Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ibuprofeno pode levar à infertilidade masculina, sugere pesquisa

Homens utilizaram 600 mg diárias do medicamento por duas semanas (Foto: CDC/ Amanda Mills)
Homens utilizaram 600 mg diárias do medicamento por duas
semanas (Foto: CDC/ Amanda Mills)
Indivíduos estudados desenvolveram condição conhecida como hipogonadismo, que afeta produção de espermatozoides e hormônios

Pesquisa feita na Dinamarca mostra que o uso de um anti-inflamatório comum, o ibuprofeno, pode levar à disfunção hormonal e à infertilidade em homens adultos jovens.

Ainda, o uso sem supervisão médica pode afetar a função de testículos, incluindo a produção de testosterona, atestam pesquisadores. O uso também pode deflagrar disfunção erétil e fadiga.

O estudo, publicado no "PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences)", teve como primeiro autor o neurologista David Møbjerg Kristensena, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

A pesquisa estudou a função do analgésico em 31 homens saudáveis entre 18 e 35 anos que utilizaram 600 mg de ibuprofeno diariamente por duas semanas.

No estudo, foram excluídos indivíduos com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 30, com evidência de úlcera, sinais de disfunção de fígado ou disfunção renal para que não houvesse interferência no resultado.

Após análise, pesquisadores observaram que participantes desenvolveram uma condição conhecida como hipogonadismo -- em que testículos não produzem hormônios ou espermatozoides adequadamente. A disfunção normalmente surge em homens de meia idade.

A pesquisa soma-se ao corpo de evidências que alertam para os riscos do uso abusivo de analgésicos e anti-inflamatórios.

O ibuprofeno, por exemplo, já foi associado ao risco aumentado de problemas cardíacos.

G1

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Inscrições abertas para o curso Oficinas Clínicas sobre o Cuidado

cursoseeventosAs vagas são para profissionais de saúde do SUS que atuam em funções assistenciais

Estão abertas, até o próximo dia 8 de março, as inscrições para o curso de qualificação Oficinas Clínicas sobre o Cuidado: Narrando casos e (Re)construindo sentidos para o trabalho em saúde 2018.

A formação, direcionada a profissionais de saúde do SUS que atuam em funções assistenciais, tem como objetivo contribuir com a compreensão e (re)construção de sentidos acerca das questões ligadas à dimensão (inter)subjetiva do trabalho em saúde e da produção do cuidado.

Para se inscrever, clique aqui.

Curso
São ofertadas 30 (trinta) vagas. Destas, 20 (vinte) serão destinadas à demanda livre de profissionais de saúde de nível superior que estejam exercendo funções assistenciais nos diversos serviços do SUS e 10 (dez), aos profissionais de saúde de nível superior da área assistencial do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Organizado em duas unidades, que articulam 24 sessões de trabalho, 12 pela manhã e 12 à tarde - num total de 72 horas presenciais, o curso se estrutura a partir de uma dinâmica pedagógica que prevê a combinação de atividades e recursos diversos.

Acesse o edital aqui


Texto: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Edição: Comunicação Interna/ASCOM/GM/MS

TelessaúdeRS lança e-book “Alimentação & Nutrição na Atenção Primária à Saúde”

arte divulgacao livro nutricao noticia 20171229 lck-08-3O download do livro pode ser feito gratuitamente no site do projeto

Já está disponível para download o livro “Alimentação & Nutrição na Atenção Primária à Saúde”, organizado pela equipe do TelessaúdeRS-UFRGS, composta por Roberto Nunes Umpierre, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Médico da Família e Comunidade e Vice-coordenador do projeto, Marcelo Rodrigues Gonçalves, também professor da Faculdade de Medicina da UFRGS, Médico da Família e Comunidade e Coordenador do TelessaúdeRSUFRGS, Sabrina Dalbosco Gadenz, Nutricionista e Assessora Operacional do Telediagnóstico TeleOftalmo, e Cynthia Goulart Molina Bastos, Médica da Família e Comunidade e Coordenadora do Telediagnóstico.

O e-book é uma compilação dos materiais de leitura disponibilizados no curso “Nutrição da APS” desenvolvido pelo TelessaúdeRS-UFRGS e ministrado na modalidade Educação a Distância (EaD) de setembro a dezembro de 2017. Cerca de cinco mil alunos de todo o Brasil, profissionais e estudantes da área de Saúde, participaram do curso EaD.

