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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Falta de informação sobre leucemia ainda é grande entre brasileiros

Hereditariedade, diagnóstico, tratamento e diferenciação estão entre algumas questões que ainda causam dúvidas sobre essa doença que acomete mais de 10 mil pessoas por ano

Rio de Janeiro, 11 de agosto – Apesar de termos um número bastante elevado de informações de confiança acessíveis à população, seja através do rádio, da TV ou da internet, algumas doenças ainda permanecem um mistério para a maioria das pessoas, como a leucemia. Em 2015, uma pesquisa do Ibope mostrou que metade dos brasileiros desconhecia que tipo de doença ela é e 20% dos entrevistados nem ao menos sabiam se tratar de uma patologia. Tomada erroneamente como uma única doença, o termo refere-se a um grupo de diversos tipos de câncer que atacam a medula óssea, que produz as células sanguíneas conhecidas como glóbulos vermelhos, responsáveis pelo transporte de oxigênio; os glóbulos brancos, que combatem as infecções do organismo; e também as plaquetas, que ajudam na coagulação.

A doença, que está entre os 10 tipos de câncer mais incidentes nos homens e acomete mais de 10 mil pessoas por ano apenas no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), se origina quando algumas dessas células sofrem mutações e acabam se tornando células de leucemia, ou neoplásicas, que substituem as versões normais e saudáveis, dificultando o funcionamento correto do corpo. E o mais alarmante sobre as patologias? Mais de 6.300 pessoas morrem por ano por complicações decorrentes da doença.

Sendo patologias diferentes, elas apresentam sintomas que não coincidem uns com os outros e demandam tratamentos específicos, o que quebra o pensamento popular de que a leucemia é um único câncer. Segundo a Dra. Monika Conchon, onco-hematologista e integrante do corpo clínico do Alta Excelência Diagnóstica, são muitos os fatores que contribuem para que um tipo ou outro de leucemia seja identificado. No geral, elas são divididas em dois grandes grupos: as mieloides e as linfoides, diferenciadas pela origem celular. Também podem ser de caráter agudo ou crônico, baseando-se no tipo da célula. A leucemia linfoide aguda (LLA), por exemplo, corresponde a cerca de três quartos dos casos de leucemia entre crianças e adolescentes de 0 a 18 anos.

“É mito achar que as leucemias são hereditárias. Elas não são passadas de pais para filhos; todos os casos dessas patologias se desenvolvem de forma adquirida, e os melhores exames de análises clínicas para diagnosticar a doença são: o mielograma, que avalia a medula óssea; a imunofenotipagem, que analisa as células de determinado tecido; o cariótipo, que percebe a quantidade e a estrutura dos cromossomos de uma célula; e os marcadores moleculares”, explica a Dra. Monika.

No início, os sintomas de um paciente com algum tipo de leucemia são bem gerais, podendo ser confundidos com uma virose simples. Na maioria dos casos, são observados tontura, fadiga, fraqueza, febre, dor de cabeça, perda de peso e outros indícios da mesma natureza. Em pouco tempo, alguns sintomas tornam-se mais característicos dessas patologias, como dor nos ossos e nas articulações, infecções frequentes, sangramento da gengiva e aparecimento de hematomas. Uma vez identificado, o câncer em questão será tratado de acordo com seu tipo e intensidade, podendo ser erradicado com radioterapia, quimioterapia, transplante de medula óssea ou terapia dirigida.

“Tratando-se de um grupo heterogêneo de doenças, cada uma delas tem seus sintomas e tratamentos distintos, então, é essencial que o caso seja observado de perto por um especialista qualificado, de maneira que a abordagem mais eficaz para cada tipo de leucemia e sua duração seja discutida com o paciente”, conta a médica. Como apenas uma pequena fração das leucemias é associada à exposição a irradiações ou algumas substâncias tóxicas, não é possível prevenir o desenvolvimento desse tipo de câncer de maneira direta.

Informações para a imprensa:
Saúde em Pauta
Paula Borges – (21) 99789-7643
E-mail: paula@saudeempauta.com.br

Alimentos ‘diet’ podem engordar mais que as versões originais

Produtos pouco calóricos, mas com quantidade de adoçante elevada, podem confundir o cérebro – aumentando o ganho de peso e o risco de diabetes

Ao contrário do que se acredita, bebidas e alimentos diet podem promover o ganho de peso e servir de gatilho para o diabetes. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico Current Biology, quando os produtos são doces demais para as calorias que contêm, eles podem confundir o cérebro e desacelerar o metabolismo.

