"A influência de um medicamento sobre o outro no organismo, provocando o que se chama de interação medicamentosa, na maioria das vezes reverte em prejuízos para os pacientes. Uma boa saída para evitar alterações é analisar com mais profundidade os hábitos do paciente no dia-a-dia. Isso porque as interações medicamentosas não são provocadas apenas pela relação medicamento-medicamento. Fatores externos como a poluição ambiental, além da alimentação, tabaco e as próprias doenças já existentes no organismo do paciente, podem resultar em efeitos inesperados quando associados a outras drogas". Maior Quantidade de Remédios Favorece os Efeitos Adversos no Organismo O aparecimento no mercado de novos tipos de medicamentos para o tratamento de diversos tipos de males tem contribuído para ampliar a quantidade de interações medicamentosas entre as pessoas que ingerem mais de um tipo de remédio. A interação medicamentosa ocorre quando há influência recíproca de um remédio sobre o outro. Isso porque quando um deles é administrado sozinho produz o efeito quase sempre esperado pelo médico. Já quando é receitado junto com outras drogas, ervas ou até mesmo alimentos, pode não ter o resultado que se deseja, o que caracteriza a interação. As interações medicamentosas, no entanto, não causam apenas efeitos maléficos ao organismo do paciente, retardando o tratamento. Estudos comprovaram que a consorciação entre o ácido acetilsalicílico, princípio ativo da conhecidíssima aspirina, e a dipirona, por exemplo, aumentam os efeitos terapêuticos. Até mesmo a ingestão de cafeína, contida no tradicional cafezinho, pode potencializar o efeito da aspirina no combate à dor de cabeça, outro exemplo de interação comprovado em estudos recentes. Entre as principais causas da ocorrência de interações medicamentosas está a prescrição de vários medicamentos para serem tomados ao mesmo tempo pelo mesmo paciente. Segundo estimativas, os casos variam em até 5% para os pacientes que fazem uso de diversos tipos de medicamentos e podem superar os 20% para pacientes que usam entre 10 e 20 tipos de remédios. Para o farmacêutico gaúcho Wilson Pereira de Souza, outro fator importante que favorece o surgimento dos efeitos das interações é o mau hábito dos brasileiros de tomarem medicamentos por conta própria. "A automedicação favorece em muito o surgimento de sintomas não desejáveis, além de representar um perigo real para a saúde", disse. Administração dos Medicamentos Têm Influência Decisiva A forma como o medicamento é administrado influencia na ocorrência ou não das interações medicamentosas. Se houver a necessidade do paciente ingerir mais de uma espécie de remédios, é recomendado que o faça em horários distintos, para que não haja o risco de ocorrer interação. Na opinião de Wilson Souza, há maiores possibilidades de que um determinado medicamento anule o efeito do outro quando são tomados entre um curto espaço de tempo. "Os farmacêuticos precisam ficar atentos a este tema, já que muitas vezes, os efeitos novos da interação não se manifestam nos primeiros dias", adverte. A forma de apresentação dos medicamentos, em comprimidos, drágeas, etc, também são fatores que levam às interações medicamentosas. De acordo com Souza, aqueles remédios que permanecem por mais tempo no organismo têm mais chance de interagir com outras novas drogas que o paciente venha a tomar. Idosos São os Mais Atingidos As condições físicas do paciente são determinantes para que ocorram os efeitos das interações decorrentes de medicamentos. Neste sentido, os idosos são as vítimas potenciais da múltipla prescrição. "Essa parcela da população sofre com os efeitos colaterais de apenas uma droga, imagine então quando são receitados diversos tipos de remédios", comenta o farmacêutico. Ele alerta que nestes casos, é preciso uma avaliação mais profunda sobre as condições físicas do paciente, para que não haja risco de uma interação medicamentosa mais adversa. Os mais idosos, ao lado dos recém-nascidos, são os mais afetados pelos efeitos contrários produzidos pelas interações medicamentosas. De um lado está o organismo já enfraquecido, do outro, um organismo ainda não totalmente preparado e amadurecido. Boas Condições de Saúde Evitam as Interações Existem diversos tipo de interações que estão ligadas às condições do próprio paciente. Neste caso, as pessoas consumidoras de álcool, os diabéticos e os que apresentam problemas de tireóide, por exemplo, podem desenvolver interações com determinados medicamentos, enquanto outros sem esses problemas, mas com a mesma prescrição, não serão vítimas dos efeitos de interação. Fatores internos e externos podem estimular o aparecimento dos efeitos do uso de diversos tipos de drogas ao mesmo tempo. Os pacientes com alterações nos rins, no fígado, ou com determinados hábitos alimentares e até mesmo submetidos à poluição do ar, possuem peculiaridades que aumentam os riscos da interação. No caso dos alimentos, a quantidade e o tipo ingeridos podem prejudicar a missão do medicamento no organismo. Na avaliação de Wilson Souza, os alimentos, assim como os remédios, são passíveis de provocar interações medicamentosas. A quantidade de fatores relacionados às condições dos pacientes é grande. A área médica considera atualmente este fator tão importante como as características dos próprios remédios. FDA Faz Advertência, Mas Consumo da Erva de São João Continua Embora a Food na Drug Administration (FDA), órgão dos Estados Unidos responsável pelos medicamentos, já tenha emitido uma