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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Os 5 venenos mais mortais do planeta

Quando desafiadas a citar nomes de venenos, as pessoas podem muito bem pensar imediatamente em cianeto, arsênico ou estricnina, alguns dos mais mortais e famosos que conhecemos. Mas estas não são as substâncias mais tóxicas do mundo

Breaking Bead/AMC

Mais venenosa do que todos estes, mas mesmo assim ainda longe do topo da lista, é a tetrodotoxina, a toxina do baiacu, que envenena cerca de 50 japoneses todos os anos. O peixe é uma iguaria no país, mas pode ser letal se preparado de forma incorreta.

Aliás, este era o veneno favorito da assassina Rosa Klebb, no filme de James Bond From Russia With Love, conhecido no Brasil como Moscou contra 007. Ele também aparece nos polvos-de-anéis-azuis, e foi mais recentemente descoberto em pequenos sapos no Brasil.

A DL50 – a quantidade necessária para matar 50% da população de teste – é como a toxicidade dos venenos é mais frequentemente avaliada mundialmente, e é geralmente citada por quilograma de peso corporal. Nesta escala, por exemplo, a DL50 do cianeto de sódio é de cerca de 6 mg por quilograma. A DL50 da tetrodotoxina, em comparação, é de cerca de 300 microgramas por quilograma, se ingerida por via oral, e uma quantidade ínfima de 10 microgramas por quilograma, se injetada.

Avaliar a toxicidade de venenos não é fácil. O estado químico de uma substância é importante, pois tudo depende de como a ingerimos. Se ingerimos mercúrio metálico líquido (diferente da inalação de seu vapor), seria muito provável que ele passasse direto através de nosso corpo sem causar danos. Em 1996, um professor americano derramou apenas uma ou duas gotas do dimetil mercúrio composto em suas luvas de borracha, que penetraram as luvas e sua pele, enviando-o para um coma fatal alguns meses mais tarde.

No entanto, aqui está uma seleção representativa, em ordem crescente, de cinco venenos verdadeiramente mortais, todos pelo menos uma centena de vezes mais tóxicos que o cianeto, o arsênico ou a estricnina.

5. Ricina
Este veneno vegetal extremamente tóxico foi famosamente utilizado para matar o dissidente búlgaro Georgi Markov, exilado em Londres. Em 7 de setembro de 1978, ele estava esperando por um ônibus perto da ponte de Waterloo, quando sentiu um impacto na traseira de sua coxa direita. Olhando em volta, viu um homem que se abaixava para pegar um guarda-chuva. Markov foi logo levado para o hospital com febre alta – e morreu três dias depois.

Uma autópsia revelou uma minúscula esfera feita de uma liga de platina-irídio na coxa de Markov. A esfera havia sido perfurada para carregar uma pequena quantidade de ricina e pode ter sido ejetada de uma pistola de ar escondida no guarda-chuva.

Os fãs da série Breaking Bad também devem se lembrar bem da ricina e de seus efeitos mortais. Walter White e Jesse Pinkman planejaram usá-la para matar alguns de seus inimigos, como Tuco e Gustavo Fring, durante a série (Walter também usa a ricina para “chantagear” emocionalmente Jesse, fazendo-o voltar ao seu lado na batalha contra Gus Fring – mas dizer mais do que isso seria dar um grande spoiler da trama).

A ricina é obtida a partir dos grãos da planta do óleo de rícino (Ricinus communis), a qual é cultivada para extrair o óleo – a ricina permanece na fibra sólida. É uma glicoproteína que interfere com a síntese de proteínas na célula, causando a morte celular. Ela tem uma DL50 de 1-20 miligramas por kg, se ingerida por via oral, mas muito menos é necessário para matar se inalada ou injetada (como no caso de Markov).

4. VX
O único composto sintético nessa lista, o VX é um agente nervoso com a consistência parecida com a do óleo de motor. Ele surgiu a partir de pesquisas da ICI, uma das maiores empresas britânicas no ramo de pesticidas, mas provou-se ser muito tóxico para ser usado na agricultura. O VX mata por interferir com a transmissão de mensagens entre células nervosas; isto requer uma molécula chamada acetilcolina.

Depois que a acetilcolina passa sua mensagem, ela precisa ser quebrada (caso contrário irá continuar enviando a mensagem) por uma enzina catalisadora chamada acetilcolinesterase. O VX e outros agentes nervosos fazem esta enzima parar de trabalhar, de modo que as contrações musculares da vítima saem do controle e a pessoa morre de asfixia.

