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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Viagra associado a risco elevado de DST

Prevenção: faltam campanhas direcionadas aos homens mais velhos
Pesquisa norte-americana sugere que remédios contra disfunção erétil são usados por homens que adotam comportamentos de risco
 
Homens de meia idade que tomam medicamentos para disfunção erétil, como o Viagra, estão mais propensos a terem doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), revela um estudo realizado com mais de 1.4 milhão de homens.
 
Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts e da Universidade do Sul da Califórnia disseram que a culpa não está no medicamento, mas sim no comportamento de risco dos homens que os tomam. E os médicos deveriam aconselhar esses pacientes sobre práticas de sexo seguro.
 
Pequenos estudos com homossexuais já tinham associados o uso de remédios contra disfunção erétil a comportamento de risco elevado e índices maiores de DSTs.
 
Mas o novo estudo, publicado no dia 6 de julho na “Annals of Internal Medicine”, é tido como o primeiro a ter uma amostra grande e representativa, focada em homens mais velhos. Os pesquisadores investigaram a sexualidade dos homens incluídos no estudo.
 
“Clínicos gerais e médicos de família geralmente não falam sobre práticas de sexo seguro e isso porque, em parte, as taxas de DSTs são bem menores nos homens mais velhos do que em homens mais jovens, na ordem de um para mil indivíduos”, disse o autor do estudo, Anupam B. Jena, um médico residente do Hospital de Massachusetts.
 
“Nosso estudo sugere que identificar o uso de medicamentos contra disfunção erétil já é suficiente para apontar um risco duas ou três vezes maior de DSTs”.
 
Jena e seus co-autores examinaram registros de seguros de saúde dos Estados Unidos entre 1997 e 2006. O estudo coletou dados de aproximadamente 34 mil homens que usavam remédios contra disfunção erétil e de outros 1.37 milhão de homens com mais de 40 anos que não usavam essas medicações.
 
A chance maior de ter DSTs foi identificada em dois momentos: um ano antes e um ano depois dos homens começarem a usar remédios para ereção. A DST mais frequentemente reportada foi a AIDS, seguida pela clamídia.
 
A pesquisa não revela se o uso de remédios para ereção aumenta o risco de DST – essa constatação é baseada na associação entre o uso das medicações e o comportamento de risco dos homens. Mas Jena disse que ele e seus colegas estão realizando outro estudo para verificar a nova hipótese.
 
O uso de medicamento para tratar disfunções eréteis cresceu significativamente desde o surgimento do sildenafil (Viagra), em 1998. E estudos recentes descobriram que o homem com mais de 50 anos está muito menos propensos que os homens jovens a usar preservativos, de acordo com informações de apoio do estudo.
 
“A pesquisa confirma o que suspeitávamos, que os homens que tomam medicamentos para disfunção erétil também fazem parte de um grupo de alto risco, no qual a atividade sexual será aumentada”, disse Peter Leone, um professor de medicina da Universidade do Norte da Carolina. “Então, não é a medicação que leva ao comportamento, é realmente o contrário”.
 
A descoberta sugere uma necessidade de mais responsabilidade em prescrever esses remédios, acrescentou Leone. “Médicos precisam perceber que esses pacientes precisam de exames para diagnóstico de DSTs constantemente, a menos que eles usem preservativos regularmente ou tenham um relacionamento monogâmico”.
 
iG

Como simplificar a decisão sobre o exame de próstata

Pesquisa sugere que nem sempre é preciso fazer acompanhamento do câncer de próstata
 
Uma das decisões mais difíceis que um homem precisa tomar sobre o câncer de próstata ocorre muito antes do diagnóstico. Ele deve ou não fazer um teste de sangue para detectar a doença?
 
A triagem para a detecção precoce do câncer pode parecer óbvia, mas não é uma escolha fácil para os homens quando são levados em consideração os testes regulares de PSA, que medem os níveis sanguíneos do antígeno prostático específico e são usados para detectar o câncer de próstata. Embora seja muito divulgado, estudos mostram que na verdade o exame de PSA é capaz de salvar poucas vidas.
 
Ao mesmo tempo em que este exame ajuda a encontrar alterações celulares na próstata, que atendem à definição técnica de câncer, muitas vezes os tumores crescem tão lentamente que, se deixados sozinhos, eles nunca irão causar danos.
 
Mas uma vez que o câncer é detectado, muitos pacientes, assustados com o diagnóstico, optam por tratamento cirúrgico e radioterapia, os quais podem prejudicar muito mais do que o próprio tumor, além de causar impotência e incontinência urinária.
 
