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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Medicina do futuro será personalizada para cada paciente, afirma ganhador de Nobel

Aaron Ciechanover diz que mapeamento genético pautará os tratamentos de saúde

No meio da tarde, um homem sente dores no peito e decide procurar atendimento em um hospital. Mas, ao invés de fazer exames para descartar um infarto do miocárdio, por exemplo, o médico faz um mapeamento genético que indica que aquele homem tem 70% de chance de desenvolver mal de Alzheimer daqui uns anos. Parece ficção científica, né? Mas para o bioquímico israelense Aaron Ciechanover, ganhador do prêmio Nobel de Química 2004, esse é o futuro da medicina, que deverá ser personalizada.

— Na faculdade de medicina, aprendemos a tratar as doenças baseados nos sintomas, isso não é problema dos estudantes ou do conhecimento, mas está ultrapassado. Temos que partir do princípio da causa da doença. Mulheres com câncer de mama, por exemplo, podem ter sido acometidas por mutações diferentes, o que multiplica os tipos de câncer de mama. Então, essas pacientes devem ser tratadas com drogas direcionadas para determinada mutação. Os mapeamentos genéticos possibilitaram a descoberta da doença antes que ela se manifeste. Essa será a maior revolução da medicina de todos os tempos.

O mapeamento genético ficará mais comum e será o ponto de partida para começar qualquer tratamento de saúde. Além disso, o procedimento pautará a vida de milhões de pessoas. O homem que saiu do hospital com diagnóstico de Alzheimer é um caso fictício, mas mostra bem como a sociedade mudará com o avanço de tecnologia na área da saúde, afirmou Ciechanover, durante palestra na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), realizada nesta quarta-feira (9), na cidade de São Paulo. O cientista veio ao Brasil a convite da farmacêutica Astrazeneca.

— O diagnóstico precoce de Alzheimer mudará toda a vida deste homem. Será que o plano de saúde dele vai cancelar o contrato? Será que ele deverá avisar o plano sobre a doença que ainda não se manifestou, então nem pré-existente ela é ainda. Ele deverá contar para a mulher dele, que possivelmente vai cuidar dele, mesmo sabendo que ele não a reconhecerá mais quando a doença avançar? E será que os filhos dele também não terão o mesmo gene? Como serão as vidas deles?

Um exemplo real e bastante conhecido de como o mapeamento genético pode impulsionar decisões, às vezes consideradas drásticas, é o da atriz Angelina Jolie, que retirou as mamas e os ovários. A americana de 42 anos havia descoberto que tinha um gene que aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer de mama e ovário, que mataram sua mãe, aos 56 anos.

O genoma humano foi descrito pela primeira vez nos anos 2000. Atualmente, o valor do mapeamento genético custa cerca de U$ 10 mil (R$ 36 mil). O bioquímico acredita que daqui a uns dez anos o valor poderá cair para U$ 500 (R$ 11.800) e ser feito em poucos minutos por uma equipe pequena. A medicina do futuro será personalizada para focar na causa da doença, não nos sintomas, e terá como protagonista o próprio paciente.

— O mais importante não é levado em consideração, que é a participação do paciente. Hoje, a pessoa com câncer é tratada com quimioterapia e radioterapia, mas a ideia é tratar a doença dentro do conceito do paciente, de acordo com o repertório dele. Ele que deve decidir o seu destino, não o médico. Aquela frase: “Eu sou seu médico e você deve confiar em mim” será cada vez menos usada, pois hoje o paciente pesquisa na internet, monta grupos de discussão etc. Então, o médico vai virar apenas um consultor. Quem definirá as regras será o paciente. A medicina vai mudar de forma drástica e atingirá o padrão ouro. Ciechanover aposta que essa mudança atingirá em cheio a indústria farmacêutica, que deve oferecer resistência, já que os medicamentos levarão em conta todos os componentes do paciente para também de reduzir o risco de efeitos colaterais, que matam milhões de pessoas.

