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segunda-feira, 31 de julho de 2017

O que leva as Forças Armadas dos EUA a comprarem tanto Viagra

Em meio à polêmica proibição do presidente Donald Trump à presença de transgêneros nas Forças Armadas dos EUA, um número tem sido mencionado com frequência: os US$ 84 milhões (R$ 265 milhões) que o Pentágono gasta anualmente em medicamentos para disfunção erétil, segundo o periódico Military Times

Para efeitos comparativos, o centro de estudos Rand Corporation estima em US$ 8,4 milhões o quanto as Forças Armadas gastariam por ano em despesas médicas relacionadas a mudança de sexo de militares. Mas por que o Departamento de Defesa dos EUA gasta tanto em Viagra, Cialis e similares?

Aposentados e combatentes
Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que o levantamento do Military Timesfoi feito em 2015 com base em dados oficiais do ano anterior, quando foram gastos US$ 84,2 milhões em drogas para disfunção erétil. No total, o periódico estimou que haviam sido gastos US$ 294 milhões nesses medicamentos desde 2011.

Só em 2014, essas drogas – sobretudo Viagra – foram receitadas mais de 1,18 milhão de vezes dentro do sistema de saúde bancado pelo Pentágono. Apenas 10% dessas receitas foram feitas para militares na ativa – a grande maioria foi para outros grupos, incluindo os milhões de oficiais na reserva e seus familiares. Calcula-se que 10 milhões de pessoas sejam beneficiárias do sistema de saúde do Pentágono, que gerou gastos de US$ 52 bilhões em 2012. Ainda que a disfunção erétil afete principalmente homens mais velhos, o problema tem crescido entre jovens militares americanos desde as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Causas psicológicas
Também em 2014, um estudo do Serviço de Vigilância de Saúde das Forças Armadas (AFHSB, na sigla em inglês) descobriu que mais de 100 mil casos de disfunção erétil foram diagnosticados entre combatentes do Exército entre 2004 e 2013. As taxas anuais da doença mais do que dobraram nesse período. Quase metade dos casos tinham origens psicológicas, segundo o levantamento.

Uma pesquisa publicada no Journal of Sexual Medicine em 2015 descobriu que veteranos homens com síndrome de estresse pós-traumático tinham “tendência significativamente maior do que seus pares civis de ter disfunção erétil ou outros problemas sexuais”.

Há levantamentos indicando que 85% dos combatentes veteranos com estresse pós-traumático tenham disfunção erétil – taxa quatro vezes maior do que a observada entre os militares que não apresentaram problemas mentais. Em 2008, o Rand Corporation estimou que um a cada cinco veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão sofriam de estresse pós-traumático ou depressão profunda.

Problema comum
No entanto, uma estatística escondida no estudo da AFHSB sugere cautela no que diz respeito ao elo entre as guerras, a disfunção erétil e os enormes gastos militares com Viagra. Oficiais que sequer haviam estado em combate tinham tendência maior de apresentar disfunção erétil, um mal que está relacionado a diversos outros problemas de saúde comuns, como doenças cardíacas, pressão alta e diabetes.

Uma estimativa de 2007 aponta que 18% dos homens americanos sofriam de disfunção erétil. Em resumo, o problema é bastante comum no país. E, como as Forças Armadas pagam pelos custos de saúde de milhões de homens, acabam por consequência gastando muito dinheiro com Viagra e drogas parecidas.

Foto: Reprodução

BBC Brasil

Nova classe de antibióticos se mostra capaz de combater superbactérias

Estudo indica que droga, além de tratar, não tem efeitos colaterais

Imagem de como seria a aparência de uma superbactéria, resiliente aos ataques de antibióticos - Divulgação

Com o crescimento da quantidade de bactérias resistentes aos antibióticos hoje disponíveis — conhecidas como superbactérias —, há uma corrida de cientistas em busca de novos meios para combatê-las. Uma das principais apostas dos pesquisadores são remédios à base de inibidores da enzima LpxC, importante na formação da membrana externa de várias bactérias.

Um grupo internacional de estudiosos publicou nesta terça-feira, no periódico científico “mBio”, um relato de experiências em laboratório que sugerem alta eficácia de um novo inibidor de LpxC: ele se mostra capaz de tratar infecções bacterianas graves, como a que causa a peste bubônica, doença diagnosticada em mais de mil pessoas ao ano e fatal se não tratada. O composto foi batizado de LPC-069 e não foi considerado tóxico pelos pesquisadores.

— Nosso estudo mostra que a enzima LpxC é um alvo viável e podemos administrar o composto em níveis muito altos sem toxicidade visível — destacou um dos líderes do estudo, o bioquímico e biólogo estrutural Pei Zhou, da Universidade Duke, nos EUA.

