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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cientista tenta desvendar mente de psicopata que matou menina


Dugan tem dificuldade paar entender gravidade de seus crimes - Divulgação/BBC
Divulgação/BBC
Dugan tem dificuldade paar entender gravidade de seus crimes



Objetivo é entender a relação entre o comportamento anti-social e a estrutura cerebral

Cientistas nos Estados Unidos examinam o cérebro de um assassino serial como parte de um estudo para tentar entender a ligação entre comportamento anti-social e a estrutura cerebral.

Quando Brian Dugan se declarou culpado pelo estupro violento e assassinato da menina Jeanine Nicarico, de sete anos de idade, ele parecia se enquadrar no estereótipo do assassino serial.

Ela foi morta em 1983, embora o crime só tenha sido confessado em 2009. Naquela época, ele já havia sido condenado por estupro algumas vezes e por mais dois assassinatos: uma outra menina de sete anos e uma enfermeira de 27 anos que ele atropelou antes de violentar e matar.

Se a pena de morte não tivesse sido suspensa no Estado americano de Illinois, Dugan teria sido executado.

Curiosamente, ele não mostrou remorso por nenhum de seus crimes. Cientistas acreditam que a falta de empatia possa ter relação com isso.

O neurocientista Kent Kiehl da Universidade do Novo México examinou seu cérebro como parte de um estudo.

"Ele tem dificuldade para entender porque as pessoas se importam com o que ele fez", diz Kiehl, descrevendo sua impressão de Dugan. "Clinicamente, é fascinante."

Kiehl é considerado um pioneiro em uma área avançada da neurociência comportamental: a que tenta entender as funções dos cérebros dos psicopatas e desenvolver tratamentos para suas condições.

Ela é controversa porque, por milhares de anos, homens como Dugan foram rotulados não como doentes, mas malignos.

Na literatura e no cinema, o termo psicopata não é usado para diagnosticar alguém por quem deveríamos ter simpatia, mas sim medo.

"Tendo a ver os psicopatas como pessoas que sofrem de uma desordem, portanto não usaria o termo "mau" para descrevê-los", diz Kiehl.

Culpa
Então o que exatamente é um psicopata?

"Clinicamente a definição é alguém com uma pontuação alta em traços como falta de empatia, culpa e remorso", diz Kiehl.

"Eles são muito impulsivos: tendem a não planejar ou pensar antes de agir. Eles têm a tendência de se envolver em problemas desde muito jovens."

Sabemos há tempos que muitas pessoas em prisões apresentam sintomas de psicopatia, mas até hoje sabemos pouco sobre a condição.

Para entendê-la usando a neurociência, Kiehl construiu em seu laboratório um inédito scanner cerebral móvel. Ele é equipado com a mais moderna tecnologia magética e transportado em um caminhão, para poder entrar em prisões de segurança máxima.

Ele o usou para dois tipos de análises do cérebro de Dugan: para examinar sua densidade e suas funções.

"O cérebro de Brian tem níveis baixos de densidade em um sistema que chamamos de paralímbico", diz ele.

O sistema paralímbico é um "circuito comportamental" no cérebro que inclui regiões como a amígdala e o córtex pré-frontal. Cientistas já sabiam que estas áreas são associadas com o processamento das emoções.

Ao longo do século passado, pessoas com danos cerebrais nestas áreas foram estudadas porque seu comportamento mudava repentinamente e eles se tornavam anti-sociais.

"Concluímos que estes sistemas não se desenvolveram normalmente em Brian", diz Kiehl. A psicopatia parece envolver uma falta de desenvolvimento nestas regiões, o que pode ser geneticamente determinado.

Método
Kiehl também monitorou a reação do cérebro de Brian Dugan a algumas imagens perturbadoras, como a de rostos de pessoas sofrendo. Ao examinar o cérebro em tempo real, a meta era testar suas funções cerebrais.

