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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Cerca de meia tonelada de remédios vencidos é achada em posto de saúde

Vigilância Sanitária apreendeu remédios no distrito de Tarilândia em Jaru (RO). Este é o 2º caso neste ano; ao todo mais de 2 toneladas foram encontradas

No local, foram encontrados remédios vencidos em novembro de 2016 (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
No local, foram encontrados remédios vencidos em novembro de 2016 (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

Cerca de meia tonelada de remédios vencidos foram encontrados em um posto de saúde no distrito de Tarilândia, em Jaru (RO), a 290 quilômetros de Porto Velho, no início desta semana. O material foi apreendido através de denúncia anônima e deve ser incinerado. Este é o segundo caso registrado em menos de uma semana. De acordo com a Vigilância Sanitária no último sábado (28), quase duas toneladas foram achadas no Hospital Municipal e Farmácia Básica da cidade.

Ao G1, o diretor municipal da Vigilância Sanitária, Elaidio Pimentel, informou que no caso das quase duas toneladas de remédios vencidos encontrados no Hospital Municipal e Farmácia Básica de Jaru, o material foi descoberto após a troca da direção da unidade.

Já na ocorrência do distrito de Tarilândia, a carga de medicamentos vencidos foi localizada através de uma denúncia anônima. Entre os itens encontrados vencidos, a maioria são antibióticos. Alguns medicamento estão vencidos desde 2013.

As mais de duas toneladas de medicamentos vencidos apreendidas nos dois casos foram encaminhadas até a sede da Vigilância Sanitária do município, onde um relatório será produzido para especificar todos os itens encontrados.

O relatório será entregue para a Secretaria Municipal de Saúde, que deve abrir uma sindicância interna para encontrar os responsáveis pelo ocorrido. Após o procedimento, os medicamentos serão incinerados por uma empresa especializada.

O ex- prefeito de Jaru, Inaldo Pedro Rosa (PMDB), disse à reportagem da Rede Amazônica, que mesmo antes dele assumir o cargo em dezembro de 2015, parte dos medicamentos vencidos já estavam armazenados na Secretaria Municipal de Saúde do município. Ele disse também que não conseguiu finalizar uma sindicância instaurada na época para investigar o caso dos remédios vencidos.


Investigação

Na última terça-feira (31), o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), informou à Rede Amazônica que abriu uma investigação para saber o motivo da compra de grande quantidade de remédios e porque não foram usados antes do prazo de validade.

O responsável pela segunda promotoria de Justiça de Jaru, promotor Fabio Rodrigo Casaril, afirmou que remédios estão sendo encontrados vencidos na cidade desde 2015. Conforme o promotor, já foram encontrados remédios até enterrados. Entretanto, por não encontrar a autoria do ato ilícito, a investigação foi arquivada.

Como o caso voltou a se repetir, uma nova investigação foi iniciada. "Sobre as ocorrências de 2016, começamos uma nova investigação das mais de duas toneladas de medicamentos vencidos. Já requisitamos documentos para a prefeitura de todos os processos realizados para aquisição desse material. Em seguida, vamos ouvir as pessoas que tiveram relação com esse fato" explicou.

1º caso
Quase duas toneladas de remédios vencidos foram achados dentro de uma sala do Hospital Municipal e Farmácia Básica de Jaru (RO), a 290 quilômetros de Porto Velho. De acordo com a Vigilância Sanitária neste sábado (28), os medicamentos estavam guardados em caixas foram achados após a nova direção assumir a unidade de saúde. A maioria dos remédios vencidos são antibióticos. O material apreendido deve ser incinerado pela Vigilância.

G1

O papel do farmacêutico vai além da rastreabilidade de medicamentos

Na última semana a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou mudanças no projeto de criação do sistema nacional de rastreabilidade de medicamentos

Na nova proposta, a resolução – que tem como objetivo o controle do caminho dos remédios da indústria ao consumidor – passa a ter foco apenas em medicamentos de alto custo ou que precisam de prescrição médica. A proposta prevê ainda prazos específicos para cada setor informar o trajeto desses remédios. As farmácias, por exemplo, teriam sete dias para comunicar os dados no site da Anvisa.