A droga foi desenvolvida em conjunto com o químico Eric Toone, também da Duke, e com o biólogo Florent Sebbane, que é pesquisador do Instituto Pasteur de Lille, na França. Ela não apresentou efeitos colaterais sérios em nenhuma das doses testadas, incluindo a dose mais alta, informaram os pesquisadores. E estudos in vivo (quando se observa o que ocorre dentro de um organismo vivo) do composto mostraram atividade antibiótica contra mais de uma dúzia de doenças bacterianas, incluindo linhagens clínicas resistentes a múltiplos fármacos.

Todas as bactérias foram cultivadas em pacientes do Hospital Universitário de Lille, na França, com exceção da Yersinia pestis, a que causa a peste bubônica. Esta foi testada somente em camundongos. Os pesquisadores injetaram a Y. pestis em 15 camundongos. Os animais do grupo controle não receberam tratamento. Dezoito horas após a infecção, os camundongos do grupo experimental foram tratados com alta dose de LPC-069. Cinco dias depois, os ratos não tratados estavam mortos, enquanto os ratos tratados com LPC-069 sobreviveram.

Os inibidores de LpxC representam uma nova classe de antibióticos que podem tratar uma série de doenças infecciosas causadas por micróbios hoje muito difíceis de combater. No artigo, os cientistas informam sobre outro inibidor dessa enzima, chamado LPC-058, que demonstrou atividade antibiótica in vitro, sendo também bem-sucedidos em tratar infecções da peste em camundongos. No entanto, esse composto levou a efeitos colaterais como diarreia, acumulação de glóbulos brancos nos pulmões e nos intestinos e, em doses mais elevadas, provocou toxicidade hepática.

O Globo

sábado, 29 de julho de 2017

Antibiótico Benzetacil é suspenso para ‘validação’

Laboratório interrompeu produção da droga para novos testes. Fabricação deve ser retomada em outubro

Ampolas de Benzetacil, antibiótico usado para o tratamento de infecções respiratórias e DSTs como a sífilis  (Foto: Reprodução/TV Morena)

O antibiótico conhecido como Benzetacil terá sua produção interrompida pela Eurofarma, empresa que detém o nome comercial da droga. A indústria divulgou que está “implantando testes de desafios adicionais de validação” para garantir a efetividade da droga.

A Eurofarma informou, no entanto, que os produtos à venda podem ser consumidos normalmente até a data de validade da embalagem.

A Benzetacil é aplicada por meio de injeção e é conhecida por ter uma dor local característica. O composto também pode ser comprado por seu princípio ativo, a penicilina benzatina.

A droga é usada pra o tratamento de infecções – que vão desde problemas respiratórios moderados a DSTs como a sífilis. No Brasil, uma crise de abastecimento do composto já preocupou especialistas.

A reportagem aguarda um retorno da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre a suspensão.

G1

Anvisa recebe denúncia de uso de furadeiras domésticas em centros cirúrgicos

Foto: Divulgação
No entanto, o órgão não informou sobre onde e quantas vezes as denúncias foram recebidas; situação é configurada "infração sanitária"; entenda

Na última quinta-feira (27), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ter recebido algumas denúncias sobre o uso de furadeiras domésticas em centros cirúrgicos, e foi acionada para verificar e autuar hospitais que cometem este erro. No entanto, o órgão não informou sobre onde e quantos casos foram registrados sobre o assunto.

De acordo com a nota divulgada pela agência, o uso de furadeiras domésticas não é recomendado em procedimentos cirúrgicos e o motivo, que parece bastante evidente, é porque essas ferramentas não garantem a mesma segurança ao paciente do que as fabricadas para este fim.

“As furadeiras cirúrgicas são preparadas para a esterilização e possuem recomendações específicas do fabricante para isso. Outra diferença é que as furadeiras específicas para uso em cirurgias possuem mecanismos de segurança para prevenir choque elétrico, superaquecimento dos ossos e tecidos e controle de rotação, entre outros”, diz a nota da Anvisa.

Outro ponto importante é sobre a higienização. O aparelho de uso doméstico não pode ser esterilizado, o que faz com que sua limpeza não seja feita de maneira adequada. “O equipamento doméstico também pode aquecer e levar à necrose dos tecidos que estão em contado com a broca. Outras diferenças estão no risco de descarga elétrica e na falta de controle da rotação da broca pelo cirurgião”, informou a agência.

