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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Parkinson também afeta pessoas mais novas e SUS oferece medicamento

doença de parkinson sintomasDanielle Ianzer foi diagnosticada com a doença de Parkinson há 7 anos, quando tinha 35 anos. Para ela, a notícia foi um choque

“Quando recebi o diagnóstico, fiquei sem chão e sem perspectiva de futuro. Eu só chorava e fiquei assim durante dois anos e meio, em depressão profunda, não tinha vontade de gerenciar meu tratamento, de me cuidar, e acabei jogando isso nas costas do meu esposo e da minha família”, conta a cientista e pesquisadora que hoje tem 42 anos.

Como o Parkinson vai se revelando aos poucos durante os anos, os primeiros sinais e sintomas muitas vezes passam despercebidos pelo doente e por pessoas com quem ele convive. “Devido a minha idade, o diagnóstico foi mais difícil. Eu fui em alguns médicos, fiz vários exames e nada dava alterado”, conta a cientista. “Eu recebi diagnóstico errado, de tremor essencial, que é mais comum em pessoas mais jovens. Fazia o tratamento e não respondia. A doença foi avançando. Depois descobri a depressão por causa da minha condição. Quando eu já estava tomada de sintomas, veio o diagnóstico de Parkinson”.

Vibrar com Parkinson
Os sintomas se manifestam em forma muito semelhante tanto em pessoas mais velhas, como em pessoas mais novas. No caso dos jovens, essa patologia chega de mansinho e se manifesta de forma lenta, sem ser muito perceptível. Um dos grandes desafios das pessoas que convivem com Parkinson é a forma como lidar com a doença, não somente fisicamente, como também psicologicamente e socialmente. O envolvimento de familiares e amigos no tratamento é importante para a qualidade de vida.

Foi em 2013, após o período de depressão, que Danielle começou a mudar. Ela pesquisou sobre a doença e passou a desenvolver o projeto Vibrar com Parkinson, que a ajudou a lidar com a doença. Agora, ela quer ajudar outras pessoas a enfrenta-la também. “O projeto foi criado para conscientizar e informar pessoas que não sabem que os jovens podem desenvolver essa disfunção. O intuito do projeto é auxiliar pacientes, familiares e cuidadores na manutenção do bem-estar e da qualidade de vida, através de divulgação e difusão de informações sobre tudo que envolve a questão: tratamentos, remédios, pacientes e etc”, comenta.

Medicamentos no SUS
Pacientes com menos de cinquenta anos contam com mais um tratamento à disposição por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento levodopa será ofertado sem restrição de idade pelo Farmácia Popular. O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Marco Fireman, explica que houve uma mudança no perfil dos pacientes acometidos pela doença. “Dados da OMS [Organização Mundial da Saúde] têm mostrado um crescimento de diagnósticos precoces. A mudança da norma é para garantir atendimento a todas as pessoas que sofrem com a doença”, detalha.

Fireman explica que os sintomas da doença de Parkinson ocorrem pela falta de dopamina no sistema nervoso central. Essa substância atua na comunicação entre as células. “O tratamento da doença, portanto, é baseado na reposição da dopamina, por meio da medicação. A Levedopa, agora disponível para diagnósticos precoces da doença, é um precursor de dopamina. Com ela, é possível a redução dos sintomas da doença de Parkison”, afirma.

A oferta dos fármacos tem como objetivo proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes com transtornos associados à doença, que afetam 200 mil pessoas no país. Essa é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, atrás somente do Alzheimer. “A ampliação do atendimento é para garantir atendimento e melhor qualidade de vida para pacientes e seus familiares”, finaliza o secretário.

Tratamento multidisciplinar
O Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas sobre Parkinson foi criado em 2002, atualizado em 2010 e em 2017. O documento estabelece o tratamento multidisciplinar e apresenta os diversos sinais e sintomas da doença. O tratamento deve ser feito à base de medicamentos, com o intuito de reduzir a progressão de sintomas. A escolha do medicamento mais adequado leva em consideração fatores como estágio da doença, a sintomatologia presente, ocorrência de efeitos colaterais, idade do paciente, medicamentos em uso e seu custo.

Caso a doença seja constatada, o tratamento deve ser feito à base de medicamentos, com o intuito da redução da progressão de sintomas. A escolha do medicamento mais adequado deverá levar em consideração fatores como estágio da doença, a sintomatologia presente, ocorrência de efeitos colaterais, idade do paciente, medicamentos em uso e seu custo.