A farmacêutica e gerente do Valida Laboratório de Ensaios Térmicos, Liana Montemor, acredita que a rastreabilidade de medicamentos tem papel fundamental para a segurança da saúde pública, e ressalta que o papel do farmacêutico vai muito além.

“Com a nova proposta, a rastreabilidade seria apenas de medicamentos de alto custo. Muitos produtos biológicos fazem parte desse grupo e necessitam de um controle rígido de temperatura (entre 2º C e 8º C, por exemplo) para a sua eficácia. Dessa forma, é muito importante que o farmacêutico se atenha à temperatura dos produtos como garantia da qualidade do medicamento a ser dispensado”, esclarece. 

A especialista em cadeia fria explica que até mesmo a embalagem entregue ao paciente dentro da farmácia deve ser qualificada e garantir a manutenção da temperatura durante o transporte até a residência. “Medicamentos biológicos são feitos a partir de células vivas, ou seja, se transportado de maneira incorreta perde-se a estabilidade e as propriedades farmacológicas. É uma questão de saúde pública”, afirma Liana.

Por RS Press - Laís Cavassana

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase

A Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeia a doença

A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado.

O Ministério da Saúde (MS) promove em parceria aos estados e municípios, ações de vigilância e educação em saúde, com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, além de mobilizar os profissionais de saúde à busca ativa de casos novos de hanseníase e exame dos contatos, especialmente os de convivência domiciliar (grupo com maior risco de adoecimento). As ações de busca ativa têm como foco o diagnóstico precoce da doença e a prevenção das incapacidades e deformidades físicas.

O MS recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente, se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade ao calor e ao toque, configurando como um dos sinais e sintomas sugestivos da doença. Entre 2006 a 2015, o Brasil conseguiu reduzir em 28% a taxa de detecção da doença, reduzindo de 43.652 para 28.761 o número de casos novos diagnosticados, no mesmo período.

Entretanto, mesmo com a redução apresentada, a detecção no país ainda é considerada alta para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dos 28.761 casos registrados em 2015, 2.113 (7,34%) foram em crianças com menos de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissões recentes.

No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo) - cor definida em 2015 para simbolização do enfrentamento a doença no país -, para alertar a população a respeito da doença, o Blog da Saúde entrevistou a Coordenadora Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha.

Confira a entrevista:

Blog da Saúde: O que é a Hanseníase?
Carmelita Filha: É uma doença dermato neurológica, que tem manifestação na pele, como manchas. E essas manchas têm alteração de sensibilidade, por isso são consideradas dermato neurológicas. A parte neurológica vem dos nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade e motricidade. Então a Hanseníase é a única doença dermatológica que tem alteração de sensibilidade na pele.

Blog da Saúde: E quais são os principais sinais e sintomas?
Carmelita Filha: Os principais sinais e sintomas são:- manchas na pele com alteração da sensibilidade térmica e/ou dolorosa; comprometimento neural periférica em mãos e/ou pés e/ou face.

É comum as pessoas falarem que estão com uma mancha dormente no corpo e chegarem ao consultório com uma cicatriz no local por terem feito o teste da sensibilidade. Mas é importante ressaltar que nem sempre a mancha doença vai estar totalmente dormente. Ela pode estar mais ou menos, dependendo do tempo. As manchas podem ser esbranquiçadas, que não dói, não coça e aparecem geralmente em lugares como as costas, braços, perna e rosto, mas isso não elimina outras áreas do corpo. É uma mancha que aparece no corpo e que muitas vezes as pessoas não se sentem incomodadas. Também pode haver alteração de sensibilidade sem a mancha.

Blog da Saúde: E quais são as causas? É uma doença transmissível?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença milenar, é sinônimo de lepra. No Brasil que foi alterado a nomenclatura pelo preconceito a doença. O período de encubação da doença é longo e é transmissível. Então uma pessoa que possui Hanseníase do tipo multibacilar que não esteja em tratamento transmite a doença, geralmente para quem está mais próximo. São as pessoas que moram com ela ou que estão próximas, que tem maior chance de adoecer. A bactéria causadora da Hanseníase é a microbacterium lepra, e ela entra pelas vias aéreas superiores através de um espirro, tosse ou até mesmo uma conversa. Mas só uma conversa rápida não é o suficiente para desenvolver a doença, precisa que a pessoa esteja todo dia recebendo a bactéria. As pessoas ficam muito receosas em estar perto de quem tem a doença, mas falta conhecimento de que não é em um contato rápido que haverá transmissão. Envolve uma rotina diária. E ainda assim, para você adoecer, a pessoa que recebeu a carga bacilar teria que estar em condições para adoecer, como resistência baixa, por exemplo. Então sim, é uma doença transmissível, mas não tem toda essa facilidade de transmissão como às pessoas acham.

