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quarta-feira, 30 de março de 2016

Resistência a Antibióticos: uma grande ameaça que vai bater na nossa porta


O mundo encontra-se diante de uma grave ameaça na área de Saúde nos próximos anos que pode ser muito maior que as epidemias de Ebola e Zika Vírus juntas as quais nos incomodaram bastante nos últimos anos

Essas epidemias não chegam nem a uma “pequenina cócega” no volume de pessoas que podem morrer no mundo devido a essa nova ameaça que é de aproximadamente 10 milhões de pessoas em 2050 segundo a organização britânica Review on AntiMicrobial Resistance (AMR) [1] (a propósito, o Governo britânico está muito preocupado com esse inimigo e está investindo muito no seu combate.)

Essa ameaça é conhecida como “Resistência a Antibióticos” (em inglês “Antibiotic Resistance” [2]) ou como “Resistência Antimicrobiana” (ou “Antimicrobial Resistance” [3]).

Para enfrentar esse “grande inimigo”, o mundo tem que se unir conclamando diversos “stakeholders” que devem ser capitaneados pelos Governos dos países. Evidente que, os Governos com a maiores economias terão uma maior influência nesse cenário.

Os EUA e o Reino Unido já deram a largada como veremos aqui pois essa ameaça se não for bem endereçada provocará um grande rombo nos orçamentos públicos e privados de saúde. Além de vidas humanas que serão colocadas em risco, ela terá um gigantesco “viés” econômico.

Uma das armas que as Organizações de Saúde têm para enfrentar essa nova ameaça é fazer um melhor planejamento da “administração dos antibióticos” (ou em inglês “antibiotic stewardship” [4]) para os seus pacientes. Conheça também o que o Governo americano está fazendo nessa área através do CDC (“Center for Disease Control and Prevention”) [5]. Os cientistas já estão trabalhando para combater as “superbactérias” [5.a] depois do anúncio da descoberta da “superbactéria” pelos cientistas chineses [5.b].

Desde 1928 quando Alexander Flemming descobriu a penicilina, o primeiro composto químico com poderes de antibiótico [6], esse medicamento juntamente com a vacinação tem revolucionado a medicina do século XX.

Nos 65 anos seguintes, os antibióticos têm curado milhões de pessoas de doenças infecciosas, mas utilização deles de forma indiscriminada e em quantidades gigantescas, com pobres mecanismos de controle, colocou-nos diante de uma nova – e gravíssima – ameaça: as bactérias resistentes aos medicamentos (ou superbactérias).

A consequência disso é que teremos pessoas com resistência aos antibióticos (ou “antibiotic resistance”) [7]. O que isso significa? A resistência aos antibióticos ocorre quando as bactérias mudam para se proteger de um antibiótico. Elas ficam, então, insensíveis a esse antibiótico.

Quando isso acontece, os antibióticos, que anteriormente teriam eliminado as bactérias ou impedido delas se multiplicarem, não funcionarão mais. Isso vai provocar o uso de antibióticos cada vez mais caros para tratar os mesmos pacientes e, levando-se ao extremo, podem causar muitos óbitos. As principais causas do aumento da resistência ao uso indiscriminado de antibióticos podem ser vistas aqui [8].

Atualmente, cerca de 70% dos antibióticos clinicamente importantes nos EUA são dados não para as pessoas, mas para os animais (p. ex., frangos, suínos e bovinos) para estimular o crescimento deles. A proporção global usada na agricultura é difícil de calcular, mas a organização britânica AMR avalia em pelo menos a metade.

Atualmente as evidências científicas já nos mostram uma ligação entre o uso de antibióticos na agricultura e a resistência a infecções nas pessoas e, é evidente que nós estamos a absorvendo riscos inaceitáveis. O uso dos antibióticos para promover o crescimento de animais na agricultura deve ser banido o mais rápido possível [9].

A realidade do uso indiscriminado de antibióticos tem aumentado de forma representativa o custo do tratamento dos pacientes podendo onerar substancialmente as operadoras privadas de saúde e os governos.

