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sábado, 8 de outubro de 2011

Esofagite de Refluxo

DOENÇA DO REFLUXO GASTRO-ESOFÁGICO - DRGE

Sinônimos e nomes populares:

Esofagite de refluxo, hérnia de hiato, azia, regurgitação e refluxo.

O que é?
É um conjunto de queixas que acompanha alterações no esôfago resultantes do refluxo (retorno) anormal do conteúdo estomacal, naturalmente ácido, para o esôfago.

Como se desenvolve ou como se adquire?
O esôfago do adulto é um canal de 35 a 40 cm, que liga a boca ao estômago. Ele é elástico e na espessura de sua parede contém camadas musculares recobertas internamente por uma delicada pele com o nome de mucosa, parecida com o revestimento da boca. O início do esôfago fixa-se na parte inferior da garganta, desce pelo mediastino e cruza o diafragma através de um orifício chamado hiato, poucos centímetros antes de se abrir no estômago. O mediastino é a região entre os dois pulmões e o diafragma; é uma calota muscular que divide o tórax do abdome. O esôfago tem ligamentos para prendê-lo junto ao hiato diafragmático e que contribuem para formar um tipo de válvula de retenção para impedir o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago.

Quando o esôfago desliza para cima mais que 2 a 3 cm., traciona o estômago e ambas as estruturas se deslocam para o tórax. Decorre dessa alteração anatômica a Hérnia Hiatal que, por sua vez, prejudica a válvula anti-refluxo. Quando o conteúdo do estômago, em geral muito ácido, atinge a mucosa esofágica, este tecido reage - inflama - originando a Esofagite de Refluxo.

O que se sente?
A azia é a principal queixa e raramente não ocorre. Seu nome técnico é pirose. Pode piorar, por exemplo, quando se dobra o peito sobre a barriga e quando se deita com o estômago cheio. É referida como ardência ou queimação, em algum ponto entre a "boca do estômago" e o queixo, correndo por trás do esterno, o "osso do peito". A azia pode ser tão intensa como uma dor no peito, causando impressão de infarto cardíaco. Pode ocorrer também um aumento da salivação, a sialorréia, que é um reflexo natural porque a deglutição dessa saliva alivia a queimação, como se fosse um antiácido natural.

A regurgitação é a percepção da volta do conteúdo estomacal no sentido da boca, sem enjôo ou vômito, freqüentemente, com azedume ou amargor. Não raro determina tosse, pigarro e alterações da voz. O engasgo - tosse forte e súbita, atrapalhando a respiração - pode despertar do sono e representar uma situação de refluxo gastro-esofágico. A ocorrência de falta de ar com chiado no peito, como a asma, pode ser desencadeada pelo refluxo.

Sensações, desde bola na garganta e desconforto ao engolir até fortes dores em aperto - espasmos - no meio do peito, representam uma desorganização das contrações faringo-esofágicas responsáveis por levarem ao estômago aquilo que ingerimos. Esses sintomas são considerados complicações do refluxo e levam o nome geral de dismotricidade esofágica.

Na criança, ainda no primeiro ano de vida, pode ocorrer um refluxo gastro-esofágico excessivo, levando à devolução da mamada, a engasgos, a choro excessivo, a sono interrompido e quando repetitivo, predispõe a infecções e distúrbios respiratórios.

Como o médico faz o diagnóstico?
O relato do paciente adulto jovem pode levar ao diagnóstico, sem necessidade de exames num primeiro evento.

A radiografia da transição esofagogástrica, enquanto se deglute um contraste rádio-opaco, pode demonstrar tanto a hérnia, quanto o refluxo.

