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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Farmácia Viva aumentou produção de fitoterápicos no Distrito Federal em 2016

Em 2016, a Farmácia Viva da Secretaria de Saúde aumentou a produção dos fitoterápicos, que são medicamentos extraídos de plantas medicinais. De 1º de janeiro a 13 de dezembro de 2016, foram fabricadas 25.037 unidades, enquanto em todo o ano de 2015 foram 22.252, o que representa o crescimento de 11,12% (3.055 unidades)

Com eficácia comprovada pela Anvisa, os fitoterápicos são uma alterativa terapêutica para quem quer se tratar de alguma doença sem usar medicamentos industrializados. Na lista da Farmácia Viva estão chás, xaropes, tinturas, pomadas e gel, que são fabricados a partir de sete plantas. São elas o Alecrim Pimenta, Babosa, Erva Baleeira, Confrei, Boldo, Guaco e Funcho. "A proposta é oferecer uma opção terapêutica importantíssima na promoção à saúde, que tem alicerce em conhecimentos tradicionais, porém, referendada por estudos científicos. Alguns fitoterápicos podem apresentar menores efeitos colaterais, porém devemos conhecê-los bem para a sua indicação ou prescrição", orientou o chefe da Farmácia Viva, Nilton Luz.

O xarope de guaco, que tem o nome cientifico Mikania laevigata, é o mais procurado pelos pacientes. Foram 14.263 unidades distribuídas. A solução serve como expectorante no tratamento de gripe, resfriado e infecções respiratórias que apresentam muco ou catarro. Para quem é diabético e não pode consumir açúcar, a farmácia fabricou 545 tinturas da planta e 177 pacotes para chá de guaco.

Com 3.921 unidades, em segundo lugar na produção, está o gel de erva baleeira (Cordia verbenacea), que é um anti-inflamatório tópico usado para tratar inflamações locais. Já a tintura de boldo nacional (Plectranthus barbatus), usada para desconforto digestivo, ficou em terceiro lugar, com 2348 itens.

Na mesma linha de tratamento do boldo nacional, há a tintura de funcho é uma alternativa para gases estomacais. Já o gel de alecrim pimenta é indicado para tratamento de infecções causadas por fungo e bactérias na pele. Para auxiliar na cicatrização de feridas, há ainda a pomada ou gel de confrei e também o gel de babosa.

Produção
As plantas são cultivadas de forma orgânica na própria Farmácia Viva e também nos terrenos do Complexo Penitenciário da Papuda e Centro Nacional de Recursos Genéticos, que são parceiros do projeto. Após a colheita, as ervas são selecionadas, secadas em estufa e trituradas até se transformarem em pó. Com esse material, é feita a extração da tintura ou extrato com álcool. A exceção é para a babosa, que é utilizada de maneira fresca para produção do gel cicatrizante.

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Distribuição
Os fitoterápicos são entregues mediante apresentação da receita médica, que pode ser prescrita pelos médicos nas unidades básicas de saúde. Os remédios podem ser obtidos 20 locais diferentes, em 12 regiões administrativas: Brazlândia, Gama, Taguatinga, Sobradinho e Núcleo Bandeirante, Guará, Samambaia, São Sebastião, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II, além da Candangolândia.

Fonte: Governo de Brasília

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Saúde do Homem: Doenças que afetam os testículos precisam de atenção

O Blog da Saúde, site do governo, recebeu dúvidas dos internautas sobre algumas doenças que afetam a saúde dos homens. Para responder às principais dúvidas, o chefe do setor de Urologia do Hospital Federal do Andaraí (RJ), Pedro Augusto Reis, esclarece as informações sobre as doenças Orquite, Hidrocele, Varicocele e Epididimite

Orquite
Blog da Saúde: O que é a orquite? E como ela inflamação ocorre?
Pedro Augusto Reis:É uma inflamação nos testículos provocada por bactérias ou por vírus. As causas mais comuns são as infecções bacterianas. Quando se fala de orquite bacteriana, estamos falando de doença que acontece secundariamente a uma infecção urinária, pois essa bactéria pode descer e encontrar o testículo, causando uma infecção.

A segunda situação que também pode ocorrer em relação à orquite são as Infecçõess Sexualmente Transmissíveis (IST). Algumas bactérias como a da clamídia, que produz uma infecção na uretra, também podem atingir o testículo e produzir uma orquite.