Desta forma, os planos de saúde preferem não aconselhar os pacientes de uma maneira ou de outra sobre a realização de exames de PSA, afirmando que esta escolha deve ser discutida entre paciente e médico.
 
Então, como um homem decide se deve realizar o PSA ou não? Uma nova pesquisa oferece orientações simples e práticas para os homens acima de 60 anos.
 
Após os 60 anos
Pesquisadores do hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, e da Universidade de Lund, na Suécia, descobriram que o resultado do exame de PSA de um homem de 60 anos pode prever seu risco de morrer de câncer de próstata. O relatório foi publicado no periódico britânico “British Medical Journal” .
 
Os autores do estudo afirmam também que pelo menos metade dos homens que são examinados após os 60 anos na verdade não precisariam efetuar tais exames.
 
Os pesquisadores acompanharam 1.167 suecos desde os 60 anos até que morressem ou atingissem os 85. Durante esse tempo, houve 43 casos de câncer de próstata avançado e 35 mortes no grupo. Descobriu-se que uma pontuação de PSA de 2,0 ou mais aos 60 anos apresentava altas chances de desenvolver câncer de próstata avançado ou morrer da doença dentro dos 25 anos seguintes.
 
Cerca de um em cada quatro homens de 60 anos terá uma pontuação igual ou superior a 2,0 no exame de PSA e a maioria não irá desenvolver câncer de próstata. É o que afirma o principal autor do estudo, Andrew Vickers, responsável pela metodologia de pesquisa do hospital Memorial Sloan-Kettering. “Porém, esse resultado os coloca em um grupo de maior risco de homens que têm mais a ganhar com exames regulares”, conclui ele.
 
26 vezes mais chances
Quanto maior for a pontuação aos 60 anos, mais alto será o risco de morrer de câncer de próstata a longo prazo, afirmam Vickers e seus colegas. Homens com uma pontuação de 2,0 ou mais aos 60 teriam 26 vezes mais chances de eventualmente morrer da doença do que aqueles com pontuações abaixo de 1,0.
 
Ainda assim, o risco absoluto para os homens com pontuações elevadas foram menores do que o esperado. Segundo os pesquisadores, um homem de 60 anos com pontuação de PSA um pouco maior do que 2,0 tem um risco individual de morrer de câncer de próstata durante os próximos 25 anos de aproximadamente 6%. Um homem de 60 anos com uma pontuação de 5,0 apresenta um risco cerca de 17%.
 
"A maioria desses homens vai ficar bem", diz Vickers. "Mas eles podem ser informados de que são de alto risco e que precisam realizar os exames".
 
Baixo índice de PSA
O estudo também mostra que homens de 60 anos com uma contagem de PSA de até 1,0 apresentam um risco muito baixo de óbito por câncer de próstata ao longo dos próximos 25 anos: apenas 0,2 por cento.
 
"Eles podem ficar tranquilos, pois mesmo que tenham câncer de próstata, é pouco provável que corram risco de morte", afirma Vickers. "É um forte motivo para que sejam dispensados do exame".
 
O conselho é menos claro para os homens com pontuação entre 1,0 e 2,0 na idade de 60 anos. Eles ainda têm um baixo risco de morrer de câncer de próstata, a julgar pelos novos dados. Vickers ressalta que o risco a longo prazo varia de cerca de 1% a 3% para esses pacientes, e a decisão de realizar o exame pode depender de suas visões pessoais e históricos familiares.
 
Paz de espírito
Embora as descobertas não respondam a todas as questões relacionadas aos exames de PSA, elas podem trazer paz de espírito para aqueles que decidem não continuar com os testes regulares. Os resultados também asseguram aos homens que decidem continuar com os exames regulares de que os benefícios em geral superam os riscos.
 
O Dr. Eric A. Klein, presidente do Instituto Glickman de Urologia e Nefrologia da Clínica Cleveland, disse que gostaria de ver os resultados do novo estudo, mas que outras pesquisas também têm sugerido que o risco de câncer é baixo em homens cujos níveis de PSA estejam abaixo de 1,5 nas idades entre 50 e 60 anos.
 
"Estamos no meio de uma mudança de paradigma nos exames e na avaliação de riscos, que já não depende de uma simples contagem de PSA para determinar em quem deve ser feita a biópsia", explica Klein.
 
O exame de PSA já não é recomendado para os pacientes com mais de 75 anos, pois a lenta evolução da doença significa que grande parte dos homens nessa idade está suscetível a morrer por outro motivo que não seja o câncer de próstata recém detectado. Um amplo estudo realizado no ano passado confirmou que o exame de PSA não é útil para homens com 10 anos ou menos de expectativa de vida.
 
