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terça-feira, 12 de junho de 2018

Busca por aborto caseiro na internet dobrou na última década

Pesquisas por pílulas abortivas na internet dobraram no mundo durante a última década, de acordo com uma análise de dados do Google feita pela BBC

Mulher preocupada em frente a um computador
 Pesquisas por pílulas abortivas na internet são mais frequentes nos países onde a legislação é mais restritiva Getty Images

As informações coletadas também apontam que em países em que a legislação sobre aborto é mais restritiva há mais pesquisas na internet por pílulas abortivas. Comprando pílulas online e compartilhando conselhos em grupos de WhatsApp, as mulheres estão cada vez mais usando a tecnologia para burlar as barreiras legais ao aborto. É a face moderna do “aborto caseiro”, também conhecido como “aborto faça-você-mesmo”.

A análise da BBC mostra que países com as leis mais duras, onde o aborto é permitido apenas para salvar a vida da mulher ou banido em qualquer circunstância, têm dez vezes mais buscas sobre o remédio abortivo Misoprostol do que países com menos restrições. Há dois métodos principais para induzir um aborto: por meio cirúrgico ou com remédios.


Alto risco

Mapa: acesso legal ao aborto por país


O aborto com medicamentos é realizado com a ingestão de uma combinação de remédios, Misoprostol e Mifeprostone. O Misoprostol também é conhecido pelo nome de marca, como Cytotec. Enquanto mulheres em países como o Reino Unido podem ter os remédios receitados por um médico, mulheres que compram as pílulas pela internet em países onde a legislação é restritiva estão frequentemente violando a lei e correndo o risco de sofrer grandes punições – e riscos à saúde.

Gana e Nigéria são os dois países com mais alta procura online por Misoprostol, de acordo com os dados do Google. Em Gana, o aborto só é permitido em caso de estupro, incesto, defeito no feto ou para preservar a saúde mental da mulher. A Nigéria tem leis ainda mais rígidas: o aborto só é permitido quando a vida da mulher está em perigo. Dos outros 25 países com mais pesquisas sobre Misoprostol, 11 estão na África e 14 na América Latina. Em quase todos eles, o aborto é totalmente proibido ou permitido em casos muito restritos, como risco à vida a mulher. As duas únicas excessões são Zâmbia e Moçambique.

Na Irlanda, tomar uma pílula abortiva pode resultar em uma pena de 14 anos de prisão. No entanto, um plebiscito feito em maio mostrou que a grande maioria da população – 66,4% – é a favor do fim da lei antiaborto, que agora será modificada pelo Congresso.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, que fez campanha a favor da legalização, diz que as novas regras passarão a valer até o fim do ano.

Mapa: procura por pílulas abortivas por país

A BBC News Brasil fez uma reportagem exclusiva sobre um grupo de WhatsApp que ajuda mulheres a obter os remédios e dão conselhos sobre o procedimento.

O grupo, criado por mulheres, se vê como um espaço de acolhimento e auxílio a mulheres que desejam fazer aborto em casa.

A grande maioria das mulheres que integram o grupo, incluindo as coordenadoras, é jovem - têm entre 18 e 25 anos.

Muitas moram com os pais e estudam - estão nos primeiros semestres da faculdade - e dizem nas conversas de WhatsApp que optaram pelo aborto porque não querem deixar os estudos e não têm independência financeira.


A busca

A análise de dados do Google também revelou com que frequências certas frases específicas são procuradas.

"Remédio para aborto" é a frase mais pesquisada em todos os países analisados.

"Como fazer um aborto" é a pergunta mais feita em mais de dois terços dos países.

Gráfico: procura é maior onde as leis são mais restritivas

Outras frases comuns são "como usar Misoprostol", "Misoprostol preço", "comprar Misoprostol" e "Misoprostol dosagem".

Além das pílulas abortivas, mulheres também buscam por outros métodos para induzir aborto. Salsinha, canela, vitamina C, aspirina e chás de ervas aparecem como métodos pesquisados.

Nenhum deles é considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em metade dos países analisados, "remédio caseiro para aborto" estava entre as principais pesquisas relacionadas ao tema.

Um estudo sobre uso de chás abortivos na África subsaariana revelou que algumas plantas de fato afetam o útero, mas há muitos pontos negativos no uso desse método tradicional.

É difícil, por exemplo, controlar a dosagem e sabe-se pouco sobre os efeitos colaterais.

