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quarta-feira, 21 de março de 2018

Saiba quais doenças representam um risco global, segundo a OMS

Entidade divulga lista com oito doenças, incluindo a zika, que devem estar no centro das pesquisas para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quarta-feira, 14, a lista de doenças que devem estar no centro das pesquisas devido ao alto risco de causarem emergências de saúde pública e ausência de medidas suficientes para contê-las. O relatório faz parte de uma revisão periódica da organização. No trabalho, são identificadas doenças que necessitam de esforços de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para a produção de tratamentos e vacinas com o objetivo de ajudar a controlar possíveis surtos. Entretanto, o trabalho não indica as causas mais prováveis de uma próxima epidemia. A primeira lista com doenças prioritárias para P&D foi lançada em dezembro de 2015. Desde então, ela foi revistada em janeiro de 2017 e entre 6 e 7 de fevereiro de 2018.

Doença X
A doença X tem esse nome porque trata-se apenas de uma hipótese e está na lista para alertar os cientistas sobre a necessidade de estarem preparados para enfrentar o desconhecido. De acordo com a OMS, ela “representa a consciência de que um agente patógeno atualmente desconhecido pode causar uma epidemia internacional grave”. “A experiência nos ensinou que seremos atingidos por algo que não previmos”, disse o médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, relembrando que isso foi o que ocorreu com os vírus zika e ebola.

Febre hemorrágica da Crimeia-Congo
O vírus causador desta doença provoca surtos graves de febre hemorrágica, com uma taxa de mortalidade de até 40% dos infectados. É uma enfermidade endêmica na África, na zona europeia dos Balcãs, no Oriente Médio e da Ásia. Os principais vetores de transmissão ao ser humano são os carrapatos e o gado. Entre humanos, o contágio é possível pelo contato com sangue e outros líquidos corporais dos infectados. Não há vacina para pessoas ou animais, segundo informações da BBC

Vírus ebola
A doença causada pelo ebola é grave e, frequentemente, mortal. Ela já gerou diversos alertas sanitários globais – sua taxa de mortalidade gira em torno de 50%.Os primeiros surtos foram registrados em vilarejos remotos da selva da África Central e Ocidental. O tratamento precoce, combatendo a desidratação do paciente, e dos sintomas têm aumentado o número de sobreviventes, mas ela ainda é vista como grave ameaça, segundo a BBC. A higiene e a segurança na forma de enterrar os mortos é a melhor maneira de prevenir contágios em massa, como os que produziram o surto de 2014-2016.

Vírus de Marburg
Gera uma doença grave e, com frequência, mortal. Uma espécie de morcego atua como hospedeiro e o transmite para as pessoas, que podem se contagiar entre si. Os infectados desenvolvem uma febre hemorrágica grave, que tem uma taxa de mortalidade de 50%. Muitos dos sintomas são indistinguíveis do ebola. A doença de Marburg deve seu nome à cidade alemã de mesmo nome, onde foi registrado o primeiro surto, em 1967, causado por macacos vindos de Uganda. O vírus é endêmico da África Equatorial, e os surtos mais recentes surgiram neste continente.

Febre de Lassa
Essa doença hemorrágica aguda da África Ocidental é causada por um vírus transmitido pelo contato com alimentos ou utensílios contaminados ou pelo excremento de roedores. A taxa de mortalidade varia entre 1% e 15%, mas ainda não existe vacina para a febre de Lassa, e, neste mês, foi dado um alerta de que ela está se espalhando rapidamente na Nigéria e já ameaça outros países.

Síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio
O vírus que provoca o mal foi detectado pela primeira vez em 2012, na Arábia Saudita. É uma doença respiratória cujos sintomas são tosse, febre e dificuldade para respirar. É geralmente acompanhada por uma pneumonia. Ocasionalmente, também ocorrem ao mesmo tempo problemas gastrointestinais, como diarreia. Segundo os dados da OMS, cerca de 35% dos pacientes não resistem à doença.

