio Ze’ev Ronai, professor e pesquisador do Sanford-Burnham Medical Research Institute.

A metástase ocorre quando existe um defeito nas células cancerígenas, impedindo que ocorra a fucosilação, o mecanismo que permite que as estruturas doentes fiquem unidas. Soltas, as partes cancerígenas se espalham pelo corpo. Os pesquisadores comprovaram essa teoria ao analisar tecidos tumorais de pacientes com e sem metástase. Perceberam que havia fucolização reduzida nos integrantes do primeiro grupo. Com base nesses dados, partiram para um experimento com ratos com melanoma, que receberam água suplementada com fucose. “Utilizamos nesse estudo a L-fucose, uma forma modificada do açúcar para podermos usá-lo na água”, explicou o autor. A terapia interferiu positivamente nas taxas de dispersão dos tumores. “O nosso estudo demonstra que a adição de L-fucose na água potável reduziu a metástase do melanoma em até 40%”, comemora Ronai.

Carlos dos Anjos, especialista em câncer de pele do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, unidade Brasília, avalia que os investigadores da instituição norte-americana conseguiram mostrar como ocorre a metástase. “Eles mostraram, de maneira elegante, que existem algumas alterações na genética da célula tumoral que fazem com que ela não consiga realizar a fucosilação adequadamente, permitindo que se espalhe”, explica.

Segundo Anjos, a falta desse processo químico também atrapalha o sistema imune a lutar conta a doença. Mas, para o especialista, o ponto alto do trabalho é a criação de uma estratégia de contenção do problema que promete eficácia. “Ao pegar essas células e colocar o açúcar, ou ao mexer na ‘maquinaria’ ligada a esse processo, eles conseguiram corrigir o efeito tanto nos ratos quanto em células humanas in vitro. Com isso, as chances para a metástase foram reduzidas”, completa.

Novas etapas
Anjos explica que a fucose é um açúcar existente em praticamente todos os animais, só que fica em locais específicos das células. Segundo o especialista, a opção de utilizar a versão encontrada em algas marinhas e peixes é mais delicada. “Precisamos deixar claro que não existem evidências desse mesmo efeito em humanos. Por isso, está muito cedo para dizer que poderia ser usada em tratamentos. Trata-se apenas de uma hipótese futura. Não quer dizer que, ao consumir o açúcar, a pessoa esteja se protegendo”, alerta.

Os autores também reforçam que a pesquisa precisa de mais etapas até que os resultados comecem a ser usados clinicamente. “Vamos precisar realizar mais estudos em diferentes modelos de ratos e avaliar a eficácia para, depois, partirmos para os humanos”, destacou Ronai. O estudioso adianta quais perguntas precisarão ser respondidas nos próximos experimentos. “Queremos identificar vias complementares dentro da glicosilação de proteínas que possam permitir aumentar o impacto global nas metástases de tumores e ser combinadas com a L-fucose”, adianta.

Aposta nos efeitos da imunoterapia
As medicações que ajudam o sistema imune de um paciente a lutar contra determinada doença têm ação semelhante à das vacinas. Segundo especialistas, elas também estimulam os mecanismos de defesa do organismo. O uso do sistema imunológico para curar doenças é uma estratégia conhecida há décadas, mas os resultados positivos vindos dessa técnica começaram a surgir recentemente.

No Brasil, foi aprovado, em 2012, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso da medicação imunoterápica ipilimumab para tratar pacientes com melanoma. Pesquisas atestam a redução de tumores na pele em pacientes que utilizaram o remédio e não haviam respondido a outras terapias. Experimentos realizados nos Estados Unidos e na Europa também compararam a ação do ipilimumab com outra droga, a nivolumab, resultando em efeitos promissores.

Para o especialista em câncer Carlos dos Anjos, as pesquisas na área de imunoterapia têm grandes chances de trazerem resultados que serão úteis ao combate a carcinomas na pele. “A área mais inovadora que existe na oncologia atual e que começou em pesquisas sobre melanoma são os tratamentos com base na imunoterapia, no qual melhoramos a qualidade do sistema imune para ele atacar as células tumorais, promovendo uma melhora do corpo”, destaca.

O especialista também acredita que o tratamento detalhado na revista Science Signaling, caso progrida, servirá como possibilidade de terapia para outras enfermidades. “Isso pode ajudar o mecanismo de outros tumores ligados à pele. É claro que precisa ser investigado, mas é bem provável que exista essa relação. Caso evolua para exames clínicos, podemos ter a esperança do uso da fucose assim como outras drogas que já utilizamos hoje em dia”, completa.

