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terça-feira, 17 de julho de 2012

50% das pessoas que morreram com H1N1 tiveram tratamento tardio em SC

A medida que pode evitar agravamento dos casos e a ocorrência de óbitos, é o acesso rápido ao antiviral oseltamivir

Em Santa Catarina, a metade das pessoas que vieram a óbito começou o tratamento com o antiviral oseltamivir com mais de cinco dias após o início dos sintomas. A medida que pode evitar agravamento dos casos e a ocorrência de óbitos, é o acesso rápido ao antiviral oseltamivir. A conclusão é de uma Investigação realizada pelo Ministério da Saúde no estado sobre os casos de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que tiveram confirmação laboratorial para a Gripe A (H1N1). A pesquisa revelou a presença de comorbidades no perfil das vítimas. As principais doenças foram cardiopatias, pneumopatias, obesidade e diabetes, predominantemente entre pessoas do sexo masculino com idade entre 40 e 59 anos. De acordo com a investigação, as pessoas que faleceram iniciaram o tratamento tardiamente, com histórico de mais de um atendimento em serviço de saúde, antes da última internação.

" A análise dos dados confirma que não há mudança no padrão de ocorrência da gripe. Se antes tínhamos indícios, agora temos informações concretas de que o tratamento, no momento adequado, ainda não está sendo adotado em todos os serviços" , explica o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch.

O diretor ressalta que o oseltamivir precisa ser usado com mais rapidez para prevenir casos graves e óbitos por gripe. " Consideramos de fundamental importância que os profissionais sigam o Protocolo de Tratamento da Influenza, prescrevam e forneçam, o mais rápido possível, o antiviral" , reforçou o diretor.

Por outro lado, segundo Maierovitch, as pessoas também precisam se conscientizar da necessidade de procurar uma unidade de saúde o mais precocemente possível, aos primeiros sinais de sintomas da síndrome gripal. " A gripe é uma doença e tem tratamento gratuito nas unidades de saúde da rede pública. O tratamento com o antiviral, no momento certo, reduz o risco de agravamento da doença" , afirma o diretor.

Orientação
Na maioria dos casos investigados, o retrato dos óbitos mostra que, quando o tratamento com o oseltamivir foi iniciado, a doença já tinha se agravado. O Protocolo de Tratamento da Influenza - 2011 atualizou os profissionais de saúde quanto ao tratamento dos casos de gripe, ratificando junto aos médicos a prescrição e orientação para o acesso rápido ao antiviral oseltamivir. A determinação é clara: o tratamento com o remédio deve ser iniciado o mais rápido possível, após os primeiros sintomas, sem aguardar resultados de laboratório ou sinais de agravamento, nas pessoas que apresentarem a síndrome gripal e fazem parte dos grupos vulneráveis para complicações - como gestantes, crianças pequenas, idosos, obesos e portadores de doenças crônicas. A síndrome gripal é identificada pela febre, acompanhada de tosse ou dor de garganta.

Já os pacientes com síndrome gripal que não pertencem aos grupos de risco devem receber o medicamento imediatamente, caso apresentem sinais de agravamento, como falta de ar ou persistência da febre por mais de três dias. Para atingir sua eficácia máxima, o antiviral deve ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença. Entretanto, mesmo ultrapassado esse período, o Ministério da Saúde indica a prescrição do medicamento.

Acompanhamento
Segundo informou a pasta, os casos de influenza estão sendo monitorados desde o surgimento das primeiras notificações, inclusive, in loco, nas ocasiões em que as secretarias de estado solicitam apoio. A pedido do governo de Santa Catarina, desde o dia 15 de julho, o Ministério da Saúde deslocou equipe da Secretaria de Vigilância em Saúde para apoiar a Secretaria Estadual e secretarias municipais de saúde na investigação e análise dos casos e na elaboração de uma resposta efetiva.

Para construir o perfil dos óbitos no estado, foram selecionadas as primeiras 28 mortes ocorridas neste ano até o dia 17 de junho em Hospitais de Santa Catarina. Foram revisados prontuários de atendimento e realizadas visitas domiciliares para complementação das informações, buscando identificar fatores associados ao quadro de agravamento.

As pessoas com doenças associadas fazem parte do grupo especial, por terem risco elevado de - ao contrair a gripe - apresentarem complicações que podem evoluir para o óbito. Por isso, a vacina é disponibilizada nas unidades de saúde pública de todo o país.

Fonte isaude.net

Medicamentos para asma chegam a mais de 47 mil nos municípios de extrema pobreza

Cerca de 83 mil pessoas em todo o país já retiraram os medicamentos nas farmácias populares, com distribuição gratuita desde junho

Desde que o Ministério da Saúde começou a distribuir, gratuitamente, em junho, os medicamentos para asma, 83.388 mil pessoas em todo o país já retiraram os medicamentos nas farmácias populares, representando um aumento de 60% do acesso, se comparado ao mesmo período antes da gratuidade.