Síndrome respiratória aguda grave (SARS, na sigla em inglês)
É uma forma de pneumonia provocada por um vírus identificado pela primeira vez em 2003. Os pacientes têm problemas respiratórios agudos e, nos piores casos, morrem. O surto inicial ocorreu em 2002, em Cantão, na China, a partir de onde se espalhou para outros países asiáticos e para Toronto, no Canadá. Pouco depois, entrou em remissão, mas a OMS considera ainda haver perigo.

Febre do Vale Rift
Essa doença tem mais incidência entre animais do que entre pessoas. Os seres humanos são infectados pelo contato com sangue e órgãos de animais. Às vezes, também por picadas de mosquitos. Não há contágio frequente entre humanos. A maioria dos casos são leves, mas alguns pacientes desenvolvem uma variante mais grave que surge associada a problemas oculares, meningoencefalite ou febre hemorrágica. Segundo a OMS, o vírus foi identificado pela primeira vez em 1931 no Vale Rift, no Quênia, na África, e, “desde então, foram registrados vários surtos na África Subsaariana”. Mas, com o comércio de gado infectado, a doença já chegou a países como Somália, Egito, Arábia Saudita e Iêmen, causando preocupação “por sua possível propagação para outras zonas da Ásia e da Europa”.

Zika
A doença é causada por um vírus transmitido principalmente pelos mosquitos do gênero Aedes aegypti. Os pacientes têm sintomas como febre moderada, conjuntivite, dores musculares e articulares. Também podem ter dor de cabeça. Sabe-se que existe uma relação causal entre o zika e a microcefalia congênita de muitas crianças que foram expostas ao vírus ainda em sua gestação. E, em certos casos, isso é acompanhado por problemas neurológicos. O zika continua a ter uma especial incidência na América Latina, sobretudo no Brasil.

Infecção pelo vírus Nipah e doenças relacionadas aos henipavírus
O vírus Nipah é um vírus transmitido por morcegos que apareceu pela primeira vez em 1998, em Kampung Sungai Nipah (Malásia). Nessa ocasião, os suínos foram os hospedeiros intermediários. Em 2004, o vírus Nipah infectou várias pessoas após terem tomado suco fresco de tâmaras, contaminadas por morcegos frutívoros.

O índice de letalidade do patógeno é alto: em cada 100 infectados, de 40 a 79 morrem. A infecção pelo vírus Nipah pode provocar desde síndromes respiratórias agudas até encefalites mortais. Atualmente, ainda não existe uma vacina de prevenção ou cura, somente um tratamento primário.

Veja

terça-feira, 20 de março de 2018

Catarata é responsável por quase 50% dos casos de cegueira no mundo

Doença acomete principalmente a população idosa, mas, felizmente, é reversível. Único tratamento é a cirurgia

A catarata é uma doença que ataca milhões de pessoas em todo o mundo, sendo a causa mais comum a senil, ou seja, o envelhecimento natural do cristalino ao longo da vida. Há também a catarata congênita, na qual o bebê já nasce com a enfermidade (forma mais rara), e de causas secundárias, como o uso crônico de corticoide, doenças metabólicas, diabetes, uveítes (inflamação intraocular). Os sintomas podem incluir visão desfocada, diminuição de sensibilidade às cores, halos à volta das luzes, dificuldade em observar luzes brilhantes e de enxergar durante a noite. Poderá também afetar a condução, a leitura ou o reconhecimento de rostos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.

Na realidade, o termo “catarata” é dado para qualquer tipo de perda de transparência do cristalino, lente situada atrás da íris, seja ela congênita ou adquirida, independentemente de causar ou não prejuízos à visão. Ela pode ocorrer em apenas um ou em ambos os olhos, dependendo da causa. Geralmente, é bilateral e assimétrica, ou seja, pode estar mais avançada em um dos olhos. Pode também ser unilateral se for secundária à doença ocular ou ao trauma do olho acometido. Hoje, é possível a redução da dependência dos óculos, tanto para longe quanto para perto, com implante de lentes intraoculares de foco estendido ou trifocais.

“A catarata é uma opacidade parcial ou total do cristalino, lente natural do olho localizado atrás da pupila. É composto basicamente por água e proteínas. As proteínas do cristalino têm características próprias e são responsáveis pela sua clareza e transparência. Com o envelhecimento dos olhos, a estrutura dessas proteínas se altera, o que provoca perda gradual da transparência do cristalino”, esclarece o oftalmologista Paulo Silvério Coelho Baeta, especialista em cirurgia de catarata e vítreo retiniana, da Clínica Alcance. O especialista explica que essa mudança pode ser devida a diversos fatores, que se dividem entre congênitos e adquiridos.