— O desenvolvimento das drogas será mais complicado porque levará em conta o DNA da pessoa. Entre 15% e 20% dos pacientes morrem em hospitais dos EUA por causa das reações dos medicamentos, ou então os médicos ficam naquela dúvida se vale mais o benefício que aquele medicamento proporciona em virtude do efeito colateral que ele causa. No futuro, poderemos fazer drogas personalizadas que garantirão mais benefícios

Bioética
Outra questão polêmica que deverá ser bastante discutida é a bioética, explica o bioquímico. Com a popularização do mapeamento genético, é possível saber se o filho de um casal herdará algum gene defeituoso dos pais, que poderá ser modificado para que a criança nasça saudável. Além disso, dá para saber como serão as características físicas. A grande questão é se determinadas características não serão consideradas “doenças” para serem modificadas, como cor dos olhos, cor do cabelo, estatura, se será gordo ou magro.

O especialista ressalta que ainda não estamos preparados para essa revolução na medicina, mas a divulgação de novas descobertas dá sinais de que ela acontece aos poucos. No entanto, em tempos de fake news, em que notícias falsas se espalham com velocidade astronômica e, na maioria das vezes, confundidas com notícias verdadeiras, fica ainda mais complicado para as pessoas saberem o que de fato está acontecendo com a medicina. Para Ciechanover, é necessário mobilização por parte da comunidade científica para minimizar este problema.

— A divulgação de fake news é um perigo terrível que nos ameaça e devemos tomar muito cuidado com esse fenômeno. Porém, os cientistas não sabem falar de forma clara que as pessoas entendam e isso atrapalha ainda mais a comunicação com a sociedade. É preciso que a comunidade científica se reconheça como parte da sociedade e busque os meios de comunicação para divulgar as novidades de forma clara.

Prêmio Nobel
– Ciechanover e Avram Hershko, em colaboração com Irwin A. Rose, do Centro de Câncer Fox Chase, na Filadélfia (EUA), ganharam o prêmio Nobel em 2004 devido à descoberta de um sistema que tem como uma de suas maiores funções o descarte de dejetos de proteínas do corpo, explica o bioquímico.

— O sistema chamado de ubiquitina, identifica proteínas inúteis e modificadas. Estas são proteínas prejudiciais que devem ser, de maneira seletiva, removidas do corpo, mantendo todos os componentes saudáveis que continuam exercendo suas funções vitais. Esta descoberta está diretamente relacionada ao câncer, pois este é causado por proteínas modificadas, que se acumulam de forma anormal.

O cientista continuou seus estudos do sistema da ubiquitina e fez descobertas adicionais. Ao longo dos anos, se tornou claro que proteólises mediadas por ubiquitina desempenham um papel importante em muitos processos celulares, e anomalias neste sistema sustentam mecanismos patogênicos de diversas doenças, tais como certas malignidades e transtornos neurodegenerativos. Consequentemente, o sistema se tornou uma plataforma importante para o desenvolvimento de medicamentos.

R7

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Solidão pode ser mais fatal do que a obesidade, afirma estudo

O isolamento social pode elevar o risco de morte prematura em até 50%, segundo estudo


A solidão pode ser um risco para a saúde tanto quanto a obesidade, de acordo com um novo estudo apresentado no congresso anual da Associação Americana de Psicologia. O estudo sugere que sentir-se solitário, isolar-se socialmente e viver sozinho aumenta o risco de morte prematura em até 50% – enquanto a convivência social poderia prevenir esse risco na mesma medida. De forma contrastante, a obesidade eleva o risco de morte antes dos 70 anos em até 30%.

Efeito da solidão
Pesquisadores da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, observaram 218 estudos, que envolveram, no total, cerca de 4 milhões de pessoas de vários países sobre os efeitos da solidão sobre a saúde. Apesar de não especularem sobre o que poderia causar essa relação de risco, pesquisas anteriores já identificaram uma associação entre a qualidade de vida – que envolve as relações humanas – e a expectativa de vida. Além disso, a solidão poderia prejudicar o sistema imunológico da pessoa.

Importância social
Para a autora do estudo, Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia da instituição, as pessoas deveriam preparar-se para a aposentadoria social assim como se preparam para a financeira – afinal, para muitos, o local de trabalho é a principal fonte de relações sociais. “A conexão social é amplamente considerada uma necessidade humana, crucial tanto para o bem-estar quanto para a sobrevivência”, disse a especialista. “Há evidências sólidas de que o isolamento social e a solidão aumentam significativamente o risco de morte prematura e a magnitude desse risco excede a de muitos indicadores de saúde.”

