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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Cientistas criam implante de gelatina feita de álcool para combater o câncer

Etanol é responsável por destruir as células tumorais por “envenenamento” de proteínas vitais que precisam se replicar

Cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, desenvolveram um implante que poderá ser um poderoso aliado no tratamento do câncer. Mas o que mais chama a atenção do método é o material no qual o dispositivo foi criado: gelatina e álcool.

O tratamento para combater o câncer , que até o momento só foi testado em animais, seria feito a partir da introdução do implante no tumor, que libera, lentamente, pequenas quantidades de etanol – o álcool que compõe, por exemplo, de 12% a 14% do vinho. À medida que entra em contato com células tumorais, o etanol destrói por “envenenamento” as proteínas vitais que as células precisam replicar.

O uso do álcool para tratar o câncer não nenhuma novidade na medicina. Há muito tempo os médicos sabem que as células cancerosas podem morrer “afogadas” em etanol. O problema é que essa substância química também destrói os tecidos circundantes saudáveis ​​e leva quantidades relativamente grandes de álcool para erradicar completamente as células tumorais, expondo as células normais aos seus efeitos tóxicos.

Como resultado, seu uso foi limitado a canceres onde o tumor está contido dentro de uma cápsula fibrosa que evita o vazamento de álcool, como pequenos tumores de fígado. Nestes casos, uma agulha é passada através da pele sob anestesia local para esguichar álcool nas células cancerosas. 

Novo implante
Para chegar ao resultado final do estudo, os cientistas misturaram etanol com etilcelulose, uma substância feita de polpa de madeira ou algodão que é amplamente utilizada como agente espessante na indústria de alimentos e para revestir medicamentos. A partir daí, foi desenvolvida uma substância firme, gelatinosa, que, uma vez que entra em contato com as condições úmidas dentro do corpo, gradualmente começa a dissolver-se ao longo de uma semana ou mais, liberando sua carga alcoólica.

O diferencial dos outros experimentos já inventados antes é que ele se dissolve lentamente, pequenas quantidades de álcool são liberadas na área do tumor – em vez de “inundar” a área e as células vizinhas saudáveis ​​com álcool injetado. Para testá-lo, cientistas implantaram o gel em sete camundongos com tumores malignos na boca e mediram o tamanho do crescimento canceroso após oito dias. Os resultados, publicados recentemente na revista Scientific Reports , mostraram que os tumores desapareceram completamente nos sete animais que receberam o implante.

Os pesquisadores disseram que a quantidade de álcool no implante de gel era uma fração daquela necessária quando injetada, reduzindo a quantidade de possíveis danos às células saudáveis. Segundo os cientistas, o gel poderia ser usado para tratar outros tipos de câncer, como o de mama, e está sendo estudado para tratar lesões pré-cancerosas no colo do útero. Uma das maiores vantagens é que o tratamento pode ser muito barato.

iG

ANS suspende venda de planos de saúde de 10 operadoras

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu a venda de trinta planos de dez operadoras devido a reclamações recebidas no terceiro trimestre de 2017 referentes à cobertura assistencial, com negativas e demora no atendimento

A medida passa a valer no dia 8 de dezembro e assegura que cerca de 16,7 mil beneficiários dos planos suspensos neste período continuem a contar com assistência regular.

A ANS recebeu aproximadamente 15.192 reclamações de natureza assistencial entre julho e setembro e levou em conta 14.138 queixas para análise. No período, 92% das reclamações foram sanadas pela mediação realizada pela ANS através da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), que almeja uma solução mais rápida do problema. Os casos não solucionados viram processos contra as operadoras e também são aferidos para a suspensão da comercialização.

Para poder voltar a vender planos, as dez operadoras necessitam comprovar à ANS que houve melhorias nos serviços.

Acesse aqui a lista de planos com comercialização suspensa.

