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terça-feira, 19 de abril de 2016

Um ano após 1º caso oficial de zika, microcefalia faz bebê tomar até Rivotril

Casos de microcefalia preocupam famíliasRivotril e Neuleptil, ambos tarja preta, são apenas alguns dos medicamentos usados para controle de ansiedade que foram adotados nos primeiros meses de vida desses bebês

João chora. Chora sem parar, molhado de suor, mesmo usando apenas uma fraldinha descartável. Parece inchado. Chora aos berros na varanda da casa de quatro cômodos onde vive com a mãe, o pai e cinco irmãos, na Praia de Pau Amarelo, em Paulista, na região metropolitana de Recife. O calor é escaldante sob as telhas de amianto. Não dá para saber se o choro é por calor, fome, fralda suja ou dor. Já sabem, porém, como aquietá-lo. É só dar o remédio: a dose de Rivotril.

Ele tem microcefalia causada pelo zika, vírus transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da chikungunya. Os primeiros casos da zika foram oficialmente notificados há um ano em abril de 2015, na Bahia. Entre setembro e outubro, gestantes que tiveram a virose começaram a dar à luz bebês com cabeças menores. Dezenas. Centenas. Segundo o Ministério da Saúde, 1.113 casos de má-formação foram confirmados - 189 têm relação com o zika. Nesta semana, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA afirmou que “não restam dúvidas” da causa.

Em crianças como João, de 7 meses, quase tudo é um enigma para a ciência. Imagine para os pais. O choro aflitivo é só um dos desafios. O pai, Fabio da Silva Araújo, de 34 anos, nem sabe explicar como vai criar o filho. Está sem carteira assinada há dois anos e vive de bicos. A mãe, Neide Maria Ferreira da Silva, de 41, diz que não entende muito bem o que é microcefalia, mas já sabe que a sua experiência não vale muito: João é o 12.º filho. É irmão gêmeo de Ana, que não tem a má-formação.

João chora no colo de Neide. A vizinha Valéria Gomes Ribeiro, de 45 anos, pega o menino. Vira de frente. De lado. Balança. João vai sossegando. Agora, porém, ele olha para o vazio. Parece ausente. Está duro. Costas rígidas. Perninhas rígidas. Bracinhos retraídos. “Ele é assim. Nervoso. Meio durinho. É da doença. Mas o remédio acalma”, explica Valéria.

Rivotril e Neuleptil, ambos tarja preta, são apenas alguns dos medicamentos usados para controle de ansiedade que foram adotados nos primeiros meses de vida de bebês para aplacar o choro.

“São crianças com alterações neurológicas, e quem tem esse tipo de alteração costuma ser mais irritado”, diz Danielle Cruz, coordenadora do Laboratório de Microcefalia do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). “Alguns são calmos, mas outros a gente só acalma com remédios.” Rivotril ganhou espaço porque tem a versão em gotas. “A gente precisa ir tateando até achar a quantidade certa.”

Sem padrão
Realidade desconcertante. Por ser uma anomalia nova, a microcefalia causada por zika não tem tratamento testado, aprovado e prescrito. Está sendo desenvolvido à medida que as crianças crescem e as sequelas surgem - sequelas essas que, por sua vez, não têm um padrão. Há casos leves, outros críticos e alguns, fatais: 48 bebês morreram em Pernambuco, não de microcefalia, mas das fragilidades derivadas dela. Especialistas reconhecem que não têm como prever o dia de amanhã. “É tudo novo”, diz a neuropediatra Ana Van Der Linden, do Imip.

Ana é uma das médicas que identificaram que havia um surto de microcefalia no Estado e acompanha a evolução dos casos - e do tratamento. “Nos dois primeiros meses, eles choravam muito. Agora vieram as convulsões. A maioria tem uma boa audição, mas descobrimos que a formação da visão está comprometida.”

Para as mães, a peregrinação imposta pela dedicação diária a múltiplos exames, idas e vindas a hospitais e testes de remédios é uma dor adicional. “Vivo entre a cruz e a espada”, diz a dona de casa Gabriela Ananias, de 31 anos. O filho Lucas, de 6 meses, há três iniciou o tratamento com o antiepilético Sabril. Sem condições de comprar o remédio, que não está na rede pública e custa entre R$ 300 e R$ 350, ela tem recorrido à ajuda de amigos e parentes. “Eu não queria dar o remédio porque é muito forte, mas não tive escolha. Ele estava tendo mais de 50 convulsões por dia.” O bebê já havia sido medicado com Gardenal, mas não respondeu bem.

Aos 8 meses, Marcela também teve de tratar convulsões. Acompanhada pela equipe do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, ela toma Trileptal. A mãe, a diarista Maria do Carmo da Silva, de 32 anos, não se conforma. “Minha filha era agitada, mas comia bem e eu conseguia fazer nela os exercícios que a fisioterapeuta ensinou”, diz. “Desde que começou a tomar o remédio, só dorme e vomita muito, mas, se eu não dou, me arrependo logo, porque aí os tremores e o choro ficam fortes.”