A Endoscopia Digestiva Superior é um exame para visualizar o esôfago, estômago e duodeno, passando um fino feixe de fibras óticas através da boca. A evolução da qualidade dos equipamentos, da eficiência da anestesia local da garganta, a eficácia e a segurança da sedação do paciente, tornaram a endoscopia um exame simplificado, do qual se acorda “sem ressaca”. Além disto, pode ser repetida para controle de resultado de tratamento e, mais recentemente, para procedimentos terapêuticos especiais. Uma tela recebe e amplifica com nitidez as imagens das áreas sob inspeção direta, permitindo também fotos e filmes para reexaminar os achados. Pode mostrar a incompetência da válvula de retenção gastro-esofágica e a hérnia. O mais importante é que permite ver manchas vermelhas, placas branquicentas e úlceras, principalmente na mucosa do esôfago inferior, sugestivas de graus variados da Esofagite de Refluxo. A endoscopia facilita a coleta de material destas lesões para exame microscópico, no qual se pode definir a inflamação, avaliar um potencial cancerígeno e até diagnosticar o câncer.

A Cintilografia do trânsito esôfago-gástrico é um método que tem sido usado mais na criança. Administra-se uma mamadeira normal, contendo uma quantidade inofensiva de substância radioativa. A cintilografia capta e registra imagens da radioatividade descendo para o estômago ou do estômago refluindo para o esôfago. É uma metodologia não invasiva, indolor e ambulatorial. Entretanto, nem sempre capta o refluxo, pois este não é permanente.

O estudo da pressão interna ao longo do esôfago (Manometria) e a verificação do refluxo da acidez do estômago para o esôfago (pHmetria de 24 horas) detectam variações naturais e anormalidades capazes de diagnosticar a DRGE. São métodos que chegaram à rotina clínica há relativamente poucos anos. Precisam ser usados quando os demais tem resultados insatisfatórios e para estudar parâmetros antes e depois do eventual tratamento cirúrgico da doença do refluxo.

Como se trata?
Em geral, o tratamento é clínico, com medidas educativas associadas aos medicamentos. A vídeo-laparoscopia vem facilitando o método cirúrgico, aplicado a casos selecionados, com resultados muito bons.

Além de combater a obesidade, é importante evitar grandes volumes às refeições e de deitar nas primeiras duas horas seguintes. Algumas pessoas beneficiam-se de dormir numa cama elevada pelos pés da cabeceira, em 20 a 25 cm. Outras, não se adaptam à posição: incham os pés, doem as costas, etc. Há controvérsias sobre restrição de diversos alimentos, particularmente, cítricos, doces e gordurosos. Ajudam no controle dos sintomas, algumas medidas, como: evitar a bebida alcoólica, não deglutir líquidos muito quentes, ingerir um mínimo de líquidos durante ou logo após as refeições, evitar a ingestão de chá preto e café puro com estômago vazio.

Os medicamentos mais usados são os que diminuem o grau da acidez no estômago (os populares antiácidos) e aqueles que inibem a produção de ácido pelas células do estômago ("antiácidos sistêmicos"). Outros remédios de um grupo chamado de pró-cinéticos destinam-se a facilitar o esvaziamento do conteúdo estomacal para o intestino, minimizando a quantidade capaz de refluir para o esôfago.

Uma queixa importante dos pacientes é a recidiva dos sintomas, particularmente da azia, poucos dias após o término dos medicamentos. Nesse momento, surge a questão do tratamento por tempo indeterminado ou do tratamento cirúrgico.

Vale dizer que o tratamento clínico combate muito bem os sintomas, mas não modifica a hérnia hiatal e poucas vezes muda o refluxo gastro-esofágico, propriamente dito.

Como se previne?
Na prática clínica há a prevenção da recidiva dos sintomas, que se resume no seguimento das medidas ditas educativas instituídas quando do primeiro tratamento.

Perguntas que você pode fazer ao seu médico

Para que serve o tratamento?
Devo tomar os remédios mesmo quando estiver bem? E se estiver bem há muito tempo?

Se eu parar de tomar os remédios, os sintomas vão voltar?

O que faço quando acabar a receita?

A doença tem cura?


Vou precisar repetir exames? De quanto em quanto tempo?