No estudo, os pesquisadores sugerem que habilidades sociais deveriam ser ensinadas na escola, assim como ser incentivadas pelos médicos, principalmente aos pacientes mais velhos. Pessoas em idade de aposentadoria deveriam planejar ou participar de encontros sociais, por exemplo. “Com um crescente envelhecimento da população, o efeito sobre a saúde pública só deverá aumentar. De fato, muitos especialistas sugerem que estamos enfrentando uma ‘epidemia de solidão’. O desafio que enfrentamos agora é como solucionar esse problema.”

Veja

Inteligência artificial acelera busca por novos medicamentos contra a ELA

Sistemas analisam dados em velocidade superior à capacidade humana em busca de possíveis remédios e terapias

Robôs de inteligência artificial estão acelerando a corrida para encontrar novos medicamentos para combater a esclerose lateral amiotrófica (ELA). A enfermidade, também conhecida como doença de Lou Gehrig, ataca e mata as células nervosas que controlam os músculos, provocando fraqueza, paralisia e, por fim, insuficiência respiratória.

Existem apenas dois remédios aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA para retardar a progressão da esclerose lateral amiotrófica, uma disponível desde 1995 e outra aprovada apenas este ano. Cerca de 140.000 novos casos são diagnosticados por ano globalmente e não há cura para a doença, conhecida por afetar o físico Stephen Hawking. — Muitos médicos a consideram a pior doença da medicina e a demanda não atingida é enorme — disse Richard Mead, do Sheffield Institute of Translational Neuroscience, que descobriu que a inteligência artificial já está acelerando seu trabalho.

Robôs
Softwares complexos que são executados por computadores poderosos — trabalham como super-pesquisadores incansáveis e imparciais. Eles analisam enormes bancos de dados químicos, biológicos e médicos, ao lado de resmas de artigos científicos, muito mais rápido do que humanamente possível, produzindo novos alvos biológicos e possíveis remédios. Um candidato a medicamento proposto por tais máquinas produziu recentemente resultados promissores na prevenção da morte de células do neurônio motor e atraso no início da doença em testes pré-clínicos em Sheffield.

Caso a pesquisa produza novos medicamentos, marcaria uma vitória notável para a inteligência artificial na descoberta de remédios, impulsionando as perspectivas de um crescente número de startups focadas na tecnologia. Estas empresas estão se baseando na premissa de que, embora os robôs de inteligência artificial não substituam cientistas e médicos, podem economizar tempo e dinheiro, descobrindo fármacos muito mais rapidamente do que os processos convencionais.

O Globo

A Microsoft quer dar um reboot na jornada do paciente

Fidelizar um cliente, todos sabem, é um investimento de longo prazo que se faz para que o pagador volte sempre ao caixa para lhe deixar receitas ao invés de trocar sua empresa pelo seu concorrente favorito.

Por Istvan Camargo


Essa lógica vale para a indústria de bens de consumo e setores de serviços do mais variados…

Menos para o setor de saúde suplementar!

Engajar um paciente no ramo de saúde suplementar é um investimento que se faz para que o gastador suma da frente do caixa ao invés de deixar uma despesa salgada que poderia ser evitada.

É quase um programa de fidelidade ao contrário.

Enquanto no primeiro caso você gasta para ter o usuário perto da sua marca ou ponto de venda, no setor de saúde investe-se para que o sujeito não apareça – pelo menos não sem um bom motivo.

Para piorar, paira na cabeça de muitos gestores a sensação de que todo investimento feito para engajar um paciente em seus autocuidados pode vir a ser perdido caso o paciente mude de operadora no meio do caminho por um motivo fora de seu controle (como uma decisão do RH da empresa cliente).

Nesse caso o grande beneficiário acabaria sendo aquele concorrente favorito, que recebeu um paciente já tratado.

Engajar um paciente não é algo óbvio (óbvio mesmo é que temos um modelo controverso – e que não funciona tão bem quanto sonhamos).

Talvez seja por isso que as maiores promessas no campo de engajamento em saúde venham de empresas de fora do setor, já que ao menos estas estão livres da inércia que parece puxar o resultado das ações tradicionais sempre para baixo.

Já existem diversas empresas que utilizam tecnologias leves para interferir de forma personalizada, metrificada, coordenada e instantânea na jornada individual de legiões de pacientes ao redor o mundo.

Trata-se de gente especializada em disciplinas que – aqui entre nós – nunca foram o forte das empresas de saúde (como comunicação, usabilidade, datafication etc). Um nome que é velho conhecido de todos, e que tem feito novos avanços (e um tanto silenciosos) nessa área é a Microsoft.