No mundo todo, cerca de 25 milhões de abortos pouco seguros são realizados todos os anos, segundo a OMS. Isso equivale a 45% de todos os abortos.

Embora o Misoprostol seja considerado um método seguro quando administrado por um profissional de saúde, ele pode trazer riscos quando tomado por conta própria.

"Mesmo quando a qualidade do produto é ótima e você segue o protocolo, ainda há um risco de falha", diz Dhammika Perera, diretor médico da entidade Marie Stopes International.

Ele afirma que as chances de um aborto malsucedido aumentam muito quando o remédio é comprado pela internet ou administrado por uma pessoa sem preparo.

Essas mulheres também estão menos inclinadas a buscar cuidados médicos após o aborto caso algo dê errado.

"Estigma, custo, acesso e medo de punições fazem as mulheres hesitar em procurar ajuda e as colocam em risco", diz Perera. 

Abortos incompletos
A estudante de direito Arezoo morava no Irã quando descobriu que estava grávida do namorado. Eles sempre tinham usado métodos contraceptivos.

"Eu entrava em toda clínica de ginecologia que via no caminho", diz ela. "Quando os médicos me examinavam, descobriam que eu não era casada e precisava de um aborto, eles me rejeitavam imediatamente."

Ela fez documentos falsos dizendo que era divorciada e convenceu um médico a ajudá-la.

"Ele cobrou o olho da cara por oito pílulas", conta ela. Mas o medicamento não teve efeito.

Arezoo então procurou na internet e encontrou uma entidade que envia pílulas de aborto para mulheres em países onde o procedimento é restrito. Ela recebeu conselhos e apoio.

As pílulas que ela conseguiu com o médico fizeram a jovem sangrar muito, mas o aborto não foi completo. Uma semana depois, Arezoo foi para um hospital particular acompanhada pela irmã.

"Eu menti, disse que meu marido estava na França, que meus documentos estavam em um cofre em algum lugar e que eu precisava de um aborto seguro."

Os funcionários do hospital estavam relutantes e não queriam recebê-la. Arezoo diz que foi um milagre eles finalmente terem cedido e acreditado nela.

"Depois de mentir e inventar histórias, eu finalmente fui internada e 30 minutos depois fizeram um procedimento cirúrgico. Foi o pior pesadelo da minha vida", diz ela.

Cerca de 14% dos abortos são "menos seguros", o que significa que eles foram realizados por pessoas sem preparo e usando métodos perigosos, como a introdução de objetos no canal vaginal e o uso de chás de ervas.

Esses métodos geram problemas como infecções e abortos incompletos – nesses casos, os médicos receitam mais medicamentos ou cirurgia, dependendo do caso.

Pelo menos 22,8 mil mulheres morrem todos os anos como resultado de abortos inseguros, segundo o Instituto Guttmacher.

*Reportagem de Amelia Butterly e jornalismo de dados de Clara Guibourg. Colaboraram Dina Demrdash, Nathalia Passarinho and Ferenak Amidi.

Farmacêutico será responsabilizado por avisar sobre fiscalização

Imagem relacionadaAlertar sobre fiscalização é também crime previsto no código penal, já que prejudica a eficácia de serviço de utilidade pública

O que era para ser usado para o bem, acaba beneficiando aqueles que desrespeitam a legislação e expõem a sociedade aos riscos dos serviços irregulares. Foi o que fez um farmacêutico de Pimenta Bueno, por meio do aplicativo WhatsApp, ao informar com antecedência aos demais farmacêuticos e proprietários de farmácia do município e região sobre a presença de fiscal do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Rondônia (CRF-RO).

Além de desprestigiar quem cumpre as normas, alertar sobre fiscalização é também crime previsto no código penal, já que prejudica a eficácia de serviço de utilidade pública. 

A atitude do profissional foi denunciada ao departamento de fiscalização do CRF-RO, que registrou boletim de ocorrência policial e ainda encaminhou o caso para a comissão de ética, já que esta conduta também é proibida pelo código de ética farmacêutica, o qual ainda estabelece que os profissionais devem denunciar todos os casos de irregularidades de que tenham conhecimento.

