segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
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Brasileiros criam método que detecta paralisia infantil em apenas uma semana
Solução da Fiocruz mistura exame indicado pela OMS com técnicas moleculares
Apesar de a poliomielite ter sido erradicada do Brasil há 16 anos, o esforço de monitoramento sobre a possível reintrodução do vírus permanece. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criou um novo método para a detecção do vírus, misturando o exame indicado como padrão pela OMS (Organização Mundial da Saúde) com técnicas moleculares.
O procedimento diminui o prazo de entrega do resultado de três para uma semana, além de identificar a versão de poliovírus presente na amostra.
"Os poliovírus, conhecidos por causar a poliomielite, são os mais graves dentre os enterovírus, mas a doença é um evento muito raro. De cada mil pessoas infectadas com o vírus selvagem, somente uma ou duas irão desenvolver a doença paralítica. As outras terão sintomas como os de um resfriado comum, e também podem acontecer casos de meningite", explica o pesquisador Edson Elias, chefe do Laboratório de Enterovírus da Fiocruz.
Um dos desafios para a vigilância da doença é justamente a rara manifestação de sintomas mais graves, abrindo espaço para que possa ocorrer a circulação silenciosa do vírus. Situações em que a vacina não é adequada causam ainda mais preocupação, explica Elias.
- Foi observado a partir do ano 2000 que, em ambientes com baixa cobertura vacinal (regiões com baixo índice de vacinação), os vírus atenuados usados na composição da vacina podem sofrer mutações e readquirir o fenótipo neurovirulento, com potencial para causar doença como se fosse um vírus selvagem. No Brasil, não há registro de casos desse tipo, já que a cobertura vacinal é adequada.
A vacina é feita com o vírus vivo atenuado, “enfraquecido”, para que o corpo crie uma defesa contra a infecção e fique “treinado” para combater o vírus, e não haja risco de contrair a doença de verdade.
A técnica desenvolvida pela Fiocruz pode ser aplicada em amostras de fezes ou líquido cefalorraquidiano. Ela já está sendo usada de forma experimental no laboratório da fundação.
No Brasil, o último caso de poliomielite causado por vírus selvagem ocorreu em 1989. O país recebeu o Certificado de Eliminação da Poliomielite em dezembro de 1994. No continente americano, o último caso foi registrado no Peru, em 1991. O processo de erradicação global da poliomielite está adiantado, mas a doença ainda é registrada em países como Índia, Nigéria, Afeganistão e Paquistão.
http://noticias.r7.com/saude/noticias/brasileiros-criam-metodo-que-detecta-paralisia-infantil-em-apenas-uma-semana-20110225.html
Novo antidepressivo impulsiona fusão de farmacêuticas nos EUA
FDA aprovou comercialização do medicamento Viibryd
A banca de advocacia norte-americana Covington & Burling prestará assessoria legal em uma transação bilionária da indústria farmacêutica, nos EUA, depois que um novo medicamento para combater a depressão foi aprovado pelo FDA (a entidade responsável pelo controle de alimentos e medicamentos no país).
A Forest Laboratories anunciou, nesta semana, que vai comprar a concorrente Clinical Data, visando o potencial de lucro com o lançamento do novo andidepressivo Viibryd, pela rival. O medicamento foi recentemente aprovado pelas autoridades dos EUA que regulamentam o setor. O valor da aquisição será de US$ 1,2 bilhão.
A Forest irá pagar US$ 30 por ação da companhia e mais US$ 6 por ação em custos adicionais, valores calculados com base em vendas futuras do Viibryd. As ações da Clinical Data dispararam na bolsa de valores, em janeiro, quando a aprovação do novo antidepressivo pela FDA foi anunciada.
Fundada em Washington D.C, em 1919, pelo juiz aposentado J. Harry Convington e o sócio Edward B. Burling., a banca Convington & Burlington é hoje uma das mais importantes dos EUA, com escritórios na Europa e Ásia. Na compra da Clinical Data pela Forest, a coordenação dos trabalhos de consultoria jurídica do lado da compradora estarão a cargo de um dos principais sócios da Convington & Burlington, Andrew Ment, e dos colegas Michael Labson (que cuidará da legislação referente às normas do FDA) e Michael Francese (que fica com as questões trabalhistas que envolvem a aquisição).
Para a venda, a Clinical Data contratou a banca californiana Cooley, também com quase 100 anos de experiência e atuação em outros países. Na equipe da Cooley que irá coordenar a venda da Clinical Data, estão advogados especialistas em aquisições, tributos, legislação antitruste e em remuneração e benefícios de altos executivos.
