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domingo, 29 de maio de 2011

Nova tecnologia pode ajudar em problemas neurológicos

Optogenia controla circuitos cerebrais específicos, e com isso, traz novas terapias contra ansiedade, Parkinson, entre outros

Foto: The New York Times
Cobaia durante experiência com aparelho optogenético: terapia localizada ajuda com ansiedade

O tratamento contra ansiedade já não exige anos de comprimidos ou psicoterapia. Pelo menos não para um grupo de ratos modificados pela bioengenharia.

Num estudo recentemente publicado na revista Nature, uma equipe de neurocientistas transformou essas amedrontadas presas em exploradores audazes – com o toque de um botão.

O grupo, liderado por Karl Deisseroth, psiquiatra e pesquisador em Stanford, empregou uma nova tecnologia, chamada optogenética, para controlar a atividade elétrica em alguns neurônios cuidadosamente selecionados.

Primeiro, eles projetaram esses neurônios para serem sensíveis à luz. Então, usando fibras óticas implantadas, eles piscaram uma luz azul numa via neural específica na amígdala cerebelosa, região do cérebro envolvida no processamento de emoções. E os ratos, que vinham se limitando aos cantos de seu confinamento, saíram em disparada pelo espaço aberto.

Embora tais ferramentas estejam bem longe de qualquer uso em humanos, cientistas afirmam que a pesquisa optogenética é emocionante por lhes oferecer um controle extraordinário sobre circuitos específicos do cérebro – e, com isso, novas percepções sobre uma série de doenças, entre elas a ansiedade e o mal de Parkinson.

Deisseroth reconheceu que ratos são muito diferentes de humanos. Mas acrescentou que, como “o cérebro mamífero possui notáveis semelhanças entre espécies”, as descobertas podem levar a um maior entendimento dos mecanismos neurais da ansiedade humana.

David Barlow, fundador do Centro de Ansiedade e Doenças Relacionadas da Universidade de Boston, adverte contra levar a analogia longe demais: “Tenho certeza de que os pesquisadores concordariam que essas síndromes complexas não podem ser reduzidas à ativação de um único circuito neural, sem considerar outros circuitos cerebrais importantes – incluindo aqueles envolvidos no pensamento e na avaliação”.

Mas uma visão mais profunda surgiu de um experimento de acompanhamento, onde a equipe de Deisseroth aplicou seu feixe de luz de forma um pouco mais ampla, ativando mais vias na amídala. Isso apagou inteiramente o efeito, deixando os ratos mais assustadiços do que nunca.

Isso implica que os atuais tratamentos com remédios, que são bem menos específicos e costumam causar efeitos colaterais, também poderiam estar trabalhando contra eles mesmos.

David Anderson, professor de biologia do Instituto de Tecnologia da Califórnia que também conduz pesquisas usando a optogenética, compara os efeitos das drogas a uma troca de óleo descuidada. Se você jogar um galão de óleo no motor de seu carro, parte dele irá escoar ao lugar certo, mas a maior parte acabará fazendo mais mal do que bem.

“Transtornos psiquiátricos provavelmente não se devem apenas a desequilíbrios químicos no cérebro”, afirmou Anderson. “Eles são mais do que uma enorme sacola de serotonina ou dopamina, cujas concentrações podem ser altas ou baixas demais. Em vez disso, os problemas provavelmente envolvem desarranjos de circuitos específicos, em regiões específicas do cérebro”.

Então a optogenética, que pode focar em circuitos individuais com uma precisão excepcional, pode ser algo promissor ao tratamento psiquiátrico.

Mesmo assim, Deisseroth e outros avisam que pode muitos levar anos até essas ferramentas serem usadas em humanos, se isso acontecer.

Para começar, o procedimento envolve uma bioengenharia que a maioria das pessoas pensaria duas vezes a respeito. Primeiro, biólogos identificam uma opsina, proteína encontrada em organismos fotossensíveis, como algas, que lhes permite detectar a luz. Depois, eles pescam o gene da opsina e o inserem num neurônio dentro do cérebro, usando vírus modificados para serem inofensivos – ou “seringas moleculares descartáveis”, como define Anderson.

