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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Saiba como evitar lesões causadas pela prática incorreta do ciclismo

Saiba como evitar lesões causadas pela prática incorreta do ciclismo  Eduardo Schaucoski/Divulgação
Foto: Divulgação
Alongamento e fortalecimento muscular estão entre as principais
 recomendações preventivas para quem pretende praticar ciclismo
Problemas mais comuns são as tendinites nos joelhos e as hérnias de disco
 
Mais que adrenalina e velocidade, o ciclismo pode permitir uma sensação única de liberdade para quem pratica. Considerado o sétimo esporte mais saudável pela revista Forbes, em 2010, a modalidade proporciona resistência cardiorespiratória, força e resistência muscular, flexibilidade, além do gasto calórico, mas pode ser aliado de danos corporais se praticado de maneira incorreta, excessiva ou se acontecerem quedas graves. Entre as ocorrências estão a fascite plantar , a parestesia peniana, as lesões musculares e a lombalgia — que se não for tratada pode evoluir para uma hérnia de disco.
 
O fisioterapeuta Giuliano Martins, diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRC), explica como isso acontece:
 
— As dores nas costas são decorrentes da posição mal ajustada do ciclista sobre a bicicleta. Os músculos que podem ser afetados são os glúteos, piriforme, isquiotibiais paravertebrais, multífidos e o quadrado lombar. Este último está localizado entre primeira vértebra lombar e vai até a segunda vértebra sacal, conhecidas como L1 e S2. Por isso que a escolha e a regulagem correta do equipamento são importantes para evitar as lombalgias, e futuramente, as hérnias de disco.
 
Martins explica que outro problema muito comum nos joelhos são as tendinites.
 
— O movimento de pedalar é feito principalmente pelo quadríceps mais especificamente pelo vasto medial. Uma pedalada com técnica errada ou pedalada com muita sobrecarga (subidas, pedaladas travadas) vai sobrecarregar esta musculatura e pode causar lesões. É importante escolher o tamanho de quadro correto ao tamanho de cada pessoa e observar as regulagens e os ajustes para o corpo. Outro conselho é evitar pedalar em marchas muito pesadas para não sobrecarregar os joelhos e realizar aquecimentos antes e alongamentos depois dos exercícios — esclarece.
 
Inseridos no grupo de risco, os sedentários devem ter cuidados redobrados na hora da prática esportiva.
 
— Estas pessoas possuem uma grande fraqueza nos músculos. Estes músculos são os responsáveis por manter a coluna estabilizada e a postura sobre a bicicleta é fator determinante no surgimento de lesões cervicais e lombares, por isso a musculatura fortalecida é essencial — destaca Martins.
 
Segundo o especialista, em casos de hérnia de disco, o recomendado é tratar o paciente com fisioterapia e a técnica de RMA (Reconstrução Músculo Articular da Coluna Vertebral), que reúne também as mesas de tração e flexo-descompressão.
 
— A dica para a prevenção de qualquer dano, além do fortalecimento, é sempre se alongar antes e após o exercício, fazer abdominais, repouso adequado e, é claro, saber o próprio limite — completa.
 
Conheça outras lesões e como evitá-las:
 
Lesões musculares
Ocorrem principalmente no tríceps sural e nos quadríceps, em geral por, overuse (excesso de uso). Alongue-se diariamente após os exercícios.
 
— Procure praticar musculação para promover o fortalecimento dos grupos musculares envolvidos no ciclismo.
 
— Descanse depois de treinos muito árduos e de competições. O repouso deve fazer parte de seu treinamento.
 
Parestesia peniana
É a dormência e falta de sensibilidade na região entre as pernas, que vai apoiada no selim da bicicleta. Nas mulheres ocorre a parestesia dos grandes lábios. O nervo, quando submetido a uma compressão por longo período de tempo, passa a ter menor sinal de impulso nervoso, o que leva a perda de sensibilidade temporária. Não há relatos de perda de potência devido ao ciclismo. Cada um deve conhecer o limite de tempo que pode ficar sentado sobre o veículo. Para iniciantes, apenas 20 minutos podem gerar incômodos.
 
— Use bermuda de ciclismo com o forro feito de uma espuma de alta densidade, mesmo em aulas de ciclismo indoor.
 
— Procure adquirir um selim vazado no centro que ajuda a aliviar a pressão nessa região.
 
Fascite plantar
É a sensação de queimação na planta do pé, dor na parte posterior da sola ao tocar o chão. Geralmente o pior momento da dor acontece durante os primeiros passos pela manhã ou durante o início da corrida. Dentre os fatores predisponentes encontram-se a falta de alongamento e aquecimento, mais comum em pés cavos, obesidade, pronação e supinação excessivas e idade avançada.
 