Foto: Reprodução

Correio Braziliense

Estudo constata que cérebro de homens e mulheres age de forma distinta na hora de se localizar

Pequena dose de testosterona altera a maneira feminina de se orientar

A cena é muito comum em viagens. Perdido, um casal tenta se localizar nas ruas de uma cidade estranha, e logo surge o estresse: homem e mulher discordam sobre que direção seguir e até mesmo qual é a melhor estratégia para achar o caminho de volta para o hotel. A diferença constatada no dia a dia acaba de ganhar uma explicação da ciência. Em um estudo no qual monitoraram o cérebro de voluntários enquanto eles realizavam tarefas que exigiam orientação espacial, pesquisadores noruegueses notaram que as mentes masculina e feminina funcionam de maneira diferente nessas horas. E, surpreendentemente, o desempenho das participantes do estudo apresentou melhora quando elas receberam uma pequena dose de testosterona, o hormônio masculino.

A equipe responsável pela pesquisa, do Departamento de Neurociência da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (UNCT), se dedica há alguns anos a identificar diferenças significativas no comportamento dos dois sexos. De acordo com os especialistas, trabalhos anteriores mostraram mudanças na forma de agir em mulheres que ingerem uma dose extra do hormônio. "Alguns estudos indicam que a testosterona em mulheres saudáveis pode melhorar habilidades espaciais, mas isso só foi investigado por rotação mental e memória de localização de objetos, não para a navegação espacial", explica ao Estado de Minas Carl Pintzka, médico e coautor do trabalho.

Na nova análise, os cientistas pediram que 18 homens e 18 mulheres estudassem o desenho de um labirinto. Depois, em frente a uma tela de computador, tinham de navegar pela estrutura virtual em diferentes exercícios de 30 segundos de duração. Como resultado, os cientistas observaram que os homens resolveram 50% a mais de exercícios do que as mulheres. Já a ressonância magnética mostrou que as áreas do cérebro usadas durante as tarefas diferiam entre os sexos. Os homens usavam mais o hipocampo e recorriam a direções cardeais em maior grau, enquanto as mulheres mostraram maior atividade nas áreas frontais do cérebro. "Isso está em sincronia com o fato de que o hipocampo é necessário para fazer uso das direções cardeais. São estratégias diferentes de navegação, que exigem áreas distintas do cérebro" destacou Pintzka.

Na segunda etapa do experimento, os noruegueses testaram o efeito da testosterona sobre as mulheres. Um grupo de 42 voluntárias que não haviam participado da primeira fase foi dividido em dois: o primeiro recebeu uma gota de testosterona sob a língua, e o segundo, placebo. O estudo foi duplo cego, ou seja, nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam qual das substâncias havia sido ingerida por cada voluntária. "Descobrimos que as mulheres que receberam testosterona apresentaram mais noção sobre a direção entre pontos de referência, um traço que se mostrou previamente melhor em homens", conta o pesquisador. "Além disso, as que receberam o hormônio tiveram atividade superior no lobo temporal medial, incluindo o hipocampo", destacou o autor.

Para Fívia Lopes, coordenadora do Programa de Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), os resultados são interessantes. "O uso de testosterona, como demonstrado na pesquisa, mesmo com algumas ressalvas apresentadas pelos próprios autores, pode favorecer um melhor desempenho de mulheres em atividades espaciais" diz. "O mais interessante, contudo, foi as mulheres utilizarem mais estratégias masculinas, com reflexo inclusive na ativação de áreas específicas do cérebro, apesar de, conscientemente, não perceberem isso, como mostrou o questionário que elas responderam após o teste", completa a especialista, que não participou do estudo.

Evolução De acordo com os cientistas, as diferenças identificadas podem ser explicadas pela evolução humana. "Nos tempos antigos, os homens eram caçadores, e as mulheres, coletoras. Portanto, nossos cérebros provavelmente evoluíram de forma diferente. Por exemplo, outros pesquisadores têm documentado que as mulheres são melhores em encontrar objetos do que os homens. Em termos simples, as mulheres são mais rápidas em achar coisas dentro de casa, e os homens são mais ágeis em encontrar a casa", revela Pintzka.

Fívia Lopes também acredita que a diferenciação observada no estudo possa estar ligada à evolução. "Nosso sistema nervoso, como qualquer estrutura que compõe nossa biologia, passou por um processo evolutivo. Foram selecionados os indivíduos que melhor se adequaram às pressões enfrentadas em nosso ambiente ancestral. Pensando assim, podemos supor, tendo como referência também tribos de caçadores-coletores da atualidade, que na própria organização social da nossa espécie havia uma separação de atividades desempenhadas por homens e por mulheres", analisa.

