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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

OMS oferece cursos sobre epidemias, pandemias e emergências de saúde

multi-disciplinary-team-no-words 0A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou neste ano uma série de cursos em vídeo sobre epidemias, pandemias e emergências de saúde. Adaptado para aqueles que trabalham em emergências, os cursos também são acessíveis a qualquer pessoa interessada

Os cursos – conhecidos como ‘openWHO’, ou ‘OMS aberta’ – transformam conhecimento científico complexo em aulas de vídeo introdutórias fáceis de entender, usando uma largura de banda menor. As versões off-line estão disponíveis para dispositivos IOS e Android.

A plataforma pode hospedar um número ilimitado de usuários e está aberta a qualquer pessoa que queira se registrar.

A plataforma possui três canais principais:
  • O canal ‘Surtos’ (outbreaks) se concentra em doenças que são epidêmicas ou propensas a pandemia, como ebola, febre amarela e gripe pandêmica.
  • O canal GetSocial! abrange intervenções de ciências sociais, tais como comunicação de risco, envolvimento da comunidade e mobilização social.
  • Ready For Response (‘Pronto para resposta’) oferece cursos sobre o quadro de resposta de emergência da OMS, o Sistema de Gerenciamento de Incidentes e treinamentos pré-implantação para pessoas que podem ser enviadas para os países para resposta de emergência.
Além disso, um canal é voltado aos parceiros na Rede Global de Alerta e Resposta a Emergências (GOARN), que fornece o treinamento necessário para participar das respostas.

Todos os cursos estão em inglês e muitos também estão disponíveis em árabe e francês. Para garantir que todos os envolvidos em resposta de emergência tenham as últimas informações científicas e operacionais, a OMS disponibiliza alguns cursos em línguas e dialetos locais durante epidemias e emergências.

Por exemplo, durante o recente surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), a OMS traduziu o curso introdutório sobre ebola na plataforma em lingala, o principal idioma da região mais afetada.

Acesse a plataforma OpenWHO: https://openwho.org.

Acesse no Android clicando aqui.

Acesse no IOS clicando aqui.

Fonte: OMS

Janeiro Roxo: Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase

hanseníaseA Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e preconceito que permeia a doença

A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado.

O Ministério da Saúde (MS) promove em parceria aos estados e municípios, ações de vigilância e educação em saúde, com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, além de mobilizar os profissionais de saúde à busca ativa de casos novos de hanseníase e exame dos contatos, especialmente os de convivência domiciliar (grupo com maior risco de adoecimento). As ações de busca ativa têm como foco o diagnóstico precoce da doença e a prevenção das incapacidades e deformidades físicas.

O MS recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente, se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade ao calor e ao toque, configurando como um dos sinais e sintomas sugestivos da doença.

Na última década, o Brasil apresentou uma redução de 37,1 % no número de casos novos, passando de 40,1 mil diagnosticados no ano de 2007, para 25,2 mil em 2016. Tal redução corresponde à queda de 42,3% da taxa de detecção geral do país (de 21,19/100 mil hab. em 2007 para 12,23/100 mil hab. em 2016). Do total de casos novos registrados, 1,6 mil (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente, e 7,2 mil iniciaram tratamento com alguma incapacidade.


No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo) - cor definida em 2015 para simbolização do enfrentamento a doença no país -, para alertar a população a respeito da doença, o Blog da Saúde entrevistou a Coordenadora Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha. Confira a entrevista:

Blog da Saúde: O que é a Hanseníase?
Carmelita Filha: É uma doença dermato neurológica, que tem manifestação na pele, como manchas. E essas manchas têm alteração de sensibilidade, por isso são consideradas dermato neurológicas. A parte neurológica vem dos nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade e motricidade. Então a Hanseníase é a única doença dermatológica que tem alteração de sensibilidade na pele.

Blog da Saúde: E quais são os principais sinais e sintomas?
Carmelita Filha: Os principais sinais e sintomas são:- manchas na pele com alteração da sensibilidade térmica e/ou dolorosa; comprometimento neural periférica em mãos e/ou pés e/ou face. É comum as pessoas falarem que estão com uma mancha dormente no corpo e chegarem ao consultório com uma cicatriz no local por terem feito o teste da sensibilidade. Mas é importante ressaltar que nem sempre a mancha doença vai estar totalmente dormente. Ela pode estar mais ou menos, dependendo do tempo. As manchas podem ser esbranquiçadas, que não dói, não coça e aparecem geralmente em lugares como as costas, braços, perna e rosto, mas isso não elimina outras áreas do corpo. É uma mancha que aparece no corpo e que muitas vezes as pessoas não se sentem incomodadas. Também pode haver alteração de sensibilidade sem a mancha.

