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terça-feira, 11 de abril de 2017

Lote de medicamento Atenolol é suspenso pela Anvisa

Além do remédio para hipertensão, Atenolol, Agência suspende lote de clorexidina por resultados laboratoriais insatisfatórios

A Anvisa suspendeu nesta segunda-feira (10/4) a comercialização do lote 38736 (Val 12/2017) do medicamento Atenolol comprimido de 25mg. O medicamento genérico era fabricado pela empresa Vitamedic Indústria Farmacêutica Ltda e o lote, agora, se encontra suspenso.

De acordo com laudo emitido pela Fundação Ezequiel Dias/FUNED, o lote do medicamento para hipertensão arterial 38736 apresentou resultado insatisfatório no ensaio de dissolução (valores de dissolução abaixo da especificação sanitária).

Assim, determinou-se que a empresa Vitapan promovesse o recolhimento do estoque existente no mercado, relativo ao lote do genérico.

Clorexidina suspensa
Outra medida sanitária também publicada no Diário Oficial da União (DOU) foi a suspensão do lote M22926 do medicamento Clorexidina da empresa Vic Pharma Indústria e Comércio Ltda. O lote de Gliconato de Clorexidina em questão foi, portanto, suspenso tanto na distribuição, comercialização quanto no uso.

Laudos de análises emitidos pelo Instituto Adolfo Lutz mostraram resultados insatisfatórios relacionados à contagem de bactérias. Deste modo, o que motivou a suspensão do lote de Clorexidina, solução tópica 1%, foi o limite não obedecido de bactérias aeróbias mesófilas.

A resolução RE 917/17 que suspende o lote M22926 do medicamento determina, também, que a empresa recolha as unidades relativas ao produto destacado.

ANVISA

Menos de 4% dos hospitais do Brasil seguem normas pré-estabelecidas para maior segurança ao paciente

Você sabia que a simples identificação incorreta de um exame; a administração incorreta de um medicamento ou uma cirurgia em local errado podem trazer danos graves ao paciente?

Por Thamara Paiva -Misasi

Esses são alguns dos motivos que levaram ao surgimento da campanha, “Abril pela Segurança do Paciente”, promovida pelo Ministério da Saúde que entra em ação este mês.

Esta campanha é um incentivo para que todos possam contribuir para a segurança do paciente. A ONA (Organização Nacional de Acreditação) o IBSP (Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente) e o ISMP (Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos) são instituições que buscam incessantemente colaborar com a melhoria da assistência no Brasil, e que também acreditam que sensibilizar tanto os profissionais quanto os próprios pacientes, é um dos caminhos para uma assistência com menos eventos adversos.

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Neste contexto a ONA possui uma metodologia de acreditação de saúde com padrões reconhecidos internacionalmente, que ajudam as organizações a prestarem uma assistência mais segura e de qualidade. “Menos de 4% dos hospitais do país seguem normas pré-estabelecidas pelo processo de acreditação, que visam maior segurança do paciente, diz Dr. Péricles Góes da Cruz, gerente de relações institucionais da ONA.

Ele ainda complementa que são mais de 6.500 hospitais cadastrados no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) e em torno de 250 destes, são acreditados pela Organização Nacional de Acreditação, que promove o atendimento a normas de conduta para segurança do paciente.

Fomentando a campanha, o IBSP em parceria com a ONA e apoio do ISMP, dão força à iniciativa com intuito de mostrar que os padrões de qualidade e segurança podem ser adotados por todas as organizações.

Durante o mês de abril, será apresentada uma programação interessante para promover os pilares da segurança do paciente. “Haverá uma série de conteúdos especiais nos Portais do IBSP e da ONA sobre as boas práticas relacionadas às metas internacionais de segurança do paciente, uma campanha nas redes sociais explicando os principais conceitos do tema ao público leigo, um webinar gratuito para discutir novos desafios na área, culminando no fim do mês com o II Simpósio Internacional de Qualidade e Segurança do Paciente”, comenta Dr. José Branco, diretor executivo do IBSP.

Saúde Business

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Adicionado a antibióticos, extrato do famoso maple syrup potencializa a ação dos remédios

Xarope gera o efeito esperado com apenas 10% das doses usualmente prescritas. Produto já é usado para combater infecções, diz cientista


Usado no café da manhã para deixar alimentos mais saborosos, o xarope de bordo pode ser a chave para o combate a um dos problemas mais preocupantes em saúde pública: a resistência das bactérias aos antibióticos. Pesquisadores canadenses descobriram que o extrato desse produto aumenta a ação dos medicamentos, fazendo com que as doses sejam reduzidas sem a perda do efeito esperado. Detalhes do trabalho foram apresentados ontem no 253º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, que termina hoje, em São Francisco, nos Estados Unidos.

