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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Exame consegue detectar glaucoma mesmo 10 anos antes dos sintomas

Técnica desenvolvida no Reino Unido permite diagnóstico precoce de doença que atinge 60 milhões de pessoas


Um estudo pioneiro realizado no Reino Unido conseguiu detectar o glaucoma muito antes de qualquer sintoma se manifestar, abrindo caminho para que o tratamento da doença seja feito de forma extremamente precoce, o que aumenta as chances de sucesso. O glaucoma afeta 60 milhões de pessoas em todo o mundo, e uma em cada dez sofre perda total da visão em ambos os olhos. A doença não tem cura, mas existem tratamentos eficazes. E a detecção precoce significa que os médicos podem iniciar tratamentos antes que a perda de visão comece.

Os ensaios clínicos feitos por pesquisadores do University College London (UCL) e do Western Eye Hospital permitiram que os médicos vissem, de forma individual, a morte das células nervosas na parte de trás do olho, as células ganglionares retinianas. É justamente essa morte — chamada de apoptose — que causa o glaucoma. No entanto, a doença pode se manifestar apenas anos depois da morte dessas células. Os resultados da pesquisa foram publicados da revista científica “Brain”.

— A detecção precoce do glaucoma é vital, uma vez que os sintomas nem sempre são óbvios. E, embora a detecção tenha melhorado, a maioria dos pacientes já perdeu um terço da visão no momento em que são diagnosticados — diz uma das autoras do estudo, Francesca Cordeiro, do Instituto de Oftalmologia da UCL. — Agora, pela primeira vez, somos capazes de mostrar a morte celular individual e detectar os primeiros sinais de glaucoma. Ainda que não possamos curar a doença, o nosso teste significa que o tratamento pode começar antes de os sintomas começarem.No futuro, esse teste também poderia ser usado para diagnosticar outras doenças neurodegenerativas [como Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla].

O pesquisador-chefe do Western Eye Hospital, Philip Bloom, destaca que o tratamento é muito mais bem-sucedido se iniciado em estágios iniciais da doença, quando a perda de visão é mínima. O teste desenvolvido por nós significa que poderíamos diagnosticar pacientes 10 anos antes do que era possível até agora — ressalta ele. No teste, os cientistas usaram uma substância fluorescente (ANX776) injetada na veia dos pacientes. Essa substância funciona como um marcador: ela “gruda” somente nas células que estão morrendo na parte de trás do olho, e assim se tornam visíveis para os médicos. Com exceção da substância, todo o resto do exame é feito com equipamentos usados nos exames oftalmológicos de rotina.

Para Augusto Paranhos, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), esta é uma “quebra de paradigma”. Segundo ele, a inovação está no fato de que, pela primeira vez, em seres humanos, foi possível marcar a célula que morre no glaucoma. Na visão, é preciso que haja morte de um contingente [de células] importante para que o paciente perceba uma deficiência visual na região afetada e, para complicar um pouco, se no outro olho, a região correspondente estiver sadia, mesmo com defeito importante, o paciente não percebe. Desta forma o diagnóstico pela queixa do paciente costuma ser muito tardio — explica ele. — Atualmente já se consegue fazer um diagnóstico precoce, mas realmente nada se compara com o fato de se ter a verdadeira noção da saúde das células ganglionares. É realmente animador e uma quebra de paradigma.

Paranhos afirma que o exame ainda deve demorar alguns anos para ser incorporado os sistema de saúde britânico e, depois, chegar ao Brasil. E, uma vez que isso aconteça, será um exame mais recomendado apenas para aqueles que têm risco real de desenvolver glaucoma — por conta de histórico familiar, por exemplo — e para aqueles que já forma diagnosticados e podem, com ajuda do teste, acompanhar a velocidade com que suas células estão morrendo. Isso permitiria saber se o tratamento realizado está sendo de fato eficaz ou não.