E para vermos como esse assunto é sério veja algumas considerações sobre o tema no mundo, a saber:

1 - Quantos americanos serão infectados a cada ano com “superbactérias”, resultando em 23.000 mortes segundo o CDC? [10] Resposta: 2 milhões

2 - Quantas pessoas no mundo são estimadas morrer por “superbactérias” em 2050 segundo a AMR britânica? [11] Resposta: 10 milhões

3 - Quantas infecções complexas provocadas pela bactéria “Clostridium Difficile” existiram nos EUA em 2011, com 15.000 mortes atribuídas a ela segundo o CDC? [12] Resposta: 500.000

Nota: A bactéria “Clostridium Difficile” é uma das maiores ameaças que existem na categoria de resistência a antibióticos segundo o CDC americano [13].

Quantos casos de tubercolose resistente a multidrogas ocorreram em 2013 segundo a Organização Mundial de Saúde? [14] Resposta: 480.000

Esse inimigo não é fácil enfrentar. Entendemos que as principais “armas” a serem utilizadas nessa guerra devem municiar Governos e Prestadores de Serviços de Saúde.

Destacando alguns exemplos de ações temos:

[a] para Governos:

1) maior controle do uso de antibiótico nos alimentos (ver [15] do CDC);

2) um melhor planejamento da “administração dos antibióticos” nos órgãos públicos de saúde (ver [15] do CDC);

3) criações de novos protocolos para a comercialização e controle de antibióticos; 4) conscientização da população e

[b] para Prestadores de Serviços de Saúde:

1) um melhor planejamento da “administração dos antibióticos” nos órgãos privados de saúde (ver [16] do CDC).

De acordo com o FDA dos EUA, as vendas e a distribuição de antibióticos para uso na pecuária anualmente aumentaram entre 2013 e 2014, apesar dos esforços dos reguladores para limitar o uso de tais medicamentos exclusivamente para o tratamento de doenças.

Durante anos, os especialistas em saúde têm alertado para o uso excessivo dos antibióticos existentes à medida que poucos novos antibióticos são desenvolvidos.

Existem em torno de 2 milhões de casos por ano de residentes dos EUA adquirindo infecções que são resistentes aos antibióticos, de acordo com o CDC americano. Isso resulta em 23.000 mortes anuais como vimos acima [17].

No início de 2015, a Casa Branca divulgou um plano de cinco anos para combater a ameaça de bactérias resistentes a antimicrobianos com foco na prevenção e contenção de surtos de infecção resistentes aos medicamentos [18].

Esperamos que a mensagem contida nessa matéria sirva de alguma forma para “alertar” aos gestores de saúde pública e privada no Brasil. Existe um grande trabalho a ser feito. Urge que “arregacemos logo as mangas”.

Referências:





















Saúde Business

terça-feira, 29 de março de 2016

Lista de Hospitais que atendem os critérios de qualidade da ANS


Pela primeira vez a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou a lista de hospitais que atendem a lista de instituições que segue o critério de qualidade importante para o alinhamento do padrão de assistência prestada a população porque oferece uma maneira de o paciente acompanhar e avaliar o seu atendimento

Por Débora Manzano

Os três indicadores aplicados para critério são:

Acreditação
A acreditação é um procedimento de verificação externa dos recursos institucionais e dos processos adotados pelas instituições e mede a qualidade da assistência através de um conjunto de padrões previamente estipulados.


2. Índice de Readmissão Hospitalar
Mede a capacidade progressiva do prestador em ajudar as pessoas a se recuperarem de forma tão eficaz quanto possível a partir do índice de reinternação em até 30 dias da última alta. É utilizado como parâmetro para a qualidade assistencial.


3. Segurança do Paciente
Segundo a Resolução nº 36/2013 da Anvisa, todos os serviços de saúde abordados pela norma devem constituir núcleos de segurança do paciente. Por isso esse índice também apresenta a lista de hospitais com o núcleo cadastrado na Anvisa e a meta de cadastro dos hospitais que fazem parte da rede de assistência dos planos privados é de 100%.


O Fator de Qualidade aplica o índice de reajuste nos contratos entre os estabelecimentos e as operadoras de plano de saúde. O critério faz parte de um novo modelo de remuneração implantado para hospitais e profissionais que atendem na área da saúde suplementar. É utilizado quando não há negociação entre operadoras e prestadores e quando não há um índice previsto no contrato ou acordo entre as partes.