O que faço se os sintomas piorarem durante o tratamento?

Posso precisar de cirurgia? Se operar vou ficar curado? A doença pode voltar?

Sou portador de “stent” arterial e recebo clopidogrel, posso usar omeprazol ao mesmo tempo?

Fonte ABC da Saúde

Gonorréia

"Gonorréia, também conhecida como blenorragia ou esquentamento, é uma doença sexualmente transmissível (DST) comum. A doença pode afetar todas as partes do corpo embora apareça primeiramente nas áreas genitais."

Como acontece?
A gonorréia é causada por bactéria e é altamente contagiosa. A bactéria pode entrar no corpo através de qualquer abertura corporal (vagina, boca, reto).

Ela é na maioria das vezes transmitida através da relação sexual. Nos homens, a infecção normalmente começa na uretra (o canal por onde passa a urina). Nas mulheres, a bactéria normalmente infecta primeiramente o colo do útero. A bactéria pode infectar a garganta e o reto após sexo oral e anal.

Um bebê, cuja mãe tenha gonorréia, pode ter seus olhos infectados durante o nascimento ao passar pelo canal vaginal.

Quais são os sintomas?
Você pode ter gonorréia sem ter nenhum sintoma evidente. Quando os sintomas existem, normalmente aparecem entre 2 e 10 dias após a infecção. Eles podem incluir:

- Sensação de queimação ou dor ao urinar
- Vontade freqüente de urinar
- Corrimento turvo e denso do pênis
- Corrimento vaginal turvo, amarelo com odor desagradável
- Dor de estômago (nas mulheres)
- Sangramento menstrual anormal
- Ânus ou reto inflamados (após relação sexual anal)
- Inflamação de garganta (após relação sexual oral)
- Dor no escroto ou testículos.

Se um bebê pegar gonorréia durante o nascimento, um ou ambos os seus olhos ficarão fortemente inflamados.

Como é diagnosticada?
Muitas disfunções e doenças sexualmente transmissíveis podem causar sintomas similares aos da gonorréia. Para confirmar se tem gonorréia, seu médico examinará uma amostra do corrimento da uretra do pênis ou do colo do útero. A urina também pode ser testada com um novo exame chamado LCR.

Como é tratada?
A gonorréia é tratada através de antibióticos, ministrados tanto por via oral quanto por injeções. Devido ao fato de muitas pessoas com gonorréia terem chlamidya (outra doença sexualmente transmissível), talvez deva usar mais de um remédio para curar ambas as doenças. Diga ao médico se é alérgico a penicilina.

Quanto tempo apresenta sintomas?
Os sintomas dependem de há quanto tempo tem a doença, há quanto tempo a infecção foi transmitida e se já teve a doença anteriormente.

Nos homens, se somente a uretra foi infectada, a gonorréia desaparecerá cerca de dois dias após o início do tratamento. No entanto, ainda que os efeitos tenham cessado, a medicação oral deverá ser tomada durante todo o tempo prescrito. Sem tratamento, a uretra pode apresentar cicatrizes acarretando em incapacidade de urinar normalmente ou esterilidade (incapacidade de conceber filhos).

Nas mulheres, se somente o colo do útero for infectado, a gonorréia desaparecerá cerca de dois dias após iniciado o tratamento. No entanto, ainda que os sintomas tenham cessado, a medicação oral deverá ser tomada durante todo o tempo prescrito. Sem tratamento, a bactéria pode se espalhar pelo útero, ovários e trompas de falópio, causando possivelmente esterilidade e doenças pélvicas inflamatórias (infecção nas trompas) e risco de gravidez tubária. Se a bactéria entrar na corrente sangüínea, multiplicar-se e espalhar-se, a gonorréia também pode causar artrite, febre, meningite e morte.