— Procure usar sapatilhas próprias para ciclismo.
 
Zero Hora

Obstetras americanos mudam definição de hora certa para o parto

ShutterstockPor anos, partos que aconteciam entre 37 e 42 semanas de gravidez eram considerados a termo, jargão que descreve partos na hora certa. Agora, um grupo de médicos americanos quer dividir os nascimentos que acontecem nesse período em novas categorias, mudando assim o conceito de parto a termo.
 
"Cada vez mais reconhecemos que as respostas dos recém-nascidos não são uniformes entre 37 e 42 semanas de gravidez", disse Jeffrey Ecker, do comitê em obstetrícia prática do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.
 
Partos entre a 37ª e a 39ª semana de gravidez serão agora considerados pré-termo, de acordo com a entidade. Um parto a termo será aquele entre a 39ª e a 41ª semana.
 
Bebês nascidos entre 41 e a 42 semanas de gravidez serão classificados como "termo tardio" e os que nascerem depois da 42ª semana de gravidez continuam sendo definidos como pós-termo.
 
Pesquisas
Pesquisadores têm observado que bebês nascidos antes de 39 semanas de gravidez não são tão desenvolvidos quanto os que nasceram depois.
 
Aqueles nascidos após a 39ª semana têm menos problemas de respiração, audição e de aprendizagem, segundo comunicado da entidade, publicado ontem.
 
Ainda de acordo com a entidade, o cérebro cresce cerca de um terço entre a 35ª e 39ª semana de gravidez. E uma camada de gordura que ajuda a manter o calor do corpo só é criada nas últimas semanas de gravidez.
 
As novas definições devem ajudar a reduzir o número de mulheres que optam por ter um parto induzido ou cesárea por razões não médicas. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas é contra a indução do parto antes da 39ª semana de gravidez.
 
 
"Os médicos agora podem dizer que os partos induzidos e cesáreas não devem ser realizados no período pré-termo", disse Ecker.
 
Ele adverte, no entanto, que há casos em que a indução é necessária e que a decisão da hora do parto deve ser discutida entre médico e paciente.
 
Folhaonline

Vacinados contra gripe têm menos problemas cardíacos

A vacina de gripe pode fazer mais do que prevenir a infecção. Uma pesquisa publicada no "Journal of the American Medical Association" mostra que pessoas vacinadas tiveram menos risco de sofrer problemas cardíacos no ano seguinte à imunização do que quem recebeu uma injeção com placebo.
 
A relação valeu especialmente para quem tinha tido problemas cardíacos recentemente.
 
"Se ainda há pessoas que por qualquer motivo não tomam a vacina ou acham que não precisam, essa é mais uma demonstração de por que ela ajuda", afirmou Jacob Udell, líder do estudo, da Universidade de Toronto.
 
Estudos anteriores mostram que pessoas que ficam gripadas têm maior risco de sofrer derrame, falência cardíaca e doenças cardíacas.
 
A infecção pode causar inflamação pelo corpo todo e piorar problemas cardíacos preexistentes.
 
O novo estudo analisou trabalhos anteriores com 6.735 participantes, a maioria na faixa dos 60 anos e um terço com histórico de doenças cardíacas.
 
No total, 3% dos que receberam a vacina tiveram infarto ou derrame no período de um ano. Entre os não vacinados, 5% tiveram problemas.
 
Entre as pessoas que haviam tido problemas cardíacos recentemente, a diferença foi maior.
 
Cerca de 10% dos vacinados cardíacos tiveram problemas após a vacina, enquanto que 23% dos não vacinados sofreram eventos cardiovasculares.
 
Folhaonline

Gordura saturada não é a vilã para o coração, diz artigo

As gorduras saturadas da manteiga, do queijo e da carne vermelha não são tão prejudiciais para o coração como se pensava até agora, de acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira na revista "British Medical Journal" por Aseem Malhotra, um dos cardiologistas mais prestigiados do Reino Unido e especialista do hospital universitário de Croydon, em Londres.
 
Em seu artigo, Malhotra afirma que o consumo de produtos com pouca gordura "paradoxalmente" aumentou o risco de ter doenças cardiovasculares.
 
Segundo o especialista, as pessoas consomem todo tipo de produtos desnatados pensando que são melhores para a saúde e que ajudarão a perder peso, mas que, na realidade, muitos deles contêm grandes quantidades de açúcar adicionado.
 