O Fator de Qualidade foi estabelecido pela Lei nº 13.003/2014 e regulamentado pela Instrução Normativa nº 61/201. Porém os critérios ainda não foram definidos e para a categoria de prestadores, laboratórios e clínicas as normas só serão aplicadas em 2017.

O Fator possui 3 níveis do valor do índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): 105%, 100% e 85%:

105% do IPCA – Possuem certificação máxima de qualidade emitida por instituições acreditadoras de serviços de saúde.

100% do IPCA – Índice intermediário é aplicado a hospitais não acreditados, mas que participam e cumprem critérios estabelecidos nos outros projetos de melhoria da qualidade em saúde desenvolvidos pela ANS.

85% do IPCA: Este índice se aplica aos hospitais que não atendem a nenhum desses critérios.

Saúde Business

segunda-feira, 28 de março de 2016

Mosquitos são capazes de transmitir 37 vírus no Brasil, aponta levantamento

O moaquito Aedes já é capaz de transmitir doenças comoEstudo mostra que a febre do Mayaro, a febre do Oropouche e a encefalite de Saint Louis podem ser transmistidas pelo Aedes

Após o vírus zika surpreender com sua rápida disseminação e possível associação com a microcefalia, especialistas brasileiros alertam para os riscos de outras doenças virais transmitidas por mosquitos, as chamadas arboviroses.

Nas últimas três décadas, mais que dobrou o número de arbovírus catalogados no Brasil. Segundo registros do Instituto Evandro Chagas, órgão referência em medicina tropical e vinculado ao Ministério da Saúde, já circulam no território nacional 210 arbovírus, ante 95 na década de 1980. Pelo menos 37 são capazes de provocar doenças em humanos e três deles chamam a atenção por já terem causado pequenos surtos em áreas urbanas.

Caracterizada por quadros febris altos e dores intensas de cabeça, a febre do Oropouche é outra arbovirose que já causa surtos localizados, sobretudo em Estados da região amazônica, até mesmo em bairros de capitais como Manaus e Belém. Transmitida por um mosquito conhecido como maruim, do gênero Culicoides, a doença já foi notificada nas últimas décadas em todas as regiões brasileiras, com exceção do Sul, e também não costuma levar à morte.Uma delas é a febre do Mayaro, doença com sintomas parecidos com os da chikungunya e transmitida por mosquitos do gênero Haemagogus, mesmo vetor da febre amarela silvestre. A arbovirose já foi registrada em vários Estados do Norte e Centro-Oeste. Os mais recentes dados epidemiológicos disponíveis no site do Ministério da Saúde mostram que, entre dezembro de 2014 e junho de 2015, foram 197 notificações distribuídas por nove Estados brasileiros. Não há registros de mortes provocadas pela doença, mas, assim como na chikungunya, os infectados podem permanecer com dores articulares por semanas ou meses.

Há ainda a encefalite de Saint Louis, doença transmitida principalmente por mosquitos silvestres do gênero Culex - o mesmo do pernilongo comum -, que pode causar comprometimento neurológico e já foi responsável por um surto em São José do Rio Preto, no interior paulista, em 2006.

De acordo com o virologista Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas e pesquisador participante do grupo que catalogou boa parte dos arbovírus no País, embora essas três doenças sejam transmitidas principalmente por insetos silvestres de diferentes gêneros, há experimentos científicos que já indicam que mosquitos Aedes também teriam capacidade de transmiti-las.

“No caso da febre do Oropouche, por exemplo, o Aedes nunca foi encontrado infectado na natureza, mas um estudo experimental em laboratório mostrou que ele pode ser vetor dessa doença e que seria um bom transmissor”, afirma o especialista.

Segundo Vasconcelos, o fato de os três vírus estarem presentes no Brasil há mais de 60 anos - eles foram isolados entre as décadas de 1950 e 1960 - sem terem causado epidemias de alcance nacional não permite dizer que nunca farão estragos. “Eu não quero ser pessimista, mas o zika passou 60 anos no mundo sem causar nenhum problema e vimos o que aconteceu (foi descoberto em 1947 na África). Não dá para dizer que esses três vírus não provocarão nenhum problema por já estarem no Brasil. Pode ser que nunca causem, mas é bom não duvidar”, diz o diretor do Instituto Evandro Chagas, que cobra mais pesquisas na área.