Blog da Saúde: E quais são as causas?É uma doença transmissível?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença milenar, é sinônimo de lepra. No Brasil que foi alterado a nomenclatura pelo preconceito a doença. O período de encubação da doença é longo e é transmissível. Então uma pessoa que possui Hanseníase do tipo multibacilar que não esteja em tratamento transmite a doença, geralmente para quem está mais próximo. São as pessoas que moram com ela ou que estão próximas, que tem maior chance de adoecer. A bactéria causadora da Hanseníase é a microbacterium lepra, e ela entra pelas vias aéreas superiores através de um espirro, tosse ou até mesmo uma conversa. Mas só uma conversa rápida não é o suficiente para desenvolver a doença, precisa que a pessoa esteja todo dia recebendo a bactéria. As pessoas ficam muito receosas em estar perto de quem tem a doença, mas falta conhecimento de que não é em um contato rápido que haverá transmissão. Envolve uma rotina diária. E ainda assim, para você adoecer, a pessoa que recebeu a carga bacilar teria que estar em condições para adoecer, como resistência baixa, por exemplo. Então sim, é uma doença transmissível, mas não tem toda essa facilidade de transmissão como às pessoas acham.

Blog da Saúde: Quais são os tipos de hanseníase? Todos eles são transmissíveis?
Carmelita Filha: A hanseníase tem duas fases ou formas clínicas: paucibacilar e multibacilar. A forma paucibacilar, é a inicial da doença e o tratamento é realizado com seis doses de PQT; na forma multibacilar, o tratamento é realizado com doze doses de PQT. Quem faz diagnóstico é o médico da equipe de Estratégia de Saúde da Família/ESF, da Unidade de Saúde mais próxima a residência, inicialmente de maneira clínica e se necessário, com a confirmação no laboratório.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem evitar a contaminação? Quais os cuidados?
Carmelita Filha: A forma de prevenção é diagnosticar os casos precocemente. Não é uma doença que tem vacina para evitar. A prevenção consiste no diagnóstico de todas as pessoas o mais rápido possível, e tratar para que as pessoas evitem a transmissão. Iniciado o tratamento, imediatamente a pessoa deixa de transmitir a doença. Outra coisa interessante é que é muito difícil saber de quem pegou a doença, por que tem um período de incubação longo, e pode ficar em média cinco anos sem apresentar sintomas e a pessoa não saber que é portadora da doença. Além disso, a pessoa pode ficar com a mancha ou outros sintomas, e não dar importância. A gente estimula que os profissionais de saúde fiquem atentos para os sinais e sintomas da hanseníase, pois somos um país endêmico e precisamos ficar alerta para o diagnóstico não só do paciente, mas que a família e os contatos próximos também venham para ser examinados e diagnosticados o quanto antes.

Blog da Saúde: E como as pessoas podem procurar um serviço de saúde para fazer o diagnóstico?
Carmelita Filha: A hanseníase é uma doença que está na Atenção Básica, então qualquer Unidade de Saúde no seu município, deve fazer o diagnóstico. Se uma pessoa tiver qualquer sinal e sintoma, e suspeitar que tenha a doença, deve procurar a Unidade mais perto da sua casa. Ali a equipe pode examinar, dar o diagnóstico, e logo iniciar o tratamento. Toda Unidade oferece tratamento de hanseníase gratuito pelo SUS.

Blog da Saúde: Mesmo sem sintomas, eu posso procurar a Atenção Básica?
Carmelita Filha: O ideal é que todas as pessoas procurem. Se algum amigo ou parente da família teve historia de hanseníase, mesmo que não tenha nenhum sinal. O ideal é que uma equipe da ESF examine e faça a prevenção.

Blog da Saúde: E como funciona o tratamento?
Carmelita Filha: Quando o paciente tem o diagnóstico de hanseníase, ele recebe todas as informações e é imediatamente indicado para o tratamento. O período do tratamento dura um ano para casos de hanseníase multibacilar, e seis meses para os casos paucibacilares. A primeira dose é dada diretamente na unidade de saúde. Funciona assim: todo mês o paciente tem que ir à Unidade para tomar uma dose supervisionada do remédio, ou seja, na frente do profissional de saúde, e pegar o resto da medicação para ser tomada durante 28 dias, todos os dias. Em casos de paucibacilar, um comprimido por dia, no caso de multibacilar, dois comprimidos. Concluindo o tratamento em casa, o paciente volta à Unidade, toma a medicação supervisionada, e pega o restante da medicação novamente, até o fim do tratamento quando ela está curada. Caso tenha algum problema com a medicação, é na Unidade que ele deve pedir orientação.

