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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Rio lança plano de combate à tuberculose

Rio de Janeiro – Estado com o maior índice de tuberculose do país, o Rio de Janeiro lançou ontem (20) um plano de ação contra a doença. A estratégia, que também pretende combater a aids, prevê um pacto com os 92 municípios para reduzir os casos e melhorar o tratamento dessas doenças, segundo o superintendente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe.
 
Entre as medidas previstas pelo plano está o apoio à elaboração de estratégias municipais para combater essas doenças, a fixação de prazos mínimos para resultados de exames e as primeiras consultas médicas e a ampliação de leitos nos hospitais.
 
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, para a aids, por exemplo, o plano prevê o prazo máximo de 15 dias para o resultado do exame de detecção e uma semana após o resultado para a primeira consulta. No caso da tuberculose, está prevista a reforma de dois centros estaduais de referência, o Hospital Estadual Santa Maria e o Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras. Há ainda a previsão de triplicar os leitos para pacientes com tuberculose multirresistente.
 
“A ideia de pactuar isso com as prefeituras é dar visibilidade a doenças que estavam esquecidas. Não é incomum hoje as pessoas perguntarem se a tuberculose ainda existe. Na verdade, o que a gente quer mostrar primeiro é que essas doenças têm um impacto muito grande na saúde pública do estado”, disse Chieppe.
 
De acordo com a secretaria, a taxa de incidência da tuberculose é 68,7 casos por 100 mil habitantes, taxa 13 vezes maior do que a considerada aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é 5 por 100 mil. As taxas são ainda maiores em cidades como o Rio de Janeiro (91,2 por 100 mil) e São João de Meriti (93 por 100 mil), cidade da Baixada Fluminense que é uma das mais povoados do país.
 
Todos os anos, cerca de 800 pessoas morrem da doença no estado. O bacilo de Koch, bactéria que provoca a tuberculose, é transmitida pelo ar. A Secretaria de Saúde acredita que um dos principais motivos da grande incidência da doença é o adensamento populacional, com casas pouco arejadas e ventiladas que ajudam a disseminar a bactéria.
 
Os principais sintomas são tosse persistente por mais de três semanas, cansaço, emagrecimento, perda de apetite e suor noturno. O tratamento dura pelo menos seis meses. Segundo a Secretaria de Saúde, pacientes com aids são mais suscetíveis à doença devido à queda da imunidade.
 
Agência Brasil

Sem médico, hospital de Miguel Alves envia acidentados para tratar em Teresina

Miguel Alves (PI) – A escassez de médicos especialistas em municípios do interior é uma das principais reclamações de gestores de unidades de saúde. A diretora do Hospital Pedro Vasconcelos, em Miguel Alves (PI), Luciana Madeira, diz que faltam principalmente ortopedistas no município.
 
Com cerca de 32 mil habitantes, a maioria na área rural e pouca infraestrutura urbana, muitos moradores de Miguel Alves recorrem a motocicletas para se locomover, em geral sem usar capacete ou qualquer outro equipamento de segurança. O resultado, conforme destacou a diretora da unidade, é um alto número de pacientes que dão entrada na emergência por causa de acidentes de trânsito. Nos fins de semana, a situação costuma ser mais grave, quando chegam a ser atendidos até 15 acidentados.
 
“O clínico atende, solicita raio X, que funciona 24 horas mas é antigo e, em 80% dos casos, encaminha para a capital, Teresina, a 100 quilômetros de distância”, disse Luciana. A diretora enfatizou que a presença do ortopedista não resolveria todos os casos porque o hospital, de pequeno porte, não teria capacidade para fazer cirurgias complexas que dependem de equipamentos de custo elevado, como tomógrafos e ressonância magnética.
 
Ela argumenta, no entanto, que os especialistas na área ajudariam a tratar os casos menos graves e a fazer um diagnóstico mais preciso. Na unidade hospitalar, o centro cirúrgico está desativado por falta de equipamentos e de profissionais.
 
Outra especialidade que, segundo Luciana, faz falta no município é dermatologia. Mesmo sem saber precisar quantos casos são registrados a cada mês, ela enfatizou que são comuns os de calazar (leishmaniose visceral). A doença é transmitida pelo mosquito-palha ou birigui - Lutzomyia longipalpis - que, ao picar, introduz na circulação do hospedeiro o protozoário Leishmania chagasi. A doença causa lesões na pele e a transmissão, em geral, é feita do cachorro já infectado para o homem.
 