“Dos 210 arbovírus catalogados no Brasil, há esses 37 que já comprovamos que causam doença em humanos, mas, do restante, a maioria a gente desconhece completamente”, diz.

Foto: Reprodução

iG/Agência Brasil

CHN promove sua 1a jornada de transplante de medula óssea

O hospital é o centro de saúde privado que mais realiza esse tipo de procedimento no estado do Rio


Já estão abertas as inscrições para a 1a Jornada de Transplante de Medula Óssea (TMO) do CHN (Complexo Hospitalar de Niterói), a ser realizada no dia 14 de abril, das 8h45 às 17h30, no H Niterói Hotel, em Ingá, Niterói, Rio de Janeiro, com vagas limitadas.

Voltado para especialistas e profissionais da área, o evento tem como objetivo promover um debate sobre as principais atualizações e novas indicações, bem como os procedimentos técnicos, diagnósticos e terapêuticos no âmbito do TMO. Durante o evento, o hospital vai divulgar também seus resultados e seu planejamento de expansão.

“Nossa expectativa, já para este ano, é termos um aumento no número de pessoas com recomendação de transplante de medula, principalmente pelas novas indicações, como anemia falciforme, e pela possibilidade de pacientes antes sem doadores disponíveis terem acesso a um doador alternativo, ou seja, a utilização de doadores não aparentados. O CHN já está em processo de credenciamento para realizar esse tipo de transplante de doador não aparentado”, adiantou Márcia Garnica, infectologista do Programa de Transplante do CHN, uma das integrantes da comissão científica e organizadora do evento, ao lado dos médicos Maria Cláudia Rodrigues e Ricardo Bigni, responsáveis técnicos pelo TMO alogênico e autólogo do CHN, respectivamente.

Credenciado pelo Sistema Nacional de Transplante do Ministério da Saúde desde 2007, para a realização de transplante de medula óssea autólogo (com as células do próprio paciente) e, desde 2013, para o transplante alogênico (com células de um doador aparentado do paciente), o CHN já se destaca como a instituição de saúde que mais realiza esses tipos de procedimento no estado do Rio de Janeiro. Até o final do ano passado, foram totalizados 522 transplantes, sendo 480 autólogos e 42 alogênicos.

De acordo com a coordenadora do Programa de Transplante do CHN, Márcia Rejane Valentim, a unidade vai expandir também sua capacidade física até julho deste ano: “Atualmente, o setor dispõe de oito leitos voltados para os pacientes transplantados, e até o meio do ano, teremos mais 13 leitos. Na unidade dispomos de quartos com filtro HEPA, ou seja, temos controle do ambiente para diminuir os riscos de aquisição de infecção durante os períodos mais críticos de nosso paciente.”

Entre os especialistas que vão palestrar durante a jornada, destacam-se: Ângelo Maiolino, professor associado de medicina da UFRJ, membro do board of directors da International Myeloma Society – International Myeloma Working Group e membro da diretoria da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia; o Dr. Luiz Fernando Bouzas, diretor do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e coordenador do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome/MS); Márcio Nucci, professor associado do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ; a professora Clarisse Machado, responsável pelo Laboratório de Virologia do Instituto de Medina Tropical (IMTSP) da Universidade de São Paulo e membro do Council of the International Immunocompromised Host Society.

Imagem: Reprodução

Priscila Pais 
Assessoria de Imprensa
ppais@saudeempauta.com.br

sexta-feira, 18 de março de 2016

Hospital de Niterói promove curso gratuito para gestantes sobre Zika vírus

Estão abertas as inscrições para o curso de gestantes e pais, que acontecerá no CHN (Complexo Hospitalar de Niterói), no dia 19 de março, das 9h às 12h

O evento faz parte do projeto Dando à Luz, do hospital, cujo objetivo principal é apoiar, informar e promover a saúde materno-infantil. Nessa edição os temas serão: Saiba mais sobre o Zika Vírus e Nutrição no Primeiro Ano do Bebê.

O curso é gratuito e extensivo ao casal, mas as vagas são limitadas. Informações e inscrições no Centro de Estudos do CHN pelo telefone (21) 2729-1154. O hospital fica localizado na Rua La Sale, 12 – Centro – Niterói/RJ.

Foto: Reprodução

Priscila Paies
Assessoria de Imprensa
ppais@saudeempauta.com.br