Os exames mostraram que havia relativamente pouca atividade no sistema paralímbico de Dugan durante o processamento de emoções. "Durante os estudos, Brian terminava as sessões de scanner dizendo 'tive dificuldade em entender o que você queria que eu fizesse'", diz Kiehl. "Ele cometeu mais erros do que outros cometeriam."

Segundo Kiehl, este é um padrão de atividade cerebral que prova que os psicopatas simplesmente não têm uma habilidade emocional, da mesma forma que outros tem menores habilidades intelectuais.

Ele obteve resultados similares com um grande número de pessoas, em prisões americanas. Isto significa que Dugan simplesmente não tem noção do mal que causou. "Falar com ele sobre seus crimes é como perguntar o que ele comeu no café da manhã", diz Kiehl.

Ele também admite que, de certa forma, não é surpresa que o cérebro de alguém tão diferente e anti-social também pareça diferente de outros cérebros. "Mas só agora que podemos ver o quanto seus cérebros são diferentes, é que as pessoas estão prestando atenção", diz ele.

Futuro
Então, o que o sistema legal deve fazer com esses dados? Pesquisas como a feita por Kiehl alimentam o debate sobre quanto as leis deveriam mudar para acomodar o que hoje sabemos sobre como o "mau comportamento" é causado por condições físicas.

Esta visão da lei criminal é geralmente chamada de "neuro-lei".

É uma visão de futuro controversa, na qual o julgamento moral de um criminoso é substituído pela visão de que alguns deles têm cérebros doentes que precisam ser tratados.

Kiehl acredita que um maior entendimento da psicopatia possa levar a sentenças diferentes e, em especial, o fim de penas de morte para psicopatas.

"Minha esperança é que a neurociência ajude o sistema legal a entender que estes indivíduos têm uma deficiência tratável", diz ele.

Tais tratamentos não deveriam começar após alguém cometer um ato terrível, diz ele. Por isso, Kiehl trabalha junto com outros cientistas para projetar intervenções em crianças que demonstram os sintomas, antes que eles piorem.

Ele acredita que a história de vida de Dugan demonstra que ocorreram momentos cruciais nos quais poderiam ter sido feitas intervenções.

"Brian sofreu desde pequeno. Ele teve um comportamento clássico: incendiou, machucou animais, feriu seus irmãos e irmãs."

Embora ele tenha ido a psicólogos na infância, estes não entendiam bem sua condição. De fato, crianças com sintomas ligados a psicopatia geralmente respondem mal às técnicas usadas para outras crianças com problemas de comportamento.

Por terem falta de habilidades emocionais, quando os professores tentam fazer com que sintam remorsos, isto os confunde e aumentam as chances de eles ferirem os outros.

A esperança é o desenvolvimento de um diagnóstico específico para estas crianças - desordem de insensibilidade - e a partir daí, o desenvolvimento de programas e treinamentos específicos para a doença.

Na essência, estas crianças devem ser ensinadas a terem reações que a maioria tem automaticamente.
O estudo de Kiehl em prisões de segurança máxima vem inspirando outros laboratórios nos EUA e na Grã-Bretanha, que trabalham diretamente com crianças.

"Você pode prevenir estes indivíduos como Brian de se tornarem os indivíduos que são hoje", diz ele.

Fonte Estadão

Hospital é multado por ligação clandestina de água no DF

Instituição foi multada em R$ 10 mil pelo uso de água retirada de poços durante 10 anos

O Hospital Santa Luiza, instalado no Setor Hospitalar Sul, em Brasília, foi multado em R$ 10 mil pelo uso de água retirada de poços, durante 10 anos, com intuito de economizar nas contas de água, segundo informações da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa).

Além da multa, por burlar a legislação que proíbe essa prática quando a área é servida pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), os dois poços de extração de águas subterrâneas serão tampados.

O hospital também misturou água originária da concessionária com a da fonte alternativa para atender o abastecimento humano, limpeza e higiene, caracterizando grande risco à saúde humana se utilizada em ambiente hospitalar.