O livro é composto por dez capítulos e traz recomendações sobre alimentação adequada e saudável na Atenção Primária para diversos tipos de públicos. Conforme o professor Umpierre, a obra foi elaborada com o objetivo de capacitar os profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre alimentação saudável. “É uma estratégia para enfrentar a epidemia de doenças crônicas não transmissíveis, através de orientações adequadas, estímulo às hortas comunitárias, ao consumo de alimentos in natura e orgânicos”. O e-book está disponível para download gratuito no site do TelessaúdeRS-UFRGS: clique aqui e baixe o seu.

Fonte: TelessaúdeRS

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Cientistas criam adesivo de insulina que pode substituir injeções em diabéticos

Adesivo que estimula a produção de insulina deverá ser testado em humanos em breve, afirmam os pesquisadores
Divulgação - Adesivo que estimula a produção de insulina deverá
 ser testado em humanos em breve, afirmam os pesquisadores
Testes em ratos foram bem-sucedidos, afirmaram os pesquisadores; colado na pele, adesivo é capaz de estimular a produção do hormônio no corpo

Mais de 300 milhões de pessoas que vivem com diabetes poderão se beneficiar com a invenção de um novo dispositivo que promete substituir o uso de injeções dolorosas de insulina e testes de punção. Cientistas americanos desenvolveram um adesivo para colocar na pele que parece ser inovador. Ele é capaz de estimular a própria produção de insulina do corpo e controlar os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes . Além de ser livre de dor, a aplicação é feita semanalmente.

O tratamento formulado bioquimicamente ajuda a manter a condição controlada fornecendo uma substância natural, que é extraída de algas marrons e misturada com agentes terapêuticos, através de microagulhas dissolvíveis – projetadas para liberar os ingredientes ativos rapidamente quando necessário e para diminuir ou parar quando os níveis de glicose se estabilizam. Ainda não foram realizados os testes com humanos, mas os pesquisadores afirmaram que sua eficácia como um tratamento foi comprovada após avaliações em camundongos.

As taxas de diabetes aumentaram nas últimas duas décadas. A doença afeta 371 milhões de pessoas em todo o mundo, metade das quais não sabem do diagnostico , conforme informou a Federação Internacional de Diabetes. A condição é uma das principais causas de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral e amputação de membros inferiores.

O diretor científico do National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering (NIBIB) em Maryland, nos Estados Unidos, Richard Leapman afirmou que esta abordagem experimental poderia ser uma maneira de tirar proveito do fato de que pessoas com diabetes tipo 2 ainda podem produzir alguma insulina. “Um adesivo semanal também seria menos complicado e doloroso do que as rotinas que exigem exames de sangue frequentes”, afirmou Leapman.

Como funciona
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que permite que o corpo use açúcar (glicose) de carboidratos nos alimentos ingeridos. É responsável por mover a glicose da corrente sanguínea para células onde o açúcar pode ser convertido em energia ou armazenado. No entanto, em pessoas com diabetes tipo 2, a capacidade do corpo de fazer ou usar insulina é progressivamente prejudicada.

Muitos pacientes necessitam de terapia com insulina, geralmente por injeção, em quantidades que são calculadas de acordo com o déficit individual do hormônio no sangue. Mas, segundo observaram os pesquisadores, a terapia com insulina não é bem gerenciada na metade dos casos. Sendo assim, foi pensada uma fórmula que consiste em dois compostos – exendin-4 e glicose oxidase – que reagem com a química do sangue para desencadear a produção de insulina. Cada um é combinado com uma partícula mineral de fosfato, que estabiliza o composto até que seja necessário.

“A maioria das abordagens atuais existentes para este fim envolve a liberação constante de insulina. Já a nossa abordagem cria uma onda de liberação rápida apenas quando necessário e depois retarda ou mesmo para a liberação quando o nível de glicose fica estável”, ressaltou o diretor científico. A ideia agora é partir para testes em humanos para comprovar a eficácia e aperfeiçoar o método.

iG

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Menos da metade dos portadores de HIV tomam antirretroviral

Menos da metade das pessoas que têm tuberculose e foram infectadas pelo vírus HIV tomam o remédio antirretroviral no Brasil

Apenas 41,8% dos pacientes de tuberculose com coinfecção por HIV fazem uso da terapia antirretroviral (TARV) no país, enquanto no mundo o percentual foi de 85%, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando associadas e não tratadas, as duas infecções podem provocar outras doenças e diminuir a sobrevida do paciente. Pessoas que vivem com HIV/aids no Brasil estão 28 vezes mais propensas a desenvolver a tuberculose, uma das doenças que mais matam no mundo e que ocupa a nona posição no ranking geral de mortes no mundo.