A diretora da unidade de saúde também informou que no hospital do município a sala de ultrassom fica ociosa a maior parte do tempo, funcionando apenas uma semana vez por semana, no único dia que o médico responsável pelo exame vai à cidade. Ela acrescentou que para dar conta da demanda, o especialista faz, em média, 80 exames às sextas-feiras. Os atendimentos começam às 15h. Uma hora antes, em média, 50 pacientes já aguardam na recepção do hospital.
 
A dona de casa Francisca Lima da Silva, 65 anos, moradora de Miguel Alves, prefere chegar cedo para não correr o risco de perder o exame. “Acho ruim, mas tem que enfrentar”, disse à Agência Brasil.
 
Moradora da área rural do município, a 30 minutos do centro urbano, a lavradora Francilene de Souza, 33 anos, também aguardava para fazer o exame no filho, de 4 anos, bem antes do início dos atendimentos. Com febre e apresentando barriga inchada, a médica do Programa Saúde da Família que a atendeu, suspeitava de infecção intestinal.
 
“Ele só vive com a barriga fofa, dando febre e a médica passou esse exame no mês passado. Marquei para fazer hoje porque é caso de urgência”, disse Francilene.
 
Na avaliação da prefeita de Miguel Alves, Salete Rego, a dificuldade de fixar médicos, especialistas e generalistas, está associada ao fato de o município ter 68% da população vivendo na zona rural. "Quem é urbano, dificilmente quer viver em um ambiente rural", disse.
 
Ela informou que o município aderiu ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que estimula a formação de médicos para atender populações em locais carentes, e ao Mais Médicos, mas acredita que somente essas medidas não serão suficientes para resolver os problemas na saúde local. Ela defende maiores repasses de recursos para financiar a saúde do município.
 
"Temos que equipar postos de saúde para que o médico tenha melhores condições para trabalhar. O município não tem estrutura financeira para manter a saúde", disse a prefeita.
 
Situado ao norte do Piauí, o município de Miguel Alves ocupa a 5.332ª posição entre os 5.565 municípios do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado há duas semanas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). De acordo com a pesquisa, a mortalidade infantil - de crianças com menos de 1 ano - em Miguel Alves caiu 45%, passando de 54,4 por mil nascidos vivos em 2000 para 29,4 por mil nascidos vivos em 2010.
 
O patamar, no entanto, ainda está bem acima do previsto nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, que estabelece que a mortalidade infantil para o Brasil deve estar abaixo de 17,9 óbitos por mil em 2015. Em 2010, as taxas de mortalidade infantil do estado do Piauí e do país eram 23,1 e 16,7 por mil nascidos vivos, respectivamente.
 
Agência Brasil

Falta de médicos em postos de Manaus sobrecarrega hospitais do SUS

Manaus - A Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Grande Vitória, na periferia da capital amazonense está em funcionamento, mas nem todos os atendimentos previstos podem ser feitos no local pois o único médico da equipe está afastado, com problemas de saúde. Segundo funcionários, até agora não houve substituição pois não há profissional disponível.
 
"A secretaria [Municipal de Saúde] informou que não tem médico para colocar no lugar dele. Aqui a equipe era completa, mas algumas unidades foram desativadas há anos porque não tinham nem médico, nem enfermeiro", contou à Agência Brasil uma funcionária que pediu para não ser identificada.
 
Na UBS, que responde pela atenção à saúde de cerca de 3,5 mil moradores do bairro, um enfermeiro atende os casos mais simples, como dores de cabeça ou abdominais. Se o motivo da procura é um pouco mais grave, como complicações associadas à hipertensão ou a diabetes, que correspondem juntamente com as doenças endêmicas, como a malária, à maior parte das demandas, o paciente é orientado a buscar atendimento em um posto de saúde que tenha médico especialista ou em um hospital da região.
 
"O problema, quando isso ocorre, é que sobrecarrega ainda mais os hospitais, que já costumam ter fila. Além disso, para ir até algumas unidades, tem que pegar ônibus e muitas vezes as pessoas aqui do bairro dizem que não têm dinheiro para isso", acrescentou a funcionária.
 