advertência sobre interações provocadas pelo uso da erva de São João ('Hypericum perforatum') em consorciação com medicamentos anti-retrovirais, o consumo da planta permanece em alta. Por melhorar o desempenho do sistema imunológico, a planta vem sendo usada em grande escala pelos portadores do HIV. Segundo pesquisas realizadas na Alemanha e na Áustria, a planta possui uma substância chamada hypericina que também é altamente consagrada por sua ação anti-depressiva e capaz de reduzir os sintomas de melancolia, angústia, insônia, cefaléia, ansiedade, exaustão e pânico. Segundo matérias relativas à pesquisa realizada, a Europa hoje é líder na prescrição e consumo da erva de São João. Os números revelam que por ano são prescritas algo em torno de três milhões de receitas. De fato, de acordo com estudo realizado em 40 clínicas psiquiátricas da Alemanha, com 324 pacientes, ficou confirmado o efeito da erva no tratamento da depressão. O diretor do hospital médico da Universidade de Giessen, Helmut Woelk, chegou a afirmar, segundo notícias publicadas em jornais brasileiros, que a erva poderia ser considerada como primeira opção no tratamento de pacientes com depressão suave ou moderada. Os estudos de Woelk concluem que a erva é tão eficaz quanto a imipramina, comercializada no Brasil com nome TofranilÒ, com a vantagem de provocar menos efeitos colaterais. A Erva de São João já vem sendo reconhecida por alguns como uma espécie de Prozac natural, mas também está virando exemplo típico de interação medicamentosa entre os tratamentos alternativos e alopáticos. Em estudos realizados na Europa e Estados Unidos, ficou claro que a erva de São João pode interferir com a ação do medicamento indinavir, um inibidor usado para tratar a Aids. Médicos do Instituto Nacional de Alergia e Enfermidades Infecciosas, dos EUA, observaram que os pacientes que tomaram a erva e o medicamento juntos tiveram a concentração do antidepressivo reduzida acentuadamente no seu sangue. Outros pesquisadores, estes da Universidade de Zurique, mostraram que a erva interferia no efeito da ciclosporina, medicamento usado para prevenir a rejeição à órgãos transplantados. Na Inglaterra, o governo alertou o público também para as interações que a erva de São João pode causar em associação aos tratamentos de enfermidades cardíacas, asma, Aids e pílulas anticoncepcionais. Substâncias do Álcool e do Cigarro Interagem com Medicamentos Os hábitos individuais precisam ser analisados antes do fármaco prescrever. Isso porque os tipos de substâncias que são ingeridas regularmente pelo paciente precisam ser conhecidos para que os remédios receitados não provoquem alterações na eficácia terapêutica. As interações alimento-medicamento ocorrem da mesma forma que as de medicamento-medicamento. Um sinal de que poderá haver a interação é quando o paciente permanece na boca com o gosto desagradável do medicamento ingerido. A ocorrência de diarréia após o consumo de um medicamento pode sugerir a interação alimento-medicamento. As drogas sociais, álcool e tabaco, possuem a mesma influência que os alimentos. Como agente sedativo e hipnótico, o álcool (etanol) associado a outras drogas pode representar efeitos clínicos importantes. Os antidepressivos e as drogas sedativas são os exemplos mais comuns de interação com o álcool. O etanol também potencializa os efeitos farmacológicos de muitas drogas não-sedativas, como os vasodilatadores e os hipoglicêmicos orais. Em relação ao cigarro, a quantidade de substâncias liberadas, como o monóxido de carbono, cianureto, nicotina, significa um grande potencial o desenvolvimento de interações medicamentosas. Estudos a respeito da interação fumo-medicamento mostram que o cigarro pode reduzir a absorção de insulina, aumentar as chances de acidentes vascular encefálico e ainda provocar a cardiopatia isquêmica em mulheres que consomem anticoncepcionais orais. Copyright © 2001 eHealth Latin America 30 de Janeiro de 2001 http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3960&ReturnCatID=1786
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Maioria das enfermeiras da emergência nos EUA sofre algum tipo de violência
Mais da metade das enfermeiras que trabalham nos setores de emergência de hospitais nos Estados Unidos relatam ser fisicamente atacadas no trabalho, com empurrões, chutes e safanões, segundo pesquisa realizada pela Associação de Enfermeiras da Emergência dos EUA. Entrevistando quase 3,5 mil enfermeiras americanas que trabalhavam na emergência, os especialistas descobriram que 25% delas haviam sofrido violência mais de 20 vezes nos últimos três anos; e 20% das participantes sofreram, no mesmo período, abuso verbal mais de 200 vezes. Além disso, aproximadamente 67% das enfermeiras classificaram a segurança no setor como cinco ou menor em uma escala que vai até dez, com um terço delas relatando considerar largar a profissão por causa da violência. Os resultados indicaram também que mais da metade das enfermeiras citaram, como desencadeadores da violência, um ou mais dos fatores a seguir: pacientes ou acompanhantes sob influência de álcool ou drogas ilícitas; pacientes psiquiátricos sendo tratados na emergência; setor muito cheio, espera prolongada; e escassez de enfermeiros no setor. "Pessoas que trabalham em profissões de ajuda não deveriam ter de colocar seu bem-estar físico e emocional de lado por suas ocupações", concluiu o pesquisador Bill Briggs, presidente da Associação. Fonte: Journal of Nursing Administration. Julho/Agosto de 2009.
