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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Transparência nas informações de custo e qualidade em saúde pode contribuir para criar mais valor no mercado de saúde

Por Cesar Luiz Abicalaffe
 
Vários pensadores dizem que sim. O diretor executivo do HCI3, François de Brantes, vai mais longe. Ele fala: “Modelos de pagamentos e benefícios bem desenhados associados com transparência criará um mercado de saúde de alto valor…”
 
A transparência que ele se refere diz respeito ao “empoderamento” dos pacientes com mais informações sobre qualidade e custos em saúde. Recentemente foi promulgada uma lei no estado americano da Carolina do Norte em que impõe aos hospitais e aos médicos a divulgação de suas informações financeiras para facilitar a decisão dos pacientes. Interessante que isso no Brasil pode ser considerado antiético!
 
Podemos pensar um pouco fora da caixinha e imaginar uma resolução por parte da ANS para que as operadoras de planos de saúde divulgassem, de forma detalhada, aos seus beneficiários, o custo da assistência que tiveram nos seus prestadores. Principalmente porque eles sabem (ou deveriam saber) que este custo pode, de alguma forma, influenciar no prêmio mensal que eles ou suas empresas pagarão para ter o direito a assistência.
 
No entanto, somente esta informação não é suficiente para gerar valor em saúde. O ponto colocado por De Brantes é que é fundamental que as informações sobre os indicadores de qualidade sejam divulgados à sociedade, além das informações sobre os custos. Isso já é feito nos EUA, assim como em muitos países desenvolvidos. No Brasil, tudo leva a crer que com as resoluções da ANS referente ao QUALISS, isso se tornará uma realidade em breve.
 
No entanto, somente a transparência sem uma profunda reforma no modelo de remuneração aos prestadores não trará valor ao mercado de saúde. Isso já está comprovado em evidências em vários países do mundo e vimos demonstrando em várias publicações anteriores.
 
Novamente, voltamos à discussão de que problemas sistêmicos só se resolvem com ações sistêmicas. Infelizmente nossos gestores, assim como nossos governantes, buscam soluções pontuais de curto prazo, primeiramente que não os comprometam politicamente (no caso de governos e algumas UNIMEDs) seguido de ações intempestivas de redução de custos a qualquer preço. Precisamos ter coragem para rever isso.
 
SaudeWeb

eHealth e mHealth: a medicina em um país que envelhece

Para Nimrod Riftin, CEO da eWave Medical do Brasil, grande vantagem da tecnologia é a redução de custos assistenciais e de infraestrutura
 
A partir da virada do século XX para o XXI, as empresas de saúde se viram na obrigação – e também no benefício – de investir em tecnologia de informação e comunicação como forma de modernização da gestão, redução de custos e maior eficiência nos processos. Na atualidade, novas janelas de oportunidades de investimentos apontam para os notáveis avanços da telemedicina e da mobilidade aplicada à saúde: eHealth e mHealth.
 
Muitos benefícios já têm sido levantados como resultado da telemedicina, entre eles a diminuição da desigualdade da qualidade no atendimento assistencial devido a distâncias geográficas, redução de consultas médicas desnecessárias e a possibilidade de desospitalização de pacientes que podem ser monitorados remotamente.
 
Mas um novo aspecto da telemedicina, mais propriamente da mobilidade em saúde, tem se destacado: o foco na prevenção como forma de redução de custos. Em um país com cada vez mais idosos, em que se aumenta a incidência de doenças crônicas – e consequentemente as despesas de assistência –, as tecnologias de mobilidade em saúde (mHealth) se apresentam como soluções e alternativas inovadoras para a diminuição de despesas para governos e também empresas de saúde.
 
A utilização em massa de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, oferece a oportunidade de monitoramento remoto em tempo real a pacientes com doenças crônicas, que podem receber alertas de medicação, lembretes de consulta, orientação acerca de determinado estado de saúde ou até mesmo uma intervenção médica mais rápida e eficaz, se necessária, devido a dados vitais enviados à equipe assistencial por meio do seu dispositivo. Em aplicações mais críticas, o paciente pode até mesmo utilizar pulseira inteligente para monitoramento contínuo dos sinais vitais, com localização por GPS e comunicação de emergência.
 