A empregada doméstica Tamar da Silva Santos, de 52 anos, mora no bairro Grande Vitória. Hipertensa, ela disse que a falta de médico no local já dura mais de uma semana, diferentemente do que informaram os funcionários da unidade. Segundo ela, há pelo menos dois meses não consegue marcar consulta para avaliar seu quadro de saúde e pegar a medicação de que necessita.
 
"Desde maio eu pelejo para marcar uma consulta aqui mas não consigo porque eles dizem que não tem médico. Já fui a outros postos, como o Alfredo Campos, e também não consegui. A gente vai de madrugada, arriscando a vida e não consegue marcar. Enquanto isso, tomo remédio caseiro [para controlar a pressão arterial] ", contou Tamar.
 
Em outro bairro da periferia de Manaus, Nova Floresta, funcionários dizem que o desfalque na equipe é na área de enfermagem. Na unidade, trabalham um clínico geral, dois técnicos em enfermagem, um agente de endemias e sete agentes de saúde, que fazem a cobertura de uma área onde vivem aproximadamente 1,5 mil famílias de baixa renda. Quando a reportagem chegou ao local, no entanto, às 16h, o médico já havia encerrado as atividades e não estava mais no posto.
 
De acordo com relatos dos funcionários, a equipe é dedicada e se esforça para manter o local organizado e limpo, mas precisa contornar limitações físicas para atender os pacientes. Em um imóvel de aproximadamente 50 metros quadrados, os cômodos têm mais de uma função: na sala de espera, também são feitos curativos e até retirados pontos enquanto o consultório é usado pelo médico para atender e medicar a população. A farmácia improvisada ocupa uma parede no mesmo cômodo em que está montada a copa, dividindo o espaço com uma pia e uma geladeira. Os medicamentos ficam armazenados em uma estante com prateleiras de madeira, sem qualquer refrigeração, onde se registram temperaturas elevadas na maior parte do ano.
 
"O ideal seria que tivéssemos um lugar adequado, com refrigeração ou menos calor. Aqui, faz 39 graus [Celsius] com facilidade", disse Elinete Souza, técnica em enfermagem. Ela também contou que, como só há uma pia no local, as máscaras de inalação usadas principalmente em crianças com problemas respiratórios, são higienizadas no mesmo lugar em que se lavam louças.
 
A Secretaria de Saúde de Manaus admite as condições inadequadas de atendimento em muitas unidades de atenção básica, algumas com apenas 32 metros quadrados. Para tentar melhorar a situação, o secretário Evandro Melo informou que o governo federal repassou ao município R$ 85,3 milhões para construção de 40 UBSs, reformar outras 45 e ampliar 28 unidades básicas de saúde.
 
Ele acrescentou que Manaus aderiu ao Programa Mais Médicos e espera receber 57 profissionais. A expectativa é que, com isso, até 2016 a cobertura da atenção básica aumente dos 37% atuais para 70% da população, atingindo 1,4 milhão de habitantes. Os demais 30%, segundo levantamento da prefeitura, contam com algum tipo de plano de saúde privado.

Agência Brasil

Falta de médico e demora de atendimento são comuns em posto de Manaus

Manaus - "Vida de pobre é assim, minha filha. A gente sofre para ter atendimento, mas vai fazer o quê? Tem que esperar e voltar quando não tem o médico que a gente precisa". Foi com tom de resignação que a vendedora manauara Alciléia Nunes de Souza, de 30 anos, falou sobre a tarde de espera na Unidade Básica de Saúde (UBS) Alfredo Campos, no bairro Zumbi, zona leste da capital amazonense.
 
Sentindo desconforto por causa do agravamento do quadro de rinite alérgica, ela foi até a unidade de saúde para se consultar com um clínico geral e aproveitou para levar as duas filhas, de 4 e 9 anos de idade, que também apresentavam sintomas de problemas respiratórios. Depois de mais de quatro horas de espera, junto com as meninas, ela conseguiu ser atendida, mas teria que voltar no dia seguinte.
 
"Me disseram que hoje está sem pediatra, que para elas serem atendidas só amanhã. Vai ser mais um dia sem aula em que a gente vem e espera sem saber quando o médico vai atender", disse enquanto abria um pacote de biscoitos comprado em uma pequena venda do outro lado da rua. "É para disfarçar a fome delas um pouco", acrescentou.