O Conselho Regional de Farmácia tem como principal missão fiscalizar o cumprimento da legislação pertinente, de modo que a população não seja prejudicada por estabelecimentos que não respeitam os direitos do cidadão. A legislação sanitária determina claramente que todas as farmácias devem ter a presença de profissional de saúde durante todo o horário de funcionamento, neste caso, o farmacêutico responsável técnico devidamente inscrito no CRF de sua jurisdição, entre outras exigências. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou sobre a natureza jurídica dos Conselhos de Fiscalização Profissional, no julgamento da ação direta de inconstitucionalidade nº 1.717, fixando o entendimento de que os conselhos profissionais são dotados de personalidade jurídica de direito público, uma vez que a atividade de fiscalização profissional é típica de Estado e não pode ser delegada a uma entidade de direito privado.

De acordo com a legislação federal, a farmácia é um estabelecimento de saúde. E, por isso, os medicamentos devem ser usados com responsabilidade, pois contêm substâncias químicas que podem causar danos ao organismo se forem usados de forma inadequada. Portanto, ao se dirigir a uma farmácia, o cidadão tem o direito de contar sempre com a presença do farmacêutico para tirar dúvidas quanto ao uso correto do medicamento, os riscos que ele representa, a finalidade do princípio ativo, a dosagem e os horários corretos para a eficácia do tratamento, as condições de armazenamento para que não ocorra deterioração, a substituição de um medicamento de acordo com a ética e se pode ser ingerido com outras substâncias, bem como, a verificação da pressão arterial, os níveis de glicose, colesterol e triglicerídeos entre outros. Além disso, por lei é proibido ao estabelecimento vender medicamento controlado na ausência de farmacêutico, pois alguns procedimentos realizados nas farmácias são de exercício privativo do profissional farmacêutico, como por exemplo, a guarda e a escrituração dos medicamentos controlados perante a Agência nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou seja, medicamentos psicotrópicos e entorpecentes que podem causar dependência física ou psíquica, e antibióticos que podem causar resistência bacteriana e prejudicar seriamente o tratamento de infecções.

O presidente do CRF-RO, João Dias Júnior, reforçou que a população tem todo direito de denunciar farmácias que estão funcionando em desacordo com a legislação sanitária, e que todas as denúncias são devidamente encaminhadas para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

Diário da Amazônia

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Bactéria do solo pode ajudar no combate à ansiedade

Resultado de imagem para ansiedadeA Mycobacterium vaccae impediu que ratos desenvolvessem ansiedade mesmo em situações de estresse – e, agora, cientistas querem transformá-la em vacina

Quase 10% da população brasileira sofre de ansiedade, uma das maiores taxas do mundo. O transtorno é complexo e pode se manifestar de muitas de formas diferentes. Agora, os pesquisadores da Universidade do Colorado estão tentando desenvolver uma vacina para blindar pacientes de pelo menos uma das suas causas. Tudo graças a uma espécie de bactéria do solo.

O estudo publicado no periódico Brains, Behavior and Immunity, relata teste bem sucedidos em que a bactéria, chamada Mycobacterium vaccae, foi injetada em ratos. Oito dias após o tratamento, as cobaias apresentaram níveis mais altos de uma proteína antiinflamatória chamada interleucina-4 na região do cérebro. Essa proteína é associada ao controle do humor, ansiedade e medo.

Depois desse período, os ratos eram expostos a situações de estresse. Como resposta, eles apresentavam níveis mais baixos que o normal de HMGB1, outra proteína, que é induzida pelo estresse e responsável por sensibilizar o cérebro à inflamação. Em outras palavras: os ratos tinham aumento de uma proteína “calmante” e a redução de uma proteína “estressante”. Eram, em resumo, ratos menos ansiosos.

A lógica por trás do estudo é simples. Já é consenso entre os pesquisadores da área que diferentes tipos de inflamação no cérebro têm impacto direto sobre a nossa saúde mental – podendo gerar, como consequência, ansiedade e depressão. A grande vantagem da Mycobacterium vaccae é que a bactéria estimula o cérebro a desenvolver proteínas anti-inflamatórias, que trazem de volta o equilíbrio ao órgão e criam uma barreira contra esses efeitos. Agora, o desafio é replicar o resultado em humanos.

A má notícia é que, como dissemos no início do texto, a ansiedade (assim como o cérebro humano) é complexa. Neuroinflamação é apenas um dos gatilhos do transtorno e evitar isso, apesar de diminuir as chances, não será capaz de garantir sozinho o seu equilíbrio emocional. Mas sabemos que toda ajuda é bem vinda.