Processo lento
Entre as adquiridas, destacam-se: senil, tipo mais comum de apresentação. Ocorre a perda da transparência do cristalino ao longo dos anos. No entanto, o tempo de aparecimento pode variar entre indivíduos e famílias diferentes; traumática, tipo mais comum de catarata unilateral em indivíduos jovens. Pode ser causada por trauma penetrante, trauma contuso, radiação e descarga elétrica; induzida por medicamentos, causada principalmente pelo uso de corticosteroides, dependendo da dose, duração do tratamento e susceptibilidade individual. Outros exemplos são amiodarona, ouro, alopurinol, clorpromazina; e secundária, decorrente de uma doença ocular primária. Entre as causas estão a inflamação intraocular (uveíte), glaucoma agudo, alta miopia e distrofia hereditária do fundo do olho.”

Já as congênitas ocorrem em aproximadamente três em cada 10 mil nascimentos, dos quais 60% são bilaterais. A causa principal é a mutação genética. Mas também ocorre devido a anormalidades cromossômicas, desordens metabólicas e infecções durante a gravidez, como a rubéola. E, ainda, pode ser consequência de um processo hereditário.

Paulo Baeta explica que a catarata é um processo lento, gradual e indolor. “Nas fases iniciais, pode passar despercebida. Ela, na imensa maioria dos casos, acomete os dois olhos, mas o faz, habitualmente, de modo assimétrico. Em geral, um olho apresenta uma catarata em estágio mais avançado que o outro. As primeiras queixas com relação à doença costumam ser a dificuldade para ver em locais com pouca iluminação, dirigir veículos à noite e para ler placas ou letras pequenas. Agravamento de uma miopia já existente também é um sintoma inicial comum. A necessidade de trocar o grau dos óculos com alguma frequência pode ser um sinal de catarata”, alerta o médico.

O especialista esclarece que, com a progressão da turvação do cristalino, a visão vai se tornando cada vez mais nebulosa e os contrastes menos perceptíveis. “Outros sintomas comuns são o incômodo com luzes fortes, que causam um brilho intenso na visão, e queixas de que as cores dos objetos e do ambiente estão mais amareladas, acastanhadas ou menos intensas. Alguns pacientes com catarata desenvolvem visão dupla”, ressalta o oftalmologista. “Se não tratada, a catarata pode evoluir para perda da visão, mas, felizmente, reversível. Não há como evitar a catarata, que se desenvolve com a idade”, alerta o médico.

Paulo Baeta salienta que o diagnóstico é feito por meio de exame de biomicroscopia ocular. “O único tratamento efetivo para curar a catarata é a cirurgia, que consiste na quebra e aspiração do cristalino opaco, utilizando um aparelho com ultrassom (Facoemulsificação). Depois da retirada da catarata, implanta-se a lente intraocular dobrável (em situações normais, o deslocamento dessa lente é algo muito raro), por meio de microincisão – 2,2mm – realizada na córnea. Atualmente, podemos também fazer uso do aparelho de laser de femtosegundo (unidade de medida de tempo) para realização de algumas etapas da cirurgia, como incisões, Capsulorhexis e fragmentação do cristalino, com o benefício de dar mais precisão, previsibilidade e reprodutibilidade à cirurgia de catarata.”

Milagre
José Antônio Rezende, de 60 anos, conta que estava tendo problemas com a visão e foi ao médico. “Não estava vendo as coisas direito e minha vista vinha aumentando cerca de um grau de miopia ao ano e já estava com 16 graus. Tinha dificuldades para enxergar, principalmente à noite. Fiz a consulta e o oftalmologista disse que eu estava com catarata e que precisava de operar o mais rápido possível. Feitos os exames, ele marcou a operação primeiro para o olho esquerdo, que estava numa situação pior.”