Agentes nervosos foram fabricados por ambos os lados durante a Guerra Fria, mas o VX tornou-se particularmente bem conhecido após ser apresentando no filme A Rocha, de 1996, que tinha no elenco Nicolas Cage e Sean Connery. Apenas uma pessoa é conhecida por ter sido morta pela ação do VX, um ex-membro da seita Aum Shinrikyo, um culto apocalíptico japonês responsável por um ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, embora cerca de 4.000 ovelhas tenham sido mortas pelo veneno em um acidente em Skull Valley, Utah, EUA, em 1968.

O VX tem uma DL50 de apenas 3 microgramas por kg (embora alguns relatos sugiram que o número é um pouco maior).

3. Batracotoxina
Todos nós já ouvimos falar ou temos uma imagem em nossas cabeças de índios usando zarabatanas com dardos feitos com pontas de veneno para caçar suas presas ou atacar inimigos. O curare é o mais conhecido deles, e vem de uma planta. Os mais tóxicos, no entanto, vêm de peles de pequenos sapos – e o mais mortal de todos é a batracotoxina.

Índios no oeste da Colômbia recolhem esses sapos – Phyllobates terribilis e Phyllobates bicolor – e os fazem “suar” o veneno com fogo para então colocá-lo em seus dardos. A DL50 da batracotoxina é de cerca de 2 microgramas por kg, o que significa que uma quantidade do tamanho de dois grãos de sal de cozinha é capaz de matar.

A batracotoxina mata por interferir com canais de íons de sódio nas células de músculos e nervos, fazendo-os abrir e impedindo que eles fechem. A migração contínua de íons de sódio resulta, em última instância, na insuficiência cardíaca da vítima.

Curiosamente, rãs nascidas em cativeiro dessas espécies não possuem venenos, o que sugere que o veneno é derivado de sua dieta. Na verdade, quase 30 anos atrás, Jack Dumbacher, um ornitólogo americano que estava trabalhando na Papua Nova Guiné, foi arranhado na mão por um dos pássaros Pitohui locais. Ele instintivamente colocou a mão na boca, que começou a ficar dormente.

Finalmente, verificou-se que estas aves – no lado oposto do mundo em relação à Colômbia – têm a plumagem contendo a mesma molécula venenosa que os sapos sulamericanos. Pensa-se que tanto as aves quanto os sapos obtêm a toxina dos besouros que comem – embora o veneno seja muito menos potente nas aves.

2. Maitotoxina
Há um número grande de potentes toxinas e venenos marinhos, tais como a saxitoxina, que muitas vezes são a causa de envenenamento depois que comemos mariscos contaminados. Estes são frequentemente associados com a proliferação de algas nocivas no mar.

A maitotoxina é a mais letal destas substâncias, tendo um DL50 de cerca de uma ordem de grandeza menor do que a batracotoxina. Formada por um dinoflagelado, uma espécie de plâncton marinho, a maitotoxina tem uma estrutura muito complicada, o que apresenta um grande desafio para os químicos sintéticos.

A maitotoxina é uma cardiotoxina. Ela exerce os seus efeitos através do aumento do fluxo de íons de cálcio através da membrana do músculo cardíaco, também causando insuficiência cardíaca, assim como a batracotoxina.

1. Toxina botulínica
Cientistas divergem sobre as toxicidades relativas de venenos, mas parecem concordar que a toxina botulínica, produzida por bactérias anaeróbias, é a substância mais tóxica conhecida. O seu DL50 é muito pequeno – 1 nanograma por quilograma pode matar um ser humano. Extrapolando a partir de seu efeito em ratos, uma dose intravenosa de apenas 10-7g seria fatal para uma pessoa de 70 kg.

Ela foi identificada pela primeira vez como a causa de uma intoxicação alimentar devido a salsichas preparadas incorretamente (a palavra salsicha é derivada da palavra latina botulus) no final do século 18 na Alemanha.

Existem várias toxinas botulínicas, com o tipo A sendo o mais potente. Elas são polipeptídeos, que consistem em mais de 1.000 moléculas de aminoácidos unidos. A toxina causa paralisia muscular, impedindo a liberação da molécula de sinalização acetilcolina (um neurotransmissor).