Por fim, também são muito frequentes as infecções virais. A caxumba, por exemplo, também pode circular pela corrente sanguínea, atingir o testículo e produzir uma orquite.

Blog da Saúde: Quais são os sintomas?
Pedro Augusto Reis: Tanto a infecção viral como a bacteriana, vai apresentar uma dor muito forte na região dos testículos, no lado direito ou esquerdo, ou até mesmo dos dois lados. Além da dor, um aumento no volume da região do testículo, ficando com um tom avermelhado. Eventualmente pode aparecer febre.

Blog da Saúde: É possível evitar? Quais cuidados os homens devem tomar?
Pedro Augusto Reis: Nós reduzimos a incidência de orquite quando o homem diminui o risco de contaminação com bactérias. Os vírus são mais difíceis de se prevenir. Homens que possuem problemas de próstata, que urinam com dificuldade e não conseguem esvaziar plenamente a bexiga, ficam com resíduo acumulado e muitas vezes se torna um foco de bactérias. O tratamento da próstata e a ida ao urologista ajudam a diminuir a incidência de orquite.

Ficar atento à prevenção das IST, e o uso de preservativo nas relações sexuais, principalmente os mais jovens, é outra maneira de prevenir.

Quando você reduz o risco de contrair uma IST, você acaba reduzindo a probabilidade de uma orquite provocada por elas.

Homens com cálculos de bexiga também podem aumentar o risco de infecção urinária, e orquite. Portanto, a identificação precoce desses problemas, principalmente na próstata, e o tratamento deles, costuma reduzir a incidência da orquite.

Blog da Saúde: Como é feito o tratamento?
Pedro Augusto Reis: No caso de infecções bacterianas, o tratamento é basicamente reduzir os sintomas de dor com analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos, e fazer o uso do suporte de saco escrotal, uma espécie de cueca que faz compressão e que eleva o testículo para evitar desconforto no local e reduzir o inchaço.

Se a gente suspeita de uma infecção bacteriana comum, não causada por IST, tratamos com os antibióticos apropriados para as bactérias que provocam infecções urinarias e que podem provocar orquite.

No caso da IST, acontece da mesma maneira. Identifica-se qual é o tipo de bactéria que está provocando e o antibiótico apropriado para isso.

Normalmente os resultados são muito bons, e em torno de uma semana os homens se sentem muito melhores e estão praticamente curados.

Repouso e ingestão de muito líquido durante o tratamento é muito importante.

Blog da Saúde: Quais são os riscos de não tratar a orquite?
Pedro Augusto Reis: Normalmente, os pacientes não aguentam ficar muito tempo sem o tratamento, pois é uma condição muito dolorosa. O principal risco da orquite bacterianas é a possibilidade de atrofia do testículo, de redução do volume do testículo, formação de abcessos, pus dentro do saco escrotal, além da possibilidade da infecção se generalizar e sair do testículo, atingindo a corrente sanguínea. No caso dos abcessos, pode ser necessário realizar cirurgias, inclusive de drenagem da bolsa escrotal para tirar o pus. Em casos mais raros até retirar o testículo. As orquites causadas por vírus, como o da caxumba, acometem os dois testículos e o risco de infertilidade é maior se o tratamento não for feito de imediato.

Epididimite Blog da Saúde: O que é a epididimite? E como ela ocorre?
Pedro Augusto Reis: É a inflamação do órgão que fica por cima e por trás do testículo, que é o epidídimo. Os testículos produzem os espermatozoides e, depois que eles são produzidos, são lançados no epidídimo. É muito comum que esse órgão se inflame na mesma situação da orquite. Existe a orquite isolada, mas é muito comum encontrar a orquiepididimite, que é a inflamação dos dois órgãos simultaneamente, porque estão muito próximos. As mesmas situações de contaminação da orquite se enquadram para a epididimite.

Blog da Saúde: Os sintomas também são iguais?
Pedro Augusto Reis: A diferença é que a Epididimite acompanha febre alta junto com a dor e aumento do testículo, enquanto a Orquite pode dar febre ou não.

Hidrocele
Blog da Saúde: O que é a Hidrocele? Quais os sintomas mais comuns?
Pedro Augusto Reis: É um acúmulo excessivo de líquido ceroso, parecido com um soro, entre a membrana que envolve o testículo. Da uma sensação de peso, de desconforto. A parte estética para o homem começa a se tornar um problema, porque até mesmo caminhar fica difícil, por conta do aumento da bolsa escrotal. O homem quer ir para a praia, piscina, colocar uma sunga e fica desconfortável.