Ali, o DNA da opsina se torna parte do material genético da célula e as proteínas resultantes da opsina conduzem correntes elétricas – a linguagem do cérebro – quando expostas à luz. Algumas opsinas, como a “channelrhodopsin”, que reage à luz azul, ativa neurônios; outras, como a “halorhodopsin”, ativada por luzes amarelas, silenciam neurônios.

Finalmente, pesquisadores delicadamente inserem fibras óticas através de camadas de tecido nervoso, e aplicam a luz apenas ao ponto certo.

Graças à optogenética, neurocientistas podem ir além de observar correlações entre a atividade dos neurônios e o comportamento de um animal: ativando ou desativando certos neurônios, eles podem provar que aqueles neurônios efetivamente comandam o comportamento.

“Às vezes, antes de palestras, as pessoas me perguntam sobre minhas ferramentas de 'imagens”', disse Deisseroth, psiquiatra praticante de 39 anos. Sua insatisfação pessoal com os atuais tratamentos o levou a montar um laboratório de pesquisa, em 2004, para desenvolver e aplicar tecnologias de optogenética.

‘`Eu digo: ’Curiosamente, uso o exato oposto das imagens, que é a observação.

Não estamos usando a luz para observar eventos. Estamos enviando luz para causar eventos’''.

Em experimentos iniciais, cientistas fizeram com que vermes parassem de se mexer e ratos ficarem correndo em círculos, como se tivessem um controle remoto.

Agora que a técnica recebeu seus louros, laboratórios do mundo todo começaram a usá-la para compreender melhor o funcionamento do sistema nervoso e para estudar problemas como dores crônicas, mal de Parkinson e degeneração da retina.

Algumas das percepções obtidas com esses experimentos em laboratório já estão abrindo caminho à prática clínica.

O Dr. Amit Etkin, psiquiatra e pesquisador de Stanford que colabora com Deisseroth, está tentando traduzir as descobertas sobre ansiedade em roedores para aprimorar a terapia humana com ferramentas existentes. Usando a simulação magnética transcraniana, técnica muito menos específica que a optogenética mas com a vantagem de não ser invasiva, Etkin busca ativar o correspondente humano dos circuitos da amídala que reduziram a ansiedade nos ratos de Deisseroth.

O Dr. Jamie Henderson, seu colega no departamento de neurocirurgia, já tratou mais de 600 pacientes de Parkinson usando um procedimento padrão chamado estimulação cerebral profunda. O tratamento, que requer o implante de eletrodos de metal numa região do cérebro chamada núcleo subtalâmico, melhora a coordenação e ajusta o controle motor. Mas também causa efeitos colaterais, como contrações musculares involuntárias e vertigens, talvez porque ativar eletrodos no interior do cérebro também ativa circuitos alheios.

“Se pudéssemos descobrir como ativar apenas os circuitos que oferecem benefícios terapêuticos sem mexer naqueles que causam os efeitos colaterais, obviamente seria algo bastante útil”, disse Henderson.

Além disso, como ocorre em qualquer cirurgia invasiva do cérebro, implantar eletrodos traz riscos de infecção e hemorragia fatal. E se, em vez disso, você pudesse estimular a superfície cerebral? Uma nova teoria sobre o grau em que essa estimulação afeta os sintomas de Parkinson, baseada no trabalho de optogenética em roedores, sugere que isso poderia funcionar.

Recentemente, Henderson iniciou testes clínicos em pacientes humanos e espera que essa abordagem também possa tratar outros problemas associados ao Parkinson, como distúrbios de fala.

No prédio ao lado, Krishna V. Shenoy, pesquisador em neurociência, está trazendo a optogenética para trabalhar com primatas. Estendendo o sucesso de uma iniciativa similar, conduzida por um grupo do MIT dirigido por Robert Desimone e Edward S. Boyden, ele recentemente inseriu opsinas no cérebro de macacos rhesus. Eles não apresentaram efeitos nocivos dos vírus ou das fibras óticas e a equipe conseguiu controlar neurônios selecionados usando a luz.

Segundo Shenoy, que integra um empenho internacional financiado pela Defense Advanced Research Projects Agency, a optogenética promete novos dispositivos que poderiam, eventualmente, tratar lesões cerebrais traumáticas e equipar veteranos de guerra feridos com próteses neurais.