A autora principal do estudo, Nathalie Tufenkji, conta que o xarope de bordo, também chamado de maple syrup, já é usado para tratar problemas de saúde. “As populações nativas do Canadá, há muito tempo usam esse produto para combater infecções. Eu sempre me interessei pela ciência que existe por trás desses remédios populares”, declarou, em comunicado à imprensa. Em uma pesquisa anterior, ela e a equipe investigavam efeitos antimicrobianos em substâncias naturais e acabaram percebendo que o extrato do xarope de bordo tinha propriedades anticancerígenas. “A partir daí, tive a ideia de verificar melhor sua atividade antimicrobiana. Então, pedi para um dos meus parceiros de pesquisa ir para a loja comprar mais xarope”, conta a autora.

No experimento, Tufenkji e sua equipe separaram o açúcar e a água dos compostos fenólicos (substâncias químicas) do xarope de bordo que dão a coloração dourada ao alimento. Em um teste inicial, expuseram várias estirpes bacterianas causadoras de doenças ao extrato do xarope, mas não observaram efeitos promissores. Em uma segunda etapa, misturaram o extrato a antibióticos usados recorrentemente, a ciprofloxacina e a carbenicilina, e houve um aumento considerável no efeito dos medicamentos.

A eficácia foi tão grande que, ao adicionar o xarope de bordo a porções menores do antibiótico — apenas 10% da dose usualmente prescrita —, os cientistas observaram que a nova dosagem surtia o mesmo efeito. A mistura foi testada com a E. coli, que causa problemas gastrointestinais; a Proteus mirabilis, responsável por infecções do trato urinário; e a Pseudomonas aeruginosa, que pode causar infecções em hospitais. Todos os testes mostraram resultados positivos, com o aumento da eficácia do medicamento.

Mais estudos
A equipe de Tufenkji também testou o extrato em moscas-de-fruta e larvas de mariposas. Eles deram aos animais alimentos com bactérias e antibióticos com e sem o extrato fenólico. As cobaias que receberam a mistura do extrato de xarope de bordo e antibióticos viveram mais dias do que o grupo que recebeu o medicamento puro. Apesar dos resultados promissores, a autora ressalta que mais pesquisas precisam ser feitas.

“Hoje em dia, enfrentamos uma crise mundial de resistência aos antibióticos. Ainda é muito cedo para dizer que essa seja a solução. Precisamos fazer mais estudos. Porém, seria uma alternativa útil, já que usar doses menores desse medicamento pode ser uma maneira de impedir que ele perca a eficácia”, detalha a autora.

Para Leandra Sá de Lima, farmacêutica e consultora da Farmacotécnica, em Brasília, os resultados são animadores, mas ela também ressalta a necessidade de mais investigações até que a solução se torne uma realidade comercial. “Acredito que essa seja uma saída muito interessante na área da saúde. Entretanto, usualmente, leva-se muito tempo para que os testes sejam concluídos. O trabalho foi feito com um extrato um pouco diferente do produto usado comumente na alimentação. Para chegar ao mercado, ainda demanda muito tempo de estudo. Mas é algo bastante promissor”, ressalta a especialista, que não participou do estudo.

Quebrando barreiras
Para descobrir como o extrato de bordo fez com que os antibióticos funcionassem melhor, os pesquisadores resolveram investigar o mecanismo envolvido na ação da substância. Em laboratório, observaram que ela quebra uma barreira importante na estrutura do micróbio, facilitando, assim, a ação dos antibióticos. “A bactéria tem uma pele que a envolve por fora e a protege. O extrato fez com que essa membrana se tornasse mais permeável, o que permitiu que o antibiótico pudesse penetrá-la mais facilmente e, dessa forma, destruir a bactéria”, diz Nathalie Tufenkji, autora principal da pesquisa.

A farmacêutica Leandra Sá de Lima explica que a interferência na estrutura do micro-organismo pode ter outros impactos positivos para o combate às superbactérias. “O mecanismo de ação postulado pelos pesquisadores é bastante interessante. Não apenas favorece o uso de doses muito menores dos antibióticos, como também torna o direcionamento do medicamento mais específico para os micro-organismos do que para as células humanas”, explica.

