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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O acúfeno, um barulho permanente no ouvido, pode se tornar enlouquecedor

Ainda não existe cura para o problema
Problema atinge cerca de 10% a 20% da população, principalmente pessoas com idade acima de 65 anos
 
Pouco depois de meu aniversário de 70 anos, comecei a ouvir um zumbido agudo, sempre na orelha esquerda. Eu percebi que o ouvia apenas durante momentos de silêncio, mas logo me dei conta de que ele nunca ia embora.
 
Um especialista em ouvido, nariz e garganta (otorrinolaringologista) examinou meus ouvidos e me consultou sobre meu histórico médico, fazendo perguntas sobre o quanto me expus a ruídos e sobre os medicamentos que tomo. Um audiologista verificou minha audição.
 
Diagnóstico: acúfeno, com uma perda auditiva de grau leve na faixa superior que praticamente correspondia ao tom do zumbido.
 
Embora não fosse particularmente perturbador, perguntei o que poderia ser feito caso o zumbido ficasse alto a ponto de interferir na minha vida e na minha capacidade de ouvir com clareza (cerca de 85% dos casos de acúfeno são acompanhados por perda auditiva). A resposta foi que eu poderia utilizar um aparelho auditivo.
 
Porém, como o acúfeno de que sofro é leve, não foi feita menção de nada que possa aliviar o ruído que está constantemente presente na minha cabeça.
 
O acúfeno consiste na sensação auditiva de um barulho crônico de volume, intensidade e tom variáveis que não se origina de nenhuma fonte externa. Pelo contrário, ele parece vir de dentro da cabeça da pessoa. Fica mais evidente quando tudo está silencioso e pode não ser notado quando a pessoa está distraída — quando participa de atividades físicas, por exemplo, ou ouve música.
 
Ainda não existe cura para o acúfeno, um problema que pode atrapalhar a vida de quem é acometido — cerca de 10% a 20% da população, principalmente pessoas com idade acima de 65 anos.
 
Entre as causas possíveis estão lesões na cabeça e no pescoço, medicamentos que causam danos ao ouvido, doenças arteriais e autoimunes, problemas nos ouvidos e disfunções na articulação temporomandibular.
 
Até recentemente, não havia nenhum tratamento de eficácia duradoura confirmada por estudos clínicos controlados, apesar de uma série de remédios ser endossada de modo variado por especialistas em audição e interessados em lucrar com o nicho.
 
Além de um aparelho auditivo, o remédio mais comumente prescrito é um “dispositivo de mascaramento,” uma máquina que faz soar um ruído natural ou artificial nos ouvidos da pessoa, numa tentativa de suprimir o barulho percebido por ela. No entanto, o barulho produzido pelo dispositivo de mascaramento pode se tornar tão incômodo como o do acúfeno.
 
— Os pacientes que reagem mal ao dispositivo de mascaramento muitas vezes têm de ouvir a explicação de que não o usaram por tempo suficiente ou de forma consistente o bastante — diz a piscóloga e pesquisadora Rilana Cima, da Holanda.
 
O alívio pela psicologia
A maioria das pessoas que sofre de acúfeno vive razoavelmente bem. Mas, para cerca de 3% dos pacientes, ela é extremamente debilitante, causa intensa angústia e aflição e os deixa incapacitados de exercer suas atividades.
 
Um tratamento habitual envolve um exame médico e um teste de audição, geralmente seguido pela receita de um aparelho auditivo, um dispositivo de mascaramento ou ambos.
 
Também se costuma receitar antidepressivos, ansiolíticos e soníferos, entre outros medicamentos, para aliviar a angústia emocional e outros sintomas debilitantes.
 
— Os pacientes afirmam que o barulho os deixa loucos — resume a psicóloga e pesquisadora Rilana Cima.
 
Recentemente, a equipe de Rilana demonstrou a eficácia de uma abordagem multidisciplinar, baseada na psicologia, para enfrentar o acúfeno. A técnica não faz o ruí­do desaparecer, mas mostra que há uma esperança concreta para aliviar as pessoas cuja capacidade de trabalhar, dormir e aproveitar a vida é prejudicada pelo acúfeno.
 
O tratamento de três meses desenvolvido e testado pela equipe holandesa baseia-se exclusivamente em técnicas psicológicas e recorre à terapia cognitivo-comportamental e a princípios da terapia de exposição, que já se mostraram eficazes para tratar fobias.
 
No modelo terapêutico, após uma sessão educativa e aulas de relaxamento profundo, os pacientes são gradualmente expostos a uma fonte externa que toca o mesmo zumbido que escutam o tempo todo. Após 10 a 12 sessões, eles se acostumam com o barulho, que passa a não mais incomodá-los.
 