O SUS também oferece, para tratamento, os procedimentos de implante de eletrodo e implante de gerador de pulsos, ambos para estimulação cerebral. Na lista de materiais especiais, também constam o conjunto de eletrodo e extensão, além do gerador para estimulação cerebral. Atualmente, no Brasil há 27 estabelecimentos habilitados em Neurocirurgia Funcional Estereotáxica 105/008 (método minimamente invasivo de cirurgia cerebral) pelo Ministério da Saúde, sendo dois habilitados como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia e 25 habilitados como Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia.

O SUS já ofertava acesso a sete medicamentos para tratamento da doença: Pramipexol; Amantadina; Bromocriptina; Entacapona; Selegilina; Tolcapona e Triexifenidil. Ainda existem outros três medicamentos - Levodopa+Carbidopa, Biperideno e Levodopa - que são ofertados por meio do Programa Farmácia Popular e podem ser retirados com até 90% de desconto.

Luíza Tiné, para o Blog da Saúde

Pílula especial pode substituir injeção de insulina, diz estudo

Imagem relacionadaPesquisadores da Universidade de Harvard superaram desafio de absorção da insulina no estômago. Eles envolveram composto em material que permite administração oral

Quem tem diabetes tipo 1 precisa administrar insulina todos os dias para diminuir os níveis de glicose no sangue. Esse controle, contudo, deve ser feito via injeção ou por meio da chamada bomba de insulina (aparelho que envia pequenas quantidades do composto por 24 horas). E por que não dá para simplesmente tomar a insulina? Cientistas explicam que o composto não se dá bem com a composição ácida do estômago e acaba por não ser absorvido pelo organismo.

Para superar esse desafio, pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, conseguiram envolver a insulina em uma cápsula resistente ao ácido estomacal. O feito foi publicado nesta segunda-feira (25) no “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Os pesquisadores da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas (SEAS) John A. Paulson, de Harvard, explicam que a formulação é biocompatível, fácil de fabricar e pode ser armazenada por até dois meses em temperatura ambiente sem degradação.

Cientistas acreditam que o novo medicamento deve melhorar o controle da glicemia e a qualidade de vida de pacientes com diabetes tipo 1. “Muitas pessoas não aderem ao tratamento devido à dor, fobia de agulhas e interferência nas atividades normais”, disse Samir Mitragotri, um dos autores do estudo e professor no SEAS de Harvard. “O controle glicêmico inadequado pode levar a complicações graves de saúde”, continua Samir Mitragotri (Harvard).

Mitragotri comparou a nova pílula a um canivete suíço. “Uma vez ingerida, a insulina precisa passar por uma difícil pista de obstáculos antes que possa ser efetivamente absorvida pela corrente sanguínea”, disse Mitragotri. “A pílula funciona como um canivete suíço. Ela tem ferramentas para lidar com cada um dos obstáculos encontrados” – Samir Mitragotri.

Os obstáculos superados pela pílula:
a) O primeiro obstáculo é a superação do “colapso da pílula” pelo ácido gástrico;
b) Depois, o polímero resistente ao ácido se dissolve no intestino delgado;
c) Ainda, ácido que envolve à insulina resiste à camada de muco que reveste o intestino;
d) A pílula também resiste às camadas estreitas da fase final do intestino;
e) Por fim, todo o material que reveste a insulina é dissolvido e o composto é liberado.

Cientistas acreditam que é possível produzir a pílula em escala industrial a custos relativamente baixos. Eles também apostam que o composto tem o potencial para substituir a injeção em alguns anos.

G1

terça-feira, 26 de junho de 2018

Pesquisa encontra contaminação em 90% de saladas prontas para consumo em delivery e fast food

Saladas de delivery e fast foods foram analisadas em pesquisa de biomedicina em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)
Saladas de delivery e fast foods foram analisadas em pesquisa
de biomedicina em Campinas (Foto: Patrícia Teixeira/G1)
Estudo foi feito em Campinas no Centro Universitário UniMetrocamp Wyden. Uma única amostra apresentou mais de 1 milhão de bactérias. Nível de coliformes fecais identificado é superior ao permitido pela Anvisa

Pedir salada delivery ou optar pelas verduras embaladas em refeições tipo fast food exige cuidado na hora de consumí-las, em busca de uma alimentação saudável. A ideia do "pronta para cosumo" esbarra no alto risco de contaminação. Uma pesquisa feita em Campinas (SP) encontrou bactérias em 90% das amostras de saladas analisadas. São micro-organismos causadores de infecções intestinais, pulmonares e até faringite.