A brasileira ressalta, contudo, que não existe superioridade de nenhum sexo. "Falar em diferenças não pode ser confundido com um reforço à já ultrapassada guerra dos sexos: ser diferente ou ter o melhor desempenho em uma atividade não quer dizer que um dos sexos é melhor que o outro. É melhor naquela atividade, com determinadas estratégias", frisa. "Especificamente sobre habilidades espaciais, um melhor desempenho masculino pode estar associado ao tipo de estratégia utilizada pelos homens para se orientar no ambiente. As mulheres podem chegar ao mesmo resultado usando, porém, estratégias distintas", acrescenta.

Auxílio Segundo os cientistas responsáveis pela pesquisa, entender como funciona a localização espacial em cada sexo pode ajudar diversas áreas, inclusive o estudo de doenças neurológicas. "Quase todas as enfermidades relacionadas com o cérebro são diferentes em homens e mulheres, quer no número de pessoas afetadas, quer na gravidade", lembra Carl Pintzka.

O autor também destaca que os resultados do experimento podem ajudar a compreender melhor como uma das enfermidades neurodegenerativas mais frequentes em mulheres ocorre. "Sabemos que o dobro de mulheres, em comparação com os homens, são diagnosticadas com a doença de Alzheimer. Pode haver algo relacionado a hormônios sexuais que as prejudiquem. Esperamos, portanto, ao compreender como homens e mulheres usam diferentes áreas do cérebro e estratégias para navegar, melhorar a compreensão do desenvolvimento da doença, levando a estratégias de enfrentamento para pessoas já afetadas", frisa.

Correio Braziliense

Remédios sem receita: dipirona, paracetamol e antiácidos podem prejudicar fígado, rim e levar à morte

Uso indevido desses medicamentos pode transformar em problema o que seria uma solução

Uma dor de cabeça, uma noite de tosse, uma febre repentina. Esses e outros motivos corriqueiros levam muitas pessoas a buscarem medicamentos que não exigem receita para solucionar tais incômodos. A ideia é aliviar sintomas de maneira prática e rápida. Mas, se ingeridos de forma errada, esses remédios, que seriam uma solução, podem trazer sérios problemas para a saúde dos pacientes.

O acompanhamento de um médico, principalmente em relação à dosagem, continua a ser necessário, conforme afirma Paulo Picon, consultor do comitê de medicamentos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Ele defende uma limitação legal para a venda desses produtos, mesmo ela sendo uma maneira de reduzir filas e a sobrecarga de profissionais em um sistema de saúde saturado.

— A recomendação é usá-los com moderação. O paciente nunca deve tomar este tipo de remédio por mais de dois dias sem orientação médica. Deve usar a menor quantidade possível, para aliviar uma dor e não para ficar repetindo o seu uso.

Picon, que é cardiologista, explica de que maneira a comercialização livre pode gerar graves complicações, também alimentadas por uma leitura ineficiente da bula e de recomendações de uso. Segundo ele, o famoso paracetamol (Tylenol, Trimedal, Sonridor, entre outros), comprimido de 750 mg, pode ser eficiente se tomado na dose certa. Mas, com uma dosagem um pouco maior, já se torna perigoso.

— 1,5g equivale a dois comprimidos. A ingestão de 7g do paracetamol, o que não é muito mais do que isso, pode gerar necrose hepática, uma doença gravíssima do fígado.

Em relação à dipirona (Doril, Novalgina, Anador, Neosaldina e Dorflex, entre outros), Picon ressalta que o uso sem receita não é permitido em vários países da Europa e nos Estados Unidos, por causa do risco, extremamente raro, de causar anemina aplástica, a forma mais grave das anemias, independentemente da dose.

— É um fenômeno que atinge um entre 50 mil, mas pode levar à morte, a medula ósse para de fabricar células vermelhas e brancas. Alguns países foram bastante criteriosos. Mas em outros, como o Brasil, se compra dipirona em qualquer farmácia e sem limite de quantidade.

Limitação nas vendas
Há ainda riscos consideráveis com o uso indevido de antiácidos e laxantes, de acordo com a explicação de Picon. — Antiácidos em excesso podem causar cálculos renais. Quase 85% da população tem azia e é muito comum o uso desse produto. Com utilização inadequada de laxantes, o intestino se acomoda e não funciona naturalmente, causando uma espécie de dependência para que ocorra o funcionamento.

Por tudo isso, ele considera que deveria haver uma limitação na venda de qualquer tipo de medicamento, citando o exemplo de países europeus.

