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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Portugal: Medicamento: Poupança da despesa prevista pela Troika é atingida já este ano

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) anunciou hoje que já este ano se vai conseguir poupar mais nas despesas calculadas com medicamentos em ambulatório do que o valor previsto pela Troika até 2013.

“O objetivo de um por cento da despesa pública com medicamentos em ambulatório, previsto pela Troika para 2013, será atingido ainda durante o corrente ano, visto que se prevê, com os dados disponíveis, que o valor dessa despesa se situe pelos 0,93 por cento do PIB (Produto Interno Bruto)”, disse o bastonário José Manuel Silva durante uma conferência de imprensa realizada na OM.

Perante esta previsão, o bastonário defendeu que “não serão necessárias quaisquer medidas adicionais no sector do medicamento que possam colocar em causa a qualidade da saúde”.

Entre as mudanças temidas pela OM está a possibilidade de se alterar a legislação permitindo aos doentes substituir medicamentos prescritos mesmo quando as receitas são trancadas pelos médicos. “Não se pode permitir a substituição selvagem de medicamentos apenas por questões económicas, quando esta é uma situação que pode ser resolvida tendo os medicamentos todos o mesmo preço”, defendeu.

Apesar de saudar o facto de se conseguir já este ano fazer poupanças que se estimava só conseguir atingir em 2013, o bastonário lamentou que o Ministério da Saúde só avançasse agora com medidas propostas pela OM há meio ano por exigência da Troika, constituída pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

Para José Manuel Silva, se as medidas agora exigidas pela Troika tivessem sido aplicadas em fevereiro, quando a Ordem as sugeriu, ter-se-ia poupado “dezenas de milhões de euros”. Entre as propostas, o bastonário lembrou a descida de preços dos medicamentos.

“Não entendemos que haja determinadas medidas que não são aplicadas, quando contam com o apoio da Ordem dos Médicos, preservam a qualidade da medicina portuguesa, são favoráveis aos doentes e permitem poupar centenas de milhões de euros”, criticou o bastonário durante a conferência de imprensa realizada hoje para discutir a prescrição de genéricos.

Para o bastonário, “se as propostas da Ordem tivessem sido implementadas em fevereiro, quando foram propostas pela primeira vez, o Estado e os cidadãos portugueses já teriam poupado dezenas de milhões de euros”.

A OM defende que todos os genéricos com o mesmo princípio ativo e a mesma dosagem sejam marcados pelo preço mais baixo e que o preço seja diminuído dez por cento.

Defende ainda que os medicamentos inovadores desçam para metade do preço quando perdem a patente e que seja o Infarmed (autoridade nacional do medicamento) a tabelar os preços (medidas agora defendidas pela Troika).

Durante a conferência de imprensa, o bastonário referiu ainda desconhecer a realidade relatada hoje pelo Diário de Notícias que indica que foram passados 70 mil atestados médicos em quatro meses a professores. José Manuel Silva disse apenas caso se confirme alguma situação ilegal esta será punida.

Fonte Destak

Portugal: Leite materno durante mais tempo reduz probabilidade de infecção por helicobacter pylori

As crianças alimentadas em exclusivo com leite materno durante mais tempo têm menor probabilidade de contrair a infeção pela bactéria helicobacter pylori, que pode causar cancro do estômago, concluiu um estudo coordenado por Nuno Lunet.

O trabalho “Prevalência e determinantes da infeção por helicobacter pylori no início da vida: resultados de uma coorte de nascimento portuguesa”, de Nuno Lunet, investigador da Faculdade de Medicina do Porto, recebeu hoje o Prémio de investigação científica Dr.ª Maria Odette Ferreira-Santos, atribuído, pela primeira vez, pela Ordem dos Farmacêuticos.

O objetivo foi quantificar a prevalência de infeção por helicobacter pylori em crianças portuguesas com idade entre quatro e cinco anos, e identificar os fatores que contribuem para a ocorrência da infeção no início da vida.

Em declarações à Lusa, Nuno Lunet explicou que cerca de 26 por cento das 1.100 crianças entre os quatro e os cinco anos envolvidas no estudo estavam infetadas pela bactéria e concluiu também que a prevalência é maior em crianças que desde muito cedo frequentam infantários.

“A frequência da infeção é elevada e isso faz-nos prever que nesta geração o cancro do estômago continue a ser um problema de saúde pública importante no nosso país”, afirmou o investigador, referindo que a transmissão da bactéria ocorre, sobretudo, por via fecal-oral.

Por outro lado, salientou Nuno Lunet, “ao identificar-se os fatores, que são modificáveis, associados à ocorrência da infeção, pode-se constituir a base para medidas que contribuam para controlar a ocorrência da infeção nas crianças”.