Que cuidados devem ser tomados?
Faça retorno médico em 1 ou 2 semanas, para ter certeza de que a bactéria causadora da gonorréia desapareceu. Alguns cuidados imprescindíveis:

- Tome a medicação durante todo o tempo prescrito, ainda que os sintomas tenham cessado antes de ter acabado a medicação.
- Pare de ter relações sexuais até que seu médico diga que não há mais evidências da doença.

Como prevenir a Gonorréia e as suas complicações
É importante dizer ao(s) seu(s) parceiro(s) sexual que ele(s) está(ão) exposto(s) à gonorréia. Outros cuidados:

- Diminuir o risco de infecção, usando sempre preservativos durante relação sexual.
- Não compartilhar toalhas ou objetos pessoais íntimos que podem conter bactéria

Ainda que você não tenha sintomas, mas tenha tido alguma relação sexual sem proteção (sem preservativo), procure seu médico ou clínica para checar gonorréia ou outras DSTs.

Traduzido por: Cristiane Gallo Marques
Original de: Phyllis G. Cooper, R.N., M.N. e "Clinical Reference Systems"

Proctalgia Fugaz

Resumo
A Proctalgia Fugaz é um distúrbio anorretal comum sem etiologia definida. Apesar do caráter benigno, pode ser bastante incômoda. No presente artigo, são discutidos aspectos relacionados ao diagnóstico e princípios terapêuticos desta síndrome.

Proctalgia fugax is a common anorectal disturbance without a clear etiology. Despite its benign nature, it can be quite annoying. In the present paper, the author discusses issues related to diagnosis and therapeutic approaches of this unusual syndrome.

Key-words: proctalgia fugax, anorectal pain

As síndromes dolorosas anorretais representam um grupo específico e comum8 de distúrbios que afetam a qualidade de vida e que não são amplamente reconhecidos por muitos médicos18. A Proctalgia Fugaz (PF), caracterizada por paroxismos inesperados de dor anorretal sem lesões anorretais identificáveis5,9, encaixa-se neste grupo de síndromes, acometendo cerca de 14% da população geral15.

A dor retal da PF apresenta-se em ataques que podem durar alguns minutos8, durante o dia ou à noite e em intervalos regulares. O distúrbio parece ser mais comum em mulheres, ainda que sem prevalência por faixa etária12. Por ser infreqüente, benigna e transitória, a PF muitas vezes não é relatada ao médico 9,16.

Acredita-se que a dor resulte de miopatia do esfíncter anal interno1,4 ou de hipercinesia anal paroxística11. Em repouso, os pacientes com PF não possuem alterações no funcionamento e na morfologia anorretal, mas podem apresentar anormalidades no músculo liso anal durante os ataques agudos 2.

A avaliação científica deste distúrbio é difícil devido à sua natureza funcional e etiologia multifatorial2,13,19. Até o momento, os exatos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na gênese das crises dolorosas permanecem desconhecidos.

Independentemente de sua etiologia, a PF possui um quadro clínico característico e uniforme1, excluindo a necessidade de exames de alto custo como tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética. O diagnóstico baseia-se na história típica associada a um exame físico normal 8.

Apesar da natureza benigna da dor da maioria dos casos, deve-se manter um alto grau de suspeita para câncer colorretal em todos os pacientes e especialmente naqueles acima dos 50 anos de idade10. Além disso, tumores da cauda eqüina podem causar proctalgia fugaz ou neuralgia retal 6.

Uma boa anamnese auxiliada por um exame físico criterioso podem determinar a origem da dor anal nos casos de hemorróidas, fissuras e abscessos10,17.

O tratamento é difícil e não existem esquemas comprovadamente eficazes9,19,20. A aplicação tópica de gel à base de nitroglicerina a 0,3% oferece uma alternativa7, porém mais estudos são necessários para determinar sua verdadeira eficácia.

Clonidina (150 microgramas duas vezes ao dia)14, bloqueadores de canal de cálcio1 e exercícios de relaxamento12 podem ser benéficos. O salbutamol inalável reduz os ataques dolorosos nos pacientes com PF, mas os mecanismos deste efeito permanecem inexplicados3.