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Longos turnos de profissionais de enfermagem e pacientes mais vulneráveis a risco podem ter relação
De acordo com uma pesquisa realizada nas John Hopkins University e University of Maryland School of Nursing, ambas localizadas nos Estados Unidos, pacientes podem correr maiores riscos quando enfermeiros trabalham turnos longos demais. De acordo com os dados coletados no hospital, o componente mais associado à mortalidade dos pacientes é, além dos longos turnos, a falta de tempo de folga dos enfermeiros. De acordo com os resultados do estudo, turnos de 12 horas afetam a qualidade do sono, e fazem com que os enfermeiros fiquem menos atentos. Essa profissão exige uma vigilância constante. Quando o enfermeiro está distraído ou sonolento, o paciente passa a correr riscos. “Agora que nós temos informação de que essas condições afetam o público adversamente, existem ainda mais razões para os prestadores de cada hospital e clínica observarem a situação e encontrarem soluções”, diz uma das autoras do estudo, Alison Trinkof. http://blogboasaude.zip.net/
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Pacientes do SUS poderão ter direito a medicamentos fora da tabela
Da Agência Brasil cidades@eband.com.br Um novo capítulo na Lei Orgânica de Saúde, aprovado nesta quarta-feira pelo Senado, prevê uma série de exigências ao Estado para garantir tratamento médico e fornecimento de medicamentos aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Pelo projeto, o poder público não pode deixar de fornecer medicamentos e produtos de saúde aos pacientes, mesmo que a substância não conste nas tabelas do SUS. De autoria do senador Tião Viana (PT-AC) a matéria tramitou em caráter terminativo na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) e agora vai à apreciação da Câmara. O projeto prevê também a atualização das tabelas do SUS e dos protocolos clínicos, pelo menos uma vez ao ano. A obrigatoriedade do fornecimento medicamentos ou produtos de saúde pelo SUS estará condicionada ao cumprimento de alguns requisitos como a eficácia do medicamento prescrito com o devido registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O projeto de lei estabelece que o SUS será obrigado a fornecer remédios ou produtos de saúde sem a necessidade de prescrição e laudo médico ou a comprovação do registro quando a atualização das tabelas deixarem de ser feitas no prazo estabelecido. Redação: Bruna Carolina Carvalho http://www.band.com.br/jornalismo/saude/conteudo.asp?ID=1000008151
Ministério pode premiar estados e municípios que melhorarem gestão do SUS
Da Redação, com Agência Brasil cidades@eband.com.br O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sinalizou nesta terça-feira que pode adotar a política de premiar os estados e municípios que optarem por medidas que melhorem a gestão do SUS (Sistema Único de Saúde) e ampliar o atendimento à rede pública. “Premiar quem faz mais e melhor para a população. Essa é a nossa estratégia em qualquer discussão de repasse para estados e municípios e na relação com o setor filantrópico”, disse ele. Desde que assumiu a pasta, Padilha tem declarado que uma de suas prioridades é aprimorar o funcionamento do SUS e de outros órgãos ligados à saúde. Seguindo orientação da presidenta Dilma Rousseff, o ministro tem conversado, por exemplo, com empresários para elaborar um plano de gestão para a Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Na semana passada, ele se reuniu com integrantes do Instituto de Desenvolvimento Gerencial, de consultoria em gestão empresarial, que fará um diagnóstico da Funasa. A estimativa é que o levantamento seja concluído dentro de um mês. O instituto vai analisar ainda o sistema de compras de remédios e equipamentos do ministério. Padilha teve encontro também com o empresário Jorge Gerdau. PT e PMD em atrito Sobre a definição da diretoria da Funasa, alvo de atritos entre o PT e o PMDB, o ministro evitou falar da disputa partidária e reafirmou que seu compromisso é reorganizar a estatal para o cumprimento das metas estabelecidas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A fundação é responsável por levar saneamento básico a cidades com menos de 50 mil habitantes. Em relação à regulamentação da Emenda Constitucional 29, que fixa percentuais de repasse da União, estados e municípios para a saúde, Padilha disse que cabe ao Congresso Nacional “garantir um financiamento estável para a saúde, independente do governo” e definir a fonte de recurso. Redatora: Bárbara Forte http://www.band.com.br/jornalismo/saude/conteudo.asp?ID=100000392933
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