Pesquisadores da da Escola de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos, descobriram que, ao ingerir um alimento adoçado artificialmente no qual a doçura continua igual a da versão original, mas com uma quantidade de calorias bem menor, o metabolismo desacelera e não registra a dose ingerida.

Cérebro confuso
Ao longo da nossa evolução, o cérebro aprendeu que doçura sinaliza energia. Portanto, quanto mais doce, maior energia ou calorias um alimento fornece. Quando esses dois fatores não estão juntos, o cérebro fica confuso, achando que tem menos calorias para queimar do que o que foi ingerido de fato. 

“Uma caloria não é uma caloria. Ela é apenas metade da equação. Nossos corpos evoluíram para usar eficientemente as fontes de energia disponíveis na natureza. A dieta moderna, entretanto, é caracterizada por fontes de energia que nossos corpos nunca viram antes.”, disse Dana Small, professora de psiquiatria da instituição e principal autora do estudo.

Cérebro e metabolismo
No estudo, os pesquisadores analisaram, por meio de imagens de ressonância magnética, o cérebro de 15 participantes enquanto tomavam bebidas diet e a versão normal. Também foi monitorada a quantidade de energia gasta pelo corpo após esses eventos.

Os resultados mostraram que há um ‘desencontro’ entre doçura e quantidade de calorias, o que geralmente acontece em bebidas e alimentos diet, as calorias falham ao desencadear o metabolismo do corpo. Observou-se também que os circuitos de recompensa do cérebro não registraram o consumo de calorias, o que poderia levar a pessoa a comer mais do que o necessário. Para os autores, o novo achado ajuda a explicar estudos anteriores, nos quais os níveis de glicose no sangue dos pacientes se mostraram maiores, mesmo em dietas restritas a adoçantes artificias, elevando o risco de diabetes.

Segundo Tam Fry, do Fórum Nacional de Obesidade, do Reino Unido, os ingredientes artificiais, sejam eles em alimentos ou bebidas, podem prejudicar a saúde, mesmo parecendo saudáveis. “Eles podem estar livres de calorias, mas não de consequências. O diabetes é apenas um deles”, disse o porta-voz ao Daily Mail. “Muitos alimentos processados contêm incompatibilidades semelhantes, inclusive iogurtes pouco calóricos.”

Veja

Medicina do futuro será personalizada para cada paciente, afirma ganhador de Nobel

Aaron Ciechanover diz que mapeamento genético pautará os tratamentos de saúde

No meio da tarde, um homem sente dores no peito e decide procurar atendimento em um hospital. Mas, ao invés de fazer exames para descartar um infarto do miocárdio, por exemplo, o médico faz um mapeamento genético que indica que aquele homem tem 70% de chance de desenvolver mal de Alzheimer daqui uns anos. Parece ficção científica, né? Mas para o bioquímico israelense Aaron Ciechanover, ganhador do prêmio Nobel de Química 2004, esse é o futuro da medicina, que deverá ser personalizada.

— Na faculdade de medicina, aprendemos a tratar as doenças baseados nos sintomas, isso não é problema dos estudantes ou do conhecimento, mas está ultrapassado. Temos que partir do princípio da causa da doença. Mulheres com câncer de mama, por exemplo, podem ter sido acometidas por mutações diferentes, o que multiplica os tipos de câncer de mama. Então, essas pacientes devem ser tratadas com drogas direcionadas para determinada mutação. Os mapeamentos genéticos possibilitaram a descoberta da doença antes que ela se manifeste. Essa será a maior revolução da medicina de todos os tempos.

O mapeamento genético ficará mais comum e será o ponto de partida para começar qualquer tratamento de saúde. Além disso, o procedimento pautará a vida de milhões de pessoas. O homem que saiu do hospital com diagnóstico de Alzheimer é um caso fictício, mas mostra bem como a sociedade mudará com o avanço de tecnologia na área da saúde, afirmou Ciechanover, durante palestra na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), realizada nesta quarta-feira (9), na cidade de São Paulo. O cientista veio ao Brasil a convite da farmacêutica Astrazeneca.

— O diagnóstico precoce de Alzheimer mudará toda a vida deste homem. Será que o plano de saúde dele vai cancelar o contrato? Será que ele deverá avisar o plano sobre a doença que ainda não se manifestou, então nem pré-existente ela é ainda. Ele deverá contar para a mulher dele, que possivelmente vai cuidar dele, mesmo sabendo que ele não a reconhecerá mais quando a doença avançar? E será que os filhos dele também não terão o mesmo gene? Como serão as vidas deles?