Deste total, mais da metade das pessoas atendidas vivem em municípios de extrema pobreza. Nos primeiros 35 dias da ação, 47,4 mil pessoas retiraram os medicamentos em 1.084 municípios em situação de miséria que contam com a ação Saúde Não Tem Preço, do programa Farmácia Popular.

Segundo informou o Ministério da Saúde, a expectativa é ampliar a cobertura do programa Farmácia Popular para os 2.365 municípios que integram o plano até o final do ano.

Até o dia 4 de junho, o governo federal arcava com 90% do custo dos remédios e os consumidores com 10%. Agora, o cidadão pode retirar, gratuitamente, três medicamentos para asma em dez apresentações. Os antiasmáticos brometo de ipratrópio, dirpoprionato de beclometasona e sulfato de salbutamol agora fazem parte da ação Saúde Não Tem Preço, ao lado de 11 medicamentos para hipertensão e diabetes, ofertados de graça, desde fevereiro do ano passado.

O sulfato de salbutamol é oferecido, gratuitamente, nas 555 unidades próprias, em duas apresentações. Já nas mais de 20 mil da rede privada, conveniadas ao programa Aqui Tem Farmácia Popular, são ofertados os três medicamentos, em oito apresentações.

Para retirar os medicamentos, basta apresentar documento com foto, CPF e a receita médica dentro do prazo de validade.

A inclusão dos medicamentos para asma no programa aconteceu após a gratuidade da hipertensão e diabetes (em 2011) depois de o ministério perceber que a venda dos medicamentos para esta doença ter apresentado o maior crescimento nas farmácias populares, chegando a 322%, entre fevereiro de 2011 e abril de 2012.

Além disso, a asma está entre as doenças crônicas não transmissíveis, consideradas importantes do ponto de vista epidemiológico, com ações previstas no " Plano de Ações Estratégicas Para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, 2011- 2022" .

Fonte isaude.net

Nova ferramenta monitora mudanças químicas do cérebro em tempo real

Voltametria cíclica, com monitoramento neuroquímico durante sono profundo pode ajudar contra Parkinson, Tourette e Depressão

Pesquisadores da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, descobriram uma nova maneira de monitorar em tempo real as mudanças químicas que ocorrem no cérebro de pacientes submetidos à estimulação cerebral profunda (DBS). A novidade deve ajudar os médicos a utilizar DBS para tratar distúrbios de forma mais eficaz, tais como Parkinson, depressão e síndrome de Tourette.

A equipe usou a voltametria cíclica de rápida varredura (FSCV) para quantificar as concentrações de adenosina lançadas em pacientes durante o sono profundo. Os dados foram obtidos através de um neurotransmissor instantâneo sem fio sensível a concentração, um pequeno sensor neuroquímico implantado no cérebro do paciente. O aparelho, combinado com a FSCV, procura por transmissões e traduz essa informação para um laptop na sala de cirurgia. Esta foi a primeira vez que os investigadores utilizaram esta técnica em pacientes.

"Nós podemos aprender que neuroquímicos podem ser liberados na DBS, a estimulação neuroquímica, ou outro estímulo. Podemos basicamente aprender como o cérebro funciona", diz o autor do estudo, médico Su-Youne Chang, do Departamento de Neurocirurgia da Clínica Mayo. Conforme os pesquisadores, ao entender melhor como o cérebro funciona, eles podem prever as mudanças e responder antes que essas mudanças perturbem o funcionamento.

Os pesquisadores esperam usar a descoberta para criar um sistema DBS que possa responder instantaneamente a mudanças químicas no cérebro. Parkinson, síndrome de Tourette ou depressão, todos envolvem excesso ou deficiência de neuroquímicos no cérebro. A idéia é monitorar esses neurotransmissores e ajustá-los para níveis adequados.

Fonte isaude.net

Qual o limite entre o dever médico e o direito do paciente?

Sandra Franco, consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, membro efetivo da Comissão de Direito da Saúde e Responsabilidade Médico Hospitalar da OAB/SP e Presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde. Deborah Terrin, advogada especializada em Direito Médico e da Saúde, membro efetivo da Comissão de Direito da Saúde e Responsabilidade Médico- Hospitalar da OAB/SP e membro do Conselho de Ética da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde (ABDMS)

No mundo jurídico, utiliza-se a máxima de que o direito de um começa quando termina o dever de outrem. Assim é, por exemplo, o direito de propriedade, limitado pelas cercanias daquele que possui a posse legítima da coisa. Se o dever de respeitar este limite for violado, nasce o direito do proprietário de defender a sua propriedade por todos os meios que lhe são legalmente assegurados.