Esta mesma propriedade paralisante é fundamental para o uso clínico da toxina botulínica no Botox cosmético. Injeções alvo de pequenas quantidades da toxina fazem músculos específicos pararem de trabalhar, relaxando músculos que poderiam, de outra forma, causar o efeito da pele enrugada. A toxina botulínica também já foi aplicada em uma variedade de condições clínicas, tais como paralisar músculos que, se não fossem tratados, causariam o estrabismo.

Há cada vez mais interesse em utilizar as propriedades das substâncias tóxicas encontradas na natureza medicinalmente. O veneno da jararaca brasileira, por exemplo, contém moléculas que reduzem a pressão sanguínea, o que levou a tratamentos pioneiros para a pressão arterial elevada. 

[Science Alert]/ Hypescience

Suco detox: mito ou realidade?

Um dos pedidos mais comuns recebidos pelo médico James Grendell é: “Quero desintoxicar meu corpo”

Oriana Koren for The New York Times

“Pessoas estão interessadas na chamada desintoxicação, mas quando pergunto a eles do que eles querem se livrar, eles não sabem responder”, relata Grendell, chefe do departamento de gastroenterologia, hepatologia e nutrição do Hospital Universitário de Winthrop, em Nova York (EUA).

“Ainda não encontrei uma pessoa que consiga especificar qual toxina quer tirar de seu corpo”, aponta ele. Isso não quer dizer que as toxinas como agrotóxicos, álcool ou medicamentos não existam, mas na maioria dos casos o nosso corpo é bem equipado para eliminar esses excessos do organismo.

Os rins e fígado são os principais responsáveis por se livrar dos “lixos” do nosso corpo. Eles filtram essas substâncias do sangue e as processam para que o corpo possa as excretar como parte da urina. 

Sucos detox
Quando questionado sobre a eficácia dos sucos detox, o médico parece perdido quanto à origem desta ideia. “É difícil entender, porque não há evidência científica de que sucos – ou qualquer outro alimento – possam limpar ou sejam relevantes para remover toxinas”, afirma. Isso não quer dizer, porém, que sucos de vegetais ricos em vitaminas e antioxidantes não sejam benéficos para a saúde ou que funcionem como uma ferramenta para ajudar na perda de peso e na reeducação alimentar, explica o médico. O problema é afirmar que esses sucos retiram toxinas do corpo.

“Descanso para o estômago”
A médica Antoinette Saddler, gastroenterologista da Universidade George Washington, analisou um texto postado em um blog sobre sucos detox. Esse texto dizia que uma dieta de suco oferece descanso para o estômago. “Por que o estômago precisa de descanso? Quem disse que isso é benéfico?”, questiona ela.

Outra parte do texto defende que transformar vegetais em suco permite que o corpo se dedique mais à desintoxicação e ajuda a remover toxinas acumuladas no corpo. “O que isso sequer significa?”, indaga ela, exasperada.

Mais frutas e verduras
O médico americano Woodson Merrell defende os sucos detox, mas explica que na verdade as pessoas precisam mesmo é consumir mais frutas e vegetais todos os dias. O suco é apenas para tornar a experiência mais convidativa.

Merrell acredita que uma boa salada bem mastigada tem o mesmo efeito que um suco, mas que a maioria das pessoas não mastiga a comida o suficiente antes de engolir. “Sou um fanático da mastigação”, diz ele. Mas esse suco que ele defende é grosso, com todas as partes da fruta e dos vegetais, incluindo o bagaço. “Não estou falando de suco aguado”, alerta.

[The New York Times] / Hypescience

terça-feira, 19 de abril de 2016

Um ano após 1º caso oficial de zika, microcefalia faz bebê tomar até Rivotril

Casos de microcefalia preocupam famíliasRivotril e Neuleptil, ambos tarja preta, são apenas alguns dos medicamentos usados para controle de ansiedade que foram adotados nos primeiros meses de vida desses bebês

João chora. Chora sem parar, molhado de suor, mesmo usando apenas uma fraldinha descartável. Parece inchado. Chora aos berros na varanda da casa de quatro cômodos onde vive com a mãe, o pai e cinco irmãos, na Praia de Pau Amarelo, em Paulista, na região metropolitana de Recife. O calor é escaldante sob as telhas de amianto. Não dá para saber se o choro é por calor, fome, fralda suja ou dor. Já sabem, porém, como aquietá-lo. É só dar o remédio: a dose de Rivotril.