— [O exame] Só faria sentido para pacientes com uma suspeição grande, como pressão alta, nervo com aspecto suspeito e história familiar de glaucoma conjugada com outros fatores. Além disso, seria bom para pacientes já diagnosticados. Penso que a principal utilidade será na definição de controle da doença após o tratamento e no diagnóstico precoce — avalia Paranhos.

Foto: Reprodução

O Globo

Saúde mental depende de gestão eficiente

Foto: Reprodução
Por Marcelo Dibo*

A depressão é um tema que preocupa cada vez mais profissionais e gestores de saúde

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca 300 milhões de pessoas de todas as idades sofrem de depressão no mundo. No Brasil, já afeta 11,5 milhões de pessoas, ou 5,8% da população.

Além de abalar a vida social, a depressão também afeta a atividade profissional provocando o aumentando o número dos pedidos de afastamentos e de aposentadorias. Dados do Ministério do Trabalho mostram que, em 2015, 97 mil pessoas foram aposentadas por invalidez em razão de transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma conta de R$ 113,3 milhões anuais aos cofres públicos.

Na outra ponta, os serviços de saúde, que também participam desse processo prestando assistência e tratamento àqueles que são diagnosticados com depressão. De acordo com o Ministério da Saúde, entre todos os serviços prestados (ambulatórios, leitos, programas de prevenção e cursos de educação permanente para profissionais de saúde), o gasto federal na área de saúde mental, em 2015, foi de R$ 1,3 bilhão.

O investimento em alternativas para o tratamento da depressão e o emprego de projetos de humanização podem contribuir para amenizar esse quadro. Para isso, é importante dispor de profissionais mais motivados, equipes completas e planos, processos e metas do cuidado mais bem definidos. A receita para essa mudança inclui atitudes transformadoras, que passa pela valorização das equipes, do paciente e das boas práticas.

O Rio de Janeiro, por exemplo, adota o modelo de gestão compartilhada em Clínicas de Saúde da Família, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais especializados, entre outros. Há diversas vantagens nesse modelo de contrato; um deles é a reaplicação dos resultados econômico-financeiros na própria unidade assistencial, contribuindo para a diminuição do turnover e garantindo a qualidade na assistência prestada.

*Marcelo Dibo é profissional da área de saúde e Diretor-presidente do Instituto Gnosis

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br

terça-feira, 9 de maio de 2017

Brasil tem 1.158 novas unidades do SUS que nunca foram abertas

UPAs e UBSs estão fechadas por falta de verba ou falhas no planejamento dos governos


Leda Pereira, de 60 anos, estava em casa no dia 15 de fevereiro quando a visão escureceu e as pernas bambearam. Apesar de morar a 50 metros da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), um pronto-socorro no Jardim Paulista, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, ela não pôde ser atendida no local. Teve de ser levada às pressas a uma unidade a cerca de 5 quilômetros dali, onde ainda esperou quase uma hora para ser atendida e medicada contra uma crise de pressão baixa.

Construída em 2014, a UPA vizinha à casa de Leda nunca foi aberta. É uma das 1.158 novas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão fechadas por falta de verba de custeio ou falhas no planejamento dos governos. Conforme os dados do Ministério da Saúde, obtidos pelo Estado, estão nesta situação 165 UPAs e 993 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para se ter ideia, o Brasil tem hoje em atividade 538 UPAs (prontos-socorros) e cerca de 40 mil UBSs (postos de saúde). Considerando o custo unitário médio de construção de cada um desses tipos de estrutura, estima-se que o Ministério da Saúde tenha gasto mais de R$ 1 bilhão com obras de serviços jamais inaugurados.

Na época do anúncio dos investimentos, a partir de 2008, o ministério determinou que a verba fosse exclusiva para a construção de unidades novas. “Os prefeitos não tinham a opção de utilizar esse recurso com algo considerado mais urgente na saúde, como a ampliação de uma unidade já existente. Então foram construídas várias UPAs e UBSs, algumas em cidades que nem precisavam, outras onde a prefeitura nem tinha dinheiro para custeá-las. Fazer obra é fácil, o problema é manter funcionando todo mês”, diz Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Mudanças
O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, no cargo há 11 meses, reconheceu o problema e disse que a pasta está implementando mudanças na forma de investir em novas unidades. “De fato, não houve um planejamento. Além das UPAs e das UBSs fechadas, temos equipamentos novos comprados encaixotados e hospitais sem funcionar.”