Saúde Business

Inteligência artificial amplia segurança dos pacientes do Hospital 9 de Julho

Sistema de monitoramento inteligente, produzido em parceria com a Microsoft, informa a equipe assistencial sobre situações de risco


Uma tecnologia inédita, que utiliza a inteligência artificial para prevenir quedas de pacientes internados, desenvolvida pela Microsoft, está sendo aplicada em pacientes do Hospital 9 de Julho (SP). A unidade foi escolhida pela empresa de tecnologia por ser um hospital que segue padrões internacionais de qualidade e segurança na assistência aos pacientes.

Para a gerente de qualidade do Hospital, Ana Paula Mikulenas, a tecnologia é uma importante aliada na busca constante pela excelência no atendimento e vai ao encontro das recomendações do Consórcio Brasileiro de Acreditação/Joint Commission International.

O sistema, desenvolvido pela equipe do Laboratório de Tecnologia Avançada (ATL) da Microsoft, faz o monitoramento dos pacientes por meio de um algoritmo que ‘reconhece’ movimentos que representam riscos e que podem levar a uma queda. Uma câmera instalada no quarto detecta movimentações do paciente como, paciente sentado na cama, grades abaixadas, pernas por cima da grade da cama, pacientes deitados muito próximos à beira do leito, entre outros. As informações são processadas em tempo real por algoritmos avançados que geram alertas e identificam eventos.

Assim que um destes movimentos fora do padrão é detectado, um alerta é emitido imediatamente à equipe de enfermagem, por meio de um sistema de comunicação, que integra voz e mensagens de texto. O alerta é enviado também ao Posto de Enfermagem.

“Durante a internação, é natural estarmos fragilizados e é papel do Hospital oferecer ao paciente todo o conforto e segurança”, Ana Paula.

Nathália Vincentis
Jornalismo
www.sbcomunicacao.com.br

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Um cada dez produtos médicos vendidos em países pobres é falso ou de má qualidade, diz OMS

Relatório da Organização Mundial da Saúde diz ainda que maioria dos produtos circula na África (42%). Nas Américas, taxa é de 21%

Um em cada 10 produtos médicos que circula em países de baixa e média renda é falsificado ou tem qualidade inferior, informa relatório da Organização Mundial da Saúde. Antibióticos e medicamentos contra a malária estão entre os produtos mais falsificados no mundo. A entidade diz ainda que cerca de 10,5% dos medicamentos utilizados em países em desenvolvimento falham em seu objetivo médico.

A maior parte dos produtos falsificados ou de má qualidade está na África (42%). Já nas Américas, o índice é de 21%, mesma taxa observada na Europa. A entidade observa, no entanto, que o problema pode ser ainda maior — já que nem todos os países enviaram dados e relatórios à organização. “As pessoas estão tomando medicamentos que não tratam ou previnem doenças”, destaca nota da entidade. “O que é um desperdício de dinheiro para sistemas de saúde”, completa.

“Imagine uma mãe que desista de alimentos ou de outras necessidades básicas para pagar o tratamento da criança, sem saber que os remédios são inadequados ou falsificados, e esse tratamento faz com que o filho morra. Isso é inaceitável”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em nota.

O trabalho se baseou em outros 100 estudos publicados em 88 países de baixa e média renda. Ao todo, foram analisadas 48 mil amostras de medicamentos. O primeiro relatório da OMS sobre medicamentos falsificados é de 2013. Desde então, a entidade treino 550 reguladores de 151 países e espera melhorar a qualidade da informação.

Mortes por medicamentos falsificados
Segundo a OMS, um estudo desenvolvido pela Universidade de Edimburgo (Escócia) estima que 72 mil a 169 mil crianças podem morrer a cada ano por pneumonia pela baixa qualidade dos antibióticos administrados. Ainda, um segundo estudo feito pela London School of Hygiene and Tropical Medicine (Reino Unido) estima que 116 mil mortes podem ocorrer anualmente por medicamentos contra a malária de baixa qualidade ou falsificados na África subsaariana. O problema é ainda maior quando se leva em conta que a região gasta em média US$ 38,5 milhões em medicamentos, informa a OMS.