Felizmente, apesar do caráter incurável dos ataques, eles são inofensivos e tendem a diminuir de freqüência com a idade15.

1. Babb RR. Proctalgia fugax: would you recognize it? Postgrad Med 1996 Apr;99(4):263-4.
2. Eckardt VF, Dodt O, Kanzler G, Bernhard G. Anorectal function and morphology in patients with sporadic proctalgia fugax. Dis Colon Rectum 1996 Jul;39(7):755-62.
3. Eckardt VF, Dodt O, Kanzler G, Bernhard G. Treatment of proctalgia fugax with salbutamol inhalation. Am J Gastroenterol 1996 Apr;91(4):686-9.
4. Guy RJ, Kamm MA, Martin JE. Internal anal sphincter myopathy causing proctalgia fugax and constipation: further clinical and radiological characterization in a patient. Eur J Gastroenterol Hepatol 1997 Feb;9(2):221-4.
5. Harvey RF. Colonic motility in proctalgia fugax. Lancet 1979 Oct 6;2(8145):713-4
6. Kornel EE, Vlahakos D. Intraspinal schwannoma presenting solely with rectal pain. Neurosurgery 1988 Feb;22(2):417-9.
7. Lowenstein B, Cataldo PA. Treatment of proctalgia fugax with topical nitroglycerin: report of a case. Dis Colon Rectum 1998 May;41(5):667-8.
8. Nidorf DM, Jamison ER. Proctalgia fugax. Am Fam Physician 1995 Dec;52(8):2238-40
9. Peery WH. Proctalgia fugax: a clinical enigma. South Med J 1988 May;81(5):621-3.
10. Pfenninger JL, Zainea GG. Common anorectal conditions: Part I. Symptoms and complaints. Am Fam Physician 2001 Jun 15;63(12):2391-8.
11. Rao SS, Hatfield RA. Paroxysmal anal hyperkinesis: a characteristic feature of proctalgia fugax. Gut 1996 Oct;39(4):609-12.
12. Sinaki M, Merritt JL, Stillwell GK. Tension myalgia of the pelvic floor. Mayo Clin Proc 1977 Nov;52(11):717-22.
13. Staude G. Proctalgia fugax. Differential diagnosis and therapy of fleeting anal cramp. Fortschr Med 1992 May 30;110(15):278-80.
14. Swain R. Oral clonidine for proctalgia fugax. Gut 1987 Aug;28(8):1039-40.
15. Thompson WG. Proctalgia fugax. Dig Dis Sci 1981 Dec;26(12):1121-4
16. Thompson WG. Proctalgia fugax in patients with the irritable bowel, peptic ulcer, or inflammatory bowel disease. Am J Gastroenterol 1984 Jun;79(6):450-2.
17. Vincent C. Anorectal pain and irritation: anal fissure, levator syndrome, proctalgia fugax, and pruritus ani. Prim Care 1999 Mar;26(1):53-68.
18. Wald A. Functional anorectal and pelvic pain. Gastroenterol Clin North Am 2001 Mar;30(1):243-51, viii-ix.
19. Whitehead WE. Functional anorectal disorders. Semin Gastrointest Dis 1996 Oct;7(4):230-6.
20. Whitehead WE, Wald A, Diamant NE, Enck P, Pemberton JH, Rao SS. Functional disorders of the anus and rectum. Gut 1999 Sep;45 Suppl 2:II55-9.


Copyright © 2009 Bibliomed, Inc. 15 de setembro de 2009

Orquites e Orquiepididimites

O que é?
Orquite é um processo inflamatório ou infeccioso envolvendo o testículo.

Epididimite é a inflamação ou infecção do epidídimo (órgão tubular localizado sobre cada testículo).

Geralmente, os dois órgãos são envolvidos, daí o nome de orquiepididimite (OE). Como se adquire?