Forest Laboratories é uma das gigantes no mercado de medicamentos psiquiátricos nos EUA, responsável pela comercialização dos antidepressivos Lexapro e Celexa e pela droga que combate o mal de Alzheimer, Namenda. Os produtos da companhia têm enfrentado enorme concorrência de uma série de medicamentos genéricos, disponíveis ao público por preços menores.
De acordo com a agência de notícias Reuters , aquisições como esta tornaram-se uma estratégia recorrente na indústria farmacêutica, que tem de lidar com questões de quebra de patentes. Companhias como a Forest estão sempre em busca de novos produtos para compensar a queda de lucro com medicamentos previstos para perder o registro de patente.
O antidepressivo Lexapro, sucesso de vendas da Forest, tem a quebra de patente prevista para o primeiro semestre de 2012, enquanto que o Namenda, para 2015.
http://noticias.r7.com/saude/noticias/novo-antidepressivo-impulsiona-fusao-de-farmaceuticas-nos-eua-20110227.html
Brasil realiza 1º transplante de artéria
Ex-fumante, paciente de 56 anos com aterosclerose na perna corria o risco de perder o membro; cirurgia inédita foi feita no hospital da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com vaso de um doador morto de 17 anos; recuperação ocorreu em dez dias
O aposentado Hamilton Bispo da Conceição, de 56 anos, foi o primeiro brasileiro a ser submetido a um transplante de artéria de doador falecido para evitar a amputação de sua perna direita - comprometida pela aterosclerose.
A cirurgia, inédita no Brasil, foi realizada no Hospital São Paulo no final do mês de janeiro. "Depois de dez dias, o paciente saiu do hospital totalmente recuperado, sem dor e andando", afirmou José Carlos Baptista Silva, responsável pelo transplante.
Antes do transplante, Conceição já não podia mais andar. Por causa da doença, passou os últimos meses tomando analgésicos potentes e dormindo sentado, com a perna levemente inclinada, para tentar aliviar a dor. "Queimava por dentro", diz.
A doença atingiu sua perna direita, obstruiu quase completamente a principal artéria (femoral) e, por consequência, provocou a má circulação. A saída para o problema seria amputar a perna do joelho para baixo.
Histórico. Conceição é ex-fumante e possui insuficiência renal crônica. Durante anos se submeteu à sessões de hemodiálise. Em estado terminal, passou por um transplante de rim há dois anos. A função renal foi restabelecida, mas a doença passou a dar sinais em outros locais.
Os sintomas da aterosclerose começaram com dificuldade para caminhar e dor na perna. A piora foi progressiva e, em seis meses, Conceição já não caminhava nem dormia por causa da dor. O quadro era ruim: a obstrução era tão grande, que só uma cirurgia de revascularização melhoraria a circulação. Caso contrário, a amputação seria a única solução.
O problema é que as condições clínicas de Conceição não o ajudavam: ele não tinha mais a veia safena - normalmente usada em cirurgias de revascularização do coração - porque ele a retirou na época da hemodiálise. Também não podia se submeter a uma cirurgia com prótese plástica. "Como ele já era transplantado e toma medicamentos imunossupressores (que diminuem a imunidade), o risco de ele ter uma infecção e piorar o quadro era muito grande", diz o médico.
Outra alternativa seria dilatar a obstrução com um cateter, mas isso também não foi possível porque o local estava muito calcificado. "Tentamos todas as possibilidades de tratamento que existem, mas não deu certo. A solução drástica seria amputar a perna do paciente. Por isso, pensamos que o transplante seria uma boa alternativa", diz.
A equipe entrou em contato com a Central de Transplantes do Estado, que localizou o doador - um menino de 17 anos. Conceição comemorou o encontro do doador e não temeu os riscos da cirurgia. "Meu medo era perder a perna e ficar preso a uma cadeira de rodas para sempre."
Indicação restrita. Segundo Silva, esse tipo de transplante é feito em outros países, mas com indicação restrita. Ele diz que a cirurgia não depende apenas de técnica, mas da fase da doença.
"Não é todo mundo que tem aterosclerose nas pernas que vai se beneficiar. Não é o fim da amputação", pondera. "Mas, com esse transplante, conseguimos abrir uma porta importante para que outros doentes, na mesma situação, sejam beneficiados."
Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), diz que o transplante de vasos é raro porque, em geral, a artéria do paciente está doente por inteiro, o que inviabiliza a cirurgia. "A situação tem de ser muito favorável para dar certo", diz.