Em Portugal, cerca de 70 por cento da população adulta está infetada, sendo na maior parte dos casos a infeção adquirida na infância. Cerca de 90 por cento das úlceras duodenais e 70 por cento das úlceras do estômago estão relacionadas com a helicobacter pylori.

O estudo agora premiado “é uma pequena parte de uma investigação de maior dimensão”, que é o projeto Geração XXI, o primeiro estudo do seu tipo alguma vez realizado em Portugal, que reuniu uma amostra de cerca de 8.500 recém-nascidos nos hospitais públicos com maternidade, da grande área metropolitana do Porto (S. João, Santo António, Pedro Hispano, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Maternidade Júlio Dinis), entre abril de 2005 e agosto de 2006.

Este projeto foi criado com a finalidade de identificar características da gravidez e das fases precoces da infância que se relacionem com o desenvolvimento e estado de saúde em fases subsequentes da vida.

As avaliações do projeto Geração XXI, atual e futuras, poderão ser encaradas como linhas de monitorização do estado de saúde e dos seus determinantes nas crianças portuguesas e desta forma ter um importante papel no planeamento de estratégias de intervenção sanitária, funcionando mesmo como observatório de saúde.

O prémio Dr.ª Maria Odette Ferreira-Santos, no valor de dez mil euros, atribuído pela Ordem dos Farmacêuticos, visa promover a investigação científica do domínio da saúde pública.

A entrega do galardão decorreu durante a sessão solene do Dia do Farmacêutico, que se realizou hoje no Porto.

Fonte Destak

Portugal: 40% dos portugueses admitem cortar no orçamento familiar para poderem comprar medicamentos

Quatro em cada dez portugueses admitem fazer cortes no orçamento familiar para poderem comprar medicamentos em resultado do novo regime de comparticipação dos fármacos, revela o barómetro “Os portugueses e a saúde”, que será divulgado na terça-feira.

O número de portugueses que admite estar a fazer cortes no orçamento devido ao novo regime de comparticipação do medicamento aumentou, no decorrer do último semestre, cerca de oito pontos percentuais (de 39,7 para 47,8 por cento), indica o barómetro bianual BOP Health - “Os Portugueses e a Saúde”.

Relativamente a cortes na compra de medicamentos, o crescimento registado foi ainda mais efetivo, tendo passado de 4,5% para 14,5%.

O regime especial de comparticipação de medicamentos entrou em vigor em agosto de 2010 e estabeleceu que a comparticipação de 100% fosse reduzida para 95%, enquanto se baixou de 95 para 90% a comparticipação do escalão A do regime geral.

Segundo o estudo, 1,2 milhões de portugueses afirmam mesmo que tais cortes implicarão deixar na farmácia alguns dos medicamentos necessários, sendo a população idosa, não ativa, com níveis de instrução mais baixos e residente na zona sul e nas ilhas a mais atingida com tal medida.

A maioria dos inquiridos que admite cortar noutros tipos de despesas para poderem continuar a comprar os fármacos que necessitam está a fazê-lo essencialmente em despesas relacionadas com vestuário e atividades de lazer e bem-estar, enquanto 40% refere cortes em bens alimentares

Em declarações à agência Lusa, Paulo Moreira, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), afirma que “as consequências deste fenómeno podem ser bastante negativas a vários níveis”, principalmente nos doentes crónicos.

“A questão torna-se bastante problemática nos doentes crónicos que têm necessariamente de ter um regime terapêutico continuado e parece que, de facto, também eles põem a hipótese de ter que deixar de comprar alguns medicamentos”, sustentou.

A estratégia dos portugueses para poupar passa também por uma aposta no consumo de genéricos, que tem vindo a registar um crescimento significativo. “No primeiro semestre de 2011, quase 85% da população adulta portuguesa tinha já experimentado este tipo de fármacos. Tal, representa um crescimento de quase 20 pontos percentuais no consumo deste tipo de medicamentos face a período homólogo do ano anterior”, refere o barómetro.

Paulo Moreira, que irá fazer a apresentação do estudo, em Lisboa, adianta que são os mais jovens, “com maior literacia e maior grau de instrução”, que manifestam mais confiança nos genéricos, ao contrário dos idosos com pouca instrução.

“Há uma parte razoável que afirma que não consumiu genéricos porque o médico se recusou a prescrevê-los. Este é um fenómeno curioso que merece ser estudado de uma forma mais aprofundada”, observa.

O estudo indica também que perto de um quarto dos inquiridos (23,5%) está “pouco ou nada” satisfeito com o sistema de saúde em Portugal, sendo o setor público quem reúne mais críticas. Apenas 37,1% dos portugueses apresentam um grau de satisfação elevado com os hospitais públicos, enquanto este valor ascende aos 68,9% em relação aos privados.