A pasta afirmou que tem economizado recursos para possibilitar a abertura dos serviços. A alegação é de que nos 300 primeiros dias da gestão Barros foram economizados R$ 2,9 bilhões, parte reinvestida em 126 UPAs que não recebiam contrapartida do governo federal. Ainda no caso específico das UPAs, a pasta também flexibilizou em dezembro a regra sobre o número mínimo de profissionais exigidos para a unidade entrar em funcionamento. A ideia era estimular as prefeituras a abrirem o serviço — o que ainda não teve efeito.

Descompasso
O caso das mais de mil unidades de saúde prontas, mas fechadas é, para especialistas, apenas um dos exemplos de como o descompasso entre as decisões federais e as necessidades locais têm desperdiçado bilhões de reais. Hoje, os repasses federais para os gestores locais são feitos por meio de seis blocos temáticos de financiamento subdivididos em 880 possibilidades de alocação de recursos, as “caixinhas”. O recurso, portanto, já chega ao município com finalidade preestabelecida pelo ministério. “Estamos tentando mudar esse formato dos repasses. Não tem sentido ter seis blocos de financiamento divididos em mais de 800 tipos de alocação. A nossa proposta é repassar a verba em apenas duas modalidades — custeio e investimento — para flexibilizar o uso pelo gestor local”, disse Barros ao Estado.

“A gente tem um Poder Executivo muito centralizador não só no orçamento, mas na normatização. Isso não é bom para a saúde, não é bom para nada. O papel do ministério não deveria ser o de construir prédio ou de engessar a atuação dos municípios, mas, sim, de orientar as ações locais e monitorar sua qualidade e efetividade”, diz a sanitarista Ligia Bahia, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

R7

Brasileiros usam estimulantes sexuais de forma irresponsável

Pesquisa realizada em 16 capitais brasileiras identificou que Porto Alegre é a cidade com maior índice. Homens acima de 56 anos estão entre os que mais usam

De acordo com o Ministério da Saúde, quase 60.000 internações por automedicação foram registradas no Brasil, entre 2009 e 2014. O mais curioso é saber que dentro do percentual de homens adeptos à prática, cerca de 10% fazem uso recreativo de estimulantes sexuais: ou seja, usam esse tipo de medicamento de forma irresponsável, sem real indicação médica.

No Brasil, são comercializados cinco tipos de estimulantes e, de acordo com estudo do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, lidera o ranking das capitais onde o uso recreativo de viagra, cialis, entre outros é mais expressivo:

1º Porto Alegre – RS: 38%
2º Brasília – DF: 18%
3º Vitória – ES: 15%
4º Goiânia – GO, Rio de Janeiro – RJ e Curitiba – PR: 13%
5º Recife – PE: 11%

De acordo com o Roberto Vaz Juliano, urologista e membro do Instituto de Urologia do Hospital Oswaldo Cruz, cada medicamento tem dose e posologia únicas, e só deveriam ser utilizados com indicação médica. Entre os principais efeitos colaterais devido ao uso recreativo estão arritmia cardíaca, cefaleia, distúrbios visuais, vermelhidão na pele, tontura, dores musculares e câimbras.

Dos que fazem uso de forma irresponsável, 56% pertencem às classes sócias A ou B, 38% têm idade a partir dos 56 anos e outros 15% têm menos de 40 anos. A pesquisa foi realizada em 16 capitais brasileiras de todas as regiões do país, com 2.340 pessoas, que responderam o questionário de maneira involuntária.De acordo com dados do ICTQ, a margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.