A especialista também ressalta que a problemática da resistência microbiana está em pauta nos meios científicos e que medidas que impeçam esse problema são muito bem-vindas. “A ciência não tem conseguido grandes sucessos com a criação de moléculas antibióticas. Quando surge um novo medicamento, os custos são bastante elevados. Entendo como necessário atuar nos dois sentidos: pesquisa de novas moléculas e associações que favoreçam a efetividade dos mesmos”, diz

Solução natural
Leandra Sá de Lima também ressalta que todos podem contribuir para que os antibióticos não percam o poder de cura. “Cabe-nos ter a consciência de que o antibiótico deve ser um recurso utilizado a partir da avaliação médica e realmente quando necessário. Não é um recurso para qualquer momento. Guardar sobras de antibiótico e se automedicar em casa não é uma boa medida.” Atualmente, a equipe canadense realiza testes com camundongos a fim de investigar a fundo os efeitos do extrato do xarope de bordo. Eles adiantam que outros desafios estão por vir, como a necessidade de tornar o extrato mais puro. O fato de se tratar de um extrato natural deixa-os ainda mais animados quanto às aplicações futuras da pesquisa. “Há outros produtos lá fora que aumentam a força dos antibióticos, mas esse pode ser o único que vem da natureza”, ressalta Tufenkji.

Prioridade científica
São patógenos resistentes à ação dos antibióticos, principalmente pelo uso incorreto dos medicamentos. Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma lista dos micro-organismos com essas características que, segundo a agência das Nações Unidas, devem ser prioridade nas pesquisas por novos remédios contra esses micróbios. A lista inédita é dividida em três grupos de prioridade: crítica, alta e média. Fazem parte da mais urgente as bactérias Acinetobacter baumannii (que afeta principalmente as vias respiratórias e o trato urinário), Pseudomonas aeruginosa (uma recorrente causa de infecções hospitalares) e Enterobacteriaceae (responsável por complicações como pneumonia, meningite e gastroenterite).

Foto: Reprodução

Mais de onze milhões de brasileiros têm depressão

A doença representa quase um quarto dos atendimentos ambulatoriais e hospitalares em saúde mental no SUS

Uma tristeza profunda que faz o corpo doer com os efeitos de uma doença que é invisível e dificulta ações cotidianas simples como levantar da cama, comer, trabalhar ou estudar. Essa é a depressão, que já é conhecida como o mal do século por ter estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que até 2020 será a doença mais incapacitante do mundo.

Por isso, a depressão foi o tema eleito pela OMS para o Dia Mundial da Saúde, comemorado neste último 07 de abril. A proposta é chamar atenção para a doença e incitar os debates a esse respeito.

Segundo o recente relatório da OMS, a prevalência da depressão no Brasil já é a segunda maior carga de incapacidade, sendo o maior índice na América Latina. São mais de onze milhões de brasileiros diagnosticados com a doença, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). A prevalência registrada é maior entre as mulheres (10,9%) do que nos homens (3,9%).

“Há três anos fui diagnosticada, depois de conviver alguns anos com sintomas como a completa falta de vontade de sair de casa, de ver os amigos, de levantar da cama e ter problemas dentro de casa com minha família pela incompreensão da minha ansiedade e falta de ânimo”, relata a barista, Aline de Sousa Bastos.

A depressão representa quase um quarto (23%) dos atendimentos ambulatoriais e hospitalares em saúde mental no Sistema Único de Saúde. A principal porta de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que correspondem a 69% dos atendimentos e diagnósticos realizados no Brasil.

Os casos menos graves da doença recebem o acompanhamento de profissionais como psicólogos e psiquiatras, mas não requerem cuidados mais extremos. “Esse é um cenário bastante importante porque a Atenção Básica é a área ideal para acompanhar os casos leves e moderados, pois tem equipes constantemente capacitadas para desempenhar este atendimento”, explica o coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro.


As ocorrências de maior gravidade, como a falta de interesse no convívio social, ou que estão associadas a outras doenças como bipolaridade, esquizofrenia entre outras, são encaminhadas aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Confira aqui, na reportagem especial da TV Saúde.

Uma das principais formas de tratamento da depressão é a psicoterapia, com sessões de acordo com a necessidade do paciente. Segundo a psicóloga Cecília Frota, essa terapia busca “mexer com o emocional para encontrar a causa do que gerou essa tristeza, para tentar ajudar o paciente a chegar em um nível de autoconhecimento que seja um caminho para a solução dos problemas”.

Apesar de os dados da Pesquisa Nacional de Saúde revelar que a frequência de pessoas com depressão aumenta de acordo com o avanço da idade, as crianças também são vítimas dessa doença e precisam de acompanhamento específico.