Ele tem microcefalia causada pelo zika, vírus transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da chikungunya. Os primeiros casos da zika foram oficialmente notificados há um ano em abril de 2015, na Bahia. Entre setembro e outubro, gestantes que tiveram a virose começaram a dar à luz bebês com cabeças menores. Dezenas. Centenas. Segundo o Ministério da Saúde, 1.113 casos de má-formação foram confirmados - 189 têm relação com o zika. Nesta semana, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA afirmou que “não restam dúvidas” da causa.

Em crianças como João, de 7 meses, quase tudo é um enigma para a ciência. Imagine para os pais. O choro aflitivo é só um dos desafios. O pai, Fabio da Silva Araújo, de 34 anos, nem sabe explicar como vai criar o filho. Está sem carteira assinada há dois anos e vive de bicos. A mãe, Neide Maria Ferreira da Silva, de 41, diz que não entende muito bem o que é microcefalia, mas já sabe que a sua experiência não vale muito: João é o 12.º filho. É irmão gêmeo de Ana, que não tem a má-formação.

João chora no colo de Neide. A vizinha Valéria Gomes Ribeiro, de 45 anos, pega o menino. Vira de frente. De lado. Balança. João vai sossegando. Agora, porém, ele olha para o vazio. Parece ausente. Está duro. Costas rígidas. Perninhas rígidas. Bracinhos retraídos. “Ele é assim. Nervoso. Meio durinho. É da doença. Mas o remédio acalma”, explica Valéria.

Rivotril e Neuleptil, ambos tarja preta, são apenas alguns dos medicamentos usados para controle de ansiedade que foram adotados nos primeiros meses de vida de bebês para aplacar o choro.

“São crianças com alterações neurológicas, e quem tem esse tipo de alteração costuma ser mais irritado”, diz Danielle Cruz, coordenadora do Laboratório de Microcefalia do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). “Alguns são calmos, mas outros a gente só acalma com remédios.” Rivotril ganhou espaço porque tem a versão em gotas. “A gente precisa ir tateando até achar a quantidade certa.”

Sem padrão
Realidade desconcertante. Por ser uma anomalia nova, a microcefalia causada por zika não tem tratamento testado, aprovado e prescrito. Está sendo desenvolvido à medida que as crianças crescem e as sequelas surgem - sequelas essas que, por sua vez, não têm um padrão. Há casos leves, outros críticos e alguns, fatais: 48 bebês morreram em Pernambuco, não de microcefalia, mas das fragilidades derivadas dela. Especialistas reconhecem que não têm como prever o dia de amanhã. “É tudo novo”, diz a neuropediatra Ana Van Der Linden, do Imip.

Ana é uma das médicas que identificaram que havia um surto de microcefalia no Estado e acompanha a evolução dos casos - e do tratamento. “Nos dois primeiros meses, eles choravam muito. Agora vieram as convulsões. A maioria tem uma boa audição, mas descobrimos que a formação da visão está comprometida.”

Para as mães, a peregrinação imposta pela dedicação diária a múltiplos exames, idas e vindas a hospitais e testes de remédios é uma dor adicional. “Vivo entre a cruz e a espada”, diz a dona de casa Gabriela Ananias, de 31 anos. O filho Lucas, de 6 meses, há três iniciou o tratamento com o antiepilético Sabril. Sem condições de comprar o remédio, que não está na rede pública e custa entre R$ 300 e R$ 350, ela tem recorrido à ajuda de amigos e parentes. “Eu não queria dar o remédio porque é muito forte, mas não tive escolha. Ele estava tendo mais de 50 convulsões por dia.” O bebê já havia sido medicado com Gardenal, mas não respondeu bem.

Aos 8 meses, Marcela também teve de tratar convulsões. Acompanhada pela equipe do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, ela toma Trileptal. A mãe, a diarista Maria do Carmo da Silva, de 32 anos, não se conforma. “Minha filha era agitada, mas comia bem e eu conseguia fazer nela os exercícios que a fisioterapeuta ensinou”, diz. “Desde que começou a tomar o remédio, só dorme e vomita muito, mas, se eu não dou, me arrependo logo, porque aí os tremores e o choro ficam fortes.”

O pior de tudo é que ninguém, nem especialistas, sabe que limitação a microcefalia vai causar e qual tratamento será o adequado. Juliana da Silva, de 22 anos, define bem a situação. Pedro Henrique, de 5 meses, chora muito, mas não toma remédios, sorri para ela, faz fisioterapia. Ainda assim, ela vive tensa. “Eu não sei o que ele vai ter quando acordar amanhã.”