O pior de tudo é que ninguém, nem especialistas, sabe que limitação a microcefalia vai causar e qual tratamento será o adequado. Juliana da Silva, de 22 anos, define bem a situação. Pedro Henrique, de 5 meses, chora muito, mas não toma remédios, sorri para ela, faz fisioterapia. Ainda assim, ela vive tensa. “Eu não sei o que ele vai ter quando acordar amanhã.”

Foto: DIEGO HERCULANO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Estadão Conteúdo/iG

Remédio usado para emagrecer pode provocar glaucoma agudo e cegueira

Glaucoma causado pelo topiramato é o mais grave que existe; médicos alertam para perigo do uso de medicamentos off label

Emagrecer, custe o que custar. Muitos pensam dessa forma e acabam prejudicando a saúde, seja com dietas restritivas ou usando medicamentos sem prescrição médica. No entanto, agir dessa forma pode levar a perigos que boa parte da população nem imagina serem possíveis.

Normalmente prescrito para crises epiléticas, o medicamento topiramato é um desses casos. Para especialistas consultados pelo iG, seu uso eleva o risco de desenvolvimento de glaucoma – doença causada pela lesão do nervo óptico, relacionada ao aumento da pressão do olho – e pode causar cegueira nos usuários.

“O topiramato é um remédio muito famoso, mas nenhum medicamento deve ser usado sem prescrição médica, ainda mais off label”, alerta Yuji Abe, do Hospital Oftalmológico de Brasília. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica como off label aqueles medicamentos receitados em situações para as quais não tiveram seu uso aprovado, o que pode caracterizar erro médico.

Os perigos do glaucoma
O glaucoma pode atingir tanto os que usam a medicação para controlar a epilepsia como aqueles que a tomam para tentar perder alguns quilos. A diferença é que o paciente neurológico normalmente é acompanhado de perto por um médico, enquanto outros que tomam o medicamento por conta própria não estão. Assim, embora exista nos dois casos, o risco de desenvolvimento do glaucoma é maior em quem o ingere sem prescrição.

“É um glaucoma secundário ao uso do topiramato. Sabe-se que ele pode, em algumas pessoas, aumentar o cristalino do olho”, explica o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto. Desta forma, uma série de reações pode ocorrer dentro do olho, o que aumenta a pressão ocular e causa o glaucoma agudo que pode levar à cegueira. “Surge de repente e dói muito. Causa náuseas, vômito, dor de cabeça terrível e é diferente do glaucoma crônico, que é mais demorado para aparecer", alerta o médico.

Pessoas com hipermetropia que fazem uso do medicamento podem ainda ter mais risco de desenvolver o problema, chamado de glaucoma de ângulo fechado – o mais perigoso. Queiroz Neto adverte para que qualquer pessoa que sinta algum desconforto ou alteração ocular procure um oftalmologista imediatamente.

iG

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Estudo prova que Yoga alivia dores na gestação

Mulheres grávidas praticando Yoga - Foto: Ahturner / ShutterStockDurante a gestação é comum as mulheres se queixarem de dores nas costas, especialmente na região lombar, no final da coluna vertebral

Um estudo clínico realizado pela fisioterapeuta Roseny Flávia Martins, em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), mostra que 80% das grávidas que participaram do estudo sentem esse desconforto.

Para combater esses episódios de dor, a pesquisadora propôs a prática da Hatha Yoga, que utiliza posturas, exercícios respiratórios e relaxamento. O método conseguiu reduzir as dores lombares e pélvicas em 71,4% das 60 gestantes. Elas relataram que após as práticas se sentiam mais confortáveis, tranquilas e confiantes.

Em uma primeira etapa, 245 gestantes foram entrevistadas na sala de espera de suas consultas pré-natal sobre a prevalência e fatores de risco para as dores na base da coluna. A segunda etapa submeteu 60 gestantes a um tratamento de 10 semanas de Hatha Yoga, realizados em quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade de Paulínia.

A fisioterapeuta concluiu, entre outras coisas, que a dor aumenta conforme o avanço da gestação e o ganho de peso. Também observou que há diversos fatores de risco, especialmente os que provem de antes da gestação, como traumas, alterações na postura e até fatores emocionais.

Nas sessões de Hatha Youga, as gestantes que participaram do estudo dimensionaram sua dor ao longo do tratamento, classificando de 0 a 10, ou seja, de ausência à dor insuportável. Ao final do estudo, um gráfico mostrou que a dor foi diminuindo ao longo do tratamento. No início, ninguém tinha nota zero e, ao final, 71,4% referiram ausência de dor.