Desde 2002, quando a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos era o órgão responsável pela gestão dos Recursos Hídricos no Distrito Federal, a Instituição de saúde teve o seu pedido para captação de água subterrânea negado. O caso foi encaminhado ao Conselho do Meio Ambiente (Conam) que, mais uma vez, constatou a irregularidade e negou o recurso do Santa Luzia, solicitando a interdição dos poços tubulares e aplicando multa no valor de R$ 3 mil.

O hospital já recebeu o auto de infração e o boleto bancário no valor de R$ 10.001,00, que consiste em falta de natureza grave. O fechamento dos poços será realizado dentro de 10 dias. Se no prazo determinado o Hospital não realizar a operação, a Adasa fará o serviço e encaminhará a conta para a administração da instituição.

Fonte Estadão

Pessoas saudáveis morrem mais após infarto

Quem possui fatores de risco como pressão alta ou colesterol elevado tem mais chance de sobreviver

Pessoas com fatores de risco para doenças cardíacas, como pressão alta e colesterol elevado, têm mais chance de sobreviver após um ataque do coração do que aquelas completamente saudáveis. Isso é o que revela um novo estudo que acompanhou mais de 500 mil pacientes nos Estados Unidos, publicado no Journal of the American Medical Association.

Segundo os autores, mesmo levando em conta influências como idade e peso, o resultado mostra que, quanto maior o número de fatores de risco, menor a chance de morrer. "Após ajustar dados como idade e outros fatores clínicos, houve uma associação inversa entre o número de fatores de risco para ao coração e mortalidade no hospital", diz o líder do estudo, John Canto.

Para os pesquisadores, uma possível explicação para a descoberta é que pessoas com problemas conhecidos podem estar recebendo remédios, como estatinas e betabloqueadores, que ajudam a protegê-las após o ataque cardíaco. Esses pacientes também tendem a visitar o médico com mais frequência.

Também é possível que pacientes sem os tradicionais fatores de risco tenham outros fatores não avaliados, ou problemas no fluxo sanguíneo, por exemplo.

Os dados avaliados vieram de registros de internações entre 1994 e 2006. Do total de pacientes, mais de 85% tinham pelo menos um fator de risco, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes ou histórico familiar _ e pessoas com mais de um tinham sofrido ataques do coração mais jovens.

Após levar em conta o fato de que pessoas que não tinham fatores de risco eram frequentemente mais velhas, e ajustar dados como peso, raça e gênero, o estudo descobriu que aqueles que não fumavam, não tinham diabetes, colesterol alto ou histórico familiar tinham 50% mais chance de morrer no hospital do que os demais.

Um em cada sete pacientes com nenhum sinal de alerta morreu. No grupo dos que tinham fatores de risco, a mortalidade foi de um em 28.

Os autores também observaram que pacientes com mais fatores de risco tinham mais probabilidade de tomar medicação nas primeiras 24 horas da internação ou passar por uma cirurgia.

"A população realmente precisa identificar os fatores de risco que podem ser tratados precocemente, e esses tratamentos melhoram o prognóstico", diz Canto. "À medida que a pessoa envelhece, o fato de não ter fatores de risco não significa que ela não precise fazer consultas de rotina", alertam os médicos.

Fonte Estadão

Paciente com câncer é quem mais vai à Justiça contra planos

A comerciante Márcia Rasmussen Ramos, 59, pagou por mais de dez anos seu plano da SulAmérica sem utilizá-lo.

Até que em 2007, detectou um câncer no seio e ouviu da empresa que a radioterapia prescrita pelo médico não seria paga, pois não estava no rol de coberturas obrigatórias da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Ela teve que recorrer à Justiça e, de posse de uma liminar, garantiu o tratamento.

Um levantamento do pesquisador Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da USP, mostra que o que aconteceu com Márcia não é incomum.

Pacientes com câncer, normalmente submetidos a tratamentos mais caros, são os que mais movem ações judiciais contra as operadoras de saúde no Estado de SP.

Ele analisou 782 ações relacionadas à negativa de cobertura julgadas em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de SP em 2009 e 2010.

Das 596 que identificavam a doença excluída, 218 (36%) eram relativas a câncer.