As informações constam do último relatório global da tuberculose elaborado pela OMS e divulgado no fim do ano passado. Segundo o documento, o Brasil está entre os 20 países com a maior carga de pessoas com tuberculose e infectadas com o vírus HIV. Em 2016, além do Brasil, outros cinco países tinham menos de 50% dos pacientes infectados pelas duas doenças em tratamento antirretroviral: Congo, Gana, Guiné-Bissau, Indonésia e Libéria.

“Quando a gente está com HIV sem tratamento, o HIV vai destruindo a imunidade no corpo da pessoa e aí abre as portas para a tuberculose, tanto pra pessoa se contaminar com o bacilo da tuberculose, quanto para, uma vez contaminada, desenvolver a doença da tuberculose”, explica o infectologista Rafael Sacramento, integrante da organização Médico sem Fronteiras.

No Brasil, a tuberculose é a principal causa de morte de pacientes que vivem com o vírus da imunodeficiência humana. De acordo com o mais recente panorama de mortalidade da tuberculose disponível no país, seis em cada dez das pessoas que morreram por HIV em 2014 tinham tuberculose como causa associada do óbito. A OMS estima que ocorreram, em 2016, cerca de 1,3 milhão de mortes no mundo por tuberculose entre pacientes não infectados pelo vírus HIV e 374 mil mortes entre os soropositivos, o que corresponde a uma média de mil mortes por dia. No Brasil, no mesmo ano, foram mais de 5 mil mortes por tuberculose e quase 2 mil pela coinfecção tuberculose e HIV.

“Os desfechos [do tratamento da tuberculose] quando a pessoa tem HIV são muito ruins, porque continua tendo muito óbito. Tem um percentual de óbito, um percentual de perda de acompanhamento ou abandono e um percentual de falha, o que faz com que o tratamento não tenha uma eficiência boa”, relata a pesquisadora Valeria Rolla, coordenadora do laboratório de micobacterioses da Fundação Oswaldo Cruz.

Segundo o Ministério da Saúde, pacientes coinfectados com tuberculose e HIV que tomam os medicamentos 35% mais chance de cura e morrem 44% menos por tuberculose do que os pacientes que não usam a terapia. A OMS também ressalta que a maioria das mortes por tuberculose pode ser prevenida com diagnóstico precoce e tratamento adequado. A organização calcula que entre os anos 2000 e 2016 foram evitadas 53 milhões de mortes de pessoas que foram diagnosticas e tratadas com sucesso.

Tratamento e cura
Entre as pessoas diagnosticadas com tuberculose e HIV, há o desafio de garantir a total adesão à terapia antirretroviral (TARV) ou à terapia de combate à tuberculose. Seja por falta de acesso aos medicamentos ou por rejeição aos efeitos colaterais da terapia, muitos pacientes enfrentam dificuldades para seguir o tratamento de forma adequada.

A artesã Sandra Maria da Silva Gonçalo, de 37 anos, vivenciou a experiência de abandonar a terapia antirretroviral. Moradora de Beberibe, no Recife (PE), Sandra descobriu ser soropositiva em 2003 e sempre seguiu com rigor a rotina de tomar os medicamentos antirretrovirais. Mas há pouco mais de um ano, abandonou o tratamento por alguns meses e desenvolveu a tuberculose.

“Fiquei doente, a imunidade baixou, porque eu estava em depressão e terminei contraindo a tuberculose. Aí, eu me internei pra investigar, porque meu caso foi extrapulmonar. Quando é no pulmão é mais fácil diagnosticar, eu estava com todos os sintomas, mas não estava com tosse, não estava com secreção. Fiz todo o processo e bateria de exames pra poder vir descobrir que era no baço”, relatou. Sandra deixou de tomar os antirretrovirais depois de enfrentar um processo de violência doméstica e psicológica, o que a levou à depressão e ao abandono dos remédios do HIV. Foi a primeira vez que ela desenvolveu a doença. Ela acredita que foi infectada pelo ex-marido, que tinha tuberculose e não tratava adequadamente.

Ao contrário do ex-companheiro, Sandra iniciou imediatamente o tratamento e retomou a rotina com os medicamentos para controle do HIV. Ficou curada da tuberculose em nove meses. Os medicamentos foram adquiridos na rede pública de saúde e, apesar dos fortes efeitos colaterais, Sandra conseguiu manter a disciplina para concluir a terapia.