— Na Europa se pode comprar antiinflamatórios em quantidades pequenas, 10, 12, 14 comprimidos por pessoa. Depois disso a farmácia não pode vender. É papel da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) controlar, mas ela deveria também limitar o número de comprimidos por comprador. Se libera, o uso é sem critério.

Ao site do senado federal, o clínico geral Alfredo Salim Helito, do Hospital Sírio-Libanês, diz que esse tipo de automedicação também é prejudicial para o controle e tratamento dos efeitos colaterais.

— (O paciente) não saberá quais as atitudes a serem tomadas para conter o problema. Por isso, a necessidade do médico. É ele quem tem condições de orientar o paciente quanto a todas essas questões. Além disso, se automedicar subentende-se se autodiagnosticar, o que também é um problema.

Compensações e perdas
Desde 1972, quando a FDA, agência americana responsável pelo controle da alimentação, começou a listar esse tipo de produto, mais de 300 mil remédios passaram a ser comercializados nas farmácias dos Estados Unidos. Os medicamentos isentos de receita podem compensar por um lado o custo da Saúde para os governos.

Uma estatística divulgada pelo The New York Times mostra que, em 2014, US$ 44 bilhões foram gastos pelos consumidores americanos neste produto. Isso proporcionou uma economia de algo perto de US$ 102 bilhões a Saúde no país.

Mas, por outro, se o uso inadequado levar a outras doenças, irá aumentar esse custo. A Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas), informa que, a cada ano, cerca de 20 mil pessoas morrem, no Brasil, vítimas da automedicação, em que estão incluídos os fármacos isentos de receita, como colírios e descongestionantes.

Já em pesquisa do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), da Fundação Oswaldo Cruz, os medicamentos são a causa de 28% de todas as notificações de intoxicação. Quando isso ocorre, Helito faz um alerta.

— A quantidade e variedade de problemas que podem resultar da intoxicação por medicamentos é tão grande que o único conselho apropriado é procurar imediatamente um médico ou um pronto-socorro. Quando o medicamento é prescrito pelo médico, o mesmo orienta o paciente a respeito dos possíveis sintomas da intoxicação pelo medicamento e o que fazer caso eles ocorram. Apesar da mesma qualidade, remédio de marca custa até 4 vezes mais que genérico Automedicação e uso incorreto de remédios podem levar à morte

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o número de farmácias ideal em um país é o de uma a cada 8 mil habitantes. No Brasil, há pelo menos uma para cada três mil, além das ofertas de medicamentos em feiras livres e pela Internet.

Um número acima de 12 mil substâncias está disponível no mercado brasileiro, espalhados em 32 mil rótulos de remédios. A OMS recomenda um limite de 300 rótulos ou 6 mil substâncias como a quantidade média suficiente para lidar com as doenças da população, em cada país.

R7

Overdose: os perigos do consumo excessivo de cafeína

Considerada por muitos uma "fiel companheira" para combater o cansaço, a cafeína também pode ser vilã. Quando ingerida em quantidades exageradas, a substância pode causar danos graves à saúde ou até mesmo ser fatal

O Japão recentemente registrou sua primeira morte causado por overdose de cafeína. A vítima era um homem de 20 anos que trabalhava em um posto de gasolina no turno da madrugada.

Com base em análises, as autoridades de saúde japonesas informaram que a vítima faleceu porque ingeria grandes quantidades de bebidas ricas em cafeína para se manter acordado.

Segundo a agência de notícias Kyodo, a autópsia, realizada pela Universidade de Fukuoka, não conseguiu determinar a quantidade de cafeína ingerida, nem o período de tempo levado para que o consumo tivesse esse efeito letal.

O caso é inédito no Japão, mas não é tão raro em alguns outros lugares do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, já foram registradas pelo menos dez mortes causadas por excesso de cafeína.

Os casos que mais chamaram a atenção ocorreram em maio e julho do ano passado e causaram preocupação no país.

As vítimas foram adolescentes: Logan Stiner, de Ohio, de 18 anos, e Lanna Hamann, do Arizona, de 16.

Os médicos que analisaram o corpo de Stiner detectaram 70 miligramas de cafeína por mililitro de sangue.

As autoridades internacionais de saúde advertem que 50 miligramas por ml de sangue já são suficientes para provocar uma morte.

Já Hamann sofreu uma parada cardíaca e faleceu depois de ingerir uma grande quantidade de bebidas energéticas durante as férias que passou no México, segundo o que relatou a mãe dela à rede americana CBS.

