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quinta-feira, 31 de março de 2016

Farmacêutico é preso por vender no DF remédios vencidos e fora da caixa

Polícia Civil chegou até o suspeito após receber denúncias anônimas. Ele também vendia antibióticos sem receita e estimulante sexual a granel

Um farmacêutico de 48 anos foi preso na última quinta-feira (17) suspeito de vender remédios vencidos e fora da caixa no Distrito Federal. A Polícia Civil chegou até o local, na quadra 403 de Samambaia, após denúncias anônimas.

O homem foi identificado como Carlos José de Oliveira. Com ele foram encontradas mais de cem cartelas de vários medicamentos vencidos.

O homem também vendia antibióticos sem receita e estimulante sexual a granel.

O farmacêutico vai responder por crime contra a relação de consumo.

A pena prevista é de dois a cinco anos de prisão.

Foto: Reprodução/Imagem Ilustrativa

G1

Oito em cada 10 hospitais não têm área para dengue

Fiscalização do TCE identifica a falta de locais para a hidratação de paciente picado pelo mosquito

Por: Lucilene Oliveira

lucilene.oliveira@diariosp.com.br

Os fiscais do TCE (Tribunal de Contas do Estado) visitaram 21 hospitais estaduais e AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) administradas por Organizações Sociais de Saúde e constataram que além do drama de estar doente, o paciente sofre com a desorganização dos centros médicos.

No mês que antecede o pico dos casos de dengue no estado, 80% dos hospitais não se preocuparam em preparar uma ala especializada para a hidratação das pessoas picadas pelo mosquito Aedes aegypti e infectadas com dengue, febre chikungunya ou o vírus zika.Apenas 20% dos hospitais organizaram um atendimento adequado para esse público.

Ao todo, 59 hospitais foram vistoriados das 9h às 13h de ontem por 120 fiscais do TCE. Além das 21 unidades da capital, os fiscais estiveram em 36 centros médicos no interior e outras dois em Santos, no litoral Sul do estado.

Os profissionais avaliaram os dados preliminares de atendimento, o maquinário das alas dos hospitais, o estoque de remédios, condições dos equipamentos e das salas em que os pacientes são acomodados, salários dos profissionais e a presença de empresas terceirizadas em atuação nas unidades.

Após a análise de todos os dados coletados, os 120 inspetores vão elaborar um relatório e apresentá-lo até esta quinta-feira (31).

OSSs receberam R$ 3,5 bi para gestão de hospitais em 2015
A fiscalização dos agentes do TCE (Tribunal de Contas do Estado) foi motivada para verificar se o atendimento prestado pelas OSSs (Organizações Sociais de Saúde), instituições do setor privado sem fins lucrativos, condiz com a cifra repassada pelo governo estadual. Somente no ano passado, foram destinados quase R$ 3,5 bi às entidades.

O relatório final dos 120 profissionais deve levar em consideração o valor empenhado para a aquisição de materiais, manutenção dos maquinários e o gasto médio para realizar o atendimento de cada paciente.

O modelo de gestão de entidades privadas de unidades de Saúde foi formalizado por uma lei ela estadual de 1998, e estabelece que as OSS não podem obter lucro com a gestão hospitalar.

Foto: Divulgação

Diário de São Paulo

Enfermeira italiana é presa pelo homicídio de 13 pacientes

Segundo acusações, Fausta Bonino aplicou injeções maciças de eparina (Foto: Reprodução/Twitter/IBTimes)Mortes aconteceram no hospital de Piombino, em Livorno. Segundo acusações, Fausta Bonino aplicou injeções maciças de heparina

Uma enfermeira italiana foi detida acusada de ser responsável pela morte de 13 pacientes internados no hospital de Piombino, na província de Livorno (centro da Itália), entre os anos de 2014 e 2015, informaram os Carabineiros.

As acusações contra Fausta Bonino, de 55 anos, são de "homicídio voluntário contínuo e agravado" de 13 pacientes internados por diferentes patologias no departamento de anestesia e reanimação do hospital.

A morte dos 13 pacientes aconteceu devido a injeções maciças de heparina, um anticoagulante muito usado nos hospitais para evitar as possíveis tromboses devido à inatividade dos pacientes.

Segundo as investigações dos Carabineiros, o fornecimento em massa de heparina -10 vezes mais do que normalmente utilizado- causava rápidas e irreversíveis hemorragias internas e a consequente morte dos pacientes.

Esses pacientes mortos são mulheres e homens de entre 61 e 88 anos, e o casos ocorreram entre 19 de janeiro de 2014 e 19 de setembro de 2015. Doze das mortes foram devido a hemorragias e outra por falha cardíaca.

