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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Número de mortes de mulheres motociclistas dobra em 5 anos

Índice aumentou 31 vezes em 15 anos e em 2010 chegou a 139 casos; homens, no entanto, ainda são maioria

A quantidade de mulheres mortas em acidentes de motocicletas no Estado de São Paulo está crescendo em velocidade muito superior à dos homens, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados ontem. De 2005 a 2010, o número dobrou. E, nos últimos 15 anos, aumentou 31 vezes.

O total de mulheres mortas ainda é pequeno se comparado ao total de homens, segundo as informações do ministério. Em 2010, por exemplo, foram 1.388 homens mortos em acidentes de motos, contra 139 mulheres. Mas em 1996 (dado mais antigo) houve registro de apenas três mulheres mortas no Estado por causa desse tipo de acidente, contra 61 homens.

Os números de São Paulo seguem tendência do que ocorre em todo o Sudeste: o total de mortes dobrou nos últimos cinco anos (de 1.652 para 3.005 ocorrências) e a velocidade do crescimento de mortes de mulheres foi maior do que o dos homens (98% de aumento para elas, contra 80% de aumento entre eles).

Já no País todo, contando os dois sexos, o aumento das mortes de motociclistas entre 2005 e 2010 foi de 72% (de 5.974 para 10.279) nos últimos cinco anos.

Para o presidente do Centro de Defesa das Vítimas do Trânsito (CDVT), Lúcio Machado, há uma agravante para as mulheres vítimas de acidentes. "Elas têm mais dificuldade de mudar de profissão. Então, as que ficam com sequelas dificilmente conseguem voltar ao mercado de trabalho." Embora não tenha números sobre pessoas feridas, Machado afirma que, há dois anos, não havia mulheres entre as pessoas atendidas pelo centro. "Agora temos duas."

Fonte Estadão

Atendimentos a vítimas de acidentes com motos sobem 14% no HC

Ainda segundo dados do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT), do Hospital das Clínicas, nº de atendimentos a acidentados automobilísticos diminuiu 35% no mesmo período

Levantamento feito pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, unidade da rede pública estadual e maior complexo hospitalar da América Latina, revela que, nos últimos cinco anos, o número de acidentados de moto atendidos no pronto-socorro do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) aumentou 14%.

Já o total de atendimentos a acidentados automobilísticos, ainda segundo o levantamento do IOT-HCFMUSP, diminuiu 35% no mesmo período. "Os motociclistas representam 44% dos pacientes vítimas de acidente de trânsito que dão entrada no PS da ortopedia", diz o diretor clínico do Instituto de Ortopedia, Jorge dos Santos Silva.

Alarmados com o aumento do número de mortes e de lesões cada vez mais complexas, em especial de acidentes de moto, profissionais do IOT lançaram o Programa HC em Movimento .

Coordenado pelos médicos Júlia Greve e Marcelo Rosa de Rezende, o movimento tem como primeira ação a criação do blog HC em Movimento (http://www.hcemmovimento.blogspot.com/), que dá voz às vítimas, familiares e a todas as pessoas que acreditam poder contribuir para reduzir acidentes, mortes, dor, incapacidades de mobilização e mudança de comportamento.

Segundo a fisiatra Júlia Greve, a troca de informações dentro desta "comunidade" pode ajudar na diminuição do sofrimento de vítimas e familiares e colaborar com a redução de acidentes.

Mobilizados no sentido de levantar a bandeira deste quadro devastador relacionado aos acidentes de motocicleta, os médicos acreditam ser possível diminuir o número de acidentes com a participação de todos.

"Mudar significa tirar o pé do acelerador, diminuir a velocidade, usar o veículo com responsabilidade e sabedoria, valorizar o transporte coletivo e preservar o espaço urbano para as pessoas. As cidades são feitas para pessoas e não para veículos", orienta Júlia Greve.

Fonte Estadão

Médicos que fazem abortos em casos previstos pela lei afirmam sofrer preconceito

Eles dizem que ficam estigmatizados, pois são sempre os mesmos profissionais que trabalham com a técnica

Médicos que realizam abortos em situações previstas pela lei afirmam sofrer preconceito entre os profissionais da saúde. Com a liberação do procedimento em fetos com anencefalia, são três as situações em que a prática não é considerada crime - isso vale também para gestações resultantes de estupro e quando a vida da grávida corre risco.

"Existe dificuldade do médico em trabalhar com o aborto, uma morte provocada. Muitos não fazem o procedimento e os que fazem, por serem sempre os mesmos, acabam marcados", afirma a ginecologista e obstetra Rosiane Mattar, professora livre-docente do Departamento de Obstetrícia da Unifesp. "Não faço porque gosto, muito pelo contrário. Faço por ser um direito (abortamento legal) da mulher", completa a médica.

Outro que afirma receber olhares condenatórios de colegas por realizar abortos legalizados é o ginecologista, obstetra e coordenador do Ambulatório de Violência Sexual e Aborto Legal do Hospital Pérola Byington, Jefferson Drezett. Segundo ele, além da falta de conhecimento sobre a legislação, "convicções pessoais, morais e religiosas" são responsáveis pelo preconceito. "Em tese não deveria ser. Por isso, não há motivo para atender uma paciente e julgá-la ou discriminá-la ", diz Drezett, que também integra do grupo de estudo sobre aborto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

A questão é tão delicada que em março, pouco depois de assumir a Secretaria de Políticas para Mulheres, a ministra Eleonora Menicucci criticou a falta de médicos nos serviços que fazem aborto legal no País. Ela observou que muitos centros funcionam apenas na teoria porque profissionais se recusam a fazer o procedimento, alegando objeção de consciência.