No caso de Conceição, tanto deu certo que ele saiu do hospital dez dias depois do transplante, sem dor e andando. Voltou a dormir deitado em companhia da mulher, a noite toda. "Coisa rara de acontecer. Foi um alívio", diz o aposentado.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110228/not_imp685388,0.php
Cientistas testam fungo contra malária
Dois genes inseridos no fungo - um que produz um anticorpo e o outro, uma toxina de escorpião - mataram o causador da doença
Um fungo transgênico é a mais nova arma contra a malária. Pesquisadores inseriram dois genes no fungo Metarhizium anisopliae, que infecta insetos. Um deles produz um anticorpo e o outro, uma toxina obtida de escorpiões. As duas substâncias matam o microrganismo causador da malária. A ideia é infectar mosquitos com o fungo, eliminando o parasita dentro do inseto.
A equipe de cientistas de universidades britânicas e americanas inclui o brasileiro Marcelo Jacob-Lorena, da Escola de Saúde Pública John Hopkins, nos EUA. Um estudo publicado no último número da revista Science analisa a eficácia da técnica.
Os cientistas estudaram três grupos de mosquitos Anopheles portadores do Plasmodium falciparum, um dos protozoários que causam malária. O primeiro grupo foi exposto ao fungo transgênico. O segundo foi infectado pelo mesmo fungo, mas em sua condição natural, sem os dois genes antimalária. O terceiro serviu como controle, sendo poupado do contato com o fungo.
Apenas 25% dos mosquitos infectados pelo fungo transgênico apresentaram protozoários nas suas glândulas salivares. O mesmo porcentual, em insetos expostos ao fungo comum, foi de 87% e no grupo controle, 94%.
Mesmo nos 25% de mosquitos que ainda portavam o protozoário, houve redução de 95% no número de parasitos encontrados nas glândulas salivares em comparação com a mesma contagem nos insetos expostos ao fungo comum. "Nosso principal objetivo é iniciar os testes em campo na África o mais rápido possível", diz o coordenador da pesquisa, Raymond St. Leger, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
O fungo Metarhizium anisopliae já é usado para o controle de pragas, pois há cepas extremamente letais para os insetos. No estudo contra a malária, porém, os pesquisadores escolheram cepas de fungos toleradas pelos mosquitos, pois o objetivo era matar os microrganismos causadores da doença e não os insetos.
Elói Garcia, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz), elogia a estratégia. "Os insetos adquirem rapidamente resistência aos inseticidas e aos métodos de controle biológico", explica. "É praticamente impossível eliminá-los em seu hábitat natural. Muito mais inteligente é fazer com que eles não carreguem o protozoário da malária."
No Brasil. Garcia relata que a Fiocruz também tem pesquisado uma abordagem semelhante para eliminar o Trypanosoma cruzi, microrganismo causador da doença de Chagas, dentro de barbeiros, inseto que atua como vetor da doença.
Mas, em vez de fungos transgênicos, os brasileiros utilizam bactérias. "Há várias bactérias capazes de matar o T. cruzi", explica o pesquisador da Fiocruz. "Não utilizamos organismos transgênicos, pois exigem um esforço muito maior para obter as autorizações sanitárias."
Os cientistas percebiam que alguns insetos não portavam o T. cruzi, mesmo após se alimentarem com sangue infectado pelo parasita. Levantaram a hipótese da presença de outros microrganismos que matariam o protozoário da doença de Chagas no sistema digestivo do barbeiro. Descobriram algumas bactérias, como a Serratia marcescens.
"Esses microrganismos poderiam ser aplicados misturados a um tipo especial de tinta nas paredes das casas", cogita Garcia. "Assim, as bactérias entrariam no inseto quando ele caminhasse pelas paredes da casa."
Óleo. No início da semana, pesquisadores holandeses divulgaram uma forma bastante eficaz de espalhar os esporos - estruturas que funcionam como sementes - do fungo M. anisopliae no ambiente: misturar os esporos a um óleo sintético chamado ShellSol T. Depois, bastaria lançar o óleo com os esporos na água onde vivem as larvas do mosquito.
Os holandeses utilizaram uma cepa do fungo letal para os insetos. Em um teste realizado no Quênia e descrito na revista científica Parasites and Vectors, os pesquisadores mostraram que a técnica aumenta em até 50% a mortalidade das larvas do mosquito.
SOBRE A DOENÇA
O que é
A malária é uma doença infecciosa febril aguda. Os agentes causadores são os protozoários do gênero Plasmodium. Os microrganismos são transmitidos por mosquitos do gênero Anopheles. Há remédios eficazes contra a doença.
Principais sintomas
Dor de cabeça, dor no corpo, fraqueza, febre alta e calafrios. Em geral, esse quadro é acompanhado por dor abdominal, nas costas, tontura e náusea.
Dados da epidemia
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há 300 milhões de novos casos da doença no mundo todos os anos, responsáveis por cerca de 800 mil mortes. No período de 1999 a 2008 houve uma redução gradativa do número de casos de malária na Amazônia, com média de 496 mil por ano.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110225/not_imp684363,0.php
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