Blog da Saúde: Hanseníase mata?
Carmelita Filha: Não mata, mas traz deformidades físicas se não for tratada adequadamente e precocemente.

Blog da Saúde: Por que as pessoas que possuem a doença são estigmatizadas?
Carmelita Filha: O principal fator são as sequelas, pois a hanseníase poderá causar deformidade física. A pessoa que tem o tipo multibacilar, que é o tipo que transmite, quando tem o diagnóstico tardio, tem mais chance de ter uma incapacidade física. A micobactéria pode acometer os nervos periféricos dos olhos, mãos e pés. As pessoas que estão curadas, não transmitem mais, mas são estigmatizadas pela aparência, e a gente não deve discriminar o próximo pelo que está vendo. É uma pessoa como qualquer outra, apesar de alguns casos apresentarem algum tipo de sequela decorrente da doença. Assim, devemos evitar o preconceito, com qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de deficiência física.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Polícia Civil prende empresárias e farmacêuticas suspeitas de falsificação de produtos em Curitiba

DecrisaQuatro mulheres, entre elas duas empresárias e duas farmacêuticas (responsáveis técnicas), de diferentes farmácias, foram presas durante uma operação policial deflagrada na segunda-feira (29/01), em Curitiba, suspeitas pelo crime de falsificação de produtos para medicamentos manipulados

A ação de fiscalização aconteceu em cinco farmácias de manipulações – Centro, Fazendinha, Sítio Cercado, Alto Boqueirão e Novo Mundo – e foi realizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Decrisa) que contou com o apoio da Vigilância Sanitária de Curitiba e do Conselho Regional de Farmácia do Paraná.

De acordo com a polícia um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado no final do ano passado, após uma vitima ter manipulado um produto para seu filho menor de idade que prometia melhoras nos sintomas do autismo, o que não ocorreu. “Assim que tomamos conhecimento do fato, iniciamos várias diligências, até que recebemos novas informações, sendo necessário uma operação conjunta para a fiscalização”, falou o delegado responsável pelas investigações, Vílson Alves de Toledo.

As investigações apuraram, também, que no local, eram manipulados remédios com produtos vencidos, sem uma origem comprovada e que dependiam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de produções em series de um pó nutricional (suplemento alimentar) destinados à crianças com necessidades especiais.

Nas cinco farmácias fiscalizadas, a polícia apreendeu uma grande quantidade de produtos sem origem, produtos vencidos e produtos já manipulados sem a apresentação de receitas medicas, totalizando em cerca de 350 produtos apreendidos. “Foi possível comprovar que elas manipulavam remédios ou produtos específicos controlados sem a apresentação de receituários médicos, o que é expressamente proibido pela Anvisa”, completou Toledo.

“A denunciante apresentou documentos que comprovavam as irregularidades, exigindo providências. A partir de então, juntamente com a Vigilância Sanitária, iniciamos uma investigação sobre o assunto”, afirma Eduardo Pazim, Gerente de Fiscalização do CRF-PR, completando que “com a operação de ontem pudemos verificar e tomar as medidas cabíveis da nossa parte, exigindo o cumprimento da legislação farmacêutica”.

Na delegacia, a responsável pela farmácia do Fazendinha, Sítio Cercado, Alto Boqueirão e Novo Mundo, alegou que apenas administrava os locais, já a farmacêutica falou que não tinha conhecimento das irregularidades apontadas no estabelecimento. Os locais foram autuados pela Vigilância Sanitária.

Já na farmácia do Centro, a proprietária admitiu manipular os produtos nutricionais e negou que estava manipulando remédios controlados sem o receituário, a farmacêutica alegou que não tinha conhecimento pois estava trabalhando no local há apenas 3 meses. A farmácia foi interditada pela Vigilância Sanitária. As quatro mulheres foram autuadas em flagrante pelo crime contra a saúde pública. Se condenadas, poderão pegar de 10 a 15 anos de reclusão. Todas aguardam presas à disposição da Justiça.