“A operação em si não durou nem 10 minutos. O anestésico foi local, por meio de colírio, e já saí da clínica enxergando normalmente. Incrível! Achei que as cores estavam mais vivas e conseguia enxergar coisas que me surpreenderam, como placas distantes. Feita a revisão, ele marcou a operação do olho direito para a semana seguinte. Chegando na clínica, foram feitos os preparativos e a operação não durou nem oito minutos. Resumindo, depois de pingar alguns colírios por cerca de um mês, voltei a enxergar perfeitamente bem, graças a Deus! Agora é fazer mais uma revisão daqui a seis meses. Depois, de ano em ano. Foi como se tivesse ocorrido um milagre”, diz José Antônio.

Paulo Baeta explica que, atualmente, a cirurgia da catarata tem o potencial de corrigir o grau de olhos míopes, hipermétropes e astigmatas por meio de lentes intraoculares. “Porém, é preciso ressaltar que essa correção dependerá de múltiplos fatores, como a técnica cirúrgica, a cicatrização do paciente e, principalmente, o cálculo dos implantes intraoculares”, observa.

Foto: Reprodução

Antitranspirantes podem prejudicar a saúde

Los elementos tóxicos de los aerosoles son muy nocivos.Estudo afirma que 25% das pessoas que usam produtos com fragrâncias, como desodorantes, sofrem com enxaqueca, ataques de asma e problemas de pele

Desodorantes, antitranspirantes e outros produtos com fragrâncias podem ser prejudiciais à saúde, de acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico Journal of Occupational and Environmental Medicine.

A pesquisa, com 1.100 participantes, concluiu que 25% das pessoas sofrem com reações alérgicas aos produtos químicos encontrados em aerosóis, como desodorantes, purificadores de ar e produtos de limpeza. Os efeitos colaterais mais comuns causados por esses químicos “danosos” incluem ataques de asma, enxaquecas e problemas de pele.

“Nós estamos expostos a estes químicos continuamente, mas as pessoas geralmente não percebem que estão sendo prejudicadas até ser tarde demais”, disse Anne Steinemann, professora da Universidade de Melbourne e principal autora do estudo, à revista especializada New Scientist.

Sensibilidade química múltipla
O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Melbourne, na Austráliam revelou ainda que o número de pessoas consideradas ‘sensíveis’ a estes produtos quadruplicou em 16 anos. Uma pesquisa similar feita em 2002 mostrou que 3% de seus participantes foram diagnosticados com sensibilidade química múltipla (MCS, na sigla em inglês), contra 13% no levantamento atual. Os pesquisadores estimam que aproximadamente 55 milhões de adultos nos Estados Unidos – cerca de 16% da população – sofrem com o problema.

Quase 60% dos voluntários com sensibilidade química múltipla admitiram que haviam parado de utilizar banheiros públicos que utilizam esses produtos e mais da metade afirmou não poder mais lavar as mãos com sabonetes com cheiro. “A MCS é uma doença séria e potencialmente incapacitante, que é generalizada e está aumentando na população americana”, ressaltou Anne.

Veja

segunda-feira, 19 de março de 2018

Remédio comprado pelo governo é pouco eficaz, diz estudo

Apesar da polêmica, o Ministério da Saúde vai manter o processo de compra de um medicamento apontado por especialistas como pouco eficaz para tratar crianças com leucemi

A pasta anunciou que a compra do L-asparginase, produzido por um laboratório chinês, será mantida para atender pacientes de hospitais do SUS. Já instituições credenciadas e hospitais filantrópicos receberão verba para adquirir os remédios que acharem mais convenientes.

Nesta semana, estudo do Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico especializado em oncologia de Campinas, indicou que o L-asparginase não tem qualidade para uso em humanos. O trabalho foi publicado na revista EBioMedicine. “O produto tem eficácia comprometida e seu uso é uma imperícia ética e moral”, diz a presidente do Centro Boldrini, Silvia Brandalise.

O L-asparginase é comprado desde 2013 pelo governo para pacientes com leucemia mieoloide aguda. O remédio substituiu o asparginase, fabricado por uma indústria alemã. O resultado do estudo de Campinas é questionado pelo ministério. Segundo a pasta, o trabalho foi feito com um pequeno número de camundongos e os achados obtidos não podem ser extrapolados para humanos. Silvia discorda. “Não há como fazer o teste em humanos, por questões éticas. Sobretudo porque resultados foram ruins com animais.”