Doenças do aparelho circulatório, maior causa de óbito, apareceram com 19,46%.

Quimioterapia e radioterapia são o grupo de procedimentos mais negado, seguido das cirurgias (incluindo todas as outras doenças).

São casos como o de uma mulher que teve as sessões de quimioterapia interrompidas antes de o tratamento acabar, para que o plano avaliasse se estavam "surtindo efeito".

A conduta foi considerada abusiva pela Justiça, que deu ganho de causa à usuária.

JUSTIÇA FAVORÁVEL
A mesma decisão foi tomada em 88% dos acórdãos analisados por Scheffer. Para ele, que já fez pesquisa similar no passado, as decisões na Justiça favoráveis ao usuário parecem estar aumentando.

Mesmo nos casos de procedimentos que não constam do rol da ANS. Em muitos acórdãos, os desembargadores argumentam que cabe ao médico, e não à seguradora, eleger tratamento adequado.

Para o advogado especialista em saúde Julius Conforti, as operadoras contam "com a inércia e a ignorância do consumidor". Negam a cobertura na esperança de que muitos pacientes paguem do próprio bolso o tratamento.

Muitos também acabam recorrendo ao SUS (Sistema Único de Saúde). No Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), 25% dos pacientes que recebem atendimento têm planos de saúde, de acordo com o governo de São Paulo.

OUTRO LADO
A Federação Nacional de Saúde Suplementar disse que os procedimentos previstos em contrato são autorizados.

A SulAmérica reiterou que o procedimento de Márcia Rasmussen Ramos não está no rol da ANS --assim como o Bradesco, disse que não comentaria a pesquisa por não conhecê-la.

Amil e Medial disseram que a análise é feita seguindo normas vigentes. A Unimed não respondeu.

Fonte Folhaonline

Técnica pioneira cura bebê com falência do fígado

Uma técnica pioneira conseguiu curar um menino britânico de oito meses cuja vida corria perigo por conta de uma grave doença que estava destruindo seu fígado.

Os médicos implantaram células de doadores que atuaram como um fígado temporário, permitindo que o órgão se recuperasse.

BBC
O bebê Iyaad Syed com os pais; fígado do menino se recuperou com implante de células de doadores
O bebê Iyaad Syed com os pais; fígado do menino se recuperou com implante de células de doadores

Segundo os responsáveis pelo tratamento, do King's College Hospital, em Londres, essa foi a primeira vez que a técnica foi usada no mundo.

Iyaad Syed parece hoje um menino saudável, mas seis meses atrás ele estava próximo da morte. Um vírus havia atacado seu fígado, que começou a entrar em falência.

Em vez de colocar o menino na lista de espera por um transplante, os médicos injetaram as células de um doador em seu abdome.

Essas células processaram as toxinas e produziram proteínas vitais, atuando como um fígado temporário.

As células foram cobertas com uma substância química encontrada em algas para evitar que elas fossem atacadas pelo sistema imunológico do menino.

Após duas semanas, seu fígado começou a se recuperar.

Um dos principais benefícios do transplante é que Iyaad não precisará tomar remédios contra a rejeição do novo órgão, conhecidos como imunossupressores.

*"MENINO MILAGROSO"
"Faz apenas alguns meses que eu atendi pela primeira vez o menino. Ele estava tão doente que precisava de diálise e respirava por aparelhos", conta o médico Anil Dhawan, especialista em fígado no King's College Hospital.

"Vê-lo assim depois de seis meses com uma função quase normal do fígado é impressionante", diz.

Para o pai de Iyaad, Jahangeer, seu filho é "um menino milagroso". "Após 48 horas depois de receber o tratamento, ele começou a melhorar, e a esperança voltou. Estamos muito orgulhosos dele", disse.

A questão agora é se a técnica poderia ser usada para ajudar outros pacientes com falência aguda do fígado.

A equipe do King's College Hospital sugere cautela, já que testes clínicos adicionais e em larga escala são necessários para comprovar a eficácia da técnica.

Fonte Folhaonline