Blog da Saúde: Como ela acontece?
Pedro Augusto Reis: Existe uma camada chamada de túnica vaginal que envolve os testículos do homem. Essa camada de tecido tem um pouco de líquido que permite que o testículo tenha movimento dentro do saco escrotal e atua como uma espécie de lubrificante. Quando esse líquido começa a acumular em excesso, a hidrocele acontece. De modo geral, as hidroceles mais comuns não provocam dor e não são infecciosas. É somente um acumulo de líquido.

Elas podem ser provocadas como uma consequência da orquite também. O homem pode desenvolver uma hidrocele porque no processo de inflamação do testículo, esses tecidos inflamados podem produzir muito liquido como consequência da inflamação.

Blog da Saúde: E como é possível tratar?
Pedro Augusto Reis: O tratamento é cirúrgico. Quando a hidrocele aparece, ela fica estabilizada e isso incomoda o homem. Em outros casos, a gente pode fazer o tratamento aspirando por fora, com uma espécie de agulha. Mas de modo geral, se está incomodando, o tratamento não é feito com medicamentos, é cirúrgico, ou com técnica de aspiração.

Blog da Saúde: E se não for feito o tratamento? Quais são os riscos?
Pedro Augusto Reis: No caso da hidrocele não existe maior gravidade. Ela é basicamente um desconforto local e estético. Não aumenta risco de câncer e infertilidade, nem nada disso. A não ser quando vem acompanhado de Orquite, claro.

É importante lembrar também que em alguns casos mais raros a Hidrocele pode vir como consequência de um câncer de testículo. Por isso é sempre importante, quem está com a bolsa escrotal aumentada, com acumulo de líquido, fazer uma ultrassonografia com o urologista, porque isso vai identificar não só o liquido, mas também quais as condições do testículo.

Varicocele
Blog da Saúde: O que são as Varicoceles? E como elas ocorrem?
Pedro Augusto Reis: São varizes. Veias dilatadas dentro da bolsa escrotal. O testículo, para sobreviver, como qualquer órgão, possui artérias que levam o sangue até ele para nutrir e oxigenar. Existem veias que removem aquele sangue que já foi metabolizado pelos testículos, para devolver à corrente sanguínea. E essas veias que a gente chama de veias gonadais, tanto do lado esquerdo, quanto do lado direito da bolsa escrotal, se parecem com um rio. São várias veias que vão se unindo umas às outras, e subindo em direção a virilha. Na varicocele essas veias não são normais, elas ficam dilatadas, e com o volume aumentado.

Blog da Saúde: E como é possível identificar uma Varicocele?
Pedro Augusto Reis: As veias presentes nos testículos podem produzir essas dilatações de varizes, assim como nas pernas. Dependendo do grau de varicocele, o homem pode perceber que o testículo fica um pouco mais baixo, além da sensação como se existissem “bichos” no local. Algumas vezes provocam dor, e elas são muito mais comuns nos testículos do lado esquerdo, pois a drenagem das veias é diferente do lado direito. Dor no testículo esquerdo e veias dilatadas geralmente são sinais de varicocele.

Blog da Saúde: A varicocele pode causar algum agravamento?
Pedro Augusto Reis: O principal problema é que a maior causa de infertilidade, quando a gente consegue diagnosticar a causa, é a varicocele. A dor é algo fácil de manusear, basta evitar algum esforço físico, tomar um analgésico, e é passageira. Mas a chance de alguns homens acabarem inférteis é grande. É importante ressaltar que grande parte dos homens que estão inférteis tem varicocele. Entretanto, isso não significa que os homens que têm varicocele vão ser inférteis.

Blog da Saúde: E qual o tratamento?
Pedro Augusto Reis: O tratamento é cirúrgico e só é feito, na imensa maioria das vezes, quando existe uma varicocele que produz infertilidade. Isso a gente identifica em casais que estão tendo dificuldades para ter filhos e quando o homem faz o espermograma. Normalmente, são dois exames para avaliar a qualidade do esperma. Se o exame mostrar que o homem está com sub-fertilidade ou infertilidade e ele tem varicocele, a cirurgia é indicada.

Depois de seis meses os pacientes voltam a fazer o espermograma e cerca de 70% a 80% dos pacientes vão melhorar e voltar a ter níveis de produção de espermatozoides.