“Os sistemas atuais podem mover um braço prostético até um copo; porém, sem uma sensação artificial do toque, é muito difícil pegar esse copo sem derrubá-lo ou estilhaçá-lo”, afirmou ele. “Ao enviar informações de sensores nos dedos prostéticos diretamente ao cérebro – usando a optogenética _, seria possível, em teoria, proporcionar uma sensação artificial de tato com alta fidelidade”.

Alguns pesquisadores já estão imaginando como os tratamentos de optogenética poderiam ser usados diretamente em pessoas, caso o desafio biomédico de entregar novos genes aos pacientes possa ser superado.

Boyden, que participou do desenvolvimento inicial da optogenética, administra um laboratório dedicado a criar e disseminar ferramentas cada vez mais poderosas. Ele declarou que a luz, diferente de drogas e eletrodos, pode ativar neurônios – ou, como ele mesmo coloca, “desligar um circuito inteiro”. E desligar circuitos superexcitáveis é exatamente o que você gostaria de fazer com um cérebro epilético.

“Se você quer desligar um circuito cerebral, e a alternativa é uma remoção cirúrgica de uma região do cérebro, implantes de fibra ótica podem parecer preferíveis”, explicou Boyden. Vários laboratórios estão trabalhando no problema, mesmo que as aplicações reais ainda pareçam distantes.

Para Deisseroth, que trata pacientes com autismo e depressão, a optogenética oferece uma promessa mais imediata: abrandar o estigma enfrentado por pessoas com doenças mentais, cuja aparência de saúde física pode gerar incompreensão junto a familiares, amigos e médicos. “Para nós como sociedade, simplesmente entender que alguém com ansiedade possui uma diferença de circuito conhecida ou passível de ser conhecida já é incrivelmente valioso”, disse.

Dez mortos na Alemanha após contaminação de pepinos espanhóis

O número de mortos que devem estar vinculados à bactéria Escherichia coli, supostamente detectada em pepinos espanhóis e que continua propagando-se na Alemanha, subiu para 10, após quatro novas mortes terem sido registradas neste sábado no norte do país.


No entanto, o Instituto Robert Koch (RKI), órgão federal encarregado do controle sanitário e da luta contra as doenças, e que faz a contagem oficial de doentes e vítimas, não atualizou suas cifras neste sábado, que continuam sendo de duas mortes diretamente ligadas à bactéria.

Quatro mortes foram anunciadas na sexta-feira, atribuídas pelas autoridades regionais à bactéria, mas sem confirmação do RKI. Com as quatro mortes deste sábado, o número de potenciais vítimas subiria para 10.

As vítimas contabilizadas neste sábado são quatro mulheres, três octogenárias e uma de cerca de 30 anos. Apenas uma do total de vítimas é homem.

As análises para estabelecer com certeza a causa das mortes ainda devem levar vários dias. Muitas vezes, mortes atribuídas inicialmente a transtornos digestivos e renais graves se revelaram finalmente sem vínculo direto com esta bactéria.

A Escherichia coli é transmitida ao homem pelo consumo de alimentos contaminados, como carne crua, leite e verduras. Pode provocar diarreias simples ou hemorrágicas, e inclusive transtornos renais graves ou mortais.

O fato de o número de pacientes que apresentam sintomas graves não deixar de crescer leva as autoridades a pensar que o foco de infecção continua ativo, indicaram os especialistas.

Especialista esclarece mitos e verdades sobre benefícios do vinho para a saúde

Algumas pessoas não resistem a um bom vinho durante as refeições, em reuniões com os amigos e principalmente em ocasiões especiais. Além dos bons momentos que ele proporciona, o vinho se torna ainda mais prazeroso por ser conhecido como um aliado da saúde. Mas entre tantas qualidades, você sabe o que realmente é verdade?


O médico e especialista em vinhos Jairo Monson de Souza Filho esclarece ao eBand os mitos e verdades sobre a influência do vinho para a nossa saúde.

O vinho realmente faz bem para a saúde?
Verdade. O vinho é hoje, sem dúvida, entre todas as bebidas, a mais favorável à saúde. Isso se bebido regularmente junto com as refeições, com moderação e por quem não tem contraindicação à ingestão de bebidas alcoólicas.