Em nenhum dos pacientes, a heparina tinha sido prescrita e nenhum deles estava em estado terminal. Inclusive um dos casos foi o de uma pessoa hospitalizada pela ruptura do fêmur. A enfermeira foi detida na quarta-feira quando voltava de uma viagem a Paris com seu marido e foi levada ao centro penitenciário de Pisa, na região da Toscana.

Os veículos de imprensa italianos explicaram que a mulher passou por tratamentos por depressão, mas, por enquanto, não foram dados mais detalhes oficiais do que a levou supostamente a provocar estas mortes.

A investigação começou em meados de 2015 depois da denúncia de uma nova morte por hemorragia de um idoso no hospital de Piombino.

Segundo estas investigações, a detida sempre estava no turno quando se foi ministrada eparina nos pacientes que morreram posteriormente.

Foto: Reprodução/Twitter/B Times

G1

quarta-feira, 30 de março de 2016

Equipe que cegou pacientes em mutirão não esterilizou instrumentos

Médicos sequer lavaram as mãos ou trocaram aventais cirúrgicos. Mais de 20 pessoas ficaram cegas; Secretaria de SBC divulgou relatório

A equipe médica que realizou um mutirão de catarata em que mais de vinte pessoas ficaram cegas, não esterilizou instrumentos cirúrgicos, aponta o relatório da Secretaria da Saúde de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

O mutirão ocorreu no dia 30 de janeiro deste ano no Hospital de Clínicas Municipal. Segundo o relatório, médicos e enfermeiros do Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista não chegaram nem a lavar mãos ou trocaram aventais cirúrgicos.

A sindicância concluiu que dos 27 pacientes que fizeram a cirurgia, 22 tiveram endoftalmite, inflamação causada por uma bactéria que vem de uma única fonte de contaminação. Outros onze pacientes precisaram remover o globo ocular.

Um dos pacientes infectados morreu após a cirurgia. O aposentado Pelegrino Riatto, de 77 anos, teve uma parada cardíaca. Para a família, foi uma consequência da cirurgia nos olhos, já que por causa da infecção ele teve que ficar muito tempo sem tomar um remédio para evitar trombose.

Os primeiros pacientes foram os mais afetados, já que os instrumentos estavam contaminados antes mesmo do início das cirurgias.

Os familiares das vítimas se organizaram para processar o hospital.O grupo pretende entrar com uma ação pedindo indenização por danos morais, materiais e suporta para as famílias, além de medicamentos.

O advogado do Instituto de Oftalmologia, José Luís de Macedo, disse que não teve acesso ao laudo e, sem saber do conteúdo, não pode se manifestar.

O oftalmologista Paulo Augusto de Arruda Melo, da Universidade Federal Paulista, questiona a realização de cirurgias em larga escala, nos chamados mutirões. “Tem que se questionar a real necessidade de um mutirão de catarata numa cidade, num município desenvolvido encostado em São Paulo”, afirma.

Foto: Reprodução

G1

Resistência a Antibióticos: uma grande ameaça que vai bater na nossa porta


O mundo encontra-se diante de uma grave ameaça na área de Saúde nos próximos anos que pode ser muito maior que as epidemias de Ebola e Zika Vírus juntas as quais nos incomodaram bastante nos últimos anos

Essas epidemias não chegam nem a uma “pequenina cócega” no volume de pessoas que podem morrer no mundo devido a essa nova ameaça que é de aproximadamente 10 milhões de pessoas em 2050 segundo a organização britânica Review on AntiMicrobial Resistance (AMR) [1] (a propósito, o Governo britânico está muito preocupado com esse inimigo e está investindo muito no seu combate.)

Essa ameaça é conhecida como “Resistência a Antibióticos” (em inglês “Antibiotic Resistance” [2]) ou como “Resistência Antimicrobiana” (ou “Antimicrobial Resistance” [3]).

Para enfrentar esse “grande inimigo”, o mundo tem que se unir conclamando diversos “stakeholders” que devem ser capitaneados pelos Governos dos países. Evidente que, os Governos com a maiores economias terão uma maior influência nesse cenário.

Os EUA e o Reino Unido já deram a largada como veremos aqui pois essa ameaça se não for bem endereçada provocará um grande rombo nos orçamentos públicos e privados de saúde. Além de vidas humanas que serão colocadas em risco, ela terá um gigantesco “viés” econômico.

Uma das armas que as Organizações de Saúde têm para enfrentar essa nova ameaça é fazer um melhor planejamento da “administração dos antibióticos” (ou em inglês “antibiotic stewardship” [4]) para os seus pacientes. Conheça também o que o Governo americano está fazendo nessa área através do CDC (“Center for Disease Control and Prevention”) [5]. Os cientistas já estão trabalhando para combater as “superbactérias” [5.a] depois do anúncio da descoberta da “superbactéria” pelos cientistas chineses [5.b].