Jovens cinquentões
Entretanto, a orientação continua nebulosa para os homens mais jovens. De acordo com uma vasta pesquisa europeia feita no último ano, os homens de 50 a 54 anos não se beneficiaram do exame. Ao mesmo tempo, pacientes com idades variando entre 55 e 69 que fizeram o exame de PSA anual tiveram menos probabilidades de morrer de câncer de próstata do que aqueles que não o fizeram.
 
Os pesquisadores responsáveis pelo último estudo também investigaram se a pontuação de PSA de um homem com 50 anos pode prever seu risco a longo prazo. Segundo um relatório de pesquisa feita com 21 mil homens em 2008 e publicado na revista “BMC Medicine”, dois terços dos casos de câncer avançado que se desenvolveram ao longo de 25 anos ocorreram em homens que tiveram uma contagem de PSA acima de 0,9 aos 50 anos de idade.
 
Estas conclusões podem ajudar os mais jovens a decidirem se querem rastrear a doença. Um homem cujo PSA mostra que seu risco é baixo aos 50 anos pode decidir não realizar o exame novamente até os 60 anos. Já outro com uma pontuação mais elevada pode decidir realizar exames mais frequentes.
 
"Não resolvemos todos os problemas com a triagem", observa Vickers. "Precisamos rastrear menos pessoas, as pessoas certas, e não temos que tratar todos os tumores que encontrarmos."
 
iG

Oito fatores que aumentam o risco de câncer de próstata

Sociedade lista as condições por trás doença, algumas evitáveis como tabagismo e obesidade
 
Apenas entre 5% e 10% dos casos de câncer de próstata são atribuídos às mudanças celulares que os homens herdam de seus pais, afirma a Sociedade Americana de Câncer (ACS, sigla em inglês)
 
O restante dos casos (cerca de 90%) pode ser atribuído às alterações nas células que acontecem durante a vida de um homem.

Quais são os fatores que aumentam a probabilidade de ter câncer de próstata?
 
A ACS elenca uma lista de hábitos de risco:
 
1) O primeiro fator é ter mais de 65 anos. Dois em cada três casos de câncer de próstata ocorrem nesta faixa-etária

2) Ser afro descendente, mas as razões para este grupo ser mais vulnerável a este tipo de câncer ainda não são compreendidas

3) Por razões também não muito claras, a incidência de câncer de próstata também é maior entre os que são de origem da América do Norte e noroeste da Europa

4) Ter alguém na família com histórico de câncer de próstata

5) Comer uma dieta rica em carne vermelha e produtos lácteos com alto teor de gordura. Homens que têm este padrão alimentar também costumam comer menos vegetais e frutas

6) Ser obeso

7) Não fazer exercícios físicos em quantidade suficiente

8) Ser fumante
 
iG

Novo estudo questiona proteção da finasterida contra câncer de próstata

Getty Images
Célula de câncer de próstata: proteção da finasterida é relativa,
mas pode ser benéfica
Novos estudos mostram que remédio contra calvície pode não prevenir totalmente o câncer, mas diminui o risco de tumores de baixo risco
 
Um novo estudo alimentou o debate sobre se os homens deveriam usar uma droga contra a calvície para prevenir o câncer de próstata . O remédio, finasterida, é uma droga genérica hoje amplamente usada por homens para encolher próstatas aumentadas, assim como para o tratamento contra a calvície. Em 2003, um estudo com 18 mil homens mostrou que a droga diminuía em 30% o risco de câncer de próstata.
 
Mas a agência reguladora FDA nunca aprovou o finasterida para evitar o câncer de próstata. Apesar de a droga claramente reduzir o risco total, um número ligeiramente maior de homens que usaram o remédio desenvolveram tumores de crescimento rápido em comparação aos que tomaram o placebo.           
                          
Na quarta-feira (14), um estudo publicado no New England Journal of Medicine reabriu o debate sobre os potenciais benefícios da droga. Ele mostrou que 14 a 17 anos depois, a taxa de sobrevivência foi a mesma entre os homens que tomaram o finasterida e os que receberam o placebo. A descoberta sugere que a droga não estava causando os tumores agressivos. Em vez disso, ao reduzir o tamanho da próstata ela tornou mais fácil que esses tumores fossem identificados.           
           
Os resultados mostram que a droga pode ser usada com segurança para tratar próstatas aumentadas, mas também levanta questões sobre se ela serve para prevenir câncer de próstata.
 
Os autores estimam que o amplo uso pode ter poupado 70 mil homens de um ano de trauma emocional e físico pelo diagnóstico e tratamento de câncer de próstata. Usar a droga não prolonga suas vidas ou os protege do câncer agressivo, mas diminui o risco de câncer de próstata menos agressivos. Como resultado, menos homens receberam tratamentos desnecessários contra o câncer.           
         