O órgão ainda ressalta que este tipo de equipamento é utilizado principalmente em cirurgias ortopédicas e neurológicas e a segurança do equipamento pode afetar diretamente a segurança do paciente durante a cirurgia. Os materiais e equipamentos de centros cirúrgicos precisam atender a regras específicas para garantir a segurança do paciente.

Consequências
Em uma nota técnica estipulada pela Anvisa o órgão prevê que a utilização de furadeiras domésticas em cirurgias constitui infração sanitária, sendo passível de apuração por meio de processo administrativo sanitário, sem prejuízo da responsabilização civil e criminal cabível aos infratores, mediante legislação vigente.

Portanto, esta prática deve ser coibida com o propósito de resguardar a segurança dos pacientes. Neste sentido, as medidas adotadas pelas autoridades sanitárias de estados e municípios devem seguir os procedimentos definidos no âmbito local para aquelas situações em que são encontrados produtos em circulação e situação de uso de maneira irregular.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Governo vai oferecer novo tratamento para pessoas com hepatite C

Segundo Ministério da Saúde, medida será mais barata e poderá ampliar o serviço a todos os 135 mil brasileiros diagnosticados com a doença no país

Vírus da hepatite C é transmitido por meio de contato com sangue infectado,  e ao atingir o fígado pode evoluir para problemas mais graves
shutterstock/Reprodução
Vírus da hepatite C é transmitido por meio de contato com sangue infectado, e ao atingir o fígado pode evoluir para problemas mais graves

O tratamento para pessoas com hepatite C vai mudar. O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (27) que, independentemente do estágio da doença e do comprometimento no fígado, o paciente irá receber, gradativamente, medicamentos que têm apresentado 90% de cura em seus resultados.

Hoje, o Brasil conta com 135 mil pessoas diagnosticadas com hepatite C . Com a nova medida, a pasta afirmou que deverá reduzir pela metade os custos no tratamento, que era de U$ 6,9 mil e irá para U$ 3 mil. Essa mudança poderá incluir até três vezes mais pessoas do que as atendidas atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Um dos motivos apontados como facilitador para a economia é que a modalidade de compra dos medicamentos sofosbuvir, daclatasvit ou simeprevir, conhecidos como “combinação 3D” será diferente. Agora o ministério vai condicionar os pagamentos para indústria farmacêutica à comprovação da cura do paciente.

Dessa forma, o governo pretende zerar a fila de pacientes graves que esperam pelo tratamento adequado da doença, que conta com quase 3 mil pessoas. Até então, a prioridade é para pacientes com grau avançado da infecção. A estimativa é que em até dois anos, todos estejam recebendo a medicação.

Prevenção
Há cinco estágios da enfermidade, desde o F0 ao F4. Ao ultrapassar essas etapas, a doença pode evoluir para outras complicações mais graves como cirrose ou câncer de fígado, fazendo com que o paciente precise passar por um transplante do órgão. Por não apresentar sintomas e ser conhecida como uma doença silenciosa, a maioria das pessoas descobre que está infectada por meio de exames de sangue de rotina ou quando vão doar sangue. Para aumentar o controle da doença, a pasta informou também que deverá aplicar 12 milhões de testes em todo o país para ajudar a detectar o vírus.

“Queremos alcançar as 135 mil pessoas que estão contaminadas em qualquer nível de hepatite. Nesse ano, após os 12 milhões de testes de hepatite C, vamos procurar identificar mais pessoas que precisam do tratamento. Há muitas pessoas com hepatite que não sabem. A testagem é fundamental”, ressaltou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Hepatites B e C
Apenas em 2016, os registros de hepatite C chegaram a 27.358 casos no Brasil. Esse total mostra que a cada 100 mil habitantes 13,3 pessoas tiveram a doença no ano passado. Transmitida pelo contágio com sangue contaminado, como transfusão de sangue, sexo desprotegido e compartilhamento de objetos de uso pessoal como agulhas de tatuagem, alicates, tesouras, a infecção ainda não possui vacina preventiva.

No mesmo período, 42.830 casos de hepatites virais foram notificados. Nestes registros, 14.199 ocorrências correspondem à hepatite B , o que equivale a 6,9 casos por 100 mil habitantes. A transmissão da hepatite B se dá por sexo desprotegido e sangue contaminado. De acordo com Ministério da Saúde, a vacina disponível no SUS é a melhor estratégia de prevenção contra a doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais (tipos B e C) causaram 1,4 milhão de mortes em 2015, em todo o mundo. A maioria ligada às doenças hepáticas crônicas, como cirrose e câncer no fígado. No ano passado, 2.541 pessoas morreram em decorrência de hepatites virais, das quais 79,8% relacionadas à hepatite C.

*Com informações da Agência Brasil
iG