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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Bebê achado vivo em funerária volta a UTI, mas morre

Um bebê prematuro que já havia sido dado como morto, mas retornou da funerária para o hospital após chorar, não resistiu e morreu nesta madrugada. A menina, que nasceu após seis meses de gestação, estava internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberlândia, mas teve falência múltipla de órgãos durante a madrugada.

A criança foi declarada morta pouco após nascer na Santa Casa de Araxá, na região do Alto Paranaíba, em Minas, na tarde de ontem, e foi encaminhada para uma funerária. Porém, quando o corpo era preparado para o enterro, a criança começou a chorar e foi encaminhada novamente para o hospital.

No entanto, a criança tinha dificuldade para respirar e, como a Santa Casa de Araxá não tem UTI neonatal, a menina teve que ser transferida para Uberlândia. Mesmo com cuidados especializados, o bebê, filho de uma adolescente de 14 anos, não resistiu. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML) da cidade.

Fonte Estadão

Estudo diz que dietas fazem células do cérebro se canibalizarem

Pesquisa poderia explicar por que é tão difícil manter resultados de dietas de emagrecimento

BBCUm estudo publicado na revista científica Cell Metabolism pode ajudar a explicar por que é tão difícil seguir uma dieta de emagrecimento.
Segundo a pesquisa, quando se passa fome, os neurônios responsáveis por regular o apetite passam a comer partes deles mesmos.

Os cientistas acreditam que isso aconteceria porque após um período de jejum e o uso emergencial de reservas de gordura, o corpo receberia um sinal de que há uma falta de comida e faria com que as células se alimentassem delas mesmas.

Os experimentos realizados com camundongos em laboratório revelaram que o ato de "autocanibalismo" destas células gera a liberação de ácidos graxos, que por sua vez resulta em níveis mais altos de uma substância química no cérebro (a proteína agouti, AgRP) que estimula o apetite.

Um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador Rajat Singh, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, acredita que remédios que interfiram neste processo de autofagia das células do cérebro poderiam ajudar a tratar a obesidade, fazendo com que as pessoas sintam "menos fome e queimem mais gordura".

Segundo ele, quando a autofagia foi bloqueada nos neurônios dos camundongos, os níveis de AgRP não se elevaram em resposta à fome e os níveis de outro hormônio, o hormônio estimulante dos melanócitos, permaneceram altos. Esta alteração na química do corpo levou os camundongos a ficarem mais magros, já que eles comiam menos após um período de jejum e gastavam mais energia.

Por outro lado, Singh explicou que níveis cronicamente altos de ácidos graxos na corrente sanguínea, como acontece em pessoas com dietas ricas em gordura, podem alterar o metabolismo dos lipídios, "criando um circulo vicioso de superalimentação e equilíbrio de energia alterado."

O estudo também pode ajudar a explicar por que o apetite tende a diminuir com a idade, já que as células de um corpo mais idoso não conseguiriam realizar a autofagia tão bem.

Fonte Estadão

Cirurgiões cardiovasculares ameaçam romper contratos

Falta de reajuste no valor das operações motiva o movimento em 16 Estados; no Rio, a crise está perto de um impasse

Cirurgiões cardiovasculares que operam em hospitais privados e filantrópicos ameaçam rescindir contrato com planos de saúde a partir de 8 de agosto, no Rio. A categoria alega que há oito anos não há reajuste. A suspensão das cirurgias atinge o Bradesco Saúde e Geap, além de planos de autogestão, como Banco Central e Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae).

Em 2010, em movimento semelhante, os cirurgiões ameaçaram deixar de operar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conseguiram reajuste.

"Esses planos pagam muito abaixo do SUS. Alguns chegam a pagar R$ 750 para uma equipe inteira. Minha equipe recebeu pelo procedimento de troca de válvula R$ 459. Isso é pagar para trabalhar", afirmou Ronald Souza Peixoto, presidente da CardioCoop, cooperativa que reúne os cirurgiões que atuam no Estado. As urgências serão atendidas.

Segundo Peixoto, outros planos fecharam acordo, como Assim, Amil, Golden Cross, Unidas (que reúne empresas de autogestão). As negociações com a Unimed avançam.

Outros Estados. Em São Paulo, onde as cirurgias cardiovasculares são realizadas em 42 cidades, as negociações não foram interrompidas. "A maior parte dos convênios quer pagar valores da tabela da Associação Médica Brasileira, de 1990, que foi substituída em 2004 pela Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos", critica Maurício Galantier, presidente da cooperativa de São Paulo.

O presidente da Federação Brasileira das Cooperativas dos Cirurgiões Cardiovasculares, Sidnei Narbeli, informa que o movimento por reajustes atinge 16 Estados. "Na Bahia, suspendemos todos os convênios há oito anos. Alguns renegociaram. Outros esperam que os beneficiários obtenham liminares, porque não têm autonomia para negociar regionalmente, como o Bradesco. Por esse método, há mais burocracia para o paciente, mas a resolução sai em dois ou três dias", afirmou. Segundo Narbeli, os planos ofereceram pagar 30% do que desembolsam quando há determinação judicial.

Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar, que reúne 15 dos maiores grupos de operadoras de planos de saúde, entre eles o Bradesco, afirmou que "suas afiliadas estão entre as que pagam os maiores honorários aos médicos", com reajuste do valor das consultas superior à variação do (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA).