 
A empregada doméstica Aurilene Barbosa, 45 anos, vizinha da UBS do bairro Zumbi, também reclamou da falta de pediatra no local e das longas filas que se formam para quem precisa pegar a senha a espera de atendimento. É ela quem leva a neta, Ana Eduarda, de 3 anos, à unidade de saúde quando a menina precisa de consulta médica.

"Aqui, a fila começa às 3h da madrugada. Às 7h, quando o posto abre para a gente pegar a senha, ela já está dando volta no quarteirão. E não é difícil acontecer de não ter o médico e a gente ter que voltar outro dia e sofrer tudo de novo", contou Aurilene que elogiou, no entanto, o atendimento da equipe de saúde. "Quando a gente é atendido, funciona. Tem uns médicos aí bem atenciosos, que olham direitinho", disse.
 
Na mesma unidade de saúde, um grupo de grávidas reclamava da falta de obstetra. Aos quatro meses de gestação, a desempregada Edna Isaura Aguiar, 33 anos, disse que a consulta estava sendo desmarcada pela segunda vez porque o médico que a atenderia havia faltado.
 
"Me mandaram esperar porque uma substituta pode chegar a qualquer momento, mas acontece que eu cheguei às 13h, já são quase 17h e até agora nada. Não dá para ser toda vez assim", disse.
 
Também grávida de quatro meses, a cabeleireira Jucicleide de Paula Mendes, de 25 anos, desistiu de esperar pela consulta de pré-natal. Sem ter com quem deixar o filho mais velho, de 2 anos, ela esperou por quase quatro horas sem saber se a médica substituta chegaria para atendê-la.
 
"A esta hora acho que não vem mais ninguém. Ele já até dormiu, vou ter que voltar outro dia", lamentou enquanto carregava o menino adormecido em seu colo. "O problema é que a gente fica sem saber se tem que tomar alguma coisa, como está o bebê. É muito ruim", disse.
 
A Secretaria de Saúde de Manaus admite as condições inadequadas de atendimento em muitas unidades de atenção básica, algumas com apenas 32 metros quadrados. Para tentar mudar a situação, o secretário Evandro Melo informou que o governo federal repassou ao município R$ 85,3 milhões para construção de 40 UBSs, reformar 45 e ampliar 28 delas.
 
Ele acrescentou que Manaus aderiu ao Programa Mais Médicos e espera receber 57 profissionais. A expectativa é que, com isso, até 2016 a cobertura da atenção básica aumente dos 37% atuais para 70% da população, atingindo 1,4 milhão de habitantes. Os restantes 30%, segundo levantamento da prefeitura, contam com algum tipo de plano de saúde privado.
 
Agência Brasil

Maranhenses sofrem com falta de médicos e hospitais sem estrutura

Rosário (MA) - Com uma população de aproximadamente 40 mil habitantes, o município de Rosário, a 70 quilômetros da capital São Luís, é mais uma das cidades brasileiras que sofrem com a falta de profissionais de saúde, principalmente médicos, e de estrutura para garantir a oferta de serviços nos moldes do que prevê o Sistema Único de Saúde (SUS).
 
O estado do Maranhão, segundo dados do Ministério da Saúde, apresenta a mais baixa proporção de médicos por mil habitantes no país, correspondendo a um terço da média nacional. Enquanto a média nacional é 1,8 médico a cada mil habitantes, no Maranhão a proporção é 0,58.
 
No único hospital do município, a Unidade Mista de Saúde, a maioria das salas está desativada.
 
Menos de 10% da estrutura física são usados. Com corredores vazios, portas de madeira corroídas, paredes descascadas e piso quebrado, o cenário é de abandono. Em um dos quartos, onde uma mulher de 79 anos estava em observação após uma crise de hipertensão, parede e teto apresentavam sinais de mofo. Com ventilação apenas por meio das janelas, a filha, que pediu para não ser identificada, tentava amenizar o calor abanando a lavradora com um papel. O incômodo era agravado pela ação de uma funcionária do hospital que higienizava o quarto jogando desinfetante no chão, mesmo com a presença das duas.
 
"Ela passou mal e eu corri para cá com ela, mas a situação é muito ruim. Deram a medicação e agora estamos esperando, com esse calor todo. Mas não tem o que fazer, tem que esperar", disse a jovem.