Superintessante

Comissão aprova validade nacional para receitas de remédios controlados

Resultado de imagem para receitas controladasAs receitas de medicamentos controlados e manipulados poderão ter validade nacional

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (6) o substitutivo da Câmara dos Deputados (SCD) 4/2018 ao Projeto de Lei do Senado 325/2012, que define que a receita tem validade em todo o território nacional, independentemente da unidade federada em que tenha sido emitida. Atualmente, as prescrições médicas só valem no estado de origem

Na Câmara, o texto foi alterado para dar nova redação ao parágrafo único do artigo 35 da Lei 5.991, de 1973, que trata do controle sanitário do comércio de medicamentos, em vez de incluir um novo parágrafo como previa o projeto original do Senado. Além disso, os deputados estenderam a permissão aos medicamentos sujeitos ao controle sanitário especial. No entendimento da Câmara, explicitar os medicamentos sob controle especial é necessário uma vez que, na prática, são os únicos medicamentos cujas receitas não podem ser aviadas fora do estado em que tenham sido emitidas.

A relatora da proposta na CAS, senadora Ana Amélia (PP-RS), argumentou que as farmácias já contam com um rigoroso controle e exigem a receita médica e os documentos do paciente que vai usar o remédio. Ana Amélia lembrou que a iniciativa vai beneficiar os pacientes que estão em tratamento e precisam viajar ou se consultar em outro estado.

— O objetivo essencial do projeto é permitir que todos os cidadãos possam comprar os medicamentos onde quer que estejam. Inclusive os medicamentos sujeitos a controle especial. Uma coisa extremamente razoável para um país de dimensões continentais. Até porque, em casos de medicamentos de uso contínuo, a pessoa tem muitas dificuldades, se vai viajar e fica mais tempo do que o esperado, para comprar o medicamento, é uma burocracia muito grande. A proposta segue agora para análise do Plenário do Senado.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

CFF lança projeto Cuidado Farmacêutico na Farmácia Comunitária

Devido ao sucesso alcançado já em seu primeiro ano de funcionamento, o projeto Cuidado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviços, será replicado para a rede privada

Resultado de imagem para CFF lança projeto Cuidado Farmacêutico na Farmácia Comunitária

No dia 24 de maio, em sua 470ª Reunião Ordinária, o Plenário do Conselho Federal de Farmácia (CFF) aprovou por unanimidade o projeto Cuidado Farmacêutico em Farmácias Comunitárias.

“A proposta é adaptar, para os farmacêuticos da rede privada, gratuitamente, o curso de prática clínica para a implantação de serviços farmacêuticos”, explica Valmir de Santi, conselheiro federal de Farmácia pelo estado do Paraná, coordenador dos dois projetos. “Na saúde pública, tem sido uma rica experiência. No primeiro ano de funcionamento, foram contemplados cerca de mil farmacêuticos da rede pública120 municípios de 15 polos de capacitação.” Com uma equipe bem preparada, o projeto voltado à rede privada, a exemplo de seu coirmão, não almeja somente, uma capacitação teórica. “Pretende, também, fornecer aos farmacêuticos habilidades e atitudes para a implantação de serviços clínicos”, comenta o presidente do CFF. Walter da Silva Jorge João.

Originalmente são 5 módulos: Introdução à Farmácia Clínica, Cuidado Farmacêutico Aplicado a Pacientes com Hipertensão, Diabetes, Cessação Tabágica e Perda de Peso e Manejo de Transtornos Autolimitados, ministrados em encontros presenciais, mensais. Além das aulas, o curso incluirá um sistema de tutoria, para suporte aos participantes. Ao final do processo, espera-se que os farmacêuticos sejam capazes de conduzir consultas farmacêuticas, utilizando os conhecimentos adquiridos na implantação de pelo menos um serviço nas farmácias onde atuam.

Para se inscrever, os farmacêuticos devem acessar o formulário (CLIQUE AQUI). Serão formadas turmas de 50 ou mais farmacêuticos, que poderão pertencer a um único ou a vários municípios. Serão aceitas inscrições individuais ou em grupo, e considerados como critérios de seleção dos participantes: a data de conclusão de formação do polo; o número de inscritos no polo; e a disponibilidade orçamentária. Para 2018, estão previstos até 10 polos. O prazo para inscrições vai até o dia 30 de junho. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail cuidadofarmaceutico@cff.org.br.

Fonte: CFF