A explicação é que a indústria alimentícia substitui as gorduras eliminadas nos alimentos por açúcares e adoçantes, já que a comida livre de gordura não é tão saborosa, acrescentou Malhotra.
 
No entanto, afirma o especialista, é necessário diferenciar as chamadas "gorduras trans" (encontradas em fast food, produtos de confeitaria e margarina), que são prejudiciais, e as gorduras do leite, do queijo e da carne, que não são ruins para a saúde.
 
O especialista criticou a "obsessão" médica com os níveis de colesterol, que levou milhões de pessoas a tomarem remédios para reduzir a quantidade de gorduras prejudiciais no sangue.
 
Para isso, o cardiologista recomenda que as pessoas com risco de sofrer doenças cardiovasculares façam uma dieta mediterrânea rica em peixes oleosos, azeite de oliva, verduras e frutos secos.
 
"É hora de romper o mito do papel das gorduras saturadas nas doenças do coração" que esteve presente na indicação dietética e nas recomendações nutricionais durante quase quatro décadas, afirmou Malhotra.
 
A teoria foi respaldada por outros especialistas como David Haslam, Chefe do Fórum Nacional sobre a Obesidade, que afirmou que a evidência científica está demonstrando atualmente que os carboidratos refinados e o açúcar são na realidade os culpados pelo aumento da gordura no sangue.
 
Timothy Noakes, professor de ciências do esporte e da atividade física na Universidade da Cidade do Cabo, acrescentou que "o pior erro médico de nossa época foi considerar a alta concentração de colesterol no sangue como a causa exclusiva da doença cardíaca coronária".
 
Folhaonline

A mais letal das doenças mentais

Imagem ilustrativa retirada da internet
A anorexia tem a mais alta taxa de mortalidade das desordens psiquiátricas; Keel e associados estimaram que 17% das anoréxicas morrem em decorrência da doença
 
Claudia é parte de uma família com uma incrível história de superação. Ela é a mais velha de cinco irmãs, que nasceram e passaram a infância nas áreas pobres de Bogotá. Ficaram órfãs cedo, devido às mortes violentas do pai e da mãe. Ainda uma pré-adolescente, Claudia teve que assumir os papéis de pai e mãe.              
 
Cedo, muito cedo, ela percebeu que a única maneira de sair da miséria era através da educação. Com mão de ferro, manteve e dirigiu sua família, com resultados impressionantes: quatro terminaram a universidade e duas, inclusive Claudia, obtiveram um doutorado. Trabalhando muito, Claudia ajudou as irmãs. Somente a menor ficou fora da sua influência, engravidando e casando cedo.             
 
É uma linda estória, de um sucesso improvável. Contudo, não é a única característica que a diferencia da maioria das mulheres: aos cinquenta anos, com estatura normal, Claudia pesa menos de trinta quilos. É anoréxica.
 
Infelizmente, uma nuvem de noções erradas e romantizadas sobre os distúrbios alimentares intencionais impede que campanhas de prevenção e de sua contenção sejam bem sucedidas. Os distúrbios usualmente começam durante a adolescência ou pré-adolescência, estimulando a noção errada de que são distúrbios leves, típicos da idade, tendendo a desaparecer com a maturidade. Seriam, temporárias, chatas, mas não graves.
 
Nada mais errado. A anorexia tem a mais alta taxa de mortalidade das desordens psiquiátricas. Keel e associados estimaram que 17% das anoréxicas morrem em decorrência, direta ou indireta, da doença. É uma percentagem altíssima.              
 
Em 1995, Sullivan publicou um artigo que deixou marcas profundas: analisou 42 pesquisas publicadas, através de uma técnica chamada de meta-análise, concluindo que a taxa de mortalidade (por todas as causas) das anoréxicas era muito mais alta do que a da população total e do que a das pacientes internadas por todas as demais causas psiquiátricas.
 
De que morrem? Em 2007, Fedorowicz et al. demonstraram que a maior parte das mortes de mulheres anoréxicas se devia ao suicídio. Embora possamos definir que uma história de anorexia seja, em muitos casos, um suicídio lento, a taxa de suicídio de anoréxicas é a mais alta de todas as doenças mentais.
 
O que causa isso? Uma história de abuso físico e/ou sexual na infância, alcoolismo, uso de drogas e depressão se correlacionam com a tendência ao suicídio de mulheres com desordens alimentares. Aumentam o risco, por si já elevado, causado pela própria doença.
 
Há outros comportamentos que fazem parte de uma síndrome: entre um quarto e metade das pessoas com desordens alimentares também se machucam ou mutilam, levantando uma bandeira vermelha. Porém, a bandeira só não basta: são necessários olhos que saibam vê-la.
 