— Não é o ruído em si, mas a reação extremamente negativa que os pacientes têm ao escutá-lo que compromete a vida cotidiana — explica Rilana.
 
Ela comparou a abordagem a ajudar as pessoas a superarem o medo de aranhas por meio da indução de um relaxamento profundo e gradual introdução de objetos que representam o seu medo de modo cada vez mais realista.
 
— Elas podem nunca vir a adorar aranhas, mas podem viver mais confortavelmente com elas — diz Rilana.
 
Fonte The New York Times

Exame de sangue que detecta síndrome de Down chega ao país

Laboratórios brasileiros começam a oferecer um exame de sangue para gestantes que detecta problemas cromossômicos no feto a partir da nona semana de gravidez.
 
O teste é colhido no consultório como um exame de sangue comum e vai para os EUA, onde é feita a análise do material genético do feto que fica circulando no sangue da mãe durante a gestação.
 
A versão mais completa é eficaz para detectar as síndromes de Down, Edwards, Patau, Turner, Klinefelter e triplo X e custa R$ 3.500 no IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia), em São Paulo.
 
Nos próximos meses, o laboratório do hospital Albert Einstein e o Fleury também vão comercializar exames similares, que já estão disponíveis no mercado americano há pouco mais de um ano.
 
Hoje, o diagnóstico dessas síndromes congênitas é feito por meio do ultrassom e do exame do líquido amniótico ou da biópsia do vilo corial, em que é retirada uma amostra da placenta.
 
Esses testes são invasivos e trazem um risco de até 1% de abortamento.
 
Além de não aumentar o risco de complicações na gravidez, o novo teste pode ser feito antes dos tradicionais, indicados, em geral, a partir do início do quarto mês de gestação. O resultado fica pronto em cerca de 15 dias. Segundo o ginecologista Arnaldo Cambiaghi, diretor do IPGO, nenhuma amostra de sangue foi enviada para análise ainda.
 
O obstetra Eduardo Cordioli, coordenador-médico da maternidade do hospital Albert Einstein, lembra que, se o resultado do teste de sangue for positivo, o diagnóstico deve ser confirmado por meio da biópsia do vilo corial.
 
"O novo teste vai reduzir o número de biópsias feitas de forma desnecessária. Mas é preciso confirmar os resultados positivos."
 
Abortos
O problema é o que fazer diante de um resultado positivo. O aumento no número de abortos foi uma preocupação de grupos da sociedade civil na Europa e nos EUA após a aprovação desse tipo de teste nesses mercados.
 
No Brasil, o aborto é proibido a não ser em caso de anencefalia, violência sexual ou risco de vida para a gestante, mas estima-se que mais de 1 milhão de mulheres o pratiquem por ano.
 
"Por um lado, o exame vai tranquilizar a grande maioria que não vai ter problemas. Por outro, permite que os pais se preparem caso vão receber uma criança com alguma anomalia cromossômica", afirma Cambiaghi.
 
Entre as síndromes detectadas pelo exame, a de Edwards e a de Patau são praticamente incompatíveis com a vida, de acordo com Artur Dzik, diretor científico da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
 
Para ele, a entrada do teste no país não deve aumentar o número de abortos porque o acesso ao exame de preço alto será restrito e porque as mulheres que vão procurá-lo já teriam indicação para realizar os testes tradicionais. "Isso vai fazer parte do pré-natal de alto risco, para mulheres com mais de 38 anos."
 
No caso das síndromes de Patau e Edwards, afirma Cordioli, do Einstein, é possível pedir uma autorização judicial para realizar o aborto. "Mas cada caso é analisado separadamente."
 
Para síndrome de Down, anormalidade cromossômica mais comum, esse tipo de autorização não pode ser pedida, porque o problema não é incompatível com a vida.
 
Volnei Garrafa, professor titular de bioética da UnB (Universidade de Brasília), diz que a oferta de um teste como esse e as questões morais ligadas a ele deveriam passar por uma discussão ampla, em um conselho de bioética e no Congresso.
 
"Para interromper a gravidez, os pais teriam de pedir liminares. Como o Legislativo não faz as leis, o Judiciário acaba fazendo, o que é uma distorção da democracia."

Fonte Folhaonline

Anvisa cria grupo para endurecer cobrança de receita na farmácia

 
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) criou, na semana passada, um grupo de especialistas e interessados em discutir as novas regras de cobrança da receita dos medicamentos de tarja vermelha.
 
A chamada "força de trabalho" deve, em seis meses, mapear o atual cenário de venda desses medicamentos e apresentar medidas.
 
Em agosto de 2012, informamos que a agência queria evitar que os remédios de tarja vermelha (como anti-inflamatórios) fossem vendidos sem receita nas farmácias --o que contraria a norma atual, mas é prática corrente.
 