Os testes microbiológicos foram feitos pelo Centro Universitário UniMetrocamp Wyden em saladas in natura, sendo 12 provenientes de entregas delivery e as outras oito de fast foods.

Dezoito delas continham coliformes fecais em quantidade dez vezes maior do que o tolerável pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Saladas à base de verduras e legumes crus, temperados ou não, em molho ou não, o limite é de 100 Unidades Formadoras de Colônia (UFC) por grama ou mililitro. Deve ter total ausência de salmonella", informou o órgão federal, por nota.

Apenas duas das saladas analisadas estavam próprias para o consumo humano.

Esses alimentos já ficam submetidos ao plantio com adubos, fertilizantes e irrigação, às vezes inadequada. Por isso o cuidado em lavá-los é fundamental.

"Esse produto já chega pro comerciante numa quantidade elevada de micro-organismos. [...] Tomates, pepinos, rabanetes, que muitas vezes são consumidos com a casca, nós temos que dar maior atenção. E principalmente também as verduras, o talo, que fica muito em contato com o solo", explica

Bactérias do mal
A pesquisa faz parte do trabalho de conclusão de curso de graduação em biomedicina das alunas Milene Almeida, Tamires Teixeira e Jacqueline Camargo. Consumidoras de saladas, elas ficaram surpresas com os resultados.

"Nas fast foods nós fomos até os locais, pegamos essas amostras e trouxemos pra cá pra fazer a inoculação [colocar o alimento num meio específico para testar se há crescimento de micro-organismos]. A mesma coisa aconteceu com as de delivery, nós ligamos e eles trouxeram pra gente aqui", explica Milene.

Em 11 amostras também foi encontrada a Escherichia coli, principal indicativo de contaminação fecal. Esta bactéria está presente na microbiota instestinal humana e de animais, segundo as pesquisadoras.

Oportunista por prejudicar ainda mais a saúde de quem já está em uma condição debilitada, a bactéria Pseudomonas aeruginosa apresentou quantidades acima de 1,2 milhão em uma única amostra proveniente de entrega delivery.

Outra bactéria que chamou a atenção foi a Staphylococcus aureus, presente habitualmente nas fossas nasais. A ingestão dela pode provocar intoxicação alimentar. Bolores e leveduras também estavam presentes nas amostras de saladas. "Também são indicativos da falta de higienização".

Tem que lavar de novo
A saída é lavar a salada de novo. Sim, lavar tudo antes de consumir. A coordenadora ensina que a melhor substância para higienizar verduras e frutos é a água sanitária, produto acessível à população.

São 10ml de água sanitária para 1 litro de água potável, com 10 a 15 minutos de imersão. Em seguida, é importante lavar na água corrente antes do consumo.

Rosana lembra que a tábua usada para cortar esses alimentos também precisa ser devidamente higienizada com água sanitária, e lavada em água corrente, em seguida. O uso de luvas, máscara e touca de cabelo pelo preparador do alimento é indispensável, segundo a pesquisadora.

Quem não tiver condições de higienizar a salada pode usar vinagre e limão, que reduzem a contaminação, como tempero.

G1

Dia Mundial do Combate ao Vitiligo

Capa vitiligo“Eu sempre tive um sonho de ser modelo ou atriz. Cheguei a passar em um teste para atuar, mas como naquela época não se falava muito no assunto me disseram que minha mancha estava muito evidente, por isso, eu não poderia ficar”

É assim que a carioca Beth Filippelle, que tem vitiligo desde os 16 anos, descreve a condição da sua pele e fala de como é preciso debater sobre o assunto para que outras pessoas também não tenham seu sonho interrompido. “Eu confesso que sai triste, mas me deu um gás para seguir, aí fui montar meu próprio negócio, até que um dia já cansada, após treze anos de comércio, fui convidada para participar de uma empresa de cosméticos. Foi quando encarei o desafio, mesmo com medo e comecei a cuidar da aparência e passar pelo processo de aceitação”, relata Beth.

Beth aprendeu a superar o vitiligo após o desafio e foi crescendo nesta nova empresa. “Comecei a ser bem reconhecida ganhar premiações, viagens me destaquei bastante e isso me fez muito melhor, fez muito bem meu ego, tanto que nas palestras eu esquecia das manchas porque passei a dar importância ao meu trabalho”, fala.