A pesquisadora indica que o ideal é a gestante iniciar a prática do Hatha Yoga após 12 semanas de gestação, sempre acompanhada por um profissional capacitado, podendo praticar até o finalzinho da gravidez. “Nada contraindica que a gestante faça exercícios respiratórios, relaxamento e meditação, orientada durante todo o ciclo gestatório”, afirma Roseny Martins.

Foto: Reprodução

Uol

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Remédio testado por cientistas tem resultado promissor contra zika vírus

Medicamento é aprovado pela Anvisa e pode ser usado por grávidas; no entanto, produto ainda não foi divulgado pelos pesquisadores, que temem a automedicação da população

Não há ainda informação no estudo se o medicamento inibe a replicação do vírus da zika
Martin Henkelmann/StockXpert

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D'Or de Ensino e Pesquisa estão testando medicamentos que possam inibir a destruição pelo vírus da zika das células neuronais em fetos. Pelo menos um medicamento, entre dez já testados, se mostrou promissor, informou o neurocientista Stevens Rehen. Esse remédio já é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem indicação para ser usado por grávidas.

Os pesquisadores esperam publicar nos próximos dois meses um estudo sobre a atuação do remédio, caso os efeitos iniciais sejam comprovados. Não há ainda informação se o medicamento inibe a replicação do vírus. Os pesquisadores estão analisando de suplementos a antivirais, mas preferem não informar os produtos para evitar automedicação da população.

O anúncio foi feito durante o lançamento de uma pesquisa, que será publicada nesta semana pela revista científica Science, sobre o efeito do zika em modelos que representam o cérebro de fetos no segundo mês de gestação. O trabalho mostrou a destruição de células neuronais e a redução do crescimento em 40%. "O resultado é equivalente ao que é observado nas crianças com microcefalia. Agora nós temos um bom modelo para testar possibilidades de tratamento", afirmou Rehen, coautor da pesquisa. O estudo foi liderado pela professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Patrícia Garcez, especialista em microcefalia.

Os pesquisadores infectaram minicérebros, estruturas de menos de 2 milímetros obtidas a partir de células-tronco. Elas têm as camadas, os ventrículos e as características anatômicas observadas em um cérebro.

O minicérebro foi infectado com o vírus da zika no 35º dia de desenvolvimento – que seria equivalente ao feto no 2º mês de gestação – e teve a taxa de crescimento acompanhada pelo período de 11 dias. O resultado foi a redução do crescimento, comparado ao minicérebro não infectado. É nessa fase do desenvolvimento que começa a ser formado o córtex, área nobre do cérebro.

Rede
Essa pesquisa surgiu da formação de redes para o estudo de zika e microcefalia, criadas com base em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj). O lançamento da rede ocorreu pouco antes do Carnaval.

"Desde o primeiro experimento à submissão à Science passaram-se 25 dias. Isso reflete o que é a comunidade científica brasileira", afirmou Rehen. Por causa da crise financeira que afeta o Estado, porém, as verbas para a pesquisa (cerca de R$ 400 mil) ainda não foram liberadas. Os bolsistas também estão com pagamento atrasado. A previsão é de que o financiamento comece a ser liberado neste mês.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

iG

Viciados se importam menos com as pessoas, diz estudo

Pessoas dependentes de álcool e outras substâncias tendem a representar risco para outras pessoas: fazem sexo sem preservativo, não se importam em dirigir alterados, e por aí vai

Pode parecer um discurso óbvio, mas um estudo mostra que muitos fatores fazem com que os viciados sejam mais egoístas e imprudentes.

A conclusão é do estudo da Case Western Reserve University (Cleveland, EUA), conduzido pela psicóloga Maria Pagano. Foram analisados o comportamento de 585 jovens secundaristas, classificando-os segundo seus hábitos com álcool e outras drogas e medindo essas três variáveis: dirigir bêbado (a idade para a habilitação nos EUA é 16 anos), fazer sexo desprotegido e se interessar por trabalho voluntário.

Pagano aponta uma correlação 100% maior em jovens que abusavam de drogas ou álcool em fazer sexo desprotegido - mesmo quando eles sabiam que tinham doenças sexualmente transmissíveis - que com aqueles que não usavam.

Viciados não se importam muito com os outros e nem entendem como seu problema afeta seus entes queridos. O que explica como a doença pode destruir família e vida social, além de serem pessoas difíceis de serem convencidas de que precisam de tratamento. “O viciado é como um tornado passando pela vida dos outros”, afirma Pagano. “Mesmo quando estão se recuperando, há poucos indícios que eles entendem como suas ações impactam aqueles em sua volta. Isso é parte de sua doença.”

Importante: nada disto pretende criminalizar os viciados, que também sofrem com a própria doença. Segundo Pagani, esse fator da insensibilidade é apenas algo que deve ser levado em consideração ao se planejar tratamentos. Ela pretende descobrir formas para diminuir essa parte do problema.

Foto: Thinkstock

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