É certo que a empresa não desperta hoje em dia o mesmo frisson que gente como o Google ou Facebook. Mas é inegável que sua presença é muito relevante na vida da maioria dos seres humanos (e como em Saúde a “presença” conta muito mais que o frisson, convém sempre saber o que ela está pensando).

Sua suíte para engajamento, lançada em 2007 já passou por diversas fases, incluindo a aquisição do legado da plataforma Google Health em 2011.

Na versão atual foi batizada com o nome de Health Vault Insights, combinando ingredientes cruciais para tornar a jornada do paciente mais assertiva, como Colaboracionismo, Cloud, Inteligência Artificial e Learning Machine.

Desde o final de maio o projeto passou a compor uma iniciativa ambiciosa da Microsoft chamada HealthCare NeXt, que também engloba os projetos Microsoft Genomics e Microsoft InnerEye.

E há cerca de 2 meses ela deu um passo importante para acelerar a obtenção de dados clínicos dos pacientes através da parceria com a Validic.

Apesar de sua conhecida associação com o mundo do fitness através da integração com apps como Apple Heath e GoogleFit – onde realiza análise de dados e permite a criação de programas personalizados de wellness que podem ser monitorados à distância – o foco atual da solução está voltado também para Planos de Saúde.

Assim as seguradoras americanas interessadas em turbinar seus frameworks de engajamento, podem planejar e distribuir programas de autocuidados para as populações assistidas (especialmente os crônicos) e realizar o monitoramento remoto desses grupos com base em dados (coisa impossível de ser feita por telefone).

Enfim, vivemos tempos curiosos. Empresas de transporte, como a Uber, não têm carros, redes de hospedagem, como AirBnB, não possuem hotéis, e empresas de saúde, como tantas que conhecemos, não sabem engajar pacientes direito.

Graças a Deus temos gente de fora do sistema, como a própria Microsoft, que está por perto para ajudar a empurrar o mercado para dentro do século XXI – já com um certo atraso.

Nossa saúde e a de nossos filhos será eternamente grata.

Istvan Camargo é especialista em engajamento de pacientes. Foi membro do Comitê Científico da Health 2.0 Latam e residente digital do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic / USA. Atuou como Chief Innovation Officer do Grupo Notredame Intermédica. Realizou palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e HIS. Em 2012 fundou a primeira rede social de saúde do país onde tem realizado projetos para Laboratórios Farmacêuticos, PBMs, Grupos de Apoio a Pacientes, dentre outros, engajando grupos de pacientes das mais diversas patologias.

Saúde Business

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Os tipos de dores

doressConheça a diferença dos seis tipos de dores que podemos manifestar

Aguda
Se manifesta durante um período relativamente curto, de minutos a algumas semanas, associada a lesões em tecidos ou órgãos, ocasionadas por inflamação, infecção, traumatismo ou outras causas. Exemplos: dor pós-operatória, após um traumatismo; a dor durante o trabalho de parto; dor de dente; as cólicas em geral.

Crônica
Tem duração prolongada, que pode se estender de vários meses a vários anos. A dor crônica pode ser consequência de uma lesão já previamente tratada, como dor ocasionada pela artrite reumatoide; dor do paciente com câncer; dor relacionada a esforços repetitivos durante o trabalho; dor nas costas; e outras.

Recorrente
Apresenta períodos de curta duração, porém que se repetem com frequência, podendo ocorrer durante toda a vida, mesmo sem estar associada a um processo específico. Um exemplo clássico desse tipo de dor é a enxaqueca.

Nociceptiva
Ocasionada por uma lesão tecidual contínua e, neste caso, o Sistema Nervoso Central (SNC) se mantém íntegro. Exemplos: dor inflamatória, traumática, pós-operatória, visceral, entre outras.

Neuropática
Ocorre quando nervos no SNC ou periférico não estão funcionando corretamente. Exemplos: dor nos nervos, frequentemente envolvendo a pele da face; neuropatia diabética; dor pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC), entre outras.

Mista
Quando a dor tem origens nociceptiva e neuropática, como lombociatalgias (dor lombar que se irradia para a nádega e membro inferior), dor oncológica (derivada de um câncer), entre outras.

Fonte: neurocirurgião especialista em dor e presidente da Regional da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor no Espírito Santo, Dr. Lúcio César Hott Silva

Guia da Pharmácia