"O que há são diferenças de convicções", diz o secretário da Comissão de Violência Sexual e Interrupção da Gestação Prevista por Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Cristião Fernando Rosas. Ele participou, em 1989, do primeiro programa municipal sobre aborto, mas não acredita que hoje os profissionais que fazem o procedimento sofram retaliações. "Eu faço o procedimento. Entendo que em 1989 existia a insegurança ética, judicial e técnica sobre o aborto. Tudo isso colaborava para o preconceito. Agora, não."

Estudo
Pesquisa da Febrasgo indica que 2 em cada 10 ginecologistas ou obstetras são favoráveis à descriminalização do aborto. "Mas a parcela contrária ainda faz mais e muito barulho. A discussão é abafada por esse grupo", afirma Drezett.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o País tem cerca de 206 mil médicos especialistas. Desses, quase 25% são pediatras, obstetras ou ginecologistas.

Fonte Estadão

Prática da ioga traz benefícios afetivos e cognitivos, aponta estudo brasileiro

Para quem pratica ioga, memória de longo prazo melhorou 20% e houve redução do estresse

Um estudo científico brasileiro mostrou que a ioga traz benefícios cognitivos e afetivos palpáveis para quem a pratica.

O trabalho, conduzido por pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), preenche uma lacuna nos estudos sobre o impacto neuropsicológico da ioga. A maioria carece de controles adequados que garantam o rigor ou a aplicação universal dos resultados (mais informações nesta página).

Diferentemente do que ocorreu nas outras pesquisas, desta vez os pesquisadores escolheram voluntários saudáveis que não praticavam ioga. Eles foram recrutados no Batalhão Visconde de Taunay, do Exército, em Natal (RN).

Os cientistas conseguiram autorização do coronel Odilon Mazzine Junior para realizar uma atividade atípica para o grupo de 17 soldados que participaram do estudo: ao longo de um semestre, eles praticaram uma hora de ioga, duas vezes por semana.

Outros 19 militares não participavam das aulas e serviram como grupo de controle. Isso é importante para que os resultados do grupo que praticou ioga possam ser comparados.

A bióloga Regina Helena da Silva, coordenadora do estudo, pratica ioga há cerca de uma década, mas nunca tinha colocado o exercício sob a lente da psicobiologia, sua área de pesquisa.

Animou-se, no entanto, quando o também biólogo Kliger Kissinger Fernandes Rocha pediu que ela o orientasse no doutorado. Rocha é professor de ioga e reconhecia as limitações dos estudos sobre o tema. Por isso, sugeriu abordá-lo em uma tese. O trabalho, publicado na revista científica Consciousness and Cognition, é fruto desse interesse.

Os militares foram avaliados no início e no fim do estudo. Foram aplicados testes de memória e formulários para averiguar o nível de estresse e outras condições psicológicas, bem como testes fisiológicos.

"Notamos uma melhora de 20% na memória de longo prazo nos militares que praticaram ioga", afirma Rocha. "É um porcentual que indica um considerável ganho cognitivo."

Ele recorda que também houve uma diminuição no nível de estresse. "O cortisol (hormônio associado ao problema) presente na saliva diminuiu 50% no grupo da ioga", recorda o pesquisador, que aos 14 anos recebeu indicação médica para praticar ioga com a finalidade de atenuar as raízes psicológicas de uma gastrite nervosa.

Como não houve alterações significativas no grupo de controle, os pesquisadores descartam a atribuição da melhora aos exercícios físicos. Isso porque o grupo de controle realizava até mais exercícios do que o que se dedicou à pratica da ioga.

Mistério
Os cientistas afirmam que os mecanismos neurofisiológicos responsáveis pela melhora cognitiva e afetiva ainda são desconhecidos.

"Trabalhamos com a hipótese de que a meditação na ioga melhora a capacidade de concentração", explica Regina. "Contudo, a diminuição do estresse também poderia explicar a melhora dos resultados nos testes que avaliaram a memória."

Fonte Estadão

Bebê é vítima de erro médico em hospital de BH

O Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, abriu procedimento para apurar erro médico que teria causado duas arritmias cardíacas em um bebê de 4 meses nos últimos dias.

Davi Emanuel Souza Lopes, que está internado há cerca de uma semana para tratamento de pneumonia, teria recebido leite na veia em vez de soro e terá de se recuperar no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade.

Este é o terceiro erro médico com crianças em hospitais da região metropolitana da capital mineira em pouco mais de um mês.

De acordo com a direção do hospital, uma técnica de enfermagem teria trocado um soro que deveria ser ministrado na veia do bebê por leite e, horas depois, a criança começou a passar mal e sofreu duas bradicardias (redução na frequência cardíaca). Segundo o hospital, ela recebeu atendimento e não corre risco de morte.

Sindicância
Ao contrário do que ocorreu com Artur Felipe Alves de Oliveira, de 1 mês, que não resistiu ao receber leite na veia em vez de soro. A morte ocorreu em 2 de março, no Hospital Municipal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A técnica de enfermagem responsável pela troca foi afastada e a Secretaria Municipal de Saúde instaurou sindicância para apurar o caso.

Já na semana passada Alan Breno Castro, de 2 anos, teve de ser submetido a uma cirurgia para colocação de uma sonda após ingerir ácido tricloroacético, usado para cauterização de verrugas. Ele foi levado ao Hospital Infantil São Camilo no domingo dia 8 para fazer uma tomografia depois de levar uma queda, mas, em vez do sedativo, uma enfermeira deu o ácido ao garoto - que continua internado e tem risco de sofrer sequelas.

Fonte Estadão