Os polifenóis - componentes naturais encontrados na casca e na semente da uva - possuem importante ação antibiótica, efeito antioxidante, ajudam a prevenir a formação de placas de gordura nas artérias, reduzem o colesterol ruim (LDL) e aumentam o chamado colesterol bom ( HDL).

Além disso, junto com a dose baixa de álcool, os polifenóis são os grandes responsáveis pelos benefícios do vinho para a saúde.

Vinho tinto é melhor que o vinho branco para a saúde?
Verdade. Os vinhos tintos (que são fermentados na presença da uva) têm cerca de 10 vezes mais polifenóis que os vinhos brancos. É por isso que os tintos, como regra, têm mais virtudes para a saúde e reduzem em 36% as chances de desenvolvimento de algum problema cardiovascular.

O vinho é benéfico somente para o coração?
Mito. A ingestão moderada de bebidas alcoólicas, sobretudo de vinho, diminui as doenças cardíacas e circulatórias e as mortes por estas causas entre 40 e 60%. Mas estudos também associam o vinho a possíveis efeitos benéficos para evitar doenças respiratórias, cerebrais, digestivas e urinárias, além de anemia, diabetes e problemas nos ossos e na visão.

O álcool existente no vinho também faz bem?
Mito. No vinho já se identificaram cerca de 1.000 substâncias e a única que reconhecidamente pode ser danosa ao organismo é ele. O álcool é o problema do vinho. Ele quando ingerido em quantidade superior à que o organismo pode metabolizar é tóxico, principalmente para o fígado, cérebro e coração.

Suco de uva tem os mesmos benefícios para a saúde que o vinho?
Mito. Imagine agora uma taça com suco de uva e outra com vinho com a mesma quantia de polifenóis. Teremos mais benefícios bebendo o vinho porque, na presença do álcool, o organismo absorve mais os polifenóis.

O vinho ajuda na prevenção do câncer?
Verdade. As pessoas que têm o hábito regular de beber vinho moderadamente junto com as
refeições têm 20% menos chance de desenvolver câncer de qualquer tipo. E essa proteção se deve aos polifenóis que agem bloqueando tanto o início como o crescimento e disseminação da doença.

A quantidade ideal de consumo para cada pessoa é a mesma?
Mito. Pode-se responder de duas maneiras a essa pergunta. Primeiro, a quantia depende da capacidade de cada organismo de metabolizar o álcool. Segundo, há diferença entre homens e mulheres. Um homem pode consumir até 300 ml de vinho por dia e o recomendado para as mulheres são 200 ml diários, o que equivale a menos de uma taça por dia.

Nova técnica pode dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes

São Paulo – Uma nova técnica desenvolvida no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, poderá dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes. O método permite recuperar órgãos que normalmente seriam descartados e usá-los em pacientes.

“O transplante de pulmão é um transplante onde nós conseguimos apenas uma quantidade pequena de órgãos. De cada 10 doadores não vivos de rim, nós conseguimos aproveitar um pulmão”, disse o chefe de Cirurgia Torácica e Transplante Pulmonar do Incor, Fabio Jatene. Segundo o médico, isso ocorre porque o órgão respiratório se deteriora rapidamente. “O pulmão é um órgão que se infecta com muita facilidade e acumula líquidos com muita facilidade”.

Com o procedimento que foi recentemente aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, vinculada ao Ministério da Saúde, para ser usada em pacientes, Jatene espera que o aproveitamento suba de 10% para 15% e até 20% dos órgãos disponíveis. “A nossa expectativa é quase dobrar [o número de transplantes]”.

Existem hoje 85 pacientes na fila de espera por um pulmão no estado de São Paulo. Jatene disse que no ritmo atual para as cirurgias de transplantes de pulmão, a espera pelo atendimento pode durar três anos. “Anualmente nós perdemos uma quantidade importante de pacientes que não conseguem aguentar um tempo tão longo”.

O médico ressaltou, no entanto, que os pacientes poderão optar por receber um órgão “recondicionado”, ou esperar por um pulmão que esteja naturalmente em boas condições. “Evidentemente que nós vamos informar que o órgão destinado a ele seria um órgão submetido a essa técnica do recondicionamento. Se houver aceitação, será feito [o transplante]”, explicou Jatene.