Esse grupo de remédios representa cerca de 65% do mercado, afirma a Anvisa.
 
No mês seguinte, o governo discutiu o assunto com a indústria e prometeu fazer um chamamento público.
 
O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, explica que a ideia é que um conjunto de medidas seja desenhado até o final desse ano.
 
"Não é um caminho simples. Simples é fazer uma norma ou cobrar a retenção da receita, mas esse não é o caminho."
 
Fonte Folhaonline

Três laboratórios têm interesse em assumir venda de remédio contra leucemia, diz ministério

Brasília - O Ministério da Saúde informou ontem (22) que pelo menos três laboratórios manifestaram interesse em assumir a venda do medicamento L-asparaginase, indicado para o tratamento da leucemia linfoide aguda. Em dezembro, o laboratório Bagó, que comercializa o remédio no Brasil, anunciou que só tem estoque para seis meses de abastecimento.
 
Hoje (23), às 14h, representantes do laboratório Bagó e o secretário de Ciência e Tecnologia, Carlos Gadelha, se reúnem para que fiquem claros os motivos que levaram à interrupção do fornecimento do L-asparaginase no Brasil.
 
O governo deve sugerir como alternativa à situação a transferência de tecnologia ou algum tipo de parceria que facilite a retomada da comercialização do produto no país. A expectativa do ministério é que, até sexta-feira (25), haja um posicionamento sobre o assunto.
 
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica alertou que as taxas de cura para a leucemia linfoide aguda podem cair caso haja um desabastecimento de L-asparaginase. Dados do órgão indicam que as taxas de cura entre crianças, por exemplo, chegam a 80%, mas estão fortemente relacionadas ao uso do remédio. Todos os anos, cerca de 3 mil pessoas, entre adultos e crianças, usam a droga no Brasil.
 
Fonte Agência Brasil

Prefeitos do noroeste fluminense e secretarias do Rio se reúnem para intensificar ações contra dengue

Rio de Janeiro - Prefeitos dos municípios do noroeste fluminense se reuniram na manhã de ontem (22) com o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e equipes de Vigilância e Saúde do governo estadual com o objetivo de intensificar as ações de combate à dengue. A região apresenta um grande número de casos neste verão, ao lado da Baixada Fluminense.
 
Durante o evento, foi avaliado o trabalho realizado nos centros de Hidratação de Pacientes com Dengue montados em Itaperuna, Miracema, Aperibé, Italva, Santo Antônio de Pádua e Cambuci e foi analisado o controle de focos do mosquito transmissor da doença pelos agentes de endemia municipais. O secretário e membros do governo discutiram com os prefeitos sobre o cenário epidemiológico do estado e da região.
 
O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, disse que as regiões noroeste e norte do estado são preocupantes pois historicamente apresentam uma transmissão de dengue mais precoce, com casos notificados nos meses de dezembro e janeiro.
 
“O estado tem um cenário de alto risco devido à entrada da dengue tipo 4, que na verdade não é um cenário só do Rio, mas de todo o Brasil. Toda a população que não teve dengue em 2012 é suscetível a esse tipo de vírus, uma vez que ele entrou no estado há cerca de dois anos. A situação hoje do estado, com exceção do município do Rio que teve um ano epidêmico em 2012, portanto tem uma parte importante da população já imunizada, é um cenário de alto risco”, disse o superintendente.
 
Segundo Chieppe, os números recentes da doença não configuram um quadro de alta transmissão em todo estado. “O que nós temos observado é a abertura de transmissão de dengue em alguns municípios de forma isolada. Obviamente é só o início do ano e sabemos que o maior período de transmissão no Rio se dá em março, abril e maio, então a situação é ainda de alerta máximo”.
 
De acordo com a Secretaria, até o dia 19 de janeiro (terceira semana epidemiológica deste ano), foram notificados 3.038 casos suspeito de dengue no Rio, e nenhum registro de óbito. No mesmo período de 2012 foram notificados 5.475 casos suspeitos da doença, também sem mortes.
 
Inspirada nas estratégias utilizadas pelo governo de Cingapura para interromper a epidemia de dengue no país asiático em 2004 e 2005, o governo do Rio e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem realizando a campanha 10 Minutos Contra a Dengue. A ação tem como objetivo incentivar a população a dedicar 10 minutos semanais à eliminação de possíveis focos do Aedes aegypti em suas residências. De acordo com o governo, 80% dos criadouros se desenvolvem no ambiente doméstico.
 
Informações sobre a campanha e também sobre o programa Rio Contra a Dengue, além de materiais explicativos contendo a descrição das ações semanais de combate podem ser obtidos no site www.riocontradengue.com.br ou na rede social Twitter www.twitter.com/RioContraDengue .
 
Fonte Agência Brasil