“A dificuldade que eu enfrentei foi na questão dos medicamentos [da tuberculose] mesmo, porque eram muito fortes e tem que tomar quatro comprimidos todos os dias em jejum. Eu tinha tontura, ficava com mal-estar, sentia dor de estômago. Não pensei em desistir porque adquiri a tuberculose por conta de falha no meu tratamento do HIV. Aí pensei: ‘vou fazer logo o tratamento pra me livrar dela'”, conta.

Agora, a artesã enfrenta o desafio de manter o tratamento do HIV devido à falta de medicamentos personalizados que necessita. Depois do abandono temporário no tratamento, Sandra teve de fazer três vezes exames de genotipagem para checar se o vírus passou por algum tipo de mutação e se tornou resistente à medicação. A partir dos resultados, ela precisou iniciar a chamada terapia de resgate, em que é utilizada uma combinação diferente de medicamentos para surtir mais efeito sobre a carga viral.

“O medicamento da tuberculose nunca faltou, mas os antirretrovirais sempre faltam. Estou até hoje na terapia de resgate. Quando eu vou pegar um medicamento e está faltando, eu corro pra ouvidoria do hospital, vou na farmácia e eles conseguem emprestado de outro hospital. Eu falo: ‘tem de arrumar medicamento, porque eu estou na terapia de resgate e se eu falho com medicamento, você vai responder pela minha vida?'” relatou.

Sandra também trabalha sensibilizando jovens e adolescentes sobre a importância da prevenção à aids e da adesão ao tratamento na organização não governamental (ONG) Gestos: Soropositividade, Comunicação e Gênero. A organização decidiu protocolar no mês passado uma denúncia no Ministério Público de Pernambuco (MP-PE), depois de receber várias reclamações de pessoas com HIV e que não têm conseguido retirar a medicação necessária para manutenção do tratamento nas unidades estaduais de saúde. No documento entregue na Promotoria de Saúde, a ONG destaca que Pernambuco ocupa o primeiro lugar no Nordeste em números de casos de aids, com o registro de duas mortes por dia em decorrência da doença.

Diagnóstico e tratamento precoce
O Brasil apresenta tendência de estabilização das taxas de infecção por HIV e tem atualmente cerca de 830 mil pessoas convivendo com o vírus. Em 2016, foram diagnosticados no país cerca de 38 mil novos casos. O volume, no entanto, ainda aponta para uma epidemia, em que uma pessoa é contaminada a cada 15 minutos.

Dados do último boletim epidemiológico de HIV e aids apontam que duas a cada dez pessoas infectadas com o vírus ainda não estão vinculadas a nenhum serviço público de saúde e podem não estar seguindo regularmente o tratamento para controlar a carga viral e fortalecer a imunidade contra doenças consideradas oportunistas, como a tuberculose.

“Atualmente, uma das formas mais seguras e mais assertivas de se reduzir a transmissão de HIV é diagnosticar as pessoas e colocá-las no tratamento o mais precocemente possível. Quando a pessoa está fazendo o tratamento de HIV corretamente, a circulação de vírus no sangue fica indetectável pelos métodos que temos hoje e a gente não consegue encontrar nesses casos possibilidade de transmissão”, explica o infectologista Sacramento.

No Brasil, os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam melhora no diagnóstico e no acesso ao tratamento de pessoas soropositivas. Em 2016, cerca de 70% das pessoas vivendo com HIV apresentavam adesão suficiente à terapia. Contudo, desde 2013, o Ministério alerta que persiste em 9% a taxa de abandono ou interrupção do tratamento.

“Geralmente são pessoas de baixa renda. O abandono de tratamento tem muito a ver muitas vezes com pessoas que estão com seu benefício negado e não têm condição de se manter. A pessoa não tem condição de comer e se alimentar direito, isso impacta no resultado do tratamento. Pessoas relatam que não conseguem tomar a medicação de barriga vazia”, relata Roberta Gouveia, enfermeira que atua em um centro de referência a pacientes com HIV e tuberculose em Recife (PE). Roberta também atua na ONG Gestos e defende que o foco do tratamento de pacientes soropositivos não deve estar somente no medicamento.

“Deveria haver, por parte do setor saúde, uma preocupação com a prevenção da tuberculose no paciente soropositivo. Eu acho que a coisa está muito focada na dispensação de medicação, em fazer o tratamento de HIV, sem dar a devida importância à tuberculose como coinfecção”, opina a enfermeira.