Blog da Saúde: Quais são os tipos de hanseníase? Todos eles são transmissíveis?
Carmelita Filha: A hanseníase tem duas fases ou formas clínicas: paucibacilar e multibacilar. A forma paucibacilar, é a inicial da doença e o tratamento é realizado com seis doses de PQT; na forma multibacilar, o tratamento é realizado com doze doses de PQT. Quem faz diagnóstico é o médico da equipe de Estratégia de Saúde da Família/ESF, da Unidade de Saúde mais próxima a residência, inicialmente de maneira clínica e se necessário, com a confirmação no laboratório.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem evitar a contaminação? Quais os cuidados?
Carmelita Filha: A forma de prevenção é diagnosticar os casos precocemente. Não é uma doença que tem vacina para evitar. A prevenção consiste no diagnóstico de todas as pessoas o mais rápido possível, e tratar para que as pessoas evitem a transmissão. Iniciado o tratamento, imediatamente a pessoa deixa de transmitir a doença. Outra coisa interessante é que é muito difícil saber de quem pegou a doença, por que tem um período de incubação longo, e pode ficar em média cinco anos sem apresentar sintomas e a pessoa não saber que é portadora da doença. Além disso, a pessoa pode ficar com a mancha ou outros sintomas, e não dar importância. A gente estimula que os profissionais de saúde fiquem atentos para os sinais e sintomas da hanseníase, pois somos um país endêmico e precisamos ficar alerta para o diagnóstico não só do paciente, mas que a família e os contatos próximos também venham para ser examinados e diagnosticados o quanto antes.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem procurar um serviço de saúde para fazer o diagnóstico?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença que está na Atenção Básica, então qualquer Unidade de Saúde no seu município, deve fazer o diagnóstico. Se uma pessoa tiver qualquer sinal e sintoma, e suspeitar que tenha a doença, deve procurar a Unidade mais perto da sua casa. Ali a equipe pode examinar, dar o diagnóstico, e logo iniciar o tratamento. Toda Unidade oferece tratamento de hanseníase gratuito pelo SUS.

Blog da Saúde: Mesmo sem sintomas, eu posso procurar a Atenção Básica?
Carmelita Filha: O ideal é que todas as pessoas procurem. Se algum amigo ou parente da família teve historia de hanseníase, mesmo que não tenha nenhum sinal. O ideal é que uma equipe da ESF examine e faça a prevenção.

Blog da Saúde: E como funciona o tratamento?
Carmelita Filha: Quando o paciente tem o diagnóstico de hanseníase, ele recebe todas as informações e é imediatamente indicado para o tratamento. O período do tratamento dura um ano para casos de hanseníase multibacilar, e seis meses para os casos paucibacilares. A primeira dose é dada diretamente na unidade de saúde. Funciona assim: todo mês o paciente tem que ir à Unidade para tomar uma dose supervisionada do remédio, ou seja, na frente do profissional de saúde, e pegar o resto da medicação para ser tomada durante 28 dias, todos os dias. Em casos de paucibacilar, um comprimido por dia, no caso de multibacilar, dois comprimidos. Concluindo o tratamento em casa, o paciente volta à Unidade, toma a medicação supervisionada, e pega o restante da medicação novamente, até o fim do tratamento quando ela está curada. Caso tenha algum problema com a medicação, é na Unidade que ele deve pedir orientação.

Blog da Saúde: Hanseníase mata?
Carmelita Filha: Não mata, mas traz deformidades físicas se não for tratada adequadamente e precocemente.