As OE podem ser causadas por numerosas bactérias ou vírus.
A causa mais comum de orquite viral é a caxumba (parotidite). Dos homens que desenvolvem caxumba após a puberdade, 15 a 25% poderão ter orquite durante a evolução da doença.
As OE poderão ser decorrentes de infecções prostáticas transmitidas sexualmente, como a gonorréia e a clamídia.
Agentes bacterianos causadores de infecção urinária como Escherichia coli também são comumente encontrados nas OE.
Tuberculose envolvendo esses órgãos pode ser uma das causas.

Traumatismo escrotal (por exemplo "uma bolada nos testículos") também pode gerar uma OE inflamatória.

Existe uma afecção chamada de orquialgia crônica caracterizada por dor no testículo ou em ambos os testículos com duração maior do que tres meses, interferindo nas atividades do indivíduo.Geralmente não se encontra uma causa definida sendo uma situação pouco compreendida. Devem ser afastadas as causas mais comuns de dor testicular: infecção, varicocele, hérnia inguinal, hidrocele,espermatocele, dor referida,trauma, torção do testículo e tumor.

O que se sente?
Existe uma OE com forma de apresentação aguda e outra de forma crônica.
Na aguda, há dor forte de começo insidioso, gradativa, unilateral e acompanhada de aumento de volume do saco escrotal. O paciente relata uma sensação de peso no testículo. A dor se irradia para a região inguinal (virilha) do mesmo lado. Febre e mau estado geral acompanham o quadro clínico.
Na forma crônica, os sintomas podem estar ausentes. O paciente pode manifestar desconforto local ao manusear o testículo ou o epidídimo.

Como o médico faz o diagnóstico?
As queixas acima e os achados de exame físico - aumento do volume do escroto com hiperemia local (vermelhidão da pele do saco), dor à mobilização do testículo, inclusive perturbando a deambulação do paciente - possibilitam o diagnóstico. Além disso:
Exame comum de urina,
urocultura,
testes para gonorréia e clamídia,
leucograma,
ecografia escrotal com doppler colorido (ecografia com som e cor),

Esses exame complementares ajudam a fazer diagnóstico diferencial entre as patologias citadas acima. OE.

Observar que, na forma crônica, o testículo ou o epidídimo podem estar atrofiados devido à fibrose pós-inflamatória com comprometimento da fertilidade do paciente.

Como se trata?
O tratamento inclui sempre repouso geral, repouso sexual, suspensório escrotal e alívio da dor com analgésicos e antinflamatórios.

Quando a origem for bacteriana o uso de antibióticos está indicado.

Se a OE for decorrente de uma doença sexualmente transmitida, a parceira deverá ser tratada concomitantemente.

Nas OE virais, não há indicação de antibióticos. São utilizadas as medidas gerais já descritas. O interferon alfa-2 pode ser considerado.

Complicações
A infertilidade e a atrofia (diminuição do volume) dos testículos são freqüentes.A OE pode evoluir com a formação de abscesso. Neste caso a drenagem cirúrgica está indicada. Em casos extremos,a orquiectomia (retirada do testículo)é necessária.

Perguntas que você pode fazer ao seu médico

Quanto tempo vai levar para desaparecer a dor?

Posso ter filhos depois disso?

Fazer repouso é importante?

Essa doença é transmissível?

Fonte ABC da Saúde

Venda de emagrecedores é abusiva e crescente no país, diz Anvisa

Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), criticou a pressão feita pelos médicos para que a agência desse seu aval ao uso de emagrecedores no Brasil.

Na última terça, a Anvisa decidiu retirar do mercado emagrecedores do grupo das anfetaminas (femproporex, anfepramona e mazindol). A agência manteve o emagrecedor sibutramina como opção para pacientes e médicos brasileiros, mas impôs várias restrições para que ela pudesse ser receitada.

O Conselho Federal de Medicina decidiu ir à Justiça para que os anfetamínicos continuassem sendo receitados, alegando que os médicos deveriam ter autonomia para indicar o uso dos remédios.