Desde 1928 quando Alexander Flemming descobriu a penicilina, o primeiro composto químico com poderes de antibiótico [6], esse medicamento juntamente com a vacinação tem revolucionado a medicina do século XX.

Nos 65 anos seguintes, os antibióticos têm curado milhões de pessoas de doenças infecciosas, mas utilização deles de forma indiscriminada e em quantidades gigantescas, com pobres mecanismos de controle, colocou-nos diante de uma nova – e gravíssima – ameaça: as bactérias resistentes aos medicamentos (ou superbactérias).

A consequência disso é que teremos pessoas com resistência aos antibióticos (ou “antibiotic resistance”) [7]. O que isso significa? A resistência aos antibióticos ocorre quando as bactérias mudam para se proteger de um antibiótico. Elas ficam, então, insensíveis a esse antibiótico.

Quando isso acontece, os antibióticos, que anteriormente teriam eliminado as bactérias ou impedido delas se multiplicarem, não funcionarão mais. Isso vai provocar o uso de antibióticos cada vez mais caros para tratar os mesmos pacientes e, levando-se ao extremo, podem causar muitos óbitos. As principais causas do aumento da resistência ao uso indiscriminado de antibióticos podem ser vistas aqui [8].

Atualmente, cerca de 70% dos antibióticos clinicamente importantes nos EUA são dados não para as pessoas, mas para os animais (p. ex., frangos, suínos e bovinos) para estimular o crescimento deles. A proporção global usada na agricultura é difícil de calcular, mas a organização britânica AMR avalia em pelo menos a metade.

Atualmente as evidências científicas já nos mostram uma ligação entre o uso de antibióticos na agricultura e a resistência a infecções nas pessoas e, é evidente que nós estamos a absorvendo riscos inaceitáveis. O uso dos antibióticos para promover o crescimento de animais na agricultura deve ser banido o mais rápido possível [9].

A realidade do uso indiscriminado de antibióticos tem aumentado de forma representativa o custo do tratamento dos pacientes podendo onerar substancialmente as operadoras privadas de saúde e os governos.

E para vermos como esse assunto é sério veja algumas considerações sobre o tema no mundo, a saber:

1 - Quantos americanos serão infectados a cada ano com “superbactérias”, resultando em 23.000 mortes segundo o CDC? [10] Resposta: 2 milhões

2 - Quantas pessoas no mundo são estimadas morrer por “superbactérias” em 2050 segundo a AMR britânica? [11] Resposta: 10 milhões

3 - Quantas infecções complexas provocadas pela bactéria “Clostridium Difficile” existiram nos EUA em 2011, com 15.000 mortes atribuídas a ela segundo o CDC? [12] Resposta: 500.000

Nota: A bactéria “Clostridium Difficile” é uma das maiores ameaças que existem na categoria de resistência a antibióticos segundo o CDC americano [13].

Quantos casos de tubercolose resistente a multidrogas ocorreram em 2013 segundo a Organização Mundial de Saúde? [14] Resposta: 480.000

Esse inimigo não é fácil enfrentar. Entendemos que as principais “armas” a serem utilizadas nessa guerra devem municiar Governos e Prestadores de Serviços de Saúde.

Destacando alguns exemplos de ações temos:

[a] para Governos:

1) maior controle do uso de antibiótico nos alimentos (ver [15] do CDC);

2) um melhor planejamento da “administração dos antibióticos” nos órgãos públicos de saúde (ver [15] do CDC);

3) criações de novos protocolos para a comercialização e controle de antibióticos; 4) conscientização da população e

[b] para Prestadores de Serviços de Saúde:

1) um melhor planejamento da “administração dos antibióticos” nos órgãos privados de saúde (ver [16] do CDC).

De acordo com o FDA dos EUA, as vendas e a distribuição de antibióticos para uso na pecuária anualmente aumentaram entre 2013 e 2014, apesar dos esforços dos reguladores para limitar o uso de tais medicamentos exclusivamente para o tratamento de doenças.

Durante anos, os especialistas em saúde têm alertado para o uso excessivo dos antibióticos existentes à medida que poucos novos antibióticos são desenvolvidos.

Existem em torno de 2 milhões de casos por ano de residentes dos EUA adquirindo infecções que são resistentes aos antibióticos, de acordo com o CDC americano. Isso resulta em 23.000 mortes anuais como vimos acima [17].

No início de 2015, a Casa Branca divulgou um plano de cinco anos para combater a ameaça de bactérias resistentes a antimicrobianos com foco na prevenção e contenção de surtos de infecção resistentes aos medicamentos [18].

Esperamos que a mensagem contida nessa matéria sirva de alguma forma para “alertar” aos gestores de saúde pública e privada no Brasil. Existe um grande trabalho a ser feito. Urge que “arregacemos logo as mangas”.

Referências:





















Saúde Business