Ian Thompson, diretor do centro de terapia e pesquisa de câncer na Universidade do Texas em San Antônio e autor do estudo, disse que grande número de homens com tumores de baixo risco são tratados sem necessidade, com terapias que frequentemente deixam os homens impotentes ou incontinentes, e aí está o beneficio de se prevenir cânceres não letais.
 
“A droga não reduz risco de cânceres que ameaçam a vida dos homens, mas de tumores de baixo risco que levam a imensas quantidades de exames frequentes e tratamentos”, afirmou Thompson.             
 
Peter Scardino, chefe do programa de câncer de próstata no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, diz que ele não espera que a pesquisa leve os médicos a prescrever a droga para prevenir o câncer. No entanto, pode levar homens com alto risco de câncer de próstata, como aqueles com histórico familiar que fazem exames frequentes, a tomar a droga. O estudo também pode abrir caminho para novas pesquisas sobre prevenção e tratamento de cânceres em estágio inicial.           
           
“Temos de investigar mais o assunto. Possuímos um mecanismo biológico que pode prevenir esses tumores de baixo risco, o que deixa uma porta aberta para novas pesquisas”, afirmou Scardino.             
iG

Fotos de celebridades ajudam diagnóstico de forma de demência

Divulgação
Cientistas pediram que pacientes identificassem fotos de famosos,
 como Elvis Presley
Pessoas que apresentaram sinais iniciais de uma demência rara tiveram dificuldades para reconhecer rostos de pessoas famosas
 
Pedir a pacientes que identifiquem fotos de pessoas famosas - como Elvis Presley ou a princesa Diana, por exemplo - pode ajudar médicos a identificar traços precoces de um tipo de demência , dizem pesquisadores.
 
Atualmente, médicos usam testes de agilidade mental para tentar diagnosticar a doença. Especialistas dos EUA acreditam que um teste adicional de reconhecimento facial pode ajudar esse diagnóstico.
 
Segundo um pequeno estudo publicado no periódico Neurology , o método do reconhecimento facial ajudou a identificar sinais de um tipo de demência em 30 pacientes.
 
Mas novos estudos são necessários para saber se a iniciativa serve também para notar outras variações da doença.
           
Pontos para rostos
A pesquisa, da Universidade Northwestern, em Chicago, descobriu que pessoas com afasia primária progressiva (APP) - uma forma rara de demência - em fase inicial tiveram dificuldades em identificar fotos em preto e branco de pessoas famosas, como John F. Kennedy, Albert Einstein e Martin Luther King.
 
Os participantes receberam pontos para cada rosto que conseguiam reconhecer. Se eles não conseguissem lembrar o nome da pessoa famosa, podiam tentar identificá-la descrevendo-a.
 
Comparados com 27 voluntários sem sinais de demência, 30 pacientes pontuaram muito pouco no teste facial.
 
Ainda que seja normal que qualquer pessoa esqueça nomes e rostos ocasionalmente, o fato de esquecer-se de famosos como Elvis Presley pode ser indicativo de problemas mais sérios.
 
Após o teste, os pacientes foram submetidos a exames médicos, que revelaram perda de tecido cerebral em áreas que lidam com o reconhecimento facial.
           
Nuances
Para Tamar Gefen, líder da pesquisa, o teste pode ser útil se somado a outros já usados por médicos para detectar a demência.
 
"Há muitas nuances e diferenças (nos diagnósticos de) demência, então é bom usar diferentes testes", disse ela.
 
O teste de celebridades, porém, teria de ser adaptado para cada indivíduo. Alguém de 45 anos pode não reconhecer, por exemplo, estrelas de Hollywood dos anos 30; e um paciente de 80 anos talvez não identifique famosos atuais.
 
"É importante dar um diagnóstico preciso para portadores de demência, para que eles possam buscar o cuidado e o tratamento adequados", diz a médica Marie Janson, do grupo Alzheimer's Research UK, ressaltando que são necessários novos estudos.
 
"Diferentes formas de demência podem ser difíceis de se identificar. Estudos como este podem ampliar nosso entendimento sobre como o cérebro é afetado, mas precisamos investir em mais pesquisas para que esses resultados possam ser usadas para um melhor diagnóstico."
 
Para a Sociedade de Alzheimer britânica, o teste pode ajudar a identificar formas raras de demência "que poderiam passar despercebidas". Mas a entidade ressalta que "problemas de reconhecimento facial não são sintomas de todos os tipos de demência, então precisamos de mais estudos para saber se adaptações desta abordagem podem ter uma aplicação mais ampla".
 
iG