O ministério ainda diz que a publicação não se refere ao resultado de estudo científico e, sim, a um manuscrito de interpretação exclusiva do Boldrini, sem que outras entidades científicas tenham atestado. A compra do L-asparginase foi feita com base no menor preço. O objetivo era ofertar tratamento para 4 mil crianças.

A análise do Boldrini avaliou a presença de impurezas e a bioequivalência do medicamento. Como comparação, foi usado o remédio alemão. O medicamento chinês apresentou 398 contaminantes, muito acima dos 3 do alemão. A quantidade de impurezas, diz Silvia, eleva expressivamente o risco de reações alérgicas, além de comprometer a ação da droga.

O Estado de São Paulo

Anticoncepcionais hormonais e o risco de câncer de mama

EFEITOS COLATERAIS DOS ANTICONCEPCIONAIS HORMONAISUm novo estudo associou o uso de contraceptivo hormonal ao aumento de câncer de mama. Entretanto, o risco é relativo e deve ser analisado caso a caso

Um estudo publicado no New England Journal of Medidcine, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo, revela que o risco de câncer de mama é maior para as pacientes usuárias de anticoncepcionais em relação àquelas que nunca recorreram ao medicamento. O estudo também afirma que o risco é elevado na medida em que aumenta o tempo de uso tanto para as mulheres que usam atualmente quanto para as que utilizaram no passado.

O estudo
A pesquisa foi realizada com 1,8 milhão de mulheres da Dinamarca, na faixa etária entre 15 e 49 anos, que não tinham tido câncer, assim como não tinham tido tromboembolismo ou feito tratamento para infertilidade. A partir do registro nacional, os pesquisadores obtiveram dados individualizados a respeito do uso de anticoncepcionais orais, diagnóstico de câncer de mama e fatores que pudessem confundir as informações. As pacientes foram acompanhadas por um tempo médio de 10 anos e foram identificados 11.517 casos de câncer de mama. Houve um caso a mais de câncer do que o esperado para cada 7.690 usuárias de anticoncepcionais hormonais.

Risco aumentado
Quando os dados foram comparados com os de mulheres que nunca usaram anticoncepcionais, o risco relativo de ter câncer de mama foi 20% superior em relação às não usuárias. O risco foi 9% superior a partir de um ano de uso e até 38% superior a partir de 10 anos. Isto significa, por exemplo, que se a chance de ter câncer de mama até os 50 anos é de 2%, para quem usou o medicamento por um ano o risco foi de 2,2%. E para quem usou por mais de 10 anos o risco foi de 2,76%. Não houve algum tipo de anticoncepcional que não tenha tido relação com aumentado risco, inclusive os DIUs com progesterona.

Contradição
Em contraste, estudos anteriores como o do Center of Disease Control (CDC) dos Estados Unidos e a mais atual análise do Royal College of General Practitioner do Reino Unido, não demonstraram aumento no risco de câncer de mama entre as usuárias de anticoncepcionais hormonais. Adicionalmente, reduzem o risco de câncer de ovário, de endométrio e câncer colorretal.

O estudo não avaliou o impacto na mortalidade geral por câncer. Além disso, mulheres que usam anticoncepcionais são bem mais acompanhadas em relação as que não usam. Talvez, quando a avaliação de mortalidade por câncer for analisada, o risco de morrer por esta doença em geral possa ser inclusive menor.

Não há motivo para pânico
Os anticoncepcionais hormonais representam uma das classes farmacológicas mais estudadas em todos os tempos e se associam com elevada segurança. Nem o estudo publicado, nem a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) ou a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomendam que as mulheres interrompam o uso do anticoncepcional que estiverem utilizando.

Baseado neste estudo e em estudos prévios sobre a relação entre o uso de anticoncepcionais orais e câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia sugere que cada usuária de anticoncepcionais avalie ou discuta com o seu médico sobre o riscos e benefícios desta decisão. Isso porque o aumento do risco é relativo, dependendo da idade e do tempo de uso.

Veja