Foto: DIEGO HERCULANO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Estadão Conteúdo/iG

Remédio usado para emagrecer pode provocar glaucoma agudo e cegueira

Glaucoma causado pelo topiramato é o mais grave que existe; médicos alertam para perigo do uso de medicamentos off label

Emagrecer, custe o que custar. Muitos pensam dessa forma e acabam prejudicando a saúde, seja com dietas restritivas ou usando medicamentos sem prescrição médica. No entanto, agir dessa forma pode levar a perigos que boa parte da população nem imagina serem possíveis.

Normalmente prescrito para crises epiléticas, o medicamento topiramato é um desses casos. Para especialistas consultados pelo iG, seu uso eleva o risco de desenvolvimento de glaucoma – doença causada pela lesão do nervo óptico, relacionada ao aumento da pressão do olho – e pode causar cegueira nos usuários.

“O topiramato é um remédio muito famoso, mas nenhum medicamento deve ser usado sem prescrição médica, ainda mais off label”, alerta Yuji Abe, do Hospital Oftalmológico de Brasília. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica como off label aqueles medicamentos receitados em situações para as quais não tiveram seu uso aprovado, o que pode caracterizar erro médico.

Os perigos do glaucoma
O glaucoma pode atingir tanto os que usam a medicação para controlar a epilepsia como aqueles que a tomam para tentar perder alguns quilos. A diferença é que o paciente neurológico normalmente é acompanhado de perto por um médico, enquanto outros que tomam o medicamento por conta própria não estão. Assim, embora exista nos dois casos, o risco de desenvolvimento do glaucoma é maior em quem o ingere sem prescrição.

“É um glaucoma secundário ao uso do topiramato. Sabe-se que ele pode, em algumas pessoas, aumentar o cristalino do olho”, explica o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto. Desta forma, uma série de reações pode ocorrer dentro do olho, o que aumenta a pressão ocular e causa o glaucoma agudo que pode levar à cegueira. “Surge de repente e dói muito. Causa náuseas, vômito, dor de cabeça terrível e é diferente do glaucoma crônico, que é mais demorado para aparecer", alerta o médico.

Pessoas com hipermetropia que fazem uso do medicamento podem ainda ter mais risco de desenvolver o problema, chamado de glaucoma de ângulo fechado – o mais perigoso. Queiroz Neto adverte para que qualquer pessoa que sinta algum desconforto ou alteração ocular procure um oftalmologista imediatamente.

iG

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Estudo prova que Yoga alivia dores na gestação

Mulheres grávidas praticando Yoga - Foto: Ahturner / ShutterStockDurante a gestação é comum as mulheres se queixarem de dores nas costas, especialmente na região lombar, no final da coluna vertebral

Um estudo clínico realizado pela fisioterapeuta Roseny Flávia Martins, em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), mostra que 80% das grávidas que participaram do estudo sentem esse desconforto.

Para combater esses episódios de dor, a pesquisadora propôs a prática da Hatha Yoga, que utiliza posturas, exercícios respiratórios e relaxamento. O método conseguiu reduzir as dores lombares e pélvicas em 71,4% das 60 gestantes. Elas relataram que após as práticas se sentiam mais confortáveis, tranquilas e confiantes.

Em uma primeira etapa, 245 gestantes foram entrevistadas na sala de espera de suas consultas pré-natal sobre a prevalência e fatores de risco para as dores na base da coluna. A segunda etapa submeteu 60 gestantes a um tratamento de 10 semanas de Hatha Yoga, realizados em quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade de Paulínia.

A fisioterapeuta concluiu, entre outras coisas, que a dor aumenta conforme o avanço da gestação e o ganho de peso. Também observou que há diversos fatores de risco, especialmente os que provem de antes da gestação, como traumas, alterações na postura e até fatores emocionais.

Nas sessões de Hatha Youga, as gestantes que participaram do estudo dimensionaram sua dor ao longo do tratamento, classificando de 0 a 10, ou seja, de ausência à dor insuportável. Ao final do estudo, um gráfico mostrou que a dor foi diminuindo ao longo do tratamento. No início, ninguém tinha nota zero e, ao final, 71,4% referiram ausência de dor.

A pesquisadora indica que o ideal é a gestante iniciar a prática do Hatha Yoga após 12 semanas de gestação, sempre acompanhada por um profissional capacitado, podendo praticar até o finalzinho da gravidez. “Nada contraindica que a gestante faça exercícios respiratórios, relaxamento e meditação, orientada durante todo o ciclo gestatório”, afirma Roseny Martins.

Foto: Reprodução

Uol