Vegetais e azeite de oliva diariamente para um coração saudável

Um grupo de pesquisadores italianos descobriu que mulheres que consumiram pelo menos uma porção diária de vegetais folhosos, como salada ou espinafre, apresentaram probabilidade 40% menor de desenvolver doenças cardíacas ao longo de oito anos, comparadas às mulheres que consumiram semanalmente duas porções, ou menos, dos mesmos vegetais.


As mulheres que consumiram diariamente pelo menos três colheres de sopa de azeite de oliva – em saladas, por exemplo – também apresentaram probabilidade 40% mais baixa de desenvolver doenças cardíacas.

Não está bem clara a razão pela qual os vegetais folhosos e o azeite de oliva provavelmente protegem o coração, declarou à Reuters Health o autor do estudo, Domenico Palli, do Instituto de Pesquisa e Prevenção do Câncer de Florença. “É provável que os mecanismos responsáveis pelo efeito protetor dos alimentos de origem vegetal sobre as doenças cardiovasculares estejam relacionados a micronutrientes como o folato, as vitaminas antioxidantes e o potássio – todos eles presentes nos vegetais folhosos”.

O folato reduz os níveis sanguíneos de homocisteína, explicou Palli, o que aparentemente aumenta os riscos de doenças cardiovasculares por prejudicar a camada interior das artérias. Estudos anteriores mostraram que pessoas que consomem mais potássio têm pressão sanguínea mais baixa, o que pode proteger o sistema cardiovascular. O azeite de oliva virgem pode ser especialmente eficaz para diminuir os riscos de doenças cardíacas por conter altos índices de componentes vegetais antioxidantes, complementou o especialista.

Dieta mediterrânea

Este não foi o primeiro estudo a relacionar o azeite de oliva ou os vegetais à saúde do coração. O mais famoso deles mostrou que a dieta mediterrânea tradicional – rica em vegetais e gorduras monoinsaturadas do azeite de oliva e das castanhas, mas baixa em gorduras saturadas das carnes e laticínios – foi relacionada a riscos mais baixos de doenças cardíacas.


A alimentação ao estilo mediterrâneo também foi creditada a riscos mais baixos de desenvolver alguns tipos de câncer, diabetes e, mais recentemente, à desaceleração do envelhecimento cerebral (Vide matéria da Reuters Health de 29 de dezembro de 2010).

As doenças cardiovasculares são um grande vilão, responsável por 30% das mortes em todo o mundo e principal causa da morte de homens e mulheres nos Estados Unidos.

O estudo

Para analisar com mais detalhes o papel dos alimentos na proteção contra as doenças cardíacas, Palli e seus colegas revisaram dados sobre alimentação, coletados de aproximadamente 30.000 italianas participantes de um amplo estudo nacional sobre a saúde. Durante oito anos os pesquisadores acompanharam as participantes, que tinham em média 50 anos no início do estudo, para observar o desenvolvimento de doenças cardíacas.

Durante aquele período, as mulheres apresentaram 144 casos de doenças cardíacas graves, como infarto e cirurgia de bypass, relataram os autores do estudo ao American Journal of Clinical Nutrition.
As mulheres que consumiram pelo menos uma porção diária (cerca de 56 gramas) de vegetais folhosos – como o alface ou a endívia crus, ou ainda folhas cozidas de espinafre ou couve – apresentaram riscos 46% mais baixos de desenvolver doenças cardíacas do que as mulheres que consumiram no máximo duas porções semanais.

O consumo de pelo menos 28 gramas de azeite de oliva por dia diminuiu o risco destas mulheres em 44%, comparadas às que consumiram 14 gramas ou menos diariamente, constataram os autores do estudo.

O consumo de outros tipos de legumes, como os tubérculos e o repolho, assim como de tomates e frutas, aparentemente não teve relação com o risco das mulheres desenvolverem casos graves de problemas cardíacos.

Palli ressaltou em um email que outra questão do estudo é que as mulheres tiveram de relatar a quantidade de diversos alimentos que consumiam, e pode ser que algumas delas não tenham se lembrado exatamente do que comeram, ou ainda podem ter mudado seus hábitos alimentares durante o estudo. Além disso, muitas vezes as pessoas superestimam seus comportamentos em relação à saúde, acreditando que têm uma alimentação melhor do que na verdade têm.