Geap, Caixa de Assistência da Cedae (CAC) e Banco Central informaram que não receberam nenhum tipo de comunicado de paralisação dos cirurgiões cardiovasculares.

Fonte Estadão

Família autorizou retirada, mas órgãos não foram buscados

Parentes de dona de casa que morreu de aneurisma esperaram por horas; governo diz que não houve desperdício
A família do montador Nelson Ribeiro Duarte, que mora em Assis, no interior de São Paulo, não pretende doar órgãos novamente. Eles não tiveram uma boa experiência quando decidiram doar os órgãos da dona de casa Maria Inêz, que morreu aos 55 anos, vítima de um aneurisma.

Após ser constatada a morte cerebral, Nelson e os filhos foram abordados pela central de transplantes e indagados sobre a possibilidade de doação dos órgãos. Como essa era uma vontade de Maria Inêz, não pensaram duas vezes. Assinaram a papelada com a promessa de que viriam buscar os órgãos - incluindo os pulmões e o coração - às 9 horas do dia seguinte.

O problema é que a equipe não chegou. A paciente estava recebendo soro e sangue para manter a irrigação dos órgãos e a família aguardava ansiosa a liberação do corpo para realizar o velório.

"Os médicos disseram que todos os órgãos estavam todos bons. O pessoal da UTI estava inconformado com a demora. Por volta das 14h30, decidimos cancelar a doação", diz Nelson.

Ao avisar sobre o cancelamento, a família soube que uma equipe de Marília faria a retirada dos rins e das córneas, mas que o coração e os pulmões seriam perdidos porque o governo não teria autorizado a liberação de verba para um avião ir buscá-los.

"Ficamos arrasados. Fazem tanta campanha para doação, tem tanta gente precisando e justo os órgãos mais nobres foram descartados", disse Nelson, que não pretende doar novamente.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que não houve "desperdício" de órgãos por falta de transporte, já que existem convênios para transporte terrestre e aéreo e parcerias com a Polícia Militar e a Força Aérea Brasileira.

Segundo a secretaria, os órgãos de Maria Inêz não foram aproveitados porque não tinham condições de serem transplantados por causa do excesso de uso de medicações.

Fonte Estadão

Metade das famílias abordadas ainda se recusa a doar órgãos no Brasil


Para ABTO, que pela primeira vez analisou casos de negativa familiar, número reflete falta de informação dos brasileiros sobre o que é a morte cerebral e despreparo das equipes no momento de abordar parentes

Apesar das inúmeras campanhas de incentivo à doação de órgãos no Brasil, metade das 1.736 famílias abordadas no primeiro semestre deste ano se recusou a efetivar a doação, segundo dados mais recentes da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).  

Segundo a ABTO, o número reforça a importância de programas educacionais para a população e de treinamento para os entrevistadores. Essa é a primeira vez que a associação analisa os casos de negativa familiar levando em consideração o número exato de entrevistas feitas e não o número de potenciais doadores - já que nem todas as famílias chegam a ser consultadas.

Por exemplo: no ano passado, a Bahia registrou 346 potenciais doadores e 107 famílias negaram a doação: 30,9%. Se for considerado o número de entrevistas feitas, o porcentual aumenta. No primeiro semestre de 2011, foram registrados 174 potenciais doadores, mas apenas 102 entrevistas foram feitas. Houve 66 recusas familiares - 64,7%.

O Maranhão é outro exemplo. Em 2010, eram 111 potenciais doadores e 37 negaram a doação, o que gerou 33,3% de recusa. Nos primeiros seis meses de 2011, foram identificados 40 potenciais doadores, mas apenas 14 famílias foram entrevistadas. Dessas, 11 negaram a doação - o que elevou a negativa para 78,6%.

Segundo Ben-Hur Ferraz Neto, a ABTO mudou a forma de avaliar as negativas familiares para não gerar porcentuais falsos. "Às vezes não há tempo hábil para a equipe abordar a família porque o paciente tem uma parada cardíaca antes, o órgão piora ou o paciente tem outra contraindicação. Essa família não pode entrar na estatística", diz.

Ainda segundo Ferraz Neto, esse número de negativas é "aceitável" para o Brasil. Segundo ele, a falta de informação dos familiares sobre o que realmente é a morte cerebral, o despreparo da equipe no momento de abordar a família e até a cultura brasileira são fatores que interferem.


Heder Murari Borba, coordenador nacional da Central de Transplantes do Ministério da Saúde, diz que o número de entrevistas familiares têm aumentado e as negativas oscilam de acordo com o atendimento que a família recebeu enquanto o paciente estava vivo.

"Se a família foi mal atendida durante a internação daquele paciente, isso reflete diretamente na recusa em doar. É um dado subjetivo, que varia muito."

Doador efetivo. Apesar de as negativas familiares ainda serem altas, o número de doadores efetivos atingiu o recorde dos últimos oito anos. Pela primeira vez o Brasil superou a marca de 10 doadores por milhão.

No primeiro semestre deste ano, 983 doadores tiveram seus órgãos transplantados (o que representa 10,3 doadores por milhão de pessoas). No mesmo período de 2010, foram 936 doadores efetivos com órgãos transplantados (9,9 por milhão).

Segundo Borba, a meta é chegar a 15 doadores efetivos com órgãos transplantados por milhão de pessoas. A Espanha, referência no assunto, registra 35 doadores por milhão. "Com capacitação e treinamento, a meta do ministério é dobrar o número absoluto de transplantes até o fim de 2015", afirmou.  

Fonte Estadão