Foto: Carlos Soares/Polícia Civil

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mau colesterol oferece riscos à saúde mesmo a um adulto saudável

Estudo desenvolvido na Espanha conclui que o "mau colesterol", mesmo em taxas consideradas toleráveis, é isoladamente um fator determinante para a ocorrência de infarto ou derrame em pessoas na meia-idade 


Conhecida como “mau colesterol”, a lipoproteína de baixa intensidade (LDL-C) pode ser o motivo pelo qual muitas pessoas aparentemente saudáveis sofrem infarto ou derrame na meia-idade, mesmo não tendo outros fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, hipertensão, obesidade, diabetes e dislipidemia (níveis elevados de lipídio no sangue). Depois de faixa etária (ter mais de 50 anos) e de sexo (ser homem), o LDL-C, mesmo em taxas consideradas normais, é o maior preditor da presença de placas ateroscleróticas nas artérias, segundo estudo do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III (Cnic), da Espanha, publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC).

De acordo com os autores do trabalho, o resultado sugere a necessidade de estratégias mais agressivas para reduzir os níveis de mau colesterol voltadas, inclusive, aos indivíduos que teriam baixas chances de sofrer eventos cardiovasculares. “Por isso, precisamos definir novos marcadores de placas ateroscleróticas precoces nessas pessoas aparentemente saudáveis”, explica Leticia Fernández-Friera, principal autora do estudo. Ela destaca também que, de todos os fatores de risco associados a esses problemas, o LDL-C é, por sorte, o mais fácil de modificar, facilitando na prevenção de infarto e derrame.

O novo artigo é uma subanálise do estudo Progressão de Aterosclerose Precoce Subclínica (PESA), e avaliou 1.779 participantes que não apresentavam os fatores de risco clássicos. O principal objetivo foi definir quais elementos poderiam levar à formação de placas nas artérias dessa população. Para isso, os pesquisadores analisaram a associação de dados biométricos e padrões de estilo de vida à presença desses depósitos de gordura.

Usando tecnologia de imagem não invasiva (PET scan, ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassom 2D e 3D), os cientistas conseguiram visualizar quando e como a aterosclerose começou a se instalar, e o que ocorreu para ela se manifestar clinicamente. Normalmente, a condição é detectada apenas em estágio avançado, depois de ter provocado eventos como infarto e derrame. Depois que esses problemas ocorrem, geralmente os pacientes sofrem com um declínio permanente da qualidade de vida, pois as opções de tratamento para as sequelas são ainda limitadas. Do ponto de vista da saúde pública, o impacto financeiro é imenso, observa o artigo.

“Graças ao ultrassom vascular, podemos visualizar diretamente a presença de placas de colesterol nas artérias carótidas, na aorta e nas artérias iliofemorais. Com a tomografia computadorizada, somos capazes de detectar calcificação nas artérias coronarianas. Então, com essas abordagens, pudemos avaliar o progresso da doença nos indivíduos”, conta Javier Sanz, coautor do estudo. Os exames demonstraram que as placas estavam presentes em 50% dos indivíduos entre 40 e 54 anos, não tabagistas e sem histórico de hipertensão, diabetes mellitus ou dislipidemia.

Os resultados também mostraram que, depois de sexo e idade, o preditor mais forte da formação de placas era o “mau colesterol”. “Mesmo em pessoas com taxas ideais de pressão sanguínea, açúcar no sangue e colesterol total, detectamos uma associação independente entre o nível de LDL-C circulante e a presença e a extensão de aterosclerose subclínica (sem sinais aparentes)”, diz Javier Sanz.

“Isso pode ajudar a melhorar a prevenção cardiovascular na população em geral, mesmo antes que apareçam os fatores de risco convencionais. A habilidade de identificar pacientes com a doença antes do aparecimento dos sintomas pode ajudar a evitar ou a reduzir as complicações associadas, o que se traduziria em um enorme benefício social e econômico”, completa Leticia Fernandez-Friera. Ela afirma, contudo, que só daqui a 15 ou 20 anos será possível avaliar o benefício da intervenção precoce. O projeto PESA é de longo prazo, e os participantes serão acompanhados ao longo de toda a vida.

Principal causa de morte em todo o mundo, as doenças cardiovasculares têm alta prevalência e, por isso, considera-se que as estratégias de prevenção devem ser prioridade para a saúde pública. No ano passado, as principais sociedades cardiológicas, inclusive a brasileira, reviram os parâmetros de colesterol (veja arte), tornando as diretrizes mais rígidas.