Automedicação
Um segundo estudo da NZN Inteligence (plataforma brasileira de levantamento e geração de informação e dados), realizado entre agosto e setembro do ano passado, com mais de 2.000 brasileiros entrevistados, investigou quais são os hábitos da população em relação à automedicação e às medidas que tomam quando têm algum problema de saúde:

– 68% dos pesquisados afirmaram que tomam remédios por conta própria
– 37% relatou que procuram os sintomas na internet quando se sente mal, em detrimento a outras medidas
– 31% buscam soluções em conversas com amigos e familiares
– 26% utilizam medidas caseiras como chás
– 16% vão à farmácia
– 14% vão ao médico

Entre os medicamentos mais consumidos por conta própria estão os analgésicos (88%), os anti-inflamatórios (67%) e os antiácidos (48%). Entre os menos consumidos estão os homeopáticos (7%), os controlados (5%) e os remédios para emagrecer (5%).

Veja

Atenção para o uso racional, seguro e responsável de medicamentos

Em alusão a data que marca o Uso Racional, Seguro e Responsável de medicamentos, lembrada no dia 5 de maio, o Ministério da Saúde reuniu o Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM) para discutir a agenda de 2017 e a organização do VI Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos e I Congresso Pan-Americano sobre Uso Racional de Medicamentos


As discussões em torno do tema ainda reforçam a importância de utilizar os medicamentos corretamente, fazer o descarte adequado, e estar atento aos riscos de intoxicação.

Geisa Farani, Consultora Técnica do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), do Ministério da Saúde, explica que esta agenda não envolve apenas os profissionais de saúde. “A gente tem que entender que todos nós somos responsáveis, não só o profissional como o próprio cidadão. Através das recomendações e ações é possível fortalecer as equipes e mostrar à população a importância que ela tem”.

Além disso, a farmacêutica Célia Chaves, integrante do Comitê como representante da Federação Nacional de Farmacêuticos, reforça que o Uso Racional de Medicamentos já vem sendo discutido mundialmente há muito tempo. “É uma questão que aflige a todos, as populações mais ricas e as mais pobres, tanto pela medicalização exagerada quanto pela falta de medicamento”.

Se o tratamento não for feito da maneira adequada, como foi prescrito, pode haver consequências para a população. É isso que explica Cleonice Gama, coordenadora do Programa Farmácia Popular do Brasil, do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), do Ministério da Saúde. “Os medicamentos servem para auxiliar na melhora da saúde da população. É muito importante usar esses medicamentos adequadamente porque eles podem ter um efeito colateral indesejado, e podem causar intoxicações ou um sub efeito, onde você só mascara os sintomas”.

Outro ponto importante é que usar de maneira irracional não é apenas utilizar em excesso. Todo o processo que envolve o uso do medicamento deve ser feito com cuidado, desde os profissionais que prescrevem nas Unidades de Saúde até o cidadão que vai fazer o uso em casa. “No SUS, por exemplo, nós temos a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, e as prescrições devem seguir Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. explica Cleonice.

Após a prescrição, no momento que o medicamento chega ao usuário, é importante tomar a quantidade certa, na hora certa, pelo tempo que foi determinado. Não é indicado suspender o tratamento antecipadamente, principalmente nos casos de antibióticos, quando pode ocorrer o surgimento de resistência bacteriana, e consequente desenvolvimento de superbactérias, dificultando encontrar o tratamento adequado dentro das opções terapêuticas disponíveis para aquela doença.

Outro aspecto que a população também deve levar em conta é o controle na hora de armazenar os medicamentos: eles devem estar no local adequado, em condições ideais de temperatura. Aqueles que são termos- sensível devem ficar na geladeira, e o que não é termo-sensível deve estar a uma temperatura ambiente adequada. Também é necessário observar se houve a degradação dos medicamentos, como alteração de cor, formato, aparência, e sabor.

Após utilizar a quantidade prescrita de medicamento, caso haja sobras, elas devem ser descartadas em local correto, não devendo ser jogadas no vaso sanitário ou pia da cozinha, pois isso vai gerar uma cadeia de contaminação no meio ambiente.

O Ministério da Saúde disponibiliza ainda para a população a Cartilha para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos, que está disponível aqui.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde