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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Combinação de remédios é mais eficaz contra pressão alta

Nova prescrição melhora resposta ao tratamento e reduz os efeitos colaterais Uma combinação de remédios é mais eficiente no tratamento contra pressão alta do que a prescrição de apenas um medicamento. De acordo com o estudo publicado no periódico Lancet, essa combinação de medicamentos pode aumentar a eficiência do tratamento, além de reduzir os efeitos colaterais. Para chegar aos resultados, a equipe das Universidades de Cambridge, de Glasgow e de Dundee acompanharam 1.254 pacientes com pressão alta em 10 países. Os participantes que receberam uma combinação das drogas aliscireno e amlodipina tiveram uma resposta 25% melhor ao tratamento durante os seis primeiros meses, quando comparados àqueles que receberam apenas um desses dois medicamentos. De acordo com Morris Brown, da Universidade de Cambridge, os remédios poderão ser unidos em uma só pílula. “Os pacientes agora poderão se sentir seguros de que estão protegidos contra derrame e ataque cardíaco de forma mais eficiente”, salienta Brown, referindo-se às doenças que acabam atingindo quem tem hipertensão. A pesquisa foi financiada pela empresa farmacêutica Novartis, produtora do aliscireno e da amlodipina. A FDA (órgão americano similar à Anvisa), no entanto, já havia liberado a combinação dessas drogas em 2010. http://veja.abril.com.br/noticia/saude/combinacao-de-remedios-e-mais-eficaz-contra-pressao-alta

Remédio pode ter causado até 2 mil mortes na França

Suspeita se baseia em estudo feito pela Seguridade Social e publicado no diário Le Figaro. Medicamento não é vendido no Brasil Redação Época com Agência EFE O remédio Mediator, indicado para o tratamento de diabéticos com problemas de peso, pode ter causado até 2 mil mortes na França, tal como constata um estudo publicado neste sábado, diante dos 500 óbitos já reconhecidos pela Seguridade Social do país. O diário "Le Figaro" publica neste sábado outro estudo encomendado pela Seguridade Social, que situa o número de mortes entre 1 mil e 2 mil. Além disso, o jornal revela uma carta destinada à Agência Nacional do Remédio (ANF, na sigla em francês) que alertava sobre os riscos do Mediator em 1998, mas o produto não foi retirado do mercado até novembro de 2009. Assinada por três médicos, a carta pedia ao presidente da ANF da época, Jean-René Brunetiere, que voltasse a avaliar a incidência do medicamento na saúde nacional e, portanto, a livre prescrição do produto. Os três médicos que enviaram a mensagem, de reconhecido prestígio na França, comparavam o Mediator com o Isoméride, um produto de características similares e que foi retirado do mercado mundial em 1997 porque aumentava a hipertensão arterial pulmonar e o risco de doenças nas válvulas cardíacas. O Mediator, produzido pelo laboratório francês Servier, foi alvo de outras investigações, não só na França como também em outros lugares da Europa, tendo sido retirado do mercado na Itália e na Espanha em 2003, da mesma forma que os demais fármacos que, como o Mediator, visavam reduzir o apetite dos pacientes. Segundo a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), em informação anteriormente publicada no G1, o remédio não possui registro de venda no Brasil. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI196859-15257,00-REMEDIO+PODE+TER+CAUSADO+ATE+MIL+MORTES+NA+FRANCA.html

Apenas médicos poderão definir prazo de retorno à consulta

Resolução do Conselho Federal de Medicina impede que critérios administrativos intervenham na autonomia dos profissionais de saúde Redação ÉPOCA, com Agência Brasil O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu que é prerrogativa do médico fixar prazos para o retorno do paciente a uma consulta. A norma determina que cabe ao profissional de saúde indicar livremente os prazos de retorno e que o tempo necessário para avaliação do paciente e de seus exames segue critérios técnicos e médicos, não administrativos. Instituições de assistência hospitalar ou ambulatorial, empresas que atuam na saúde suplementar e operadoras de planos de saúde não poderão, portanto, interferir na autonomia do médico e na relação dele com o paciente, nem estabelecer prazo de intervalo entre consultas. De acordo com a Resolução 1.958 do CFM, quando houver necessidade de o paciente se submeter a exames, o ato médico terá continuidade em um segundo encontro, que deverá ocorrer dentro do prazo fixado pelo profissional de saúde. A resolução determina ainda que, nestes casos, não deve haver cobrança de novos honorários. Entretanto, havendo alterações de sinais ou sintomas que requeiram novos procedimentos médicos como entrevista sobre o histórico do paciente, exame físico, formulação de hipóteses ou conclusões diagnósticas e prescrição terapêutica, o atendimento será considerado uma nova consulta e deverá ser remunerado. De acordo com o CFM, em casos de doenças que exigem tratamento prolongado, com reavaliações e modificações terapêuticas, as consultas poderão ser cobradas a critério do médico. RDF http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI201805-15257,00-APENAS+MEDICOS+PODERAO+DEFINIR+PRAZO+DE+RETORNO+A+CONSULTA.html

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Participação da Farmácia Hospitalar no Controle das Infecções Hospitalares

Raquel Queiroz de Araújo Durante muitos anos, o farmacêutico hospitalar permaneceu em uma posição, até mesmo física, distante das unidades de internação e dos pacientes, não havendo uma participação ativa em equipes multiprofissionais. Ao longo dos anos este cenário foi modificando-se e, hoje, com as mudanças nos sistemas de distribuição de medicamentos, ao mesmo tempo em que se busca diminuir os custos, também se questiona muito a qualidade dos medicamentos. Quando se fala de controle de infecção hospitalar se lembra do uso racional de antimicrobianos, seja no ambiente hospitalar ou na comunidade. As atividades que envolvem o uso adequado de antimicrobianos devem ter a participação do farmacêutico e, para isso, o profissional deverá estar presente em ações que objetivam fazer do ambiente hospitalar um local apropriado para a recuperação do paciente. Breve histórico das infecções hospitalares no Brasil As primeiras publicações sobre infecção hospitalar surgiram em 1956, quando Francisconi discorreu sobre esterilização do material hospitalar. Em 1959, esse mesmo autor falou sobre o uso inadequado de antibióticos, ambos temas abordados na Revista Brasileira de Hospitais. A primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), no Brasil, foi criada no Hospital Ernesto Dorneles, no Rio Grande do Sul, em 1963, porém, somente nos anos 70 foram criadas as primeiras comissões multidisciplinares, em hospitais públicos e drivados, principalmente os ligados a escolas médicas. Em 1983, o Ministério da Saúde promulgou a Portaria nº196, determinando que todos os hospitais no País deveriam manter CCIH e, em 1985, passou a incentivar a reestruturação das farmácias hospitalares, promovendo cursos de especialização. Em 1992 foi publicada a Portaria nº 930, visando maior profissionalização na prática do controle de infecções. Nessa portaria o Ministério da Saúde determinou a constituição, em todos os hospitais do País, dos Serviços de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e manteve a exigência das CCIH. O SCIH é um grupo executivo responsável pelas ações com vistas à redução da incidência e da gravidade das infecções hospitalares, enquanto a CCIH é uma comissão multidisciplinar. A portaria nº 2.616/98 estabelece competências da CCIH em que a farmácia possui participação importante, como: • Promover o uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares; • Definir, em conjunto com a Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT), políticas de utilização de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares; • Cooperar com o setor de treinamento ou responsabilizar-se pelo treinamento de funcionários e profissionais no que diz respeito ao controle das infecções hospitalares. O anexo III da mesma Portaria, que trata da vigilância epidemiológica e indicadores das infecções hospitalares, propõe os seguintes indicadores para o uso de antimicrobianos que têm relação com a farmácia: • Percentual de pacientes que utilizaram antimicrobianos (profiláticos e terapêuticos) em um período considerado; • Freqüência com a qual cada antimicrobiano é empregado em relação aos demais. Responsabilidades do farmacêutico no controle das infecções hospitalares Segundo a American Society of Health-System Pharmacists (ASHP), as responsabilidades do farmacêutico nas ações de controle de infecções hospitalares incluem: redução da transmissão das infecções, promoção do uso racional de antimicrobianos e educação continuada para os profissionais da saúde e pacientes. Hoje seguimos também essas recomendações e o que há mais recente no Brasil é a revisão dos padrões mínimos para a farmácia hospitalar, elaborado pela Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar (SBRAFH), que coloca nas atribuições essenciais da farmácia a participação do farmacêutico nas CCIH. As ações essenciais podem ser diferentes entre cada instituição de saúde e compreendem, segundo a ASPH: • Participar ativamente na CCIH; • Aconselhar a seleção e o uso apropriado de anti-sépticos, desinfetantes e esterilizantes; • Estabelecer normas e procedimentos para o controle e a prevenção de contaminação dos produtos preparados pela farmácia; • Realizar auditoria periódica dos equipamentos da área limpa, por exemplo, a capela de fluxo laminar; • Estimular o uso de embalagens dose única para produtos estéreis; • Trabalhar com os comitês responsáveis pela seleção de equipamentos e materiais para administração de medicamento intravenoso; • Estabelecer guias para a correta rotulagem e armazenamento dos produtos preparados pela farmácia; • “Encorajar” a rotina de imunização dos indivíduos que trabalham na rotina de preparação dos produtos farmacêuticos; • Defender e orientar o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI); • Trabalhar com a CFT na seleção de antimicrobianos; • Fazer estudos de farmacoeconomia analisando o uso de antimicrobianos; • Trabalhar em conjunto com o laboratório de microbiologia; • Participar de atividades de educação continuada intra e extrahospitalares. Participação do farmacêutico na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) - por que e como realizar o controle de antimicrobianos Há três pontos fundamentais que precisam ser lembrados e que respondem o porquê do controle desses medicamentos: 1) Qualidade assistencial aos pacientes, em que se deve saber que somente é necessário o uso dessa classe de medicamentos quando houver um diagnóstico de infecção; 2) Reduzir a pressão seletiva de antimicrobianos específicos para que se possa diminuir a seleção de microorganismos resistentes; 3) Diminuir os custos hospitalares que direta ou indiretamente estão ligados ao uso de antimicrobianos. O ritmo de desenvolvimento da resistência bacteriana nos diferentes patógenos representa um constante desafio terapêutico, fenômeno observado em todo o mundo. Já o número de antibióticos em pesquisa diminuiu drasticamente nos últimos anos, enquanto a resistência às drogas antimicrobianas tem crescido de forma inexorável. Daí este ser um dos fatores de grande relevância quando se fala do uso restrito de alguns antibióticos. A análise do perfil de sensibilidade das bactérias isoladas nos hospitais é fundamental para estabelecer a estratégia e os métodos ativos de controle, bem como guiar a implementação de guias terapêuticos com finalidades educacionais de treinamento e reciclagem. A maior parte dos programas de racionalização de antimicrobianos tem como pilares a educação, a restrição de uso e o perfil de sensibilidade dos microorganismos. Quando se inicia a participação em um grupo de controle de antimicrobianos, primeiramente deve-se conhecer o perfil de sensibilidade da instituição em que se está inserido e nas comissões de farmácia e terapêutica (CFT) se terá quais são os antimicrobianos padronizados para traçar dados de consumo, local, tempo, dose e prescritores dos mesmos. A situação crítica que representa o mau uso dos antimicrobianos nos hospitais do País é de grande preocupação pelas conseqüências que vem ocasionando e exige a necessidade do desenvolvimento de programas efetivos de melhoria de seu uso junto aos responsáveis diretos, os médicos, os farmacêuticos e os administradores. Assim, as tendências atuais para um programa de racionalização de antimicrobianos incluem a elaboração de guias profiláticos e terapêuticos mais racionais, visando a maioria das situações clínicas previstas na prática, com a participação mais efetiva dos serviços. É de suma importância que além do planejamento e elaboração dos guias a monitorização da aplicação dos mesmos deve ser realizada. Preenchimento de formulários de liberação dos antimicrobianos A restrição de uso é o método mais utilizado para o controle da prescrição e existem basicamente três tipos de impressos. O chamado sistema livre, no qual a farmácia somente dispensa os antimicrobianos se o impresso preenchido chegar com a prescrição ou requisição, não existindo análise da indicação do medicamento. O segundo impresso é o formulário controlado, em que o prescritor faz uma justificativa por escrito. O terceiro, em que alguns antimicrobianos são considerados de prescrição especial, exige, além da justificativa, a consulta ao especialista da área para liberação. Para a farmácia esses formulários são importantes também por possibilitar levantamentos rápidos sobre o uso de antimicrobianos. Porém, as fichas de restrição devem ser vistas como complementares dentro de um programa de racionalização de antimicrobianos e a avaliação da qualidade de prescrição é uma oportunidade de realizar educação em serviço e de atuação do farmacêutico clínico. Estudos de Utilização de Medicamento (EUM) de antimicrobianos Os Estudos de Utilização de Medicamentos (EUM) empregam análise farmacoepidemiológica e têm como principais objetivos quantificar o uso atual, traçar o perfil de uso em relação ao tempo, avaliar se os hábitos de utilização estão de acordo com o estado atual dos conhecimentos de farmacoterapia, identificar as possíveis razões que contribuem para as oscilações dos consumos e subsidiar a implementação de medidas que favoreçam a utilização adequada dos medicamentos, neste caso os antimicrobianos. A dose diária definida (Defined Daily Dose - DDD) dos antimicrobianos auxilia na determinação do consumo real por unidade de internação, permitindo estabelecer o perfil de utilização destes fármacos e servindo como subsídio para que a SCIH/CCIH possa revisar a política de antimicrobianos existente e avaliar sua aceitação e cumprimento. A DDD é definida como a dose média de manutenção diária para determinado fármaco em sua indicação principal em adultos (a referência do peso é 70 kg) e é importante ressaltar que a DDD não é uma dose recomendada, mas uma unidade de medida que permite comparação entre resultados. Os cálculos de DDD foram posteriormente adaptados para uso hospitalar com a determinação de medidas denominadas DDD/leito-dia e DDD/100 leitos-dia. Os resultados expressos desta forma fornecem uma estimativa do consumo de dado medicamento em determinado período, bem como sugere a probabilidade do uso de determinado fármaco por um paciente. Outra unidade de medida é a dose diária prescrita (Prescribed Daily Dose - PDD), para contornar a distância entre a dose realmente prescrita na prática clínica diária e a DDD. A fórmula para calcular a DDD, referente ao consumo em pacientes hospitalizados, é a seguinte: DDD/100 leitos/dia = A/B x 100/T x Cx F A = Quantidade total do medicamento consumido, em UI ou g, no período de tempo considerado, na mesma unidade estabelecida para a DDD B = DDD estabelecida para o medicamento T = Período de tempo de observação em dias C = Leitos disponíveis no hospital/ou na unidade de internação F = Índice de ocupação do hospital/ou da unidade, no tempo considerado A Tabela 1 mostra a relação de alguns antimicrobianos e suas respectivas DDD. A análise dos dados quantitativos de antimicrobianos, apesar de simples, fornece não apenas o consumo mensal destes medicamentos como também dá pistas de utilização inadequada. Caso ocorra, um aumento muito grande de um determinado antimicrobiano é um alerta para investigar junto com a CCIH se a utilização nesta clínica está sendo realizada de forma adequada. A farmácia hospitalar é parte importante nesse esforço, executando as seguintes atividades: • Controle do número de pacientes em uso de antimicrobianos e da duração do tratamento; • Elaboração de tabelas de preços dos tratamentos com antimicrobianos; • Elaboração de informações e orientações técnicas; • Realização de levantamento da freqüência de indicação profilática e terapêutica; • Determinação do consumo mensal de antimicrobianos por unidades de internação; • Fornecimento de dados para subsidiar a revisão/atualização da padronização dos antimicrobianos pela CFT e CCIH; • Revisão retrospectiva da utilização de medicamentos antimicrobianos por clínica. Estes dados também ajudam no planejamento de estoque, em que planilhas elaboradas para o consumo mensal devem ser simples e de fácil compreensão para os administradores. Por meio delas pode-se planejar compras e estoque dos antimicrobianos. Os programas de antibioticoprofilaxia cirúrgica e os protocolos de antibioticoterapia podem ser inseridos nos EUM, em que a profilaxia cirúrgica com antimicrobianos baseia-se em consensos da literatura, sendo a mais curta possível, com indicação no máximo de 24 a 48 horas e a farmácia determina essa rotina junto com os profissionais envolvidos. Além de todos esses itens citados, em que o farmacêutico deve estar inserido ativamente, a farmácia hospitalar, que possui laboratório de farmacotécnica e central de misturas intravenosas, pode estabelecer normas e rotinas dos procedimentos para prevenção e controle da contaminação de produtos farmacêuticos manipulados e dispensados pela farmácia e aconselhar a seleção e uso apropriado de anti-sépticos, desinfetantes e esterilizantes. Com a participação efetiva do farmacêutico nos programas de controle de infecção hospitalar estaremos caminhando para fortalecer o trabalho em equipe multiprofissional e também para diminuir a disseminação de resistência bacteriana e aumentar o uso adequado de antimicrobianos, visando a melhor assistência ao paciente internado. Raquel Queiroz de Araújo é farmacêutica bioquímica graduada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), especialista em farmácia hospitalar pelo Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) e mestre em farmacoepidemiologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atuou como farmacêutica no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e na Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) - Hospital São Paulo – Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM). Atualmente é farmacêutica no HSPE, além de docente e coordenadora do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Farmácia Hospitalar e Farmácia Clínica do Instituto Racine. Referências Bibliográficas Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 33 de 19 de abril de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, DF, de 08 jan 2001. American Society of Health-System Pharmacists. Statement on the pharmacist’s role in infection control. Am J Health-Syst Pharm, Bethesda, 1998;55(16):1724-1726. Araújo RQ de. Antibióticoprofilaxia em cirurgias ortopédicas: resultado da implantação de um protocolo. 86p. Dissertação Mestrado: Faculdades de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2000. Araújo RQ, Rezende EAC, Oliveira MLM, Guimarães T. Análise da utilização e custos de antimicrobiano/dia e sua correlação com a prevalência de patógenos multirresistentes na unidade de terapia intensiva do hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. In: V Congresso da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar, São Paulo, 2005. Berman JR, Zaran FK, Rybak M. Pharmacybased antimicrobial monitoring service. Am J Hosp Pharm, Washington, 1992;49(7):1701- 1706. Bootman JL, Townsend RJ, Mcghan WF. Principles of pharmacoeconomics. Cincinnati, HW Books, 1999. Brasil. Ministério da Saúde. Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar. Guia básico para a Farmácia Hospitalar. Brasília, 1994. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2616 de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da União 15 de maio de 1998. Condina C et al. Perioperative antibiotic prophylaxis in Spanish hospitals: results of a questionnaire survey. Infect Control Hosp Epidemiol, New Jersey, 1999;20(6):436-439. Duncan RA. Controlling use of antimicrobial agents. In: Herwaldt LA, Decker MD (Ed). A pratical handbook for hospital epidemiologists. Thorofare: Society of Healhcare Epidemiology of America, 1998. Gomes MJVM, Reis AMM. Ciências farmacêuticas: uma abordagem em farmácia hospitalar. São Paulo: Atheneu, 2000. Hess DA et al. Integration of clinical and administrative strategies to reduce expenditures for antimicrobial agents. Am J Hosp Pharm, Washington, 1990;47(3):585-589. Kinky DE et al. Economic impact of a drug information service. Ann Pharmacother, Pennsylvania, 1999;33(1):11-16. Miranda BG, Guimarães T, Araújo RQ de, Rezende EAC, Mendonça JS. Análise da ocorrência de patógenos gram negativos multiresistentes e sua correlação com a utilização de carbapenêmicos na unidade de terapia intensiva do hospital do servidor estadual de São Paulo. In: V Congresso Paulista de Infectologia, 2006, Campinas. Anais do V Congresso Paulista de Infectologia, 2006.v.V. Rodrigues EAC et al. Infecções hospitalares prevenção e controle. São Paulo: Sarvier, 1997. 669p. Rossi F, Andreazi D. Resistência Bacteriana: Interpretando o antibiograma. 1ª ed. São Paulo: Atheneu, 2005. Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar. Padrões mínimos para a farmácia hospitalar. Goiânia: SBRAFH,1-20, 2007. Storpirtis S, Ribeiro E, Mori ALPM, Porta V, Yochiy A. O Farmacêutico na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar In: Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica. 1ª ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2007;1:237-243. Welch L. A quality management approach to optimizing deliver and administration of preoperative antibiotics. Clin Perform Qual Health Care, Thorofare, 1998;6(4):168-171. World Health Organization. Global strategy for containment of antimicrobial resistance. http://www.racine.com.br/participacao-da-farmacia-hospitalar-no-controle-das-infeccoes-hospitalares/portal-racine/setor-hospitalar/farmacia-hospitalar/participacao-da-farmacia-hospitalar-no-controle-das-infeccoes-hospitalares

Superbactéria se alastra e chega à metade dos Estados do Brasil

Região mais afetada é a Sudeste, mas casos crescem no Nordeste Camila Neumam, do R7 A bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemases), também chamada de superbactéria, por ser resistente a quase todos os antibióticos disponíveis, já chegou aos hospitais de 13 Estados brasileiros, segundo levantamento realizado pelo R7 nas 23 Secretarias Estaduais de Saúde do país. Maranhão, Amapá e Tocantins, que não haviam registrado nenhum caso até o último levantamento oficial realizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em outubro, surgem no mapa da KPC no país, todos com mortes atribuídas à doença. Ainda pelo levantamento, foi constatado um grande aumento no número de casos e óbitos no Distrito Federal, com 319 infectados e 25 mortes, ante os 207 casos e 22 mortes em outubro. No Rio de Janeiro, 83 pessoas foram infectadas e 13 morreram por causa da superbactéria, muito acima dos 43 casos e três mortes informadas também em outubro. A incidência da KPC aumentou também no Nordeste. Dos 150 casos suspeitos no Ceará até outubro, 23 foram confirmados pela Secretaria de saúde do Estado no início de dezembro. Trinta e cinco pessoas foram infectadas e cinco morreram em Pernambuco até novembro, dado parecido com o da Paraíba, onde 34 pessoas foram infectadas, 15 só na primeira semana de dezembro. Os dados são da Ceciss (Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde), da secretaria estadual de Saúde. Todos os casos vêm de hospitais da capital João Pessoa.
No Maranhão foi registrado um caso confirmado, que levou o paciente à morte.
Mas é no Paraná que a bactéria se alastra com velocidade, se os dados considerados informais realmente valerem. De acordo com a secretaria estadual de saúde do Estado, cerca de 300 casos foram notificados desde o início do ano. No entanto, frisam ser uma estimativa “porque ainda não saiu a portaria da obrigatoriedade dos casos. Então, esses números ainda são informais”. Toda essa “informalidade” na informação de dados sobre a KPC mostra que atualmente não é possível chegar a um número oficial de casos no Brasil. Isso acontece porque nem todos os Estados brasileiros são obrigados a repassar estes dados as esferas estaduais, apenas em casos de surto, após a Anvisa ter deixado de repassá-los por meio das secretarias municipais e estaduais de saúde, em outubro. Questionada se essa lacuna, que permite aos Estados não informarem dados ou repassá-los como não oficiais, cria chances de se omitir surtos e o número de casos e mortes pela doença, a agência não respondeu. Por meio da assessoria, explicou o motivo da mudança: - Foi pactuado junto com as vigilâncias sanitárias municipais e estaduais que elas seriam as responsáveis por passar os últimos casos registrados em cada Estado, já que o processo acaba fazendo com que os números da Anvisa fiquem desatualizados. A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo se baseia nessa falta de regulamentação para não divulgar a incidência da KPC no Estado. Afirma que, por não haver surtos, não são obrigados a divulgar casos espaçados. De acordo com o último levantamento da Anvisa, havia no Estado pelo menos 70 casos que decorreram em 24 mortes, de julho de 2009 a outubro de 2010. Fora São Paulo, Minas Gerais lidera em número de casos da superbactéria na região Sudeste. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Estado, 51 casos foram notificados em Minas Gerais, 49 em Belo Horizonte e dois em Nova Lima, de dezembro de 2009 a setembro de 2010. No Espírito Santo foi comprovada a infecção de seis pessoas entre abril e outubro desse ano e três óbitos, sem confirmação se foram pela bactéria KPC. Apesar de casos espaçados, a bactéria já chegou aos hospitais da região Norte, onde infectou uma pessoa no Amapá e outra no Tocantins, levando-as à morte. Como pega e previne O nome KPC na realidade é de uma enzima produzida por um grupo de bactérias, das quais a principal é a klebisiela, que tem o poder de destruir grande número de antibióticos. O nome “superbactéria” foi atribuído a ela pelo fato de ser proveniente de uma bactéria que desenvolve mais resistência aos antibióticos e tem grande facilidade de se transmitir no ambiente hospitalar e causar surtos de infecção hospitalar, explica Carlos Magno Fortaleza, professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista). - A klebisela é uma bactéria que faz parte do nosso intestino, mas as bactérias com frequência adquirem um pedaço de material genético que passam de uma bactéria para outra. Uma certa linhagem da klebisela adquiriu um pedaço de DNA que produzia essa enzima. Além de se reproduzir, essa bactéria, que carrega esse DNA, acabou fornecendo para outras espécies. O que causa a infecção, explica o professor, é quando a bactéria alojada no intestino chega a outras partes do corpo, pode infeccioná-las, causando doenças. Por exemplo, se chega ao pulmão causa pneumonia e a pessoa pode morrer. - As infecções hospitalares acontecem quando algum procedimento médico faz com que bactérias que estejam muito quietas invadam outros lugares onde não deveriam estar. Seja porque a pessoa fez uma cirurgia, ou precisou de um aparelho para respirar, de alguma maneira se quebra a ecologia daquele organismo e a bactéria sai de onde ela estava sem provocar nenhuma doença e acaba atingindo um lugar onde ela provoca uma doença. Essa lógica que serve causa uma série de infecções bacterianas, é a mesma da KPC, explica Fortaleza. - A diferença da KPC para outras klebisielas é que ela é mais resistente a antibióticos, não porque ela mata mais. Vale lembrar que a infecção por KPC geralmente ocorre em pessoas já com a saúde debilitada. Isso acontece, segundo o professor, porque elas passam mais por processos invasivos, seja cirurgia, uso de sondas ou aparelhos, que ajudam a bactéria a “correr pelo corpo”, afetando órgãos mais sensíveis. Ao mesmo tempo, tomam mais antibióticos por estar em algum tratamento, já que estão hospitalizadas. Tratamento A KPC já é identificada no mundo desde 2001, quando apareceu nos Estados Unidos, segundo a Anvisa. O que chamou a atenção nesse ultimo ano foi que ela passou a surgir com uma grande frequência em alguns locais do Brasil, principalmente no Distrito Federal e em alguns hospitais de são Paulo. Como prevenção, os hospitais tiveram de isolar os pacientes e aumentar o rigor da higiene dos profissionais, com uso reforçado de soluções de álcool em gel antes e depois de mexer em pacientes, além dos já recomendados usos de luvas e aventais, explica o infectologista Luís Fernando Aranha Camargo, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Em outubro foram notificados três casos em pacientes do hospital. Todos foram isolados para conter a proliferação, conta Camargo. Dado o diagnóstico, o tratamento ocorre de acordo com a gravidade da infecção, afirma Camargo. - Se o paciente tiver somente a bactéria colonizada você não faz nada. Mas se ele tem a doença, você tratará de acordo com a manifestação clínica dela. Hoje poucos antibióticos são eficientes. As polimixinas são exemplos, mas por serem muito tóxicas, estão abrindo caminho para outros antibióticos apesar de serem muito tóxicos. - A gente faz o máximo possível para não usar as polimixinas, mas a maioria usa. O uso por pelo menos dez dias pode causar insuficiência renal, escurecimento da pele e em alguns casos modificar quadros neurológicos. O medicamento é usado por pelo menos uma semana em casos mais leves e até um mês em casos graves. A média de desenvolvimento de uma insuficiência renal pode chegar de 30% a 40%, explica Camargo. http://noticias.r7.com/saude/noticias/superbacteria-se-alastra-e-chega-a-metade-dos-estados-do-brasil-20101219.html