Em medicina, podemos dizer que o direito à informação do paciente é a cercania de sua propriedade mais valiosa, ou seja, a sua vida. Assim, nasce o seu direito de protegê-la até se esgotarem todos os esclarecimentos que o médico tem o dever de fornecer. isso, a todo dever médico corresponde um direito do paciente. Direito cada vez mais pleiteado nos tribunais de nosso país.

Especificamente em cirurgia plástica, são constantes, infelizmente, os incidentes ocorridos nesta modalidade. O pior é que a base das ações judiciais movidas, em sua grande maioria, tem lastro no descontentamento com o resultado e a ausência de informações claras prestadas. Ou seja, poderiam, na maior parte das vezes, ser evitadas ou, ao menos, minimizadas.

Dessa maneira, preocupado com o número crescente de processos-éticos espalhados nos Conselhos Regionais de Medicina do país e com a enorme demanda judicial frente a cirurgiões plásticos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução 1.711, de 2003, com dispositivos dos Princípios Fundamentais do Código de Ética Médica e diretrizes técnicas aos médicos. Contudo, em que pesem os esforços do CFM quanto ao reforço de que todo procedimento médico deva ser efetuado mediante esclarecimento e consentimento prévios do paciente e de que toda conduta pré-operatória deve ser a mesma adotada para qualquer ato cirúrgico, as demandas éticas e judiciais não cessaram.

Como nova tentativa de minimizar os problemas ético-jurídicos decorrentes das cirurgias plásticas, a Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina, com a participação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, propôs ao Plenário do CFM a adoção do documento denominado " Normas Informativas e Compartilhadas em Cirurgia Plástica" , o qual foi aprovado por unanimidade e fará parte, em breve, do " Manual de Fiscalização" a ser elaborado.

A utilização desse novo formulário, disponível gratuitamente no site do CFM e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, visa não à substituição do Prontuário - cuja ausência configurar-se-ia em infração ao artigo 87 do Código de Ética Médica, nos termos: "É vedado ao médico deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente" -, tampouco dos Termos de Consentimento já utilizados, mas à agregação de um novo instrumento à prática da boa conduta médica e à segurança do paciente.

Fortalece-se, com isso, a relação médico-paciente na medida em que esses instrumentos jurídicos tornam claros e precisos o limite entre o " dever médico" e o " direito do paciente" : procurando-se aprimorar essa relação e esgotar o dever médico em face do direito de informação dopaciente, prevalecerá a segurança de ambos e de todos perante o bem público, que é o fim-último do Direito e da Medicina.

Fonte isaude.net

Procedimento usa células do cordão umbilical para tratar doenças neurológicas

Estudo aponta que proteína encontrada em células embrionárias pode se comportar como neurônio maduro e funcional

Pesquisadores do Salk Institute for Biological Studies desenvolveram procedimento que usa proteína encontrada no cordão umbilical no tratamento de ampla variedade de condições neurológicas, incluindo AVC, traumatismo craniano e lesão medular.

Os cientistas criaram um protocolo que demonstra que essas proteínas, encontradas na mesoderme (camada média de células embrionárias), podem ser transferidas para as células ectodérmicas (na camada externa do cérebro) de onde surgem os nervos do cérebro e coluna. "Este estudo mostra, pela primeira vez, a conversão direta de uma população pura de células sanguíneas humanas da medula em células de linhagem neural pela expressão forçada de um fator de transcrição único", diz o professor Juan Carlos Izpisúa Belmonte, líder da equipe de pesquisa.

Os investigadores usaram um retrovírus, que atua como um interruptor no desenvolvimento neural, em células do cordão umbilical (CB). Após o cultivo em laboratório, eles descobriram colônias de células que expressam marcadores neuronais. Usando uma variedade de testes, eles determinaram que as novas células, chamadas de células neurais induzidas (INC), poderiam transmitir impulsos elétricos, assemelhando-se a neurônios maduros e funcionais. Além disso, eles transferiram as células para um cérebro de rato e descobriram que elas, integradas à rede neural do animal, eram capazes de transmitir sinais elétricos.

Para a co-autora do estudo, pesquisadora Alessandra Giorgetti, " células do cordão oferecem uma série de vantagens sobre outros tipos de células-tronco. Em primeiro lugar, elas não embrionárias e, portanto, não geram controvérsia. São mais flexíveis, do que as células-tronco de adultos, extraídas a partir de fontes como a medula óssea, o que pode torná-las mais fáceis de serem convertidas em linhagens celulares específicas. A coleta de células CB é segura, indolor, não apresenta nenhum risco para o doador, e podem ser armazenadas nos bancos de sangue para posterior utilização" , finaliza.

"Se o nosso protocolo for desenvolvido em uma aplicação clínica, poderia ajudar em futuras terapias de reposição celular", diz Mo Li, também co-autor do artigo.

Fonte isaude.net