Pessoas que sofrem com a depressão e não conseguem buscar ajuda de profissional de saúde ou, mesmo aquelas com risco de suicídio, podem buscar apoio em conversas com os voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 141. Em breve, essa ligação passará a ser gratuita pelo telefone 188, graças a um acordo do Ministério da Saúde com o CVV.

“É um trabalho importante e muito efetivo, com resultados positivos para a sociedade e, por isso, continuaremos apoiando o CVV, que é tão necessário em momentos de angústia, em momentos em que as pessoas estão com um dilema sobre a vida para retomar o dia a dia”, declarou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Janary Damacena para o Blog da Saúde

domingo, 9 de abril de 2017

Células tumorais expostas à 'Quinta Sinfonia', de Beethoven, perderam tamanho ou morreram

Mesmo quem não costuma escutar música clássica já ouviu, numerosas vezes, o primeiro movimento da "Quinta Sinfonia" de Ludwig van Beethoven

O "pam-pam-pam-pam" que abre uma das mais famosas composições da História, descobriu-se agora, seria capaz de matar células tumorais - em testes de laboratório. Uma pesquisa do Programa de Oncobiologia da UFRJ expôs uma cultura de células MCF-7, ligadas ao câncer de mama, à meia hora da obra. Um em cada cinco delas morreu, numa experiência que abre um nova frente contra a doença, por meio de timbres e frequências.

A estratégia, que parece estranha à primeira vista, busca encontrar formas mais eficientes e menos tóxicas de combater o câncer: em vez de radioterapia, um dia seria possível pensar no uso de frequências sonoras. O estudo inovou ao usar a musicoterapia fora do tratamento de distúrbios emocionais.

- Esta terapia costuma ser adotada em doenças ligadas a problemas psicológicos, situações que envolvam um componente emocional. Mostramos que, além disso, a música produz um efeito direto sobre as células do nosso organismo - ressalta Márcia Capella, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, coordenadora do estudo.


Como as MCF-7 duplicam-se a cada 30 horas, Márcia esperou dois dias entre a sessão musical e o teste dos seus efeitos. Neste prazo, 20% da amostragem morreu. Entre as células sobreviventes, muitas perderam tamanho e granulosidade.

O resultado da pesquisa é enigmático até mesmo para Márcia. A composição "Atmosphères", do húngaro György Ligeti, provocou efeitos semelhantes àqueles registrados com Beethoven. Mas a "Sonata para 2 pianos em ré maior", de Wolfgang Amadeus Mozart, uma das mais populares em musicoterapia, não teve efeito.

- Foi estranho, porque esta sonata provoca algo conhecido como o "efeito Mozart", um aumento temporário do raciocínio espaço-temporal - pondera a pesquisadora. - Mas ficamos felizes com o resultado. Acreditávamos que as sinfonias provocariam apenas alterações metabólicas, não a morte de células cancerígenas.

"Atmosphères", diferentemente da "Quinta Sinfonia", é uma composição contemporânea, caracterizada pela ausência de uma linha melódica. Por que, então, duas músicas tão diferentes provocaram o mesmo efeito?

Aliada a uma equipe que inclui um professor da Escola de Música Villa-Lobos, Márcia, agora, procura esta resposta dividindo as músicas em partes. Pode ser que o efeito tenha vindo não do conjunto da obra, mas especificamente de um ritmo, um timbre ou intensidade.

Quando conseguir identificar o que matou as células, o passo seguinte será a construção de uma sequência sonora especial para o tratamento de tumores. O caminho até esta melodia passará por outros gêneros musicais. A partir do mês que vem, os pesquisadores testarão o efeito do samba e do funk sobre as células tumorais.

- Ainda não sabemos que música e qual compositor vamos usar. A quantidade de combinações sonoras que podemos estudar é imensa - diz a pesquisadora.

Outra via de pesquisa é investigar se as sinfonias provocaram outro tipo de efeito no organismo. Por enquanto, apenas células renais e tumorais foram expostas à música. Só no segundo grupo foi registrada alguma alteração.

A pesquisa também possibilitou uma conclusão alheia às culturas de células. Como ficou provado que o efeito das músicas extrapola o componente emocional, é possível que haja uma diferença entre ouví-la com som ambiente ou fone de ouvido.

- Os resultados parciais sugerem que, com o fone de ouvido, estamos nos beneficiando dos efeitos emocionais e desprezando as consequências diretas, como estas observadas com o experimento - revela Márcia.