Multifatorial
“A aterosclerose é um iceberg. Conhecemos a ponta, mas não a base, ou seja, a causa genuína”, afirma o ex-presidente e atual conselheiro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) Lázaro Fernandes de Miranda, coordenador de Cardiologia do Hospital Santa Lúcia. De acordo com ele, o que se sabe é que inflamações crônicas favorecem o surgimento das placas e, de todos os fatores causadores desse processo inflamatório, o “mau colesterol” é considerado o principal. “Outros que estão sendo estudados são a elevação das proteínas PCR, IL1 beta e IL 6. Pesquisas muito recentes demonstraram que uma vez tratada a inflamação, reduziu-se ou inibiu-se a propensão à aterosclerose”, diz.

Inclusive, a substância canaquinumabe, um anticorpo monoclonal com indicação para o tratamento de artrite idiopática juvenil, demonstrou ter efeito secundário em estudo divulgado em agosto: a redução de padrões inflamatórios e, consequentemente, de eventos cardiovasculares. Ela age inibindo a produção IL 1 beta, aumentada em indivíduos que sofreram infarto e derrame.

Miranda destaca que, apesar da influência do LDL-C e das substâncias apontadas nas pesquisas mais recentes sobre o tema, a aterosclerose não é consequência de um único fator. “Existe um programa de estilo de vida do cardiologista norte-americano Dean Ornish que inclui atividade física vigorosa, dieta vegetariana, medicação e controle do estresse, que é um dos fatores de gatilho dos eventos cardiovasculares. Uma pesquisa mostrou que 82% das pessoas que seguiram o programa tiveram redução ou estabilização das placas. Os 18% continuaram progedindo, o que poderia ser explicado por predisposição genética”, diz o médico.

Essa, aliás, é uma crítica que ele faz ao estudo do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III: os pesquisadores não consideraram o histórico familiar dos participantes, excluindo, dessa forma, os fatores genéticos como um risco em potencial. Ainda assim, o médico considera que o trabalho deve reforçar a importância de medidas preventivas voltadas às pessoas que, independentemente de outras taxas, têm “mau colesterol” elevado. Inclusive, ele cita o epidemiologista canadense Salim Yousef, presidente da Federação Mundial do Coração, que sugeriu, há duas décadas, a adição de estatina à água, para prevenir doenças cardiovasculares. “Claro que teríamos de saber qual a dosagem ideal, mas essa é uma estratégia que poderia ser pesquisada”, observa.

Pesquisadores japoneses identificam neurônios culpados pelo desejo por doces

Descoberta pode abrir caminho para melhorias no tratamento de excesso de peso

Uma equipe de pesquisadores japoneses identificou os neurônios responsáveis pelos desejos súbitos de consumir doces ou chocolates quando o estresse é grande. Os cientistas estão otimistas de que a descoberta, publicada na edição on-line da revista americana Cell Reports, poderá abrir caminho para avançar em investigações mais precisas para as pessoas que sofrem de excesso de peso.

As pesquisas foram feitas, inicialmente, com ratos. Cientistas do Instituto Nacional de Ciências Fisiológicas, localizado na cidade de Aichi, constataram que quando estimulavam nos animais os neurônios conhecidos por sua relação com o estresse, o interesse deles por carboidratos multiplicava. Os roedores estudados comeram três vezes mais rações açucaradas que sob condições normais, enquanto reduziram pela metade o volume de gorduras ingeridas.

Segundo o cientista Yasuhiko Minokoshi, que liderou os trabalhos, esse estudo é o primeiro a demonstrar o papel do cérebro nas preferências por carboidratos ou gorduras. “Pessoas que comem muito doce quando estão estressadas, muitas vezes pensam que é culpa própria porque não conseguem controlar seus impulsos”, comentou o pesquisador, assinalando que, na realidade, pode ser uma questão de neurônios.

Minokoshi, no entanto, foi prudente quanto aos desdobramentos das investigações. Ele enfatizou que ainda falta tempo para que esses conhecimentos permitam tratamentos específicos. Uma simples supressão desses neurônios poderia ter efeitos colaterais, alertou.

“Mas, se encontrássemos uma molécula específica nos neurônios, poderíamos visá-la para suprimir algumas de suas funções. Isso ajudaria a reduzir o consumo excessivo de carboidratos”, opinou. Já a ativação da molécula, segundo ele, poderia ser útil para os pacientes que consomem muita gordura.

Saúde Plena