Cuidados gerais
Blog da Saúde: Como os homens podem evitar contrair estas doenças que afetam os testículos? Pedro Augusto Reis: Os cuidados com os testículos, com a bolsa escrotal, vão se basear em algumas questões. É importante a gente evitar roupas apertadas, muito quentes e abafadas.

Os testículos preferem uma temperatura mais baixa para ter um funcionamento mais adequado, e produzir não só os espermatozoides, mas também o hormônio testosterona.

O autoexame, principalmente entre os jovens, é importante. Basta apalpar os testículos durante o banho sem muita força para avaliar se apresenta alguma irregularidade. E por fim, a visita regular ao urologista caso identifique alguma alteração.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde

Aprovado produto para tratamento de esclerose múltipla

Medicamento foi registrado como produto biológico novo. O produto é indicado para o tratamento de esclerose múltipla em pacientes adultos

O produto biológico novo Plegridy® (betapeginterferona 1ª), usado no tratamento de Esclerose Múltipla recorrente-remitente (EMRR) em pacientes adultos, foi registrado e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A publicação no Diário Oficial da União aconteceu no dia 19/12.

O princípio ativo do medicamento Plegridy® é a betapeginterferona 1ª que pode impedir que o sistema de defesa do organismo danifique o cérebro e a medula espinhal. A betapeginterferona 1ª é uma forma modificada de longa duração da interferona, substância natural produzida pelo corpo responsável por auxiliar na proteção contra infecções e doenças.

Embora não cure a doença, o tratamento com Plegridy® pode retardar os efeitos incapacitantes da esclerose múltipla, além de auxiliar na redução de surtos.

ANVISA

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ANS fixa regras para o monitoramento do risco assistencial

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) padronizou as regras do monitoramento do risco assistencial, prática adotada pelo órgão para o acompanhamento de operadoras de planos de saúde com o objetivo de detectar anormalidades que possam constituir risco à continuidade ou à qualidade do atendimento prestado aos beneficiários


Os objetivos são: identificar operadoras com indícios de risco assistencial; monitorar a evolução assistencial das operadoras e do setor em geral; e subsidiar ações preventivas e corretivas de competência da Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos (Dipro).

O mapeamento do risco assistencial será processado trimestralmente e realizado com base em indicadores definidos pela ANS. O desempenho da operadora nos indicadores estabelecidos será mensurado a partir de nota, que vai variar entre 0 e 1. A partir do cálculo da nota final, a operadora será classificada em uma das seguintes faixas: faixa 1: nota final maior ou igual a 0,7 e menor ou igual a 1; faixa 2: nota final maior ou igual a 0,35 e menor do que 0,7; ou faixa 3: nota final maior ou igual a zero e menor do que 0,35.

O resultado preliminar da avaliação no mapeamento do risco assistencial será disponibilizado no site da ANS (www.ans.gov.br) exclusivamente para cada operadora avaliada, que poderá acessá-lo mediante o uso de senha. A operadora terá prazo de 15 dias para enviar questionamentos sobre a sua avaliação. Após a análise dos questionamentos, bem como realização dos ajustes eventualmente necessários, a ANS divulgará o resultado final da avaliação da operadora.

Conforme a classificação da operadora, a ANS pode adotar medidas administrativas, como realização de visita técnico-assistencial para identificação de anormalidades, suspensão da comercialização de produtos ou o estabelecimento de um Plano de Recuperação Assistencial.

A Resolução Normativa nº 416, que traz a normatização, foi publicada nesta sexta-feira (23), no Diário Oficial da União (D.O.U), assim como a Instrução Normativa nº 49, que traz o detalhamento do funcionamento das normas. Antes desse regramento, as diretrizes eram comunicadas periodicamente às operadoras por meio de notas técnicas.

Confira aqui a Nota Técnica, do dia 15/12/2016, com os indicadores para o mapeamento do risco assistencial, com base nos dados coletados nos sistemas de informação da ANS.

Recuperação
Também foi publicada a Resolução Normativa nº 417, que traz as regras relativas ao Plano de Recuperação Assistencial, regime especial de Direção Técnica (DT) e Programa de Saneamento Assistencial. Essa resolução traz aprimoramento às normas já estabelecidas pela Resolução Normativa nº 256, de 2011, revogada com a publicação do novo texto sobre esses temas. Portanto, a RN 417 traz melhorias às normas existentes. O detalhamento da norma está na Instrução Normativa nº 50, também publicada no D.O.U.