Blog da Saúde: Por que as pessoas que possuem a doença são estigmatizadas?
Carmelita Filha: O principal fator são as sequelas, pois a hanseníase poderá causar deformidade física. A pessoa que tem o tipo multibacilar, que é o tipo que transmite, quando tem o diagnóstico tardio, tem mais chance de ter uma incapacidade física. A micobactéria pode acometer os nervos periféricos dos olhos, mãos e pés. As pessoas que estão curadas, não transmitem mais, mas são estigmatizadas pela aparência, e a gente não deve discriminar o próximo pelo que está vendo. É uma pessoa como qualquer outra, apesar de alguns casos apresentarem algum tipo de sequela decorrente da doença. Assim, devemos evitar o preconceito, com qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de deficiência física.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde

Febre Amarela: Viajantes com destino ao Panamá devem ter CIVP válido

Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia será exigido para entrada no Panamá de viajantes provenientes do Brasil, a partir de 06/02/2017

Ponto focal do Regulamento Sanitário Internacional - RSI do Panamá informou que, a partir de 06/02/2017, o país passará a cobrar CIVP válido de viajantes procedentes do Brasil, com destino àquele país.

A medida foi adotada devido ao surto de febre amarela nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia e ao movimento migratório do Brasil para o Panamá.

Desta forma, a partir de 06/02/2017, os viajantes que partirem do Brasil com destino ao Panamá deverão apresentar CIVP válido.

Para saber como tirar o certificado de vacinação e como proteger a sua saúde em viagens internacionais, confira aqui.

ANVISA

Hospitais brasileiros precisam aprimorar monitoramento de medicamentos para melhorar a segurança do paciente

Diversos estudos brasileiros e internacionais têm demonstrado a alta frequência de problemas de saúde relativos ao gerenciamento e uso de medicamentos, o que pode levar a eventos adversos e, consequentemente, agravar a saúde do paciente, provocando mudanças clínicas significativas e até mesmo elevar os custos diretos e indiretos do tratamento

Esse é um aspecto já conhecido dos profissionais que atuam na área da saúde. No entanto, o médico Roberto Manara, educador de Serviços de Educação para a Melhoria da Qualidade e Segurança Assistencial de Instituições de Saúde do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), afirma: “Muitas instituições não apresentam um olhar crítico acerca do monitoramento de medicamentos e sobre seus eventos adversos e sentinelas, o que dificulta o processo de gestão”.

Manara aponta ainda como críticos, os padrões relacionados à manipulação e guarda segura de dos medicamentos. O educador do CBA defende que o gerenciamento e o uso de medicamentos precisa estar ligado a conceitos de qualidade e segurança, devendo ser uma responsabilidade multiprofissional.

No entanto, o educador do CBA ressalta que o papel da farmácia e do farmacêutico é fundamental dentro deste contexto. “Um dos grandes ganhos dos hospitais acreditados é a valorização deste profissional e o aumento do número de farmacêuticos clínicos. Este profissional atua na ponta, diretamente no âmbito assistencial. Naturalmente as prescrições, conciliações medicamentosas, validações e orientação a respeito do uso de medicamentos ficam muito mais seguras”, sublinha.

Roberto Manara, que também é corresponsável pelo Centro de Ensino e Treinamento (CET) de Anestesia da Pontifícia Universidade Católica (PUC Sorocaba), afirma que o papel do médico e do farmacêutico diante das prescrições deve ser de equipe. “O ideal é que o farmacêutico clínico faça a revisão de todas as prescrições e as reconciliações pertinentes. Neste processo, nenhum profissional é detentor do saber pleno e o trabalho deve ser sempre conjunto”, assegura.

Docente do curso de Gerenciamento e Uso de Medicamentos do CBA, Roberto Manara diz que todo profissional da área de assistência deve saber informações sobre organização, gerenciamento, seleção, aquisição, armazenamento, prescrição e transcrição, preparo, dispensação, administração e monitoramento de medicamentos; sem esquecer dos medicamentos de alta vigilância e da cadeia de suprimentos.

Essas são as temáticas oferecidas no curso do CBA, cuja próxima turma já tem data marcada: dias 09 e 10 de fevereiro, no Rio de Janeiro, e dias 16 e 17 de fevereiro, em São Paulo. No Rio, o curso será ministrado pela médica e avaliadora do CBA, Adélia Quadros. Já em São Paulo, o docente será o médico e educador Roberto Manara.

Mais informações pelo site www.cbacred.org.br ou pelo tel. (21)3299-8243 ou 3299-8200.

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br