Contudo, os olhos de muitos profissionais da saúde, de parentes, professores e outros que poderiam evitar esses suicídios não foram treinados, em parte devido ao conceito errado e muito difundido de que os distúrbios alimentares intencionais não são perigosos para a vida.
 
Há diferenças entre as desordens alimentares. Franko e Keel, após revisão da literatura, apresentaram dados que demonstram que a taxa de suicídio de anoréxicas é alta e a de bulímicas é mais baixa, mas as taxas de ideações e de tentativas são mais altas entre as bulímicas. É um fenômeno global.
 
Fedorowicz e outros analisaram mais de mil pacientes parisienses internadas por desordens alimentares. Confirmaram que as que sofrem de bulimia têm taxas mais altas de ideações e de tentativas suicidas e as anoréxicas de suicídio. Fennig e Hadas encontraram resultados semelhantes em Tel Aviv. Duas em três tiveram ideações suicidas e uma em quatro chegou a tentar o suicídio. A depressão também está presente: 58% das pacientes.
 
O abuso infantil está presente na vida de Claudia: um dos segredos familiares da sua sofrida história é o abuso de que foi vítima quando criança.
 
Fatores econômicos podem facilitar a passagem de ideações suicidas para o suicídio. Não determinam, mas podem facilitar. Claudia foi uma das vitimas da crise americana. A firma americana onde trabalhava faliu e parte considerável da sua poupança, em forma de ações da firma, foi perdida. Vinha perdendo peso, mas perdeu mais rapidamente a partir de então.
 
Há desinformação no que concerne o suicídio de anoréxicas. Pior: muitas das próprias anoréxicas são desinformadas. É mais um tipo de suicídio sobre o qual há uma pletora de informações românticas, falsas, erradas.
 
Claudia quis acreditar que morreria de forma indolor, gradual e pacifica. Embora sua formação acadêmica permitisse buscar a informação adequada, ela foi uma vitima fácil de sua própria doença mental. Preferiu ignorar que o corpo busca água, inclusive num estado semiconsciente, mas que, com a debilidade extrema, a capacidade de caminhar é mínima. Há quedas e mais quedas. A osteoporose significa que pequenos impactos causam fraturas.
 
Anne Klibanski, desde a década de 80, vem sublinhando que os ossos de adolescentes anoréxicas são semelhantes aos de mulheres muitas décadas mais velhas. Algumas perdem muita substância óssea e seus ossos podem quebrar sem queda nem exercício violento. Noventa por cento das anoréxicas sofrem de osteopenia e 40% sofrem de osteoporose.
 
Um fato não divulgado é que a maior parte das pessoas que são encontradas está desfigurada, com várias fraturas. Muitas entre as que são socorridas a tempo não recuperam suas capacidades. Um número substancial fica dependente para o resto da vida.
 
Claudia foi encontrada pela família, excepcionalmente, sem fraturas, mas com danos permanentes em vários órgãos, inclusive no cérebro. A mídia romântica não informa a população em geral dos danos estruturais no cérebro de anoréxicas.
 
Na Austrália, Kingston e outros demonstraram que pacientes tinham rendimento pior em atenção, habilidade visual-espacial e memória - mesmo depois de ganharem dez por cento do peso. Parte dos danos era permanente.
 
A ONG Anorexia Nervosa and Related Eating Disorders informa que perto de vinte por cento das pessoas com desordens alimentares sérias morrem em decorrência da doença. Apresentam a prevalência e a incidência mais altas de todas as doenças mentais. O tratamento funciona e reduz o risco de morte em mais de dez vezes, mas não é panaceia: 40% não se recuperam integralmente.
 
A informação que trata a anorexia como uma “chateação” típica da adolescência ignora outras sérias consequências, como as mudanças hormonais profundas, que afetam, inclusive, os hormônios reprodutivos, os relacionados com o estresse, os vinculados ao crescimento e à tireoide; a tendência aos ritmos cardíacos anormais; o desequilíbrio nos eletrólitos, os sérios problemas de fertilidade; a anemia; a perda de densidade óssea, os sérios problemas neurológicos e muito mais.
 
Hoje, Claudia está em um hospital. Ainda há risco de vida; se sobreviver, será dependente. Uma das terapias mais exitosas, a FBT, se baseia na família. Felizmente, a de Claudia, pela qual tanto se sacrificou, retribui o amor e a dedicação.             

GLÁUCIO SOARES, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticas (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
 
Post-Scriptum de Bogotá:
O corpo de Claudia, depois de tanto tempo de abuso, não resistiu. Ela faleceu.
 
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