Fonte: ANS

Pesquisa brasileira revela altas taxas de resistência aos antimicrobianos em todas as regiões do país

Globalmente elevados, os índices de resistência da gonorreia a certos medicamentos preocupam o mundo – e, recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a ciprofloxacina uma opção viável para o tratamento dessa infecção sexualmente transmissível (IST)

Neste contexto, o Departamento das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) coordenou, em parceria com o Laboratório de Biologia Molecular e Microbactérias da Universidade Federal de Santa Catarina entre 2015 e 2016, o Projeto de Vigilância da Resistência de Neisseria gonorrhoeae aos antimicrobianos – como o nome já diz, um estudo nacional de vigilância da resistência das cepas de gonorreia circulantes no Brasil.

Os resultados do chamado Projeto Sengono foram compartilhados com os representantes das sete cidades que participaram da pesquisa: Brasília, Salvador, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Manaus e a própria capital catarinense. Estiveram presentes a diretora do DIAHV, Adele Benzaken; técnicos do Departamento; a Dra. Maria Luiza Bazzo, coordenadora do projeto e sua equipe da Universidade Federal de Santa Catarina; e coordenadores e profissionais de laboratório dos sete sítios coletadores envolvidas.

A pesquisa revelou que há taxas de resistência à ciprofloxacina, à penicilina e à tetraciclina superiores a 50% em todas as regiões do país. A única exceção é a Região Norte, que apresentou uma taxa de 47% de resistência a ciprofloxacina. Com relação a ceftriaxona e cefixima, todos os isolados estudados foram sensíveis a essas cefalosporinas de terceira geração. Esses resultados corroboram a atual recomendação terapêutica da OMS, lançada em 2016, no sentido de substituir a ciprofloxacina pela ceftriaxona ou cefixima, na terapia dupla, com azitromicina, como opção de tratamento para infecções gonocócicas. Ainda, segundo a OMS, um agente antimicrobiano não deve ser usado quando, em estudos de vigilância in vitro, mais de 5% das culturas gonocócicas demonstrarem resistência a esse antimicrobiano em questão.

“Quando não tratada de maneira correta, ou quando o gonococo desenvolve resistência ao tratamento empregado, a gonorreia pode causar danos graves e até irreversíveis, como doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, abortamento e infertilidade, com graves consequências médicas, sociais, psicológicas e econômicas, em mulheres e homens”, disse a diretora do DIAHV, Adele Benzaken. Ela destacou ainda que uma IST é um fator complicador para a infecção pelo HIV: “Uma pessoa com algum tipo de IST tem até 18 vezes mais chances de se infectar com o vírus causador da aids do que uma pessoa que não a tem”, complementou.

A gonorreia, causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae – também conhecida como gonococo – é a segunda infecção sexualmente transmissível (IST) bacteriana mais comum no mundo. Estima-se que, somente no Brasil, existam cerca de 500 mil novos casos por ano. Atualmente, o gonococo já é considerado um microrganismo multirresistente.

Para a Professora do Departamento de Analises Clinicas da Universidade Federal de Santa Catarina, Maria Luiza Bazzo – coordenadora do estudo -, os resultados não surpreenderam. “Apesar de não existir no Brasil um panorama real em relação a resistência em relação a ciprofloxacina, estudo confirmou o alto índice de resistência a este antimicrobiano, o que, sem dúvida, vai trazer impacto para o tratamento da gonorreia no Brasil”. Por outro lado, ela ressalta que o estudo mostrou que não houve resistência com os medicamentos ceftriaxona e cefixima.

Prevalência
No Brasil, o cenário epidemiológico da infecção acompanha os altos índices mundiais. Estima-se que a prevalência da gonorreia na população de 15 a 49 anos seja de aproximadamente 1,4% – e que a incidência na população em geral esteja em torno de 498.848 novos casos por ano.

Tipos
Qualquer prática sexual pode transmitir a gonorreia – seja o contato oral, vaginal ou anal. A bactéria se prolifera em áreas quentes e úmidas do corpo, incluindo o canal que leva a urina para fora do corpo, a uretra. Pode ser encontrada também no sistema reprodutor feminino, que inclui as tubas uterinas, o útero e o colo do útero. Há ainda a transmissão de mãe para filho durante o parto. Em bebês, a gonorreia costuma se manifestar principalmente nos olhos, na forma de conjuntivite grave, mas também pode haver infecção disseminada.

Assessoria de Comunicação
Departamento das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais
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