Mais do que simplesmente uma agenda eletrônica, as soluções de mHealth estabelecem uma linha direta entre paciente e equipe médica que pode agir de forma preventiva em vez de paliativa. Além disso, pacientes que precisam de monitoramento não precisam necessariamente ficar hospitalizados, uma vez que podem receber o acompanhamento remoto.
 
O grande resultado de tanta tecnologia é a redução de custos: custos de internamento, deslocamento, equipe médica e de enfermagem, entre tantas despesas assistenciais que são evitadas por conta da prevenção. Afinal, um paciente hipertenso devidamente medicado e que vai às consultas periódicas para acompanhamento tem menos chances de sofrer um AVC do que aquele que não mantém as consultas em dia e se esquece de tomar os remédios.
 
Por tantos benefícios, as soluções de eHealth e mHealth vêm movimentando o mercado como líderes em soluções lucrativas em TI, especialmente para as operadoras de saúde suplementar que vêm buscando substituir os modelos de saúde paliativa e curativa para modelos de saúde preventiva. Nesse cenário, o Governo também pode seguir os mesmos passos e encontrar na tecnologia o caminho para o equilíbrio tão necessário em um país que tende a envelhecer e precisa superar os problemas crônicos na saúde pública.
 
* Nimrod Riftin é CEO da eWave Medical do Brasil
 
SaudeWeb

"Aditivos de cigarro serão todos banidos em um ano", diz ex-diretor da Anvisa

Agenor Alvares, que deixou nesta semana o cargo de diretor da Anvisa
Sergio Lima/Folhapress
Agenor Alvares, que deixou nesta semana o cargo de diretor da Anvisa
Depois de seis anos ocupando uma das cinco vagas da diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o ex-ministro da Saúde Agenor Álvares, 66, deixou nesta semana a função.
 
Diz ter uma frustração: de não ter visto regulamentada, até agora, a lei federal que delimita ambientes livres de fumo. A norma, de responsabilidade do Ministério da Saúde, está pendente desde 2011.
 
Nos últimos anos, Álvares se destacou pela defesa do veto aos aditivos no cigarro, de restrições ao fumo em locais fechados e de maiores limites à propaganda do cigarro.
 
Em 2005, como ministro interino da Saúde, Álvares assinou mensagem ao Senado em defesa da aprovação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (acordo internacional que pressiona pela redução do tabagismo).
 
No ano passado, o diretor recebeu da OMS (Organização Mundial da Saúde) um prêmio pela atuação na área.
 
À Folha, Álvares disse que o Brasil avançou no controle do tabagismo, mas defende o veto total aos aditivos do cigarro --não só os de sabor característico, como o mentol-- e um papel maior do Estado no incentivo para que fumicultores possam diversificar as culturas.
 
Folha - Como o Sr. avalia o desempenho do governo quando o assunto é o tabaco?
Agenor Álvares - A principal coisa que conseguimos alcançar nessa área foi a credibilidade internacional da política pública, que busca reduzir a prevalência de fumantes nesse país.

O governo como um todo, Ministério da Saúde e Anvisa, conseguiu. Associar as políticas de regulação do tabaco com as políticas de combate ao tabagismo fez com que a prevalência de fumantes na população acima de 15 anos diminuísse em mais de 50% em pouco mais de 20 anos.
 
O Sr. conseguiu fazer tudo o que pretendia nessa área?
A gente avançou muito, mas temos que entender que, muitas vezes, você avança cinco passos e recua dois. Na próxima, avança três e recua dois. Alguma frustração? Sim, de a gente não ter ainda regulamentado, na lei federal aprovada em 2011 pelo Congresso, os ambientes livres.
 
Entendo que, nesse momento, deve estar havendo algum estudo no governo para ver até que ponto você pode, realmente, propor uma regulamentação. O grupo técnico que foi designado para fazer um texto, sob a coordenação do Ministério da Saúde, fechou a proposta para avaliação do ministério.
 
Há mais de um ano...
Exatamente. É um tema controverso. Eu entendo isso. Mas o ministro [da Saúde, Alexandre] Padilha sempre falou sobre seu compromisso em avançar na política.
 
Fica aquela coisa de "o ministro não quer". Pelo menos o que ele falou comigo foi sobre o seu compromisso.
 
Já me perguntaram se houve muita pressão da indústria do tabaco sobre a nossa política de vetar os aditivos ao cigarro. Eu nunca recebi nenhuma pressão da indústria do tabaco. Se houve pressão no Congresso Nacional, em outros setores do governo, eu não posso dizer. Eu nunca recebi esse tipo de pressão.
 