G1

Tratamento novo pode reduzir crises de enxaqueca pela metade

Primeira de uma nova classe de medicamentos, a droga inibe a ação da proteína responsável pelos desconfortos da enxaqueca

Uma nova terapia contra crises de enxaqueca, a primeira aprovada em 20 anos, é a nova promessa no tratamento da condição, segundo os especialistas. De acordo com novos estudos, publicados no periódico científico New England Journal of Medicine, a droga, chamada Erenumab, é na verdade um dos anticorpos monoclonais, feitos em laboratório, que agem atacando a proteína do cérebro responsável pelos sintomas (CGRP), como as náuseas e as dores de cabeça intensas.

Em um dos testes com o medicamento produzido pela farmacêutica suíça Novartis, cerca de 50% dos voluntários tiveram a quantidade de crises de enxaqueca reduzida pela metade – contra 26% que receberam um placebo, o que explica o fluxo natural da condição. Enquanto isso, o Fremanezumab, outro anticorpo fabricado pela americana Teva, teve o mesmo resultado em 41% dos pacientes analisados, contra 18% sem o mesmo tratamento.

O tratamento
Os voluntários receberam injeções dos medicamentos, anticorpos designados para bloquear um composto químico cerebral, o peptídeo relacionado ao gene de calcitonina (CGRP, na sigla em inglês), que funciona como uma defesa aos estímulos externos, causando uma leve inflamação, mas quando liberado em quantidades elevadas leva à enxaqueca.

O estudo envolvendo o Erenumab foi realizado em 955 pacientes, que receberam uma injeção mensal do medicamento, na coxa ou na barriga, ou uma versão placebo durante 24 semanas. Já o Fremanezumab foi testado em 1.130 pacientes. Os participantes que receberam o tratamento tiveram, em média, três dias a menos de crise de enxaqueca a cada mês, quando comparados à tendência habitual dos episódios. Além disso, aqueles que receberam as injeções com o anticorpo também mostraram uma melhora na aptidão física durante o período de tratamento.

Alívio da enxaqueca
“Muitas vezes, a enxaqueca é trivializada como apenas uma dor de cabeça quando, na realidade, pode ser uma condição crônica, debilitante”, disse Simon Evans, diretor executivo da ONG britânica Migraine Action. “Os efeitos podem durar horas e até dias, em muitos casos. Uma opção que pode prevenir a enxaqueca e que é bem aceita [pelo corpo científico] é, portanto, extremamente necessária e esperamos que isso marque o início de mudanças reais em como a condição é tratada e percebida”

A condição
Os sintomas mais comuns da condição são dor de cabeça intensa, geralmente acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz ou som. De acordo com os especialistas, ela afeta uma em cada cinco mulheres e um em cada 15 homens. Metade dos pacientes tem algum familiar próximo que também sofre com a enxaqueca, o que sugere que seu desenvolvimento pode ter algum fator genético. 

Ainda não existem medicamentos disponíveis que previnam ou curem a enxaqueca. No entanto, analgésicos mais fortes, como os triptanos, podem ser indicados para aliviar a dilatação dos vasos cerebrais, produzida pelo CGRP. O propranolol e outros betabloqueadores, medicamentos para tratamento da hipertensão, também podem ser indicados como medida preventiva, mas possuem efeitos colaterais e não são efetivos em todos os casos.

“O estudo mostra claramente que o bloqueio deste caminho neuronal [CGRP] pode reduzir o impacto da enxaqueca”, disse Peter Goadsby, professor de neurologia do King’s College London, líder de um dos ensaios clínicos. “Antes os pacientes recebiam tratamentos que na verdade são para outras doenças, mas agora podem ter uma terapia especificamente desenvolvida para a enxaqueca. Isso representa um passo incrivelmente importante para a compressão e tratamento da doença.”

Próximas etapas
Outras testes com os anticorpos precisam ser feitos para avaliar os efeitos a longo prazo do tratamento. Atualmente, quatro empresas farmacêuticas estão desenvolvendo anticorpos que neutralizam o CGRP, seja na atuação direta do anticorpo com a proteína ou com o bloqueio da célula com a qual ela interage.

Veja