Um exemplo real e bastante conhecido de como o mapeamento genético pode impulsionar decisões, às vezes consideradas drásticas, é o da atriz Angelina Jolie, que retirou as mamas e os ovários. A americana de 42 anos havia descoberto que tinha um gene que aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer de mama e ovário, que mataram sua mãe, aos 56 anos.

O genoma humano foi descrito pela primeira vez nos anos 2000. Atualmente, o valor do mapeamento genético custa cerca de U$ 10 mil (R$ 36 mil). O bioquímico acredita que daqui a uns dez anos o valor poderá cair para U$ 500 (R$ 11.800) e ser feito em poucos minutos por uma equipe pequena. A medicina do futuro será personalizada para focar na causa da doença, não nos sintomas, e terá como protagonista o próprio paciente.

— O mais importante não é levado em consideração, que é a participação do paciente. Hoje, a pessoa com câncer é tratada com quimioterapia e radioterapia, mas a ideia é tratar a doença dentro do conceito do paciente, de acordo com o repertório dele. Ele que deve decidir o seu destino, não o médico. Aquela frase: “Eu sou seu médico e você deve confiar em mim” será cada vez menos usada, pois hoje o paciente pesquisa na internet, monta grupos de discussão etc. Então, o médico vai virar apenas um consultor. Quem definirá as regras será o paciente. A medicina vai mudar de forma drástica e atingirá o padrão ouro. Ciechanover aposta que essa mudança atingirá em cheio a indústria farmacêutica, que deve oferecer resistência, já que os medicamentos levarão em conta todos os componentes do paciente para também de reduzir o risco de efeitos colaterais, que matam milhões de pessoas.

— O desenvolvimento das drogas será mais complicado porque levará em conta o DNA da pessoa. Entre 15% e 20% dos pacientes morrem em hospitais dos EUA por causa das reações dos medicamentos, ou então os médicos ficam naquela dúvida se vale mais o benefício que aquele medicamento proporciona em virtude do efeito colateral que ele causa. No futuro, poderemos fazer drogas personalizadas que garantirão mais benefícios

Bioética
Outra questão polêmica que deverá ser bastante discutida é a bioética, explica o bioquímico. Com a popularização do mapeamento genético, é possível saber se o filho de um casal herdará algum gene defeituoso dos pais, que poderá ser modificado para que a criança nasça saudável. Além disso, dá para saber como serão as características físicas. A grande questão é se determinadas características não serão consideradas “doenças” para serem modificadas, como cor dos olhos, cor do cabelo, estatura, se será gordo ou magro.

O especialista ressalta que ainda não estamos preparados para essa revolução na medicina, mas a divulgação de novas descobertas dá sinais de que ela acontece aos poucos. No entanto, em tempos de fake news, em que notícias falsas se espalham com velocidade astronômica e, na maioria das vezes, confundidas com notícias verdadeiras, fica ainda mais complicado para as pessoas saberem o que de fato está acontecendo com a medicina. Para Ciechanover, é necessário mobilização por parte da comunidade científica para minimizar este problema.

— A divulgação de fake news é um perigo terrível que nos ameaça e devemos tomar muito cuidado com esse fenômeno. Porém, os cientistas não sabem falar de forma clara que as pessoas entendam e isso atrapalha ainda mais a comunicação com a sociedade. É preciso que a comunidade científica se reconheça como parte da sociedade e busque os meios de comunicação para divulgar as novidades de forma clara.

Prêmio Nobel
– Ciechanover e Avram Hershko, em colaboração com Irwin A. Rose, do Centro de Câncer Fox Chase, na Filadélfia (EUA), ganharam o prêmio Nobel em 2004 devido à descoberta de um sistema que tem como uma de suas maiores funções o descarte de dejetos de proteínas do corpo, explica o bioquímico.

— O sistema chamado de ubiquitina, identifica proteínas inúteis e modificadas. Estas são proteínas prejudiciais que devem ser, de maneira seletiva, removidas do corpo, mantendo todos os componentes saudáveis que continuam exercendo suas funções vitais. Esta descoberta está diretamente relacionada ao câncer, pois este é causado por proteínas modificadas, que se acumulam de forma anormal.