Então, eu não tenho por que desacreditar de uma fala do ministro. Agora, em que pé ela está, eu não sei dizer.
 
Essa política vai ser importante também para outro segmento, dos bares e hotéis. Em todos os lugares do mundo onde a política de ambientes livres foi implantada, ficou mais agradável estar nesses lugares e, detalhe, não houve redução do lucro dos empresários. O lucro aumentou. São Paulo mostrou isso.
 
Em julho, o Sr. foi voto vencido numa decisão sobre aditivos ao cigarro. A Anvisa manteve o veto aos aditivos de sabor, mas liberou os que não são de sabor. Ficou a dúvida se os aditivos liberados estavam ou não proibidos na norma anterior. Houve flexibilização?
Estavam proibidos. A resolução [de 2012] proibiu tudo. Mas abria algumas exceções [para novas solicitações]. Nessas exceções, a indústria do tabaco pediu que fossem contemplados 181 aditivos.
 
A posição da área técnica é clara: mostra que os aditivos são usados para que você possa potencializar a obtenção da nicotina e melhorar a palatabilidade. Como existe uma espécie de queda de braço entre o que a indústria fala e o que os técnicos da Anvisa dizem, a diretoria optou por chamar um grupo técnico ""que não tenha a presença da indústria"" para analisar.
 
O Sr. acredita que eles vão ser vetados ao final dessa análise, prevista para durar um ano?
Acredito de maneira total. Tenho a impressão que, ao final desse prazo, a gente vai ter, com apoio da comunidade científica, todas as informações para mostrar que esses aditivos são maléficos.
 
O Sr. fez quase um manifesto contra o tabagismo nesse seu voto. Gostou da decisão?
Muitas vezes você tem que deixar uma mensagem do que você acredita ser o correto. O meu voto não foi totalmente rechaçado, não me frustrei em hipótese alguma. Podia ter sido aprovado por unanimidade, mas não foi. O que eu posso fazer? [risos].
 
Onde ainda falta avançar?
Essa é uma luta de muitos anos. Fui um dos signatários da mensagem ao Senado pedindo autorização para a ratificação da Convenção-Quadro [acordo internacional pela redução do tabagismo].
 
Nessa convenção, houve vários compromissos de governo, em alguns avançamos e em outros ainda estamos buscando alternativas políticas, de políticas públicas, para avançar mais. Temos que buscar o avanço principal: fazer com que produtores rurais não tenham nenhuma perda. O Estado brasileiro incentivou os produtores rurais a plantarem tabaco e tem que dar a eles condições de fazer a reconversão das culturas.
 
O setor do tabaco é uma atividade legal, mas considerada letal. É a única atividade regulamentada pela Anvisa que não ganha um "selo de qualidade". Regulamenta-se o que é maléfico para a saúde.
 
Folhaonline

Laser, antidepressivos e conversa ajudam a driblar questões de cama

Raios laser, ondas de choque e uso criativo de remédios já conhecidos são algumas das terapias empregadas hoje para minorar males sexuais que atingem homens e mulheres de todas as idades. O tratamento principal, porém, continua sendo a boa e velha conversa.
 
"O que você vê hoje é remédio para cá, remédio para lá. Eu só trato com medicação quando existe uma causa predominantemente orgânica. Caso contrário, faço a terapia sexual, comportamental cognitiva. É uma reeducação sexual", diz Tânia das Graças Mauadie Santana, 65, fundadora e coordenadora do Centro de Referência e Especialização em Sexologia do Hospital Pérola Byington.
 
 
Nem todos os pacientes estão dispostos a passar por esse tipo de processo. Se uma pílula resolve, vão logo aceitando a droga, mesmo para males considerados de origem predominantemente psicológica, como é o caso da ejaculação precoce.
 
Principal problema sexual masculino, atinge mais de um em cada quatro homens adultos no Brasil --estatísticas internacionais apontam índices ainda maiores.
 
Os números são crescentes, observa o urologista Conrado Alvarenga, 34, do Grupo de Disfunção Sexual do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
 
A culpa, afirma, é do mundo moderno. Sobretudo numa cidade acelerada como São Paulo. "As pessoas querem tudo para ontem, determinam tarefas e depois de cinco minutos já estão cobrando. Esse mundo muito imediatista aumenta as taxas de disfunção sexual."
 