De acordo com funcionários do hospital, os equipamentos da unidade também estão sucateados. O auxiliar de enfermagem Francisco de Assis, que ocupava o cargo de coordenador administrativo até o mês passado, disse, por exemplo, que a autoclave, que serve para esterilizar roupas e materiais, tem pelo menos 30 anos de uso, está obsoleta e pode comprometer a total eliminação de micro-organismos.
 
O hospital, que atende casos de urgência e emergência, também não tem desfibrilador - equipamento usado em casos de parada cardiorrespiratória com objetivo de restabelecer ou reorganizar o ritmo cardíaco - e, segundo o médico plantonista Lúcio Fábio Guimarães, o aparelho de raio X está quebrado há três anos. Além disso, o centro cirúrgico e a sala de parto estão desativados por falta de condições de funcionamento.
 
"A infraestrutura aqui é precária, isso é notório. Uma vez comentei com um enfermeiro que a população reclamaria da falta do raio X e ele me respondeu que, infelizmente, as pessoas já estão acostumadas a não ter [equipamentos funcionando]", disse o médico.
 
Com dores no pé há três semanas e sem conseguir fazer o raio X na rede pública, a pescadora Maria de Jesus Souza Carvalho, de 50 anos, foi a uma clínica particular no município para saber o preço do exame. Segundo ela, para pagar os R$ 50 cobrados no local será preciso pedir a ajuda de parentes e amigos.
 
Depois de ser atendida no hospital de Rosário, ela foi ao município vizinho de Bacabeira para tentar uma consulta com o ortopedista e fazer o exame. No local, foi informada de que teria que voltar alguns dias depois para marcar a consulta com o especialista que só atende no município uma vez por semana.
 
"Eu fui ao médico e ele me mandou consultar com um ortopedista. Fui em outra cidade, porque me disseram que lá tinha ortopedista e ele fazia o exame na hora, mas o médico não estava lá. Então voltei e consegui marcar com o ortopedista aqui em Rosário, mas só para daqui a duas semanas. Como estou com muitas dores no pé, vou tentar fazer aqui na particular", contou ela, que teve que parar de trabalhar desde que o pé começou a inchar. "Não dá para trabalhar porque quase não posso andar, não posso colocar o pé no chão", lamentou a pescadora.
 
A secretária de Saúde de Rosário, Mauricea Rodrigues Lopes, reconhece que o setor é o "maior gargalo" da administração municipal. Segundo ela, os recursos que o município dispõe são insuficientes para reformar a unidade que já foi federal, tendo sido repassada à prefeitura há cerca de 20 anos.
 
"Nós fazemos apenas reformas pontuais, mas seria necessário investir aproximadamente R$ 1 mihão [para recuperar o hospital] e o município não tem verba para isso. Esse hospital é um elefante branco", desabafou a secretária de Saúde de Rosário.
 
 
Mauricea Lopes explicou que há muitos casos que chegam à unidade e precisam ser encaminhados ao hospital estadual no município vizinho de Morros, a 30 quilômetros de Rosário, que "nem sempre tem leitos disponíveis", ou a unidades da capital São Luís, a 60 quilômetros. Em relação ao raio X, ela informou que a prefeitura já comprou um novo aparelho que deve chegar nas próximas semanas.
 
Ainda segundo Mauricea Rodrigues Lopes, o Ministério da Saúde repassou ao município em julho R$ 400 mil para construir unidades básicas de Saúde (UBS) e reduzir os gastos da prefeitura com o aluguel de cinco imóveis onde funcionam algumas das atuais unidades. Segundo ela, as 15 equipes do Programa Saúde da Família, existentes em Rosário, atuam em cinco imóveis próprios e dez alugados.
 
Ela acrescentou que a pasta também repassou R$ 1 milhão para a construção de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) com o objetivo de atender usuários de álcool e drogas. A unidade terá 20 leitos para internação e funcionará 24 horas, destacou. O ministério também repassará R$ 78 mil mensais para manter o centro.
 
Com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) considerado médio, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, Rosário aparece atrás de 3.447 no ranking, que leva em consideração critérios como longevidade, renda e educação. O IDHM foi divulgado na semana passada no Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
 
Agência Brasil