O cientista continuou seus estudos do sistema da ubiquitina e fez descobertas adicionais. Ao longo dos anos, se tornou claro que proteólises mediadas por ubiquitina desempenham um papel importante em muitos processos celulares, e anomalias neste sistema sustentam mecanismos patogênicos de diversas doenças, tais como certas malignidades e transtornos neurodegenerativos. Consequentemente, o sistema se tornou uma plataforma importante para o desenvolvimento de medicamentos.

R7

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Solidão pode ser mais fatal do que a obesidade, afirma estudo

O isolamento social pode elevar o risco de morte prematura em até 50%, segundo estudo


A solidão pode ser um risco para a saúde tanto quanto a obesidade, de acordo com um novo estudo apresentado no congresso anual da Associação Americana de Psicologia. O estudo sugere que sentir-se solitário, isolar-se socialmente e viver sozinho aumenta o risco de morte prematura em até 50% – enquanto a convivência social poderia prevenir esse risco na mesma medida. De forma contrastante, a obesidade eleva o risco de morte antes dos 70 anos em até 30%.

Efeito da solidão
Pesquisadores da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, observaram 218 estudos, que envolveram, no total, cerca de 4 milhões de pessoas de vários países sobre os efeitos da solidão sobre a saúde. Apesar de não especularem sobre o que poderia causar essa relação de risco, pesquisas anteriores já identificaram uma associação entre a qualidade de vida – que envolve as relações humanas – e a expectativa de vida. Além disso, a solidão poderia prejudicar o sistema imunológico da pessoa.

Importância social
Para a autora do estudo, Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia da instituição, as pessoas deveriam preparar-se para a aposentadoria social assim como se preparam para a financeira – afinal, para muitos, o local de trabalho é a principal fonte de relações sociais. “A conexão social é amplamente considerada uma necessidade humana, crucial tanto para o bem-estar quanto para a sobrevivência”, disse a especialista. “Há evidências sólidas de que o isolamento social e a solidão aumentam significativamente o risco de morte prematura e a magnitude desse risco excede a de muitos indicadores de saúde.”

No estudo, os pesquisadores sugerem que habilidades sociais deveriam ser ensinadas na escola, assim como ser incentivadas pelos médicos, principalmente aos pacientes mais velhos. Pessoas em idade de aposentadoria deveriam planejar ou participar de encontros sociais, por exemplo. “Com um crescente envelhecimento da população, o efeito sobre a saúde pública só deverá aumentar. De fato, muitos especialistas sugerem que estamos enfrentando uma ‘epidemia de solidão’. O desafio que enfrentamos agora é como solucionar esse problema.”

Veja

Inteligência artificial acelera busca por novos medicamentos contra a ELA

Sistemas analisam dados em velocidade superior à capacidade humana em busca de possíveis remédios e terapias

Robôs de inteligência artificial estão acelerando a corrida para encontrar novos medicamentos para combater a esclerose lateral amiotrófica (ELA). A enfermidade, também conhecida como doença de Lou Gehrig, ataca e mata as células nervosas que controlam os músculos, provocando fraqueza, paralisia e, por fim, insuficiência respiratória.

Existem apenas dois remédios aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA para retardar a progressão da esclerose lateral amiotrófica, uma disponível desde 1995 e outra aprovada apenas este ano. Cerca de 140.000 novos casos são diagnosticados por ano globalmente e não há cura para a doença, conhecida por afetar o físico Stephen Hawking. — Muitos médicos a consideram a pior doença da medicina e a demanda não atingida é enorme — disse Richard Mead, do Sheffield Institute of Translational Neuroscience, que descobriu que a inteligência artificial já está acelerando seu trabalho.

Robôs
Softwares complexos que são executados por computadores poderosos — trabalham como super-pesquisadores incansáveis e imparciais. Eles analisam enormes bancos de dados químicos, biológicos e médicos, ao lado de resmas de artigos científicos, muito mais rápido do que humanamente possível, produzindo novos alvos biológicos e possíveis remédios. Um candidato a medicamento proposto por tais máquinas produziu recentemente resultados promissores na prevenção da morte de células do neurônio motor e atraso no início da doença em testes pré-clínicos em Sheffield.

Caso a pesquisa produza novos medicamentos, marcaria uma vitória notável para a inteligência artificial na descoberta de remédios, impulsionando as perspectivas de um crescente número de startups focadas na tecnologia. Estas empresas estão se baseando na premissa de que, embora os robôs de inteligência artificial não substituam cientistas e médicos, podem economizar tempo e dinheiro, descobrindo fármacos muito mais rapidamente do que os processos convencionais.

O Globo