"O perfil do ejaculador precoce jovem é o moleque que deu certo, que trabalha no ramo de tecnologia ou no mercado financeiro, está crescendo, é um moleque com futuro, mas vive num mundo muito ansioso, o mundos das start-ups. Esse moleque, quando vai transar, goza rápido. É gente de 20, 25, 30 anos", completa Alvarenga.
 
Joguinhos
Segundo ele, o tratamento básico é a terapia comportamental, que ensina os chamados jogos amorosos. "Você incentiva o indivíduo a ficar muito tempo nas preliminares, a não penetrar rápido, estimular mais a mulher, depois vai penetrar. O cara se masturba e goza antes. Depois vai sair para transar.
 
O outro lado tem de estar disposto a abraçar a causa ou é melhor parar por aí. "Isso envolve uma parceira que não o cobre, que entenda que ele tem essa dificuldade e que isso tem tratamento", afirma Alvarenga.
 
Os médicos vêm receitando também medicamentos antidepressivos em doses menores do que as empregadas no tratamento da depressão, segundo o urologista Geraldo Eduardo Faria, 68, membro da Sociedade Brasileira de Urologia.
 
São inibidores da captação de serotonina, que têm como efeito secundário o bloqueio circulatório --utilizados para deixar o paciente menos ansioso e retardar a ejaculação.
 
Já entre a população masculina mais velha, o problema é a falta de ereção, a disfunção erétil. Estudos feitos nos EUA mostram que, lá, 52% dos homens de 40 a 70 anos apresentam o problema em algum grau. Aqui no Brasil, a pesquisa Mosaico Brasil, que ouviu mais de 8.200 homens e mulheres maiores de 18 anos, em dez capitais, aponta índice menor: 45% dos homens maiores de 40 anos.
 
"É quando as doenças que prejudicam a ereção começam a incidir: diabetes, hipertensão, colesterol alto, doenças da próstata, cardiovasculares, depressão, ansiedade. São os problemas que começam a ficar mais frequentes com a idade", diz a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
 
Fora da receita
Desde o final do século passado, homens se beneficiam de remédios por via oral, que revolucionaram o tratamento. "A vinda dessa medicação teve impacto muito grande, pois os homens começaram a procurar mais ajuda para tratar seus problemas de sexualidade", afirma Faria.
 
Cerca de dois terços dos pacientes são tratados, com sucesso, com o Viagra e outros medicamentos, como o Levitra e o Cialis, que precisam ser tomados de 30 minutos a até 12 horas antes da relação sexual, dependendo do medicamento escolhido.
 
Os laboratórios buscam, hoje, é por formas que tornem natural esse processo, evitando que o paciente precise se programar para ter a relação sexual. Já há algum tempo está no mercado versão de remédio para uso diário: a pessoa toma um comprimido pela manhã e fica em condições de ter ereção ao longo do dia.
 
Pesquisas mostram que mesmo isso pode melhorar. Em maio, foi apresentado em um congresso de urologia nos EUA um estudo sobre o uso de ondas de choque de alta energia para tratamento da disfunção erétil. É o mesmo sistema usado para quebrar pedras do rim --agora, balanceado para atuar no pênis.
 
Pesquisa feita em um hospital de Israel com 20 homens que sofriam impotência havia três anos, em média, mostrou bons resultados. Metade deles não precisou mais usar pílulas seis meses depois do tratamento.
 
Apesar disso, é preciso ir com calma: "Não se sabe ao certo o mecanismo de ação desse tratamento. Não seria um simples aumento do fluxo de sangue", afirma Joaquim de Almeida Claro, 52, coordenador do Hospital do Homem de São Paulo.
 
Vez delas
Para as mulheres, a situação é mais complicada. Continua sem vencedor a corrida dos laboratórios para encontrar a pílula do desejo, o Viagra feminino. O público é enorme: segundo a pesquisa Mosaico Brasil, 23,5% das adultas relatam ausência de orgasmo; 26,6%, falta de excitação.
 
Médicos têm receitado também um antidepressivo --que funciona como um inibidor da captação de dopamina que melhora a disposição para o sexo. "Esse uso não está na bula, mas vem sendo feito de forma ampla para as que não têm desejo sexual", diz Carmita Abdo.
 