Em entrevista exclusiva à Folha, Barbano afirmou: "Espero que, além dessa preocupação com a questão da autonomia dos médicos, eles também estejam preocupados em verificar como vão cumprir o papel deles".

Para ele, a venda dos emagrecedores, mesmo com receita, "é abusiva, é muito alta, é só crescente ao longo dos anos". Confira a conversa.

FOLHA - Uma câmara técnica da Anvisa foi contra a sibutramina. Não era melhor discutir mais até ter amplo apoio?
Dirceu Barbano - Não, porque a divergência apontada não vai se resolver agora. Nenhuma posição é incorreta. Você pode adotar uma ou outra posição com os dados colocados. A responsabilidade era de a diretoria colegiada tomar uma decisão.

Durante a discussão verificamos que havia dúvidas sobre a possibilidade real de extrapolar os dados do estudo Scout para os outros pacientes [o estudo identificou riscos do remédio apenas para quem tem problemas cardiovasculares; se pudessem ser estendidos ao total de usuários, os riscos inviabilizariam o uso da sibutramina].

Poderíamos perder o tratamento com um produto registrado na Anvisa que, para certos grupos de pacientes, pode ser eficiente.

Nada aqui na Anvisa pode ser colocado como "águas passadas", todos os medicamentos registrados estão sob monitoramento todo dia.

Pode ser que o monitoramento que será feito com a sibutramina [previsto por um ano] forneça algum dado adicional que faça com que, antes de qualquer prazo, ela acabe sendo proibida.

A indústria vai apostar em iniciativas como o balão gástrico, recentemente liberado para pessoas com IMC menor?
Não, não automaticamente. O que foi produzido até hoje --a oferta das cirurgias, as técnicas, as dietas- foi inventado com esses produtos já no mercado.

Se EUA, Europa e outros baniram a sibutramina, por que o Brasil está certo em liberar?
Não é uma questão de estar certo ou errado, é questão de ter oportunidade de fazer ou não. Temos um sistema de notificação, uma história de tratar a sibutramina sob controle especial. Talvez as autoridades regulatórias dos países não tenham se sentido seguras em relação ao sistema de vigilância que eles têm.

Se não fosse seguro, nós não teríamos feito. Perguntamos ao FDA [agência americana que regula remédios e alimentos]: por que vocês optaram por tirar a sibutramina? Eles disseram: no nosso país, planos de minimização de risco não têm sido eficazes. Mas se não é eficaz lá, não é aqui? Temos um outro sistema, temos vigilância sanitária em todos os municípios, nos EUA não é assim.

Esse plano de reduzir riscos é o que inclui a notificação das reações adversas?
Exato, desenhamos um plano para transitarmos por um período monitorando a sibutramina. Claro que não é um papel só nosso, nem só da vigilância sanitária. É papel dos médicos também. Espero que, além dessa preocupação com a questão da autonomia dos médicos, eles também estejam preocupados em verificar como eles vão cumprir o papel deles em relação a isso, porque a Anvisa nunca prescreveu nem anfetamínicos nem sibutramina.

O que nós temos aqui registrado no nosso sistema é a venda com receita. E é abusiva, é muito alta, é só crescente ao longo dos anos.

Outra polêmica atual é a regulamentação dos aditivos do cigarro, que voltou ao debate no Congresso. A Anvisa pode não regrar os aditivos?
A questão da retirada dos sabores acho que tem consenso entre os diretores. Para mim, sabor em cigarro é criminoso. Sobre a questão do açúcar, que integra o método de produção, vamos pensar em como fazer, gerou preocupação por parte dos produtores. Estamos discutindo a forma, não é se vai fazer.

Se a lei vier resolver coisas que estamos propondo nessa regulamentação, é melhor. Já fica na lei, ninguém vai ficar discutindo se a Anvisa tinha ou não o poder de fazer.

Fonte Folhaonline