Os casos de morte causadas por consumo excessivo de cafeína não são muito frequentes, mas a partir de que dose esse alcaloide que estimula o sistema nervoso pode se tornar perigoso?

Doses recomendadas
Segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentícia (EFSA, na sigla em inglês), uma dose entre 75 mg e 300 mg de cafeína ao dia pode ajudar a melhorar o rendimento de atividades físicas e intelectuais.

Isso equivale a tomar de meia a três xícaras de café por dia.

No caso dos adolescentes, a quantidade não deveria ultrapassar os 100 miligramas por dia.

Quantidades superiores a essa podem causar irritação, insônia e até complicações cardíacas.

Mas quando exatamente se pode falar em overdose de cafeína?

Chás, cafés, energéticos...todos contêm cafeína e devem ser consumidos com cautela

Excessos
De acordo com a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês), os sintomas de overdose de cafeína podem incluir o pulso acelerado ou perigosamente irregular.

Pessoas que ficam intoxicadas por essa substância podem ter os seguintes sintomas: vômito, diarreia, letargia – diminuição da atividade das funções intelectuais, acompanhada de uma sensação de desorientação.

Nos casos mais extremos, a agência adverte que a overdose de cafeína pode provocar a morte – mas ressalta que esses casos são mais raros.

Segundo a FDA, é preciso ter cautela no consumo de qualquer bebida ou comida que contenha cafeína, mas há um produto em particular que merece atenção especial.

Se trata da cafeína pura em pó, que é vendida como suplemento para atletas.

Na internet, é possível adquirir um desses pacotes de 100 gramas por cerca de US$ 6 (R$ 23).

Uma marca em particular, que vende esse produto online, garante que ele "ajuda a diminuir a fadiga física, a melhorar a claridade do pensamento e a capacidade de concentração, aumenta a coordenação física, reduz a sensação de cansaço e é especialmente eficaz para atividades como levantar peso".

No entanto, a FDA alerta que esses produtos são 100% cafeína, e uma colher pequena desse pó já equivaleria a aproximadamente 28 xícaras de café.

"A cafeína pura é um estimulante poderoso e em pequena quantidade já pode causar uma overdose acidental", adverte a entidade.

Segundo a autópsia, foi isso que aconteceu com a jovem americana Logan Stiner – e, no caso dela, a overdose foi fatal.

Quantidade de cafeína em bebidas e outros produtos
  • Uma xícara normal de café contém 260 mg de cafeína
  • Um quarto de litro de chá preto contém entre 30 mg e 80 mg
  • Uma lata de energético Red Bull tem 80 mg
  • Uma barra de chocolate amargo tem 20 mg
  • Um comprimido para enxaqueca ou gripe pode chegar a conter 130 mg
Foto: Reprodução

BBC Brasil / R7

Mulher fica em coma e perde a memória por causa de mau uso de absorvente interno

Deborah Usher ficou uma semana em coma induzida por causa do mal uso de absorvente interno A britânica Deborah Usher está recuperando sua memória aos poucos e tem a esperança de não perder as lembranças do Natal deste ano alguns dias após o evento

Em 2011, Deborah Usher ficou em coma por uma semana devido a síndrome de Choque Tóxico, uma doença potencialmente fatal causada por bactérias. Quando a britânica acordou, havia perdido a capacidade de se lembrar de eventos semanas depois deles acontecerem, além de perder a habilidade de andar por quase dois meses. As informações são do site do jornal britânico “The Mirror”.

Tudo isso foi causado pelo mau uso de um absorvente interno. Ela usava um absorvente extra grande durante todo o período de menstruação. Deborah achou que estava gripada, mas dias depois, foi internada e ficou em coma induzida.

Quatro anos depois da síndrome, a memória de Deborah está finalmente se recuperando. Das datas importantes deste ano, ela já consegue se lembrar do aniversário de 8 anos de seu único filho, Joshua, três meses depois de ter acontecido. Sua esperança agora é ser capaz de se recordar das comemorações natalinas.

“Depois que acordei do coma, todas as memórias que tinha desapareceram. Não consigo me lembrar nem do presente que comprei para Joshua até que ele o abra. Esse ano espero ser capaz de lembrar de todos os momentos especiais do Natal, como meu filhos abrindo os presentes e colocando a estrela em cima da árvore.”, conta Deborah ao site britânico. 

Cuidados com absorvente interno
Fabricantes deste tipo de produtos alertam para o uso correto. A orientação é trocar o absorvente de 4 em 4 horas e não usá-lo por um período maior a 8 horas. O produto também não deve ser usado fora da menstruação.

Foto: Reprodução/Mirror

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