Neste ano, começou a ser empregado em São Paulo tratamento a laser para atrofia vaginal. Mais comum entre mulheres que já passaram da menopausa, é o afinamento das paredes vaginais e seu ressecamento.
 
A técnica "estimula a produção de colágeno", diz a ginecologista Vera Lúcia da Cruz, 55, da Faculdade de Medicina do ABC. Primeira médica a aplicar a terapia no país, ela diz que o processo recupera a elasticidade, a espessura e a lubrificação da vagina.
 
Folhaonline

Manual da Associação Americana do Coração dá dicas para a vida sexual pós-infarto

Um manual com recomendações sobre a volta à vida sexual após uma doença cardiovascular foi lançado pela primeira vez por uma associação médica para incentivar cardiologistas a tocar no assunto com seus pacientes.
 
Sim, o tema ainda é tabu, tanto para médicos como para pacientes. Estudos já mostraram que os cardiologistas reconhecem a importância e necessidade de falar a respeito, mas muitos não sabem que conselhos dar ou se sentem constrangidos.
 
kama sutra velhinhos
Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress
A vergonha também pode tomar conta de pacientes e seus parceiros, que nessas situações costumam ter uma lista de medos e ansiedade. com potencial de causar impactos negativos nos relacionamentos.
 
Uma das principais preocupações é sobre um eventual infarto durante o ato sexual -coisa rara, que só acontece em 0,9% dos casos.
 
É o tipo de informação que poderia ser repassada aos pacientes para tranquilizá-los, segundo as diretrizes baseadas em evidências publicadas recentemente na revista "Circulation" pela Associação Americana do Coração e pelo Conselho de Enfermagem Cardiovascular e Profissões Aliadas da Sociedade Europeia de Cardiologia.
 
"Por incrível que pareça, no século 21 esse é um tema difícil de abordar", diz Abrão Cury Jr, supervisor de clínica médica do HCor (Hospital do Coração). "A publicação tira o assunto da penumbra. Tem médico que não sabe se fala sobre sexo com o paciente, mas o manual incentiva e facilita essa abordagem."
 
Segundo o manual, é o próprio profissional que deve tomar a dianteira.
 
"Se o médico toca no assunto, facilita muito porque ele abre um canal de comunicação. Claro que isso também pode gerar um constrangimento, mas o médico deve sempre perguntar se o paciente tem dúvidas, dizer quando a atividade sexual poderá ser feita. Todos querem saber, mas poucos questionam", diz Carlos Costa Magalhães, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).
 
Quando o bancário aposentado Edson Saraiva, 63, teve um infarto e precisou colocar três pontes de safena aos 39 anos, foi dele a iniciativa de falar sobre sexo.
 
"No início, nem pensava no assunto, mas, passado o perigo, queria retomar a vida de antes e perguntei se podia. Depois de uma cirurgia dessa a gente fica com medo de tudo e, se o médico não disser que pode, não vai fazer."
 
No primeiro retorno, um mês depois, ouviu do médico que estava liberado, mas que no começo precisaria fazer menos esforço físico e ser mais passivo.
 
Isso significa ficar em posições confortáveis que requerem menor gasto de energia, de preferência com a pessoa que sofreu o problema cardíaco deitada.
 
O documento da Associação Americana do Coração também recomenda que os casais avancem aos poucos, começando por beijos e carícias, para que o paciente vá ganhando confiança e perca o medo. Sexo em lugares familiares com o parceiro usual também gera menos estresse para o coração.
 
Outra preocupação é em relação aos remédios prescritos para pacientes cardíacos. Alguns deles, como os betabloqueadores e diuréticos, podem causar perda de libido e disfunção sexual, e o ideal é conversar com o médico a respeito para que ele considere trocar a classe das drogas ou reduzir as doses.
 
Já os remédios para disfunção erétil são contraindicados para os homens que tomam drogas vasodilatadoras à base de nitrato.
 
As recomendações, é claro, devem ser individualizadas e dependem das condições clínicas de cada paciente. E, se o médico não falar no retorno à vida sexual, o paciente deve tocar no assunto e também relatar quaisquer sintomas que possam aparecer durante a relação sexual.
 
"A pessoa não pode sair do consultório com dúvidas. E o médico tem que mostrar que existe, sim, vida sexual após um infarto. Do que adianta manter o paciente vivo sem qualidade de vida?", questiona Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
 
Folhaonline