Apesar de a maior parte dos inquiridos mostrar maior satisfação com o setor privado, só dois milhões de portugueses têm um seguro de saúde.

O estudo, que decorreu em julho, envolveu a população portuguesa com mais de 18 anos, residente no Continente, tendo sido a amostra de 645 questionários, que foram realizados telefonicamente. O intervalo de confiança é de 95% para uma margem de erro de cerca de 4,0%.

Fonte Desyak

Portugal: Médica passou 413 atestados

A médica Maria Cristina Quedas Franco passou 413 baixas a professores de escolas públicas, entre Outubro de 2010 e Janeiro de 2011. A médica integra uma lista de 11 700 clínicos que passaram atestados a 70 mil professores. Muitas destas baixas estão a ser investigadas pelas inspecções da Saúde e da Educação e pelo Ministério Público por suspeita de fraude. Em declarações ao CM, Cristina Franco admite a possibilidade de ter passado os 413 atestados. Explica, porém, que "há muitos colegas sem acordo com a ADSE que me pedem para justificar as faltas dos seus doentes".

 
Cristina Franco é directora clínica na Clínica Médica de Benavente, mas também dá consultas na Clínica Médica Fisiátrica da Piedade, na Póvoa de Santa Iria. Trabalhava no Centro de Saúde de Alenquer quando, em Abril de 2007, iniciou uma licença sem vencimento de longa duração. Durante os quatro meses investigados, passou atestados a professores de oito localidades, o que levantou suspeitas.

Na origem da investigação está uma queixa da ex-ministra da Educação Isabel Alçada, que estranhou o elevado número de professores de substituição no ano lectivo passado. O actual ministro, Nuno Crato, considera a situação "preocupante".

FOnte Correio da Manhã

Portugal: Ministério da Saúde faz “má gestão dos dinheiros públicos”

Mais de um terço dos portugueses inquiridos num estudo considera que o Ministério da Saúde (MS) faz "uma má gestão dos dinheiros públicos", enquanto 20% aceita a ideia de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) pago e não universal.

O barómetro "Os Portugueses e a Saúde", cujos resultados são divulgados esta terça-feira em Lisboa, refere que, face aos resultados do último semestre de 2010, os portugueses permanecem "muito críticos relativamente à gestão que o MS faz dos dinheiros públicos", com 34,7% a apontar mesmo uma "má gestão".

Por outro lado, indica, existe "uma franja significativa da população portuguesa (cerca de 20%) que aceita a ideia de um SNS pago e não universal" e 38,6% tem a noção que, num futuro próximo, o Estado não poderá continuar a garantir a todos os cidadãos o acesso a novos medicamentos.

A maioria dos inquiridos (54,9%) defende que cada português deverá pagar os medicamentos novos de acordo com os seus rendimentos, como forma de o Estado continuar a poder garantir o acesso a novos fármacos, enquanto 20,8% sugerem a redistribuição de verbas do Orçamento do Estado, canalizando mais verbas para a saúde.

Dos diversos sectores avaliados, a saúde é aquele em que os portugueses consideram que deveria existir maior investimento, com 91,2% a defender esta medida. "A maioria dos portugueses considera que deve gastar-se mais em saúde e aumentar o orçamento alocado ao sector, mas isto é exactamente o contrário das atuais intenções do Ministério da Saúde", afirmou à agência Lusa Paulo Moreira, da Escola Nacional de Saúde Pública.

Para 72,7% dos inquiridos, os médicos continuam a ser a sua principal fonte de informação sobre a saúde. "O facto de os portugueses manterem o médico como a sua maior fonte de informação levanta algumas questões, nomeadamente se o médico proporciona o contexto de educação em saúde nos encontros que tem com os cidadãos. Se assim não for então temos uma generalidade em que os cidadãos têm poucas alternativas de melhoraram o seu conhecimento sobre saúde", salienta Paulo Moreira.

A Internet já é utilizada por perto de 30% dos portugueses, que utilizam esta ferramenta para procurar informações relacionadas com a sintomatologia de uma doença. É a população mais jovem, activa, com níveis de instrução mais elevados e residente na região de Lisboa e Vale do Tejo e Sul que recorre, de forma mais frequente à internet.

O barómetro analisou também a relação dos portugueses com a indústria farmacêutica e concluiu que 55% projectam "conotações negativas relativamente ao papel dos laboratórios". Apesar dessa "imagem pouco favorável, a realidade é que os portugueses parecem reconhecer aos laboratórios farmacêuticos uma importância central em diversas questões chave do sector da saúde".

O estudo, que decorreu em Julho, envolveu a população portuguesa com mais de 18 anos, residente no Continente, tendo sido a amostra de 645 questionários, que foram realizados telefonicamente. O intervalo de confiança é de 95% para uma margem de erro de cerca de 4,0%.

Fonte Correio da Manhã