O vitiligo é uma doença caracterizada pela perda da coloração da pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (as células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente estabelecidas, mas alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

“A doença é caracterizada por lesões cutâneas de hipopigmentação, ou seja, diminuição da cor, com manchas brancas de tamanho variável na pele. O vitiligo não é contagioso e não traz prejuízos a saúde física. As condições emocionais de estresse e traumas podem desencadear o surgimento ou agravamento da doença em determinado momento” explica Eduardo Davi, coordenador substituto do departamento de Atenção Especializada e Temática da Decretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde.

Beth está hoje com 48 anos e adora suas manchas. “Há dois anos eu fiz meu Instagram e comecei a fazer fotografias propositais com as minhas manchas bem aparentes e tive muitas curtidas e comentários. Até que um comentário me chamou atenção, pois uma moça disse que não se aceitava, mas estava feliz por eu me aceitar”, comenta. Foi a partir dali que a carioca começou a idealizar o projeto "Extraordinárias Cores", que incentiva mulheres com vitiligo a se amarem e se como são por meio da fotografia. "Juntas, mais do que ser diferentes, podemos fazer a diferença". O projeto tem impactado a vida de muitas mulheres com vitiligo pelo Brasil. Seu foco é o resgate da autoestima. “São mulheres que também tiveram sonhos interrompidos e pela fotografia elas conseguem se ver de uma maneira diferente, sem se preocupar com a manchas”, finalizou.

Diagnóstico
É essencialmente clínico, pois as manchas com pouca pigmentação aparecem geralmente em locais do corpo bem característicos, como boca, nariz, joelhos. O histórico familiar também é considerado. Portanto, se há pessoas na família com a doença, é importante redobrar a atenção. É bom salientar que o diagnóstico deve ser feito por um dermatologista. Ele irá determinar o tipo de vitiligo do paciente, verificar se há alguma doença autoimune associada e indicar o tratamento mais adequado.

Tratamento no SUS
Consiste basicamente em interromper o seu avanço e se possível também, possibilitar repigmentação dessa pele. Quando conduzido de forma adequada a um profissional dermatologista, algumas pessoas que perderam a pigmentação de determinadas partes do corpo podem voltar a ter pigmento. O tratamento consiste na fototerapia com radiação ultravioleta ofertada em todo Brasil.

Prevenção
Não existem formas de prevenção do vitiligo. Como em cerca de 30% dos casos há um histórico familiar da doença, os parentes de indivíduos afetados devem realizar vigilância periódica da pele e recorrer ao dermatologista caso surjam lesões de hipopigmentação, a fim de detectar a doença precocemente e iniciar cedo o tratamento. Em pacientes com diagnóstico de vitiligo, deve-se evitar os fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes. Evitar o uso de roupas apertadas, ou que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e diminuir a exposição ao sol. Controlar o estresse é outra medida.

Luíza Tiné, para Blog da Saúde

Estado de São Paulo amplia rol de serviços nas farmácias

Imagem relacionadaEnfim, a valorização do papel dos farmacêuticos avança no estado de São Paulo

Cinco meses após ser aprovado pela Assembleia Legislativa, o projeto de lei nº 638/2014 foi sancionado pelo governador Márcio França. A medida regulamenta uma série de novos serviços que podem ser prestados pelas farmácias e drogarias – entre os quais a aferição de pressão arterial, medição de temperatura, inalação e teste de glicemia.

Além disso, ficam autorizadas a manipulação e a dispensação de medicamentos isentos de prescrição, suplementos alimentares, produtos homeopáticos, dermocosméticos, artigos de higiene pessoal, perfumes e itens de cuidado pessoal, sempre mediante a indicação do farmacêutico. O projeto data de 2014 e teve como autores os parlamentares Fernando Capez e Bruno Covas, hoje prefeito da capital paulista.

A iniciativa segue exemplos de outros estados, que ampliaram o rol de atividades do varejo farmacêutico. São os casos de Amazonas, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além do Distrito Federal e das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. “Esta é mais uma iniciativa que reconhece a importância e os conhecimentos do farmacêutico, fazendo dele um agente estratégico para facilitar o acesso dos brasileiros à saúde”, celebra Cassyano Correr, coordenador do programa de assistência farmacêutica encabeçado pela Abrafarma.

Panorama Farmacêutico